A interseccionalidade nos estudos de gênero nas ciências
sociais significa que, de forma geral, é preciso considerar fatores
como os de raça, de classe social e de idade, por exemplo, na
compreensão e explicação das diferenças entre homens, mulheres
e pessoas de outras identidades de gênero. Em síntese, a lógica é a
de que as mulheres negras e pobres não vivenciam, numa
sociedade como a brasileira, as mesmas condicionalidades sociais
que mulheres brancas de classe alta, por exemplo, e o mesmo vale
para as pessoas LGBTQIAPN+ que se diferenciam umas das outras
por variados fatores que se interseccionam.
Partindo desse enunciado, avalie as seguintes afirmações:
I. A perspectiva da interseccionalidade considera que as
mulheres podem passar pelas mesmas experiências de
violência, independente de classe social.
II. Os estudos de gênero nas ciências sociais demonstram que
a interseccionalidade confirma as categorias “mulher” e
“homem” como universais.
III. A noção de interseccionalidade aponta que as opressões
que mulheres e pessoas trans sofrem se diferenciam por
classe, raça e sexualidade.
IV. A análise das diferenças entre homens e mulheres é
insuficiente quando não incluir as desigualdades entre
brancos e negros e brancas e negras.
O Estado-nação moderno é soberano quando estabelece
normas e condutas para pautar e organizar a vida coletiva de seus
cidadãos em nível interno bem como o seu comportamento
externo com o objetivo de promover o bem-estar destes e protegelos de ameaças internas ou externas. E para garantir a soberania, a
organização nacional do Estado não pode estar submetida aos
interesses particulares de grupos sociais intermediários internos
e/ou externos de vontades estrangeiras de outros Estados ou
entidades.
MODERNA PLUS – Sociologia em Movimento. 1ª ed. São Paulo: Moderna,
2024.
Considerando o exposto, assinale a afirmação verdadeira.
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira de 1996
sofreu alterações com a Lei 11.645/2008, que ordenou a
obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira e
indígena nas redes regulares de educação básica. Essa legislação
determina que o conteúdo programático das escolas deve incluir o
estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros e dos
povos indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira e o
negro e o índio na formação da sociedade nacional. O objetivo é
lançar luz sobre as diversas contribuições dos negros e dos povos
indígenas nas áreas social, econômica e política, pertinentes à
história do Brasil.
Sobre o enunciado acima, assinale a afirmação verdadeira.
A estrutura das sociedades e o modo como a mudança social
se dá em cada sociedade são temas importantes da sociologia
desde o seu início. A estrutura de uma sociedade é o modo como
diferentes grupos, estratos ou classes sociais estão organizados,
divididos e classificados, em geral, de forma hierárquica ou
piramidal, a partir de critérios econômicos de distinção. A mudança
social para os estudos sociológicos, por sua vez, diz respeito aos
modos de transformação de uma sociedade e, por vezes, isto
significa a modificação da estrutura social e de suas hierarquias e
divisões. Assim, estrutura e mudança sociais são temas sociológicos
intrinsecamente correlatos.
A questão agrária no Brasil tem sido alvo de debates
constantes no âmbito acadêmico, político e midiático, em razão de
temas importantes como o agronegócio e a reforma agrária. No
que diz respeito aos conceitos de agronegócio e reforma agrária,
avalie as seguintes afirmações:
I. O agronegócio é definido como modelo econômico da
agropecuária industrial capitalista cujo objetivo é garantir
a alimentação da população brasileira, especialmente dos
mais pobres, configurando-se como o principal mecanismo
de erradicação da fome no Brasil.
II. A Reforma Agrária tem como objetivo a democratização
do acesso à terra, através de uma distribuição mais
equitativa para a população, o que beneficia o Movimento
dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e o Movimento
dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST). III. A luta por Reforma Agrária no Brasil, para além do acesso
à terra, é um projeto de desenvolvimento social, político,
educacional e de soberania alimentar para todos. É um
projeto de enfrentamento à lógica do agronegócio.
IV. O desenvolvimento do agronegócio no Brasil se deu
através da substituição do modelo tradicional de
agricultura familiar por um sistema agropecuário industrial
e globalizado, em que o alimento é tratado como
mercadoria a ser comercializada no mercado externo, com
objetivo de gerar lucro para os latifundiários, empresários
e capitalistas.
Pierre Bourdieu, em seus estudos sociológicos, analisou
diferentes formas de relações de dominação, hierarquia e de
distinção no espaço social; espaço este que possui posições
sociais hierárquicas diferentes, mas que, para serem ocupadas, é
preciso que os agentes sociais possuam uma variada composição
de capitais. Para este sociólogo, para além do capital econômico,
existem o capital cultural, o capital simbólico e o capital social. Em síntese, o capital cultural é próprio dos que têm acesso ao conhecimento e à educação formal; o capital simbólico significa ter prestígio e reconhecimento; e o capital social trata do acesso às relações que podem se converter em oportunidades. Considerando os diferentes tipos de capital, segundo Pierre Bourdieu, avalie as seguintes assertivas:
I. Os conhecimentos gastronômicos e de culinária de um chef de cozinha são formas de capital cultural. II. Apreciar música clássica e frequentar shows de ópera são elementos característicos de capital social. III. Residir em condomínios ditos de luxo e ir a restaurantes chiques são exemplos de capital simbólico.
A categoria conceitual de Amefricanidade de Gonzalez
(1988) propõe ultrapassar limitações de caráter territorial,
linguístico e ideológico, e possui, assim, implicações políticas e
culturais democráticas. Primeiro, porque considera a América
como um todo, Sul, Central, Norte e Insular; e segundo, porque
busca incorporar todo um processo histórico de intensa dinâmica
cultural de adaptação, resistência, reinterpretação e criação que
é afrocentrada. Em consequência, o termo amefricanas(os)
encaminha a construção de uma identidade étnica que é
contemporânea, mas ligada tanto aos antepassados que foram
trazidos forçosamente para as Américas como aos modelos
africanos.
GONZALEZ, Lélia. A categoria político-cultural de amefricanidade. Tempo
Brasileiro, Rio de Janeiro, nº 92/93, jan/jun 1988.
No que diz respeito às relações de produção e forças
produtivas, assinale a opção que completa corretamente as
lacunas do seguinte texto:
As relações de produção e as forças produtivas, em uma
sociedade, formam o que Karl Marx denomina de _________
1
,
que é a sua base material ou econômica. Esta base sustenta a
vida social, política e cultural, as estruturas jurídico-políticas e
ideológicas que, em conjunto, formam a/o _________
2
, segundo
este pensador. Ambas configuram a manutenção da dominação
em uma sociedade dividida entre classes sociais produtoras e
exploradoras.
Para um grupo de pensadores e intelectuais, desde o final
do século XX, tem persistido um colonialismo, demonstrado em
efeitos práticos, materiais e simbólicos, que precisa ser
combatido e superado, mesmo após o fim das colonizações
formais ao redor do mundo. Esses intelectuais representam o
pensamento decolonial que se opõe à hegemonia do
pensamento ocidental e eurocêntrico que ressignifica ainda
opressões com base em argumentos como “progresso” e “avanço
civilizacional”. “O pensamento decolonial rejeita a análise
dominante de que os europeus produziram conhecimentos pretensamente universais que foram espalhados pelo mundo,
reconhecendo a diversidade de perspectivas e saberes
produzidos por grupos historicamente silenciados”.
MODERNA PLUS – Sociologia em Movimento. 1ª ed. São Paulo: Moderna,
2024.
Acerca do pensamento decolonial, assinale a afirmação
verdadeira.
“Enquanto as gangues e quadrilhas de traficantes se
moviam em territórios estáticos, e enquanto cada grupo
dominava seu pedaço, matando sem mexer no pedaço do outro,
as facções invadem, matam, ocupam e expulsam moradores de
suas casas. Os líderes de gangues e os traficantes locais sempre
tiveram um peso dentro da comunidade, mas sua capacidade de
agência era limitada, e as negociações com eles eram
consideradas como algo “tranquilo”. Em muitas comunidades,
prevaleciam apenas os acordos tácitos de não delação dos
esquemas ilegais. Desde as facções, esse equilíbrio foi quebrado,
e os moradores relatam que as pessoas que fazem o crime
querem “botar moral” e determinar o que pode e não pode ser
feito na comunidade. [...]. É possível hoje falar de uma
socialização pela violência que, desde os tempos das gangues,
perdura como meio de fazer o crime e, consequentemente, fazer
a própria vida nas periferias de Fortaleza. Obviamente, existem
muitas outras coisas que compõem as periferias da cidade. Isso
não impede de observar, entretanto, que o homicídio não é um
elemento estranho a pessoas que sofrem e praticam crimes
cruéis contra a própria população com a qual compartilham as
dores e os sofrimentos sociais. [...]. Por isso, acredito que existe
algo de insurgente no fenômeno das facções, mas também
profundas conexões com as modalidades de dominação que
impõem o governo dos mais pobres para geração de variadas
maneiras de cooperação, atualizando discriminações, desigualdades e injustiças em larga escala.”
PAIVA, Luíz Fábio S. “Aqui não tem gangue, tem facção”: as
transformações sociais do crime em Fortaleza. Cadernos CRH, Salvador, v.
32, nº 85, p. 165-184, jan/abr 2019.
Considerando esse enunciado, assinale a afirmação verdadeira.