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TEXTO III
A tirania da produtividade
Ronaldo Nezo
Vamos combinar uma coisa: estar sempre ocupado é
ótimo, não é? É a nossa medalha de honra no século 21. A
gente exibe a agenda lotada como se fosse um troféu de
campeão mundial. A gente fala da nossa “correria” com um
certo orgulho, como se dissesse: “Vejam como eu sou
importante, como sou necessário”.
A ocupação virou a desculpa perfeita para tudo.
“Não posso ir, tô numa correria.” “Não te liguei de volta,
o dia foi uma loucura.” “Não brinquei com você, filho, porque
o papai tinha muito trabalho.”
A vida apressada virou justificativa pra tudo. Estar
ocupado se tornou nosso escudo. Nosso salvo-conduto para
uma vida de desconexão.
Parece até que gostamos dessa loucura toda. Na
verdade, tenho a impressão que a gente sente certa
vergonha de dizer: estou tranquilo, agenda calma…
Mas… escuta o Ronaldo: já parou pra pensar no que
realmente significa essa vida sempre ocupada? E se essa
armadura de “pessoa importante e ocupada” for, na verdade,
uma prisão?
E se, por trás do nosso orgulho de sermos “produtivos”,
a gente estiver escondendo um medo terrível? Se tudo não
passar de uma espécie de estratégia inconsciente de nos
sentirmos importantes? E não passar de um pânico de ficar
em silêncio? Um pavor de encontrar a única pessoa da qual
a gente não consegue fugir: nós mesmos?
Dias atrás, falava sobre isso em sala de aula e uma
aluna comentou: “ah… professor, não dá. Não consigo ficar
sozinha com meus pensamentos. Se fizer isso, enlouqueço.
Preciso me ocupar”.
Pois é, gente… Essa necessidade de preencher cada
segundo do dia com uma tarefa, com uma notificação, com
um podcast, com um problema para resolver, muitas vezes
não é sinal de sucesso. É sintoma de ansiedade. É o medo
do vazio. É o medo de encarar as perguntas que a nossa
alma só faz quando a gente aquieta o barulho de fora.
E a gente paga um preço caríssimo por essa fuga. As
grandes ideias, os insights que mudam o rumo da nossa
vida… eles não nascem no meio do furacão de tarefas.
Ninguém dá sequer de conhecer a si mesmo, de olhar para
dentro de si, se não acalmar a mente. O processo de
introspecção precisa da calmaria, precisa do tédio. E a
nossa cultura parece odiar o tédio. Nós declaramos uma
guerra implacável ao tédio. Mal sabemos que, ao fazer isso,
estamos bombardeando nossa capacidade de pensar
criativamente, de refletir, de elaborar as próprias ideias.
Então, como a gente sai dessa prisão? Como a gente
para de ser escravo da própria produtividade? A resposta
não está em um novo aplicativo de organização. A resposta
está em pequenos e corajosos atos de rebeldia.
O primeiro ato de rebeldia: roube de volta 10 minutos
do seu dia. Dez minutos para não fazer absolutamente nada.
Sem celular, sem música, sem livro. Apenas você e sua
respiração, olhando pela janela. No começo, vai ser uma
tortura. Sua mente, viciada em estímulos, vai gritar por
distração. Mas se você insistir, depois de alguns dias, algo
incrível acontece. Vem a paz. Vem a clareza.
O segundo ato de rebeldia: pratique o “monotasking” –
a arte esquecida de fazer uma coisa de cada vez. Vai tomar
seu café? Tome só o café. Sinta o gosto, o cheiro, a
temperatura. Sem ler mensagens de whatsapp, sem ver o
Instagram, sem ouvir notícia. É um treino poderoso para
trazer sua mente de volta para o presente, o único lugar
onde a vida realmente acontece.
O terceiro ato de rebeldia: trate o descanso com a
mesma seriedade de uma reunião de negócios. Agende o
ócio. Proteja seu tempo livre como um leão. Dizer “não” a
um compromisso para poder descansar não é preguiça. É
estratégia de sobrevivência para a sua saúde mental
Pegou a ideia?
A verdadeira força no mundo de hoje não é aguentar a
agenda mais cheia. É ter a coragem de esvaziá-la um pouco.
Produtividade não é fazer mais coisas; produtividade é fazer
as coisas certas. E isso só é possível para quem tem a
ousadia de, de vez em quando, simplesmente parar.
NEZO, Ronaldo. A Tirania da produtividade. Saúde emocional, 03 set. 2025. Disponível em: https://blogdoronaldo.wordpress.com/2025/09/03/a-tirania-da-produtividade. Acesso em: 19/11/2025.
Observe o trecho a seguir.
“Dizer “não” a um compromisso para poder descansar não é preguiça. É estratégia de sobrevivência para a sua saúde mental.” (Texto III, l. 67-69)
Na expressão “estratégia de sobrevivência”, o sintagma preposicionado “de sobrevivência”:
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TEXTO III
A tirania da produtividade
Ronaldo Nezo
Vamos combinar uma coisa: estar sempre ocupado é
ótimo, não é? É a nossa medalha de honra no século 21. A
gente exibe a agenda lotada como se fosse um troféu de
campeão mundial. A gente fala da nossa “correria” com um
certo orgulho, como se dissesse: “Vejam como eu sou
importante, como sou necessário”.
A ocupação virou a desculpa perfeita para tudo.
“Não posso ir, tô numa correria.” “Não te liguei de volta,
o dia foi uma loucura.” “Não brinquei com você, filho, porque
o papai tinha muito trabalho.”
A vida apressada virou justificativa pra tudo. Estar
ocupado se tornou nosso escudo. Nosso salvo-conduto para
uma vida de desconexão.
Parece até que gostamos dessa loucura toda. Na
verdade, tenho a impressão que a gente sente certa
vergonha de dizer: estou tranquilo, agenda calma…
Mas… escuta o Ronaldo: já parou pra pensar no que
realmente significa essa vida sempre ocupada? E se essa
armadura de “pessoa importante e ocupada” for, na verdade,
uma prisão?
E se, por trás do nosso orgulho de sermos “produtivos”,
a gente estiver escondendo um medo terrível? Se tudo não
passar de uma espécie de estratégia inconsciente de nos
sentirmos importantes? E não passar de um pânico de ficar
em silêncio? Um pavor de encontrar a única pessoa da qual
a gente não consegue fugir: nós mesmos?
Dias atrás, falava sobre isso em sala de aula e uma
aluna comentou: “ah… professor, não dá. Não consigo ficar
sozinha com meus pensamentos. Se fizer isso, enlouqueço.
Preciso me ocupar”.
Pois é, gente… Essa necessidade de preencher cada
segundo do dia com uma tarefa, com uma notificação, com
um podcast, com um problema para resolver, muitas vezes
não é sinal de sucesso. É sintoma de ansiedade. É o medo
do vazio. É o medo de encarar as perguntas que a nossa
alma só faz quando a gente aquieta o barulho de fora.
E a gente paga um preço caríssimo por essa fuga. As
grandes ideias, os insights que mudam o rumo da nossa
vida… eles não nascem no meio do furacão de tarefas.
Ninguém dá sequer de conhecer a si mesmo, de olhar para
dentro de si, se não acalmar a mente. O processo de
introspecção precisa da calmaria, precisa do tédio. E a
nossa cultura parece odiar o tédio. Nós declaramos uma
guerra implacável ao tédio. Mal sabemos que, ao fazer isso,
estamos bombardeando nossa capacidade de pensar
criativamente, de refletir, de elaborar as próprias ideias.
Então, como a gente sai dessa prisão? Como a gente
para de ser escravo da própria produtividade? A resposta
não está em um novo aplicativo de organização. A resposta
está em pequenos e corajosos atos de rebeldia.
O primeiro ato de rebeldia: roube de volta 10 minutos
do seu dia. Dez minutos para não fazer absolutamente nada.
Sem celular, sem música, sem livro. Apenas você e sua
respiração, olhando pela janela. No começo, vai ser uma
tortura. Sua mente, viciada em estímulos, vai gritar por
distração. Mas se você insistir, depois de alguns dias, algo
incrível acontece. Vem a paz. Vem a clareza.
O segundo ato de rebeldia: pratique o “monotasking” –
a arte esquecida de fazer uma coisa de cada vez. Vai tomar
seu café? Tome só o café. Sinta o gosto, o cheiro, a
temperatura. Sem ler mensagens de whatsapp, sem ver o
Instagram, sem ouvir notícia. É um treino poderoso para
trazer sua mente de volta para o presente, o único lugar
onde a vida realmente acontece.
O terceiro ato de rebeldia: trate o descanso com a
mesma seriedade de uma reunião de negócios. Agende o
ócio. Proteja seu tempo livre como um leão. Dizer “não” a
um compromisso para poder descansar não é preguiça. É
estratégia de sobrevivência para a sua saúde mental
Pegou a ideia?
A verdadeira força no mundo de hoje não é aguentar a
agenda mais cheia. É ter a coragem de esvaziá-la um pouco.
Produtividade não é fazer mais coisas; produtividade é fazer
as coisas certas. E isso só é possível para quem tem a
ousadia de, de vez em quando, simplesmente parar.
NEZO, Ronaldo. A Tirania da produtividade. Saúde emocional, 03 set. 2025. Disponível em: https://blogdoronaldo.wordpress.com/2025/09/03/a-tirania-da-produtividade. Acesso em: 19/11/2025.
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A tirania da produtividade
Ronaldo Nezo
Vamos combinar uma coisa: estar sempre ocupado é
ótimo, não é? É a nossa medalha de honra no século 21. A
gente exibe a agenda lotada como se fosse um troféu de
campeão mundial. A gente fala da nossa “correria” com um
certo orgulho, como se dissesse: “Vejam como eu sou
importante, como sou necessário”.
A ocupação virou a desculpa perfeita para tudo.
“Não posso ir, tô numa correria.” “Não te liguei de volta,
o dia foi uma loucura.” “Não brinquei com você, filho, porque
o papai tinha muito trabalho.”
A vida apressada virou justificativa pra tudo. Estar
ocupado se tornou nosso escudo. Nosso salvo-conduto para
uma vida de desconexão.
Parece até que gostamos dessa loucura toda. Na
verdade, tenho a impressão que a gente sente certa
vergonha de dizer: estou tranquilo, agenda calma…
Mas… escuta o Ronaldo: já parou pra pensar no que
realmente significa essa vida sempre ocupada? E se essa
armadura de “pessoa importante e ocupada” for, na verdade,
uma prisão?
E se, por trás do nosso orgulho de sermos “produtivos”,
a gente estiver escondendo um medo terrível? Se tudo não
passar de uma espécie de estratégia inconsciente de nos
sentirmos importantes? E não passar de um pânico de ficar
em silêncio? Um pavor de encontrar a única pessoa da qual
a gente não consegue fugir: nós mesmos?
Dias atrás, falava sobre isso em sala de aula e uma
aluna comentou: “ah… professor, não dá. Não consigo ficar
sozinha com meus pensamentos. Se fizer isso, enlouqueço.
Preciso me ocupar”.
Pois é, gente… Essa necessidade de preencher cada
segundo do dia com uma tarefa, com uma notificação, com
um podcast, com um problema para resolver, muitas vezes
não é sinal de sucesso. É sintoma de ansiedade. É o medo
do vazio. É o medo de encarar as perguntas que a nossa
alma só faz quando a gente aquieta o barulho de fora.
E a gente paga um preço caríssimo por essa fuga. As
grandes ideias, os insights que mudam o rumo da nossa
vida… eles não nascem no meio do furacão de tarefas.
Ninguém dá sequer de conhecer a si mesmo, de olhar para
dentro de si, se não acalmar a mente. O processo de
introspecção precisa da calmaria, precisa do tédio. E a
nossa cultura parece odiar o tédio. Nós declaramos uma
guerra implacável ao tédio. Mal sabemos que, ao fazer isso,
estamos bombardeando nossa capacidade de pensar
criativamente, de refletir, de elaborar as próprias ideias.
Então, como a gente sai dessa prisão? Como a gente
para de ser escravo da própria produtividade? A resposta
não está em um novo aplicativo de organização. A resposta
está em pequenos e corajosos atos de rebeldia.
O primeiro ato de rebeldia: roube de volta 10 minutos
do seu dia. Dez minutos para não fazer absolutamente nada.
Sem celular, sem música, sem livro. Apenas você e sua
respiração, olhando pela janela. No começo, vai ser uma
tortura. Sua mente, viciada em estímulos, vai gritar por
distração. Mas se você insistir, depois de alguns dias, algo
incrível acontece. Vem a paz. Vem a clareza.
O segundo ato de rebeldia: pratique o “monotasking” –
a arte esquecida de fazer uma coisa de cada vez. Vai tomar
seu café? Tome só o café. Sinta o gosto, o cheiro, a
temperatura. Sem ler mensagens de whatsapp, sem ver o
Instagram, sem ouvir notícia. É um treino poderoso para
trazer sua mente de volta para o presente, o único lugar
onde a vida realmente acontece.
O terceiro ato de rebeldia: trate o descanso com a
mesma seriedade de uma reunião de negócios. Agende o
ócio. Proteja seu tempo livre como um leão. Dizer “não” a
um compromisso para poder descansar não é preguiça. É
estratégia de sobrevivência para a sua saúde mental
Pegou a ideia?
A verdadeira força no mundo de hoje não é aguentar a
agenda mais cheia. É ter a coragem de esvaziá-la um pouco.
Produtividade não é fazer mais coisas; produtividade é fazer
as coisas certas. E isso só é possível para quem tem a
ousadia de, de vez em quando, simplesmente parar.
NEZO, Ronaldo. A Tirania da produtividade. Saúde emocional, 03 set. 2025. Disponível em: https://blogdoronaldo.wordpress.com/2025/09/03/a-tirania-da-produtividade. Acesso em: 19/11/2025.
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TEXTO II
Rebeca Andrade, Rayssa Leal, Iga Swiatek e outros: a
saúde mental como legado da nova geração
Jovens atletas vêm destacando a importância do cuidado
com a saúde mental e o poder da psicologia esportiva na
alta performance
Por Fernanda Zalcman
Era 28 de julho de 2021 quando Simone Biles parou o
mundo do esporte: a multicampeã da ginástica artística
havia desistido de disputar a final do individual geral nos
Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 para priorizar sua saúde
mental, retirando-se também das finais por aparelhos
posteriormente. A decisão da atleta dividiu opiniões. Muitos
criticaram, mas outros também apoiaram, o que diz muito
sobre o tema nos dias de hoje.
Durante muito tempo, a saúde mental foi um assunto
pouco falado no meio esportivo, praticamente um tabu. Ela
não fazia parte da preparação dos atletas de alto
rendimento, que muitas vezes sofriam em silêncio. Michael
Phelps, por exemplo, conviveu por muito tempo com a
depressão sem revelar publicamente, com medo de que isso
pudesse ser visto como um sinal de fraqueza, dando
vantagem aos adversários.
[...]
A decisão de Simone Biles foi um divisor de águas e
seguiu o caminho oposto de Phelps e outros tantos que
vieram antes dela. A tenista japonesa Naomi Osaka, por
exemplo, seguiu o mesmo rumo da ginasta e também optou
por deixar as quadras para cuidar de sua saúde mental aos
anos. Aliado a isso, outras atletas como Rebeca Andrade,
Rayssa Leal e Iga Swiatek falam abertamente como a
psicologia esportiva é um dos principais trunfos para
alcançar o topo e, principalmente, se manter lá.
A terapia na vida de Rebeca Andrade e Rayssa Leal
Campeã mundial e medalhista olímpica da ginástica
artística, Rebeca começou a terapia aos 13 anos, quando a
prática já fazia parte das iniciativas da equipe multidisciplinar
do Comitê Olímpico Brasileiro. “Eu seria uma pessoa
totalmente diferente [se não tivesse feito terapia]. Teria mais
medo, mais dúvida, mais inseguranças, porque, ao mesmo
tempo que eu me conheci dentro da ginástica, me conheci
na vida”, contou Rebeca em entrevista ao UOL.
[...]
á nas pistas de skate, Rayssa Leal despontou para o
mundo muito cedo. Aos 15 anos, já acumula diversos títulos
e uma medalha olímpica. O sucesso precoce, porém, teve
grande impacto na vida de Fadinha. Quem a vê nas
competições, tão segura de si, nem imagina o que acontece
por trás.
“Eu tinha muito medo dos campeonatos, de ‘ai, se eu não
me dar bem’. Outras várias coisas, dos obstáculos serem
altos... Sei que consigo jogar, mas minha mente acaba
falando ‘ai, não tenta’. Ela [psicóloga esportiva Gissele Serra
Angeliéri] vai me ajudando a meio que desbloquear isso”,
disse ao Olympics.com. “Foi uma das melhores coisas para
mim como atleta, porque sou muito novinha e tudo
aconteceu muito rápido. A ajuda dela e da minha equipe foi
essencial para mim”.
Saúde mental no futebol
Na final da Copa Libertadores 2024, uma cena chamou a
atenção: o agradecimento de Jhon Arias à Emily Gonçalves,
psicóloga do Fluminense, após a conquista do título.
“Obrigado por tudo. Você me faz ser o que eu sou hoje”,
disse o jogador de 26 anos.
A saúde mental no futebol, porém, ainda é um tema
delicado, especialmente no masculino. Segundo um
levantamento do site Trivela de setembro de 2023, apenas
dos 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro
tinham psicólogos em suas equipes. No entanto, o processo
de mudança, ainda que gradual, vem acontecendo a
exemplo dos demais esportes olímpicos, também com os
testemunhos de jovens atletas que resolvem falar sobre o
assunto publicamente.
Arias foi um dos exemplos, assim como Richarlyson no
ano passado. Vivendo uma temporada difícil no Tottenham e
na seleção brasileira, o atacante foi flagrado chorando no
banco do Brasil após ser substituído no jogo contra a Bolívia
pelas Eliminatórias. Ao final daquela Data Fifa, ele disse que
planeja trabalhar com um terapeuta para tratar essas
questões.
“Agora eu sei o peso que o Ronaldo [Nazário, o
"Fenômeno"] carregou, que outros grandes jogadores que
vestiram essa camisa carregaram. Porque quando se veste
a camisa nove, é sinônimo de gol. E você tem que estar
preparado para vesti-la, porque a pressão é muito grande”,
afirmou ao Olympics.com.
ZALCMAN, Fernanda. Rebeca Andrade, Rayssa Leal, Iga Swiatek e outros: a saúde mental como legado da nova geração. Olympics. Disponível em: https://www.olympics.com/pt/noticias/rebeca-rayssa-leal-iga-swiatek-saude-mental-legado-nova-geracao. Acesso em 19/11/2025. Adaptado.
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- SintaxeTermos Acessórios e Independentes
- MorfologiaSubstantivos
- Interpretação de TextosCoesão e Coerência
TEXTO II
Rebeca Andrade, Rayssa Leal, Iga Swiatek e outros: a
saúde mental como legado da nova geração
Jovens atletas vêm destacando a importância do cuidado
com a saúde mental e o poder da psicologia esportiva na
alta performance
Por Fernanda Zalcman
Era 28 de julho de 2021 quando Simone Biles parou o
mundo do esporte: a multicampeã da ginástica artística
havia desistido de disputar a final do individual geral nos
Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 para priorizar sua saúde
mental, retirando-se também das finais por aparelhos
posteriormente. A decisão da atleta dividiu opiniões. Muitos
criticaram, mas outros também apoiaram, o que diz muito
sobre o tema nos dias de hoje.
Durante muito tempo, a saúde mental foi um assunto
pouco falado no meio esportivo, praticamente um tabu. Ela
não fazia parte da preparação dos atletas de alto
rendimento, que muitas vezes sofriam em silêncio. Michael
Phelps, por exemplo, conviveu por muito tempo com a
depressão sem revelar publicamente, com medo de que isso
pudesse ser visto como um sinal de fraqueza, dando
vantagem aos adversários.
[...]
A decisão de Simone Biles foi um divisor de águas e
seguiu o caminho oposto de Phelps e outros tantos que
vieram antes dela. A tenista japonesa Naomi Osaka, por
exemplo, seguiu o mesmo rumo da ginasta e também optou
por deixar as quadras para cuidar de sua saúde mental aos
anos. Aliado a isso, outras atletas como Rebeca Andrade,
Rayssa Leal e Iga Swiatek falam abertamente como a
psicologia esportiva é um dos principais trunfos para
alcançar o topo e, principalmente, se manter lá.
A terapia na vida de Rebeca Andrade e Rayssa Leal
Campeã mundial e medalhista olímpica da ginástica
artística, Rebeca começou a terapia aos 13 anos, quando a
prática já fazia parte das iniciativas da equipe multidisciplinar
do Comitê Olímpico Brasileiro. “Eu seria uma pessoa
totalmente diferente [se não tivesse feito terapia]. Teria mais
medo, mais dúvida, mais inseguranças, porque, ao mesmo
tempo que eu me conheci dentro da ginástica, me conheci
na vida”, contou Rebeca em entrevista ao UOL.
[...]
á nas pistas de skate, Rayssa Leal despontou para o
mundo muito cedo. Aos 15 anos, já acumula diversos títulos
e uma medalha olímpica. O sucesso precoce, porém, teve
grande impacto na vida de Fadinha. Quem a vê nas
competições, tão segura de si, nem imagina o que acontece
por trás.
“Eu tinha muito medo dos campeonatos, de ‘ai, se eu não
me dar bem’. Outras várias coisas, dos obstáculos serem
altos... Sei que consigo jogar, mas minha mente acaba
falando ‘ai, não tenta’. Ela [psicóloga esportiva Gissele Serra
Angeliéri] vai me ajudando a meio que desbloquear isso”,
disse ao Olympics.com. “Foi uma das melhores coisas para
mim como atleta, porque sou muito novinha e tudo
aconteceu muito rápido. A ajuda dela e da minha equipe foi
essencial para mim”.
Saúde mental no futebol
Na final da Copa Libertadores 2024, uma cena chamou a
atenção: o agradecimento de Jhon Arias à Emily Gonçalves,
psicóloga do Fluminense, após a conquista do título.
“Obrigado por tudo. Você me faz ser o que eu sou hoje”,
disse o jogador de 26 anos.
A saúde mental no futebol, porém, ainda é um tema
delicado, especialmente no masculino. Segundo um
levantamento do site Trivela de setembro de 2023, apenas
dos 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro
tinham psicólogos em suas equipes. No entanto, o processo
de mudança, ainda que gradual, vem acontecendo a
exemplo dos demais esportes olímpicos, também com os
testemunhos de jovens atletas que resolvem falar sobre o
assunto publicamente.
Arias foi um dos exemplos, assim como Richarlyson no
ano passado. Vivendo uma temporada difícil no Tottenham e
na seleção brasileira, o atacante foi flagrado chorando no
banco do Brasil após ser substituído no jogo contra a Bolívia
pelas Eliminatórias. Ao final daquela Data Fifa, ele disse que
planeja trabalhar com um terapeuta para tratar essas
questões.
“Agora eu sei o peso que o Ronaldo [Nazário, o
"Fenômeno"] carregou, que outros grandes jogadores que
vestiram essa camisa carregaram. Porque quando se veste
a camisa nove, é sinônimo de gol. E você tem que estar
preparado para vesti-la, porque a pressão é muito grande”,
afirmou ao Olympics.com.
ZALCMAN, Fernanda. Rebeca Andrade, Rayssa Leal, Iga Swiatek e outros: a saúde mental como legado da nova geração. Olympics. Disponível em: https://www.olympics.com/pt/noticias/rebeca-rayssa-leal-iga-swiatek-saude-mental-legado-nova-geracao. Acesso em 19/11/2025. Adaptado.
Verifique os itens abaixo, extraídos do Texto II.
I. “Muitos criticaram, mas outros também apoiaram, o que diz muito sobre o tema nos dias de hoje.” (l. 6-8) – Os elementos destacados pertencem à mesma classe gramatical de palavras.
II. “A saúde mental foi um assunto pouco falado no meio esportivo.” (l. 9-10) / “Michael Phelps, por exemplo, conviveu por muito tempo com a depressão sem revelar publicamente,” (l.12-14) – Os elementos destacados são termos acessórios.
III. “O sucesso precoce, porém, teve grande impacto na vida da Fadinha.” (l. 40-41) – O elemento destacado poderia ser substituído sem incongruência de sentido pelas seguintes expressões conectivas: entretanto, não obstante, no entanto, porquanto, contudo e todavia.
IV. “Sei que consigo jogar, mas minha mente acaba falando ‘ai, não tenta.’” (l. 46-47) – O elemento destacado possui a mesma classe gramatical que os elementos destacados nos seguintes enunciados: “Oh, deuses! O que eu faço agora?” / “Oba, hoje tem festa com pizza.” / “Aí é um lugar muito perigoso. Tenha cuidado.” / “Ufa! Finalmente terminei o trabalho.”
V. “Eu tinha muito medo dos campeonatos, de ‘ai, se eu não me dar bem”’. (l. 44-45) – O elemento destacado é um substantivo abstrato assim como os elementos destacados em: “Sua memória estará para sempre na alma do brasileiro.” / “Esta lembrança não é cara, mas expressa meu grande carinho por você. Feliz aniversário!”
A partir da análise, pode-se afirmar que apenas
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TEXTO II
Rebeca Andrade, Rayssa Leal, Iga Swiatek e outros: a
saúde mental como legado da nova geração
Jovens atletas vêm destacando a importância do cuidado
com a saúde mental e o poder da psicologia esportiva na
alta performance
Por Fernanda Zalcman
Era 28 de julho de 2021 quando Simone Biles parou o
mundo do esporte: a multicampeã da ginástica artística
havia desistido de disputar a final do individual geral nos
Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 para priorizar sua saúde
mental, retirando-se também das finais por aparelhos
posteriormente. A decisão da atleta dividiu opiniões. Muitos
criticaram, mas outros também apoiaram, o que diz muito
sobre o tema nos dias de hoje.
Durante muito tempo, a saúde mental foi um assunto
pouco falado no meio esportivo, praticamente um tabu. Ela
não fazia parte da preparação dos atletas de alto
rendimento, que muitas vezes sofriam em silêncio. Michael
Phelps, por exemplo, conviveu por muito tempo com a
depressão sem revelar publicamente, com medo de que isso
pudesse ser visto como um sinal de fraqueza, dando
vantagem aos adversários.
[...]
A decisão de Simone Biles foi um divisor de águas e
seguiu o caminho oposto de Phelps e outros tantos que
vieram antes dela. A tenista japonesa Naomi Osaka, por
exemplo, seguiu o mesmo rumo da ginasta e também optou
por deixar as quadras para cuidar de sua saúde mental aos
anos. Aliado a isso, outras atletas como Rebeca Andrade,
Rayssa Leal e Iga Swiatek falam abertamente como a
psicologia esportiva é um dos principais trunfos para
alcançar o topo e, principalmente, se manter lá.
A terapia na vida de Rebeca Andrade e Rayssa Leal
Campeã mundial e medalhista olímpica da ginástica
artística, Rebeca começou a terapia aos 13 anos, quando a
prática já fazia parte das iniciativas da equipe multidisciplinar
do Comitê Olímpico Brasileiro. “Eu seria uma pessoa
totalmente diferente [se não tivesse feito terapia]. Teria mais
medo, mais dúvida, mais inseguranças, porque, ao mesmo
tempo que eu me conheci dentro da ginástica, me conheci
na vida”, contou Rebeca em entrevista ao UOL.
[...]
á nas pistas de skate, Rayssa Leal despontou para o
mundo muito cedo. Aos 15 anos, já acumula diversos títulos
e uma medalha olímpica. O sucesso precoce, porém, teve
grande impacto na vida de Fadinha. Quem a vê nas
competições, tão segura de si, nem imagina o que acontece
por trás.
“Eu tinha muito medo dos campeonatos, de ‘ai, se eu não
me dar bem’. Outras várias coisas, dos obstáculos serem
altos... Sei que consigo jogar, mas minha mente acaba
falando ‘ai, não tenta’. Ela [psicóloga esportiva Gissele Serra
Angeliéri] vai me ajudando a meio que desbloquear isso”,
disse ao Olympics.com. “Foi uma das melhores coisas para
mim como atleta, porque sou muito novinha e tudo
aconteceu muito rápido. A ajuda dela e da minha equipe foi
essencial para mim”.
Saúde mental no futebol
Na final da Copa Libertadores 2024, uma cena chamou a
atenção: o agradecimento de Jhon Arias à Emily Gonçalves,
psicóloga do Fluminense, após a conquista do título.
“Obrigado por tudo. Você me faz ser o que eu sou hoje”,
disse o jogador de 26 anos.
A saúde mental no futebol, porém, ainda é um tema
delicado, especialmente no masculino. Segundo um
levantamento do site Trivela de setembro de 2023, apenas
dos 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro
tinham psicólogos em suas equipes. No entanto, o processo
de mudança, ainda que gradual, vem acontecendo a
exemplo dos demais esportes olímpicos, também com os
testemunhos de jovens atletas que resolvem falar sobre o
assunto publicamente.
Arias foi um dos exemplos, assim como Richarlyson no
ano passado. Vivendo uma temporada difícil no Tottenham e
na seleção brasileira, o atacante foi flagrado chorando no
banco do Brasil após ser substituído no jogo contra a Bolívia
pelas Eliminatórias. Ao final daquela Data Fifa, ele disse que
planeja trabalhar com um terapeuta para tratar essas
questões.
“Agora eu sei o peso que o Ronaldo [Nazário, o
"Fenômeno"] carregou, que outros grandes jogadores que
vestiram essa camisa carregaram. Porque quando se veste
a camisa nove, é sinônimo de gol. E você tem que estar
preparado para vesti-la, porque a pressão é muito grande”,
afirmou ao Olympics.com.
ZALCMAN, Fernanda. Rebeca Andrade, Rayssa Leal, Iga Swiatek e outros: a saúde mental como legado da nova geração. Olympics. Disponível em: https://www.olympics.com/pt/noticias/rebeca-rayssa-leal-iga-swiatek-saude-mental-legado-nova-geracao. Acesso em 19/11/2025. Adaptado.
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Rebeca Andrade, Rayssa Leal, Iga Swiatek e outros: a
saúde mental como legado da nova geração
Jovens atletas vêm destacando a importância do cuidado
com a saúde mental e o poder da psicologia esportiva na
alta performance
Por Fernanda Zalcman
Era 28 de julho de 2021 quando Simone Biles parou o
mundo do esporte: a multicampeã da ginástica artística
havia desistido de disputar a final do individual geral nos
Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 para priorizar sua saúde
mental, retirando-se também das finais por aparelhos
posteriormente. A decisão da atleta dividiu opiniões. Muitos
criticaram, mas outros também apoiaram, o que diz muito
sobre o tema nos dias de hoje.
Durante muito tempo, a saúde mental foi um assunto
pouco falado no meio esportivo, praticamente um tabu. Ela
não fazia parte da preparação dos atletas de alto
rendimento, que muitas vezes sofriam em silêncio. Michael
Phelps, por exemplo, conviveu por muito tempo com a
depressão sem revelar publicamente, com medo de que isso
pudesse ser visto como um sinal de fraqueza, dando
vantagem aos adversários.
[...]
A decisão de Simone Biles foi um divisor de águas e
seguiu o caminho oposto de Phelps e outros tantos que
vieram antes dela. A tenista japonesa Naomi Osaka, por
exemplo, seguiu o mesmo rumo da ginasta e também optou
por deixar as quadras para cuidar de sua saúde mental aos
anos. Aliado a isso, outras atletas como Rebeca Andrade,
Rayssa Leal e Iga Swiatek falam abertamente como a
psicologia esportiva é um dos principais trunfos para
alcançar o topo e, principalmente, se manter lá.
A terapia na vida de Rebeca Andrade e Rayssa Leal
Campeã mundial e medalhista olímpica da ginástica
artística, Rebeca começou a terapia aos 13 anos, quando a
prática já fazia parte das iniciativas da equipe multidisciplinar
do Comitê Olímpico Brasileiro. “Eu seria uma pessoa
totalmente diferente [se não tivesse feito terapia]. Teria mais
medo, mais dúvida, mais inseguranças, porque, ao mesmo
tempo que eu me conheci dentro da ginástica, me conheci
na vida”, contou Rebeca em entrevista ao UOL.
[...]
á nas pistas de skate, Rayssa Leal despontou para o
mundo muito cedo. Aos 15 anos, já acumula diversos títulos
e uma medalha olímpica. O sucesso precoce, porém, teve
grande impacto na vida de Fadinha. Quem a vê nas
competições, tão segura de si, nem imagina o que acontece
por trás.
“Eu tinha muito medo dos campeonatos, de ‘ai, se eu não
me dar bem’. Outras várias coisas, dos obstáculos serem
altos... Sei que consigo jogar, mas minha mente acaba
falando ‘ai, não tenta’. Ela [psicóloga esportiva Gissele Serra
Angeliéri] vai me ajudando a meio que desbloquear isso”,
disse ao Olympics.com. “Foi uma das melhores coisas para
mim como atleta, porque sou muito novinha e tudo
aconteceu muito rápido. A ajuda dela e da minha equipe foi
essencial para mim”.
Saúde mental no futebol
Na final da Copa Libertadores 2024, uma cena chamou a
atenção: o agradecimento de Jhon Arias à Emily Gonçalves,
psicóloga do Fluminense, após a conquista do título.
“Obrigado por tudo. Você me faz ser o que eu sou hoje”,
disse o jogador de 26 anos.
A saúde mental no futebol, porém, ainda é um tema
delicado, especialmente no masculino. Segundo um
levantamento do site Trivela de setembro de 2023, apenas
dos 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro
tinham psicólogos em suas equipes. No entanto, o processo
de mudança, ainda que gradual, vem acontecendo a
exemplo dos demais esportes olímpicos, também com os
testemunhos de jovens atletas que resolvem falar sobre o
assunto publicamente.
Arias foi um dos exemplos, assim como Richarlyson no
ano passado. Vivendo uma temporada difícil no Tottenham e
na seleção brasileira, o atacante foi flagrado chorando no
banco do Brasil após ser substituído no jogo contra a Bolívia
pelas Eliminatórias. Ao final daquela Data Fifa, ele disse que
planeja trabalhar com um terapeuta para tratar essas
questões.
“Agora eu sei o peso que o Ronaldo [Nazário, o
"Fenômeno"] carregou, que outros grandes jogadores que
vestiram essa camisa carregaram. Porque quando se veste
a camisa nove, é sinônimo de gol. E você tem que estar
preparado para vesti-la, porque a pressão é muito grande”,
afirmou ao Olympics.com.
ZALCMAN, Fernanda. Rebeca Andrade, Rayssa Leal, Iga Swiatek e outros: a saúde mental como legado da nova geração. Olympics. Disponível em: https://www.olympics.com/pt/noticias/rebeca-rayssa-leal-iga-swiatek-saude-mental-legado-nova-geracao. Acesso em 19/11/2025. Adaptado.
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Leia o trecho a seguir e assinale a alternativa correta quanto à classificação do predicado, à reescrita das vozes do discurso e seus sujeitos, respectivamente.
“No limite do ferro-velho, encontramos um reboque tão velho que deve ter se jogado fora por conta própria.” (Texto I, l. 1-2)
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TEXTO I

Catorze Eu Tenho um Problema Represado
No limite do ferro-velho, encontramos um reboque tão velho
que deve ter se jogado fora por conta própria. Mas o motor
ligou, e ele estava com o tanque cheio, então decidimos
pegá-lo emprestado.
.
Thalia dirigiu. Ela não parecia tão atordoada quanto Zoe ou
Grover ou eu.
.
“Os esqueletos ainda estão lá fora,” ela nos lembrou.
“Precisamos continuar.”
.
Ela navegou pelo deserto, debaixo do céu limpo e azul, a
areia tão brilhante que doía olhar. Zoe sentou na frente com
Thalia. Grover e eu nos sentamos no banco traseiro,
encostados contra o reboque. O ar estava frio e seco, mas
o clima bom parecia um insulto depois de perder Bianca.
.
Minha mão se fechou em volta da estatueta que tinha
custado a vida dela. Eu ainda não podia dizer sequer de que
deus ela deveria ser. Nico saberia.
.
Ó, deuses... o que eu ia dizer ao Nico?
.
Queria acreditar que Bianca ainda estava viva em algum
lugar. Mas eu tinha o mau pressentimento de que ela
realmente se fora.
.
“Deveria ter sido eu,” disse. “Eu devia ter entrado no
gigante.” “Não diga isso!” Grover entrou em pânico. “É ruim
o suficiente que Annabeth se foi, e agora Bianca. Você acha
que eu suportaria se...” Ele fungou. “Você acha que mais
alguém seria meu melhor amigo?”
.
“Ah, Grover...”
.
Ele enxugou os olhos com um pano oleoso que deixou seu
rosto sujo, como se tivesse feito pintura de guerra. “Eu... Eu
estou bem.”
.
Mas ele não estava bem. Desde o encontro no Novo México
— o que quer que tenha acontecido quando aquele vento
selvagem passou — ele aparentava estar realmente frágil,
ainda mais emotivo que o normal. Eu estava com medo de
falar com ele sobre isso, pois ele podia começar a berrar.
.
Pelo menos tem uma coisa boa em ter um amigo que perde
o controle mais do que você. Eu percebi que não podia ficar
deprimido. Precisava deixar de lado os pensamentos sobre
Bianca e nos manter indo em frente, do jeito que Thalia
estava fazendo. Imaginei sobre o que ela e Zoe estavam
falando na parte da frente do reboque. O reboque ficou sem
combustível na beirada de um desfiladeiro de rio. Isso
estava bem, uma vez que a estrada havia terminado.
.
Thalia saiu e bateu a porta. Imediatamente um dos pneus
furou.
RIORDAN, Rick. A maldição do Titã: série Percy Jackson e os olimpianos, vol. 3. 1ª ed. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2023. Adaptado.
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TEXTO I

Catorze Eu Tenho um Problema Represado
No limite do ferro-velho, encontramos um reboque tão velho
que deve ter se jogado fora por conta própria. Mas o motor
ligou, e ele estava com o tanque cheio, então decidimos
pegá-lo emprestado.
.
Thalia dirigiu. Ela não parecia tão atordoada quanto Zoe ou
Grover ou eu.
.
“Os esqueletos ainda estão lá fora,” ela nos lembrou.
“Precisamos continuar.”
.
Ela navegou pelo deserto, debaixo do céu limpo e azul, a
areia tão brilhante que doía olhar. Zoe sentou na frente com
Thalia. Grover e eu nos sentamos no banco traseiro,
encostados contra o reboque. O ar estava frio e seco, mas
o clima bom parecia um insulto depois de perder Bianca.
.
Minha mão se fechou em volta da estatueta que tinha
custado a vida dela. Eu ainda não podia dizer sequer de que
deus ela deveria ser. Nico saberia.
.
Ó, deuses... o que eu ia dizer ao Nico?
.
Queria acreditar que Bianca ainda estava viva em algum
lugar. Mas eu tinha o mau pressentimento de que ela
realmente se fora.
.
“Deveria ter sido eu,” disse. “Eu devia ter entrado no
gigante.” “Não diga isso!” Grover entrou em pânico. “É ruim
o suficiente que Annabeth se foi, e agora Bianca. Você acha
que eu suportaria se...” Ele fungou. “Você acha que mais
alguém seria meu melhor amigo?”
.
“Ah, Grover...”
.
Ele enxugou os olhos com um pano oleoso que deixou seu
rosto sujo, como se tivesse feito pintura de guerra. “Eu... Eu
estou bem.”
.
Mas ele não estava bem. Desde o encontro no Novo México
— o que quer que tenha acontecido quando aquele vento
selvagem passou — ele aparentava estar realmente frágil,
ainda mais emotivo que o normal. Eu estava com medo de
falar com ele sobre isso, pois ele podia começar a berrar.
.
Pelo menos tem uma coisa boa em ter um amigo que perde
o controle mais do que você. Eu percebi que não podia ficar
deprimido. Precisava deixar de lado os pensamentos sobre
Bianca e nos manter indo em frente, do jeito que Thalia
estava fazendo. Imaginei sobre o que ela e Zoe estavam
falando na parte da frente do reboque. O reboque ficou sem
combustível na beirada de um desfiladeiro de rio. Isso
estava bem, uma vez que a estrada havia terminado.
.
Thalia saiu e bateu a porta. Imediatamente um dos pneus
furou.
RIORDAN, Rick. A maldição do Titã: série Percy Jackson e os olimpianos, vol. 3. 1ª ed. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2023. Adaptado.
“Ele enxugou os olhos com um pano oleoso que deixou seu rosto sujo, como se tivesse feito pintura de guerra.” (Texto I, l. 36-37)
A figura de linguagem presente no trecho analisado pode ser encontrada em
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