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Leia o texto para responder a questão.
Caçula, babá, cafuné: como mulheres negras escravizadas ajudaram a criar o português brasileiro
Julia Braun
Da BBC Brasil em Londres
20 novembro 2024
Caçula, babá, moleque, dengo, cafuné. Algumas palavras que usamos no nosso dia a dia escondem traços e fonemas de uma herança africana que está profundamente ligada às mulheres e ao trabalho doméstico exercido pelas negras escravizadas no Brasil dos séculos 16 a 19. Estima-se que cerca de 4 a 5 milhões de africanos foram traficados para o país durante o período. Destes, cerca de 75% eram bantos, um grupo que se espalhou por uma vasta área ao sul da Linha do Equador na África.
A característica mais evidente que une esses povos é justamente o fato de eles falarem línguas da família linguística banto — de onde emprestamos algumas palavras que seguem até hoje em nosso vocabulário. A maioria dos que foram enviados à força ao Brasil tinha origem em Angola e República Democrática do Congo, e posteriormente, Moçambique. No ambiente da família colonial, esses escravizados aprenderam o português na convivência diária com seus senhores — e também imprimiram em seu falar hábitos e características de suas próprias línguas.
Ao mesmo tempo, os colonizadores portugueses foram se apropriando pouco a pouco de termos africanos, que passaram a ser usados principalmente para designar os objetos e atividades do dia a dia. Nesse contexto, as mulheres africanas tiveram um papel especial, seja por meio do cuidado com as crianças, do seu trabalho na cozinha ou como amas de companhia e curandeiras.
‘Grande mãe ancestral dos brasileiros’
Autora de diversos livros e artigos sobre o tema, a etnolinguista baiana Yeda Pessoa de Castro vê no passado brasileiro um processo que invisibilizou a força de trabalho da mulher negra escravizada na historiografia. Mas para a pesquisadora, que se dedica ao estudo das línguas africanas e sua influência no Brasil, essas mulheres tiverem um protagonismo na família e vida diária do colonizador que foi muito além do serviço doméstico prestado.
Em seu livro Camões com Dendé, Castro descreve como as mulheres africanas influenciaram as famílias brasileiras por meio da contação de histórias do seu universo fantástico afrorreligioso, do compartilhamento de seu conhecimento nato de folhas e ervas medicinais, como cozinheiras introduzindo elementos de sua dieta nativa na comida diária da casa e como amas de companhia das jovens solteiras e cuidadoras das crianças.
Na função “da mãe preta e babá”, reconta a linguista, essas mulheres amamentaram e criaram os filhos do colonizador “e, à maneira de pedagoga, os ensinou a balbuciar as primeiras palavras, também na sua língua nativa, no embalo do seu canto de acalento” que os fazia dormir. A própria palavra babá é uma das muitas marcas deixadas por esse importante trabalho: pesquisadores rastreiam a sua origem no quimbundo, uma das línguas bantas faladas em Angola.
Da mesma forma, várias outras palavras ligadas ao cuidado e à maternidade também foram inseridas no contexto brasileiro por esse meio. “No campo afetivo, a mãe negra nos deixou o xodó, o cafuné, o cochilo, o dengo, e nos falou que ‘o caçula é o dengo da família’, o irmão mais jovem, sempre tratado com muito mimo por todas da casa”, diz Yeda Pessoa de Castro.
Enquanto dengo vem do quicongo, falada no norte de Angola e no baixo Congo, caçula tem origem no quimbundo. Não há no Brasil outra palavra para se referir ao filho mais novo. No português europeu diz-se benjamin, que para o falante brasileiro, além de nome próprio, é um adaptador multiplicador de tomada elétrica. “Diante de tantas evidências apontadas pelo vocabulário, entre muitas outras ainda encobertas por falta de pesquisas mais detalhadas nesse domínio, a mulher angolana, entre tantas outras mulheres negras de igual valor, é projetada historicamente como a figura emblemática da grande mãe ancestral dos brasileiros. Não é em vão que Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, é apresentada como uma santa negra.”
[...]
Disponível em https://www.bbc.com/portuguese/articles/c9376nq11lwo
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Caçula, babá, cafuné: como mulheres negras escravizadas ajudaram a criar o português brasileiro
Julia Braun
Da BBC Brasil em Londres
20 novembro 2024
Caçula, babá, moleque, dengo, cafuné. Algumas palavras que usamos no nosso dia a dia escondem traços e fonemas de uma herança africana que está profundamente ligada às mulheres e ao trabalho doméstico exercido pelas negras escravizadas no Brasil dos séculos 16 a 19. Estima-se que cerca de 4 a 5 milhões de africanos foram traficados para o país durante o período. Destes, cerca de 75% eram bantos, um grupo que se espalhou por uma vasta área ao sul da Linha do Equador na África.
A característica mais evidente que une esses povos é justamente o fato de eles falarem línguas da família linguística banto — de onde emprestamos algumas palavras que seguem até hoje em nosso vocabulário. A maioria dos que foram enviados à força ao Brasil tinha origem em Angola e República Democrática do Congo, e posteriormente, Moçambique. No ambiente da família colonial, esses escravizados aprenderam o português na convivência diária com seus senhores — e também imprimiram em seu falar hábitos e características de suas próprias línguas.
Ao mesmo tempo, os colonizadores portugueses foram se apropriando pouco a pouco de termos africanos, que passaram a ser usados principalmente para designar os objetos e atividades do dia a dia. Nesse contexto, as mulheres africanas tiveram um papel especial, seja por meio do cuidado com as crianças, do seu trabalho na cozinha ou como amas de companhia e curandeiras.
‘Grande mãe ancestral dos brasileiros’
Autora de diversos livros e artigos sobre o tema, a etnolinguista baiana Yeda Pessoa de Castro vê no passado brasileiro um processo que invisibilizou a força de trabalho da mulher negra escravizada na historiografia. Mas para a pesquisadora, que se dedica ao estudo das línguas africanas e sua influência no Brasil, essas mulheres tiverem um protagonismo na família e vida diária do colonizador que foi muito além do serviço doméstico prestado.
Em seu livro Camões com Dendé, Castro descreve como as mulheres africanas influenciaram as famílias brasileiras por meio da contação de histórias do seu universo fantástico afrorreligioso, do compartilhamento de seu conhecimento nato de folhas e ervas medicinais, como cozinheiras introduzindo elementos de sua dieta nativa na comida diária da casa e como amas de companhia das jovens solteiras e cuidadoras das crianças.
Na função “da mãe preta e babá”, reconta a linguista, essas mulheres amamentaram e criaram os filhos do colonizador “e, à maneira de pedagoga, os ensinou a balbuciar as primeiras palavras, também na sua língua nativa, no embalo do seu canto de acalento” que os fazia dormir. A própria palavra babá é uma das muitas marcas deixadas por esse importante trabalho: pesquisadores rastreiam a sua origem no quimbundo, uma das línguas bantas faladas em Angola.
Da mesma forma, várias outras palavras ligadas ao cuidado e à maternidade também foram inseridas no contexto brasileiro por esse meio. “No campo afetivo, a mãe negra nos deixou o xodó, o cafuné, o cochilo, o dengo, e nos falou que ‘o caçula é o dengo da família’, o irmão mais jovem, sempre tratado com muito mimo por todas da casa”, diz Yeda Pessoa de Castro.
Enquanto dengo vem do quicongo, falada no norte de Angola e no baixo Congo, caçula tem origem no quimbundo. Não há no Brasil outra palavra para se referir ao filho mais novo. No português europeu diz-se benjamin, que para o falante brasileiro, além de nome próprio, é um adaptador multiplicador de tomada elétrica. “Diante de tantas evidências apontadas pelo vocabulário, entre muitas outras ainda encobertas por falta de pesquisas mais detalhadas nesse domínio, a mulher angolana, entre tantas outras mulheres negras de igual valor, é projetada historicamente como a figura emblemática da grande mãe ancestral dos brasileiros. Não é em vão que Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, é apresentada como uma santa negra.”
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Caçula, babá, moleque, dengo, cafuné. Algumas palavras que usamos no nosso dia a dia escondem traços e fonemas de uma herança africana que está profundamente ligada às mulheres e ao trabalho doméstico exercido pelas negras escravizadas no Brasil dos séculos 16 a 19. Estima-se que cerca de 4 a 5 milhões de africanos foram traficados para o país durante o período. Destes, cerca de 75% eram bantos, um grupo que se espalhou por uma vasta área ao sul da Linha do Equador na África.
A característica mais evidente que une esses povos é justamente o fato de eles falarem línguas da família linguística banto — de onde emprestamos algumas palavras que seguem até hoje em nosso vocabulário. A maioria dos que foram enviados à força ao Brasil tinha origem em Angola e República Democrática do Congo, e posteriormente, Moçambique. No ambiente da família colonial, esses escravizados aprenderam o português na convivência diária com seus senhores — e também imprimiram em seu falar hábitos e características de suas próprias línguas.
Ao mesmo tempo, os colonizadores portugueses foram se apropriando pouco a pouco de termos africanos, que passaram a ser usados principalmente para designar os objetos e atividades do dia a dia. Nesse contexto, as mulheres africanas tiveram um papel especial, seja por meio do cuidado com as crianças, do seu trabalho na cozinha ou como amas de companhia e curandeiras.
‘Grande mãe ancestral dos brasileiros’
Autora de diversos livros e artigos sobre o tema, a etnolinguista baiana Yeda Pessoa de Castro vê no passado brasileiro um processo que invisibilizou a força de trabalho da mulher negra escravizada na historiografia. Mas para a pesquisadora, que se dedica ao estudo das línguas africanas e sua influência no Brasil, essas mulheres tiverem um protagonismo na família e vida diária do colonizador que foi muito além do serviço doméstico prestado.
Em seu livro Camões com Dendé, Castro descreve como as mulheres africanas influenciaram as famílias brasileiras por meio da contação de histórias do seu universo fantástico afrorreligioso, do compartilhamento de seu conhecimento nato de folhas e ervas medicinais, como cozinheiras introduzindo elementos de sua dieta nativa na comida diária da casa e como amas de companhia das jovens solteiras e cuidadoras das crianças.
Na função “da mãe preta e babá”, reconta a linguista, essas mulheres amamentaram e criaram os filhos do colonizador “e, à maneira de pedagoga, os ensinou a balbuciar as primeiras palavras, também na sua língua nativa, no embalo do seu canto de acalento” que os fazia dormir. A própria palavra babá é uma das muitas marcas deixadas por esse importante trabalho: pesquisadores rastreiam a sua origem no quimbundo, uma das línguas bantas faladas em Angola.
Da mesma forma, várias outras palavras ligadas ao cuidado e à maternidade também foram inseridas no contexto brasileiro por esse meio. “No campo afetivo, a mãe negra nos deixou o xodó, o cafuné, o cochilo, o dengo, e nos falou que ‘o caçula é o dengo da família’, o irmão mais jovem, sempre tratado com muito mimo por todas da casa”, diz Yeda Pessoa de Castro.
Enquanto dengo vem do quicongo, falada no norte de Angola e no baixo Congo, caçula tem origem no quimbundo. Não há no Brasil outra palavra para se referir ao filho mais novo. No português europeu diz-se benjamin, que para o falante brasileiro, além de nome próprio, é um adaptador multiplicador de tomada elétrica. “Diante de tantas evidências apontadas pelo vocabulário, entre muitas outras ainda encobertas por falta de pesquisas mais detalhadas nesse domínio, a mulher angolana, entre tantas outras mulheres negras de igual valor, é projetada historicamente como a figura emblemática da grande mãe ancestral dos brasileiros. Não é em vão que Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, é apresentada como uma santa negra.”
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A característica mais evidente que une esses povos é justamente o fato de eles falarem línguas da família linguística banto — de onde emprestamos algumas palavras que seguem até hoje em nosso vocabulário. A maioria dos que foram enviados à força ao Brasil tinha origem em Angola e República Democrática do Congo, e posteriormente, Moçambique. No ambiente da família colonial, esses escravizados aprenderam o português na convivência diária com seus senhores — e também imprimiram em seu falar hábitos e características de suas próprias línguas.
Ao mesmo tempo, os colonizadores portugueses foram se apropriando pouco a pouco de termos africanos, que passaram a ser usados principalmente para designar os objetos e atividades do dia a dia. Nesse contexto, as mulheres africanas tiveram um papel especial, seja por meio do cuidado com as crianças, do seu trabalho na cozinha ou como amas de companhia e curandeiras.
‘Grande mãe ancestral dos brasileiros’
Autora de diversos livros e artigos sobre o tema, a etnolinguista baiana Yeda Pessoa de Castro vê no passado brasileiro um processo que invisibilizou a força de trabalho da mulher negra escravizada na historiografia. Mas para a pesquisadora, que se dedica ao estudo das línguas africanas e sua influência no Brasil, essas mulheres tiverem um protagonismo na família e vida diária do colonizador que foi muito além do serviço doméstico prestado.
Em seu livro Camões com Dendé, Castro descreve como as mulheres africanas influenciaram as famílias brasileiras por meio da contação de histórias do seu universo fantástico afrorreligioso, do compartilhamento de seu conhecimento nato de folhas e ervas medicinais, como cozinheiras introduzindo elementos de sua dieta nativa na comida diária da casa e como amas de companhia das jovens solteiras e cuidadoras das crianças.
Na função “da mãe preta e babá”, reconta a linguista, essas mulheres amamentaram e criaram os filhos do colonizador “e, à maneira de pedagoga, os ensinou a balbuciar as primeiras palavras, também na sua língua nativa, no embalo do seu canto de acalento” que os fazia dormir. A própria palavra babá é uma das muitas marcas deixadas por esse importante trabalho: pesquisadores rastreiam a sua origem no quimbundo, uma das línguas bantas faladas em Angola.
Da mesma forma, várias outras palavras ligadas ao cuidado e à maternidade também foram inseridas no contexto brasileiro por esse meio. “No campo afetivo, a mãe negra nos deixou o xodó, o cafuné, o cochilo, o dengo, e nos falou que ‘o caçula é o dengo da família’, o irmão mais jovem, sempre tratado com muito mimo por todas da casa”, diz Yeda Pessoa de Castro.
Enquanto dengo vem do quicongo, falada no norte de Angola e no baixo Congo, caçula tem origem no quimbundo. Não há no Brasil outra palavra para se referir ao filho mais novo. No português europeu diz-se benjamin, que para o falante brasileiro, além de nome próprio, é um adaptador multiplicador de tomada elétrica. “Diante de tantas evidências apontadas pelo vocabulário, entre muitas outras ainda encobertas por falta de pesquisas mais detalhadas nesse domínio, a mulher angolana, entre tantas outras mulheres negras de igual valor, é projetada historicamente como a figura emblemática da grande mãe ancestral dos brasileiros. Não é em vão que Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, é apresentada como uma santa negra.”
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Disponível em https://www.bbc.com/portuguese/articles/c9376nq11lwo
Considere a seguinte frase baseada nas ideias da pesquisadora Yeda Pessoa de Castro: “As mulheres africanas exerciam o serviço doméstico, ____ seu protagonismo na vida familiar foi muito além disso”.
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A característica mais evidente que une esses povos é justamente o fato de eles falarem línguas da família linguística banto — de onde emprestamos algumas palavras que seguem até hoje em nosso vocabulário. A maioria dos que foram enviados à força ao Brasil tinha origem em Angola e República Democrática do Congo, e posteriormente, Moçambique. No ambiente da família colonial, esses escravizados aprenderam o português na convivência diária com seus senhores — e também imprimiram em seu falar hábitos e características de suas próprias línguas.
Ao mesmo tempo, os colonizadores portugueses foram se apropriando pouco a pouco de termos africanos, que passaram a ser usados principalmente para designar os objetos e atividades do dia a dia. Nesse contexto, as mulheres africanas tiveram um papel especial, seja por meio do cuidado com as crianças, do seu trabalho na cozinha ou como amas de companhia e curandeiras.
‘Grande mãe ancestral dos brasileiros’
Autora de diversos livros e artigos sobre o tema, a etnolinguista baiana Yeda Pessoa de Castro vê no passado brasileiro um processo que invisibilizou a força de trabalho da mulher negra escravizada na historiografia. Mas para a pesquisadora, que se dedica ao estudo das línguas africanas e sua influência no Brasil, essas mulheres tiverem um protagonismo na família e vida diária do colonizador que foi muito além do serviço doméstico prestado.
Em seu livro Camões com Dendé, Castro descreve como as mulheres africanas influenciaram as famílias brasileiras por meio da contação de histórias do seu universo fantástico afrorreligioso, do compartilhamento de seu conhecimento nato de folhas e ervas medicinais, como cozinheiras introduzindo elementos de sua dieta nativa na comida diária da casa e como amas de companhia das jovens solteiras e cuidadoras das crianças.
Na função “da mãe preta e babá”, reconta a linguista, essas mulheres amamentaram e criaram os filhos do colonizador “e, à maneira de pedagoga, os ensinou a balbuciar as primeiras palavras, também na sua língua nativa, no embalo do seu canto de acalento” que os fazia dormir. A própria palavra babá é uma das muitas marcas deixadas por esse importante trabalho: pesquisadores rastreiam a sua origem no quimbundo, uma das línguas bantas faladas em Angola.
Da mesma forma, várias outras palavras ligadas ao cuidado e à maternidade também foram inseridas no contexto brasileiro por esse meio. “No campo afetivo, a mãe negra nos deixou o xodó, o cafuné, o cochilo, o dengo, e nos falou que ‘o caçula é o dengo da família’, o irmão mais jovem, sempre tratado com muito mimo por todas da casa”, diz Yeda Pessoa de Castro.
Enquanto dengo vem do quicongo, falada no norte de Angola e no baixo Congo, caçula tem origem no quimbundo. Não há no Brasil outra palavra para se referir ao filho mais novo. No português europeu diz-se benjamin, que para o falante brasileiro, além de nome próprio, é um adaptador multiplicador de tomada elétrica. “Diante de tantas evidências apontadas pelo vocabulário, entre muitas outras ainda encobertas por falta de pesquisas mais detalhadas nesse domínio, a mulher angolana, entre tantas outras mulheres negras de igual valor, é projetada historicamente como a figura emblemática da grande mãe ancestral dos brasileiros. Não é em vão que Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, é apresentada como uma santa negra.”
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Julia Braun
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A característica mais evidente que une esses povos é justamente o fato de eles falarem línguas da família linguística banto — de onde emprestamos algumas palavras que seguem até hoje em nosso vocabulário. A maioria dos que foram enviados à força ao Brasil tinha origem em Angola e República Democrática do Congo, e posteriormente, Moçambique. No ambiente da família colonial, esses escravizados aprenderam o português na convivência diária com seus senhores — e também imprimiram em seu falar hábitos e características de suas próprias línguas.
Ao mesmo tempo, os colonizadores portugueses foram se apropriando pouco a pouco de termos africanos, que passaram a ser usados principalmente para designar os objetos e atividades do dia a dia. Nesse contexto, as mulheres africanas tiveram um papel especial, seja por meio do cuidado com as crianças, do seu trabalho na cozinha ou como amas de companhia e curandeiras.
‘Grande mãe ancestral dos brasileiros’
Autora de diversos livros e artigos sobre o tema, a etnolinguista baiana Yeda Pessoa de Castro vê no passado brasileiro um processo que invisibilizou a força de trabalho da mulher negra escravizada na historiografia. Mas para a pesquisadora, que se dedica ao estudo das línguas africanas e sua influência no Brasil, essas mulheres tiverem um protagonismo na família e vida diária do colonizador que foi muito além do serviço doméstico prestado.
Em seu livro Camões com Dendé, Castro descreve como as mulheres africanas influenciaram as famílias brasileiras por meio da contação de histórias do seu universo fantástico afrorreligioso, do compartilhamento de seu conhecimento nato de folhas e ervas medicinais, como cozinheiras introduzindo elementos de sua dieta nativa na comida diária da casa e como amas de companhia das jovens solteiras e cuidadoras das crianças.
Na função “da mãe preta e babá”, reconta a linguista, essas mulheres amamentaram e criaram os filhos do colonizador “e, à maneira de pedagoga, os ensinou a balbuciar as primeiras palavras, também na sua língua nativa, no embalo do seu canto de acalento” que os fazia dormir. A própria palavra babá é uma das muitas marcas deixadas por esse importante trabalho: pesquisadores rastreiam a sua origem no quimbundo, uma das línguas bantas faladas em Angola.
Da mesma forma, várias outras palavras ligadas ao cuidado e à maternidade também foram inseridas no contexto brasileiro por esse meio. “No campo afetivo, a mãe negra nos deixou o xodó, o cafuné, o cochilo, o dengo, e nos falou que ‘o caçula é o dengo da família’, o irmão mais jovem, sempre tratado com muito mimo por todas da casa”, diz Yeda Pessoa de Castro.
Enquanto dengo vem do quicongo, falada no norte de Angola e no baixo Congo, caçula tem origem no quimbundo. Não há no Brasil outra palavra para se referir ao filho mais novo. No português europeu diz-se benjamin, que para o falante brasileiro, além de nome próprio, é um adaptador multiplicador de tomada elétrica. “Diante de tantas evidências apontadas pelo vocabulário, entre muitas outras ainda encobertas por falta de pesquisas mais detalhadas nesse domínio, a mulher angolana, entre tantas outras mulheres negras de igual valor, é projetada historicamente como a figura emblemática da grande mãe ancestral dos brasileiros. Não é em vão que Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, é apresentada como uma santa negra.”
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Como nosso corpo sofre (e se adapta) em uma onda de calor
Giulia Granchi
Da BBC News Brasil em Londres
O Brasil enfrenta uma nova onda de calor, com
temperaturas cerca de 5ºC acima da média. O cenário fez com
que o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitisse um
alerta vermelho.
O alerta vermelho, que é válido até a próxima segundafeira (29/12), é o maior grau entre os três avisos emitidos pelo
instituto: amarelo, para perigo potencial; laranja, para perigo; e
vermelho, para grande perigo. Os Estados do Rio de
Janeiro e São Paulo estão totalmente incluídos no alerta
vermelho, além da região norte do Paraná, compreendendo as
áreas de Londrina e Curitiba; o sul de Minas Gerais,
englobando Uberaba, Varginha e Juiz de Fora; o leste do Mato
Grosso do Sul, incluindo Três Lagoas; e o sul do Espírito Santo,
na área de Cachoeiro de Itapemirim.
Pelo segundo dia seguido na sexta-feira (26/12), a
cidade São Paulo registrou recorde de calor para o mês de
dezembro ao atingir 36,2ºC. O Estado do Rio de Janeiro
registrou, nos últimos dias, mais de 2 mil atendimentos de
pessoas passando mal por conta do calor em postos de saúde.
Somente na capital fluminense, foram mais de 1 mil
atendimentos entre os dias 23, 24 e 25 de dezembro, segundo a
Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro.
Embora algumas regiões do Brasil frequentemente
experimentem altas temperaturas e os brasileiros estejam
geralmente mais adaptados ao calor em comparação com
populações de países europeus, a situação é particularmente
perigosa devido à sua extrema intensidade. Estar exposto —
especialmente nos horários de pico do calor, entre 12h e 16h —
pode causar alterações no organismo que oferecem risco à
saúde, principalmente para grupos com saúde mais frágil,
incluindo idosos, pessoas com comorbidades, e crianças
pequenas.
O que acontece quando o corpo é exposto a temperaturas
extremas
Quando o corpo está em estresse térmico, ou seja, é
exposto a temperaturas extremas, ele passa por uma série de
adaptações fisiológicas para regular a temperatura interna. No
caso da exposição ao calor, primeira reação do organismo é
dissipar calor através do suor e da dilatação dos vasos
sanguíneos periféricos para liberar calor para o ambiente. No
entanto, em temperaturas muito altas, especialmente quando
também está úmido, o mecanismo de resfriamento do suor pode
se tornar ineficaz, levando ao superaquecimento corporal,
insolação e possíveis danos aos órgãos.
“Quando estamos expostos a temperaturas mais
elevadas, ocorrem adaptações no nosso corpo. A frequência
cardíaca aumenta como um mecanismo compensatório, assim
como a pressão arterial”, explica Lucas Albanaz, clínico geral,
coordenador da clínica médica do Hospital Santa Lúcia, de
Brasília, e mestre em ciências médicas. Outro risco, alerta o
médico, é a desidratação devido ao aumento da sudorese.
A depender da temperatura, complementa o médico
Alexander Daudt, os sinais vão de câimbra (por falta de
eletrólitos, eliminados no suor), a sede intensa e fadiga. “Outros
sintomas mais graves, como tontura, náuseas ou vômitos
também podem aparecer. Se a pessoa não conseguir aliviar esse
calor, o quadro pode evoluir para choque térmico, com
confusão mental, convulsões, e seguindo para a falência de múltiplos órgãos e óbito”, explica ele, que é coordenador do
Núcleo de Medicina de Estilo de Vida do Hospital Moinhos de
Vento, em Porto Alegre.
De acordo com um relatório publicado na revista
científica The Lancet, nos últimos 20 anos o aumento da
mortalidade relacionado com o calor excessivo em pessoas com
mais de 65 anos aumentou em 53,7%. Apenas na Europa, em
2022, ocorreram 61.672 mortes atribuíveis ao calor entre 30 de
maio e 4 de setembro de 2022, segundo uma análise
recente publicada na Nature Medicine.
Os riscos são maiores para pessoas com comorbidades,
pessoas idosas, especialmente aquelas com saúde fragilizada,
crianças (por ainda estarem com o organismo em formação),
trabalhadores que precisam se expor ao sol (como vendedores
ambulantes), e aqueles que fazem uso de medicações que por
algum motivo os tornem mais vulneráveis ao calor. “É o caso
de pacientes que tomam remédios diuréticos, por exemplo. Eles
naturalmente já perdem mais água, e precisam de cuidado extra
com hidratação”, aponta Daudt.
[...]
Disponível em https://www.bbc.com/portuguese/articles/cwyvrmn343mo
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Como nosso corpo sofre (e se adapta) em uma onda de calor
Giulia Granchi
Da BBC News Brasil em Londres
O Brasil enfrenta uma nova onda de calor, com
temperaturas cerca de 5ºC acima da média. O cenário fez com
que o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitisse um
alerta vermelho.
O alerta vermelho, que é válido até a próxima segundafeira (29/12), é o maior grau entre os três avisos emitidos pelo
instituto: amarelo, para perigo potencial; laranja, para perigo; e
vermelho, para grande perigo. Os Estados do Rio de
Janeiro e São Paulo estão totalmente incluídos no alerta
vermelho, além da região norte do Paraná, compreendendo as
áreas de Londrina e Curitiba; o sul de Minas Gerais,
englobando Uberaba, Varginha e Juiz de Fora; o leste do Mato
Grosso do Sul, incluindo Três Lagoas; e o sul do Espírito Santo,
na área de Cachoeiro de Itapemirim.
Pelo segundo dia seguido na sexta-feira (26/12), a
cidade São Paulo registrou recorde de calor para o mês de
dezembro ao atingir 36,2ºC. O Estado do Rio de Janeiro
registrou, nos últimos dias, mais de 2 mil atendimentos de
pessoas passando mal por conta do calor em postos de saúde.
Somente na capital fluminense, foram mais de 1 mil
atendimentos entre os dias 23, 24 e 25 de dezembro, segundo a
Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro.
Embora algumas regiões do Brasil frequentemente
experimentem altas temperaturas e os brasileiros estejam
geralmente mais adaptados ao calor em comparação com
populações de países europeus, a situação é particularmente
perigosa devido à sua extrema intensidade. Estar exposto —
especialmente nos horários de pico do calor, entre 12h e 16h —
pode causar alterações no organismo que oferecem risco à
saúde, principalmente para grupos com saúde mais frágil,
incluindo idosos, pessoas com comorbidades, e crianças
pequenas.
O que acontece quando o corpo é exposto a temperaturas
extremas
Quando o corpo está em estresse térmico, ou seja, é
exposto a temperaturas extremas, ele passa por uma série de
adaptações fisiológicas para regular a temperatura interna. No
caso da exposição ao calor, primeira reação do organismo é
dissipar calor através do suor e da dilatação dos vasos
sanguíneos periféricos para liberar calor para o ambiente. No
entanto, em temperaturas muito altas, especialmente quando
também está úmido, o mecanismo de resfriamento do suor pode
se tornar ineficaz, levando ao superaquecimento corporal,
insolação e possíveis danos aos órgãos.
“Quando estamos expostos a temperaturas mais
elevadas, ocorrem adaptações no nosso corpo. A frequência
cardíaca aumenta como um mecanismo compensatório, assim
como a pressão arterial”, explica Lucas Albanaz, clínico geral,
coordenador da clínica médica do Hospital Santa Lúcia, de
Brasília, e mestre em ciências médicas. Outro risco, alerta o
médico, é a desidratação devido ao aumento da sudorese.
A depender da temperatura, complementa o médico
Alexander Daudt, os sinais vão de câimbra (por falta de
eletrólitos, eliminados no suor), a sede intensa e fadiga. “Outros
sintomas mais graves, como tontura, náuseas ou vômitos
também podem aparecer. Se a pessoa não conseguir aliviar esse
calor, o quadro pode evoluir para choque térmico, com
confusão mental, convulsões, e seguindo para a falência de múltiplos órgãos e óbito”, explica ele, que é coordenador do
Núcleo de Medicina de Estilo de Vida do Hospital Moinhos de
Vento, em Porto Alegre.
De acordo com um relatório publicado na revista
científica The Lancet, nos últimos 20 anos o aumento da
mortalidade relacionado com o calor excessivo em pessoas com
mais de 65 anos aumentou em 53,7%. Apenas na Europa, em
2022, ocorreram 61.672 mortes atribuíveis ao calor entre 30 de
maio e 4 de setembro de 2022, segundo uma análise
recente publicada na Nature Medicine.
Os riscos são maiores para pessoas com comorbidades,
pessoas idosas, especialmente aquelas com saúde fragilizada,
crianças (por ainda estarem com o organismo em formação),
trabalhadores que precisam se expor ao sol (como vendedores
ambulantes), e aqueles que fazem uso de medicações que por
algum motivo os tornem mais vulneráveis ao calor. “É o caso
de pacientes que tomam remédios diuréticos, por exemplo. Eles
naturalmente já perdem mais água, e precisam de cuidado extra
com hidratação”, aponta Daudt.
[...]
Disponível em https://www.bbc.com/portuguese/articles/cwyvrmn343mo
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Como nosso corpo sofre (e se adapta) em uma onda de calor
Giulia Granchi
Da BBC News Brasil em Londres
O Brasil enfrenta uma nova onda de calor, com
temperaturas cerca de 5ºC acima da média. O cenário fez com
que o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitisse um
alerta vermelho.
O alerta vermelho, que é válido até a próxima segundafeira (29/12), é o maior grau entre os três avisos emitidos pelo
instituto: amarelo, para perigo potencial; laranja, para perigo; e
vermelho, para grande perigo. Os Estados do Rio de
Janeiro e São Paulo estão totalmente incluídos no alerta
vermelho, além da região norte do Paraná, compreendendo as
áreas de Londrina e Curitiba; o sul de Minas Gerais,
englobando Uberaba, Varginha e Juiz de Fora; o leste do Mato
Grosso do Sul, incluindo Três Lagoas; e o sul do Espírito Santo,
na área de Cachoeiro de Itapemirim.
Pelo segundo dia seguido na sexta-feira (26/12), a
cidade São Paulo registrou recorde de calor para o mês de
dezembro ao atingir 36,2ºC. O Estado do Rio de Janeiro
registrou, nos últimos dias, mais de 2 mil atendimentos de
pessoas passando mal por conta do calor em postos de saúde.
Somente na capital fluminense, foram mais de 1 mil
atendimentos entre os dias 23, 24 e 25 de dezembro, segundo a
Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro.
Embora algumas regiões do Brasil frequentemente
experimentem altas temperaturas e os brasileiros estejam
geralmente mais adaptados ao calor em comparação com
populações de países europeus, a situação é particularmente
perigosa devido à sua extrema intensidade. Estar exposto —
especialmente nos horários de pico do calor, entre 12h e 16h —
pode causar alterações no organismo que oferecem risco à
saúde, principalmente para grupos com saúde mais frágil,
incluindo idosos, pessoas com comorbidades, e crianças
pequenas.
O que acontece quando o corpo é exposto a temperaturas
extremas
Quando o corpo está em estresse térmico, ou seja, é
exposto a temperaturas extremas, ele passa por uma série de
adaptações fisiológicas para regular a temperatura interna. No
caso da exposição ao calor, primeira reação do organismo é
dissipar calor através do suor e da dilatação dos vasos
sanguíneos periféricos para liberar calor para o ambiente. No
entanto, em temperaturas muito altas, especialmente quando
também está úmido, o mecanismo de resfriamento do suor pode
se tornar ineficaz, levando ao superaquecimento corporal,
insolação e possíveis danos aos órgãos.
“Quando estamos expostos a temperaturas mais
elevadas, ocorrem adaptações no nosso corpo. A frequência
cardíaca aumenta como um mecanismo compensatório, assim
como a pressão arterial”, explica Lucas Albanaz, clínico geral,
coordenador da clínica médica do Hospital Santa Lúcia, de
Brasília, e mestre em ciências médicas. Outro risco, alerta o
médico, é a desidratação devido ao aumento da sudorese.
A depender da temperatura, complementa o médico
Alexander Daudt, os sinais vão de câimbra (por falta de
eletrólitos, eliminados no suor), a sede intensa e fadiga. “Outros
sintomas mais graves, como tontura, náuseas ou vômitos
também podem aparecer. Se a pessoa não conseguir aliviar esse
calor, o quadro pode evoluir para choque térmico, com
confusão mental, convulsões, e seguindo para a falência de múltiplos órgãos e óbito”, explica ele, que é coordenador do
Núcleo de Medicina de Estilo de Vida do Hospital Moinhos de
Vento, em Porto Alegre.
De acordo com um relatório publicado na revista
científica The Lancet, nos últimos 20 anos o aumento da
mortalidade relacionado com o calor excessivo em pessoas com
mais de 65 anos aumentou em 53,7%. Apenas na Europa, em
2022, ocorreram 61.672 mortes atribuíveis ao calor entre 30 de
maio e 4 de setembro de 2022, segundo uma análise
recente publicada na Nature Medicine.
Os riscos são maiores para pessoas com comorbidades,
pessoas idosas, especialmente aquelas com saúde fragilizada,
crianças (por ainda estarem com o organismo em formação),
trabalhadores que precisam se expor ao sol (como vendedores
ambulantes), e aqueles que fazem uso de medicações que por
algum motivo os tornem mais vulneráveis ao calor. “É o caso
de pacientes que tomam remédios diuréticos, por exemplo. Eles
naturalmente já perdem mais água, e precisam de cuidado extra
com hidratação”, aponta Daudt.
[...]
Disponível em https://www.bbc.com/portuguese/articles/cwyvrmn343mo
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Questão presente nas seguintes provas
Como nosso corpo sofre (e se adapta) em uma onda de calor
Giulia Granchi
Da BBC News Brasil em Londres
O Brasil enfrenta uma nova onda de calor, com
temperaturas cerca de 5ºC acima da média. O cenário fez com
que o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitisse um
alerta vermelho.
O alerta vermelho, que é válido até a próxima segundafeira (29/12), é o maior grau entre os três avisos emitidos pelo
instituto: amarelo, para perigo potencial; laranja, para perigo; e
vermelho, para grande perigo. Os Estados do Rio de
Janeiro e São Paulo estão totalmente incluídos no alerta
vermelho, além da região norte do Paraná, compreendendo as
áreas de Londrina e Curitiba; o sul de Minas Gerais,
englobando Uberaba, Varginha e Juiz de Fora; o leste do Mato
Grosso do Sul, incluindo Três Lagoas; e o sul do Espírito Santo,
na área de Cachoeiro de Itapemirim.
Pelo segundo dia seguido na sexta-feira (26/12), a
cidade São Paulo registrou recorde de calor para o mês de
dezembro ao atingir 36,2ºC. O Estado do Rio de Janeiro
registrou, nos últimos dias, mais de 2 mil atendimentos de
pessoas passando mal por conta do calor em postos de saúde.
Somente na capital fluminense, foram mais de 1 mil
atendimentos entre os dias 23, 24 e 25 de dezembro, segundo a
Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro.
Embora algumas regiões do Brasil frequentemente
experimentem altas temperaturas e os brasileiros estejam
geralmente mais adaptados ao calor em comparação com
populações de países europeus, a situação é particularmente
perigosa devido à sua extrema intensidade. Estar exposto —
especialmente nos horários de pico do calor, entre 12h e 16h —
pode causar alterações no organismo que oferecem risco à
saúde, principalmente para grupos com saúde mais frágil,
incluindo idosos, pessoas com comorbidades, e crianças
pequenas.
O que acontece quando o corpo é exposto a temperaturas
extremas
Quando o corpo está em estresse térmico, ou seja, é
exposto a temperaturas extremas, ele passa por uma série de
adaptações fisiológicas para regular a temperatura interna. No
caso da exposição ao calor, primeira reação do organismo é
dissipar calor através do suor e da dilatação dos vasos
sanguíneos periféricos para liberar calor para o ambiente. No
entanto, em temperaturas muito altas, especialmente quando
também está úmido, o mecanismo de resfriamento do suor pode
se tornar ineficaz, levando ao superaquecimento corporal,
insolação e possíveis danos aos órgãos.
“Quando estamos expostos a temperaturas mais
elevadas, ocorrem adaptações no nosso corpo. A frequência
cardíaca aumenta como um mecanismo compensatório, assim
como a pressão arterial”, explica Lucas Albanaz, clínico geral,
coordenador da clínica médica do Hospital Santa Lúcia, de
Brasília, e mestre em ciências médicas. Outro risco, alerta o
médico, é a desidratação devido ao aumento da sudorese.
A depender da temperatura, complementa o médico
Alexander Daudt, os sinais vão de câimbra (por falta de
eletrólitos, eliminados no suor), a sede intensa e fadiga. “Outros
sintomas mais graves, como tontura, náuseas ou vômitos
também podem aparecer. Se a pessoa não conseguir aliviar esse
calor, o quadro pode evoluir para choque térmico, com
confusão mental, convulsões, e seguindo para a falência de múltiplos órgãos e óbito”, explica ele, que é coordenador do
Núcleo de Medicina de Estilo de Vida do Hospital Moinhos de
Vento, em Porto Alegre.
De acordo com um relatório publicado na revista
científica The Lancet, nos últimos 20 anos o aumento da
mortalidade relacionado com o calor excessivo em pessoas com
mais de 65 anos aumentou em 53,7%. Apenas na Europa, em
2022, ocorreram 61.672 mortes atribuíveis ao calor entre 30 de
maio e 4 de setembro de 2022, segundo uma análise
recente publicada na Nature Medicine.
Os riscos são maiores para pessoas com comorbidades,
pessoas idosas, especialmente aquelas com saúde fragilizada,
crianças (por ainda estarem com o organismo em formação),
trabalhadores que precisam se expor ao sol (como vendedores
ambulantes), e aqueles que fazem uso de medicações que por
algum motivo os tornem mais vulneráveis ao calor. “É o caso
de pacientes que tomam remédios diuréticos, por exemplo. Eles
naturalmente já perdem mais água, e precisam de cuidado extra
com hidratação”, aponta Daudt.
[...]
Disponível em https://www.bbc.com/portuguese/articles/cwyvrmn343mo
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