Foram encontradas 364.882 questões.
Leia o texto a seguir para responder à questão.
‘Acham que alguém da minha idade deve estar
recolhido em casa. Não vou ser assim nunca’, diz
Ney Matogrosso
Mônica Bergamo / Victória Cócolo
Em 2025 houve a estreia do filme sobre sua
biografia, “Homem com H”, turnês e o projeto
musical Tiny Desk. Aos 84 anos, de onde vem a
energia para abraçar tantos projetos?
Eu também não sei. Na verdade, estou bem cansado.
Estou louco para chegar o fim do ano para descansar.
Vão ser miniférias — isso até o ano novo, em que eu
vou cantar com o Gil no Rio de Janeiro. Depois, tem
show marcado de janeiro até julho.
O corpo é um elemento muito presente no seu
trabalho. O que você faz para se cuidar?
Faço ginástica diariamente quando estou no Rio de
Janeiro, na minha casa. Não faço no hotel porque tem
que vestir o modelito. Gosto de fazer exercício do jeito
que estiver, só de shorts.
Com qual dos projetos você se divertiu mais neste
ano?
Eu gostei de tudo, mas demanda energia. Todos os
projetos me interessavam muito, então eu me envolvi
mesmo. Por exemplo: com o filme ‘Homem com H’, eu
li 12 roteiros, acompanhei três dias de gravação, com
filmagens de 12 horas. Eu tenho prazer trabalhando.
Sobre o filme, como foi se ver projetado numa tela
de cinema? É estranho?
Muito estranho. Mas o Jesuíta Barbosa [protagonista
de “Homem com H”] é muito bom, um ator maravilhoso.
Tinha horas em que, vendo o filme, eu pensava: será
que eles pegaram um pedaço de mim de verdade e
colocaram no filme?
Você declarou que o filme foi um marco e que antes
podia sair na rua, mas agora é abordado o tempo
todo. Como tem sido essa experiência?
Eu sempre andei na rua, aqui no Leblon, estão todos
acostumados. Mas, subitamente, agora vem falar
comigo gente que nunca teria se aproximado. Ontem
[quarta, dia 10] eu saí e, quando estava voltando, veio
um casal de adolescentes. Um devia ter uns 15 anos,
a namorada uns 14. Vieram me pedir uma foto e,
enquanto isso, estava passando um casal de senhores
que disse: “Vocês têm muito bom gosto”. Eu achei tudo
muito engraçado. Eu lá, parado no meio da rua
fazendo foto, e o casal passando e falando dos
meninos. Foi ótimo.
E qual é a sua relação com a finitude e a morte?
Você pensa sobre a morte?
Normal. Eu aceito. Estou convivendo com isso: minha
mãe está com 103 anos, não se levanta mais da cama,
e eu estou vendo que é isso que vai acontecer com ela
— e tenho que aceitar a minha morte também. Eu não
sou paranoico, não sou grilado com a realidade da
vida.
Você canta algumas músicas da Rita Lee no seu
show. Isso te faz se sentir mais perto dela,
especialmente agora que ela se foi?
Acho que sim. Para mim, é um prazer enorme cantar a
Rita. Nós éramos o mesmo lado da moeda. Nosso jeito
de ver o mundo era muito parecido.
Tem alguma música do seu repertório que mudou
de sentido ao longo dos anos?
“Sangue Latino”. Quando lancei, era uma música
normal. Com o passar do tempo, ela significa cada vez
mais para mim. Parece que eu já estava falando de
mim mesmo. Naquela época, eu não tinha meus
mortos, meus caminhos tortos, agora eu tenho.
Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/autores/victoriacocolo.shtml. Acesso em: 25 maio 2026.
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‘Acham que alguém da minha idade deve estar
recolhido em casa. Não vou ser assim nunca’, diz
Ney Matogrosso
Mônica Bergamo / Victória Cócolo
Em 2025 houve a estreia do filme sobre sua
biografia, “Homem com H”, turnês e o projeto
musical Tiny Desk. Aos 84 anos, de onde vem a
energia para abraçar tantos projetos?
Eu também não sei. Na verdade, estou bem cansado.
Estou louco para chegar o fim do ano para descansar.
Vão ser miniférias — isso até o ano novo, em que eu
vou cantar com o Gil no Rio de Janeiro. Depois, tem
show marcado de janeiro até julho.
O corpo é um elemento muito presente no seu
trabalho. O que você faz para se cuidar?
Faço ginástica diariamente quando estou no Rio de
Janeiro, na minha casa. Não faço no hotel porque tem
que vestir o modelito. Gosto de fazer exercício do jeito
que estiver, só de shorts.
Com qual dos projetos você se divertiu mais neste
ano?
Eu gostei de tudo, mas demanda energia. Todos os
projetos me interessavam muito, então eu me envolvi
mesmo. Por exemplo: com o filme ‘Homem com H’, eu
li 12 roteiros, acompanhei três dias de gravação, com
filmagens de 12 horas. Eu tenho prazer trabalhando.
Sobre o filme, como foi se ver projetado numa tela
de cinema? É estranho?
Muito estranho. Mas o Jesuíta Barbosa [protagonista
de “Homem com H”] é muito bom, um ator maravilhoso.
Tinha horas em que, vendo o filme, eu pensava: será
que eles pegaram um pedaço de mim de verdade e
colocaram no filme?
Você declarou que o filme foi um marco e que antes
podia sair na rua, mas agora é abordado o tempo
todo. Como tem sido essa experiência?
Eu sempre andei na rua, aqui no Leblon, estão todos
acostumados. Mas, subitamente, agora vem falar
comigo gente que nunca teria se aproximado. Ontem
[quarta, dia 10] eu saí e, quando estava voltando, veio
um casal de adolescentes. Um devia ter uns 15 anos,
a namorada uns 14. Vieram me pedir uma foto e,
enquanto isso, estava passando um casal de senhores
que disse: “Vocês têm muito bom gosto”. Eu achei tudo
muito engraçado. Eu lá, parado no meio da rua
fazendo foto, e o casal passando e falando dos
meninos. Foi ótimo.
E qual é a sua relação com a finitude e a morte?
Você pensa sobre a morte?
Normal. Eu aceito. Estou convivendo com isso: minha
mãe está com 103 anos, não se levanta mais da cama,
e eu estou vendo que é isso que vai acontecer com ela
— e tenho que aceitar a minha morte também. Eu não
sou paranoico, não sou grilado com a realidade da
vida.
Você canta algumas músicas da Rita Lee no seu
show. Isso te faz se sentir mais perto dela,
especialmente agora que ela se foi?
Acho que sim. Para mim, é um prazer enorme cantar a
Rita. Nós éramos o mesmo lado da moeda. Nosso jeito
de ver o mundo era muito parecido.
Tem alguma música do seu repertório que mudou
de sentido ao longo dos anos?
“Sangue Latino”. Quando lancei, era uma música
normal. Com o passar do tempo, ela significa cada vez
mais para mim. Parece que eu já estava falando de
mim mesmo. Naquela época, eu não tinha meus
mortos, meus caminhos tortos, agora eu tenho.
Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/autores/victoriacocolo.shtml. Acesso em: 25 maio 2026.
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‘Acham que alguém da minha idade deve estar
recolhido em casa. Não vou ser assim nunca’, diz
Ney Matogrosso
Mônica Bergamo / Victória Cócolo
Em 2025 houve a estreia do filme sobre sua
biografia, “Homem com H”, turnês e o projeto
musical Tiny Desk. Aos 84 anos, de onde vem a
energia para abraçar tantos projetos?
Eu também não sei. Na verdade, estou bem cansado.
Estou louco para chegar o fim do ano para descansar.
Vão ser miniférias — isso até o ano novo, em que eu
vou cantar com o Gil no Rio de Janeiro. Depois, tem
show marcado de janeiro até julho.
O corpo é um elemento muito presente no seu
trabalho. O que você faz para se cuidar?
Faço ginástica diariamente quando estou no Rio de
Janeiro, na minha casa. Não faço no hotel porque tem
que vestir o modelito. Gosto de fazer exercício do jeito
que estiver, só de shorts.
Com qual dos projetos você se divertiu mais neste
ano?
Eu gostei de tudo, mas demanda energia. Todos os
projetos me interessavam muito, então eu me envolvi
mesmo. Por exemplo: com o filme ‘Homem com H’, eu
li 12 roteiros, acompanhei três dias de gravação, com
filmagens de 12 horas. Eu tenho prazer trabalhando.
Sobre o filme, como foi se ver projetado numa tela
de cinema? É estranho?
Muito estranho. Mas o Jesuíta Barbosa [protagonista
de “Homem com H”] é muito bom, um ator maravilhoso.
Tinha horas em que, vendo o filme, eu pensava: será
que eles pegaram um pedaço de mim de verdade e
colocaram no filme?
Você declarou que o filme foi um marco e que antes
podia sair na rua, mas agora é abordado o tempo
todo. Como tem sido essa experiência?
Eu sempre andei na rua, aqui no Leblon, estão todos
acostumados. Mas, subitamente, agora vem falar
comigo gente que nunca teria se aproximado. Ontem
[quarta, dia 10] eu saí e, quando estava voltando, veio
um casal de adolescentes. Um devia ter uns 15 anos,
a namorada uns 14. Vieram me pedir uma foto e,
enquanto isso, estava passando um casal de senhores
que disse: “Vocês têm muito bom gosto”. Eu achei tudo
muito engraçado. Eu lá, parado no meio da rua
fazendo foto, e o casal passando e falando dos
meninos. Foi ótimo.
E qual é a sua relação com a finitude e a morte?
Você pensa sobre a morte?
Normal. Eu aceito. Estou convivendo com isso: minha
mãe está com 103 anos, não se levanta mais da cama,
e eu estou vendo que é isso que vai acontecer com ela
— e tenho que aceitar a minha morte também. Eu não
sou paranoico, não sou grilado com a realidade da
vida.
Você canta algumas músicas da Rita Lee no seu
show. Isso te faz se sentir mais perto dela,
especialmente agora que ela se foi?
Acho que sim. Para mim, é um prazer enorme cantar a
Rita. Nós éramos o mesmo lado da moeda. Nosso jeito
de ver o mundo era muito parecido.
Tem alguma música do seu repertório que mudou
de sentido ao longo dos anos?
“Sangue Latino”. Quando lancei, era uma música
normal. Com o passar do tempo, ela significa cada vez
mais para mim. Parece que eu já estava falando de
mim mesmo. Naquela época, eu não tinha meus
mortos, meus caminhos tortos, agora eu tenho.
Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/autores/victoriacocolo.shtml. Acesso em: 25 maio 2026.
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Leia o texto a seguir para responder à questão.
A economia da longevidade
José Eustáquio
O Brasil está prestes a atingir um marco
demográfico histórico: pela primeira vez, terá mais
pessoas de 60 anos ou mais do que crianças e
adolescentes de zero a 14 anos. Segundo projeções
do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística), em 2029 o país contará com 40,1 milhões
de idosos, superando os 39,2 milhões de jovens com
menos de 15 anos.
O Censo Demográfico de 2022 já evidenciou essa
transição em nível regional. Em dois estados, a
população idosa superava a jovem: no Rio Grande do
Sul, havia 115 idosos para cada 100 jovens; no Rio de
Janeiro, 106 para cada 100. Entre as 27 capitais, cerca
de 55% já apresentavam mais idosos do que jovens.
Porto Alegre destacava-se como a capital mais
envelhecida, com 137 idosos para cada 100 jovens,
enquanto São Paulo, a maior cidade do país,
registrava 103 para cada 100.
A idade mediana da população brasileira era de 18
anos em 1950, chegou a 34 anos em 2022 e deve
atingir 49 anos em 2072, quando o país celebrará os
250 anos da Independência. Nessa data, a razão de
idosos poderá alcançar 317 para cada 100 jovens. O
envelhecimento populacional tende, assim, a
consolidar-se como a principal característica
demográfica do Brasil no século 21 — um processo
que traz desafios relevantes, mas também
oportunidades.
O principal desafio decorre do esgotamento do
primeiro bônus demográfico. A proporção de pessoas
em idade ativa (15 a 59 anos) já está em declínio, o
que pode gerar crise fiscal e estagnação econômica
caso o país mantenha uma visão estática das relações
intergeracionais, baseada em um ciclo de vida rígido
— com jovens apenas estudando, adultos
exclusivamente trabalhando e idosos integralmente
aposentados.
A narrativa da catástrofe demográfica tornou-se
recorrente. No entanto, o envelhecimento deve ser
encarado com perspectiva construtiva, pois há outras
duas janelas estratégicas para promover prosperidade
e bem-estar.
O segundo bônus demográfico, ou bônus da
produtividade, ao contrário do primeiro, não é
transitório. Seus efeitos podem se prolongar
indefinidamente, desde que haja investimentos
contínuos em educação, saúde, ciência e
infraestrutura. Esses fatores elevam a produtividade do
trabalho, permitindo que a economia produza mais
com menor uso de insumos humanos e ambientais,
compensando a redução da força de trabalho.
A outra fronteira estratégica é o terceiro bônus
demográfico, ou bônus da longevidade, associado à
expansão de vidas saudáveis e ativas. Esse bônus
depende de como a sociedade se organiza para viver
mais e melhor, ampliando os anos com autonomia e
sem incapacidades severas. Nesse contexto, o capital
humano acumulado ao longo da vida permite que os
idosos continuem contribuindo, compartilhando
experiência, conhecimento e capacidades produtivas.
O professor Andrew Scott, em “The Longevity
Economy” (2021), publicado na The Lancet Healthy
Longevity, argumenta que esse marco exige uma
mudança de paradigma: deixar a ideia de uma
“sociedade que envelhece” para construir uma
“sociedade da longevidade”. Na primeira,
acrescentam-se anos à vida; na segunda, adiciona-se
vida aos anos.
A “sociedade que envelhece” costuma ser vista pela
ótica dos custos, como a expansão dos gastos com
previdência e saúde. Já a “sociedade da longevidade”
enfatiza a transformação do ciclo de vida. Scott
destaca a maleabilidade do envelhecimento — a
possibilidade de intervenções que permitam viver não
apenas mais, mas com mais saúde, maior integração
social e níveis mais elevados de produtividade.
A economia da longevidade exige superar o
etarismo e construir trajetórias de vida mais flexíveis e
multietapas, com requalificação ao longo da vida,
mudanças de carreira e maior inclusão das gerações
maduras no mercado de trabalho, além de maior
capacidade de adaptação por parte dos indivíduos, das
empresas e das políticas públicas.
Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/04/aeconomia-dalongevidade.shtml?utm_source=whatsapp&utm_medium=social&ut
m_campaign=compwa. Acesso em: 25 maio 2026.
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A economia da longevidade
José Eustáquio
O Brasil está prestes a atingir um marco
demográfico histórico: pela primeira vez, terá mais
pessoas de 60 anos ou mais do que crianças e
adolescentes de zero a 14 anos. Segundo projeções
do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística), em 2029 o país contará com 40,1 milhões
de idosos, superando os 39,2 milhões de jovens com
menos de 15 anos.
O Censo Demográfico de 2022 já evidenciou essa
transição em nível regional. Em dois estados, a
população idosa superava a jovem: no Rio Grande do
Sul, havia 115 idosos para cada 100 jovens; no Rio de
Janeiro, 106 para cada 100. Entre as 27 capitais, cerca
de 55% já apresentavam mais idosos do que jovens.
Porto Alegre destacava-se como a capital mais
envelhecida, com 137 idosos para cada 100 jovens,
enquanto São Paulo, a maior cidade do país,
registrava 103 para cada 100.
A idade mediana da população brasileira era de 18
anos em 1950, chegou a 34 anos em 2022 e deve
atingir 49 anos em 2072, quando o país celebrará os
250 anos da Independência. Nessa data, a razão de
idosos poderá alcançar 317 para cada 100 jovens. O
envelhecimento populacional tende, assim, a
consolidar-se como a principal característica
demográfica do Brasil no século 21 — um processo
que traz desafios relevantes, mas também
oportunidades.
O principal desafio decorre do esgotamento do
primeiro bônus demográfico. A proporção de pessoas
em idade ativa (15 a 59 anos) já está em declínio, o
que pode gerar crise fiscal e estagnação econômica
caso o país mantenha uma visão estática das relações
intergeracionais, baseada em um ciclo de vida rígido
— com jovens apenas estudando, adultos
exclusivamente trabalhando e idosos integralmente
aposentados.
A narrativa da catástrofe demográfica tornou-se
recorrente. No entanto, o envelhecimento deve ser
encarado com perspectiva construtiva, pois há outras
duas janelas estratégicas para promover prosperidade
e bem-estar.
O segundo bônus demográfico, ou bônus da
produtividade, ao contrário do primeiro, não é
transitório. Seus efeitos podem se prolongar
indefinidamente, desde que haja investimentos
contínuos em educação, saúde, ciência e
infraestrutura. Esses fatores elevam a produtividade do
trabalho, permitindo que a economia produza mais
com menor uso de insumos humanos e ambientais,
compensando a redução da força de trabalho.
A outra fronteira estratégica é o terceiro bônus
demográfico, ou bônus da longevidade, associado à
expansão de vidas saudáveis e ativas. Esse bônus
depende de como a sociedade se organiza para viver
mais e melhor, ampliando os anos com autonomia e
sem incapacidades severas. Nesse contexto, o capital
humano acumulado ao longo da vida permite que os
idosos continuem contribuindo, compartilhando
experiência, conhecimento e capacidades produtivas.
O professor Andrew Scott, em “The Longevity
Economy” (2021), publicado na The Lancet Healthy
Longevity, argumenta que esse marco exige uma
mudança de paradigma: deixar a ideia de uma
“sociedade que envelhece” para construir uma
“sociedade da longevidade”. Na primeira,
acrescentam-se anos à vida; na segunda, adiciona-se
vida aos anos.
A “sociedade que envelhece” costuma ser vista pela
ótica dos custos, como a expansão dos gastos com
previdência e saúde. Já a “sociedade da longevidade”
enfatiza a transformação do ciclo de vida. Scott
destaca a maleabilidade do envelhecimento — a
possibilidade de intervenções que permitam viver não
apenas mais, mas com mais saúde, maior integração
social e níveis mais elevados de produtividade.
A economia da longevidade exige superar o
etarismo e construir trajetórias de vida mais flexíveis e
multietapas, com requalificação ao longo da vida,
mudanças de carreira e maior inclusão das gerações
maduras no mercado de trabalho, além de maior
capacidade de adaptação por parte dos indivíduos, das
empresas e das políticas públicas.
Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/04/aeconomia-dalongevidade.shtml?utm_source=whatsapp&utm_medium=social&ut
m_campaign=compwa. Acesso em: 25 maio 2026.
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A economia da longevidade
José Eustáquio
O Brasil está prestes a atingir um marco
demográfico histórico: pela primeira vez, terá mais
pessoas de 60 anos ou mais do que crianças e
adolescentes de zero a 14 anos. Segundo projeções
do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística), em 2029 o país contará com 40,1 milhões
de idosos, superando os 39,2 milhões de jovens com
menos de 15 anos.
O Censo Demográfico de 2022 já evidenciou essa
transição em nível regional. Em dois estados, a
população idosa superava a jovem: no Rio Grande do
Sul, havia 115 idosos para cada 100 jovens; no Rio de
Janeiro, 106 para cada 100. Entre as 27 capitais, cerca
de 55% já apresentavam mais idosos do que jovens.
Porto Alegre destacava-se como a capital mais
envelhecida, com 137 idosos para cada 100 jovens,
enquanto São Paulo, a maior cidade do país,
registrava 103 para cada 100.
A idade mediana da população brasileira era de 18
anos em 1950, chegou a 34 anos em 2022 e deve
atingir 49 anos em 2072, quando o país celebrará os
250 anos da Independência. Nessa data, a razão de
idosos poderá alcançar 317 para cada 100 jovens. O
envelhecimento populacional tende, assim, a
consolidar-se como a principal característica
demográfica do Brasil no século 21 — um processo
que traz desafios relevantes, mas também
oportunidades.
O principal desafio decorre do esgotamento do
primeiro bônus demográfico. A proporção de pessoas
em idade ativa (15 a 59 anos) já está em declínio, o
que pode gerar crise fiscal e estagnação econômica
caso o país mantenha uma visão estática das relações
intergeracionais, baseada em um ciclo de vida rígido
— com jovens apenas estudando, adultos
exclusivamente trabalhando e idosos integralmente
aposentados.
A narrativa da catástrofe demográfica tornou-se
recorrente. No entanto, o envelhecimento deve ser
encarado com perspectiva construtiva, pois há outras
duas janelas estratégicas para promover prosperidade
e bem-estar.
O segundo bônus demográfico, ou bônus da
produtividade, ao contrário do primeiro, não é
transitório. Seus efeitos podem se prolongar
indefinidamente, desde que haja investimentos
contínuos em educação, saúde, ciência e
infraestrutura. Esses fatores elevam a produtividade do
trabalho, permitindo que a economia produza mais
com menor uso de insumos humanos e ambientais,
compensando a redução da força de trabalho.
A outra fronteira estratégica é o terceiro bônus
demográfico, ou bônus da longevidade, associado à
expansão de vidas saudáveis e ativas. Esse bônus
depende de como a sociedade se organiza para viver
mais e melhor, ampliando os anos com autonomia e
sem incapacidades severas. Nesse contexto, o capital
humano acumulado ao longo da vida permite que os
idosos continuem contribuindo, compartilhando
experiência, conhecimento e capacidades produtivas.
O professor Andrew Scott, em “The Longevity
Economy” (2021), publicado na The Lancet Healthy
Longevity, argumenta que esse marco exige uma
mudança de paradigma: deixar a ideia de uma
“sociedade que envelhece” para construir uma
“sociedade da longevidade”. Na primeira,
acrescentam-se anos à vida; na segunda, adiciona-se
vida aos anos.
A “sociedade que envelhece” costuma ser vista pela
ótica dos custos, como a expansão dos gastos com
previdência e saúde. Já a “sociedade da longevidade”
enfatiza a transformação do ciclo de vida. Scott
destaca a maleabilidade do envelhecimento — a
possibilidade de intervenções que permitam viver não
apenas mais, mas com mais saúde, maior integração
social e níveis mais elevados de produtividade.
A economia da longevidade exige superar o
etarismo e construir trajetórias de vida mais flexíveis e
multietapas, com requalificação ao longo da vida,
mudanças de carreira e maior inclusão das gerações
maduras no mercado de trabalho, além de maior
capacidade de adaptação por parte dos indivíduos, das
empresas e das políticas públicas.
Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/04/aeconomia-dalongevidade.shtml?utm_source=whatsapp&utm_medium=social&ut
m_campaign=compwa. Acesso em: 25 maio 2026.
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- SintaxeConectivos
- MorfologiaPronomesPronomes Demonstrativos
- Interpretação de TextosCoesão e Coerência
Leia o texto a seguir para responder à questão.
A economia da longevidade
José Eustáquio
O Brasil está prestes a atingir um marco
demográfico histórico: pela primeira vez, terá mais
pessoas de 60 anos ou mais do que crianças e
adolescentes de zero a 14 anos. Segundo projeções
do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística), em 2029 o país contará com 40,1 milhões
de idosos, superando os 39,2 milhões de jovens com
menos de 15 anos.
O Censo Demográfico de 2022 já evidenciou essa
transição em nível regional. Em dois estados, a
população idosa superava a jovem: no Rio Grande do
Sul, havia 115 idosos para cada 100 jovens; no Rio de
Janeiro, 106 para cada 100. Entre as 27 capitais, cerca
de 55% já apresentavam mais idosos do que jovens.
Porto Alegre destacava-se como a capital mais
envelhecida, com 137 idosos para cada 100 jovens,
enquanto São Paulo, a maior cidade do país,
registrava 103 para cada 100.
A idade mediana da população brasileira era de 18
anos em 1950, chegou a 34 anos em 2022 e deve
atingir 49 anos em 2072, quando o país celebrará os
250 anos da Independência. Nessa data, a razão de
idosos poderá alcançar 317 para cada 100 jovens. O
envelhecimento populacional tende, assim, a
consolidar-se como a principal característica
demográfica do Brasil no século 21 — um processo
que traz desafios relevantes, mas também
oportunidades.
O principal desafio decorre do esgotamento do
primeiro bônus demográfico. A proporção de pessoas
em idade ativa (15 a 59 anos) já está em declínio, o
que pode gerar crise fiscal e estagnação econômica
caso o país mantenha uma visão estática das relações
intergeracionais, baseada em um ciclo de vida rígido
— com jovens apenas estudando, adultos
exclusivamente trabalhando e idosos integralmente
aposentados.
A narrativa da catástrofe demográfica tornou-se
recorrente. No entanto, o envelhecimento deve ser
encarado com perspectiva construtiva, pois há outras
duas janelas estratégicas para promover prosperidade
e bem-estar.
O segundo bônus demográfico, ou bônus da
produtividade, ao contrário do primeiro, não é
transitório. Seus efeitos podem se prolongar
indefinidamente, desde que haja investimentos
contínuos em educação, saúde, ciência e
infraestrutura. Esses fatores elevam a produtividade do
trabalho, permitindo que a economia produza mais
com menor uso de insumos humanos e ambientais,
compensando a redução da força de trabalho.
A outra fronteira estratégica é o terceiro bônus
demográfico, ou bônus da longevidade, associado à
expansão de vidas saudáveis e ativas. Esse bônus
depende de como a sociedade se organiza para viver
mais e melhor, ampliando os anos com autonomia e
sem incapacidades severas. Nesse contexto, o capital
humano acumulado ao longo da vida permite que os
idosos continuem contribuindo, compartilhando
experiência, conhecimento e capacidades produtivas.
O professor Andrew Scott, em “The Longevity
Economy” (2021), publicado na The Lancet Healthy
Longevity, argumenta que esse marco exige uma
mudança de paradigma: deixar a ideia de uma
“sociedade que envelhece” para construir uma
“sociedade da longevidade”. Na primeira,
acrescentam-se anos à vida; na segunda, adiciona-se
vida aos anos.
A “sociedade que envelhece” costuma ser vista pela
ótica dos custos, como a expansão dos gastos com
previdência e saúde. Já a “sociedade da longevidade”
enfatiza a transformação do ciclo de vida. Scott
destaca a maleabilidade do envelhecimento — a
possibilidade de intervenções que permitam viver não
apenas mais, mas com mais saúde, maior integração
social e níveis mais elevados de produtividade.
A economia da longevidade exige superar o
etarismo e construir trajetórias de vida mais flexíveis e
multietapas, com requalificação ao longo da vida,
mudanças de carreira e maior inclusão das gerações
maduras no mercado de trabalho, além de maior
capacidade de adaptação por parte dos indivíduos, das
empresas e das políticas públicas.
Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/04/aeconomia-dalongevidade.shtml?utm_source=whatsapp&utm_medium=social&ut
m_campaign=compwa. Acesso em: 25 maio 2026.
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Questão presente nas seguintes provas
Leia o texto a seguir para responder à questão.
A economia da longevidade
José Eustáquio
O Brasil está prestes a atingir um marco
demográfico histórico: pela primeira vez, terá mais
pessoas de 60 anos ou mais do que crianças e
adolescentes de zero a 14 anos. Segundo projeções
do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística), em 2029 o país contará com 40,1 milhões
de idosos, superando os 39,2 milhões de jovens com
menos de 15 anos.
O Censo Demográfico de 2022 já evidenciou essa
transição em nível regional. Em dois estados, a
população idosa superava a jovem: no Rio Grande do
Sul, havia 115 idosos para cada 100 jovens; no Rio de
Janeiro, 106 para cada 100. Entre as 27 capitais, cerca
de 55% já apresentavam mais idosos do que jovens.
Porto Alegre destacava-se como a capital mais
envelhecida, com 137 idosos para cada 100 jovens,
enquanto São Paulo, a maior cidade do país,
registrava 103 para cada 100.
A idade mediana da população brasileira era de 18
anos em 1950, chegou a 34 anos em 2022 e deve
atingir 49 anos em 2072, quando o país celebrará os
250 anos da Independência. Nessa data, a razão de
idosos poderá alcançar 317 para cada 100 jovens. O
envelhecimento populacional tende, assim, a
consolidar-se como a principal característica
demográfica do Brasil no século 21 — um processo
que traz desafios relevantes, mas também
oportunidades.
O principal desafio decorre do esgotamento do
primeiro bônus demográfico. A proporção de pessoas
em idade ativa (15 a 59 anos) já está em declínio, o
que pode gerar crise fiscal e estagnação econômica
caso o país mantenha uma visão estática das relações
intergeracionais, baseada em um ciclo de vida rígido
— com jovens apenas estudando, adultos
exclusivamente trabalhando e idosos integralmente
aposentados.
A narrativa da catástrofe demográfica tornou-se
recorrente. No entanto, o envelhecimento deve ser
encarado com perspectiva construtiva, pois há outras
duas janelas estratégicas para promover prosperidade
e bem-estar.
O segundo bônus demográfico, ou bônus da
produtividade, ao contrário do primeiro, não é
transitório. Seus efeitos podem se prolongar
indefinidamente, desde que haja investimentos
contínuos em educação, saúde, ciência e
infraestrutura. Esses fatores elevam a produtividade do
trabalho, permitindo que a economia produza mais
com menor uso de insumos humanos e ambientais,
compensando a redução da força de trabalho.
A outra fronteira estratégica é o terceiro bônus
demográfico, ou bônus da longevidade, associado à
expansão de vidas saudáveis e ativas. Esse bônus
depende de como a sociedade se organiza para viver
mais e melhor, ampliando os anos com autonomia e
sem incapacidades severas. Nesse contexto, o capital
humano acumulado ao longo da vida permite que os
idosos continuem contribuindo, compartilhando
experiência, conhecimento e capacidades produtivas.
O professor Andrew Scott, em “The Longevity
Economy” (2021), publicado na The Lancet Healthy
Longevity, argumenta que esse marco exige uma
mudança de paradigma: deixar a ideia de uma
“sociedade que envelhece” para construir uma
“sociedade da longevidade”. Na primeira,
acrescentam-se anos à vida; na segunda, adiciona-se
vida aos anos.
A “sociedade que envelhece” costuma ser vista pela
ótica dos custos, como a expansão dos gastos com
previdência e saúde. Já a “sociedade da longevidade”
enfatiza a transformação do ciclo de vida. Scott
destaca a maleabilidade do envelhecimento — a
possibilidade de intervenções que permitam viver não
apenas mais, mas com mais saúde, maior integração
social e níveis mais elevados de produtividade.
A economia da longevidade exige superar o
etarismo e construir trajetórias de vida mais flexíveis e
multietapas, com requalificação ao longo da vida,
mudanças de carreira e maior inclusão das gerações
maduras no mercado de trabalho, além de maior
capacidade de adaptação por parte dos indivíduos, das
empresas e das políticas públicas.
Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/04/aeconomia-dalongevidade.shtml?utm_source=whatsapp&utm_medium=social&ut
m_campaign=compwa. Acesso em: 25 maio 2026.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Leia o texto a seguir para responder à questão.
A economia da longevidade
José Eustáquio
O Brasil está prestes a atingir um marco
demográfico histórico: pela primeira vez, terá mais
pessoas de 60 anos ou mais do que crianças e
adolescentes de zero a 14 anos. Segundo projeções
do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística), em 2029 o país contará com 40,1 milhões
de idosos, superando os 39,2 milhões de jovens com
menos de 15 anos.
O Censo Demográfico de 2022 já evidenciou essa
transição em nível regional. Em dois estados, a
população idosa superava a jovem: no Rio Grande do
Sul, havia 115 idosos para cada 100 jovens; no Rio de
Janeiro, 106 para cada 100. Entre as 27 capitais, cerca
de 55% já apresentavam mais idosos do que jovens.
Porto Alegre destacava-se como a capital mais
envelhecida, com 137 idosos para cada 100 jovens,
enquanto São Paulo, a maior cidade do país,
registrava 103 para cada 100.
A idade mediana da população brasileira era de 18
anos em 1950, chegou a 34 anos em 2022 e deve
atingir 49 anos em 2072, quando o país celebrará os
250 anos da Independência. Nessa data, a razão de
idosos poderá alcançar 317 para cada 100 jovens. O
envelhecimento populacional tende, assim, a
consolidar-se como a principal característica
demográfica do Brasil no século 21 — um processo
que traz desafios relevantes, mas também
oportunidades.
O principal desafio decorre do esgotamento do
primeiro bônus demográfico. A proporção de pessoas
em idade ativa (15 a 59 anos) já está em declínio, o
que pode gerar crise fiscal e estagnação econômica
caso o país mantenha uma visão estática das relações
intergeracionais, baseada em um ciclo de vida rígido
— com jovens apenas estudando, adultos
exclusivamente trabalhando e idosos integralmente
aposentados.
A narrativa da catástrofe demográfica tornou-se
recorrente. No entanto, o envelhecimento deve ser
encarado com perspectiva construtiva, pois há outras
duas janelas estratégicas para promover prosperidade
e bem-estar.
O segundo bônus demográfico, ou bônus da
produtividade, ao contrário do primeiro, não é
transitório. Seus efeitos podem se prolongar
indefinidamente, desde que haja investimentos
contínuos em educação, saúde, ciência e
infraestrutura. Esses fatores elevam a produtividade do
trabalho, permitindo que a economia produza mais
com menor uso de insumos humanos e ambientais,
compensando a redução da força de trabalho.
A outra fronteira estratégica é o terceiro bônus
demográfico, ou bônus da longevidade, associado à
expansão de vidas saudáveis e ativas. Esse bônus
depende de como a sociedade se organiza para viver
mais e melhor, ampliando os anos com autonomia e
sem incapacidades severas. Nesse contexto, o capital
humano acumulado ao longo da vida permite que os
idosos continuem contribuindo, compartilhando
experiência, conhecimento e capacidades produtivas.
O professor Andrew Scott, em “The Longevity
Economy” (2021), publicado na The Lancet Healthy
Longevity, argumenta que esse marco exige uma
mudança de paradigma: deixar a ideia de uma
“sociedade que envelhece” para construir uma
“sociedade da longevidade”. Na primeira,
acrescentam-se anos à vida; na segunda, adiciona-se
vida aos anos.
A “sociedade que envelhece” costuma ser vista pela
ótica dos custos, como a expansão dos gastos com
previdência e saúde. Já a “sociedade da longevidade”
enfatiza a transformação do ciclo de vida. Scott
destaca a maleabilidade do envelhecimento — a
possibilidade de intervenções que permitam viver não
apenas mais, mas com mais saúde, maior integração
social e níveis mais elevados de produtividade.
A economia da longevidade exige superar o
etarismo e construir trajetórias de vida mais flexíveis e
multietapas, com requalificação ao longo da vida,
mudanças de carreira e maior inclusão das gerações
maduras no mercado de trabalho, além de maior
capacidade de adaptação por parte dos indivíduos, das
empresas e das políticas públicas.
Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/04/aeconomia-dalongevidade.shtml?utm_source=whatsapp&utm_medium=social&ut
m_campaign=compwa. Acesso em: 25 maio 2026.
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Leia o texto a seguir para responder à questão.
A economia da longevidade
José Eustáquio
O Brasil está prestes a atingir um marco
demográfico histórico: pela primeira vez, terá mais
pessoas de 60 anos ou mais do que crianças e
adolescentes de zero a 14 anos. Segundo projeções
do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística), em 2029 o país contará com 40,1 milhões
de idosos, superando os 39,2 milhões de jovens com
menos de 15 anos.
O Censo Demográfico de 2022 já evidenciou essa
transição em nível regional. Em dois estados, a
população idosa superava a jovem: no Rio Grande do
Sul, havia 115 idosos para cada 100 jovens; no Rio de
Janeiro, 106 para cada 100. Entre as 27 capitais, cerca
de 55% já apresentavam mais idosos do que jovens.
Porto Alegre destacava-se como a capital mais
envelhecida, com 137 idosos para cada 100 jovens,
enquanto São Paulo, a maior cidade do país,
registrava 103 para cada 100.
A idade mediana da população brasileira era de 18
anos em 1950, chegou a 34 anos em 2022 e deve
atingir 49 anos em 2072, quando o país celebrará os
250 anos da Independência. Nessa data, a razão de
idosos poderá alcançar 317 para cada 100 jovens. O
envelhecimento populacional tende, assim, a
consolidar-se como a principal característica
demográfica do Brasil no século 21 — um processo
que traz desafios relevantes, mas também
oportunidades.
O principal desafio decorre do esgotamento do
primeiro bônus demográfico. A proporção de pessoas
em idade ativa (15 a 59 anos) já está em declínio, o
que pode gerar crise fiscal e estagnação econômica
caso o país mantenha uma visão estática das relações
intergeracionais, baseada em um ciclo de vida rígido
— com jovens apenas estudando, adultos
exclusivamente trabalhando e idosos integralmente
aposentados.
A narrativa da catástrofe demográfica tornou-se
recorrente. No entanto, o envelhecimento deve ser
encarado com perspectiva construtiva, pois há outras
duas janelas estratégicas para promover prosperidade
e bem-estar.
O segundo bônus demográfico, ou bônus da
produtividade, ao contrário do primeiro, não é
transitório. Seus efeitos podem se prolongar
indefinidamente, desde que haja investimentos
contínuos em educação, saúde, ciência e
infraestrutura. Esses fatores elevam a produtividade do
trabalho, permitindo que a economia produza mais
com menor uso de insumos humanos e ambientais,
compensando a redução da força de trabalho.
A outra fronteira estratégica é o terceiro bônus
demográfico, ou bônus da longevidade, associado à
expansão de vidas saudáveis e ativas. Esse bônus
depende de como a sociedade se organiza para viver
mais e melhor, ampliando os anos com autonomia e
sem incapacidades severas. Nesse contexto, o capital
humano acumulado ao longo da vida permite que os
idosos continuem contribuindo, compartilhando
experiência, conhecimento e capacidades produtivas.
O professor Andrew Scott, em “The Longevity
Economy” (2021), publicado na The Lancet Healthy
Longevity, argumenta que esse marco exige uma
mudança de paradigma: deixar a ideia de uma
“sociedade que envelhece” para construir uma
“sociedade da longevidade”. Na primeira,
acrescentam-se anos à vida; na segunda, adiciona-se
vida aos anos.
A “sociedade que envelhece” costuma ser vista pela
ótica dos custos, como a expansão dos gastos com
previdência e saúde. Já a “sociedade da longevidade”
enfatiza a transformação do ciclo de vida. Scott
destaca a maleabilidade do envelhecimento — a
possibilidade de intervenções que permitam viver não
apenas mais, mas com mais saúde, maior integração
social e níveis mais elevados de produtividade.
A economia da longevidade exige superar o
etarismo e construir trajetórias de vida mais flexíveis e
multietapas, com requalificação ao longo da vida,
mudanças de carreira e maior inclusão das gerações
maduras no mercado de trabalho, além de maior
capacidade de adaptação por parte dos indivíduos, das
empresas e das políticas públicas.
Adaptado de: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/04/aeconomia-dalongevidade.shtml?utm_source=whatsapp&utm_medium=social&ut
m_campaign=compwa. Acesso em: 25 maio 2026.
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