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Acredita quem quer
Por Helô Bacichette
Algum tempo atrás, cruzando a Serra, vi uma daquelas tendas que surgem de repente
___ beira da estrada, onde se encontra de tudo um pouco: imagens de santos, tapetes, vasos,
quadros e esculturas de todos os tipos e tamanhos. Procurava uma pequena imagem para levar
comigo quando um homem se aproximou do atendente e fez um pedido inusitado.
— O senhor tem uma escultura de extraterrestre? — perguntou com naturalidade, como
quem pede um santo de devoção.
Falava sério. Segundo ele, os extraterrestres estavam por aí, observando tudo. Uma
estátua grande ajudaria a marcar presença, como quem acena para alguém que passa lá no
alto. O vendedor apontou para o fundo da tenda. Lá estavam eles: seres verdes de olhos
grandes, enfileirados ao lado de anjos e arcanjos, como se também aguardassem por quem
acreditasse neles. Enquanto o homem examinava as peças com atenção, fui tomada por uma
daquelas perguntas que não cabem em prateleiras: por que será que, mesmo quando
imaginamos o desconhecido, damos a ele formas tão parecidas com as nossas?
Fiquei pensando naquela convivência improvável: de um lado, santos de olhar
compassivo esperando as preces da Terra. Do outro, a ideia de um ET verde gigante, erguido
talvez no quintal de alguém, esperando ser visto do céu.
Talvez por isso eu tenha relacionado aquele acontecimento na tenda ___ notícia de um
rapaz do Paraná que afirmava ter presenciado a passagem de um objeto estranho no céu.
Bastou a história circular nas redes para surgirem dúvidas, piadas e julgamentos. A maioria
parecia convencida de que ele inventara tudo. Talvez sim. Talvez não. O que me chamou ___
atenção foi a rapidez com que decidimos o que é impossível. Quando o assunto desafia nossas
certezas, a descrença costuma correr mais depressa do que a curiosidade.
Naquela tenda de estrada, conviviam sem conflito o sagrado, o imaginado e o
inexplicável. Cada um levando para casa aquilo em que escolhia acreditar. Talvez seja assim
que o mundo se equilibre: entre a fé, a dúvida e a imaginação. Não sei se o homem encontrou
a estátua que procurava. Eu saí de lá com minha pequena imagem de santo e com uma dúvida
silenciosa: e se, de algum modo, aquele homem buscasse um espelho onde pudesse se
reconhecer?
Desde então, sempre que passo por alguma tenda de beira de estrada e vejo uma dessas
figuras verdes de olhos enormes, lembro daquele encontro improvável e sorrio sozinha. Porque,
no fim das contas, existem histórias que não precisam de provas nem explicações. Afinal, só
acredita quem quiser.
(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/helo-bacichette/noticia/2026/06/acredita-quem-quiser-cmqbiedyv02au016tdgsx6dc0.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
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Acredita quem quer
Por Helô Bacichette
Algum tempo atrás, cruzando a Serra, vi uma daquelas tendas que surgem de repente
___ beira da estrada, onde se encontra de tudo um pouco: imagens de santos, tapetes, vasos,
quadros e esculturas de todos os tipos e tamanhos. Procurava uma pequena imagem para levar
comigo quando um homem se aproximou do atendente e fez um pedido inusitado.
— O senhor tem uma escultura de extraterrestre? — perguntou com naturalidade, como
quem pede um santo de devoção.
Falava sério. Segundo ele, os extraterrestres estavam por aí, observando tudo. Uma
estátua grande ajudaria a marcar presença, como quem acena para alguém que passa lá no
alto. O vendedor apontou para o fundo da tenda. Lá estavam eles: seres verdes de olhos
grandes, enfileirados ao lado de anjos e arcanjos, como se também aguardassem por quem
acreditasse neles. Enquanto o homem examinava as peças com atenção, fui tomada por uma
daquelas perguntas que não cabem em prateleiras: por que será que, mesmo quando
imaginamos o desconhecido, damos a ele formas tão parecidas com as nossas?
Fiquei pensando naquela convivência improvável: de um lado, santos de olhar
compassivo esperando as preces da Terra. Do outro, a ideia de um ET verde gigante, erguido
talvez no quintal de alguém, esperando ser visto do céu.
Talvez por isso eu tenha relacionado aquele acontecimento na tenda ___ notícia de um
rapaz do Paraná que afirmava ter presenciado a passagem de um objeto estranho no céu.
Bastou a história circular nas redes para surgirem dúvidas, piadas e julgamentos. A maioria
parecia convencida de que ele inventara tudo. Talvez sim. Talvez não. O que me chamou ___
atenção foi a rapidez com que decidimos o que é impossível. Quando o assunto desafia nossas
certezas, a descrença costuma correr mais depressa do que a curiosidade.
Naquela tenda de estrada, conviviam sem conflito o sagrado, o imaginado e o
inexplicável. Cada um levando para casa aquilo em que escolhia acreditar. Talvez seja assim
que o mundo se equilibre: entre a fé, a dúvida e a imaginação. Não sei se o homem encontrou
a estátua que procurava. Eu saí de lá com minha pequena imagem de santo e com uma dúvida
silenciosa: e se, de algum modo, aquele homem buscasse um espelho onde pudesse se
reconhecer?
Desde então, sempre que passo por alguma tenda de beira de estrada e vejo uma dessas
figuras verdes de olhos enormes, lembro daquele encontro improvável e sorrio sozinha. Porque,
no fim das contas, existem histórias que não precisam de provas nem explicações. Afinal, só
acredita quem quiser.
(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/helo-bacichette/noticia/2026/06/acredita-quem-quiser-cmqbiedyv02au016tdgsx6dc0.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
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- OrtografiaFormação e Estrutura das Palavras
- MorfologiaAdjetivos
- SemânticaSinônimos e Antônimos
- Interpretação de Textos
Acredita quem quer
Por Helô Bacichette
Algum tempo atrás, cruzando a Serra, vi uma daquelas tendas que surgem de repente
___ beira da estrada, onde se encontra de tudo um pouco: imagens de santos, tapetes, vasos,
quadros e esculturas de todos os tipos e tamanhos. Procurava uma pequena imagem para levar
comigo quando um homem se aproximou do atendente e fez um pedido inusitado.
— O senhor tem uma escultura de extraterrestre? — perguntou com naturalidade, como
quem pede um santo de devoção.
Falava sério. Segundo ele, os extraterrestres estavam por aí, observando tudo. Uma
estátua grande ajudaria a marcar presença, como quem acena para alguém que passa lá no
alto. O vendedor apontou para o fundo da tenda. Lá estavam eles: seres verdes de olhos
grandes, enfileirados ao lado de anjos e arcanjos, como se também aguardassem por quem
acreditasse neles. Enquanto o homem examinava as peças com atenção, fui tomada por uma
daquelas perguntas que não cabem em prateleiras: por que será que, mesmo quando
imaginamos o desconhecido, damos a ele formas tão parecidas com as nossas?
Fiquei pensando naquela convivência improvável: de um lado, santos de olhar
compassivo esperando as preces da Terra. Do outro, a ideia de um ET verde gigante, erguido
talvez no quintal de alguém, esperando ser visto do céu.
Talvez por isso eu tenha relacionado aquele acontecimento na tenda ___ notícia de um
rapaz do Paraná que afirmava ter presenciado a passagem de um objeto estranho no céu.
Bastou a história circular nas redes para surgirem dúvidas, piadas e julgamentos. A maioria
parecia convencida de que ele inventara tudo. Talvez sim. Talvez não. O que me chamou ___
atenção foi a rapidez com que decidimos o que é impossível. Quando o assunto desafia nossas
certezas, a descrença costuma correr mais depressa do que a curiosidade.
Naquela tenda de estrada, conviviam sem conflito o sagrado, o imaginado e o
inexplicável. Cada um levando para casa aquilo em que escolhia acreditar. Talvez seja assim
que o mundo se equilibre: entre a fé, a dúvida e a imaginação. Não sei se o homem encontrou
a estátua que procurava. Eu saí de lá com minha pequena imagem de santo e com uma dúvida
silenciosa: e se, de algum modo, aquele homem buscasse um espelho onde pudesse se
reconhecer?
Desde então, sempre que passo por alguma tenda de beira de estrada e vejo uma dessas
figuras verdes de olhos enormes, lembro daquele encontro improvável e sorrio sozinha. Porque,
no fim das contas, existem histórias que não precisam de provas nem explicações. Afinal, só
acredita quem quiser.
(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/helo-bacichette/noticia/2026/06/acredita-quem-quiser-cmqbiedyv02au016tdgsx6dc0.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
I. Trata-se de adjetivo que admite flexões de gênero, número e grau, podendo formar, nesta última, superlativo absoluto sintético.
II. São sinônimos possíveis e aceitáveis as palavras “incoerente” e “indistinto” nesse contexto de ocorrência.
III. Trata-se de uma palavra formada por derivação prefixal, com a adição do prefixo in- à palavra primitiva.
Quais estão corretas?
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Acredita quem quer
Por Helô Bacichette
Algum tempo atrás, cruzando a Serra, vi uma daquelas tendas que surgem de repente
___ beira da estrada, onde se encontra de tudo um pouco: imagens de santos, tapetes, vasos,
quadros e esculturas de todos os tipos e tamanhos. Procurava uma pequena imagem para levar
comigo quando um homem se aproximou do atendente e fez um pedido inusitado.
— O senhor tem uma escultura de extraterrestre? — perguntou com naturalidade, como
quem pede um santo de devoção.
Falava sério. Segundo ele, os extraterrestres estavam por aí, observando tudo. Uma
estátua grande ajudaria a marcar presença, como quem acena para alguém que passa lá no
alto. O vendedor apontou para o fundo da tenda. Lá estavam eles: seres verdes de olhos
grandes, enfileirados ao lado de anjos e arcanjos, como se também aguardassem por quem
acreditasse neles. Enquanto o homem examinava as peças com atenção, fui tomada por uma
daquelas perguntas que não cabem em prateleiras: por que será que, mesmo quando
imaginamos o desconhecido, damos a ele formas tão parecidas com as nossas?
Fiquei pensando naquela convivência improvável: de um lado, santos de olhar
compassivo esperando as preces da Terra. Do outro, a ideia de um ET verde gigante, erguido
talvez no quintal de alguém, esperando ser visto do céu.
Talvez por isso eu tenha relacionado aquele acontecimento na tenda ___ notícia de um
rapaz do Paraná que afirmava ter presenciado a passagem de um objeto estranho no céu.
Bastou a história circular nas redes para surgirem dúvidas, piadas e julgamentos. A maioria
parecia convencida de que ele inventara tudo. Talvez sim. Talvez não. O que me chamou ___
atenção foi a rapidez com que decidimos o que é impossível. Quando o assunto desafia nossas
certezas, a descrença costuma correr mais depressa do que a curiosidade.
Naquela tenda de estrada, conviviam sem conflito o sagrado, o imaginado e o
inexplicável. Cada um levando para casa aquilo em que escolhia acreditar. Talvez seja assim
que o mundo se equilibre: entre a fé, a dúvida e a imaginação. Não sei se o homem encontrou
a estátua que procurava. Eu saí de lá com minha pequena imagem de santo e com uma dúvida
silenciosa: e se, de algum modo, aquele homem buscasse um espelho onde pudesse se
reconhecer?
Desde então, sempre que passo por alguma tenda de beira de estrada e vejo uma dessas
figuras verdes de olhos enormes, lembro daquele encontro improvável e sorrio sozinha. Porque,
no fim das contas, existem histórias que não precisam de provas nem explicações. Afinal, só
acredita quem quiser.
(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/helo-bacichette/noticia/2026/06/acredita-quem-quiser-cmqbiedyv02au016tdgsx6dc0.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
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- SintaxeFrase, Oração e PeríodoOração SubordinadaSubordinada Adjetiva
- SintaxeConectivos
- MorfologiaPronomesPronomes Relativos
Acredita quem quer
Por Helô Bacichette
Algum tempo atrás, cruzando a Serra, vi uma daquelas tendas que surgem de repente
___ beira da estrada, onde se encontra de tudo um pouco: imagens de santos, tapetes, vasos,
quadros e esculturas de todos os tipos e tamanhos. Procurava uma pequena imagem para levar
comigo quando um homem se aproximou do atendente e fez um pedido inusitado.
— O senhor tem uma escultura de extraterrestre? — perguntou com naturalidade, como
quem pede um santo de devoção.
Falava sério. Segundo ele, os extraterrestres estavam por aí, observando tudo. Uma
estátua grande ajudaria a marcar presença, como quem acena para alguém que passa lá no
alto. O vendedor apontou para o fundo da tenda. Lá estavam eles: seres verdes de olhos
grandes, enfileirados ao lado de anjos e arcanjos, como se também aguardassem por quem
acreditasse neles. Enquanto o homem examinava as peças com atenção, fui tomada por uma
daquelas perguntas que não cabem em prateleiras: por que será que, mesmo quando
imaginamos o desconhecido, damos a ele formas tão parecidas com as nossas?
Fiquei pensando naquela convivência improvável: de um lado, santos de olhar
compassivo esperando as preces da Terra. Do outro, a ideia de um ET verde gigante, erguido
talvez no quintal de alguém, esperando ser visto do céu.
Talvez por isso eu tenha relacionado aquele acontecimento na tenda ___ notícia de um
rapaz do Paraná que afirmava ter presenciado a passagem de um objeto estranho no céu.
Bastou a história circular nas redes para surgirem dúvidas, piadas e julgamentos. A maioria
parecia convencida de que ele inventara tudo. Talvez sim. Talvez não. O que me chamou ___
atenção foi a rapidez com que decidimos o que é impossível. Quando o assunto desafia nossas
certezas, a descrença costuma correr mais depressa do que a curiosidade.
Naquela tenda de estrada, conviviam sem conflito o sagrado, o imaginado e o
inexplicável. Cada um levando para casa aquilo em que escolhia acreditar. Talvez seja assim
que o mundo se equilibre: entre a fé, a dúvida e a imaginação. Não sei se o homem encontrou
a estátua que procurava. Eu saí de lá com minha pequena imagem de santo e com uma dúvida
silenciosa: e se, de algum modo, aquele homem buscasse um espelho onde pudesse se
reconhecer?
Desde então, sempre que passo por alguma tenda de beira de estrada e vejo uma dessas
figuras verdes de olhos enormes, lembro daquele encontro improvável e sorrio sozinha. Porque,
no fim das contas, existem histórias que não precisam de provas nem explicações. Afinal, só
acredita quem quiser.
(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/helo-bacichette/noticia/2026/06/acredita-quem-quiser-cmqbiedyv02au016tdgsx6dc0.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
• “vi uma daquelas tendas que surgem de repente ___ beira da estrada, onde se encontra de tudo um pouco”.
• “e se, de algum modo, aquele homem buscasse um espelho onde pudesse se reconhecer?”
Sobre o emprego do pronome relativo “onde” nesses trechos, analise as assertivas abaixo, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas:
( ) No primeiro período, a palavra “onde” pode ser substituída por “aonde”.
( ) No segundo período, “onde” pode ser substituído por “cujo”.
( ) Em ambos os períodos, “onde” pode ser substituído por “em que”.
( ) No primeiro período, “onde” pode ser substituído por “nas quais” e no segundo, por “no qual”.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
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Algum tempo atrás, cruzando a Serra, vi uma daquelas tendas que surgem de repente
___ beira da estrada, onde se encontra de tudo um pouco: imagens de santos, tapetes, vasos,
quadros e esculturas de todos os tipos e tamanhos. Procurava uma pequena imagem para levar
comigo quando um homem se aproximou do atendente e fez um pedido inusitado.
— O senhor tem uma escultura de extraterrestre? — perguntou com naturalidade, como
quem pede um santo de devoção.
Falava sério. Segundo ele, os extraterrestres estavam por aí, observando tudo. Uma
estátua grande ajudaria a marcar presença, como quem acena para alguém que passa lá no
alto. O vendedor apontou para o fundo da tenda. Lá estavam eles: seres verdes de olhos
grandes, enfileirados ao lado de anjos e arcanjos, como se também aguardassem por quem
acreditasse neles. Enquanto o homem examinava as peças com atenção, fui tomada por uma
daquelas perguntas que não cabem em prateleiras: por que será que, mesmo quando
imaginamos o desconhecido, damos a ele formas tão parecidas com as nossas?
Fiquei pensando naquela convivência improvável: de um lado, santos de olhar
compassivo esperando as preces da Terra. Do outro, a ideia de um ET verde gigante, erguido
talvez no quintal de alguém, esperando ser visto do céu.
Talvez por isso eu tenha relacionado aquele acontecimento na tenda ___ notícia de um
rapaz do Paraná que afirmava ter presenciado a passagem de um objeto estranho no céu.
Bastou a história circular nas redes para surgirem dúvidas, piadas e julgamentos. A maioria
parecia convencida de que ele inventara tudo. Talvez sim. Talvez não. O que me chamou ___
atenção foi a rapidez com que decidimos o que é impossível. Quando o assunto desafia nossas
certezas, a descrença costuma correr mais depressa do que a curiosidade.
Naquela tenda de estrada, conviviam sem conflito o sagrado, o imaginado e o
inexplicável. Cada um levando para casa aquilo em que escolhia acreditar. Talvez seja assim
que o mundo se equilibre: entre a fé, a dúvida e a imaginação. Não sei se o homem encontrou
a estátua que procurava. Eu saí de lá com minha pequena imagem de santo e com uma dúvida
silenciosa: e se, de algum modo, aquele homem buscasse um espelho onde pudesse se
reconhecer?
Desde então, sempre que passo por alguma tenda de beira de estrada e vejo uma dessas
figuras verdes de olhos enormes, lembro daquele encontro improvável e sorrio sozinha. Porque,
no fim das contas, existem histórias que não precisam de provas nem explicações. Afinal, só
acredita quem quiser.
(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/helo-bacichette/noticia/2026/06/acredita-quem-quiser-cmqbiedyv02au016tdgsx6dc0.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
• “vi uma daquelas tendas que surgem de repente ___ beira da estrada”.
• “eu tenha relacionado aquele acontecimento na tenda ___ notícia de um rapaz do Paraná”.
• “O que me chamou ___ atenção foi a rapidez ”.
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas dos trechos acima.
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Por Helô Bacichette
Algum tempo atrás, cruzando a Serra, vi uma daquelas tendas que surgem de repente
___ beira da estrada, onde se encontra de tudo um pouco: imagens de santos, tapetes, vasos,
quadros e esculturas de todos os tipos e tamanhos. Procurava uma pequena imagem para levar
comigo quando um homem se aproximou do atendente e fez um pedido inusitado.
— O senhor tem uma escultura de extraterrestre? — perguntou com naturalidade, como
quem pede um santo de devoção.
Falava sério. Segundo ele, os extraterrestres estavam por aí, observando tudo. Uma
estátua grande ajudaria a marcar presença, como quem acena para alguém que passa lá no
alto. O vendedor apontou para o fundo da tenda. Lá estavam eles: seres verdes de olhos
grandes, enfileirados ao lado de anjos e arcanjos, como se também aguardassem por quem
acreditasse neles. Enquanto o homem examinava as peças com atenção, fui tomada por uma
daquelas perguntas que não cabem em prateleiras: por que será que, mesmo quando
imaginamos o desconhecido, damos a ele formas tão parecidas com as nossas?
Fiquei pensando naquela convivência improvável: de um lado, santos de olhar
compassivo esperando as preces da Terra. Do outro, a ideia de um ET verde gigante, erguido
talvez no quintal de alguém, esperando ser visto do céu.
Talvez por isso eu tenha relacionado aquele acontecimento na tenda ___ notícia de um
rapaz do Paraná que afirmava ter presenciado a passagem de um objeto estranho no céu.
Bastou a história circular nas redes para surgirem dúvidas, piadas e julgamentos. A maioria
parecia convencida de que ele inventara tudo. Talvez sim. Talvez não. O que me chamou ___
atenção foi a rapidez com que decidimos o que é impossível. Quando o assunto desafia nossas
certezas, a descrença costuma correr mais depressa do que a curiosidade.
Naquela tenda de estrada, conviviam sem conflito o sagrado, o imaginado e o
inexplicável. Cada um levando para casa aquilo em que escolhia acreditar. Talvez seja assim
que o mundo se equilibre: entre a fé, a dúvida e a imaginação. Não sei se o homem encontrou
a estátua que procurava. Eu saí de lá com minha pequena imagem de santo e com uma dúvida
silenciosa: e se, de algum modo, aquele homem buscasse um espelho onde pudesse se
reconhecer?
Desde então, sempre que passo por alguma tenda de beira de estrada e vejo uma dessas
figuras verdes de olhos enormes, lembro daquele encontro improvável e sorrio sozinha. Porque,
no fim das contas, existem histórias que não precisam de provas nem explicações. Afinal, só
acredita quem quiser.
(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/helo-bacichette/noticia/2026/06/acredita-quem-quiser-cmqbiedyv02au016tdgsx6dc0.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
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Acredita quem quer
Por Helô Bacichette
Algum tempo atrás, cruzando a Serra, vi uma daquelas tendas que surgem de repente
___ beira da estrada, onde se encontra de tudo um pouco: imagens de santos, tapetes, vasos,
quadros e esculturas de todos os tipos e tamanhos. Procurava uma pequena imagem para levar
comigo quando um homem se aproximou do atendente e fez um pedido inusitado.
— O senhor tem uma escultura de extraterrestre? — perguntou com naturalidade, como
quem pede um santo de devoção.
Falava sério. Segundo ele, os extraterrestres estavam por aí, observando tudo. Uma
estátua grande ajudaria a marcar presença, como quem acena para alguém que passa lá no
alto. O vendedor apontou para o fundo da tenda. Lá estavam eles: seres verdes de olhos
grandes, enfileirados ao lado de anjos e arcanjos, como se também aguardassem por quem
acreditasse neles. Enquanto o homem examinava as peças com atenção, fui tomada por uma
daquelas perguntas que não cabem em prateleiras: por que será que, mesmo quando
imaginamos o desconhecido, damos a ele formas tão parecidas com as nossas?
Fiquei pensando naquela convivência improvável: de um lado, santos de olhar
compassivo esperando as preces da Terra. Do outro, a ideia de um ET verde gigante, erguido
talvez no quintal de alguém, esperando ser visto do céu.
Talvez por isso eu tenha relacionado aquele acontecimento na tenda ___ notícia de um
rapaz do Paraná que afirmava ter presenciado a passagem de um objeto estranho no céu.
Bastou a história circular nas redes para surgirem dúvidas, piadas e julgamentos. A maioria
parecia convencida de que ele inventara tudo. Talvez sim. Talvez não. O que me chamou ___
atenção foi a rapidez com que decidimos o que é impossível. Quando o assunto desafia nossas
certezas, a descrença costuma correr mais depressa do que a curiosidade.
Naquela tenda de estrada, conviviam sem conflito o sagrado, o imaginado e o
inexplicável. Cada um levando para casa aquilo em que escolhia acreditar. Talvez seja assim
que o mundo se equilibre: entre a fé, a dúvida e a imaginação. Não sei se o homem encontrou
a estátua que procurava. Eu saí de lá com minha pequena imagem de santo e com uma dúvida
silenciosa: e se, de algum modo, aquele homem buscasse um espelho onde pudesse se
reconhecer?
Desde então, sempre que passo por alguma tenda de beira de estrada e vejo uma dessas
figuras verdes de olhos enormes, lembro daquele encontro improvável e sorrio sozinha. Porque,
no fim das contas, existem histórias que não precisam de provas nem explicações. Afinal, só
acredita quem quiser.
(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/helo-bacichette/noticia/2026/06/acredita-quem-quiser-cmqbiedyv02au016tdgsx6dc0.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
I. Pode-se inferir que as estátuas da tenda mencionada no texto guardam semelhança com seres humanos.
II. O motivo da compra da estátua era tentar estabelecer algum tipo de contato com seres de outro planeta, o que a autora vê como algo diferente.
III. A autora retoma uma história que circulou nas redes sociais a fim de ilustrar porque o encontro com o homem na tenda é insólito e risível.
Quais estão corretas?
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- OrtografiaFormação e Estrutura das Palavras
- OrtografiaPontuaçãoAspas
- OrtografiaPontuaçãoDois-pontos
- Morfologia
Leia o texto e responda à questão
O especialista em convicções
Octávio Brandão não sofria de falta de opinião. Sofria do excesso delas. Todos os dias, antes das nove da manhã, precisava decidir o que pensar sobre educação, inteligência artificial, política urbana, cinema estrangeiro e o novo uniforme da empresa. Considerava o esforço incompatível com a vida moderna. Opinar exigia leitura, comparação, dúvida e, em casos extremos, mudança de ideia.
Foi então que contratou Mauro Figueira, consultor de convicções.
Mauro trabalhava num escritório discreto, cuja placa prometia: “Posicionamentos sólidos para pessoas ocupadas”. Na primeira reunião, explicou o método.
— O senhor envia o tema e o contexto. Eu devolvo uma opinião pronta, com argumentos e uma frase de efeito.
— E se me fizerem perguntas?
— Há um plano adicional com respostas para objeções.
Octávio assinou o pacote completo.
O serviço funcionou admiravelmente. Sobre um filme que não vira, recebeu uma crítica equilibrada. Sobre um livro abandonado na página quinze, ganhou uma análise sobre “a tensão entre memória individual e violência institucional”. Numa reunião de condomínio, defendeu a preservação das árvores, embora tivesse solicitado a retirada de uma que sujava seu carro. Mauro explicou que contradições podiam ser reclassificadas como “evolução de pensamento”.
Aos poucos, Octávio se tornou conhecido pela lucidez. Os colegas esperavam seus comentários. Os parentes silenciavam quando ele começava uma frase com “A questão central é mais complexa”. Ninguém suspeitava de que a complexidade chegava por mensagem, acompanhada de um aviso: “Evite aprofundar se houver especialistas presentes”.
O problema surgiu num jantar. Clara, sua filha, perguntou:
— Pai, você acha que eu devo aceitar um trabalho em outra cidade?
Octávio pediu licença e foi ao banheiro. Enviou a pergunta a Mauro.
A resposta dizia: “Considere autonomia, vínculos afetivos e projeto de vida. Apoie a decisão dela, mas manifeste disponibilidade”.
Octávio voltou à mesa e repetiu quase tudo.
Clara o observou.
— Isso é o que você pensa?
Ele poderia ter dito que sim. Era uma opinião adquirida legalmente, paga em dia e adaptada ao cliente. Contudo, percebeu que não sabia se sentiria falta da filha, se temia a distância ou se desejava protegê-la. Tinha terceirizado o argumento e, sem notar, também adiara o afeto.
— Ainda estou pensando — respondeu.
Foi sua primeira frase original em muitos meses.
No dia seguinte, Octávio procurou Mauro para cancelar o contrato.
— Certas opiniões precisam nascer de quem assumirá as consequências — justificou.
— Interessante. Posso usar essa frase com outros clientes?
Octávio recusou. Mauro anotou a recusa com evidente admiração.
Antes de sair, Octávio hesitou.
— Você acha que estou fazendo a coisa certa?
Mauro fechou o caderno.
— O senhor quer uma opinião ou uma autorização?
A pergunta permaneceu entre os dois, precisa demais para ser confortável.
Na recepção, Octávio encontrou um comentarista famoso por opiniões rápidas sobre assuntos variados.
— Primeira consulta? — perguntou.
— Renovação de contrato — respondeu o homem. — O público anda exigindo espontaneidade.
Na rua, Octávio abriu o celular. Havia mensagens pedindo sua posição sobre uma crise recente. Pela primeira vez, não procurou Mauro nem escolheu a resposta mais segura. Escreveu: “Ainda não sei o suficiente para pensar”.
Publicou a frase e recebeu críticas imediatas. Alguns o acusaram de covardia. Outros elogiaram sua prudência. Um terceiro grupo afirmou que ele havia inaugurado uma nova corrente de pensamento.
Mauro, que ainda o seguia nas redes, enviou uma única mensagem:
“Excelente posicionamento. Posso oferecer exclusividade?”
Fonte: Banca Elaboradora
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Leia o texto e responda à questão
O especialista em convicções
Octávio Brandão não sofria de falta de opinião. Sofria do excesso delas. Todos os dias, antes das nove da manhã, precisava decidir o que pensar sobre educação, inteligência artificial, política urbana, cinema estrangeiro e o novo uniforme da empresa. Considerava o esforço incompatível com a vida moderna. Opinar exigia leitura, comparação, dúvida e, em casos extremos, mudança de ideia.
Foi então que contratou Mauro Figueira, consultor de convicções.
Mauro trabalhava num escritório discreto, cuja placa prometia: “Posicionamentos sólidos para pessoas ocupadas”. Na primeira reunião, explicou o método.
— O senhor envia o tema e o contexto. Eu devolvo uma opinião pronta, com argumentos e uma frase de efeito.
— E se me fizerem perguntas?
— Há um plano adicional com respostas para objeções.
Octávio assinou o pacote completo.
O serviço funcionou admiravelmente. Sobre um filme que não vira, recebeu uma crítica equilibrada. Sobre um livro abandonado na página quinze, ganhou uma análise sobre “a tensão entre memória individual e violência institucional”. Numa reunião de condomínio, defendeu a preservação das árvores, embora tivesse solicitado a retirada de uma que sujava seu carro. Mauro explicou que contradições podiam ser reclassificadas como “evolução de pensamento”.
Aos poucos, Octávio se tornou conhecido pela lucidez. Os colegas esperavam seus comentários. Os parentes silenciavam quando ele começava uma frase com “A questão central é mais complexa”. Ninguém suspeitava de que a complexidade chegava por mensagem, acompanhada de um aviso: “Evite aprofundar se houver especialistas presentes”.
O problema surgiu num jantar. Clara, sua filha, perguntou:
— Pai, você acha que eu devo aceitar um trabalho em outra cidade?
Octávio pediu licença e foi ao banheiro. Enviou a pergunta a Mauro.
A resposta dizia: “Considere autonomia, vínculos afetivos e projeto de vida. Apoie a decisão dela, mas manifeste disponibilidade”.
Octávio voltou à mesa e repetiu quase tudo.
Clara o observou.
— Isso é o que você pensa?
Ele poderia ter dito que sim. Era uma opinião adquirida legalmente, paga em dia e adaptada ao cliente. Contudo, percebeu que não sabia se sentiria falta da filha, se temia a distância ou se desejava protegê-la. Tinha terceirizado o argumento e, sem notar, também adiara o afeto.
— Ainda estou pensando — respondeu.
Foi sua primeira frase original em muitos meses.
No dia seguinte, Octávio procurou Mauro para cancelar o contrato.
— Certas opiniões precisam nascer de quem assumirá as consequências — justificou.
— Interessante. Posso usar essa frase com outros clientes?
Octávio recusou. Mauro anotou a recusa com evidente admiração.
Antes de sair, Octávio hesitou.
— Você acha que estou fazendo a coisa certa?
Mauro fechou o caderno.
— O senhor quer uma opinião ou uma autorização?
A pergunta permaneceu entre os dois, precisa demais para ser confortável.
Na recepção, Octávio encontrou um comentarista famoso por opiniões rápidas sobre assuntos variados.
— Primeira consulta? — perguntou.
— Renovação de contrato — respondeu o homem. — O público anda exigindo espontaneidade.
Na rua, Octávio abriu o celular. Havia mensagens pedindo sua posição sobre uma crise recente. Pela primeira vez, não procurou Mauro nem escolheu a resposta mais segura. Escreveu: “Ainda não sei o suficiente para pensar”.
Publicou a frase e recebeu críticas imediatas. Alguns o acusaram de covardia. Outros elogiaram sua prudência. Um terceiro grupo afirmou que ele havia inaugurado uma nova corrente de pensamento.
Mauro, que ainda o seguia nas redes, enviou uma única mensagem:
“Excelente posicionamento. Posso oferecer exclusividade?”
Fonte: Banca Elaboradora
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