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Rosa, em seus textos, exibe uma pluralidade de notações linguísticas, discursivas, culturais e sociais, deixando antever, mais do que uma adesão ou um credo, um projeto humanístico voltado para a universalidade do regional, do primitivo e do cultural, para a dissolução de individualidades; enfim, para o reconhecimento das ambiguidades como fonte de um poder e supremacia identitárias.
CUNHA, Betina Ribeiro Rodrigues da. Morte-vida: permanências impermanentes em Guimarães Rosa. In: Revista Brasileira de Literatura Comparada, n. 38, 2019. Disponível em: <https://revista.abralic.org.br/ index.php/revista/article/view/550/745>. Acesso em: 28 set. 2022.
No que tange à literatura de João Guimarães Rosa, assinale a alternativa correta.
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Fui para o xadrez convenientemente escoltado. Pelo caminho, tudo aquilo me pareceu um pesadelo. Custava-me a crer que, no intervalo de horas, eu pudesse ter os entusiasmos patrióticos do almoço e fosse detido como um reles vagabundo num xadrez degradante. Entrei aos empurrões; desnecessários aliás, porque não opus a menor resistência. As lágrimas correram-me e eu pensei comigo: A pátria!
BARRETO, Lima. Recordações do escrivão Isaías Caminha. São Paulo: Ática, 1995.
Com base no texto apresentado, assinale a alternativa correta.
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Ao criticar o regionalismo, mas assumir a região como uma “preposição concreta”, como uma conscrição histórica, e fazer dela um referente fixo para seu discurso, de onde retira sua própria legitimação, esta História está presa à dizibilidade regionalista e à rede de poderes que sustenta a ideia de região como referencial válido para instituir um saber, um discurso histórico. A “História Regional” vem contribuir, sim, para colocar a ideia de região em outro patamar, legitimá-la, atribuir-lhe uma veracidade, dando a ela uma História, tentando lhe dar, inclusive, uma base material. Em vez de questionar a própria ideia de região e de teia de poder que a institui, ela questiona apenas determinadas elaborações da região, pretendendo encontrar a verdadeira
ALBUQUERQUE JÚNIOR, Durval Muniz de. Invenção do Nordeste e outras artes. São Paulo: Cortez, 2011, p. 39.
Conforme o texto, o regionalismo é uma estratégia discursiva histórica. Quanto ao regionalismo de 1930, assinale a alternativa correta.
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O leitor brasileiro da segunda metade do século 20 e início do século 21 está mais preocupado com aquilo que o toca de forma mais direta, qual seja, seus problemas e angústias existenciais, do que com a fruição de um objeto estético. [...] A preocupação com o componente estético da leitura só será de interesse para um público específico que se preocupa com essa questão. Nesse sentido, é um público extremamente reduzido, um grupo fechado que corresponde ao da academia ou ao que poderia genericamente chamar de intelectuais. [...] A crescente venda de literatura de autoajuda, além de seu caráter de mercadoria, é um reflexo do mecanismo semiótico nele envolvido. O sujeito é movido por um querer e busca no objeto que consome o contato com um saber capaz de dar uma resposta que satisfaça o seu desejo.
CORTINA, Arnaldo. Perfil do leitor brasileiro contemporâneo: os livros mais vendidos no Brasil de 1966 a 2010. Campinas: Mercado das Letras, 2014, com adaptações.
Assinale a alternativa que indica a ideia central do texto.
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A história de Canudos é uma metonímia para a história do Brasil. Publicado em 1902, Os Sertões, de Euclides da Cunha, foi uma das principais obras de literatura brasileira a abordar a Guerra de Canudos. Acerca de Os Sertões, assinale a alternativa correta.
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O gênero literário é uma categoria de composição literária. As arquiformas literárias não correspondem necessariamente à realidade multiforme da literatura, e os textos não precisam se encaixar nas categorias que funcionam como uma forma didática, histórica e estética de entender a literatura.
Com base nisso, assinale o trecho que apresenta uma narrativa com características líricas.
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A ESCRAVIDÃO levou consigo ofícios e aparelhos, como terá sucedido a outras instituições sociais. Não cito alguns aparelhos senão por se ligarem a certo ofício. Um deles era o ferro ao pescoço, outro o ferro ao pé; havia também a máscara de folha-de-flandres. A máscara fazia perder o vício da embriaguez aos escravos, por lhes tapar a boca. Tinha só três buracos, dous para ver, um para respirar, e era fechada atrás da cabeça por um cadeado. [...] Era grotesca tal máscara, mas a ordem social e humana nem sempre se alcança sem o grotesco, e alguma vez o cruel. Os funileiros as tinham penduradas, à venda, na porta das lojas. Mas não cuidemos de máscaras.
O ferro ao pescoço era aplicado aos escravos fujões. Imaginai uma coleira grossa, com a haste grossa também à direita ou à esquerda, até ao alto da cabeça e fechada atrás com chave. Pesava, naturalmente, mas era menos castigo que sinal. Escravo que fugia assim, onde quer que andasse, mostrava um reincidente, e com pouco era pegado.
[...]
Ora, pegar escravos fugidios era um ofício do tempo. Não seria nobre, mas por ser instrumento da força com que se mantêm a lei e a propriedade, trazia esta outra nobreza implícita das ações reivindicadoras. Ninguém se metia em tal ofício por desfastio ou estudo; a pobreza, a necessidade de uma achega, a inaptidão para outros trabalhos, o acaso, e alguma vez o gosto de servir também, ainda que por outra via, davam o impulso ao homem que se sentia bastante rijo para pôr ordem à desordem.
ASSIS, Machado de. Pai contra a mãe. In: JOHN, Gledson (org.). 50 contos de Machado de Assis. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 466.
A principal característica da obra machadiana presente no fragmento é a (o)
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A ESCRAVIDÃO levou consigo ofícios e aparelhos, como terá sucedido a outras instituições sociais. Não cito alguns aparelhos senão por se ligarem a certo ofício. Um deles era o ferro ao pescoço, outro o ferro ao pé; havia também a máscara de folha-de-flandres. A máscara fazia perder o vício da embriaguez aos escravos, por lhes tapar a boca. Tinha só três buracos, dous para ver, um para respirar, e era fechada atrás da cabeça por um cadeado. [...] Era grotesca tal máscara, mas a ordem social e humana nem sempre se alcança sem o grotesco, e alguma vez o cruel. Os funileiros as tinham penduradas, à venda, na porta das lojas. Mas não cuidemos de máscaras.
O ferro ao pescoço era aplicado aos escravos fujões. Imaginai uma coleira grossa, com a haste grossa também à direita ou à esquerda, até ao alto da cabeça e fechada atrás com chave. Pesava, naturalmente, mas era menos castigo que sinal. Escravo que fugia assim, onde quer que andasse, mostrava um reincidente, e com pouco era pegado.
[...]
Ora, pegar escravos fugidios era um ofício do tempo. Não seria nobre, mas por ser instrumento da força com que se mantêm a lei e a propriedade, trazia esta outra nobreza implícita das ações reivindicadoras. Ninguém se metia em tal ofício por desfastio ou estudo; a pobreza, a necessidade de uma achega, a inaptidão para outros trabalhos, o acaso, e alguma vez o gosto de servir também, ainda que por outra via, davam o impulso ao homem que se sentia bastante rijo para pôr ordem à desordem.
ASSIS, Machado de. Pai contra a mãe. In: JOHN, Gledson (org.). 50 contos de Machado de Assis. São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 466.
No que se refere ao texto apresentado, assinale a alternativa correta.
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Na configuração romântica da origem, o encontro entre o índio e europeu é deslocado da circunstância religiosa (e de ritual que, também por ironia, reencena o sacrifício e a morte em nome de um devir mais pleno), para ser representado no plano mais produtivo da conjunção familiar, legitimada pelo afeto. Na reapresentação corrigida da origem, entretanto, são os mesmos os elementos de cena: a atividade do colonizador, a receptividade do índio e um projeto de Estado que, para se efetivar, necessita da interação, mesmo que apenas do simbólico instituído, das duas partes em confronto. Ao dar uma outra forma à cena primária do consórcio entre europeu e índio, a produção romântica corrige a representação inicial da legitimidade da origem e do devir que aí se instaura, altera regras de composição e elementos de cena, sem ferir o imaginário que a produziu. As novas representações da origem estão marcadas pelo sentido mais puro de corrigir, que não suporta rupturas ou alterações de fundo. Pressupõe sempre tornar algo mais perfeito, mais adequado, fazendo-o corresponder a um ideal ou a uma necessidade
CUNHA, Eneida Leal. Estampas do imaginário: literatura, história e identidade cultural. Belo Horizonte: UFMG, 2006, p. 124.
De acordo com o fragmento e as concepções relativas ao Romantismo no Brasil, assinale a afirmativa correta.
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A história literária “oficial” nos tem apresentado uma listagem de nomes alinhados em sequência cronológica, como se essa fosse a única lógica. A própria concepção romântica da história, como embate de antagonismo, foi assimilada e normalizada pelo racionalismo positivista sob a forma de sucessão mecânica, linha oscilante, mas contínua. Conforme os manuais literários que ainda reinam nas instituições de ensino, os “movimentos” ou “escolas” ter-se-iam sucedido uns aos outros. Segundo um balando regular e compreensível: oposições e sínteses.
PERRONE-MOISES, Leyla. Altas Literaturas. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p. 28, com adaptações.
Acerca da história literária brasileira, assinale a alternativa correta.
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