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2402591 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Morte do Leiteiro

Carlos Drummond de Andrade

Há pouco leite no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há muita sede no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há no país uma legenda,
que ladrão se mata com tiro.
Então o moço que é leiteiro
de madrugada com sua lata
sai correndo e distribuindo
leite bom para gente ruim.
Sua lata, suas garrafas
e seus sapatos de borracha
vão dizendo aos homens no sono
que alguém acordou cedinho
e veio do último subúrbio
trazer o leite mais frio
e mais alvo da melhor vaca
para todos criarem força
na luta brava da cidade.

Meu leiteiro tão sutil
de passo maneiro e leve,
antes desliza que marcha.
É certo que algum rumor
sempre se faz: passo errado,
vaso de flor no caminho,
cão latindo por princípio,
ou um gato quizilento.
E há sempre um senhor que acorda,
resmunga e torna a dormir.

Mas este acordou em pânico
(ladrões infestam o bairro),
não quis saber de mais nada.
O revólver da gaveta
saltou para sua mão.
Ladrão? se pega com tiro.
Os tiros na madrugada
liquidaram meu leiteiro.
Se era noivo, se era virgem,
se era alegre, se era bom,
não sei,
é tarde para saber.

Da garrafa estilhaçada,
no ladrilho já sereno
escorre uma coisa espessa
que é leite, sangue... não sei.
Por entre objetos confusos,
mal redimidos da noite,
duas cores se procuram,
suavemente se tocam,
amorosamente se enlaçam,
formando um terceiro tom
a que chamamos aurora.

Com relação ao poema Morte do Leiteiro, de Carlos Drummond de Andrade, julgue o item a seguir.

A imagem final do poema extrai sua eficácia estética do atrito entre a beleza de uma imagem comumente associada à esperança (aurora) e a condição trágica da inusitada mistura de cores que resulta do assassinato do leiteiro (leite e sangue).

 

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2402590 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Morte do Leiteiro

Carlos Drummond de Andrade

Há pouco leite no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há muita sede no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há no país uma legenda,
que ladrão se mata com tiro.
Então o moço que é leiteiro
de madrugada com sua lata
sai correndo e distribuindo
leite bom para gente ruim.
Sua lata, suas garrafas
e seus sapatos de borracha
vão dizendo aos homens no sono
que alguém acordou cedinho
e veio do último subúrbio
trazer o leite mais frio
e mais alvo da melhor vaca
para todos criarem força
na luta brava da cidade.

Meu leiteiro tão sutil
de passo maneiro e leve,
antes desliza que marcha.
É certo que algum rumor
sempre se faz: passo errado,
vaso de flor no caminho,
cão latindo por princípio,
ou um gato quizilento.
E há sempre um senhor que acorda,
resmunga e torna a dormir.

Mas este acordou em pânico
(ladrões infestam o bairro),
não quis saber de mais nada.
O revólver da gaveta
saltou para sua mão.
Ladrão? se pega com tiro.
Os tiros na madrugada
liquidaram meu leiteiro.
Se era noivo, se era virgem,
se era alegre, se era bom,
não sei,
é tarde para saber.

Da garrafa estilhaçada,
no ladrilho já sereno
escorre uma coisa espessa
que é leite, sangue... não sei.
Por entre objetos confusos,
mal redimidos da noite,
duas cores se procuram,
suavemente se tocam,
amorosamente se enlaçam,
formando um terceiro tom
a que chamamos aurora.

Com relação ao poema Morte do Leiteiro, de Carlos Drummond de Andrade, julgue o item a seguir.

Pela maneira como são apresentados sentimentos em um modelo poético sucinto e inspirado na tradição clássica, o poema pode ser considerado um diálogo de Carlos Drummond de Andrade com a poesia do grupo de poetas brasileiros que ficou conhecido como Geração de 45.

 

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2402284 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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É somente nos tempos modernos que se passa a pensar vida e morte como nitidamente opostas. E isso não causa surpresa. Com a modernidade, aprofundam-se velhos dualismos e novos se instauram. Nós, “senhores e possuidores da natureza”, como dizia René Descartes (1596-1650), nos afastamos do mundo e dele nos diferenciamos.

A meu ver, hoje nos encontramos numa situação paradoxal. De um lado, testemunhamos a banalização da morte. Em nossa vida cotidiana, dela ouvimos falar e nela falamos o tempo todo. A morte aparece como fenômeno biológico, ao lado das outras fases da vida: o nascimento, a puberdade, a maturidade e a velhice. Ela surge como fenômeno social, quando nos referimos a taxas de natalidade
e de mortalidade. Apresenta-se como fenômeno determinante para a demografia, na medida em que discutimos o decréscimo ou o aumento da população em diferentes regiões do planeta. Para a medicina, a morte se mostra como fenômeno letal, que tem de ser previsto e explicado; para o direito, ela se enquadra como fenômeno natural, que deve produzir documentos, como as certidões de óbito.

Então, por que a morte é sempre vista como uma espécie de escândalo? Por que ela enseja ao mesmo tempo horror e curiosidade? É certo que a morte, esse acontecimento banal, aparece como um fato dentre outros; um fato que o jornalista relata, o médico legista constata, o biólogo analisa, o policial investiga. Mas, por outro lado, um fato ímpar, desmedido e incomensurável. Não podemos deixar de constatar que a morte é um mistério; não temos como nos proteger de seu caráter vertiginoso e desconcertante. É por isso, aliás, que tanto falamos nela e dela tanto ouvimos falar.

Scarlett Marton. Morte como instante de vida.
Internet: <www.portalcienciaevida.uol.com.br> (com adaptações).

Julgue o próximo item tendo como referência o texto acima, o tema nele abordado e os diversos aspectos por ele suscitados.

Considerando o texto de Marton bem como a tendência, na literatura brasileira pós-Semana de Arte Moderna, de aliar processos de narrativa sintética a trabalho poético, com o objetivo de renovação de conceito tradicional da poesia, é correto afirmar que Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade expandiram a perspectiva de relato de morte referenciada no texto nas linhas 25 e 26.

 

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2402283 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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É somente nos tempos modernos que se passa a pensar vida e morte como nitidamente opostas. E isso não causa surpresa. Com a modernidade, aprofundam-se velhos dualismos e novos se instauram. Nós, “senhores e possuidores da natureza”, como dizia René Descartes (1596-1650), nos afastamos do mundo e dele nos diferenciamos.

A meu ver, hoje nos encontramos numa situação paradoxal. De um lado, testemunhamos a banalização da morte. Em nossa vida cotidiana, dela ouvimos falar e nela falamos o tempo todo. A morte aparece como fenômeno biológico, ao lado das outras fases da vida: o nascimento, a puberdade, a maturidade e a velhice. Ela surge como fenômeno social, quando nos referimos a taxas de natalidade
e de mortalidade. Apresenta-se como fenômeno determinante para a demografia, na medida em que discutimos o decréscimo ou o aumento da população em diferentes regiões do planeta. Para a medicina, a morte se mostra como fenômeno letal, que tem de ser previsto e explicado; para o direito, ela se enquadra como fenômeno natural, que deve produzir documentos, como as certidões de óbito.

Então, por que a morte é sempre vista como uma espécie de escândalo? Por que ela enseja ao mesmo tempo horror e curiosidade? É certo que a morte, esse acontecimento banal, aparece como um fato dentre outros; um fato que o jornalista relata, o médico legista constata, o biólogo analisa, o policial investiga. Mas, por outro lado, um fato ímpar, desmedido e incomensurável. Não podemos deixar de constatar que a morte é um mistério; não temos como nos proteger de seu caráter vertiginoso e desconcertante. É por isso, aliás, que tanto falamos nela e dela tanto ouvimos falar.

Scarlett Marton. Morte como instante de vida.
Internet: <www.portalcienciaevida.uol.com.br> (com adaptações).

Julgue o próximo item tendo como referência o texto acima, o tema nele abordado e os diversos aspectos por ele suscitados.

A preocupação com a morte é recorrente nas obras de Álvares de Azevedo, Alphonsus de Guimarães, Manuel Bandeira e Cecília Meireles, e o que distingue, uns dos outros, os trabalhos poéticos desses autores é a maneira como a morte é personificada bem como, em especial, o comprometimento do eu-lírico com a irreversibilidade da morte.

 

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2402281 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Pela segunda vez, a moça tomou coragem; a pretexto de dor de dente, conseguiu licença para faltar ao serviço. Não lhe foi difícil descobrir o endereço da gorda e exageradamente gentil madama Carlota, atual cartomante bem-sucedida, moradora de apartamento próprio, fã de Jesus, “doidinha por Ele”, que sempre a ajudou.

Mais falando de si mesma do que de sua “cliente”, a cartomante concluiu: “Mas, Macabeazinha, que vida horrível a sua! Que meu amigo Jesus tenha dó de você, filhinha! Mas que horror!” Resolveu, então, animar a pobre coitada. “Tenho grandes notícias para lhe dar:

Sua vida vai mudar completamente! Até seu namorado vai voltar e propor casamento e seu chefe não vai mais lhe despedir! E tem mais! Um dinheiro grande vai lhe entrar pela porta adentro em horas da noite trazido por um homem estrangeiro. Ele é alourado e tem olhos azuis ou verdes ou castanhos ou pretos. Parece se chamar Hans, e é ele quem vai se casar com você!”

Saiu da casa da cartomante mudada. “Até para atravessar a rua ela já era outra pessoa. Uma pessoa grávida de futuro”.

Ao dar o passo para descer da calçada, Macabéa foi atropelada por um luxuoso Mercedes amarelo, que fugiu, sem que o motorista prestasse socorro. Ela bateu na quina do meio-fio com a cabeça, que começou a sangrar. Tomada por uma espécie de delírio oco, observou que havia capim na rua. “O Destino tinha escolhido para ela um beco no escuro e uma sarjeta” como se ela fosse “uma galinha de pescoço mal cortado que corre espavorida pingando sangue”. Só que Macabéa lutava muda. Então começou levemente a garoar: Olímpico tinha razão ela só sabia mesmo era chover!

Os curiosos que se aproximaram nada fizeram “como antes pessoas nada haviam feito por ela, só que agora pelo menos a espiavam. O que lhe dava uma existência”.

“Ela se mexeu devagar, acomodou o corpo em posição fetal. Era uma maldita e não sabia. Agarrava-se a um fiapo de consciência e repetia mentalmente sem cessar eu sou, eu sou. Eu sou. Teve uma úmida felicidade suprema, pois ela nascera para o abraço da morte. Um gosto suave, arrepiante, gélido e agudo como no amor. Seria esta a graça a que vós chamais Deus? Sim? Se iria morrer, na morte passava de virgem a mulher. Então ela pronunciou uma frase que ninguém entendeu: “Quanto ao futuro.” Vomitou um pouco de sangue. Estava enfim livre de si e de nós.

Viver é um luxo. Pronto, passou.”

Clarice Lispector. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998 (com adaptações).

A partir do texto acima, julgue o item.

O questionamento de aspectos mais profundos do ser humano, ligados ao seu ‘estar no mundo’, manifesta-se em uma estrutura narrativa de técnica impressionista, caracterizada pela ruptura da verossimilhança e da sequência linear do relato.

 

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2402280 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Pela segunda vez, a moça tomou coragem; a pretexto de dor de dente, conseguiu licença para faltar ao serviço. Não lhe foi difícil descobrir o endereço da gorda e exageradamente gentil madama Carlota, atual cartomante bem-sucedida, moradora de apartamento próprio, fã de Jesus, “doidinha por Ele”, que sempre a ajudou.

Mais falando de si mesma do que de sua “cliente”, a cartomante concluiu: “Mas, Macabeazinha, que vida horrível a sua! Que meu amigo Jesus tenha dó de você, filhinha! Mas que horror!” Resolveu, então, animar a pobre coitada. “Tenho grandes notícias para lhe dar:

Sua vida vai mudar completamente! Até seu namorado vai voltar e propor casamento e seu chefe não vai mais lhe despedir! E tem mais! Um dinheiro grande vai lhe entrar pela porta adentro em horas da noite trazido por um homem estrangeiro. Ele é alourado e tem olhos azuis ou verdes ou castanhos ou pretos. Parece se chamar Hans, e é ele quem vai se casar com você!”

Saiu da casa da cartomante mudada. “Até para atravessar a rua ela já era outra pessoa. Uma pessoa grávida de futuro”.

Ao dar o passo para descer da calçada, Macabéa foi atropelada por um luxuoso Mercedes amarelo, que fugiu, sem que o motorista prestasse socorro. Ela bateu na quina do meio-fio com a cabeça, que começou a sangrar. Tomada por uma espécie de delírio oco, observou que havia capim na rua. “O Destino tinha escolhido para ela um beco no escuro e uma sarjeta” como se ela fosse “uma galinha de pescoço mal cortado que corre espavorida pingando sangue”. Só que Macabéa lutava muda. Então começou levemente a garoar: Olímpico tinha razão ela só sabia mesmo era chover!

Os curiosos que se aproximaram nada fizeram “como antes pessoas nada haviam feito por ela, só que agora pelo menos a espiavam. O que lhe dava uma existência”.

“Ela se mexeu devagar, acomodou o corpo em posição fetal. Era uma maldita e não sabia. Agarrava-se a um fiapo de consciência e repetia mentalmente sem cessar eu sou, eu sou. Eu sou. Teve uma úmida felicidade suprema, pois ela nascera para o abraço da morte. Um gosto suave, arrepiante, gélido e agudo como no amor. Seria esta a graça a que vós chamais Deus? Sim? Se iria morrer, na morte passava de virgem a mulher. Então ela pronunciou uma frase que ninguém entendeu: “Quanto ao futuro.” Vomitou um pouco de sangue. Estava enfim livre de si e de nós.

Viver é um luxo. Pronto, passou.”

Clarice Lispector. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998 (com adaptações).

A partir do texto acima, julgue o item.

No romance A hora da estrela, o narrador Rodrigo, onisciente, desconstrói a si próprio e a personagem Macabéa, no que se refere à importância da existência de cada um deles na sociedade.

 

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2402279 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Pela segunda vez, a moça tomou coragem; a pretexto de dor de dente, conseguiu licença para faltar ao serviço. Não lhe foi difícil descobrir o endereço da gorda e exageradamente gentil madama Carlota, atual cartomante bem-sucedida, moradora de apartamento próprio, fã de Jesus, “doidinha por Ele”, que sempre a ajudou.

Mais falando de si mesma do que de sua “cliente”, a cartomante concluiu: “Mas, Macabeazinha, que vida horrível a sua! Que meu amigo Jesus tenha dó de você, filhinha! Mas que horror!” Resolveu, então, animar a pobre coitada. “Tenho grandes notícias para lhe dar:

Sua vida vai mudar completamente! Até seu namorado vai voltar e propor casamento e seu chefe não vai mais lhe despedir! E tem mais! Um dinheiro grande vai lhe entrar pela porta adentro em horas da noite trazido por um homem estrangeiro. Ele é alourado e tem olhos azuis ou verdes ou castanhos ou pretos. Parece se chamar Hans, e é ele quem vai se casar com você!”

Saiu da casa da cartomante mudada. “Até para atravessar a rua ela já era outra pessoa. Uma pessoa grávida de futuro”.

Ao dar o passo para descer da calçada, Macabéa foi atropelada por um luxuoso Mercedes amarelo, que fugiu, sem que o motorista prestasse socorro. Ela bateu na quina do meio-fio com a cabeça, que começou a sangrar. Tomada por uma espécie de delírio oco, observou que havia capim na rua. “O Destino tinha escolhido para ela um beco no escuro e uma sarjeta” como se ela fosse “uma galinha de pescoço mal cortado que corre espavorida pingando sangue”. Só que Macabéa lutava muda. Então começou levemente a garoar: Olímpico tinha razão ela só sabia mesmo era chover!

Os curiosos que se aproximaram nada fizeram “como antes pessoas nada haviam feito por ela, só que agora pelo menos a espiavam. O que lhe dava uma existência”.

“Ela se mexeu devagar, acomodou o corpo em posição fetal. Era uma maldita e não sabia. Agarrava-se a um fiapo de consciência e repetia mentalmente sem cessar eu sou, eu sou. Eu sou. Teve uma úmida felicidade suprema, pois ela nascera para o abraço da morte. Um gosto suave, arrepiante, gélido e agudo como no amor. Seria esta a graça a que vós chamais Deus? Sim? Se iria morrer, na morte passava de virgem a mulher. Então ela pronunciou uma frase que ninguém entendeu: “Quanto ao futuro.” Vomitou um pouco de sangue. Estava enfim livre de si e de nós.

Viver é um luxo. Pronto, passou.”

Clarice Lispector. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998 (com adaptações).

A partir do texto acima, julgue o item.

No que se refere à dicotomia vida/morte e à sua valorização na literatura, e considerando a possibilidade de se focalizar, do lado da vida, o sentimento de inadequação à realidade, o ócio e o desgosto de viver, a obra A hora da estrela não fugiria ao modo como, no gosto do modelo da geração ultrarromântica, Casimiro de Abreu, Fagundes Varela e Junqueira Freire, por exemplo, trataram essa temática.

 

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Questão presente nas seguintes provas
2402276 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Provas:

Pela segunda vez, a moça tomou coragem; a pretexto de dor de dente, conseguiu licença para faltar ao serviço. Não lhe foi difícil descobrir o endereço da gorda e exageradamente gentil madama Carlota, atual cartomante bem-sucedida, moradora de apartamento próprio, fã de Jesus, “doidinha por Ele”, que sempre a ajudou.

Mais falando de si mesma do que de sua “cliente”, a cartomante concluiu: “Mas, Macabeazinha, que vida horrível a sua! Que meu amigo Jesus tenha dó de você, filhinha! Mas que horror!” Resolveu, então, animar a pobre coitada. “Tenho grandes notícias para lhe dar:

Sua vida vai mudar completamente! Até seu namorado vai voltar e propor casamento e seu chefe não vai mais lhe despedir! E tem mais! Um dinheiro grande vai lhe entrar pela porta adentro em horas da noite trazido por um homem estrangeiro. Ele é alourado e tem olhos azuis ou verdes ou castanhos ou pretos. Parece se chamar Hans, e é ele quem vai se casar com você!”

Saiu da casa da cartomante mudada. “Até para atravessar a rua ela já era outra pessoa. Uma pessoa grávida de futuro”.

Ao dar o passo para descer da calçada, Macabéa foi atropelada por um luxuoso Mercedes amarelo, que fugiu, sem que o motorista prestasse socorro. Ela bateu na quina do meio-fio com a cabeça, que começou a sangrar. Tomada por uma espécie de delírio oco, observou que havia capim na rua. “O Destino tinha escolhido para ela um beco no escuro e uma sarjeta” como se ela fosse “uma galinha de pescoço mal cortado que corre espavorida pingando sangue”. Só que Macabéa lutava muda. Então começou levemente a garoar: Olímpico tinha razão ela só sabia mesmo era chover!

Os curiosos que se aproximaram nada fizeram “como antes pessoas nada haviam feito por ela, só que agora pelo menos a espiavam. O que lhe dava uma existência”.

“Ela se mexeu devagar, acomodou o corpo em posição fetal. Era uma maldita e não sabia. Agarrava-se a um fiapo de consciência e repetia mentalmente sem cessar eu sou, eu sou. Eu sou. Teve uma úmida felicidade suprema, pois ela nascera para o abraço da morte. Um gosto suave, arrepiante, gélido e agudo como no amor. Seria esta a graça a que vós chamais Deus? Sim? Se iria morrer, na morte passava de virgem a mulher. Então ela pronunciou uma frase que ninguém entendeu: “Quanto ao futuro.” Vomitou um pouco de sangue. Estava enfim livre de si e de nós.

Viver é um luxo. Pronto, passou.”

Clarice Lispector. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998 (com adaptações).

A partir do texto acima, julgue o item.

Clarice Lispector, na obra A hora da estrela, traz visão da morte como epifania, entendida como a realização do ser, na apreensão do instante em que se dá a revelação de uma realidade fragmentária, ou seja, a vida cotidiana de Macabéa, com a superação do ‘não-ser’,
visão essa que não se opõe, no entanto, à promessa feita pela cartomante a Macabéa.

 

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2402260 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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A palo seco

Belchior

Se você vier me perguntar por onde andei
No tempo em que você sonhava.
De olhos abertos, lhe direi:
— Amigo, eu me desesperava.

Sei que, assim falando, pensas
Que esse desespero é moda em 76.
Mas ando mesmo descontente.
Desesperadamente eu grito em português:
— Tenho vinte e cinco anos de sonho e

De sangue e de América do Sul.
Por força deste destino,
Um tango argentino
Me vai bem melhor que um blues.
Sei, que assim falando, pensas

Que esse desespero é moda em 76.
E eu quero é que esse canto torto,
Feito faca, corte a carne de vocês.

Considerando a composição acima e os aspectos que ela suscita, julgue o seguinte item.

A declaração “Que esse desespero é moda em 76” alude a um momento da literatura brasileira em que escritores, entre eles Nélida Piñon, tentavam construir, em prosa, o contexto histórico brasileiro a partir da dicotomia realidade/sonho, reinaugurando, com essa perspectiva, o subjetivismo ou individualismo do modelo romântico.

 

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2402259 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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A palo seco

Belchior

Se você vier me perguntar por onde andei
No tempo em que você sonhava.
De olhos abertos, lhe direi:
— Amigo, eu me desesperava.

Sei que, assim falando, pensas
Que esse desespero é moda em 76.
Mas ando mesmo descontente.
Desesperadamente eu grito em português:
— Tenho vinte e cinco anos de sonho e

De sangue e de América do Sul.
Por força deste destino,
Um tango argentino
Me vai bem melhor que um blues.
Sei, que assim falando, pensas

Que esse desespero é moda em 76.
E eu quero é que esse canto torto,
Feito faca, corte a carne de vocês.

Considerando a composição acima e os aspectos que ela suscita, julgue o seguinte item.

O autor declara-se contrário a atitudes escapistas, ao mesmo tempo em que se apresenta como sonhador, conforme expressam os versos 9 e 10.

 

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