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3131663 Ano: 2023
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Enunciado 3479413-1

Candido Portinari. Meninos brincando. Rio de Janeiro, 1955. Internet:<www.portinari.org.br>.

Enunciado 3479413-2

Roger Mayne. Handstand. London, 1956. Internet: <viewingroom.huxleyparlour.com>.

O pátio, que se desdobrava diante do copiar, era imenso, julgo que não me atreveria a percorrê-lo. O fim dele tocava o céu. Um dia, entretanto, achei-me além do pátio, além do céu. Como cheguei ali não sei. Homens cavavam o chão, um buraco se abria, medonho, precipício que me encolhia apavorado entre montanhas erguidas nas bordas. Para que estariam fazendo aquela toca profunda? Para que estariam construindo aqueles montes que um pó envolvia como fumaça? Retraí-me na admiração que me causava o extraordinário formigueiro. As formigas suavam, as camisas brancas tingiam-se, enegreciam, ferramentas cravavam-se na terra, outras jogavam para cima o nevoeiro que formava os morros. (...) O que então me pasmou foi o açude, maravilha, água infinita onde patos e marrecos nadavam. Surpreenderam-me essas criaturas capazes de viver no líquido. O mundo era complicado. O maior volume de água conhecido antes continha-se no bojo de um pote e aquele enorme vaso metido no chão, coberto de folhas verdes, flores, aves que mergulhavam de cabeça para baixo, desarranjava-me a ciência. Com dificuldade, estabeleci relação entre o fenômeno singular e a cova fumacenta. Esta, porém, fora aberta numa região distante, e o açude se estirava defronte da casa. Estava ali, mas tinha caprichos, mudava de lugar, não se aquietava, era uma coisa vagabunda.

Graciliano Ramos. Infância. Rio de Janeiro: Record, 2003, pp. 14 e 15.

Considerando as imagens apresentadas e o texto precedente, extraído de Infância, obra em que o escritor Graciliano Ramos narra suas memórias infantis, julgue o item seguinte.

Do trecho “Estava ali, mas tinha caprichos, mudava de lugar, não se aquietava” infere-se que a percepção do açude pela perspectiva infantil, aberta ao contato mais dinâmico com os objetos, vistos ao revés como nas imagens apresentadas, mostra-se mais criativa, móvel e realista que a experimentada pelos adultos já integrados a uma visão estanque da realidade.

 

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3131662 Ano: 2023
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Enunciado 3479412-1

Candido Portinari. Meninos brincando. Rio de Janeiro, 1955. Internet:<www.portinari.org.br>.

Enunciado 3479412-2

Roger Mayne. Handstand. London, 1956. Internet: <viewingroom.huxleyparlour.com>.

O pátio, que se desdobrava diante do copiar, era imenso, julgo que não me atreveria a percorrê-lo. O fim dele tocava o céu. Um dia, entretanto, achei-me além do pátio, além do céu. Como cheguei ali não sei. Homens cavavam o chão, um buraco se abria, medonho, precipício que me encolhia apavorado entre montanhas erguidas nas bordas. Para que estariam fazendo aquela toca profunda? Para que estariam construindo aqueles montes que um pó envolvia como fumaça? Retraí-me na admiração que me causava o extraordinário formigueiro. As formigas suavam, as camisas brancas tingiam-se, enegreciam, ferramentas cravavam-se na terra, outras jogavam para cima o nevoeiro que formava os morros. (...) O que então me pasmou foi o açude, maravilha, água infinita onde patos e marrecos nadavam. Surpreenderam-me essas criaturas capazes de viver no líquido. O mundo era complicado. O maior volume de água conhecido antes continha-se no bojo de um pote e aquele enorme vaso metido no chão, coberto de folhas verdes, flores, aves que mergulhavam de cabeça para baixo, desarranjava-me a ciência. Com dificuldade, estabeleci relação entre o fenômeno singular e a cova fumacenta. Esta, porém, fora aberta numa região distante, e o açude se estirava defronte da casa. Estava ali, mas tinha caprichos, mudava de lugar, não se aquietava, era uma coisa vagabunda.

Graciliano Ramos. Infância. Rio de Janeiro: Record, 2003, pp. 14 e 15.

Considerando as imagens apresentadas e o texto precedente, extraído de Infância, obra em que o escritor Graciliano Ramos narra suas memórias infantis, julgue o item seguinte.

No trecho “As formigas suavam, as camisas brancas tingiam-se, enegreciam”, o emprego da metáfora para representar os trabalhadores é um recurso estético que distancia a narrativa da imaginação infantil.

 

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3131661 Ano: 2023
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Enunciado 3479406-1

Candido Portinari. Meninos brincando. Rio de Janeiro, 1955. Internet:<www.portinari.org.br>.

Enunciado 3479406-2

Roger Mayne. Handstand. London, 1956. Internet: <viewingroom.huxleyparlour.com>.

O pátio, que se desdobrava diante do copiar, era imenso, julgo que não me atreveria a percorrê-lo. O fim dele tocava o céu. Um dia, entretanto, achei-me além do pátio, além do céu. Como cheguei ali não sei. Homens cavavam o chão, um buraco se abria, medonho, precipício que me encolhia apavorado entre montanhas erguidas nas bordas. Para que estariam fazendo aquela toca profunda? Para que estariam construindo aqueles montes que um pó envolvia como fumaça? Retraí-me na admiração que me causava o extraordinário formigueiro. As formigas suavam, as camisas brancas tingiam-se, enegreciam, ferramentas cravavam-se na terra, outras jogavam para cima o nevoeiro que formava os morros. (...) O que então me pasmou foi o açude, maravilha, água infinita onde patos e marrecos nadavam. Surpreenderam-me essas criaturas capazes de viver no líquido. O mundo era complicado. O maior volume de água conhecido antes continha-se no bojo de um pote e aquele enorme vaso metido no chão, coberto de folhas verdes, flores, aves que mergulhavam de cabeça para baixo, desarranjava-me a ciência. Com dificuldade, estabeleci relação entre o fenômeno singular e a cova fumacenta. Esta, porém, fora aberta numa região distante, e o açude se estirava defronte da casa. Estava ali, mas tinha caprichos, mudava de lugar, não se aquietava, era uma coisa vagabunda.

Graciliano Ramos. Infância. Rio de Janeiro: Record, 2003, pp. 14 e 15.

Considerando as imagens apresentadas e o texto precedente, extraído de Infância, obra em que o escritor Graciliano Ramos narra suas memórias infantis, julgue o item seguinte.

A forma narrativa em primeira pessoa impede o narrador — um escritor experiente — de se aproximar da perspectiva infantil do personagem, uma vez que é impossível, mesmo para um artista, representar esteticamente o seu outro de classe, gênero ou etnia.

 

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3124164 Ano: 2023
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Geografia do poema

I

O dia deu em chuvoso
na geografia do poema.
Um corpo virou cinzas
um sonho foi desfeito
e mil povos proclamaram
— Não à violência!
A terra está sentida
de tanto sofrimento.

II

Na geografia do poema
voam balas
passam na TV
os seres nus
o pátio aglomerado
o chão vermelho
onde a regra do jogo da velha
é sentença marcada
na réstia do sol quadrado.

III

Pelas ruas
a tristeza dos tempos
a impossibilidade do abraço.
Crianças choram
nos corredores da morte
meninos e meninas
nos becos da fome
consomem a miséria:
matéria prima
de sua sobrevivência.

IV

Nos quarteirões,
dobrando a esquina
homens e mulheres
idôneos, cansados
a lastimar o destino
de esmolar o direito
nos tempos madrugados.

V

Se o medo se espalha
virá o silêncio
o espectro das horas
e as cores sombras.
Se o medo se espalha
amargo será sempre o poema.

VI

O dia deu em chuvoso
na geografia do poema
um corpo virou cinzas,
um sonho foi desfeito.
Mil povos prantearam:
— A terra está sentida
De tanto sofrimento.
Mas...

VII

Haverá manhã
e a Paz cobrirá
com seus raios de luz
a rosa dos ventos.

Graça Graúna. Poesia indígena hoje. In: Revista poesia,
Campinas, UNICAMP, n.º 1, ago./2020.

Ainda considerando aspectos da literariedade do texto Geografia do poema e sua relação com períodos da história da literatura brasileira, julgue o item a seguir.

Violência e medo são dois temas que marcam a crítica social desenvolvida no poema.

 

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3124163 Ano: 2023
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Geografia do poema

I

O dia deu em chuvoso
na geografia do poema.
Um corpo virou cinzas
um sonho foi desfeito
e mil povos proclamaram
— Não à violência!
A terra está sentida
de tanto sofrimento.

II

Na geografia do poema
voam balas
passam na TV
os seres nus
o pátio aglomerado
o chão vermelho
onde a regra do jogo da velha
é sentença marcada
na réstia do sol quadrado.

III

Pelas ruas
a tristeza dos tempos
a impossibilidade do abraço.
Crianças choram
nos corredores da morte
meninos e meninas
nos becos da fome
consomem a miséria:
matéria prima
de sua sobrevivência.

IV

Nos quarteirões,
dobrando a esquina
homens e mulheres
idôneos, cansados
a lastimar o destino
de esmolar o direito
nos tempos madrugados.

V

Se o medo se espalha
virá o silêncio
o espectro das horas
e as cores sombras.
Se o medo se espalha
amargo será sempre o poema.

VI

O dia deu em chuvoso
na geografia do poema
um corpo virou cinzas,
um sonho foi desfeito.
Mil povos prantearam:
— A terra está sentida
De tanto sofrimento.
Mas...

VII

Haverá manhã
e a Paz cobrirá
com seus raios de luz
a rosa dos ventos.

Graça Graúna. Poesia indígena hoje. In: Revista poesia,
Campinas, UNICAMP, n.º 1, ago./2020.

Ainda considerando aspectos da literariedade do texto Geografia do poema e sua relação com períodos da história da literatura brasileira, julgue o item a seguir.

As figuras de linguagem utilizadas no texto permitem classificá-lo como regionalista.

 

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3124162 Ano: 2023
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Geografia do poema

I

O dia deu em chuvoso
na geografia do poema.
Um corpo virou cinzas
um sonho foi desfeito
e mil povos proclamaram
— Não à violência!
A terra está sentida
de tanto sofrimento.

II

Na geografia do poema
voam balas
passam na TV
os seres nus
o pátio aglomerado
o chão vermelho
onde a regra do jogo da velha
é sentença marcada
na réstia do sol quadrado.

III

Pelas ruas
a tristeza dos tempos
a impossibilidade do abraço.
Crianças choram
nos corredores da morte
meninos e meninas
nos becos da fome
consomem a miséria:
matéria prima
de sua sobrevivência.

IV

Nos quarteirões,
dobrando a esquina
homens e mulheres
idôneos, cansados
a lastimar o destino
de esmolar o direito
nos tempos madrugados.

V

Se o medo se espalha
virá o silêncio
o espectro das horas
e as cores sombras.
Se o medo se espalha
amargo será sempre o poema.

VI

O dia deu em chuvoso
na geografia do poema
um corpo virou cinzas,
um sonho foi desfeito.
Mil povos prantearam:
— A terra está sentida
De tanto sofrimento.
Mas...

VII

Haverá manhã
e a Paz cobrirá
com seus raios de luz
a rosa dos ventos.

Graça Graúna. Poesia indígena hoje. In: Revista poesia,
Campinas, UNICAMP, n.º 1, ago./2020.

Ainda considerando aspectos da literariedade do texto Geografia do poema e sua relação com períodos da história da literatura brasileira, julgue o item a seguir.

No poema em questão, a versificação está alinhada com o que desejavam os escritores modernistas em relação ao uso de métricas mais livres.

 

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3124161 Ano: 2023
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Geografia do poema

I

O dia deu em chuvoso
na geografia do poema.
Um corpo virou cinzas
um sonho foi desfeito
e mil povos proclamaram
— Não à violência!
A terra está sentida
de tanto sofrimento.

II

Na geografia do poema
voam balas
passam na TV
os seres nus
o pátio aglomerado
o chão vermelho
onde a regra do jogo da velha
é sentença marcada
na réstia do sol quadrado.

III

Pelas ruas
a tristeza dos tempos
a impossibilidade do abraço.
Crianças choram
nos corredores da morte
meninos e meninas
nos becos da fome
consomem a miséria:
matéria prima
de sua sobrevivência.

IV

Nos quarteirões,
dobrando a esquina
homens e mulheres
idôneos, cansados
a lastimar o destino
de esmolar o direito
nos tempos madrugados.

V

Se o medo se espalha
virá o silêncio
o espectro das horas
e as cores sombras.
Se o medo se espalha
amargo será sempre o poema.

VI

O dia deu em chuvoso
na geografia do poema
um corpo virou cinzas,
um sonho foi desfeito.
Mil povos prantearam:
— A terra está sentida
De tanto sofrimento.
Mas...

VII

Haverá manhã
e a Paz cobrirá
com seus raios de luz
a rosa dos ventos.

Graça Graúna. Poesia indígena hoje. In: Revista poesia,
Campinas, UNICAMP, n.º 1, ago./2020.

Ainda considerando aspectos da literariedade do texto Geografia do poema e sua relação com períodos da história da literatura brasileira, julgue o item a seguir.

O texto apresenta predominantemente características do Parnasianismo, haja vista seu rigor formal e as imagens abstratas nele referenciadas.

 

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3124160 Ano: 2023
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Geografia do poema

I

O dia deu em chuvoso
na geografia do poema.
Um corpo virou cinzas
um sonho foi desfeito
e mil povos proclamaram
— Não à violência!
A terra está sentida
de tanto sofrimento.

II

Na geografia do poema
voam balas
passam na TV
os seres nus
o pátio aglomerado
o chão vermelho
onde a regra do jogo da velha
é sentença marcada
na réstia do sol quadrado.

III

Pelas ruas
a tristeza dos tempos
a impossibilidade do abraço.
Crianças choram
nos corredores da morte
meninos e meninas
nos becos da fome
consomem a miséria:
matéria prima
de sua sobrevivência.

IV

Nos quarteirões,
dobrando a esquina
homens e mulheres
idôneos, cansados
a lastimar o destino
de esmolar o direito
nos tempos madrugados.

V

Se o medo se espalha
virá o silêncio
o espectro das horas
e as cores sombras.
Se o medo se espalha
amargo será sempre o poema.

VI

O dia deu em chuvoso
na geografia do poema
um corpo virou cinzas,
um sonho foi desfeito.
Mil povos prantearam:
— A terra está sentida
De tanto sofrimento.
Mas...

VII

Haverá manhã
e a Paz cobrirá
com seus raios de luz
a rosa dos ventos.

Graça Graúna. Poesia indígena hoje. In: Revista poesia,
Campinas, UNICAMP, n.º 1, ago./2020.

Ainda considerando aspectos da literariedade do texto Geografia do poema e sua relação com períodos da história da literatura brasileira, julgue o item a seguir.

O sujeito lírico apresenta a TV, as ruas de uma cidade e a floresta como espaços que se relacionam com a “geografia do poema”.

 

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3124159 Ano: 2023
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Geografia do poema

I

O dia deu em chuvoso
na geografia do poema.
Um corpo virou cinzas
um sonho foi desfeito
e mil povos proclamaram
— Não à violência!
A terra está sentida
de tanto sofrimento.

II

Na geografia do poema
voam balas
passam na TV
os seres nus
o pátio aglomerado
o chão vermelho
onde a regra do jogo da velha
é sentença marcada
na réstia do sol quadrado.

III

Pelas ruas
a tristeza dos tempos
a impossibilidade do abraço.
Crianças choram
nos corredores da morte
meninos e meninas
nos becos da fome
consomem a miséria:
matéria prima
de sua sobrevivência.

IV

Nos quarteirões,
dobrando a esquina
homens e mulheres
idôneos, cansados
a lastimar o destino
de esmolar o direito
nos tempos madrugados.

V

Se o medo se espalha
virá o silêncio
o espectro das horas
e as cores sombras.
Se o medo se espalha
amargo será sempre o poema.

VI

O dia deu em chuvoso
na geografia do poema
um corpo virou cinzas,
um sonho foi desfeito.
Mil povos prantearam:
— A terra está sentida
De tanto sofrimento.
Mas...

VII

Haverá manhã
e a Paz cobrirá
com seus raios de luz
a rosa dos ventos.

Graça Graúna. Poesia indígena hoje. In: Revista poesia,
Campinas, UNICAMP, n.º 1, ago./2020.

Considerando os fatores de literariedade do texto Geografia do poema, julgue o item a seguir.

Percebe-se, pela perspectiva apresentada na estrofe V, que o sujeito lírico atribui ao poema características da situação que ele busca refletir.

 

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3124158 Ano: 2023
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Geografia do poema

I

O dia deu em chuvoso
na geografia do poema.
Um corpo virou cinzas
um sonho foi desfeito
e mil povos proclamaram
— Não à violência!
A terra está sentida
de tanto sofrimento.

II

Na geografia do poema
voam balas
passam na TV
os seres nus
o pátio aglomerado
o chão vermelho
onde a regra do jogo da velha
é sentença marcada
na réstia do sol quadrado.

III

Pelas ruas
a tristeza dos tempos
a impossibilidade do abraço.
Crianças choram
nos corredores da morte
meninos e meninas
nos becos da fome
consomem a miséria:
matéria prima
de sua sobrevivência.

IV

Nos quarteirões,
dobrando a esquina
homens e mulheres
idôneos, cansados
a lastimar o destino
de esmolar o direito
nos tempos madrugados.

V

Se o medo se espalha
virá o silêncio
o espectro das horas
e as cores sombras.
Se o medo se espalha
amargo será sempre o poema.

VI

O dia deu em chuvoso
na geografia do poema
um corpo virou cinzas,
um sonho foi desfeito.
Mil povos prantearam:
— A terra está sentida
De tanto sofrimento.
Mas...

VII

Haverá manhã
e a Paz cobrirá
com seus raios de luz
a rosa dos ventos.

Graça Graúna. Poesia indígena hoje. In: Revista poesia,
Campinas, UNICAMP, n.º 1, ago./2020.

Considerando os fatores de literariedade do texto Geografia do poema, julgue o item a seguir.

O sujeito lírico expressa esperança no uso conotativo da expressão “Haverá manhã” (última estrofe).

 

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