Foram encontradas 25 questões.
Leia as afirmativas abaixo referentes às ciências sociais e naturais na Educação Infantil, a partir de uma concepção construtivista:
I. As ciências sociais ou as ciências da natureza não proporcionam somente uma enorme quantidade de conhecimentos essenciais para entender o mundo, mas são, antes de mais nada, um exemplo do trabalho do cientista, evidenciam uma maneira de enfrentar o ambiente e de organizar o mundo.
II. O objetivo do ensino das noções sociais é o de fazer com que as crianças sejam capazes de entender o mundo onde vivem, o papel do ser humano na natureza, a função das instituições sociais e a evolução das sociedades humanas. Portanto, se quisermos contribuir para a existência de indivíduos livres, autônomos e críticos, é muito importante fazer com que as crianças entendam a sociedade em que vivem nos seus diferentes aspectos e o seu próprio papel dentro dela.
III. O mundo onde as crianças vivem se constitui em um conjunto de fenômenos naturais e sociais indissociáveis. Desde muito pequenas, pela interação com o meio natural e social no qual vivem, as crianças aprendem sobre o mundo, fazendo perguntas e procurando respostas às suas indagações e questões.
IV. Os conceitos das ciências sociais são abstratos, além de pouco precisos. São extremamente difíceis de manipular e não têm a tradição e o grau de precisão adquirido pelos conceitos das ciências da natureza. Já os conceitos das ciências da natureza geralmente são claros, precisos e, em muitos casos, simples.
Estão CORRETAS as afirmativas:
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Muitos desafios são lançados aos professores no momento do desenvolvimento das atividades de ciências naturais e sociais, dentre eles, a necessidade de possibilitar à criança o prazer da descoberta, a necessidade de fazer previsões, de promover o raciocínio e de estimular o pensamento criativo. Com base na perspectiva epistemológica construtivista, marque a afirmativa INCORRETA:
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Com relação aos estágios (ou estádios) de desenvolvimento, de acordo com a Teoria Piagetiana, assinale V para as sentenças VERDADEIRAS e F para as FALSAS.
( ) Os estágios do desenvolvimento são uma maneira de explicar a organização mental e as idades cronológicas são norteadoras referindo-se às idades mais prováveis em que a criança apresenta os comportamentos descritos em cada estágio.
( ) A ordem de sucessão dos estágios é constante, embora a criança possa omitir ou pular qualquer um dos estágios dependendo dos estímulos do meio.
( ) O conceito de ‘estágio’ explica a forma de organização intelectual e pode ser compreendido como uma escada em que cada vez que o sujeito atinge um degrau superior, ou seja, uma estrutura mais complexa, deixa a estrutura menos complexa para trás evoluindo em seu pensamento.
( ) O estágio sensório-motor caracteriza-se pela falta da função simbólica e por isso não se pode considerar que haja inteligência propriamente dita
( ) O estágio pré-operatório tem início com as primeiras simbolizações rudimentares que aparecem no final do período sensório-motor, ou seja, há representação e por isso o pensamento não está mais preso aos eventos perceptivos e motores.
( ) O pensamento pré-operatório praticamente não pode ser considerado um pensamento ‘bom’ pelas características que ele apresenta e que impedem que esse seja um pensamento lógico.
( ) No período operatório concreto, os processos mentais da criança tornam-se lógicos, ou seja, a criança tem em seu controle um sistema cognitivo coerente e integrado com o qual organiza e age no mundo.
( ) As operações formais constituem o ápice do desenvolvimento intelectual; o estado final de equilíbrio para o qual a evolução intelectual vinha-se dirigindo desde o nascimento e, após este estágio, não há mais mudança qualitativa nas estruturas e sim mudanças quantitativas.
A sequência CORRETA é:
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A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, promulgada em 1996, em um de seus artigos diz que o profissional que irá atuar na docência da educação infantil deve ser professor habilitado:
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Com base na Teoria Piagetiana, relacione os conceitos da primeira coluna de acordo com as definições apresentadas na segunda coluna:
| 1. Adaptação 2. Assimilação 3. Acomodação 4. Organização 5. Esquema 6. Estrutura 7. Invariantes Funcionais 8. Estágio | ( ) É a unidade estrutural básica de pensamento e ação. É usado para processar e identificar a entrada de estímulos. É construído pelo sujeito individualmente pelos processos de assimilação e acomodação. Refere-se aos comportamentos possíveis à cada estrutura. ( ) É um dos componentes do desenvolvimento cognitivo. São maneiras de organização do pensamento. São sistemas de esquemas que se relacionam e se conservam buscando o equilíbrio. É o ‘órgão’ que o indivíduo possui para se relacionar com o ambiente. As mudanças consistem no desenvolvimento intelectual. ( ) É um meio para compreender o processo de desenvolvimento do ser humano. São formas de interagir com o ambiente que têm características semelhantes. Traduzem diferentes formas de organização mental e de diferentes estruturas cognitivas. É um instrumento metodológico, de classificação, que descreve o desenvolvimento do pensamento ao longo de um continuum. ( ) É a tendência e habilidade de todas as espécies de sistematizar seus processos em sistemas coerentes. Se não fosse essa característica, a cada desequilíbrio o sistema acabaria. ( ) É a essência do funcionamento biológico e do funcionamento intelectual. Todos os organismos vivos possuem e ocorre por meio de dois processos básicos. ( ) É um processo cognitivo em que o sujeito integra um novo dado aos esquemas já existentes de modo a incorporá-lo à estrutura existente do sistema e que explica o crescimento dos esquemas. ( ) É a variação de um esquema, a criação de novos esquemas ou a modificação de velhos esquemas, e que explicam o desenvolvimento dos esquemas. ( ) É um dos conceitos mais fundamentais da teoria que explica o modo de funcionamento intelectual e que constitui nossa herança biológica geral e permanece constante durante toda vida. |
A sequência CORRETA é:
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SOMOS NÓS MESMOS
[...]
Nosso hábito, como qualquer debatedor ou expositor corrobora, dos botecos às academias, é falar em nós mesmos como se nos estivéssemos referindo a terceiros. [...] Não só falamos sobre o Brasil como uma entidade à parte da gente como, principalmente, os brasileiros não somos nós, são sempre os outros. O brasileiro não tem jeito — dizemos —, o brasileiro é assim ou assado. Se o brasileiro perdesse tal ou qual hábito, se o brasileiro fizesse isto ou aquilo, a situação melhoraria bastante, é que o brasileiro não se emenda.
Em tempos talvez piores, mas certamente mais simples, era ainda mais fácil, porque minha geração foi criada com uma facilidade muito grande para botar a culpa nos outros. Ou a culpa era dos americanos ou era dos comunistas. Estes últimos, aliás, com a queda da União Soviética, têm feito uma falta enorme, pois nem a pornografia infantil ou as secas no Nordeste podem mais ser-lhe imputadas. Quanto aos americanos, continuam e continuarão aprontando, mas já está ficando meio ridículo e, talvez até entre esquerdistas, pode sair vaia se alguém começar com aquela cantilena de antanho, sobre como tudo é armação do imperialismo americano.
Com as comemorações do Descobrimento, a culpa tem andado bastante nas costas dos portugueses. Se não fossem os portugueses, o Brasil ostentaria a mesma prosperidade, como já tive a oportunidade de lembrar aqui, que países colonizados pelos holandeses, ingleses ou franceses, tais como a Indonésia, a Nigéria, o Zimbábue, o Suriname, a Costa do Marfim, o Sudão, a Índia, a Guiana, e assim por diante. A mestiçagem deslavada também é responsável por esta situação calamitosa. Os brasileiros são uma mistura impraticável de negros, brancos e orientais de todas as origens e isto, naturalmente, não pode dar certo. E, assim, vítima de destino tão ingrato, o Brasil, como ouvimos desde criancinhas, está à beira do abismo e, impotentes, assistimos a tudo de braços inapelavelmente cruzados, nada podemos fazer.
Sei que é chato lembrar e que algum de vocês talvez tenha de recorrer a um terapeuta, pois a realidade é frequentemente insuportável e inaceitável, mas a realidade é que este país, não obstante os esforços em contrário feitos ao longo da História, inclusive a recente, tem sido nosso há algum tempo, tem estado em nossas mãos e, lamentavelmente, é responsabilidade nossa. E, horror dos horrores, os brasileiros somos nós mesmos e não terceiros, a quem possamos aludir com ares de superioridade. Tudo o que está aí, em última análise, é obra nossa e problema nosso, da sujeira nas ruas à violência.
Os políticos, por exemplo, como também já disse diversas vezes aqui, não foram importados de Marte, ou sequer do Haiti, foram produzidos no Brasil mesmo. Contenha o protesto revoltado que se levanta em seu peito varonil (ou feminil; perdão, companheira), ponha a mão na consciência e reconheça: os políticos somos nós, brasileiros como nós, não são “eles”. Quem está no Executivo, no Legislativo e no Judiciário não são os imperialistas americanos e muito menos os dependentes do ouro de Moscou, somos nós mesmos. Éramos nós mesmos até no tempo da ditadura militar, pois, apesar de um militar ou outro se considerar alemão, a verdade é que também eles nasceram aqui e se formaram aqui, são militares brasileiros.
O povo e a elite, entidades a que nunca pertencemos (raramente se usa hoje a expressão “Zé Povinho”, mas se usam equivalentes contemporâneos, como “o povão”), são também a gente, não são “eles”, os alienígenas solertes com que o destino ingrato aquinhoou “esse país”. Da mesma maneira, quem bagunça o tráfego com bandalhas somos nós, quem joga lixo na rua somos nós, quem trata mal os que procuram os serviços públicos somos nós, quem é corrompido somos nós, quem suborna o guarda (e o próprio guarda também, é claro) somos nós, quem destrói o patrimônio público somos nós, quem entope os rios, costas e lagoas de lixo e esgotos somos nós, quem sonega impostos somos nós e até quem assalta somos nós. Talvez alguém ofereça uma tese segundo a qual o Brasil, como se fala da polícia carioca, tenha uma banda podre. A esta, naturalmente, nenhum de nós pertence.
Claro, nenhum de nós se inclui nesse rol abominável. Tudo bem. Nenhum dos leitores deste jornal, muito menos os desta coluna, notadamente o seu autor, jamais praticou ou compactuou com qualquer ato que reprova tão acerbamente todos os dias. É coisa de brasileiro, o brasileiro é assim mesmo. Como seria bom que o brasileiro mudasse, não é mesmo? Mas não muda, é um inferno. Chato, muito chato mesmo, pensar no assunto e chegar à conclusão de que ou estamos malucos ou querendo ficar, pois os responsáveis não são alguma babá, somos de fato nós mesmos. Poderíamos começar a melhorar a situação do país se metêssemos na cabeça, de uma vez por todas, que os brasileiros não são “eles”, somos nós. E fomos nós que construímos tudo isto que está aí, somos nós que mantemos tudo isto e nada disto vai mudar, a não ser que assumamos a dolorosa verdade que nós somos nós.
(RIBEIRO, João Ubaldo. O Globo, 21 maio 2000, c. 1, p. 6. Adaptado para o sistema ortográfico vigente.)
Das alterações processadas em passagens do texto, assinale aquela em que há ERRO de concordância verbal:
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SOMOS NÓS MESMOS
[...]
Nosso hábito, como qualquer debatedor ou expositor corrobora, dos botecos às academias, é falar em nós mesmos como se nos estivéssemos referindo a terceiros. [...] Não só falamos sobre o Brasil como uma entidade à parte da gente como, principalmente, os brasileiros não somos nós, são sempre os outros. O brasileiro não tem jeito — dizemos —, o brasileiro é assim ou assado. Se o brasileiro perdesse tal ou qual hábito, se o brasileiro fizesse isto ou aquilo, a situação melhoraria bastante, é que o brasileiro não se emenda.
Em tempos talvez piores, mas certamente mais simples, era ainda mais fácil, porque minha geração foi criada com uma facilidade muito grande para botar a culpa nos outros. Ou a culpa era dos americanos ou era dos comunistas. Estes últimos, aliás, com a queda da União Soviética, têm feito uma falta enorme, pois nem a pornografia infantil ou as secas no Nordeste podem mais ser-lhe imputadas. Quanto aos americanos, continuam e continuarão aprontando, mas já está ficando meio ridículo e, talvez até entre esquerdistas, pode sair vaia se alguém começar com aquela cantilena de antanho, sobre como tudo é armação do imperialismo americano.
Com as comemorações do Descobrimento, a culpa tem andado bastante nas costas dos portugueses. Se não fossem os portugueses, o Brasil ostentaria a mesma prosperidade, como já tive a oportunidade de lembrar aqui, que países colonizados pelos holandeses, ingleses ou franceses, tais como a Indonésia, a Nigéria, o Zimbábue, o Suriname, a Costa do Marfim, o Sudão, a Índia, a Guiana, e assim por diante. A mestiçagem deslavada também é responsável por esta situação calamitosa. Os brasileiros são uma mistura impraticável de negros, brancos e orientais de todas as origens e isto, naturalmente, não pode dar certo. E, assim, vítima de destino tão ingrato, o Brasil, como ouvimos desde criancinhas, está à beira do abismo e, impotentes, assistimos a tudo de braços inapelavelmente cruzados, nada podemos fazer.
Sei que é chato lembrar e que algum de vocês talvez tenha de recorrer a um terapeuta, pois a realidade é frequentemente insuportável e inaceitável, mas a realidade é que este país, não obstante os esforços em contrário feitos ao longo da História, inclusive a recente, tem sido nosso há algum tempo, tem estado em nossas mãos e, lamentavelmente, é responsabilidade nossa. E, horror dos horrores, os brasileiros somos nós mesmos e não terceiros, a quem possamos aludir com ares de superioridade. Tudo o que está aí, em última análise, é obra nossa e problema nosso, da sujeira nas ruas à violência.
Os políticos, por exemplo, como também já disse diversas vezes aqui, não foram importados de Marte, ou sequer do Haiti, foram produzidos no Brasil mesmo. Contenha o protesto revoltado que se levanta em seu peito varonil (ou feminil; perdão, companheira), ponha a mão na consciência e reconheça: os políticos somos nós, brasileiros como nós, não são “eles”. Quem está no Executivo, no Legislativo e no Judiciário não são os imperialistas americanos e muito menos os dependentes do ouro de Moscou, somos nós mesmos. Éramos nós mesmos até no tempo da ditadura militar, pois, apesar de um militar ou outro se considerar alemão, a verdade é que também eles nasceram aqui e se formaram aqui, são militares brasileiros.
O povo e a elite, entidades a que nunca pertencemos (raramente se usa hoje a expressão “Zé Povinho”, mas se usam equivalentes contemporâneos, como “o povão”), são também a gente, não são “eles”, os alienígenas solertes com que o destino ingrato aquinhoou “esse país”. Da mesma maneira, quem bagunça o tráfego com bandalhas somos nós, quem joga lixo na rua somos nós, quem trata mal os que procuram os serviços públicos somos nós, quem é corrompido somos nós, quem suborna o guarda (e o próprio guarda também, é claro) somos nós, quem destrói o patrimônio público somos nós, quem entope os rios, costas e lagoas de lixo e esgotos somos nós, quem sonega impostos somos nós e até quem assalta somos nós. Talvez alguém ofereça uma tese segundo a qual o Brasil, como se fala da polícia carioca, tenha uma banda podre. A esta, naturalmente, nenhum de nós pertence.
Claro, nenhum de nós se inclui nesse rol abominável. Tudo bem. Nenhum dos leitores deste jornal, muito menos os desta coluna, notadamente o seu autor, jamais praticou ou compactuou com qualquer ato que reprova tão acerbamente todos os dias. É coisa de brasileiro, o brasileiro é assim mesmo. Como seria bom que o brasileiro mudasse, não é mesmo? Mas não muda, é um inferno. Chato, muito chato mesmo, pensar no assunto e chegar à conclusão de que ou estamos malucos ou querendo ficar, pois os responsáveis não são alguma babá, somos de fato nós mesmos. Poderíamos começar a melhorar a situação do país se metêssemos na cabeça, de uma vez por todas, que os brasileiros não são “eles”, somos nós. E fomos nós que construímos tudo isto que está aí, somos nós que mantemos tudo isto e nada disto vai mudar, a não ser que assumamos a dolorosa verdade que nós somos nós.
(RIBEIRO, João Ubaldo. O Globo, 21 maio 2000, c. 1, p. 6. Adaptado para o sistema ortográfico vigente.)
“O povo e a elite, entidades a que nunca pertencemos [...], são também a gente [...].” (§ 6) Das alterações processadas na passagem acima, aquela em que o emprego da preposição em destaque CONTRARIA a norma culta da língua é:
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SOMOS NÓS MESMOS
[...]
Nosso hábito, como qualquer debatedor ou expositor corrobora, dos botecos às academias, é falar em nós mesmos como se nos estivéssemos referindo a terceiros. [...] Não só falamos sobre o Brasil como uma entidade à parte da gente como, principalmente, os brasileiros não somos nós, são sempre os outros. O brasileiro não tem jeito — dizemos —, o brasileiro é assim ou assado. Se o brasileiro perdesse tal ou qual hábito, se o brasileiro fizesse isto ou aquilo, a situação melhoraria bastante, é que o brasileiro não se emenda.
Em tempos talvez piores, mas certamente mais simples, era ainda mais fácil, porque minha geração foi criada com uma facilidade muito grande para botar a culpa nos outros. Ou a culpa era dos americanos ou era dos comunistas. Estes últimos, aliás, com a queda da União Soviética, têm feito uma falta enorme, pois nem a pornografia infantil ou as secas no Nordeste podem mais ser-lhe imputadas. Quanto aos americanos, continuam e continuarão aprontando, mas já está ficando meio ridículo e, talvez até entre esquerdistas, pode sair vaia se alguém começar com aquela cantilena de antanho, sobre como tudo é armação do imperialismo americano.
Com as comemorações do Descobrimento, a culpa tem andado bastante nas costas dos portugueses. Se não fossem os portugueses, o Brasil ostentaria a mesma prosperidade, como já tive a oportunidade de lembrar aqui, que países colonizados pelos holandeses, ingleses ou franceses, tais como a Indonésia, a Nigéria, o Zimbábue, o Suriname, a Costa do Marfim, o Sudão, a Índia, a Guiana, e assim por diante. A mestiçagem deslavada também é responsável por esta situação calamitosa. Os brasileiros são uma mistura impraticável de negros, brancos e orientais de todas as origens e isto, naturalmente, não pode dar certo. E, assim, vítima de destino tão ingrato, o Brasil, como ouvimos desde criancinhas, está à beira do abismo e, impotentes, assistimos a tudo de braços inapelavelmente cruzados, nada podemos fazer.
Sei que é chato lembrar e que algum de vocês talvez tenha de recorrer a um terapeuta, pois a realidade é frequentemente insuportável e inaceitável, mas a realidade é que este país, não obstante os esforços em contrário feitos ao longo da História, inclusive a recente, tem sido nosso há algum tempo, tem estado em nossas mãos e, lamentavelmente, é responsabilidade nossa. E, horror dos horrores, os brasileiros somos nós mesmos e não terceiros, a quem possamos aludir com ares de superioridade. Tudo o que está aí, em última análise, é obra nossa e problema nosso, da sujeira nas ruas à violência.
Os políticos, por exemplo, como também já disse diversas vezes aqui, não foram importados de Marte, ou sequer do Haiti, foram produzidos no Brasil mesmo. Contenha o protesto revoltado que se levanta em seu peito varonil (ou feminil; perdão, companheira), ponha a mão na consciência e reconheça: os políticos somos nós, brasileiros como nós, não são “eles”. Quem está no Executivo, no Legislativo e no Judiciário não são os imperialistas americanos e muito menos os dependentes do ouro de Moscou, somos nós mesmos. Éramos nós mesmos até no tempo da ditadura militar, pois, apesar de um militar ou outro se considerar alemão, a verdade é que também eles nasceram aqui e se formaram aqui, são militares brasileiros.
O povo e a elite, entidades a que nunca pertencemos (raramente se usa hoje a expressão “Zé Povinho”, mas se usam equivalentes contemporâneos, como “o povão”), são também a gente, não são “eles”, os alienígenas solertes com que o destino ingrato aquinhoou “esse país”. Da mesma maneira, quem bagunça o tráfego com bandalhas somos nós, quem joga lixo na rua somos nós, quem trata mal os que procuram os serviços públicos somos nós, quem é corrompido somos nós, quem suborna o guarda (e o próprio guarda também, é claro) somos nós, quem destrói o patrimônio público somos nós, quem entope os rios, costas e lagoas de lixo e esgotos somos nós, quem sonega impostos somos nós e até quem assalta somos nós. Talvez alguém ofereça uma tese segundo a qual o Brasil, como se fala da polícia carioca, tenha uma banda podre. A esta, naturalmente, nenhum de nós pertence.
Claro, nenhum de nós se inclui nesse rol abominável. Tudo bem. Nenhum dos leitores deste jornal, muito menos os desta coluna, notadamente o seu autor, jamais praticou ou compactuou com qualquer ato que reprova tão acerbamente todos os dias. É coisa de brasileiro, o brasileiro é assim mesmo. Como seria bom que o brasileiro mudasse, não é mesmo? Mas não muda, é um inferno. Chato, muito chato mesmo, pensar no assunto e chegar à conclusão de que ou estamos malucos ou querendo ficar, pois os responsáveis não são alguma babá, somos de fato nós mesmos. Poderíamos começar a melhorar a situação do país se metêssemos na cabeça, de uma vez por todas, que os brasileiros não são “eles”, somos nós. E fomos nós que construímos tudo isto que está aí, somos nós que mantemos tudo isto e nada disto vai mudar, a não ser que assumamos a dolorosa verdade que nós somos nós.
(RIBEIRO, João Ubaldo. O Globo, 21 maio 2000, c. 1, p. 6. Adaptado para o sistema ortográfico vigente.)
"Em tempos talvez piores, mas certamente mais simples, era ainda mais fácil, porque minha geração foi criada com uma facilidade muito grande para botar a culpa nos outros.” (§ 2) “[...] quem trata mal os que procuram os serviços públicos somos nós [...].” (§ 6)
É frequente a confusão que se faz entre mal e mau, bem como entre porque e por que. Assinale a alternativa em que a palavra em destaque aparece grafada INCORRETAMENTE:
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SOMOS NÓS MESMOS
[...]
Nosso hábito, como qualquer debatedor ou expositor corrobora, dos botecos às academias, é falar em nós mesmos como se nos estivéssemos referindo a terceiros. [...] Não só falamos sobre o Brasil como uma entidade à parte da gente como, principalmente, os brasileiros não somos nós, são sempre os outros. O brasileiro não tem jeito — dizemos —, o brasileiro é assim ou assado. Se o brasileiro perdesse tal ou qual hábito, se o brasileiro fizesse isto ou aquilo, a situação melhoraria bastante, é que o brasileiro não se emenda.
Em tempos talvez piores, mas certamente mais simples, era ainda mais fácil, porque minha geração foi criada com uma facilidade muito grande para botar a culpa nos outros. Ou a culpa era dos americanos ou era dos comunistas. Estes últimos, aliás, com a queda da União Soviética, têm feito uma falta enorme, pois nem a pornografia infantil ou as secas no Nordeste podem mais ser-lhe imputadas. Quanto aos americanos, continuam e continuarão aprontando, mas já está ficando meio ridículo e, talvez até entre esquerdistas, pode sair vaia se alguém começar com aquela cantilena de antanho, sobre como tudo é armação do imperialismo americano.
Com as comemorações do Descobrimento, a culpa tem andado bastante nas costas dos portugueses. Se não fossem os portugueses, o Brasil ostentaria a mesma prosperidade, como já tive a oportunidade de lembrar aqui, que países colonizados pelos holandeses, ingleses ou franceses, tais como a Indonésia, a Nigéria, o Zimbábue, o Suriname, a Costa do Marfim, o Sudão, a Índia, a Guiana, e assim por diante. A mestiçagem deslavada também é responsável por esta situação calamitosa. Os brasileiros são uma mistura impraticável de negros, brancos e orientais de todas as origens e isto, naturalmente, não pode dar certo. E, assim, vítima de destino tão ingrato, o Brasil, como ouvimos desde criancinhas, está à beira do abismo e, impotentes, assistimos a tudo de braços inapelavelmente cruzados, nada podemos fazer.
Sei que é chato lembrar e que algum de vocês talvez tenha de recorrer a um terapeuta, pois a realidade é frequentemente insuportável e inaceitável, mas a realidade é que este país, não obstante os esforços em contrário feitos ao longo da História, inclusive a recente, tem sido nosso há algum tempo, tem estado em nossas mãos e, lamentavelmente, é responsabilidade nossa. E, horror dos horrores, os brasileiros somos nós mesmos e não terceiros, a quem possamos aludir com ares de superioridade. Tudo o que está aí, em última análise, é obra nossa e problema nosso, da sujeira nas ruas à violência.
Os políticos, por exemplo, como também já disse diversas vezes aqui, não foram importados de Marte, ou sequer do Haiti, foram produzidos no Brasil mesmo. Contenha o protesto revoltado que se levanta em seu peito varonil (ou feminil; perdão, companheira), ponha a mão na consciência e reconheça: os políticos somos nós, brasileiros como nós, não são “eles”. Quem está no Executivo, no Legislativo e no Judiciário não são os imperialistas americanos e muito menos os dependentes do ouro de Moscou, somos nós mesmos. Éramos nós mesmos até no tempo da ditadura militar, pois, apesar de um militar ou outro se considerar alemão, a verdade é que também eles nasceram aqui e se formaram aqui, são militares brasileiros.
O povo e a elite, entidades a que nunca pertencemos (raramente se usa hoje a expressão “Zé Povinho”, mas se usam equivalentes contemporâneos, como “o povão”), são também a gente, não são “eles”, os alienígenas solertes com que o destino ingrato aquinhoou “esse país”. Da mesma maneira, quem bagunça o tráfego com bandalhas somos nós, quem joga lixo na rua somos nós, quem trata mal os que procuram os serviços públicos somos nós, quem é corrompido somos nós, quem suborna o guarda (e o próprio guarda também, é claro) somos nós, quem destrói o patrimônio público somos nós, quem entope os rios, costas e lagoas de lixo e esgotos somos nós, quem sonega impostos somos nós e até quem assalta somos nós. Talvez alguém ofereça uma tese segundo a qual o Brasil, como se fala da polícia carioca, tenha uma banda podre. A esta, naturalmente, nenhum de nós pertence.
Claro, nenhum de nós se inclui nesse rol abominável. Tudo bem. Nenhum dos leitores deste jornal, muito menos os desta coluna, notadamente o seu autor, jamais praticou ou compactuou com qualquer ato que reprova tão acerbamente todos os dias. É coisa de brasileiro, o brasileiro é assim mesmo. Como seria bom que o brasileiro mudasse, não é mesmo? Mas não muda, é um inferno. Chato, muito chato mesmo, pensar no assunto e chegar à conclusão de que ou estamos malucos ou querendo ficar, pois os responsáveis não são alguma babá, somos de fato nós mesmos. Poderíamos começar a melhorar a situação do país se metêssemos na cabeça, de uma vez por todas, que os brasileiros não são “eles”, somos nós. E fomos nós que construímos tudo isto que está aí, somos nós que mantemos tudo isto e nada disto vai mudar, a não ser que assumamos a dolorosa verdade que nós somos nós.
(RIBEIRO, João Ubaldo. O Globo, 21 maio 2000, c. 1, p. 6. Adaptado para o sistema ortográfico vigente.)
“[...] mas a realidade é que este país, não obstante os esforços em contrário feitos ao longo da História, inclusive a recente, tem sido nosso há algum tempo [...].” (§ 4) O trecho sublinhado na passagem acima pode ser substituído, sem que haja substancial alteração de sentido, por:
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SOMOS NÓS MESMOS
[...]
Nosso hábito, como qualquer debatedor ou expositor corrobora, dos botecos às academias, é falar em nós mesmos como se nos estivéssemos referindo a terceiros. [...] Não só falamos sobre o Brasil como uma entidade à parte da gente como, principalmente, os brasileiros não somos nós, são sempre os outros. O brasileiro não tem jeito — dizemos —, o brasileiro é assim ou assado. Se o brasileiro perdesse tal ou qual hábito, se o brasileiro fizesse isto ou aquilo, a situação melhoraria bastante, é que o brasileiro não se emenda.
Em tempos talvez piores, mas certamente mais simples, era ainda mais fácil, porque minha geração foi criada com uma facilidade muito grande para botar a culpa nos outros. Ou a culpa era dos americanos ou era dos comunistas. Estes últimos, aliás, com a queda da União Soviética, têm feito uma falta enorme, pois nem a pornografia infantil ou as secas no Nordeste podem mais ser-lhe imputadas. Quanto aos americanos, continuam e continuarão aprontando, mas já está ficando meio ridículo e, talvez até entre esquerdistas, pode sair vaia se alguém começar com aquela cantilena de antanho, sobre como tudo é armação do imperialismo americano.
Com as comemorações do Descobrimento, a culpa tem andado bastante nas costas dos portugueses. Se não fossem os portugueses, o Brasil ostentaria a mesma prosperidade, como já tive a oportunidade de lembrar aqui, que países colonizados pelos holandeses, ingleses ou franceses, tais como a Indonésia, a Nigéria, o Zimbábue, o Suriname, a Costa do Marfim, o Sudão, a Índia, a Guiana, e assim por diante. A mestiçagem deslavada também é responsável por esta situação calamitosa. Os brasileiros são uma mistura impraticável de negros, brancos e orientais de todas as origens e isto, naturalmente, não pode dar certo. E, assim, vítima de destino tão ingrato, o Brasil, como ouvimos desde criancinhas, está à beira do abismo e, impotentes, assistimos a tudo de braços inapelavelmente cruzados, nada podemos fazer.
Sei que é chato lembrar e que algum de vocês talvez tenha de recorrer a um terapeuta, pois a realidade é frequentemente insuportável e inaceitável, mas a realidade é que este país, não obstante os esforços em contrário feitos ao longo da História, inclusive a recente, tem sido nosso há algum tempo, tem estado em nossas mãos e, lamentavelmente, é responsabilidade nossa. E, horror dos horrores, os brasileiros somos nós mesmos e não terceiros, a quem possamos aludir com ares de superioridade. Tudo o que está aí, em última análise, é obra nossa e problema nosso, da sujeira nas ruas à violência.
Os políticos, por exemplo, como também já disse diversas vezes aqui, não foram importados de Marte, ou sequer do Haiti, foram produzidos no Brasil mesmo. Contenha o protesto revoltado que se levanta em seu peito varonil (ou feminil; perdão, companheira), ponha a mão na consciência e reconheça: os políticos somos nós, brasileiros como nós, não são “eles”. Quem está no Executivo, no Legislativo e no Judiciário não são os imperialistas americanos e muito menos os dependentes do ouro de Moscou, somos nós mesmos. Éramos nós mesmos até no tempo da ditadura militar, pois, apesar de um militar ou outro se considerar alemão, a verdade é que também eles nasceram aqui e se formaram aqui, são militares brasileiros.
O povo e a elite, entidades a que nunca pertencemos (raramente se usa hoje a expressão “Zé Povinho”, mas se usam equivalentes contemporâneos, como “o povão”), são também a gente, não são “eles”, os alienígenas solertes com que o destino ingrato aquinhoou “esse país”. Da mesma maneira, quem bagunça o tráfego com bandalhas somos nós, quem joga lixo na rua somos nós, quem trata mal os que procuram os serviços públicos somos nós, quem é corrompido somos nós, quem suborna o guarda (e o próprio guarda também, é claro) somos nós, quem destrói o patrimônio público somos nós, quem entope os rios, costas e lagoas de lixo e esgotos somos nós, quem sonega impostos somos nós e até quem assalta somos nós. Talvez alguém ofereça uma tese segundo a qual o Brasil, como se fala da polícia carioca, tenha uma banda podre. A esta, naturalmente, nenhum de nós pertence.
Claro, nenhum de nós se inclui nesse rol abominável. Tudo bem. Nenhum dos leitores deste jornal, muito menos os desta coluna, notadamente o seu autor, jamais praticou ou compactuou com qualquer ato que reprova tão acerbamente todos os dias. É coisa de brasileiro, o brasileiro é assim mesmo. Como seria bom que o brasileiro mudasse, não é mesmo? Mas não muda, é um inferno. Chato, muito chato mesmo, pensar no assunto e chegar à conclusão de que ou estamos malucos ou querendo ficar, pois os responsáveis não são alguma babá, somos de fato nós mesmos. Poderíamos começar a melhorar a situação do país se metêssemos na cabeça, de uma vez por todas, que os brasileiros não são “eles”, somos nós. E fomos nós que construímos tudo isto que está aí, somos nós que mantemos tudo isto e nada disto vai mudar, a não ser que assumamos a dolorosa verdade que nós somos nós.
(RIBEIRO, João Ubaldo. O Globo, 21 maio 2000, c. 1, p. 6. Adaptado para o sistema ortográfico vigente.)
O autor se vale de palavras ou expressões altamente sugestivas, de valor conotativo. Assinale a alternativa em que a conotação atribuída à palavra ou expressão sublinhada NÃO condiz com o sentido geral do texto:
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