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Considere o texto abaixo e responda à questão.
“Na perspectiva atual, a evolução do Homo sapiens – o homem moderno – a partir de seu ambiente pré-sapiens imediato, surgiu definitivamente há cerca de quatro milhões de anos, com o aparecimento do agora famoso Australopitecíneo – os assim chamados homens-macacos da África do Sul e Oriental – e culminou com a emergência do próprio sapiens, há apenas uns duzentos ou trezentos mil anos. Assim, como pelo menos formas elementares de atividade cultural ou, se desejam, protocultural (a feitura de ferramentas simples, a caça e assim por diante) parecem ter estado presentes entre alguns dos Australopitecíneos, há então uma superposição de mais de um milhão de anos entre o início da cultura e o aparecimento do homem como hoje o conhecemos. As datas precisas – que são apenas tentativas e que pesquisas futuras podem alterar para mais ou menos – não são importantes; o que é importante é ter havido uma superposição, e ela ter sido muito extensa. As fases finais (finais até hoje, pelo menos) da história filogenética do homem tiveram lugar na mesma era geológica grandiosa – a chamada Era Glacial – das fases iniciais da sua história cultural. Os homens comemoram aniversários, mas o homem não.”
(GEERTZ, Clifford. O impacto do conceito de cultura sobre o conceito de homem. In: _________ A Interpretação das Culturas. Rio de Janeiro: LTC, 1989, p. 59.
Ainda sobre o texto de Clifford Geertz, considere as seguintes afirmativas:
1. O trecho trata da complementaridade entre o desenvolvimento biológico da espécie humana e o seu desenvolvimento cultural, havendo uma longa superposição entre o surgimento das primeiras e mais rudimentares atividades culturais, tais como o uso de ferramentas simples, e o atual estágio de desenvolvimento filogenético do homem moderno.
2. A frase “Os homens comemoram aniversários, mas o homem não” refere-se ao fato de que não é possível marcar o momento exato na história filogenética do Homo sapiens em que a espécie humana desenvolve suas capacidades culturais.
3. Ao tratar da questão do desenvolvimento humano desde uma perspectiva biológica, o autor acaba por relegar os temas da cultura a um segundo plano na análise, reduzindo-a ao uso de ferramentas elementares, que ele classifica como “protoculturais”.
4. O trecho trata da evolução biológica da espécie humana, apontando para a necessidade de pesquisas acerca das várias superposições entre os diversos antepassados em nossa linha evolutiva até a emergência do Homo sapiens moderno, o único dotado da capacidade de desenvolver cultura.
Assinale a alternativa correta.
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Considere o texto abaixo e responda à questão.
“Na perspectiva atual, a evolução do Homo sapiens – o homem moderno – a partir de seu ambiente pré-sapiens imediato, surgiu definitivamente há cerca de quatro milhões de anos, com o aparecimento do agora famoso Australopitecíneo – os assim chamados homens-macacos da África do Sul e Oriental – e culminou com a emergência do próprio sapiens, há apenas uns duzentos ou trezentos mil anos. Assim, como pelo menos formas elementares de atividade cultural ou, se desejam, protocultural (a feitura de ferramentas simples, a caça e assim por diante) parecem ter estado presentes entre alguns dos Australopitecíneos, há então uma superposição de mais de um milhão de anos entre o início da cultura e o aparecimento do homem como hoje o conhecemos. As datas precisas – que são apenas tentativas e que pesquisas futuras podem alterar para mais ou menos – não são importantes; o que é importante é ter havido uma superposição, e ela ter sido muito extensa. As fases finais (finais até hoje, pelo menos) da história filogenética do homem tiveram lugar na mesma era geológica grandiosa – a chamada Era Glacial – das fases iniciais da sua história cultural. Os homens comemoram aniversários, mas o homem não.”
(GEERTZ, Clifford. O impacto do conceito de cultura sobre o conceito de homem. In: _________ A Interpretação das Culturas. Rio de Janeiro: LTC, 1989, p. 59.
A partir da leitura do fragmento acima, assinale a alternativa que melhor corresponde à concepção de ser humano veiculada pelo autor:
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Leia o texto abaixo:
Na obra “Ensaio sobre a Dádiva”, Marcel Mauss (2003) escreve sobre prestações e contraprestações que expressam um sistema de trocas. Para o autor, estas prestações possuem um “caráter voluntário, por assim dizer, aparentemente livre e gratuito, e no entanto obrigatório e interessado” (p. 188), na medida em que “Elas assumiram quase sempre a forma do regalo, do presente oferecido generosamente, mesmo quando, nesse gesto que acompanha a transação, há somente ficção, formalismo e mentira social” (p. 188).
Sobre a obra, identifique as seguintes afirmativas como verdadeiras (V) ou falsas (F):
( ) O autor define seu estudo sobre a dádiva como um estudo comparativo, onde são utilizados dados provenientes de diferentes regiões, como da Melanésia, da Polinésia e do Noroeste Americano.
( ) As trocas que acontecem entre indivíduos e grupos não têm como objetos exclusivos os bens e as riquezas, mas também são trocadas, por exemplo, festas, banquetes, crianças e ritos.
( ) As trocas envolvem três obrigações, classificadas pelo autor nos atos de dar, receber e retribuir.
( ) Um sistema de prestações totais pode ser pensado como um fenômeno social total, pois nele se expressam diversas instituições que remetem à religião, ao direito, à economia, ao consumo e à estética.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo:
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A respeito da obra de Louis Dumont, identifique as seguintes afirmativas como verdadeiras (V) ou falsas (F):
( ) As noções de hierarquia e individualismo, em Louis Dumont, servem como princípios estruturais para a compreensão das diferenças entre as ideologias mais gerais que orientam a sociedade indiana e a sociedade ocidental moderna.
( ) A expressão englobamento do contrário diferencia a noção de hierarquia dentro da tradição teórica do estruturalismo francês da noção de senso comum, para a qual a hierarquia não passa de um sistema de ordenamento de diferentes posições de prestígio.
( ) O individualismo, para Louis Dumont, diz respeito à ideologia que toma como princípio máximo de valor o indivíduo independente de suas relações sociais. A figura do renunciante, na Índia, exemplifica esta posição de indivíduo-fora-do-mundo, ou seja, apartado das relações sociais hierárquicas que constituem a sociedade indiana.
( ) O Homo hierarchicus, obra de Louis Dumont sobre o sistema de castas na Índia, é baseado em dados etnográficos minuciosos coletados sobretudo em pequenas cidades e aldeias na região central do país. Seu trabalho deve ser compreendido como uma leitura da hierarquia e do sistema de castas a partir das subdivisões locais e das especificidades da região na qual o antropólogo permaneceu por longos anos.
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Considere as seguintes afirmativas sobre o método etnográfico:
1. A etnografia, embora seja reconhecida como o mais importante instrumento para a obtenção e produção de dados de pesquisa em antropologia, é um método utilizado também em pesquisas de outras áreas das Ciências Humanas, não sendo exclusivo desta disciplina.
2. A observação participante é uma estratégia metodológica que consiste na produção de uma posição especial de observação objetiva, na qual a participação e o envolvimento com o cotidiano do grupo a ser estudado são cuidadosamente controlados, com o objetivo de evitar que a subjetividade do pesquisador interfira na coleta de dados cientificamente válidos.
3. A Antropologia Visual busca aplicar os princípios da etnografia e da observação participante à produção de peças audiovisuais. Estas podem constituir uma narrativa etnográfica independente de outros meios ou podem ser combinadas com textos escritos.
4. Marcel Mauss e Claude Lévi-Strauss, embora tenham reconhecido a importância do método etnográfico, nunca escreveram monografias etnográficas clássicas.
Assinale a alternativa correta.
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Leia o texto abaixo:
“As grandes declarações dos direitos do homem têm, elas também, esta força e esta fraqueza de enunciar um ideal muitas vezes esquecido, que o homem não realiza a sua natureza numa humanidade abstrata, mas nas culturas tradicionais onde as mudanças mais revolucionárias deixam subsistir intatos aspectos importantes e explicam-se a si próprias em função de uma situação estritamente definida no tempo e no espaço. Preso entre a dupla tentação de condenar experiências que o chocam afetivamente e de negar as diferenças que ele não compreende intelectualmente, o homem moderno entregou-se a toda espécie de especulações filosóficas e sociológicas para estabelecer vãos compromissos entre estes polos contraditórios, e para aperceber a diversidade das culturas, procurando suprimir nesta o que ela contém, para ele, de escandaloso e de chocante.”
(LÉVI-STRAUSS, C. Raça e História. In: A Antropologia Estrutural Dois. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1993, p. 335.)
A partir do trecho acima, considere as seguintes afirmativas:
1. A expressão “o homem não realiza sua natureza numa humanidade abstrata” pode ser compreendida como uma referência ao fato de que todos os seres humanos têm sua existência determinada pelo pertencimento a um contexto cultural dado e que a ideia de unidade da espécie humana é um postulado intelectual sem verificação concreta.
2. O incômodo com a questão da diversidade das raças e culturas levou o homem moderno à formulação das diversas declarações de direitos humanos. Segundo o autor, a capacidade de sentir este incômodo é a principal diferença entre a sociedade moderna e as sociedades primitivas.
3. As especulações filosóficas e sociológicas do homem moderno, mencionadas no texto, são uma tentativa de compreender simultaneamente o postulado de unidade da humanidade e a sua diversidade cultural.
4. A tentação de “condenar experiências que o chocam afetivamente”, mencionada no texto é uma referência ao etnocentrismo que, para o autor, pode ocorrer em qualquer coletivo humano, não sendo exclusivo da sociedade moderna.
Assinale a alternativa correta.
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Em relação à antropologia norte-americana, assinale a alternativa correta.
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Considerando a antropologia estruturalista francesa, assinale a alternativa correta.
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Sobre a questão da mudança e da história na produção teórica da antropologia, considere as seguintes afirmativas:
1. Na antropologia britânica do século XX, a preocupação com a mudança surge como uma crítica ao funcionalismo excessivo das etnografias produzidas sob a influência de Bronislaw Malinowski e Alfred Radcliffe-Brown, principalmente. Estes críticos, reunidos no que se convencionou chamar de “Escola de Manchester”, buscam contemplar em suas análises os processos de transformação social, para além de uma descrição demasiado orgânica da estrutura social em funcionamento.
2. Claude Lévi-Strauss deu importantes contribuições à historiografia da América pré-colombiana, principalmente através do modo como relata a revolução social determinada pela proibição do incesto entre os Bororo do Planalto Central brasileiro e pelo modo como demonstra as conexões históricas entre os mitos da América do Sul e mitologias de diversas partes do mundo.
3. Marshall Sahlins, em “Ilhas de História”, utiliza-se de documentos acerca das viagens do Capitão Cook no Pacífico para apresenta uma contribuição ao debate teórico acerca da oposição entre estrutura e evento. Ele propõe a noção de estrutura performativa como uma forma de abordagem das mudanças particulares e “eventuais” sem que se abra mão de uma perspectiva estrutural mais ampla.
4. Em “O Pessimismo Sentimental e a Experiência Etnográfica”, Marshal Sahlins retoma uma preocupação com o tratamento teórico das mudanças históricas ao abordar as relações entre determinados coletivos “tradicionais” e o processo de incorporação de bens, práticas e valores modernos, associados à chamada globalização. O autor oferece uma visão alternativa aos discursos sobre a ameaça do fim da diversidade cultural humana, ao observar as formas como os valores modernos são criativamente apropriados e ressignificados a partir de estruturas culturais próprias.
Assinale a alternativa correta.
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A respeito dos estudos sobre parentesco e família em antropologia, identifique as seguintes afirmativas como verdadeiras (V) ou falsas (F):
( ) Alfred Radcliffe-Brown buscou compreender os fenômenos sociais relativos ao parentesco através do estabelecimento de um quadro taxonômico de largo alcance, no qual catalogou e analisou as regras de casamento em diferentes sociedades, pondo em evidência um tipo de análise fundada no princípio da aliança.
( ) A principal contribuição de Claude Lévi-Strauss ao campo de estudos do parentesco está relacionada à ênfase dada por este autor à proeminência do princípio de filiação e herança como forma de estruturação mais elementar das relações sociais nas sociedades chamadas primitivas.
( ) A compreensão da proibição do incesto como princípio estrutural da vida social e a utilização do chamado “átomo do parentesco” como instrumento heurístico para a análise das diversas formas de estruturação das relações de parentesco em sociedades simples são alguns dos pontos mais característicos da teoria de Claude Lévi-Strauss sobre este tema.
( ) Antropólogas feministas contemporâneas, tais como Marilyn Strathern, propuseram uma revisão das teorias de parentesco em antropologia baseada sobretudo na crítica da perspectiva masculina adotada pelos autores clássicos, na ampliação do escopo das relações a serem analisadas e no adensamento da problematização teórica acerca da relação entre público e privado.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.
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