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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: MS CONCURSOS
Orgão: Pref. Jaú-SP
Romance narrado por Luís da Silva, um funcionário público e escritor fracassado; caracterizado pela autoanálise e pelo encadeamento narrativo, centrado na interioridade do protagonista.
Luís volta-se ao passado buscando reestabelecer o desarranjo interior causado pelo rompimento de seu noivado com Marina, agora comprometida com Julião Tavares. Entretanto a insatisfação permanente com o presente tem do passado apenas conclusões amargas a respeito de si mesmo, dos outros personagens e do mundo em geral.
Surgem na narrativa lembranças de uma infância de afetos distantes, de frustrações sexuais e profissionais, delineando uma completa falta de horizonte e um desencanto perpétuo do personagem com relação a si mesmo e ao estado de coisas. Apaixonar-se por sua vizinha, Marina, o que lhe traz lampejos de satisfação. Marcam casamento, contudo, seus planos são frustrados ao descobrir que Marina estava traindo-o com Julião Tavares, sujeito rico, eufórico, eloquente, com aspirações literárias e constante ar de superioridade. O ciúme passa, então, a tomar posse de Luís, que, enganado e humilhado, mergulha em si mesmo e no transtorno da derrota.
Estando numa condição financeira miserável, sem condições de pagar as próprias contas, revivendo seus fantasmas do passado, Luís é incapaz de afastar Marina e Julião Tavares do pensamento. Segue a moça, vigia o rival, até descobrir que Julião estava envolvido com uma outra mulher.
A obsessão com as lembranças e a fragmentação subjetiva angustiante de Luís levam-no a planejar o assassinato de Julião Tavares. Até que, em uma de suas perseguições, Luís encontra a oportunidade perfeita e estrangula Julião. Tomado de euforia e de súbita felicidade, sentiu-se repentinamente forte, não mais insignificante — naquele momento, seus sofrimentos terminam.
No entanto, esse lapso de alegria e reconciliação consigo dura muito pouco: rapidamente a angústia volta a instalar-se em Luís, tomado pelo desespero de ser descoberto. Ele volta para casa, completamente perturbado, toma uma garrafa de cachaça e adormece. Não comparece ao trabalho no dia seguinte. Livra-se dos vestígios que o ligariam à cena do crime e deita-se, adoentado e transtornado mais uma vez pelas lembranças, sufocado pela angústia.
Tal resumo refere-se à obra:
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: MS CONCURSOS
Orgão: Pref. Jaú-SP
Sobre características das escolas literárias, relacione a Coluna I com a Coluna II e marque a alternativa correta.
COLUNA I.
A- Quinhentismo.
B- Barroco.
C- Arcadismo.
D- Romantismo.
E- Realismo.
COLUNA II.
1- O dualismo, o bifrontismo, o fusionismo, o feísmo, religiosidade mesclada com a sensualidade.
2- Imposição do “eu”, subjetivismo, individualismo, predomínio da emoção, da imaginação, escapismo, religiosidade, ilogismo, idealização, nacionalismo.
3- Objetivismo, impassibilidade, observação e análise, temas contemporâneos, preocupação formal.
4- Simplicidade, clareza, equilíbrio, pastoralismo, bucolismo, poesia descritiva e objetiva.
5- Textos informativos, textos propagandísticos, textos catequéticos, textos de viajantes estrangeiros.
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Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 6.
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Escravidão e o mito da benevolência
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01--Certa vez um etnologista disse que "o caminho do progresso é cheio de aventuras, rupturas e escândalos".
02--Devemos, assim, começar examinando o maior de todos os escândalos, aquele que ultrapassou qualquer
03--outro na história da humanidade: a escravização dos povos negro-africanos.
04--No Brasil, é a escravidão que define a qualidade, a extensão e a intensidade da relação física e espiritual
05--dos filhos de três continentes que aqui se encontraram, confrontando um ao outro no esforço épico de
06--edificar um novo país, com suas características próprias, tanto na composição étnica do seu povo quanto
07--na especificidade do seu espírito.
08--A chamada "descoberta" do Brasil pelos portugueses, em 1500, nos assinala o ponto de partida. A
09--exploração da nova terra se iniciou com o aparecimento da raça negra fertilizando o solo brasileiro com
10--suas lágrimas, seu sangue, seu suor e seu martírio na escravidão. Por volta de 1530, os africanos, trazidos
11--sob correntes, já aparecem exercendo seu papel de "força de trabalho". Em 1535, o comércio escravo para
12--o Brasil estava regularmente constituído e organizado e, rapidamente, aumentaria em proporções
13--enormes. Como primeira atividade significativa da colônia portuguesa, as plantações de cana-de-açúcar se
14--espalhavam pelas costas do nordeste, especialmente nos estados da Bahia e Pernambuco. Só a Bahia, lá
15--por 1587, tinha cerca de 47 engenhos de cana-de-açúcar, fato que bem ilustra a velocidade expansionista
16--da indústria açucareira desenvolvida com o uso da força muscular africana. Uma canção de trabalho
17--incluída no artigo de Zora Seljan, “A poesia negra popular no Brasil”, nos fornece o sentido do ritmo dos
18--engenhos de açúcar:
19----------Solo: Engenho novo está p'ra moer!
20----------Côro: Trabalhar até morrer!
21----------Ô trabalhar, ô trabalhar, olé! Trabalhar até morrer!
-------[...]
22--O papel do negro escravizado foi decisivo para o começo da história econômica de um país fundado, como
23--era o caso do Brasil, sob o signo do parasitismo imperialista. Sem o escravo, a estrutura econômica do
24--país jamais teria existido. O africano escravizado construiu as fundações da nova sociedade com a flexão e
25--a quebra da sua espinha dorsal, quando ao mesmo tempo seu trabalho significava a própria espinha dorsal
26--daquela colônia. Ele plantou, alimentou e colheu a riqueza material do país para o desfrute exclusivo da
27--aristocracia branca. Tanto nas plantações de cana-de-açúcar e café e na mineração, quanto nas cidades, o
28--africano incorporava as mãos e os pés das classes dirigentes que não se “autodegradavam” em ocupações
29--vis como aquelas do trabalho braçal. A nobilitante ocupação das classes dirigentes - os latifundiários, os
30--comerciantes, os sacerdotes católicos - consistia no exercício da indolência, no cultivo da ignorância, do
31--preconceito, e na prática da mais licenciosa luxúria.
32--Durante séculos, por mais incrível que pareça, esse duro e ignóbil sistema escravocrata desfrutou a fama,
33--sobretudo no estrangeiro, de ser uma instituição benigna, de caráter humano. Isso graças ao colonialismo
34--português que permanentemente adotou formas de comportamento muito específicas para disfarçar sua
35--fundamental violência e crueldade. A mentira e a dissimulação foram recursos utilizados nesse sentido. A
36--consciência do mundo guarda bem viva a lembrança do colonialista Portugal encobrindo sua natureza
37--racista e espoliadora através de estratagemas como: a) designação de "Províncias de Ultramar" para
38--Angola, Moçambique e Guiné-Bissau; b) as leis do chamado indigenato, proscrevendo, entre outras
39--indignidades, a assimilação das populações africanas à cultura e identidade portuguesas. Essa rabulice
40--colonizadora pretendia imprimir o selo de legalidade, benevolência e generosidade civilizadora à sua
41--atuação no território africano. Porém, todas essas e outras dissimulações oficiais não conseguiram encobrir
42--a realidade, que consistia no saque de terras e povos e na repressão e negação de suas culturas - ambos
43--sustentados e realizados, não pelo artifício jurídico, mas sim pela força militar imperialista.
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NASCIMENTO, Abdias do. O genocídio do negro brasileiro: processo de um racismo mascarado. 3. ed. São Paulo: Perspectivas,
2016. p. 57-60. (Adaptado).
O trecho “o aparecimento da raça negra fertilizando o solo brasileiro com suas lágrimas, seu sangue, seu suor e seu martírio na escravidão” (linhas 9-10) é construído a partir do seguinte recurso estilístico:
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− Sabe que quantas naus esta viagem
Que tu fazes, fizerem de atrevidas,
Inimiga terão esta paragem
Com ventos e tormentas desmedidas.
E da primeira armada que passagem
Fizer por estas ondas insofridas,
Eu farei d’improviso tal castigo,
Que seja mor o dano que o perigo.
(CAMÕES, Luís Vaz de. Os Lusíadas. Canto V, estrofe 43)
Nesse momento da narrativa, em que os navegantes se dirigiam ao Cabo das Tormentas, Vasco da Gama depara com as ameaças proferidas
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Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.
Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
− “Meu pai foi à guerra!”
− “Não foi!” − “Foi!” − “Não foi!”.
O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: − “Meu cancioneiro
É bem martelado.
Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.
[...]
Vai por cinquenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A fôrmas a forma.
Clame a saparia
Em críticas céticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas...
Urra o sapo-boi:
− “Meu pai foi rei!”− “Foi!”
− “Não foi!” − “Foi!” − “Não foi!”.
Brada em um assomo
O sapo-tanoeiro:
− A grande arte é como
Lavor de joalheiro.
[...]
Longe dessa grita,
Lá onde mais densa
A noite infinita
Veste a sombra imensa;
Lá, fugido ao mundo,
Sem glória, sem fé,
No perau profundo
E solitário, é
Que soluças tu,
Transido de frio,
Sapo-cururu
Da beira do rio...
(BANDEIRA, Manuel. In: Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993, 20.ed.)
O sapo-tanoeiro afirma: “E nunca rimo / Os termos cognatos."
No poema, são exemplos de “termos cognatos”:
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Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.
Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
− “Meu pai foi à guerra!”
− “Não foi!” − “Foi!” − “Não foi!”.
O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: − “Meu cancioneiro
É bem martelado.
Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.
[...]
Vai por cinquenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A fôrmas a forma.
Clame a saparia
Em críticas céticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas...
Urra o sapo-boi:
− “Meu pai foi rei!”− “Foi!”
− “Não foi!” − “Foi!” − “Não foi!”.
Brada em um assomo
O sapo-tanoeiro:
− A grande arte é como
Lavor de joalheiro.
[...]
Longe dessa grita,
Lá onde mais densa
A noite infinita
Veste a sombra imensa;
Lá, fugido ao mundo,
Sem glória, sem fé,
No perau profundo
E solitário, é
Que soluças tu,
Transido de frio,
Sapo-cururu
Da beira do rio...
(BANDEIRA, Manuel. In: Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993, 20.ed.)
No poema,
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Quem seguir passo a passo o Romanceiro verá que nele convergem as notícias do ouro, que faz a opulência de poucos, e a fala dos oprimidos, do negro nas catas, dos povos vexados pelos tributos abusivos.
(BOSI, Alfredo. Céu, inferno. São Paulo: Duas Cidades/Editora 34, 1988, p. 143)
No Romanceiro da Inconfidência, um trecho em que sobressai a fala do oprimido está em:
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Dizem os antigos que a lebre e o camaleão resolveram ir pelos caminhos das caravanas levando borracha para permutar pelos belos tecidos vindos de Oriente e Ocidente. Muitas vezes a acelerada lebre ultrapassou e cruzou o lento camaleão nos longos caminhos do mato, levando produtos e trazendo panos, gritando-lhe enquanto desaparecia: – Cá vou eu! Ao desafio respondia o camaleão: – Chegarei a meu tempo. Finalmente, a lebre, assim como adquiriu bonitos panos, também os perdeu, nos percalços da desordenada pressa, e anda para aí vestida dum cinzento escuro e sem cor. O lento e pautado camaleão juntou farta fazenda, e tanta e tão diferente, que ainda hoje muda, a todo o instante, panos de variado colorido.
(Tavares, Ana Paula. “A Lebre e o Camaleão”. In: Um rio preso nas mãos. São Paulo: Kapulana, 2019, edição digital)
Extrai-se do conto um preceito moral semelhante ao do provérbio:
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No século XVIII, surge um movimento literário que toma como modelo a época clássica e em que o poeta comumente adotava um nome fictício de pastor de ovelhas. Estabelecia-se também um espaço lírico, uma vida campesina e toda uma subjetividade própria a esse pastor ficcional. Surge, a partir daí, o bucolismo.
(Adaptado de: REBELLO, Ivone da Silva. Disponível em: www.ippucsp.org.br)
No trecho, apresentam-se características do movimento literário conhecido como
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− Bem, irás entendendo aos poucos a minha filosofia; no dia em que a houveres penetrado inteiramente, ah! nesse dia terás o maior prazer da vida, porque não há vinho que embriague como a verdade. Crê-me, o Humanitismo é o remate das coisas; e eu, que o formulei, sou o maior homem do mundo. Olha, vês como o meu bom Quincas Borba está olhando para mim? Não é ele, é Humanitas...
− Mas que Humanitas é esse?
− Humanitas é o princípio. Há nas coisas todas certa substância recôndita e idêntica, um princípio único, universal, eterno, comum, indivisível e indestrutível, − ou, para usar a linguagem do grande Camões:
Uma verdade que nas coisas anda,
Que mora no visíbil e invisíbil.
Pois essa substância ou verdade, esse princípio indestrutível é que é Humanitas. Assim lhe chamo, porque resume o universo, e o universo é o homem. Vais entendendo?
− Pouco; mas, ainda assim, como é que a morte de sua avó...
− Não há morte. O encontro de duas expansões, ou a expansão de duas formas, pode determinar a supressão de uma delas; mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma é a condição da sobrevivência da outra, e a destruição não atinge o princípio universal e comum. Daí o caráter conservador e benéfico da guerra. Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos os demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas.
(DE ASSIS, Machado. Quincas Borba. Edição digital)
O narrador do romance Quincas Borba pode ser classificado como onisciente, em terceira pessoa. Outra obra de Machado de Assis que apresenta esse mesmo tipo de narrador é:
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