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Em relação às disposições da Lei nº 11.091/2005, que dispõe sobre a estruturação do Plano de Carreira
dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação, no âmbito das Instituições Federais de Ensino
vinculadas ao Ministério da Educação, e dá outras providências, assinale a assertiva incorreta.
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Em relação ao processo administrativo disciplinar conforme os preceitos da Lei nº 8.112/1990, que
dispõe sobre o regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações
públicas federais, assinale (V) verdadeiro ou (F) falso, diante de cada afirmativa a seguir.
( ) A autoridade que tiver ciência de irregularidade no serviço público é obrigada a promover a sua apuração imediata, mediante sindicância ou processo administrativo disciplinar, assegurada ao acusado ampla defesa.
( ) Poderá participar de comissão de sindicância ou de inquérito, cônjuge, companheiro ou parente do acusado, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, desde que aprovado pela autoridade máxima do órgão ou entidade de lotação.
( ) Como medida cautelar e a fim de que o servidor não venha a influir na apuração da irregularidade, a autoridade instauradora do processo disciplinar poderá determinar o seu afastamento do exercício do cargo, pelo prazo de até 60 (sessenta) dias, com prejuízo da remuneração.
( ) O processo disciplinar será conduzido por comissão composta de três servidores estáveis designados pela autoridade competente, que indicará, dentre eles, o seu presidente, que deverá ser ocupante de cargo efetivo superior ou de mesmo nível, ou ter nível de escolaridade igual ou superior ao do indiciado.
A sequência correta é:
( ) A autoridade que tiver ciência de irregularidade no serviço público é obrigada a promover a sua apuração imediata, mediante sindicância ou processo administrativo disciplinar, assegurada ao acusado ampla defesa.
( ) Poderá participar de comissão de sindicância ou de inquérito, cônjuge, companheiro ou parente do acusado, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, desde que aprovado pela autoridade máxima do órgão ou entidade de lotação.
( ) Como medida cautelar e a fim de que o servidor não venha a influir na apuração da irregularidade, a autoridade instauradora do processo disciplinar poderá determinar o seu afastamento do exercício do cargo, pelo prazo de até 60 (sessenta) dias, com prejuízo da remuneração.
( ) O processo disciplinar será conduzido por comissão composta de três servidores estáveis designados pela autoridade competente, que indicará, dentre eles, o seu presidente, que deverá ser ocupante de cargo efetivo superior ou de mesmo nível, ou ter nível de escolaridade igual ou superior ao do indiciado.
A sequência correta é:
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Considerando as disposições da Resolução nº 04/1999, que aprova o Estatuto da Universidade Federal
de Minas Gerais, assinale a assertiva incorreta.
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Considerando as disposições do Regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias
e das fundações públicas federais, Lei nº 8.112/1990, analise as seguintes informações sobre o Estágio
Probatório.
I. Caso o servidor não seja aprovado no estágio probatório será exonerado ou, se estável, reconduzido ao cargo anteriormente ocupado.
II. Durante o período de estágio probatório, o servidor será avaliado para o desempenho do cargo e serão avaliados os seguintes fatores: assiduidade, disciplina, capacidade de iniciativa, produtividade e responsabilidade.
III. Ao servidor em estágio probatório poderá ser concedida, a critério da Administração, licença para tratar de interesses particulares.
IV. O servidor em estágio probatório não poderá exercer funções de direção, chefia ou assessoramento no órgão ou entidade de lotação.
Estão corretas as afirmações
I. Caso o servidor não seja aprovado no estágio probatório será exonerado ou, se estável, reconduzido ao cargo anteriormente ocupado.
II. Durante o período de estágio probatório, o servidor será avaliado para o desempenho do cargo e serão avaliados os seguintes fatores: assiduidade, disciplina, capacidade de iniciativa, produtividade e responsabilidade.
III. Ao servidor em estágio probatório poderá ser concedida, a critério da Administração, licença para tratar de interesses particulares.
IV. O servidor em estágio probatório não poderá exercer funções de direção, chefia ou assessoramento no órgão ou entidade de lotação.
Estão corretas as afirmações
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Texto I
Rumo a um turboconsumidor
Desde o fim dos anos 1970, enquanto a tecnologização moderna dos lares é quase generalizada, desenvolve-se seu pluriequipamento, que significa a passagem de um consumo ordenado pela família a um consumo centrado no indivíduo. Os efeitos dessa multiplicação dos objetos pessoais são importantes, podendo cada um, dessa maneira, organizar sua vida privada em seu próprio ritmo. Recursos de telefonia e de multimídia provocaram a hiperindividualização da utilização dos bens de consumo, das defasagens dos ritmos no interior da família, da dessincronização das atividades cotidianas e dos empregos do tempo. Em suas bandeiras, a sociedade de hiperconsumo pode escrever em letras triunfantes: “Cada um com seus objetos, cada um com seu uso, cada um com seu ritmo de vida”.
A sociedade de hiperconsumo, longe de arruinar o sistema do desejo e do consumo, empenha-se, não sem sucesso, em mantê-lo cada vez mais desperto, ampliando seu regime temporal. A lógica do turboconsumismo encontra sua realização nas redes eletrônicas, graças às compras pela internet. O ciberconsumidor liberta-se de todos os entraves espaço-temporais. Há supressão das barreiras ligadas não apenas ao espaço, mas também ao acesso à informação: graças aos sites de comparação de preços, o internauta pode informar-se em tempo real sobre os produtos e serviços, compará-los a qualquer hora antes de fazer sua escolha. É um sistema de informação sem limite, sem coerção de tempo e de lugar que especifica a época do turboconsumismo.
O turboconsumidor tornou-se, portanto, um doente da urgência, prisioneiro da ditadura do “tempo real”? É verdade que o hiperconsumidor expõe uma evidente preocupação em fazer mais e mais depressa, não suporta perder tempo, quer a acessibilidade dos produtos, das imagens e da comunicação a toda hora do dia e da noite. Mas, ao mesmo tempo, assiste-se à proliferação de desejos e de comportamentos cuja orientação para os prazeres sensoriais e estéticos, para o maior bem-estar, para as sensações corporais exprimem a valorização de uma temporalidade lenta, qualitativa e sensualista. Slow food¹, escutas musicais, passeios a pé, excursões, spas e banhos turcos, meditações e relaxamentos: contra a “vida corrida”, os lazeres lentos encontram amplo eco. Assim, somos testemunhas do gosto pelo flanar, pelas idas ao restaurante à noite, pela ociosidade na praia ou nos terraços dos cafés. Nada de temporalidade uniformemente urgencial, mas um sistema composto de temporalidades profundamente heterogêneas: ao tempo operacional opõe-se o tempo hedonista, ao tempo do trabalho, o tempo recreativo, ao tempo precipitado, o tempo descontraído. O regime do tempo na sociedade de hiperconsumo não tem nada de unidimensional; é, ao contrário, paradoxal, dessincronizado, heteróclito (desregrado), polirrítmico.
Os consumidores atentos às causas humanitárias, preocupados com selos verdes e produtos éticos, mostram-se mais solidários? Mas, se a tendência ao consumo “cidadão” é inegável, em que ela faz sair da constelação do indivíduo, em outras palavras, dos engajamentos de tipo opcional, mínimo e indolor? Ela significa sobretudo que o individualismo não é sinônimo de egoísmo absoluto: este pode ser compatível com o espírito de responsabilidade, com a preocupação com certos valores, ainda que fosse segundo um regime de geometria variável, “sem obrigação nem sanção”.
A multiplicação das informações e a elevação do nível de instrução da população favoreceram, sem nenhuma dúvida, a “profissionalização” das atividades consumidoras. Mas, do outro lado, observa-se uma infinidade de fenômenos sinônimos, ao contrário, de excesso e de descontrole de si: vítimas da moda, compras compulsivas, superendividamento das famílias, “fanáticos” por jogos de
1. Slow food: movimento global que nasceu na Itália, em 1986, como resposta ao fast-food, promovendo uma alimentação que valoriza o prazer de comer, a sustentabilidade ambiental, a cultura local, a biodiversidade e o apoio a pequenos produtores, além de incentivar o consumo consciente e o resgate de tradições gastronômicas regionais.
vídeo, ciberdependentes, toxicomanias, práticas viciosas de todo tipo, anarquia dos comportamentos alimentares, bulimias e obesidades. O que se anuncia é tanto um individualismo desenfreado e caótico quanto um consumidor expert que se encarrega de si de maneira responsável.
O relaxamento dos controles coletivos, as normas hedonistas, a escolha da primeira qualidade, a educação liberal, tudo isso contribuiu para compor um indivíduo desligado dos fins comuns e que, reduzido tão-só às suas forças, se mostra, muitas vezes, incapaz de resistir tanto às solicitações externas quanto aos impulsos internos. Assim, somos testemunhas de todo um conjunto de comportamentos desestruturados, de consumos patológicos e compulsivos. Por toda parte, a tendência ao desregramento de si acompanha a cultura de livre disposição dos indivíduos entregues à vertigem de si próprios no supermercado contemporâneo dos modos de vida. À medida que se amplia o princípio de pleno poder sobre a direção da própria vida, as manifestações de dependência e de impotência subjetivas se desenvolvem num ritmo crescente. Se o indivíduo é socialmente autônomo, ei-lo mais do que nunca dependente da forma mercantil para a satisfação de suas necessidades.
LIPOVETSKY, Gilles. Rumo a um turboconsumidor. In: A felicidade paradoxal: ensaios sobre a sociedade de hiperconsumo. Trad. Maria Lúcia Machado. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. (Fragmento adaptado)
Texto II
O Natal e o Ano Novo que a mídia vende
Todos os anos, entre novembro e janeiro, o mesmo ritual se repete: vitrines decoradas com neve artificial em um país tropical, trilhas sonoras natalinas ecoando em shopping centers, seguidas por contagens regressivas e promessas de recomeço. Uma avalanche de campanhas publicitárias promete transformar a compra do presente perfeito em prova irrefutável de amor, enquanto o réveillon surge como palco obrigatório para demonstrar sucesso, alegria e otimismo. A imprensa, entrelaçada a esse mecanismo, atua simultaneamente como vitrine, termômetro e promotora de um fenômeno que movimenta bilhões de reais e, paradoxalmente, endivida milhões de famílias. O Natal e o Ano Novo contemporâneos, tais como nos são apresentados pelos meios de comunicação, revelam menos sobre a celebração de valores transcendentes ou sobre renovação genuína do que sobre as contradições de uma sociedade que aprendeu a confundir afeto com capacidade de consumo e esperança com poder de compra.
A questão não é recente, mas merece ser revisitada a cada ciclo, sobretudo quando se observa o papel central que a mídia desempenha na construção e manutenção desse modelo. Não se trata apenas de publicidade explícita, aquela que reconhecemos como tal e da qual podemos, ao menos teoricamente, manter distância crítica. O incentivo ao consumo nessa temporada opera em planos mais sutis e, por isso mesmo, mais eficazes: matérias jornalísticas sobre tendências de presentes, pesquisas que revelam quanto os brasileiros pretendem gastar (criando um parâmetro de normalidade), guias de compras apresentados como serviço ao leitor, reportagens sobre destinos de réveillon e o que vestir na virada do ano, coberturas sobre a movimentação do comércio que naturalizam a equação festividades-igual-consumo. A fronteira entre conteúdo editorial e publicitário se dilui estrategicamente, e o resultado é uma narrativa coesa que transforma o ato de comprar em imperativo moral e social.
Problematizar essa dinâmica não significa demonizar o comércio, condenar quem compra presentes ou vai à praia na virada do ano, ou propor a extinção dessas datas como celebrações coletivas. Significa, isto sim, criar espaço para que a sociedade possa refletir criticamente sobre os significados e as práticas que construiu em torno delas. Significa reconhecer que o modelo atual serve a determinados interesses econômicos, mas não necessariamente ao bem-estar coletivo ou individual. E significa, para a imprensa em particular, assumir que seu papel não pode se limitar a ser correia de transmissão de uma lógica econômica que ela mesma, em momentos de autocrítica episódica, reconhece como problemática. Uma imprensa que naturaliza a mercantilização de todas as dimensões da vida, inclusive as mais íntimas, afetivas e relacionadas à esperança e ao futuro, contribui para a perpetuação de um modelo insustentável em múltiplas dimensões.
ALBERTONI, Ramsés. O Natal e o Ano Novo que a mídia vende. In: Observatório da Imprensa, edição 1369, 18 de dezembro de 2025. Disponível em: https://www.observatoriodaimprensa.com.br/consumo/o-natal-e-o-ano-novo-que-a-midiavende/. Acesso em: 28 dez. 2025. (Fragmento)
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Texto II
O Natal e o Ano Novo que a mídia vende
Todos os anos, entre novembro e janeiro, o mesmo ritual se repete: vitrines decoradas com neve
artificial em um país tropical, trilhas sonoras natalinas ecoando em shopping centers, seguidas por
contagens regressivas e promessas de recomeço. Uma avalanche de campanhas publicitárias promete
transformar a compra do presente perfeito em prova irrefutável de amor, enquanto o réveillon surge
como palco obrigatório para demonstrar sucesso, alegria e otimismo. A imprensa, entrelaçada a
esse mecanismo, atua simultaneamente como vitrine, termômetro e promotora de um fenômeno que
movimenta bilhões de reais e, paradoxalmente, endivida milhões de famílias. O Natal e o Ano Novo
contemporâneos, tais como nos são apresentados pelos meios de comunicação, revelam menos sobre
a celebração de valores transcendentes ou sobre renovação genuína do que sobre as contradições de
uma sociedade que aprendeu a confundir afeto com capacidade de consumo e esperança com poder
de compra.
A questão não é recente, mas merece ser revisitada a cada ciclo, sobretudo quando se observa
o papel central que a mídia desempenha na construção e manutenção desse modelo. Não se trata
apenas de publicidade explícita, aquela que reconhecemos como tal e da qual podemos, ao menos
teoricamente, manter distância crítica. O incentivo ao consumo nessa temporada opera em planos mais
sutis e, por isso mesmo, mais eficazes: matérias jornalísticas sobre tendências de presentes, pesquisas
que revelam quanto os brasileiros pretendem gastar (criando um parâmetro de normalidade), guias de
compras apresentados como serviço ao leitor, reportagens sobre destinos de réveillon e o que vestir na
virada do ano, coberturas sobre a movimentação do comércio que naturalizam a equação festividades-igual-consumo. A fronteira entre conteúdo editorial e publicitário se dilui estrategicamente, e o resultado
é uma narrativa coesa que transforma o ato de comprar em imperativo moral e social.
Problematizar essa dinâmica não significa demonizar o comércio, condenar quem compra presentes ou vai à praia na virada do ano, ou propor a extinção dessas datas como celebrações coletivas. Significa,
isto sim, criar espaço para que a sociedade possa refletir criticamente sobre os significados e as práticas
que construiu em torno delas. Significa reconhecer que o modelo atual serve a determinados interesses
econômicos, mas não necessariamente ao bem-estar coletivo ou individual. E significa, para a imprensa
em particular, assumir que seu papel não pode se limitar a ser correia de transmissão de uma lógica
econômica que ela mesma, em momentos de autocrítica episódica, reconhece como problemática.
Uma imprensa que naturaliza a mercantilização de todas as dimensões da vida, inclusive as mais
íntimas, afetivas e relacionadas à esperança e ao futuro, contribui para a perpetuação de um modelo
insustentável em múltiplas dimensões.
ALBERTONI, Ramsés. O Natal e o Ano Novo que a mídia vende. In: Observatório da Imprensa, edição 1369, 18 de
dezembro de 2025. Disponível em: https://www.observatoriodaimprensa.com.br/consumo/o-natal-e-o-ano-novo-que-a-midiavende/. Acesso em: 28 dez. 2025. (Fragmento)
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Texto II
O Natal e o Ano Novo que a mídia vende
Todos os anos, entre novembro e janeiro, o mesmo ritual se repete: vitrines decoradas com neve
artificial em um país tropical, trilhas sonoras natalinas ecoando em shopping centers, seguidas por
contagens regressivas e promessas de recomeço. Uma avalanche de campanhas publicitárias promete
transformar a compra do presente perfeito em prova irrefutável de amor, enquanto o réveillon surge
como palco obrigatório para demonstrar sucesso, alegria e otimismo. A imprensa, entrelaçada a
esse mecanismo, atua simultaneamente como vitrine, termômetro e promotora de um fenômeno que
movimenta bilhões de reais e, paradoxalmente, endivida milhões de famílias. O Natal e o Ano Novo
contemporâneos, tais como nos são apresentados pelos meios de comunicação, revelam menos sobre
a celebração de valores transcendentes ou sobre renovação genuína do que sobre as contradições de
uma sociedade que aprendeu a confundir afeto com capacidade de consumo e esperança com poder
de compra.
A questão não é recente, mas merece ser revisitada a cada ciclo, sobretudo quando se observa
o papel central que a mídia desempenha na construção e manutenção desse modelo. Não se trata
apenas de publicidade explícita, aquela que reconhecemos como tal e da qual podemos, ao menos
teoricamente, manter distância crítica. O incentivo ao consumo nessa temporada opera em planos mais
sutis e, por isso mesmo, mais eficazes: matérias jornalísticas sobre tendências de presentes, pesquisas
que revelam quanto os brasileiros pretendem gastar (criando um parâmetro de normalidade), guias de
compras apresentados como serviço ao leitor, reportagens sobre destinos de réveillon e o que vestir na
virada do ano, coberturas sobre a movimentação do comércio que naturalizam a equação festividades-igual-consumo. A fronteira entre conteúdo editorial e publicitário se dilui estrategicamente, e o resultado
é uma narrativa coesa que transforma o ato de comprar em imperativo moral e social.
Problematizar essa dinâmica não significa demonizar o comércio, condenar quem compra presentes ou vai à praia na virada do ano, ou propor a extinção dessas datas como celebrações coletivas. Significa,
isto sim, criar espaço para que a sociedade possa refletir criticamente sobre os significados e as práticas
que construiu em torno delas. Significa reconhecer que o modelo atual serve a determinados interesses
econômicos, mas não necessariamente ao bem-estar coletivo ou individual. E significa, para a imprensa
em particular, assumir que seu papel não pode se limitar a ser correia de transmissão de uma lógica
econômica que ela mesma, em momentos de autocrítica episódica, reconhece como problemática.
Uma imprensa que naturaliza a mercantilização de todas as dimensões da vida, inclusive as mais
íntimas, afetivas e relacionadas à esperança e ao futuro, contribui para a perpetuação de um modelo
insustentável em múltiplas dimensões.
ALBERTONI, Ramsés. O Natal e o Ano Novo que a mídia vende. In: Observatório da Imprensa, edição 1369, 18 de
dezembro de 2025. Disponível em: https://www.observatoriodaimprensa.com.br/consumo/o-natal-e-o-ano-novo-que-a-midiavende/. Acesso em: 28 dez. 2025. (Fragmento)
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Texto II
O Natal e o Ano Novo que a mídia vende
Todos os anos, entre novembro e janeiro, o mesmo ritual se repete: vitrines decoradas com neve
artificial em um país tropical, trilhas sonoras natalinas ecoando em shopping centers, seguidas por
contagens regressivas e promessas de recomeço. Uma avalanche de campanhas publicitárias promete
transformar a compra do presente perfeito em prova irrefutável de amor, enquanto o réveillon surge
como palco obrigatório para demonstrar sucesso, alegria e otimismo. A imprensa, entrelaçada a
esse mecanismo, atua simultaneamente como vitrine, termômetro e promotora de um fenômeno que
movimenta bilhões de reais e, paradoxalmente, endivida milhões de famílias. O Natal e o Ano Novo
contemporâneos, tais como nos são apresentados pelos meios de comunicação, revelam menos sobre
a celebração de valores transcendentes ou sobre renovação genuína do que sobre as contradições de
uma sociedade que aprendeu a confundir afeto com capacidade de consumo e esperança com poder
de compra.
A questão não é recente, mas merece ser revisitada a cada ciclo, sobretudo quando se observa
o papel central que a mídia desempenha na construção e manutenção desse modelo. Não se trata
apenas de publicidade explícita, aquela que reconhecemos como tal e da qual podemos, ao menos
teoricamente, manter distância crítica. O incentivo ao consumo nessa temporada opera em planos mais
sutis e, por isso mesmo, mais eficazes: matérias jornalísticas sobre tendências de presentes, pesquisas
que revelam quanto os brasileiros pretendem gastar (criando um parâmetro de normalidade), guias de
compras apresentados como serviço ao leitor, reportagens sobre destinos de réveillon e o que vestir na
virada do ano, coberturas sobre a movimentação do comércio que naturalizam a equação festividades-igual-consumo. A fronteira entre conteúdo editorial e publicitário se dilui estrategicamente, e o resultado
é uma narrativa coesa que transforma o ato de comprar em imperativo moral e social.
Problematizar essa dinâmica não significa demonizar o comércio, condenar quem compra presentes ou vai à praia na virada do ano, ou propor a extinção dessas datas como celebrações coletivas. Significa,
isto sim, criar espaço para que a sociedade possa refletir criticamente sobre os significados e as práticas
que construiu em torno delas. Significa reconhecer que o modelo atual serve a determinados interesses
econômicos, mas não necessariamente ao bem-estar coletivo ou individual. E significa, para a imprensa
em particular, assumir que seu papel não pode se limitar a ser correia de transmissão de uma lógica
econômica que ela mesma, em momentos de autocrítica episódica, reconhece como problemática.
Uma imprensa que naturaliza a mercantilização de todas as dimensões da vida, inclusive as mais
íntimas, afetivas e relacionadas à esperança e ao futuro, contribui para a perpetuação de um modelo
insustentável em múltiplas dimensões.
ALBERTONI, Ramsés. O Natal e o Ano Novo que a mídia vende. In: Observatório da Imprensa, edição 1369, 18 de
dezembro de 2025. Disponível em: https://www.observatoriodaimprensa.com.br/consumo/o-natal-e-o-ano-novo-que-a-midiavende/. Acesso em: 28 dez. 2025. (Fragmento)
I. A imprensa apresenta um exercício paradoxal.
II. Dissemina o superconsumo, ao mesmo tempo em que estimula o endividamento de milhões de famílias.
Considerando-se o ponto de vista defendido no texto II, o conector que estabelece relação correta entre as assertivas é:
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Texto II
O Natal e o Ano Novo que a mídia vende
Todos os anos, entre novembro e janeiro, o mesmo ritual se repete: vitrines decoradas com neve
artificial em um país tropical, trilhas sonoras natalinas ecoando em shopping centers, seguidas por
contagens regressivas e promessas de recomeço. Uma avalanche de campanhas publicitárias promete
transformar a compra do presente perfeito em prova irrefutável de amor, enquanto o réveillon surge
como palco obrigatório para demonstrar sucesso, alegria e otimismo. A imprensa, entrelaçada a
esse mecanismo, atua simultaneamente como vitrine, termômetro e promotora de um fenômeno que
movimenta bilhões de reais e, paradoxalmente, endivida milhões de famílias. O Natal e o Ano Novo
contemporâneos, tais como nos são apresentados pelos meios de comunicação, revelam menos sobre
a celebração de valores transcendentes ou sobre renovação genuína do que sobre as contradições de
uma sociedade que aprendeu a confundir afeto com capacidade de consumo e esperança com poder
de compra.
A questão não é recente, mas merece ser revisitada a cada ciclo, sobretudo quando se observa
o papel central que a mídia desempenha na construção e manutenção desse modelo. Não se trata
apenas de publicidade explícita, aquela que reconhecemos como tal e da qual podemos, ao menos
teoricamente, manter distância crítica. O incentivo ao consumo nessa temporada opera em planos mais
sutis e, por isso mesmo, mais eficazes: matérias jornalísticas sobre tendências de presentes, pesquisas
que revelam quanto os brasileiros pretendem gastar (criando um parâmetro de normalidade), guias de
compras apresentados como serviço ao leitor, reportagens sobre destinos de réveillon e o que vestir na
virada do ano, coberturas sobre a movimentação do comércio que naturalizam a equação festividades-igual-consumo. A fronteira entre conteúdo editorial e publicitário se dilui estrategicamente, e o resultado
é uma narrativa coesa que transforma o ato de comprar em imperativo moral e social.
Problematizar essa dinâmica não significa demonizar o comércio, condenar quem compra presentes ou vai à praia na virada do ano, ou propor a extinção dessas datas como celebrações coletivas. Significa,
isto sim, criar espaço para que a sociedade possa refletir criticamente sobre os significados e as práticas
que construiu em torno delas. Significa reconhecer que o modelo atual serve a determinados interesses
econômicos, mas não necessariamente ao bem-estar coletivo ou individual. E significa, para a imprensa
em particular, assumir que seu papel não pode se limitar a ser correia de transmissão de uma lógica
econômica que ela mesma, em momentos de autocrítica episódica, reconhece como problemática.
Uma imprensa que naturaliza a mercantilização de todas as dimensões da vida, inclusive as mais
íntimas, afetivas e relacionadas à esperança e ao futuro, contribui para a perpetuação de um modelo
insustentável em múltiplas dimensões.
ALBERTONI, Ramsés. O Natal e o Ano Novo que a mídia vende. In: Observatório da Imprensa, edição 1369, 18 de
dezembro de 2025. Disponível em: https://www.observatoriodaimprensa.com.br/consumo/o-natal-e-o-ano-novo-que-a-midiavende/. Acesso em: 28 dez. 2025. (Fragmento)
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Texto I
Rumo a um turboconsumidor
Desde o fim dos anos 1970, enquanto a tecnologização moderna dos lares é quase generalizada,
desenvolve-se seu pluriequipamento, que significa a passagem de um consumo ordenado pela família a
um consumo centrado no indivíduo. Os efeitos dessa multiplicação dos objetos pessoais são importantes,
podendo cada um, dessa maneira, organizar sua vida privada em seu próprio ritmo. Recursos de telefonia
e de multimídia provocaram a hiperindividualização da utilização dos bens de consumo, das defasagens
dos ritmos no interior da família, da dessincronização das atividades cotidianas e dos empregos do
tempo. Em suas bandeiras, a sociedade de hiperconsumo pode escrever em letras triunfantes: “Cada
um com seus objetos, cada um com seu uso, cada um com seu ritmo de vida”.
A sociedade de hiperconsumo, longe de arruinar o sistema do desejo e do consumo, empenha-se,
não sem sucesso, em mantê-lo cada vez mais desperto, ampliando seu regime temporal. A lógica do
turboconsumismo encontra sua realização nas redes eletrônicas, graças às compras pela internet. O
ciberconsumidor liberta-se de todos os entraves espaço-temporais. Há supressão das barreiras ligadas
não apenas ao espaço, mas também ao acesso à informação: graças aos sites de comparação de
preços, o internauta pode informar-se em tempo real sobre os produtos e serviços, compará-los a
qualquer hora antes de fazer sua escolha. É um sistema de informação sem limite, sem coerção de
tempo e de lugar que especifica a época do turboconsumismo.
O turboconsumidor tornou-se, portanto, um doente da urgência, prisioneiro da ditadura do “tempo real”?
É verdade que o hiperconsumidor expõe uma evidente preocupação em fazer mais e mais depressa, não
suporta perder tempo, quer a acessibilidade dos produtos, das imagens e da comunicação a toda hora
do dia e da noite. Mas, ao mesmo tempo, assiste-se à proliferação de desejos e de comportamentos cuja
orientação para os prazeres sensoriais e estéticos, para o maior bem-estar, para as sensações corporais
exprimem a valorização de uma temporalidade lenta, qualitativa e sensualista. Slow food¹, escutas
musicais, passeios a pé, excursões, spas e banhos turcos, meditações e relaxamentos: contra a “vida
corrida”, os lazeres lentos encontram amplo eco. Assim, somos testemunhas do gosto pelo flanar, pelas
idas ao restaurante à noite, pela ociosidade na praia ou nos terraços dos cafés. Nada de temporalidade
uniformemente urgencial, mas um sistema composto de temporalidades profundamente heterogêneas:
ao tempo operacional opõe-se o tempo hedonista, ao tempo do trabalho, o tempo recreativo, ao tempo
precipitado, o tempo descontraído. O regime do tempo na sociedade de hiperconsumo não tem nada
de unidimensional; é, ao contrário, paradoxal, dessincronizado, heteróclito (desregrado), polirrítmico.
Os consumidores atentos às causas humanitárias, preocupados com selos verdes e produtos éticos,
mostram-se mais solidários? Mas, se a tendência ao consumo “cidadão” é inegável, em que ela faz
sair da constelação do indivíduo, em outras palavras, dos engajamentos de tipo opcional, mínimo e
indolor? Ela significa sobretudo que o individualismo não é sinônimo de egoísmo absoluto: este pode
ser compatível com o espírito de responsabilidade, com a preocupação com certos valores, ainda que
fosse segundo um regime de geometria variável, “sem obrigação nem sanção”.
A multiplicação das informações e a elevação do nível de instrução da população favoreceram,
sem nenhuma dúvida, a “profissionalização” das atividades consumidoras. Mas, do outro lado,
observa-se uma infinidade de fenômenos sinônimos, ao contrário, de excesso e de descontrole de
si: vítimas da moda, compras compulsivas, superendividamento das famílias, “fanáticos” por jogos de
1. Slow food: movimento global que nasceu na Itália, em 1986, como resposta ao fast-food, promovendo uma alimentação que valoriza
o prazer de comer, a sustentabilidade ambiental, a cultura local, a biodiversidade e o apoio a pequenos produtores, além de incentivar o
consumo consciente e o resgate de tradições gastronômicas regionais.
vídeo, ciberdependentes, toxicomanias, práticas viciosas de todo tipo, anarquia dos comportamentos
alimentares, bulimias e obesidades. O que se anuncia é tanto um individualismo desenfreado e caótico
quanto um consumidor expert que se encarrega de si de maneira responsável.
O relaxamento dos controles coletivos, as normas hedonistas, a escolha da primeira qualidade,
a educação liberal, tudo isso contribuiu para compor um indivíduo desligado dos fins comuns e que,
reduzido tão-só às suas forças, se mostra, muitas vezes, incapaz de resistir tanto às solicitações externas
quanto aos impulsos internos. Assim, somos testemunhas de todo um conjunto de comportamentos
desestruturados, de consumos patológicos e compulsivos. Por toda parte, a tendência ao desregramento
de si acompanha a cultura de livre disposição dos indivíduos entregues à vertigem de si próprios no
supermercado contemporâneo dos modos de vida. À medida que se amplia o princípio de pleno poder
sobre a direção da própria vida, as manifestações de dependência e de impotência subjetivas se
desenvolvem num ritmo crescente. Se o indivíduo é socialmente autônomo, ei-lo mais do que nunca
dependente da forma mercantil para a satisfação de suas necessidades.
LIPOVETSKY, Gilles. Rumo a um turboconsumidor. In: A felicidade paradoxal: ensaios sobre a sociedade de
hiperconsumo. Trad. Maria Lúcia Machado. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. (Fragmento adaptado)
( ) Quanto mais socialmente autônomo for o indivíduo, menor será sua dependência da esfera mercantil para suprir suas necessidades.
( ) A dissolução das normas coletivas e a valorização do individualismo resultaram em um indivíduo isolado, hedonista e vulnerável, frequentemente incapaz de lidar com pressões externas e impulsos internos.
( ) Observa-se uma disseminação de comportamentos desestruturados e consumos compulsivos, uma vez que a tendência ao desregramento acompanha a cultura contemporânea, marcada pela livre escolha individual nos diversos estilos de vida.
( ) Se o indivíduo possui o controle sobre a própria vida, ele não convive com as sensações de dependência e de impotência pessoal.
A sequência correta é:
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