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No futuro, atendimento digital deverá se restringir a processos repetitivos
Comprar ingresso de cinema, fazer check-in em viagens, pagar contas ou pedir comida em restaurantes são atividades cada
vez mais mediadas por telas e algoritmos. O que antes exigia contato direto entre funcionários e consumidores agora pode ser
resolvido em segundos por aplicativos, terminais de autoatendimento ou chatbots. Essa transformação, que promete rapidez
e redução de custos para empresas, também abre debates sobre exclusão digital, segurança de dados, perda de empregos e,
sobretudo, sobre a experiência humana no atendimento.
Para o professor José Eduardo Santarém, doutor e professor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto
(FFCLRP) da USP, especialista em Tecnologia da Informação, é preciso compreender que a digitalização tem diferentes dimensões.
“Um dos significados é a conversão de documentos analógicos para o digital. Mas, no sentido estratégico, a digitalização está
relacionada à transformação digital, que hoje faz parte do cotidiano das pessoas graças a equipamentos, sensores, algoritmos de
IA e, principalmente, à mobilidade da internet”, explica.
Esse avanço, segundo ele, traz ganhos claros em produtividade e precisão, além de eliminar barreiras de tempo e distância.
No entanto, não significa o fim da participação humana. “Muitas atividades ainda exigem interação humana, como tarefas que
dependem de raciocínio, empatia, criatividade e julgamentos éticos. Liderança, cuidados com a saúde e negociações complexas,
por exemplo, ainda vão depender muito do ser humano”, avalia.
Apesar disso, Santarém acredita que a inteligência artificial deve ocupar um espaço cada vez maior em atividades repetitivas. “Algumas tarefas podem até ser mais seguras quando executadas por máquinas. Um exemplo é o trânsito: a maior parte
dos acidentes ocorre por falha humana. Não consigo imaginar que em 20 ou 25 anos ainda tenhamos pessoas dirigindo carros.
Os veículos autônomos devem assumir esse papel por serem mais eficientes e seguros”, projeta.
O professor também chama atenção para as contradições desse processo. De um lado, a tecnologia facilita a vida de pessoas com limitações, oferecendo ferramentas de acessibilidade e inclusão. De outro, pode ser excludente para quem não tem
acesso a dispositivos e conectividade. “A digitalização traz benefícios e dificuldades. Mas há um esforço mundial para democratizar esse acesso, como o consórcio W3C, que defende internet para todos em todos os lugares”, observa.
Na prática, o atendimento digital ainda está longe de ser perfeito. “Basta pensar nos bots de e-commerce. Raramente
alguém sai satisfeito, porque eles resolvem apenas problemas básicos. Quando a demanda exige personalização, o atendimento
humano ainda é insubstituível”, afirma Santarém. Para ele, esse é um dos grandes desafios da era da IA: encontrar o equilíbrio
entre automação e sensibilidade.
Outro ponto crítico é a privacidade. “Há falhas diárias de acesso e roubo de dados. Apesar de termos legislações como a
Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) no Brasil e o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (GDPR) na Europa,
ainda precisamos evoluir. Custos e interesses muitas vezes deixam a proteção da privacidade fora da pauta, e isso é um problema sério”, alerta.
Ainda assim, Santarém não acredita que o futuro será marcado por um atendimento totalmente automatizado. Ao contrário, projeta uma retomada do contato humano como diferencial. “Sou otimista em relação ao atendimento humano. Acho
que haverá um momento em que vamos regredir no atendimento automatizado. Muitas pessoas ainda preferem abrir um
cardápio físico em um restaurante em vez de usar QR Code. Esse contato pessoal pode voltar a ser o preferido”, reflete.
Para ele, a saída está na fusão entre o digital e o humano, aproveitando o que cada um faz de melhor. “O ser humano não
é apto para tarefas repetitivas, mas é insubstituível em inteligência, criatividade e sensibilidade. Já a automação pode dar agilidade e precisão a processos. O futuro do atendimento não será substituir um pelo outro, mas combinar os dois para oferecer
experiências mais completas e humanas”, conclui.
(Disponível em: https://jornal.usp.br/campus-ribeirao-preto/. Acesso em: janeiro de 2025).
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No futuro, atendimento digital deverá se restringir a processos repetitivos
Comprar ingresso de cinema, fazer check-in em viagens, pagar contas ou pedir comida em restaurantes são atividades cada
vez mais mediadas por telas e algoritmos. O que antes exigia contato direto entre funcionários e consumidores agora pode ser
resolvido em segundos por aplicativos, terminais de autoatendimento ou chatbots. Essa transformação, que promete rapidez
e redução de custos para empresas, também abre debates sobre exclusão digital, segurança de dados, perda de empregos e,
sobretudo, sobre a experiência humana no atendimento.
Para o professor José Eduardo Santarém, doutor e professor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto
(FFCLRP) da USP, especialista em Tecnologia da Informação, é preciso compreender que a digitalização tem diferentes dimensões.
“Um dos significados é a conversão de documentos analógicos para o digital. Mas, no sentido estratégico, a digitalização está
relacionada à transformação digital, que hoje faz parte do cotidiano das pessoas graças a equipamentos, sensores, algoritmos de
IA e, principalmente, à mobilidade da internet”, explica.
Esse avanço, segundo ele, traz ganhos claros em produtividade e precisão, além de eliminar barreiras de tempo e distância.
No entanto, não significa o fim da participação humana. “Muitas atividades ainda exigem interação humana, como tarefas que
dependem de raciocínio, empatia, criatividade e julgamentos éticos. Liderança, cuidados com a saúde e negociações complexas,
por exemplo, ainda vão depender muito do ser humano”, avalia.
Apesar disso, Santarém acredita que a inteligência artificial deve ocupar um espaço cada vez maior em atividades repetitivas. “Algumas tarefas podem até ser mais seguras quando executadas por máquinas. Um exemplo é o trânsito: a maior parte
dos acidentes ocorre por falha humana. Não consigo imaginar que em 20 ou 25 anos ainda tenhamos pessoas dirigindo carros.
Os veículos autônomos devem assumir esse papel por serem mais eficientes e seguros”, projeta.
O professor também chama atenção para as contradições desse processo. De um lado, a tecnologia facilita a vida de pessoas com limitações, oferecendo ferramentas de acessibilidade e inclusão. De outro, pode ser excludente para quem não tem
acesso a dispositivos e conectividade. “A digitalização traz benefícios e dificuldades. Mas há um esforço mundial para democratizar esse acesso, como o consórcio W3C, que defende internet para todos em todos os lugares”, observa.
Na prática, o atendimento digital ainda está longe de ser perfeito. “Basta pensar nos bots de e-commerce. Raramente
alguém sai satisfeito, porque eles resolvem apenas problemas básicos. Quando a demanda exige personalização, o atendimento
humano ainda é insubstituível”, afirma Santarém. Para ele, esse é um dos grandes desafios da era da IA: encontrar o equilíbrio
entre automação e sensibilidade.
Outro ponto crítico é a privacidade. “Há falhas diárias de acesso e roubo de dados. Apesar de termos legislações como a
Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) no Brasil e o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (GDPR) na Europa,
ainda precisamos evoluir. Custos e interesses muitas vezes deixam a proteção da privacidade fora da pauta, e isso é um problema sério”, alerta.
Ainda assim, Santarém não acredita que o futuro será marcado por um atendimento totalmente automatizado. Ao contrário, projeta uma retomada do contato humano como diferencial. “Sou otimista em relação ao atendimento humano. Acho
que haverá um momento em que vamos regredir no atendimento automatizado. Muitas pessoas ainda preferem abrir um
cardápio físico em um restaurante em vez de usar QR Code. Esse contato pessoal pode voltar a ser o preferido”, reflete.
Para ele, a saída está na fusão entre o digital e o humano, aproveitando o que cada um faz de melhor. “O ser humano não
é apto para tarefas repetitivas, mas é insubstituível em inteligência, criatividade e sensibilidade. Já a automação pode dar agilidade e precisão a processos. O futuro do atendimento não será substituir um pelo outro, mas combinar os dois para oferecer
experiências mais completas e humanas”, conclui.
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Comprar ingresso de cinema, fazer check-in em viagens, pagar contas ou pedir comida em restaurantes são atividades cada
vez mais mediadas por telas e algoritmos. O que antes exigia contato direto entre funcionários e consumidores agora pode ser
resolvido em segundos por aplicativos, terminais de autoatendimento ou chatbots. Essa transformação, que promete rapidez
e redução de custos para empresas, também abre debates sobre exclusão digital, segurança de dados, perda de empregos e,
sobretudo, sobre a experiência humana no atendimento.
Para o professor José Eduardo Santarém, doutor e professor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto
(FFCLRP) da USP, especialista em Tecnologia da Informação, é preciso compreender que a digitalização tem diferentes dimensões.
“Um dos significados é a conversão de documentos analógicos para o digital. Mas, no sentido estratégico, a digitalização está
relacionada à transformação digital, que hoje faz parte do cotidiano das pessoas graças a equipamentos, sensores, algoritmos de
IA e, principalmente, à mobilidade da internet”, explica.
Esse avanço, segundo ele, traz ganhos claros em produtividade e precisão, além de eliminar barreiras de tempo e distância.
No entanto, não significa o fim da participação humana. “Muitas atividades ainda exigem interação humana, como tarefas que
dependem de raciocínio, empatia, criatividade e julgamentos éticos. Liderança, cuidados com a saúde e negociações complexas,
por exemplo, ainda vão depender muito do ser humano”, avalia.
Apesar disso, Santarém acredita que a inteligência artificial deve ocupar um espaço cada vez maior em atividades repetitivas. “Algumas tarefas podem até ser mais seguras quando executadas por máquinas. Um exemplo é o trânsito: a maior parte
dos acidentes ocorre por falha humana. Não consigo imaginar que em 20 ou 25 anos ainda tenhamos pessoas dirigindo carros.
Os veículos autônomos devem assumir esse papel por serem mais eficientes e seguros”, projeta.
O professor também chama atenção para as contradições desse processo. De um lado, a tecnologia facilita a vida de pessoas com limitações, oferecendo ferramentas de acessibilidade e inclusão. De outro, pode ser excludente para quem não tem
acesso a dispositivos e conectividade. “A digitalização traz benefícios e dificuldades. Mas há um esforço mundial para democratizar esse acesso, como o consórcio W3C, que defende internet para todos em todos os lugares”, observa.
Na prática, o atendimento digital ainda está longe de ser perfeito. “Basta pensar nos bots de e-commerce. Raramente
alguém sai satisfeito, porque eles resolvem apenas problemas básicos. Quando a demanda exige personalização, o atendimento
humano ainda é insubstituível”, afirma Santarém. Para ele, esse é um dos grandes desafios da era da IA: encontrar o equilíbrio
entre automação e sensibilidade.
Outro ponto crítico é a privacidade. “Há falhas diárias de acesso e roubo de dados. Apesar de termos legislações como a
Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) no Brasil e o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (GDPR) na Europa,
ainda precisamos evoluir. Custos e interesses muitas vezes deixam a proteção da privacidade fora da pauta, e isso é um problema sério”, alerta.
Ainda assim, Santarém não acredita que o futuro será marcado por um atendimento totalmente automatizado. Ao contrário, projeta uma retomada do contato humano como diferencial. “Sou otimista em relação ao atendimento humano. Acho
que haverá um momento em que vamos regredir no atendimento automatizado. Muitas pessoas ainda preferem abrir um
cardápio físico em um restaurante em vez de usar QR Code. Esse contato pessoal pode voltar a ser o preferido”, reflete.
Para ele, a saída está na fusão entre o digital e o humano, aproveitando o que cada um faz de melhor. “O ser humano não
é apto para tarefas repetitivas, mas é insubstituível em inteligência, criatividade e sensibilidade. Já a automação pode dar agilidade e precisão a processos. O futuro do atendimento não será substituir um pelo outro, mas combinar os dois para oferecer
experiências mais completas e humanas”, conclui.
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resolvido em segundos por aplicativos, terminais de autoatendimento ou chatbots. Essa transformação, que promete rapidez
e redução de custos para empresas, também abre debates sobre exclusão digital, segurança de dados, perda de empregos e,
sobretudo, sobre a experiência humana no atendimento.
Para o professor José Eduardo Santarém, doutor e professor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto
(FFCLRP) da USP, especialista em Tecnologia da Informação, é preciso compreender que a digitalização tem diferentes dimensões.
“Um dos significados é a conversão de documentos analógicos para o digital. Mas, no sentido estratégico, a digitalização está
relacionada à transformação digital, que hoje faz parte do cotidiano das pessoas graças a equipamentos, sensores, algoritmos de
IA e, principalmente, à mobilidade da internet”, explica.
Esse avanço, segundo ele, traz ganhos claros em produtividade e precisão, além de eliminar barreiras de tempo e distância.
No entanto, não significa o fim da participação humana. “Muitas atividades ainda exigem interação humana, como tarefas que
dependem de raciocínio, empatia, criatividade e julgamentos éticos. Liderança, cuidados com a saúde e negociações complexas,
por exemplo, ainda vão depender muito do ser humano”, avalia.
Apesar disso, Santarém acredita que a inteligência artificial deve ocupar um espaço cada vez maior em atividades repetitivas. “Algumas tarefas podem até ser mais seguras quando executadas por máquinas. Um exemplo é o trânsito: a maior parte
dos acidentes ocorre por falha humana. Não consigo imaginar que em 20 ou 25 anos ainda tenhamos pessoas dirigindo carros.
Os veículos autônomos devem assumir esse papel por serem mais eficientes e seguros”, projeta.
O professor também chama atenção para as contradições desse processo. De um lado, a tecnologia facilita a vida de pessoas com limitações, oferecendo ferramentas de acessibilidade e inclusão. De outro, pode ser excludente para quem não tem
acesso a dispositivos e conectividade. “A digitalização traz benefícios e dificuldades. Mas há um esforço mundial para democratizar esse acesso, como o consórcio W3C, que defende internet para todos em todos os lugares”, observa.
Na prática, o atendimento digital ainda está longe de ser perfeito. “Basta pensar nos bots de e-commerce. Raramente
alguém sai satisfeito, porque eles resolvem apenas problemas básicos. Quando a demanda exige personalização, o atendimento
humano ainda é insubstituível”, afirma Santarém. Para ele, esse é um dos grandes desafios da era da IA: encontrar o equilíbrio
entre automação e sensibilidade.
Outro ponto crítico é a privacidade. “Há falhas diárias de acesso e roubo de dados. Apesar de termos legislações como a
Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) no Brasil e o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (GDPR) na Europa,
ainda precisamos evoluir. Custos e interesses muitas vezes deixam a proteção da privacidade fora da pauta, e isso é um problema sério”, alerta.
Ainda assim, Santarém não acredita que o futuro será marcado por um atendimento totalmente automatizado. Ao contrário, projeta uma retomada do contato humano como diferencial. “Sou otimista em relação ao atendimento humano. Acho
que haverá um momento em que vamos regredir no atendimento automatizado. Muitas pessoas ainda preferem abrir um
cardápio físico em um restaurante em vez de usar QR Code. Esse contato pessoal pode voltar a ser o preferido”, reflete.
Para ele, a saída está na fusão entre o digital e o humano, aproveitando o que cada um faz de melhor. “O ser humano não
é apto para tarefas repetitivas, mas é insubstituível em inteligência, criatividade e sensibilidade. Já a automação pode dar agilidade e precisão a processos. O futuro do atendimento não será substituir um pelo outro, mas combinar os dois para oferecer
experiências mais completas e humanas”, conclui.
(Disponível em: https://jornal.usp.br/campus-ribeirao-preto/. Acesso em: janeiro de 2025).
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resolvido em segundos por aplicativos, terminais de autoatendimento ou chatbots. Essa transformação, que promete rapidez
e redução de custos para empresas, também abre debates sobre exclusão digital, segurança de dados, perda de empregos e,
sobretudo, sobre a experiência humana no atendimento.
Para o professor José Eduardo Santarém, doutor e professor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto
(FFCLRP) da USP, especialista em Tecnologia da Informação, é preciso compreender que a digitalização tem diferentes dimensões.
“Um dos significados é a conversão de documentos analógicos para o digital. Mas, no sentido estratégico, a digitalização está
relacionada à transformação digital, que hoje faz parte do cotidiano das pessoas graças a equipamentos, sensores, algoritmos de
IA e, principalmente, à mobilidade da internet”, explica.
Esse avanço, segundo ele, traz ganhos claros em produtividade e precisão, além de eliminar barreiras de tempo e distância.
No entanto, não significa o fim da participação humana. “Muitas atividades ainda exigem interação humana, como tarefas que
dependem de raciocínio, empatia, criatividade e julgamentos éticos. Liderança, cuidados com a saúde e negociações complexas,
por exemplo, ainda vão depender muito do ser humano”, avalia.
Apesar disso, Santarém acredita que a inteligência artificial deve ocupar um espaço cada vez maior em atividades repetitivas. “Algumas tarefas podem até ser mais seguras quando executadas por máquinas. Um exemplo é o trânsito: a maior parte
dos acidentes ocorre por falha humana. Não consigo imaginar que em 20 ou 25 anos ainda tenhamos pessoas dirigindo carros.
Os veículos autônomos devem assumir esse papel por serem mais eficientes e seguros”, projeta.
O professor também chama atenção para as contradições desse processo. De um lado, a tecnologia facilita a vida de pessoas com limitações, oferecendo ferramentas de acessibilidade e inclusão. De outro, pode ser excludente para quem não tem
acesso a dispositivos e conectividade. “A digitalização traz benefícios e dificuldades. Mas há um esforço mundial para democratizar esse acesso, como o consórcio W3C, que defende internet para todos em todos os lugares”, observa.
Na prática, o atendimento digital ainda está longe de ser perfeito. “Basta pensar nos bots de e-commerce. Raramente
alguém sai satisfeito, porque eles resolvem apenas problemas básicos. Quando a demanda exige personalização, o atendimento
humano ainda é insubstituível”, afirma Santarém. Para ele, esse é um dos grandes desafios da era da IA: encontrar o equilíbrio
entre automação e sensibilidade.
Outro ponto crítico é a privacidade. “Há falhas diárias de acesso e roubo de dados. Apesar de termos legislações como a
Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) no Brasil e o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (GDPR) na Europa,
ainda precisamos evoluir. Custos e interesses muitas vezes deixam a proteção da privacidade fora da pauta, e isso é um problema sério”, alerta.
Ainda assim, Santarém não acredita que o futuro será marcado por um atendimento totalmente automatizado. Ao contrário, projeta uma retomada do contato humano como diferencial. “Sou otimista em relação ao atendimento humano. Acho
que haverá um momento em que vamos regredir no atendimento automatizado. Muitas pessoas ainda preferem abrir um
cardápio físico em um restaurante em vez de usar QR Code. Esse contato pessoal pode voltar a ser o preferido”, reflete.
Para ele, a saída está na fusão entre o digital e o humano, aproveitando o que cada um faz de melhor. “O ser humano não
é apto para tarefas repetitivas, mas é insubstituível em inteligência, criatividade e sensibilidade. Já a automação pode dar agilidade e precisão a processos. O futuro do atendimento não será substituir um pelo outro, mas combinar os dois para oferecer
experiências mais completas e humanas”, conclui.
(Disponível em: https://jornal.usp.br/campus-ribeirao-preto/. Acesso em: janeiro de 2025).
I. A digitalização estratégica vai além da mera conversão de documentos, envolvendo uma mudança estrutural no cotidiano através da IA e da mobilidade.
II. O autor defende que o ser humano é naturalmente apto para realizar tarefas repetitivas, embora a máquina as execute com mais segurança.
III. O retorno ao atendimento presencial é visto como um diferencial competitivo baseado na preferência de parte dos consumidores.
Está correto o que se afirma apenas em
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resolvido em segundos por aplicativos, terminais de autoatendimento ou chatbots. Essa transformação, que promete rapidez
e redução de custos para empresas, também abre debates sobre exclusão digital, segurança de dados, perda de empregos e,
sobretudo, sobre a experiência humana no atendimento.
Para o professor José Eduardo Santarém, doutor e professor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto
(FFCLRP) da USP, especialista em Tecnologia da Informação, é preciso compreender que a digitalização tem diferentes dimensões.
“Um dos significados é a conversão de documentos analógicos para o digital. Mas, no sentido estratégico, a digitalização está
relacionada à transformação digital, que hoje faz parte do cotidiano das pessoas graças a equipamentos, sensores, algoritmos de
IA e, principalmente, à mobilidade da internet”, explica.
Esse avanço, segundo ele, traz ganhos claros em produtividade e precisão, além de eliminar barreiras de tempo e distância.
No entanto, não significa o fim da participação humana. “Muitas atividades ainda exigem interação humana, como tarefas que
dependem de raciocínio, empatia, criatividade e julgamentos éticos. Liderança, cuidados com a saúde e negociações complexas,
por exemplo, ainda vão depender muito do ser humano”, avalia.
Apesar disso, Santarém acredita que a inteligência artificial deve ocupar um espaço cada vez maior em atividades repetitivas. “Algumas tarefas podem até ser mais seguras quando executadas por máquinas. Um exemplo é o trânsito: a maior parte
dos acidentes ocorre por falha humana. Não consigo imaginar que em 20 ou 25 anos ainda tenhamos pessoas dirigindo carros.
Os veículos autônomos devem assumir esse papel por serem mais eficientes e seguros”, projeta.
O professor também chama atenção para as contradições desse processo. De um lado, a tecnologia facilita a vida de pessoas com limitações, oferecendo ferramentas de acessibilidade e inclusão. De outro, pode ser excludente para quem não tem
acesso a dispositivos e conectividade. “A digitalização traz benefícios e dificuldades. Mas há um esforço mundial para democratizar esse acesso, como o consórcio W3C, que defende internet para todos em todos os lugares”, observa.
Na prática, o atendimento digital ainda está longe de ser perfeito. “Basta pensar nos bots de e-commerce. Raramente
alguém sai satisfeito, porque eles resolvem apenas problemas básicos. Quando a demanda exige personalização, o atendimento
humano ainda é insubstituível”, afirma Santarém. Para ele, esse é um dos grandes desafios da era da IA: encontrar o equilíbrio
entre automação e sensibilidade.
Outro ponto crítico é a privacidade. “Há falhas diárias de acesso e roubo de dados. Apesar de termos legislações como a
Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) no Brasil e o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (GDPR) na Europa,
ainda precisamos evoluir. Custos e interesses muitas vezes deixam a proteção da privacidade fora da pauta, e isso é um problema sério”, alerta.
Ainda assim, Santarém não acredita que o futuro será marcado por um atendimento totalmente automatizado. Ao contrário, projeta uma retomada do contato humano como diferencial. “Sou otimista em relação ao atendimento humano. Acho
que haverá um momento em que vamos regredir no atendimento automatizado. Muitas pessoas ainda preferem abrir um
cardápio físico em um restaurante em vez de usar QR Code. Esse contato pessoal pode voltar a ser o preferido”, reflete.
Para ele, a saída está na fusão entre o digital e o humano, aproveitando o que cada um faz de melhor. “O ser humano não
é apto para tarefas repetitivas, mas é insubstituível em inteligência, criatividade e sensibilidade. Já a automação pode dar agilidade e precisão a processos. O futuro do atendimento não será substituir um pelo outro, mas combinar os dois para oferecer
experiências mais completas e humanas”, conclui.
(Disponível em: https://jornal.usp.br/campus-ribeirao-preto/. Acesso em: janeiro de 2025).
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Leia o texto para responder a questão.
Caçula, babá, cafuné: como mulheres negras escravizadas ajudaram a criar o português brasileiro
Julia Braun
Da BBC Brasil em Londres
20 novembro 2024
Caçula, babá, moleque, dengo, cafuné. Algumas palavras que usamos no nosso dia a dia escondem traços e fonemas de uma herança africana que está profundamente ligada às mulheres e ao trabalho doméstico exercido pelas negras escravizadas no Brasil dos séculos 16 a 19. Estima-se que cerca de 4 a 5 milhões de africanos foram traficados para o país durante o período. Destes, cerca de 75% eram bantos, um grupo que se espalhou por uma vasta área ao sul da Linha do Equador na África.
A característica mais evidente que une esses povos é justamente o fato de eles falarem línguas da família linguística banto — de onde emprestamos algumas palavras que seguem até hoje em nosso vocabulário. A maioria dos que foram enviados à força ao Brasil tinha origem em Angola e República Democrática do Congo, e posteriormente, Moçambique. No ambiente da família colonial, esses escravizados aprenderam o português na convivência diária com seus senhores — e também imprimiram em seu falar hábitos e características de suas próprias línguas.
Ao mesmo tempo, os colonizadores portugueses foram se apropriando pouco a pouco de termos africanos, que passaram a ser usados principalmente para designar os objetos e atividades do dia a dia. Nesse contexto, as mulheres africanas tiveram um papel especial, seja por meio do cuidado com as crianças, do seu trabalho na cozinha ou como amas de companhia e curandeiras.
‘Grande mãe ancestral dos brasileiros’
Autora de diversos livros e artigos sobre o tema, a etnolinguista baiana Yeda Pessoa de Castro vê no passado brasileiro um processo que invisibilizou a força de trabalho da mulher negra escravizada na historiografia. Mas para a pesquisadora, que se dedica ao estudo das línguas africanas e sua influência no Brasil, essas mulheres tiverem um protagonismo na família e vida diária do colonizador que foi muito além do serviço doméstico prestado.
Em seu livro Camões com Dendé, Castro descreve como as mulheres africanas influenciaram as famílias brasileiras por meio da contação de histórias do seu universo fantástico afrorreligioso, do compartilhamento de seu conhecimento nato de folhas e ervas medicinais, como cozinheiras introduzindo elementos de sua dieta nativa na comida diária da casa e como amas de companhia das jovens solteiras e cuidadoras das crianças.
Na função “da mãe preta e babá”, reconta a linguista, essas mulheres amamentaram e criaram os filhos do colonizador “e, à maneira de pedagoga, os ensinou a balbuciar as primeiras palavras, também na sua língua nativa, no embalo do seu canto de acalento” que os fazia dormir. A própria palavra babá é uma das muitas marcas deixadas por esse importante trabalho: pesquisadores rastreiam a sua origem no quimbundo, uma das línguas bantas faladas em Angola.
Da mesma forma, várias outras palavras ligadas ao cuidado e à maternidade também foram inseridas no contexto brasileiro por esse meio. “No campo afetivo, a mãe negra nos deixou o xodó, o cafuné, o cochilo, o dengo, e nos falou que ‘o caçula é o dengo da família’, o irmão mais jovem, sempre tratado com muito mimo por todas da casa”, diz Yeda Pessoa de Castro.
Enquanto dengo vem do quicongo, falada no norte de Angola e no baixo Congo, caçula tem origem no quimbundo. Não há no Brasil outra palavra para se referir ao filho mais novo. No português europeu diz-se benjamin, que para o falante brasileiro, além de nome próprio, é um adaptador multiplicador de tomada elétrica. “Diante de tantas evidências apontadas pelo vocabulário, entre muitas outras ainda encobertas por falta de pesquisas mais detalhadas nesse domínio, a mulher angolana, entre tantas outras mulheres negras de igual valor, é projetada historicamente como a figura emblemática da grande mãe ancestral dos brasileiros. Não é em vão que Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, é apresentada como uma santa negra.”
[...]
Disponível em https://www.bbc.com/portuguese/articles/c9376nq11lwo
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Leia o texto para responder a questão.
Caçula, babá, cafuné: como mulheres negras escravizadas ajudaram a criar o português brasileiro
Julia Braun
Da BBC Brasil em Londres
20 novembro 2024
Caçula, babá, moleque, dengo, cafuné. Algumas palavras que usamos no nosso dia a dia escondem traços e fonemas de uma herança africana que está profundamente ligada às mulheres e ao trabalho doméstico exercido pelas negras escravizadas no Brasil dos séculos 16 a 19. Estima-se que cerca de 4 a 5 milhões de africanos foram traficados para o país durante o período. Destes, cerca de 75% eram bantos, um grupo que se espalhou por uma vasta área ao sul da Linha do Equador na África.
A característica mais evidente que une esses povos é justamente o fato de eles falarem línguas da família linguística banto — de onde emprestamos algumas palavras que seguem até hoje em nosso vocabulário. A maioria dos que foram enviados à força ao Brasil tinha origem em Angola e República Democrática do Congo, e posteriormente, Moçambique. No ambiente da família colonial, esses escravizados aprenderam o português na convivência diária com seus senhores — e também imprimiram em seu falar hábitos e características de suas próprias línguas.
Ao mesmo tempo, os colonizadores portugueses foram se apropriando pouco a pouco de termos africanos, que passaram a ser usados principalmente para designar os objetos e atividades do dia a dia. Nesse contexto, as mulheres africanas tiveram um papel especial, seja por meio do cuidado com as crianças, do seu trabalho na cozinha ou como amas de companhia e curandeiras.
‘Grande mãe ancestral dos brasileiros’
Autora de diversos livros e artigos sobre o tema, a etnolinguista baiana Yeda Pessoa de Castro vê no passado brasileiro um processo que invisibilizou a força de trabalho da mulher negra escravizada na historiografia. Mas para a pesquisadora, que se dedica ao estudo das línguas africanas e sua influência no Brasil, essas mulheres tiverem um protagonismo na família e vida diária do colonizador que foi muito além do serviço doméstico prestado.
Em seu livro Camões com Dendé, Castro descreve como as mulheres africanas influenciaram as famílias brasileiras por meio da contação de histórias do seu universo fantástico afrorreligioso, do compartilhamento de seu conhecimento nato de folhas e ervas medicinais, como cozinheiras introduzindo elementos de sua dieta nativa na comida diária da casa e como amas de companhia das jovens solteiras e cuidadoras das crianças.
Na função “da mãe preta e babá”, reconta a linguista, essas mulheres amamentaram e criaram os filhos do colonizador “e, à maneira de pedagoga, os ensinou a balbuciar as primeiras palavras, também na sua língua nativa, no embalo do seu canto de acalento” que os fazia dormir. A própria palavra babá é uma das muitas marcas deixadas por esse importante trabalho: pesquisadores rastreiam a sua origem no quimbundo, uma das línguas bantas faladas em Angola.
Da mesma forma, várias outras palavras ligadas ao cuidado e à maternidade também foram inseridas no contexto brasileiro por esse meio. “No campo afetivo, a mãe negra nos deixou o xodó, o cafuné, o cochilo, o dengo, e nos falou que ‘o caçula é o dengo da família’, o irmão mais jovem, sempre tratado com muito mimo por todas da casa”, diz Yeda Pessoa de Castro.
Enquanto dengo vem do quicongo, falada no norte de Angola e no baixo Congo, caçula tem origem no quimbundo. Não há no Brasil outra palavra para se referir ao filho mais novo. No português europeu diz-se benjamin, que para o falante brasileiro, além de nome próprio, é um adaptador multiplicador de tomada elétrica. “Diante de tantas evidências apontadas pelo vocabulário, entre muitas outras ainda encobertas por falta de pesquisas mais detalhadas nesse domínio, a mulher angolana, entre tantas outras mulheres negras de igual valor, é projetada historicamente como a figura emblemática da grande mãe ancestral dos brasileiros. Não é em vão que Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, é apresentada como uma santa negra.”
[...]
Disponível em https://www.bbc.com/portuguese/articles/c9376nq11lwo
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Leia o texto para responder a questão.
Caçula, babá, cafuné: como mulheres negras escravizadas ajudaram a criar o português brasileiro
Julia Braun
Da BBC Brasil em Londres
20 novembro 2024
Caçula, babá, moleque, dengo, cafuné. Algumas palavras que usamos no nosso dia a dia escondem traços e fonemas de uma herança africana que está profundamente ligada às mulheres e ao trabalho doméstico exercido pelas negras escravizadas no Brasil dos séculos 16 a 19. Estima-se que cerca de 4 a 5 milhões de africanos foram traficados para o país durante o período. Destes, cerca de 75% eram bantos, um grupo que se espalhou por uma vasta área ao sul da Linha do Equador na África.
A característica mais evidente que une esses povos é justamente o fato de eles falarem línguas da família linguística banto — de onde emprestamos algumas palavras que seguem até hoje em nosso vocabulário. A maioria dos que foram enviados à força ao Brasil tinha origem em Angola e República Democrática do Congo, e posteriormente, Moçambique. No ambiente da família colonial, esses escravizados aprenderam o português na convivência diária com seus senhores — e também imprimiram em seu falar hábitos e características de suas próprias línguas.
Ao mesmo tempo, os colonizadores portugueses foram se apropriando pouco a pouco de termos africanos, que passaram a ser usados principalmente para designar os objetos e atividades do dia a dia. Nesse contexto, as mulheres africanas tiveram um papel especial, seja por meio do cuidado com as crianças, do seu trabalho na cozinha ou como amas de companhia e curandeiras.
‘Grande mãe ancestral dos brasileiros’
Autora de diversos livros e artigos sobre o tema, a etnolinguista baiana Yeda Pessoa de Castro vê no passado brasileiro um processo que invisibilizou a força de trabalho da mulher negra escravizada na historiografia. Mas para a pesquisadora, que se dedica ao estudo das línguas africanas e sua influência no Brasil, essas mulheres tiverem um protagonismo na família e vida diária do colonizador que foi muito além do serviço doméstico prestado.
Em seu livro Camões com Dendé, Castro descreve como as mulheres africanas influenciaram as famílias brasileiras por meio da contação de histórias do seu universo fantástico afrorreligioso, do compartilhamento de seu conhecimento nato de folhas e ervas medicinais, como cozinheiras introduzindo elementos de sua dieta nativa na comida diária da casa e como amas de companhia das jovens solteiras e cuidadoras das crianças.
Na função “da mãe preta e babá”, reconta a linguista, essas mulheres amamentaram e criaram os filhos do colonizador “e, à maneira de pedagoga, os ensinou a balbuciar as primeiras palavras, também na sua língua nativa, no embalo do seu canto de acalento” que os fazia dormir. A própria palavra babá é uma das muitas marcas deixadas por esse importante trabalho: pesquisadores rastreiam a sua origem no quimbundo, uma das línguas bantas faladas em Angola.
Da mesma forma, várias outras palavras ligadas ao cuidado e à maternidade também foram inseridas no contexto brasileiro por esse meio. “No campo afetivo, a mãe negra nos deixou o xodó, o cafuné, o cochilo, o dengo, e nos falou que ‘o caçula é o dengo da família’, o irmão mais jovem, sempre tratado com muito mimo por todas da casa”, diz Yeda Pessoa de Castro.
Enquanto dengo vem do quicongo, falada no norte de Angola e no baixo Congo, caçula tem origem no quimbundo. Não há no Brasil outra palavra para se referir ao filho mais novo. No português europeu diz-se benjamin, que para o falante brasileiro, além de nome próprio, é um adaptador multiplicador de tomada elétrica. “Diante de tantas evidências apontadas pelo vocabulário, entre muitas outras ainda encobertas por falta de pesquisas mais detalhadas nesse domínio, a mulher angolana, entre tantas outras mulheres negras de igual valor, é projetada historicamente como a figura emblemática da grande mãe ancestral dos brasileiros. Não é em vão que Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, é apresentada como uma santa negra.”
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Caçula, babá, cafuné: como mulheres negras escravizadas ajudaram a criar o português brasileiro
Julia Braun
Da BBC Brasil em Londres
20 novembro 2024
Caçula, babá, moleque, dengo, cafuné. Algumas palavras que usamos no nosso dia a dia escondem traços e fonemas de uma herança africana que está profundamente ligada às mulheres e ao trabalho doméstico exercido pelas negras escravizadas no Brasil dos séculos 16 a 19. Estima-se que cerca de 4 a 5 milhões de africanos foram traficados para o país durante o período. Destes, cerca de 75% eram bantos, um grupo que se espalhou por uma vasta área ao sul da Linha do Equador na África.
A característica mais evidente que une esses povos é justamente o fato de eles falarem línguas da família linguística banto — de onde emprestamos algumas palavras que seguem até hoje em nosso vocabulário. A maioria dos que foram enviados à força ao Brasil tinha origem em Angola e República Democrática do Congo, e posteriormente, Moçambique. No ambiente da família colonial, esses escravizados aprenderam o português na convivência diária com seus senhores — e também imprimiram em seu falar hábitos e características de suas próprias línguas.
Ao mesmo tempo, os colonizadores portugueses foram se apropriando pouco a pouco de termos africanos, que passaram a ser usados principalmente para designar os objetos e atividades do dia a dia. Nesse contexto, as mulheres africanas tiveram um papel especial, seja por meio do cuidado com as crianças, do seu trabalho na cozinha ou como amas de companhia e curandeiras.
‘Grande mãe ancestral dos brasileiros’
Autora de diversos livros e artigos sobre o tema, a etnolinguista baiana Yeda Pessoa de Castro vê no passado brasileiro um processo que invisibilizou a força de trabalho da mulher negra escravizada na historiografia. Mas para a pesquisadora, que se dedica ao estudo das línguas africanas e sua influência no Brasil, essas mulheres tiverem um protagonismo na família e vida diária do colonizador que foi muito além do serviço doméstico prestado.
Em seu livro Camões com Dendé, Castro descreve como as mulheres africanas influenciaram as famílias brasileiras por meio da contação de histórias do seu universo fantástico afrorreligioso, do compartilhamento de seu conhecimento nato de folhas e ervas medicinais, como cozinheiras introduzindo elementos de sua dieta nativa na comida diária da casa e como amas de companhia das jovens solteiras e cuidadoras das crianças.
Na função “da mãe preta e babá”, reconta a linguista, essas mulheres amamentaram e criaram os filhos do colonizador “e, à maneira de pedagoga, os ensinou a balbuciar as primeiras palavras, também na sua língua nativa, no embalo do seu canto de acalento” que os fazia dormir. A própria palavra babá é uma das muitas marcas deixadas por esse importante trabalho: pesquisadores rastreiam a sua origem no quimbundo, uma das línguas bantas faladas em Angola.
Da mesma forma, várias outras palavras ligadas ao cuidado e à maternidade também foram inseridas no contexto brasileiro por esse meio. “No campo afetivo, a mãe negra nos deixou o xodó, o cafuné, o cochilo, o dengo, e nos falou que ‘o caçula é o dengo da família’, o irmão mais jovem, sempre tratado com muito mimo por todas da casa”, diz Yeda Pessoa de Castro.
Enquanto dengo vem do quicongo, falada no norte de Angola e no baixo Congo, caçula tem origem no quimbundo. Não há no Brasil outra palavra para se referir ao filho mais novo. No português europeu diz-se benjamin, que para o falante brasileiro, além de nome próprio, é um adaptador multiplicador de tomada elétrica. “Diante de tantas evidências apontadas pelo vocabulário, entre muitas outras ainda encobertas por falta de pesquisas mais detalhadas nesse domínio, a mulher angolana, entre tantas outras mulheres negras de igual valor, é projetada historicamente como a figura emblemática da grande mãe ancestral dos brasileiros. Não é em vão que Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, é apresentada como uma santa negra.”
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