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4251280 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: IBADE
Orgão: Pref. Itarana-ES

Leia o texto e responda à questão

O especialista em convicções

Octávio Brandão não sofria de falta de opinião. Sofria do excesso delas. Todos os dias, antes das nove da manhã, precisava decidir o que pensar sobre educação, inteligência artificial, política urbana, cinema estrangeiro e o novo uniforme da empresa. Considerava o esforço incompatível com a vida moderna. Opinar exigia leitura, comparação, dúvida e, em casos extremos, mudança de ideia.

Foi então que contratou Mauro Figueira, consultor de convicções.

Mauro trabalhava num escritório discreto, cuja placa prometia: “Posicionamentos sólidos para pessoas ocupadas”. Na primeira reunião, explicou o método.

— O senhor envia o tema e o contexto. Eu devolvo uma opinião pronta, com argumentos e uma frase de efeito.

— E se me fizerem perguntas?

— Há um plano adicional com respostas para objeções.

Octávio assinou o pacote completo.

O serviço funcionou admiravelmente. Sobre um filme que não vira, recebeu uma crítica equilibrada. Sobre um livro abandonado na página quinze, ganhou uma análise sobre “a tensão entre memória individual e violência institucional”. Numa reunião de condomínio, defendeu a preservação das árvores, embora tivesse solicitado a retirada de uma que sujava seu carro. Mauro explicou que contradições podiam ser reclassificadas como “evolução de pensamento”.

Aos poucos, Octávio se tornou conhecido pela lucidez. Os colegas esperavam seus comentários. Os parentes silenciavam quando ele começava uma frase com “A questão central é mais complexa”. Ninguém suspeitava de que a complexidade chegava por mensagem, acompanhada de um aviso: “Evite aprofundar se houver especialistas presentes”.

O problema surgiu num jantar. Clara, sua filha, perguntou:

— Pai, você acha que eu devo aceitar um trabalho em outra cidade?

Octávio pediu licença e foi ao banheiro. Enviou a pergunta a Mauro.

A resposta dizia: “Considere autonomia, vínculos afetivos e projeto de vida. Apoie a decisão dela, mas manifeste disponibilidade”.

Octávio voltou à mesa e repetiu quase tudo.

Clara o observou.

— Isso é o que você pensa?

Ele poderia ter dito que sim. Era uma opinião adquirida legalmente, paga em dia e adaptada ao cliente. Contudo, percebeu que não sabia se sentiria falta da filha, se temia a distância ou se desejava protegê-la. Tinha terceirizado o argumento e, sem notar, também adiara o afeto.

— Ainda estou pensando — respondeu.

Foi sua primeira frase original em muitos meses.

No dia seguinte, Octávio procurou Mauro para cancelar o contrato.

— Certas opiniões precisam nascer de quem assumirá as consequências — justificou.

— Interessante. Posso usar essa frase com outros clientes?

Octávio recusou. Mauro anotou a recusa com evidente admiração.

Antes de sair, Octávio hesitou.

— Você acha que estou fazendo a coisa certa?

Mauro fechou o caderno.

— O senhor quer uma opinião ou uma autorização?

A pergunta permaneceu entre os dois, precisa demais para ser confortável.

Na recepção, Octávio encontrou um comentarista famoso por opiniões rápidas sobre assuntos variados.

— Primeira consulta? — perguntou.

— Renovação de contrato — respondeu o homem. — O público anda exigindo espontaneidade.

Na rua, Octávio abriu o celular. Havia mensagens pedindo sua posição sobre uma crise recente. Pela primeira vez, não procurou Mauro nem escolheu a resposta mais segura. Escreveu: “Ainda não sei o suficiente para pensar”.

Publicou a frase e recebeu críticas imediatas. Alguns o acusaram de covardia. Outros elogiaram sua prudência. Um terceiro grupo afirmou que ele havia inaugurado uma nova corrente de pensamento.

Mauro, que ainda o seguia nas redes, enviou uma única mensagem:

“Excelente posicionamento. Posso oferecer exclusividade?”

Fonte: Banca Elaboradora

Assinale a alternativa correta sobre o emprego dos tempos e modos verbais, das perífrases verbais e da colocação pronominal no texto.
 

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4251279 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: IBADE
Orgão: Pref. Itarana-ES

Leia o texto e responda à questão

O especialista em convicções

Octávio Brandão não sofria de falta de opinião. Sofria do excesso delas. Todos os dias, antes das nove da manhã, precisava decidir o que pensar sobre educação, inteligência artificial, política urbana, cinema estrangeiro e o novo uniforme da empresa. Considerava o esforço incompatível com a vida moderna. Opinar exigia leitura, comparação, dúvida e, em casos extremos, mudança de ideia.

Foi então que contratou Mauro Figueira, consultor de convicções.

Mauro trabalhava num escritório discreto, cuja placa prometia: “Posicionamentos sólidos para pessoas ocupadas”. Na primeira reunião, explicou o método.

— O senhor envia o tema e o contexto. Eu devolvo uma opinião pronta, com argumentos e uma frase de efeito.

— E se me fizerem perguntas?

— Há um plano adicional com respostas para objeções.

Octávio assinou o pacote completo.

O serviço funcionou admiravelmente. Sobre um filme que não vira, recebeu uma crítica equilibrada. Sobre um livro abandonado na página quinze, ganhou uma análise sobre “a tensão entre memória individual e violência institucional”. Numa reunião de condomínio, defendeu a preservação das árvores, embora tivesse solicitado a retirada de uma que sujava seu carro. Mauro explicou que contradições podiam ser reclassificadas como “evolução de pensamento”.

Aos poucos, Octávio se tornou conhecido pela lucidez. Os colegas esperavam seus comentários. Os parentes silenciavam quando ele começava uma frase com “A questão central é mais complexa”. Ninguém suspeitava de que a complexidade chegava por mensagem, acompanhada de um aviso: “Evite aprofundar se houver especialistas presentes”.

O problema surgiu num jantar. Clara, sua filha, perguntou:

— Pai, você acha que eu devo aceitar um trabalho em outra cidade?

Octávio pediu licença e foi ao banheiro. Enviou a pergunta a Mauro.

A resposta dizia: “Considere autonomia, vínculos afetivos e projeto de vida. Apoie a decisão dela, mas manifeste disponibilidade”.

Octávio voltou à mesa e repetiu quase tudo.

Clara o observou.

— Isso é o que você pensa?

Ele poderia ter dito que sim. Era uma opinião adquirida legalmente, paga em dia e adaptada ao cliente. Contudo, percebeu que não sabia se sentiria falta da filha, se temia a distância ou se desejava protegê-la. Tinha terceirizado o argumento e, sem notar, também adiara o afeto.

— Ainda estou pensando — respondeu.

Foi sua primeira frase original em muitos meses.

No dia seguinte, Octávio procurou Mauro para cancelar o contrato.

— Certas opiniões precisam nascer de quem assumirá as consequências — justificou.

— Interessante. Posso usar essa frase com outros clientes?

Octávio recusou. Mauro anotou a recusa com evidente admiração.

Antes de sair, Octávio hesitou.

— Você acha que estou fazendo a coisa certa?

Mauro fechou o caderno.

— O senhor quer uma opinião ou uma autorização?

A pergunta permaneceu entre os dois, precisa demais para ser confortável.

Na recepção, Octávio encontrou um comentarista famoso por opiniões rápidas sobre assuntos variados.

— Primeira consulta? — perguntou.

— Renovação de contrato — respondeu o homem. — O público anda exigindo espontaneidade.

Na rua, Octávio abriu o celular. Havia mensagens pedindo sua posição sobre uma crise recente. Pela primeira vez, não procurou Mauro nem escolheu a resposta mais segura. Escreveu: “Ainda não sei o suficiente para pensar”.

Publicou a frase e recebeu críticas imediatas. Alguns o acusaram de covardia. Outros elogiaram sua prudência. Um terceiro grupo afirmou que ele havia inaugurado uma nova corrente de pensamento.

Mauro, que ainda o seguia nas redes, enviou uma única mensagem:

“Excelente posicionamento. Posso oferecer exclusividade?”

Fonte: Banca Elaboradora

Assinale a alternativa redigida de acordo com a norma-padrão quanto à concordância e à regência.
 

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4251278 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: IBADE
Orgão: Pref. Itarana-ES

Leia o texto e responda à questão

O especialista em convicções

Octávio Brandão não sofria de falta de opinião. Sofria do excesso delas. Todos os dias, antes das nove da manhã, precisava decidir o que pensar sobre educação, inteligência artificial, política urbana, cinema estrangeiro e o novo uniforme da empresa. Considerava o esforço incompatível com a vida moderna. Opinar exigia leitura, comparação, dúvida e, em casos extremos, mudança de ideia.

Foi então que contratou Mauro Figueira, consultor de convicções.

Mauro trabalhava num escritório discreto, cuja placa prometia: “Posicionamentos sólidos para pessoas ocupadas”. Na primeira reunião, explicou o método.

— O senhor envia o tema e o contexto. Eu devolvo uma opinião pronta, com argumentos e uma frase de efeito.

— E se me fizerem perguntas?

— Há um plano adicional com respostas para objeções.

Octávio assinou o pacote completo.

O serviço funcionou admiravelmente. Sobre um filme que não vira, recebeu uma crítica equilibrada. Sobre um livro abandonado na página quinze, ganhou uma análise sobre “a tensão entre memória individual e violência institucional”. Numa reunião de condomínio, defendeu a preservação das árvores, embora tivesse solicitado a retirada de uma que sujava seu carro. Mauro explicou que contradições podiam ser reclassificadas como “evolução de pensamento”.

Aos poucos, Octávio se tornou conhecido pela lucidez. Os colegas esperavam seus comentários. Os parentes silenciavam quando ele começava uma frase com “A questão central é mais complexa”. Ninguém suspeitava de que a complexidade chegava por mensagem, acompanhada de um aviso: “Evite aprofundar se houver especialistas presentes”.

O problema surgiu num jantar. Clara, sua filha, perguntou:

— Pai, você acha que eu devo aceitar um trabalho em outra cidade?

Octávio pediu licença e foi ao banheiro. Enviou a pergunta a Mauro.

A resposta dizia: “Considere autonomia, vínculos afetivos e projeto de vida. Apoie a decisão dela, mas manifeste disponibilidade”.

Octávio voltou à mesa e repetiu quase tudo.

Clara o observou.

— Isso é o que você pensa?

Ele poderia ter dito que sim. Era uma opinião adquirida legalmente, paga em dia e adaptada ao cliente. Contudo, percebeu que não sabia se sentiria falta da filha, se temia a distância ou se desejava protegê-la. Tinha terceirizado o argumento e, sem notar, também adiara o afeto.

— Ainda estou pensando — respondeu.

Foi sua primeira frase original em muitos meses.

No dia seguinte, Octávio procurou Mauro para cancelar o contrato.

— Certas opiniões precisam nascer de quem assumirá as consequências — justificou.

— Interessante. Posso usar essa frase com outros clientes?

Octávio recusou. Mauro anotou a recusa com evidente admiração.

Antes de sair, Octávio hesitou.

— Você acha que estou fazendo a coisa certa?

Mauro fechou o caderno.

— O senhor quer uma opinião ou uma autorização?

A pergunta permaneceu entre os dois, precisa demais para ser confortável.

Na recepção, Octávio encontrou um comentarista famoso por opiniões rápidas sobre assuntos variados.

— Primeira consulta? — perguntou.

— Renovação de contrato — respondeu o homem. — O público anda exigindo espontaneidade.

Na rua, Octávio abriu o celular. Havia mensagens pedindo sua posição sobre uma crise recente. Pela primeira vez, não procurou Mauro nem escolheu a resposta mais segura. Escreveu: “Ainda não sei o suficiente para pensar”.

Publicou a frase e recebeu críticas imediatas. Alguns o acusaram de covardia. Outros elogiaram sua prudência. Um terceiro grupo afirmou que ele havia inaugurado uma nova corrente de pensamento.

Mauro, que ainda o seguia nas redes, enviou uma única mensagem:

“Excelente posicionamento. Posso oferecer exclusividade?”

Fonte: Banca Elaboradora

Sobre a estrutura dos períodos empregados no texto, analise as afirmativas:

I – No trecho “Mauro explicou que contradições podiam ser reclassificadas como ‘evolução de pensamento’”, a oração iniciada por “que” é subordinada substantiva objetiva direta.

II – No período “Os parentes silenciavam quando ele começava uma frase”, a oração iniciada por “quando” é subordinada adjetiva restritiva.

III – No período “Tinha terceirizado o argumento e, sem notar, também adiara o afeto”, a segunda oração é coordenada sindética aditiva e possui o mesmo sujeito elíptico da primeira.

IV – No segmento “embora tivesse solicitado a retirada de uma”, a conjunção introduz uma oração subordinada adverbial concessiva.

V – Na pergunta elíptica “E se me fizerem perguntas?”, a conjunção “se” introduz uma oração subordinada substantiva objetiva direta.

Estão corretas, apenas, as afirmativas:
 

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4251277 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: IBADE
Orgão: Pref. Itarana-ES

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O especialista em convicções

Octávio Brandão não sofria de falta de opinião. Sofria do excesso delas. Todos os dias, antes das nove da manhã, precisava decidir o que pensar sobre educação, inteligência artificial, política urbana, cinema estrangeiro e o novo uniforme da empresa. Considerava o esforço incompatível com a vida moderna. Opinar exigia leitura, comparação, dúvida e, em casos extremos, mudança de ideia.

Foi então que contratou Mauro Figueira, consultor de convicções.

Mauro trabalhava num escritório discreto, cuja placa prometia: “Posicionamentos sólidos para pessoas ocupadas”. Na primeira reunião, explicou o método.

— O senhor envia o tema e o contexto. Eu devolvo uma opinião pronta, com argumentos e uma frase de efeito.

— E se me fizerem perguntas?

— Há um plano adicional com respostas para objeções.

Octávio assinou o pacote completo.

O serviço funcionou admiravelmente. Sobre um filme que não vira, recebeu uma crítica equilibrada. Sobre um livro abandonado na página quinze, ganhou uma análise sobre “a tensão entre memória individual e violência institucional”. Numa reunião de condomínio, defendeu a preservação das árvores, embora tivesse solicitado a retirada de uma que sujava seu carro. Mauro explicou que contradições podiam ser reclassificadas como “evolução de pensamento”.

Aos poucos, Octávio se tornou conhecido pela lucidez. Os colegas esperavam seus comentários. Os parentes silenciavam quando ele começava uma frase com “A questão central é mais complexa”. Ninguém suspeitava de que a complexidade chegava por mensagem, acompanhada de um aviso: “Evite aprofundar se houver especialistas presentes”.

O problema surgiu num jantar. Clara, sua filha, perguntou:

— Pai, você acha que eu devo aceitar um trabalho em outra cidade?

Octávio pediu licença e foi ao banheiro. Enviou a pergunta a Mauro.

A resposta dizia: “Considere autonomia, vínculos afetivos e projeto de vida. Apoie a decisão dela, mas manifeste disponibilidade”.

Octávio voltou à mesa e repetiu quase tudo.

Clara o observou.

— Isso é o que você pensa?

Ele poderia ter dito que sim. Era uma opinião adquirida legalmente, paga em dia e adaptada ao cliente. Contudo, percebeu que não sabia se sentiria falta da filha, se temia a distância ou se desejava protegê-la. Tinha terceirizado o argumento e, sem notar, também adiara o afeto.

— Ainda estou pensando — respondeu.

Foi sua primeira frase original em muitos meses.

No dia seguinte, Octávio procurou Mauro para cancelar o contrato.

— Certas opiniões precisam nascer de quem assumirá as consequências — justificou.

— Interessante. Posso usar essa frase com outros clientes?

Octávio recusou. Mauro anotou a recusa com evidente admiração.

Antes de sair, Octávio hesitou.

— Você acha que estou fazendo a coisa certa?

Mauro fechou o caderno.

— O senhor quer uma opinião ou uma autorização?

A pergunta permaneceu entre os dois, precisa demais para ser confortável.

Na recepção, Octávio encontrou um comentarista famoso por opiniões rápidas sobre assuntos variados.

— Primeira consulta? — perguntou.

— Renovação de contrato — respondeu o homem. — O público anda exigindo espontaneidade.

Na rua, Octávio abriu o celular. Havia mensagens pedindo sua posição sobre uma crise recente. Pela primeira vez, não procurou Mauro nem escolheu a resposta mais segura. Escreveu: “Ainda não sei o suficiente para pensar”.

Publicou a frase e recebeu críticas imediatas. Alguns o acusaram de covardia. Outros elogiaram sua prudência. Um terceiro grupo afirmou que ele havia inaugurado uma nova corrente de pensamento.

Mauro, que ainda o seguia nas redes, enviou uma única mensagem:

“Excelente posicionamento. Posso oferecer exclusividade?”

Fonte: Banca Elaboradora

Na oração “Considerava o esforço incompatível com a vida moderna”, assinale a alternativa que apresenta a análise sintática correta.
 

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4251276 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: IBADE
Orgão: Pref. Itarana-ES

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O especialista em convicções

Octávio Brandão não sofria de falta de opinião. Sofria do excesso delas. Todos os dias, antes das nove da manhã, precisava decidir o que pensar sobre educação, inteligência artificial, política urbana, cinema estrangeiro e o novo uniforme da empresa. Considerava o esforço incompatível com a vida moderna. Opinar exigia leitura, comparação, dúvida e, em casos extremos, mudança de ideia.

Foi então que contratou Mauro Figueira, consultor de convicções.

Mauro trabalhava num escritório discreto, cuja placa prometia: “Posicionamentos sólidos para pessoas ocupadas”. Na primeira reunião, explicou o método.

— O senhor envia o tema e o contexto. Eu devolvo uma opinião pronta, com argumentos e uma frase de efeito.

— E se me fizerem perguntas?

— Há um plano adicional com respostas para objeções.

Octávio assinou o pacote completo.

O serviço funcionou admiravelmente. Sobre um filme que não vira, recebeu uma crítica equilibrada. Sobre um livro abandonado na página quinze, ganhou uma análise sobre “a tensão entre memória individual e violência institucional”. Numa reunião de condomínio, defendeu a preservação das árvores, embora tivesse solicitado a retirada de uma que sujava seu carro. Mauro explicou que contradições podiam ser reclassificadas como “evolução de pensamento”.

Aos poucos, Octávio se tornou conhecido pela lucidez. Os colegas esperavam seus comentários. Os parentes silenciavam quando ele começava uma frase com “A questão central é mais complexa”. Ninguém suspeitava de que a complexidade chegava por mensagem, acompanhada de um aviso: “Evite aprofundar se houver especialistas presentes”.

O problema surgiu num jantar. Clara, sua filha, perguntou:

— Pai, você acha que eu devo aceitar um trabalho em outra cidade?

Octávio pediu licença e foi ao banheiro. Enviou a pergunta a Mauro.

A resposta dizia: “Considere autonomia, vínculos afetivos e projeto de vida. Apoie a decisão dela, mas manifeste disponibilidade”.

Octávio voltou à mesa e repetiu quase tudo.

Clara o observou.

— Isso é o que você pensa?

Ele poderia ter dito que sim. Era uma opinião adquirida legalmente, paga em dia e adaptada ao cliente. Contudo, percebeu que não sabia se sentiria falta da filha, se temia a distância ou se desejava protegê-la. Tinha terceirizado o argumento e, sem notar, também adiara o afeto.

— Ainda estou pensando — respondeu.

Foi sua primeira frase original em muitos meses.

No dia seguinte, Octávio procurou Mauro para cancelar o contrato.

— Certas opiniões precisam nascer de quem assumirá as consequências — justificou.

— Interessante. Posso usar essa frase com outros clientes?

Octávio recusou. Mauro anotou a recusa com evidente admiração.

Antes de sair, Octávio hesitou.

— Você acha que estou fazendo a coisa certa?

Mauro fechou o caderno.

— O senhor quer uma opinião ou uma autorização?

A pergunta permaneceu entre os dois, precisa demais para ser confortável.

Na recepção, Octávio encontrou um comentarista famoso por opiniões rápidas sobre assuntos variados.

— Primeira consulta? — perguntou.

— Renovação de contrato — respondeu o homem. — O público anda exigindo espontaneidade.

Na rua, Octávio abriu o celular. Havia mensagens pedindo sua posição sobre uma crise recente. Pela primeira vez, não procurou Mauro nem escolheu a resposta mais segura. Escreveu: “Ainda não sei o suficiente para pensar”.

Publicou a frase e recebeu críticas imediatas. Alguns o acusaram de covardia. Outros elogiaram sua prudência. Um terceiro grupo afirmou que ele havia inaugurado uma nova corrente de pensamento.

Mauro, que ainda o seguia nas redes, enviou uma única mensagem:

“Excelente posicionamento. Posso oferecer exclusividade?”

Fonte: Banca Elaboradora

No período “Era uma opinião adquirida legalmente, paga em dia e adaptada ao cliente”, assinale a alternativa correta sobre a classificação gramatical das formas empregadas.
 

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4251275 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: IBADE
Orgão: Pref. Itarana-ES

Leia o texto e responda à questão

O especialista em convicções

Octávio Brandão não sofria de falta de opinião. Sofria do excesso delas. Todos os dias, antes das nove da manhã, precisava decidir o que pensar sobre educação, inteligência artificial, política urbana, cinema estrangeiro e o novo uniforme da empresa. Considerava o esforço incompatível com a vida moderna. Opinar exigia leitura, comparação, dúvida e, em casos extremos, mudança de ideia.

Foi então que contratou Mauro Figueira, consultor de convicções.

Mauro trabalhava num escritório discreto, cuja placa prometia: “Posicionamentos sólidos para pessoas ocupadas”. Na primeira reunião, explicou o método.

— O senhor envia o tema e o contexto. Eu devolvo uma opinião pronta, com argumentos e uma frase de efeito.

— E se me fizerem perguntas?

— Há um plano adicional com respostas para objeções.

Octávio assinou o pacote completo.

O serviço funcionou admiravelmente. Sobre um filme que não vira, recebeu uma crítica equilibrada. Sobre um livro abandonado na página quinze, ganhou uma análise sobre “a tensão entre memória individual e violência institucional”. Numa reunião de condomínio, defendeu a preservação das árvores, embora tivesse solicitado a retirada de uma que sujava seu carro. Mauro explicou que contradições podiam ser reclassificadas como “evolução de pensamento”.

Aos poucos, Octávio se tornou conhecido pela lucidez. Os colegas esperavam seus comentários. Os parentes silenciavam quando ele começava uma frase com “A questão central é mais complexa”. Ninguém suspeitava de que a complexidade chegava por mensagem, acompanhada de um aviso: “Evite aprofundar se houver especialistas presentes”.

O problema surgiu num jantar. Clara, sua filha, perguntou:

— Pai, você acha que eu devo aceitar um trabalho em outra cidade?

Octávio pediu licença e foi ao banheiro. Enviou a pergunta a Mauro.

A resposta dizia: “Considere autonomia, vínculos afetivos e projeto de vida. Apoie a decisão dela, mas manifeste disponibilidade”.

Octávio voltou à mesa e repetiu quase tudo.

Clara o observou.

— Isso é o que você pensa?

Ele poderia ter dito que sim. Era uma opinião adquirida legalmente, paga em dia e adaptada ao cliente. Contudo, percebeu que não sabia se sentiria falta da filha, se temia a distância ou se desejava protegê-la. Tinha terceirizado o argumento e, sem notar, também adiara o afeto.

— Ainda estou pensando — respondeu.

Foi sua primeira frase original em muitos meses.

No dia seguinte, Octávio procurou Mauro para cancelar o contrato.

— Certas opiniões precisam nascer de quem assumirá as consequências — justificou.

— Interessante. Posso usar essa frase com outros clientes?

Octávio recusou. Mauro anotou a recusa com evidente admiração.

Antes de sair, Octávio hesitou.

— Você acha que estou fazendo a coisa certa?

Mauro fechou o caderno.

— O senhor quer uma opinião ou uma autorização?

A pergunta permaneceu entre os dois, precisa demais para ser confortável.

Na recepção, Octávio encontrou um comentarista famoso por opiniões rápidas sobre assuntos variados.

— Primeira consulta? — perguntou.

— Renovação de contrato — respondeu o homem. — O público anda exigindo espontaneidade.

Na rua, Octávio abriu o celular. Havia mensagens pedindo sua posição sobre uma crise recente. Pela primeira vez, não procurou Mauro nem escolheu a resposta mais segura. Escreveu: “Ainda não sei o suficiente para pensar”.

Publicou a frase e recebeu críticas imediatas. Alguns o acusaram de covardia. Outros elogiaram sua prudência. Um terceiro grupo afirmou que ele havia inaugurado uma nova corrente de pensamento.

Mauro, que ainda o seguia nas redes, enviou uma única mensagem:

“Excelente posicionamento. Posso oferecer exclusividade?”

Fonte: Banca Elaboradora

Depois de publicar “Ainda não sei o suficiente para pensar”, Octávio recebe interpretações divergentes, e sua frase chega a ser considerada uma nova corrente de pensamento. Assinale a alternativa correta sobre o efeito desse desfecho.
 

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4251274 Ano: 2026
Disciplina: Português
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O especialista em convicções

Octávio Brandão não sofria de falta de opinião. Sofria do excesso delas. Todos os dias, antes das nove da manhã, precisava decidir o que pensar sobre educação, inteligência artificial, política urbana, cinema estrangeiro e o novo uniforme da empresa. Considerava o esforço incompatível com a vida moderna. Opinar exigia leitura, comparação, dúvida e, em casos extremos, mudança de ideia.

Foi então que contratou Mauro Figueira, consultor de convicções.

Mauro trabalhava num escritório discreto, cuja placa prometia: “Posicionamentos sólidos para pessoas ocupadas”. Na primeira reunião, explicou o método.

— O senhor envia o tema e o contexto. Eu devolvo uma opinião pronta, com argumentos e uma frase de efeito.

— E se me fizerem perguntas?

— Há um plano adicional com respostas para objeções.

Octávio assinou o pacote completo.

O serviço funcionou admiravelmente. Sobre um filme que não vira, recebeu uma crítica equilibrada. Sobre um livro abandonado na página quinze, ganhou uma análise sobre “a tensão entre memória individual e violência institucional”. Numa reunião de condomínio, defendeu a preservação das árvores, embora tivesse solicitado a retirada de uma que sujava seu carro. Mauro explicou que contradições podiam ser reclassificadas como “evolução de pensamento”.

Aos poucos, Octávio se tornou conhecido pela lucidez. Os colegas esperavam seus comentários. Os parentes silenciavam quando ele começava uma frase com “A questão central é mais complexa”. Ninguém suspeitava de que a complexidade chegava por mensagem, acompanhada de um aviso: “Evite aprofundar se houver especialistas presentes”.

O problema surgiu num jantar. Clara, sua filha, perguntou:

— Pai, você acha que eu devo aceitar um trabalho em outra cidade?

Octávio pediu licença e foi ao banheiro. Enviou a pergunta a Mauro.

A resposta dizia: “Considere autonomia, vínculos afetivos e projeto de vida. Apoie a decisão dela, mas manifeste disponibilidade”.

Octávio voltou à mesa e repetiu quase tudo.

Clara o observou.

— Isso é o que você pensa?

Ele poderia ter dito que sim. Era uma opinião adquirida legalmente, paga em dia e adaptada ao cliente. Contudo, percebeu que não sabia se sentiria falta da filha, se temia a distância ou se desejava protegê-la. Tinha terceirizado o argumento e, sem notar, também adiara o afeto.

— Ainda estou pensando — respondeu.

Foi sua primeira frase original em muitos meses.

No dia seguinte, Octávio procurou Mauro para cancelar o contrato.

— Certas opiniões precisam nascer de quem assumirá as consequências — justificou.

— Interessante. Posso usar essa frase com outros clientes?

Octávio recusou. Mauro anotou a recusa com evidente admiração.

Antes de sair, Octávio hesitou.

— Você acha que estou fazendo a coisa certa?

Mauro fechou o caderno.

— O senhor quer uma opinião ou uma autorização?

A pergunta permaneceu entre os dois, precisa demais para ser confortável.

Na recepção, Octávio encontrou um comentarista famoso por opiniões rápidas sobre assuntos variados.

— Primeira consulta? — perguntou.

— Renovação de contrato — respondeu o homem. — O público anda exigindo espontaneidade.

Na rua, Octávio abriu o celular. Havia mensagens pedindo sua posição sobre uma crise recente. Pela primeira vez, não procurou Mauro nem escolheu a resposta mais segura. Escreveu: “Ainda não sei o suficiente para pensar”.

Publicou a frase e recebeu críticas imediatas. Alguns o acusaram de covardia. Outros elogiaram sua prudência. Um terceiro grupo afirmou que ele havia inaugurado uma nova corrente de pensamento.

Mauro, que ainda o seguia nas redes, enviou uma única mensagem:

“Excelente posicionamento. Posso oferecer exclusividade?”

Fonte: Banca Elaboradora

A pergunta de Mauro — “O senhor quer uma opinião ou uma autorização?” — provoca um deslocamento decisivo no diálogo. Assinale a alternativa correta sobre o sentido dessa pergunta no texto.
 

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4251273 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: IBADE
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Leia o texto e responda à questão

O especialista em convicções

Octávio Brandão não sofria de falta de opinião. Sofria do excesso delas. Todos os dias, antes das nove da manhã, precisava decidir o que pensar sobre educação, inteligência artificial, política urbana, cinema estrangeiro e o novo uniforme da empresa. Considerava o esforço incompatível com a vida moderna. Opinar exigia leitura, comparação, dúvida e, em casos extremos, mudança de ideia.

Foi então que contratou Mauro Figueira, consultor de convicções.

Mauro trabalhava num escritório discreto, cuja placa prometia: “Posicionamentos sólidos para pessoas ocupadas”. Na primeira reunião, explicou o método.

— O senhor envia o tema e o contexto. Eu devolvo uma opinião pronta, com argumentos e uma frase de efeito.

— E se me fizerem perguntas?

— Há um plano adicional com respostas para objeções.

Octávio assinou o pacote completo.

O serviço funcionou admiravelmente. Sobre um filme que não vira, recebeu uma crítica equilibrada. Sobre um livro abandonado na página quinze, ganhou uma análise sobre “a tensão entre memória individual e violência institucional”. Numa reunião de condomínio, defendeu a preservação das árvores, embora tivesse solicitado a retirada de uma que sujava seu carro. Mauro explicou que contradições podiam ser reclassificadas como “evolução de pensamento”.

Aos poucos, Octávio se tornou conhecido pela lucidez. Os colegas esperavam seus comentários. Os parentes silenciavam quando ele começava uma frase com “A questão central é mais complexa”. Ninguém suspeitava de que a complexidade chegava por mensagem, acompanhada de um aviso: “Evite aprofundar se houver especialistas presentes”.

O problema surgiu num jantar. Clara, sua filha, perguntou:

— Pai, você acha que eu devo aceitar um trabalho em outra cidade?

Octávio pediu licença e foi ao banheiro. Enviou a pergunta a Mauro.

A resposta dizia: “Considere autonomia, vínculos afetivos e projeto de vida. Apoie a decisão dela, mas manifeste disponibilidade”.

Octávio voltou à mesa e repetiu quase tudo.

Clara o observou.

— Isso é o que você pensa?

Ele poderia ter dito que sim. Era uma opinião adquirida legalmente, paga em dia e adaptada ao cliente. Contudo, percebeu que não sabia se sentiria falta da filha, se temia a distância ou se desejava protegê-la. Tinha terceirizado o argumento e, sem notar, também adiara o afeto.

— Ainda estou pensando — respondeu.

Foi sua primeira frase original em muitos meses.

No dia seguinte, Octávio procurou Mauro para cancelar o contrato.

— Certas opiniões precisam nascer de quem assumirá as consequências — justificou.

— Interessante. Posso usar essa frase com outros clientes?

Octávio recusou. Mauro anotou a recusa com evidente admiração.

Antes de sair, Octávio hesitou.

— Você acha que estou fazendo a coisa certa?

Mauro fechou o caderno.

— O senhor quer uma opinião ou uma autorização?

A pergunta permaneceu entre os dois, precisa demais para ser confortável.

Na recepção, Octávio encontrou um comentarista famoso por opiniões rápidas sobre assuntos variados.

— Primeira consulta? — perguntou.

— Renovação de contrato — respondeu o homem. — O público anda exigindo espontaneidade.

Na rua, Octávio abriu o celular. Havia mensagens pedindo sua posição sobre uma crise recente. Pela primeira vez, não procurou Mauro nem escolheu a resposta mais segura. Escreveu: “Ainda não sei o suficiente para pensar”.

Publicou a frase e recebeu críticas imediatas. Alguns o acusaram de covardia. Outros elogiaram sua prudência. Um terceiro grupo afirmou que ele havia inaugurado uma nova corrente de pensamento.

Mauro, que ainda o seguia nas redes, enviou uma única mensagem:

“Excelente posicionamento. Posso oferecer exclusividade?”

Fonte: Banca Elaboradora

A sátira construída no texto alcança a esfera pública e a relação familiar de Octávio. Assinale a alternativa correta sobre o núcleo crítico da narrativa.
 

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4251102 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: IBADE
Orgão: Pref. Itarana-ES
Leia o texto e responda à questão.

A unanimidade possível
A reunião começou às nove em ponto, o que, na empresa Horizonte Integrado, significava nove e vinte. Na sala envidraçada, oito pessoas se acomodaram diante de uma tela que exibia o título “Novo Modelo de Colaboração”. Ninguém sabia exatamente o que seria decidido, mas todos concordavam que a decisão já estava atrasada.
Renato, diretor de Estratégia, abriu os trabalhos:
— Precisamos construir um consenso que respeite a diversidade de perspectivas.
A frase foi recebida com acenos graves. Elisa, gerente de Recursos Humanos, anotou “consenso” em seu caderno. Para ela, a palavra significava convencer os demais de que o trabalho presencial deveria aumentar. Otávio, responsável pela área financeira, entendeu o contrário: consenso seria reduzir o espaço físico e, com ele, as despesas. Lúcia, da comunicação, imaginou uma campanha interna com fotografias de pessoas sorrindo ao redor de uma mesa. Bruno, do setor jurídico, preferiu não imaginar nada antes de conhecer os riscos.
— O modelo atual precisa ser flexibilizado — continuou Renato.
— Concordo plenamente — disse Elisa.
Ela pensava em horários mais rígidos, desde que fossem chamados de “faixas de integração”.
— Concordo também — afirmou Otávio.
Ele pensava em eliminar estações de trabalho fixas.
— Faz todo sentido — acrescentou Lúcia.
Ela já escolhera o slogan: “Mais liberdade para estarmos juntos”.
Bruno ergueu a mão:
— Quando falamos em flexibilidade, estamos tratando de presença, jornada, local de trabalho ou metas?
Renato sorriu com a serenidade de quem considera a precisão um obstáculo operacional.
— Estamos tratando de uma visão mais ampla.
Bruno anotou que a visão era ampla o bastante para não caber numa definição.
A discussão prosseguiu. Elisa defendeu “o fortalecimento dos vínculos”. Otávio apoiou, entendendo que vínculos fortalecidos diminuiriam pedidos de demissão. Lúcia apoiou também, imaginando vídeos de aniversários corporativos. Bruno perguntou se os vínculos incluíam obrigações adicionais. Renato respondeu que aquele era um tema para uma etapa posterior, o que, na empresa, designava o lugar onde as perguntas difíceis eram cuidadosamente guardadas.
Perto do meio-dia, surgiu a expressão “autonomia responsável”. Todos a receberam com entusiasmo.
Para Elisa, autonomia responsável significava liberdade para organizar o próprio trabalho, desde que o empregado estivesse disponível quando a liderança julgasse necessário. Para Otávio, significava entregar mais com menos recursos. Para Lúcia, era uma combinação perfeita de palavras positivas. Para Bruno, era uma fórmula que poderia significar qualquer coisa e, por isso mesmo, exigiria quinze páginas de regulamento.
— Então estamos alinhados — concluiu Renato.
Ninguém perguntou em relação a quê.
A ata registrou que o grupo aprovara, por unanimidade, um modelo híbrido, flexível, eficiente, humano e financeiramente sustentável. O documento não indicava quantos dias seriam presenciais, quem escolheria esses dias, como seriam avaliadas as metas nem o que aconteceria quando flexibilidade e controle apontassem para direções opostas.
Na manhã seguinte, cada setor comunicou a decisão à sua maneira.
Recursos Humanos anunciou três dias obrigatórios no escritório. O Financeiro informou que as mesas seriam compartilhadas e que parte do prédio seria devolvida. A Comunicação publicou: “Agora, cada pessoa poderá escolher onde produzir melhor”. O Jurídico enviou uma nota esclarecendo que nenhuma escolha estava autorizada até a publicação das regras.
Os funcionários, surpreendentemente, também concordaram. Alguns entenderam que poderiam trabalhar de casa. Outros concluíram que precisariam voltar ao escritório. Houve quem acreditasse que nada mudaria, hipótese que a experiência tornava bastante plausível.
Renato leu as mensagens e convocou nova reunião.
No convite, escreveu:
“Precisamos alinhar o entendimento sobre o alinhamento.”
Desta vez, todos compreenderam a urgência.
Cada um, naturalmente, compreendeu uma urgência diferente.
Fonte: Banca Elaboradora
No encerramento, Renato escreve: “Precisamos alinhar o entendimento sobre o alinhamento.” Assinale a alternativa correta sobre a formação vocabular, a pontuação e o uso social da linguagem.
 

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4251101 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: IBADE
Orgão: Pref. Itarana-ES
Leia o texto e responda à questão.

A unanimidade possível
A reunião começou às nove em ponto, o que, na empresa Horizonte Integrado, significava nove e vinte. Na sala envidraçada, oito pessoas se acomodaram diante de uma tela que exibia o título “Novo Modelo de Colaboração”. Ninguém sabia exatamente o que seria decidido, mas todos concordavam que a decisão já estava atrasada.
Renato, diretor de Estratégia, abriu os trabalhos:
— Precisamos construir um consenso que respeite a diversidade de perspectivas.
A frase foi recebida com acenos graves. Elisa, gerente de Recursos Humanos, anotou “consenso” em seu caderno. Para ela, a palavra significava convencer os demais de que o trabalho presencial deveria aumentar. Otávio, responsável pela área financeira, entendeu o contrário: consenso seria reduzir o espaço físico e, com ele, as despesas. Lúcia, da comunicação, imaginou uma campanha interna com fotografias de pessoas sorrindo ao redor de uma mesa. Bruno, do setor jurídico, preferiu não imaginar nada antes de conhecer os riscos.
— O modelo atual precisa ser flexibilizado — continuou Renato.
— Concordo plenamente — disse Elisa.
Ela pensava em horários mais rígidos, desde que fossem chamados de “faixas de integração”.
— Concordo também — afirmou Otávio.
Ele pensava em eliminar estações de trabalho fixas.
— Faz todo sentido — acrescentou Lúcia.
Ela já escolhera o slogan: “Mais liberdade para estarmos juntos”.
Bruno ergueu a mão:
— Quando falamos em flexibilidade, estamos tratando de presença, jornada, local de trabalho ou metas?
Renato sorriu com a serenidade de quem considera a precisão um obstáculo operacional.
— Estamos tratando de uma visão mais ampla.
Bruno anotou que a visão era ampla o bastante para não caber numa definição.
A discussão prosseguiu. Elisa defendeu “o fortalecimento dos vínculos”. Otávio apoiou, entendendo que vínculos fortalecidos diminuiriam pedidos de demissão. Lúcia apoiou também, imaginando vídeos de aniversários corporativos. Bruno perguntou se os vínculos incluíam obrigações adicionais. Renato respondeu que aquele era um tema para uma etapa posterior, o que, na empresa, designava o lugar onde as perguntas difíceis eram cuidadosamente guardadas.
Perto do meio-dia, surgiu a expressão “autonomia responsável”. Todos a receberam com entusiasmo.
Para Elisa, autonomia responsável significava liberdade para organizar o próprio trabalho, desde que o empregado estivesse disponível quando a liderança julgasse necessário. Para Otávio, significava entregar mais com menos recursos. Para Lúcia, era uma combinação perfeita de palavras positivas. Para Bruno, era uma fórmula que poderia significar qualquer coisa e, por isso mesmo, exigiria quinze páginas de regulamento.
— Então estamos alinhados — concluiu Renato.
Ninguém perguntou em relação a quê.
A ata registrou que o grupo aprovara, por unanimidade, um modelo híbrido, flexível, eficiente, humano e financeiramente sustentável. O documento não indicava quantos dias seriam presenciais, quem escolheria esses dias, como seriam avaliadas as metas nem o que aconteceria quando flexibilidade e controle apontassem para direções opostas.
Na manhã seguinte, cada setor comunicou a decisão à sua maneira.
Recursos Humanos anunciou três dias obrigatórios no escritório. O Financeiro informou que as mesas seriam compartilhadas e que parte do prédio seria devolvida. A Comunicação publicou: “Agora, cada pessoa poderá escolher onde produzir melhor”. O Jurídico enviou uma nota esclarecendo que nenhuma escolha estava autorizada até a publicação das regras.
Os funcionários, surpreendentemente, também concordaram. Alguns entenderam que poderiam trabalhar de casa. Outros concluíram que precisariam voltar ao escritório. Houve quem acreditasse que nada mudaria, hipótese que a experiência tornava bastante plausível.
Renato leu as mensagens e convocou nova reunião.
No convite, escreveu:
“Precisamos alinhar o entendimento sobre o alinhamento.”
Desta vez, todos compreenderam a urgência.
Cada um, naturalmente, compreendeu uma urgência diferente.
Fonte: Banca Elaboradora
No texto, palavras como “consenso”, “flexibilidade”, “vínculos”, “autonomia responsável” e “alinhamento” são retomadas por diferentes personagens. Assinale a alternativa correta sobre o efeito dessa recorrência.
 

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