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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Seu rosto lembrava o dos índios sul-americanos mal-encarados das aventuras do Tintim. O nariz adunco, a testa avançada sobre os olhos fundos, as faces encovadas entre os cabelos pretos e lisos que caíam até os ombros. Era difícil entender o que aquela gente queria. Leusipo perguntou o que eu tinha ido fazer na aldeia. Preferi achar que o tom era amistoso e, no meu paternalismo ingênuo, comecei a lhe explicar o que era um romance.
(...)
Não sorria, não demonstrava nenhum gesto ou expressão de simpatia. Tinha um olhar impassível e determinado. O motivo da sua visita era me encurralar. Repetia: “Os velhos estão preocupados”. E eu pensava comigo: “O idiota deve ter ouvido alguma coisa e resolveu tomar a iniciativa de me pedir satisfação”. As minhas explicações sobre o romance eram inúteis. Eu tentava dizer que, para os brancos
que não acreditam em deuses, a ficção servia de mitologia, era o equivalente dos mitos dos índios, e antes mesmo de terminar a frase, já não sabia se o idiota era ele ou eu. Ele não dizia nada a não ser: “O que você quer com o passado?”. Repetia. E, diante da sua insistência bovina, tive de me render à evidência de que eu não sabia responder à sua pergunta. Não conseguia fazê-lo entender o que era ficção (no fundo, ele não estava interessado), nem convencê-lo de que o meu interesse pelo passado não teria consequências reais, no final seria tudo inventado.
Bernardo Carvalho. Nove noites. São Paulo: Companhia das Letras, 2002 (com adaptações).
Tendo como referência o fragmento acima, do romance Nove noites, de Bernardo Carvalho, julgue os seguintes itens.
A discussão do estatuto da ficção em Nove noites reitera a metalinguagem como um dos recursos mais utilizados na literatura contemporânea, quando se busca investigar os sentidos da ficção no âmbito da narrativa ficcional.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Seu rosto lembrava o dos índios sul-americanos mal-encarados das aventuras do Tintim. O nariz adunco, a testa avançada sobre os olhos fundos, as faces encovadas entre os cabelos pretos e lisos que caíam até os ombros. Era difícil entender o que aquela gente queria. Leusipo perguntou o que eu tinha ido fazer na aldeia. Preferi achar que o tom era amistoso e, no meu paternalismo ingênuo, comecei a lhe explicar o que era um romance.
(...)
Não sorria, não demonstrava nenhum gesto ou expressão de simpatia. Tinha um olhar impassível e determinado. O motivo da sua visita era me encurralar. Repetia: “Os velhos estão preocupados”. E eu pensava comigo: “O idiota deve ter ouvido alguma coisa e resolveu tomar a iniciativa de me pedir satisfação”. As minhas explicações sobre o romance eram inúteis. Eu tentava dizer que, para os brancos
que não acreditam em deuses, a ficção servia de mitologia, era o equivalente dos mitos dos índios, e antes mesmo de terminar a frase, já não sabia se o idiota era ele ou eu. Ele não dizia nada a não ser: “O que você quer com o passado?”. Repetia. E, diante da sua insistência bovina, tive de me render à evidência de que eu não sabia responder à sua pergunta. Não conseguia fazê-lo entender o que era ficção (no fundo, ele não estava interessado), nem convencê-lo de que o meu interesse pelo passado não teria consequências reais, no final seria tudo inventado.
Bernardo Carvalho. Nove noites. São Paulo: Companhia das Letras, 2002 (com adaptações).
Tendo como referência o fragmento acima, do romance Nove noites, de Bernardo Carvalho, julgue os seguintes itens.
Por trazer como tema, entre outros, a questão indígena, o romance Nove noites dá prosseguimento à tradição de se transformar a figura do índio em símbolo da brasilidade, porém com estratégias discursivas distintas das utilizadas no passado.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Texto para os itens de 38 a 43 e 47 e 48
As meninas da gare
Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis
Com cabelos mui pretos pelas espáduas
E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas
Que de nós as muito bem olharmos
Não tínhamos nenhuma vergonha
Oswald de Andrade. Pau Brasil. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2008.
A respeito do poema As meninas da gare, de Oswald de Andrade, e de aspectos a ele relacionados, julgue os itens seguintes.
O Manifesto da Poesia Pau Brasil e o Manifesto Antropófago, marcos das ideias modernistas no Brasil, pregavam o uso rigoroso da linguagem, de modo que os autores utilizavam uma sintaxe elaborada e evitavam coloquialismos e expressões populares.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Texto para os itens de 38 a 43 e 47 e 48
As meninas da gare
Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis
Com cabelos mui pretos pelas espáduas
E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas
Que de nós as muito bem olharmos
Não tínhamos nenhuma vergonha
Oswald de Andrade. Pau Brasil. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2008.
A respeito do poema As meninas da gare, de Oswald de Andrade, e de aspectos a ele relacionados, julgue os itens seguintes.
Após as experimentações formais da primeira geração modernista, a segunda geração passou a enfatizar radicalmente as conquistas estéticas vanguardistas, distanciando-se de questões sociais prementes, como se observa no chamado romance de trinta.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Texto para os itens de 38 a 43 e 47 e 48
As meninas da gare
Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis
Com cabelos mui pretos pelas espáduas
E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas
Que de nós as muito bem olharmos
Não tínhamos nenhuma vergonha
Oswald de Andrade. Pau Brasil. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2008.
A respeito do poema As meninas da gare, de Oswald de Andrade, e de aspectos a ele relacionados, julgue os itens seguintes.
No poema As meninas da gare, Oswald de Andrade faz uma paródia da Carta de Caminha, relacionando, por meio do humor, o achamento do Brasil à realidade urbana brasileira, paulista em particular, do início do século XX.
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Orgão: UnB

Rodolpho Amoêdo. Marabá, 1882, óleo sobre tela, 151,5 cm × 200,5 cm, Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro.
Eu vivo sozinha, ninguém me procura!
Acaso feitura
Não sou de Tupá!
Se algum dentre os homens de mim não se esconde:
— “Tu és”, me responde,
“Tu és Marabá!”
— Meus olhos são garços, são cor das safiras,
— Têm luz das estrelas, têm meigo brilhar;
— Imitam as nuvens de um céu anilado,
— As cores imitam das vagas do mar!
Se algum dos guerreiros não foge a meus passos:
“Teus olhos são garços”,
Responde anojado, “mas és Marabá:
“Quero antes uns olhos bem pretos, luzentes,
“Uns olhos fulgentes,
“Bem pretos, retintos, não cor d’anajá!”
(...)
— Meus loiros cabelos em ondas se anelam,
— O oiro mais puro não tem seu fulgor;
— As brisas nos bosques de os ver se enamoram
— De os ver tão formosos como um beija-flor!
Mas eles respondem:
“Teus longos cabelos,
“São loiros, são belos,
“Mas são anelados; tu és Marabá:
“Quero antes cabelos bem lisos, corridos,
“Cabelos compridos,
“Não cor d’oiro fino, nem cor d’anajá,”
(...)
E as doces palavras que eu tinha cá dentro
A quem nas direi?
O ramo d’acácia na fronte de um homem
Jamais cingirei:
Jamais um guerreiro da minha arazoia
Me desprenderá:
Eu vivo sozinha, chorando mesquinha,
Que sou Marabá!
Gonçalves Dias. Poesia e prosa completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1998.
Tendo por referência o fragmento acima, do poema Marabá, de Gonçalves Dias, julgue os itens de 28 a 33.
Marabá é um típico poema indianista que conjuga elementos descritivos das culturas autóctones a um encaminhamento épico, sem a preponderância da lírica amorosa encontrada em outras composições de Dias.
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Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB

Rodolpho Amoêdo. Marabá, 1882, óleo sobre tela, 151,5 cm × 200,5 cm, Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro.
Eu vivo sozinha, ninguém me procura!
Acaso feitura
Não sou de Tupá!
Se algum dentre os homens de mim não se esconde:
— “Tu és”, me responde,
“Tu és Marabá!”
— Meus olhos são garços, são cor das safiras,
— Têm luz das estrelas, têm meigo brilhar;
— Imitam as nuvens de um céu anilado,
— As cores imitam das vagas do mar!
Se algum dos guerreiros não foge a meus passos:
“Teus olhos são garços”,
Responde anojado, “mas és Marabá:
“Quero antes uns olhos bem pretos, luzentes,
“Uns olhos fulgentes,
“Bem pretos, retintos, não cor d’anajá!”
(...)
— Meus loiros cabelos em ondas se anelam,
— O oiro mais puro não tem seu fulgor;
— As brisas nos bosques de os ver se enamoram
— De os ver tão formosos como um beija-flor!
Mas eles respondem:
“Teus longos cabelos,
“São loiros, são belos,
“Mas são anelados; tu és Marabá:
“Quero antes cabelos bem lisos, corridos,
“Cabelos compridos,
“Não cor d’oiro fino, nem cor d’anajá,”
(...)
E as doces palavras que eu tinha cá dentro
A quem nas direi?
O ramo d’acácia na fronte de um homem
Jamais cingirei:
Jamais um guerreiro da minha arazoia
Me desprenderá:
Eu vivo sozinha, chorando mesquinha,
Que sou Marabá!
Gonçalves Dias. Poesia e prosa completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1998.
Tendo por referência o fragmento acima, do poema Marabá, de Gonçalves Dias, julgue os itens de 28 a 33.
No Brasil do século XIX, especialmente no período regencial e no Segundo Reinado, a preocupação em se construir uma identidade nacional teve como símbolo expressivo, entre outros, a criação de instituições, como o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e o Colégio Pedro II.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB

Rodolpho Amoêdo. Marabá, 1882, óleo sobre tela, 151,5 cm × 200,5 cm, Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro.
Eu vivo sozinha, ninguém me procura!
Acaso feitura
Não sou de Tupá!
Se algum dentre os homens de mim não se esconde:
— “Tu és”, me responde,
“Tu és Marabá!”
— Meus olhos são garços, são cor das safiras,
— Têm luz das estrelas, têm meigo brilhar;
— Imitam as nuvens de um céu anilado,
— As cores imitam das vagas do mar!
Se algum dos guerreiros não foge a meus passos:
“Teus olhos são garços”,
Responde anojado, “mas és Marabá:
“Quero antes uns olhos bem pretos, luzentes,
“Uns olhos fulgentes,
“Bem pretos, retintos, não cor d’anajá!”
(...)
— Meus loiros cabelos em ondas se anelam,
— O oiro mais puro não tem seu fulgor;
— As brisas nos bosques de os ver se enamoram
— De os ver tão formosos como um beija-flor!
Mas eles respondem:
“Teus longos cabelos,
“São loiros, são belos,
“Mas são anelados; tu és Marabá:
“Quero antes cabelos bem lisos, corridos,
“Cabelos compridos,
“Não cor d’oiro fino, nem cor d’anajá,”
(...)
E as doces palavras que eu tinha cá dentro
A quem nas direi?
O ramo d’acácia na fronte de um homem
Jamais cingirei:
Jamais um guerreiro da minha arazoia
Me desprenderá:
Eu vivo sozinha, chorando mesquinha,
Que sou Marabá!
Gonçalves Dias. Poesia e prosa completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1998.
Tendo por referência o fragmento acima, do poema Marabá, de Gonçalves Dias, julgue os itens de 28 a 33.
No século XIX, logo após a independência política, as elites brasileiras pretendiam consagrar, no imaginário coletivo, heróis e narrativas fundadoras capazes de promover a unidade do país, projeto do qual o indianismo fez parte.
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Rodolpho Amoêdo. Marabá, 1882, óleo sobre tela, 151,5 cm × 200,5 cm, Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro.
Eu vivo sozinha, ninguém me procura!
Acaso feitura
Não sou de Tupá!
Se algum dentre os homens de mim não se esconde:
— “Tu és”, me responde,
“Tu és Marabá!”
— Meus olhos são garços, são cor das safiras,
— Têm luz das estrelas, têm meigo brilhar;
— Imitam as nuvens de um céu anilado,
— As cores imitam das vagas do mar!
Se algum dos guerreiros não foge a meus passos:
“Teus olhos são garços”,
Responde anojado, “mas és Marabá:
“Quero antes uns olhos bem pretos, luzentes,
“Uns olhos fulgentes,
“Bem pretos, retintos, não cor d’anajá!”
(...)
— Meus loiros cabelos em ondas se anelam,
— O oiro mais puro não tem seu fulgor;
— As brisas nos bosques de os ver se enamoram
— De os ver tão formosos como um beija-flor!
Mas eles respondem:
“Teus longos cabelos,
“São loiros, são belos,
“Mas são anelados; tu és Marabá:
“Quero antes cabelos bem lisos, corridos,
“Cabelos compridos,
“Não cor d’oiro fino, nem cor d’anajá,”
(...)
E as doces palavras que eu tinha cá dentro
A quem nas direi?
O ramo d’acácia na fronte de um homem
Jamais cingirei:
Jamais um guerreiro da minha arazoia
Me desprenderá:
Eu vivo sozinha, chorando mesquinha,
Que sou Marabá!
Gonçalves Dias. Poesia e prosa completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1998.
Tendo por referência o fragmento acima, do poema Marabá, de Gonçalves Dias, julgue os itens de 28 a 33.
O indianismo da obra poética de Gonçalves Dias e o da produção romanesca de José de Alencar têm em comum a pesquisa linguística e etnográfica dos povos nativos, de que resulta uma representação literária isenta de idealizações.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB

Rodolpho Amoêdo. Marabá, 1882, óleo sobre tela, 151,5 cm × 200,5 cm, Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro.
Eu vivo sozinha, ninguém me procura!
Acaso feitura
Não sou de Tupá!
Se algum dentre os homens de mim não se esconde:
— “Tu és”, me responde,
“Tu és Marabá!”
— Meus olhos são garços, são cor das safiras,
— Têm luz das estrelas, têm meigo brilhar;
— Imitam as nuvens de um céu anilado,
— As cores imitam das vagas do mar!
Se algum dos guerreiros não foge a meus passos:
“Teus olhos são garços”,
Responde anojado, “mas és Marabá:
“Quero antes uns olhos bem pretos, luzentes,
“Uns olhos fulgentes,
“Bem pretos, retintos, não cor d’anajá!”
(...)
— Meus loiros cabelos em ondas se anelam,
— O oiro mais puro não tem seu fulgor;
— As brisas nos bosques de os ver se enamoram
— De os ver tão formosos como um beija-flor!
Mas eles respondem:
“Teus longos cabelos,
“São loiros, são belos,
“Mas são anelados; tu és Marabá:
“Quero antes cabelos bem lisos, corridos,
“Cabelos compridos,
“Não cor d’oiro fino, nem cor d’anajá,”
(...)
E as doces palavras que eu tinha cá dentro
A quem nas direi?
O ramo d’acácia na fronte de um homem
Jamais cingirei:
Jamais um guerreiro da minha arazoia
Me desprenderá:
Eu vivo sozinha, chorando mesquinha,
Que sou Marabá!
Gonçalves Dias. Poesia e prosa completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1998.
Tendo por referência o fragmento acima, do poema Marabá, de Gonçalves Dias, julgue os itens de 28 a 33.
Na primeira fase do Romantismo brasileiro, a figura do índio é apropriada como índice de nativismo e símbolo da afirmação nacional após a independência política, em 1822.
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