Magna Concursos

Foram encontradas 65 questões.

3879022 Ano: 2025
Disciplina: Direito Tributário
Banca: UFF
Orgão: UFF
Provas:
Determinado tributo tem como fato gerador o exercício do poder de polícia ou a utilização, efetiva ou potencial, de serviço público específico e divisível, prestado ao contribuinte ou posto à sua disposição.

A definição apresentada no parágrafo acima, se refere a
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3879021 Ano: 2025
Disciplina: Direito Tributário
Banca: UFF
Orgão: UFF
Provas:
Observe as afirmativas a seguir:

I O contribuinte é o sujeito passivo da obrigação tributária que possui relação direta com o fato gerador. Por exemplo, o prestador do serviço (ISS) ou o proprietário do automóvel (IPVA).
II Existem dois tipos de contribuintes: o contribuinte de fato, que efetivamente suporta o ônus tributário; e o contribuinte responsável, o qual a lei determina para responder pela obrigação tributária. Em alguns casos, o contribuinte de fato é também o responsável, enquanto em outros o contribuinte de fato é um e o contribuinte responsável é outro.

Sobre elas, é correto afirmar que
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3879020 Ano: 2025
Disciplina: Direito Administrativo
Banca: UFF
Orgão: UFF
Provas:
“Representa o valor pago pelo proprietário do domínio útil ao proprietário de direito ou pleno, sempre que se realizar uma transação onerosa do imóvel originariamente pertencente à União”. O texto faz referência ao(à)
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3879019 Ano: 2025
Disciplina: Direito Tributário
Banca: UFF
Orgão: UFF
Provas:
Constitui um conjunto correto do que denominamos tecnicamente de tributo:
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3879018 Ano: 2025
Disciplina: Direito Tributário
Banca: UFF
Orgão: UFF
Provas:
“É toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.”

O texto acima, faz referência ao conceito de:
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3878842 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: UFF
Orgão: UFF

Texto 3



LITERATURA DE FICÇÃO, ESCOLA E UTOPIA

Ricardo Azevedo

No final de seu livro A letra e a voz, o

suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e

do discurso oral, diz que “o complexo é

muitíssimo mais provável do que o simples, e o

uno é muitíssimo menos provável do que o

diverso”. Creio que a literatura seja algo muito

complexo e diversificado. Não pode ser vista

como uma essência ou um elemento

monolítico, isolado e único: “a” literatura. Não!

Para mim, a literatura lembra mais uma rica e

frondosa árvore cheia de galhos e esses galhos

representam diferentes literaturas, todas

legítimas e todas irmãs, pois nasceram de um

mesmo tronco. Não podemos esquecer, porém,

que as literaturas são expressões da sociedade

em que são produzidas. Para o sociólogo

Norbert Elias, a literatura é sempre

“testemunho e expressão de um certo nível de

consciência”.

Parece razoável pensar que, nos

tempos individualistas, tecnológicos e

consumistas em que vivemos, as pessoas têm

sido levadas a enxergar e a valorizar mais as

coisas – dinheiro, automóveis, marcas, selfies,

gadgets, topetes, tatuagens, símbolos de

status – do que a valorizar as outras pessoas.

Vivemos, creio, num ambiente de grande

analfabetismo político e social. O “modelo de

consciência” dominante, para ficar com o termo

de Norbert Elias, parece ser essencialmente

técnico, e a técnica é utilitária, impessoal e

higiênica − classifica, analisa, controla e

determina a função de tudo. Além disso, a

técnica calcula, projeta, fabrica, comercializa e

visa ao menor custo e ao maior lucro. Para

alguns (Hannah Arendt em A condição

humana), a “racionalidade” nada mais é do que

o “cálculo das consequências”. É preciso

reconhecer que nem tudo é “previsível”. Uma

ideia nova, por exemplo.

Num ambiente apenas técnico,

impessoal, consumista e utilitarista – tempos,

volto a dizer, de analfabetismo político e social

– sinto que duas palavras andam cada vez mais

desacreditadas: uma é “ficção” e a outra é

“utopia”. É fácil escutar por aí vozes dizendo em

tom de desprezo: “Isso é bobagem! Isso é

ficção! Isso é só utopia!” Eis por que muitos

pais, naturalmente utilizando seu “cálculo das

consequências”, perguntam aflitos: para que

gastar dinheiro com literatura? Por que não dão

ao meu filho apenas livros técnicos, didáticos e

úteis? São visões equivocadas. Prefiro lembrar

de Mikhail Bakhtin, para quem “a ficção é uma

forma de experimentar a verdade”. Falar de

literatura significa falar de ficção e de

linguagem subjetiva. Por meio da ficção e da

linguagem, criamos situações humanas

complexas que não aconteceram, mas

poderiam ter acontecido, e, a partir daí, temos

a chance de pensar melhor sobre a vida e o

mundo.

A partir da literatura podemos nos

“redescrever” como pessoas. A literatura tem o

dom de ampliar nosso vocabulário subjetivo.

Não me refiro apenas ao número de palavras,

mas, sim, a palavras que entram no nosso

vocabulário de forma inesperada, para

expressar, expandir, ressignificar, “re-

descrever” nossos sentimentos, nossa visão

política e social, nossa leitura da vida e do

mundo.

AZEVEDO, Ricardo. Literatura de ficção, escola e utopia. In: FAILLA, Zoara (organização). Retratos da leitura no Brasil 5. Rio de Janeiro: Sextante, 2021. p. 116-127. Fragmento adaptado. Acesso em: 08/06/2025.

A repetição em “Isso é bobagem! Isso é ficção! Isso é utopia!” (Linhas 47-48), atua, simultaneamente,
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3878841 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: UFF
Orgão: UFF

Texto 3



LITERATURA DE FICÇÃO, ESCOLA E UTOPIA

Ricardo Azevedo

No final de seu livro A letra e a voz, o

suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e

do discurso oral, diz que “o complexo é

muitíssimo mais provável do que o simples, e o

uno é muitíssimo menos provável do que o

diverso”. Creio que a literatura seja algo muito

complexo e diversificado. Não pode ser vista

como uma essência ou um elemento

monolítico, isolado e único: “a” literatura. Não!

Para mim, a literatura lembra mais uma rica e

frondosa árvore cheia de galhos e esses galhos

representam diferentes literaturas, todas

legítimas e todas irmãs, pois nasceram de um

mesmo tronco. Não podemos esquecer, porém,

que as literaturas são expressões da sociedade

em que são produzidas. Para o sociólogo

Norbert Elias, a literatura é sempre

“testemunho e expressão de um certo nível de

consciência”.

Parece razoável pensar que, nos

tempos individualistas, tecnológicos e

consumistas em que vivemos, as pessoas têm

sido levadas a enxergar e a valorizar mais as

coisas – dinheiro, automóveis, marcas, selfies,

gadgets, topetes, tatuagens, símbolos de

status – do que a valorizar as outras pessoas.

Vivemos, creio, num ambiente de grande

analfabetismo político e social. O “modelo de

consciência” dominante, para ficar com o termo

de Norbert Elias, parece ser essencialmente

técnico, e a técnica é utilitária, impessoal e

higiênica − classifica, analisa, controla e

determina a função de tudo. Além disso, a

técnica calcula, projeta, fabrica, comercializa e

visa ao menor custo e ao maior lucro. Para

alguns (Hannah Arendt em A condição

humana), a “racionalidade” nada mais é do que

o “cálculo das consequências”. É preciso

reconhecer que nem tudo é “previsível”. Uma

ideia nova, por exemplo.

Num ambiente apenas técnico,

impessoal, consumista e utilitarista – tempos,

volto a dizer, de analfabetismo político e social

– sinto que duas palavras andam cada vez mais

desacreditadas: uma é “ficção” e a outra é

“utopia”. É fácil escutar por aí vozes dizendo em

tom de desprezo: “Isso é bobagem! Isso é

ficção! Isso é só utopia!” Eis por que muitos

pais, naturalmente utilizando seu “cálculo das

consequências”, perguntam aflitos: para que

gastar dinheiro com literatura? Por que não dão

ao meu filho apenas livros técnicos, didáticos e

úteis? São visões equivocadas. Prefiro lembrar

de Mikhail Bakhtin, para quem “a ficção é uma

forma de experimentar a verdade”. Falar de

literatura significa falar de ficção e de

linguagem subjetiva. Por meio da ficção e da

linguagem, criamos situações humanas

complexas que não aconteceram, mas

poderiam ter acontecido, e, a partir daí, temos

a chance de pensar melhor sobre a vida e o

mundo.

A partir da literatura podemos nos

“redescrever” como pessoas. A literatura tem o

dom de ampliar nosso vocabulário subjetivo.

Não me refiro apenas ao número de palavras,

mas, sim, a palavras que entram no nosso

vocabulário de forma inesperada, para

expressar, expandir, ressignificar, “re-

descrever” nossos sentimentos, nossa visão

política e social, nossa leitura da vida e do

mundo.

AZEVEDO, Ricardo. Literatura de ficção, escola e utopia. In: FAILLA, Zoara (organização). Retratos da leitura no Brasil 5. Rio de Janeiro: Sextante, 2021. p. 116-127. Fragmento adaptado. Acesso em: 08/06/2025.

Justifica-se a vírgula em “Vivemos, creio, num ambiente de grande analfabetismo político e social” (Linhas 27-28) para
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3878840 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: UFF
Orgão: UFF

Texto 3



LITERATURA DE FICÇÃO, ESCOLA E UTOPIA

Ricardo Azevedo

No final de seu livro A letra e a voz, o

suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e

do discurso oral, diz que “o complexo é

muitíssimo mais provável do que o simples, e o

uno é muitíssimo menos provável do que o

diverso”. Creio que a literatura seja algo muito

complexo e diversificado. Não pode ser vista

como uma essência ou um elemento

monolítico, isolado e único: “a” literatura. Não!

Para mim, a literatura lembra mais uma rica e

frondosa árvore cheia de galhos e esses galhos

representam diferentes literaturas, todas

legítimas e todas irmãs, pois nasceram de um

mesmo tronco. Não podemos esquecer, porém,

que as literaturas são expressões da sociedade

em que são produzidas. Para o sociólogo

Norbert Elias, a literatura é sempre

“testemunho e expressão de um certo nível de

consciência”.

Parece razoável pensar que, nos

tempos individualistas, tecnológicos e

consumistas em que vivemos, as pessoas têm

sido levadas a enxergar e a valorizar mais as

coisas – dinheiro, automóveis, marcas, selfies,

gadgets, topetes, tatuagens, símbolos de

status – do que a valorizar as outras pessoas.

Vivemos, creio, num ambiente de grande

analfabetismo político e social. O “modelo de

consciência” dominante, para ficar com o termo

de Norbert Elias, parece ser essencialmente

técnico, e a técnica é utilitária, impessoal e

higiênica − classifica, analisa, controla e

determina a função de tudo. Além disso, a

técnica calcula, projeta, fabrica, comercializa e

visa ao menor custo e ao maior lucro. Para

alguns (Hannah Arendt em A condição

humana), a “racionalidade” nada mais é do que

o “cálculo das consequências”. É preciso

reconhecer que nem tudo é “previsível”. Uma

ideia nova, por exemplo.

Num ambiente apenas técnico,

impessoal, consumista e utilitarista – tempos,

volto a dizer, de analfabetismo político e social

– sinto que duas palavras andam cada vez mais

desacreditadas: uma é “ficção” e a outra é

“utopia”. É fácil escutar por aí vozes dizendo em

tom de desprezo: “Isso é bobagem! Isso é

ficção! Isso é só utopia!” Eis por que muitos

pais, naturalmente utilizando seu “cálculo das

consequências”, perguntam aflitos: para que

gastar dinheiro com literatura? Por que não dão

ao meu filho apenas livros técnicos, didáticos e

úteis? São visões equivocadas. Prefiro lembrar

de Mikhail Bakhtin, para quem “a ficção é uma

forma de experimentar a verdade”. Falar de

literatura significa falar de ficção e de

linguagem subjetiva. Por meio da ficção e da

linguagem, criamos situações humanas

complexas que não aconteceram, mas

poderiam ter acontecido, e, a partir daí, temos

a chance de pensar melhor sobre a vida e o

mundo.

A partir da literatura podemos nos

“redescrever” como pessoas. A literatura tem o

dom de ampliar nosso vocabulário subjetivo.

Não me refiro apenas ao número de palavras,

mas, sim, a palavras que entram no nosso

vocabulário de forma inesperada, para

expressar, expandir, ressignificar, “re-

descrever” nossos sentimentos, nossa visão

política e social, nossa leitura da vida e do

mundo.

AZEVEDO, Ricardo. Literatura de ficção, escola e utopia. In: FAILLA, Zoara (organização). Retratos da leitura no Brasil 5. Rio de Janeiro: Sextante, 2021. p. 116-127. Fragmento adaptado. Acesso em: 08/06/2025.

A oração sublinhada em “Não podemos esquecer, porém, que as literaturas são expressões da sociedade em que são produzidas” (Linhas 14-16) está na voz passiva analítica. Na voz passiva sintética, de acordo com a norma culta, teria a seguinte estrutura:
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3878839 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: UFF
Orgão: UFF

Texto 3



LITERATURA DE FICÇÃO, ESCOLA E UTOPIA

Ricardo Azevedo

No final de seu livro A letra e a voz, o

suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e

do discurso oral, diz que “o complexo é

muitíssimo mais provável do que o simples, e o

uno é muitíssimo menos provável do que o

diverso”. Creio que a literatura seja algo muito

complexo e diversificado. Não pode ser vista

como uma essência ou um elemento

monolítico, isolado e único: “a” literatura. Não!

Para mim, a literatura lembra mais uma rica e

frondosa árvore cheia de galhos e esses galhos

representam diferentes literaturas, todas

legítimas e todas irmãs, pois nasceram de um

mesmo tronco. Não podemos esquecer, porém,

que as literaturas são expressões da sociedade

em que são produzidas. Para o sociólogo

Norbert Elias, a literatura é sempre

“testemunho e expressão de um certo nível de

consciência”.

Parece razoável pensar que, nos

tempos individualistas, tecnológicos e

consumistas em que vivemos, as pessoas têm

sido levadas a enxergar e a valorizar mais as

coisas – dinheiro, automóveis, marcas, selfies,

gadgets, topetes, tatuagens, símbolos de

status – do que a valorizar as outras pessoas.

Vivemos, creio, num ambiente de grande

analfabetismo político e social. O “modelo de

consciência” dominante, para ficar com o termo

de Norbert Elias, parece ser essencialmente

técnico, e a técnica é utilitária, impessoal e

higiênica − classifica, analisa, controla e

determina a função de tudo. Além disso, a

técnica calcula, projeta, fabrica, comercializa e

visa ao menor custo e ao maior lucro. Para

alguns (Hannah Arendt em A condição

humana), a “racionalidade” nada mais é do que

o “cálculo das consequências”. É preciso

reconhecer que nem tudo é “previsível”. Uma

ideia nova, por exemplo.

Num ambiente apenas técnico,

impessoal, consumista e utilitarista – tempos,

volto a dizer, de analfabetismo político e social

– sinto que duas palavras andam cada vez mais

desacreditadas: uma é “ficção” e a outra é

“utopia”. É fácil escutar por aí vozes dizendo em

tom de desprezo: “Isso é bobagem! Isso é

ficção! Isso é só utopia!” Eis por que muitos

pais, naturalmente utilizando seu “cálculo das

consequências”, perguntam aflitos: para que

gastar dinheiro com literatura? Por que não dão

ao meu filho apenas livros técnicos, didáticos e

úteis? São visões equivocadas. Prefiro lembrar

de Mikhail Bakhtin, para quem “a ficção é uma

forma de experimentar a verdade”. Falar de

literatura significa falar de ficção e de

linguagem subjetiva. Por meio da ficção e da

linguagem, criamos situações humanas

complexas que não aconteceram, mas

poderiam ter acontecido, e, a partir daí, temos

a chance de pensar melhor sobre a vida e o

mundo.

A partir da literatura podemos nos

“redescrever” como pessoas. A literatura tem o

dom de ampliar nosso vocabulário subjetivo.

Não me refiro apenas ao número de palavras,

mas, sim, a palavras que entram no nosso

vocabulário de forma inesperada, para

expressar, expandir, ressignificar, “re-

descrever” nossos sentimentos, nossa visão

política e social, nossa leitura da vida e do

mundo.

AZEVEDO, Ricardo. Literatura de ficção, escola e utopia. In: FAILLA, Zoara (organização). Retratos da leitura no Brasil 5. Rio de Janeiro: Sextante, 2021. p. 116-127. Fragmento adaptado. Acesso em: 08/06/2025.

Leia o fragmento a seguir para responder à questão:

“No final de seu livro A letra e a voz, o suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e do discurso oral, diz que ‘o complexo é muitíssimo mais provável do que o simples, e o uno é muitíssimo menos provável do que o diverso.” (Linhas 1-6)

Em “o complexo é muitíssimo mais provável do que o simples, e o uno é muitíssimo menos provável do que o diverso”, as formas sublinhadas exemplificam, respectivamente o
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3878838 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: UFF
Orgão: UFF

Texto 3



LITERATURA DE FICÇÃO, ESCOLA E UTOPIA

Ricardo Azevedo

No final de seu livro A letra e a voz, o

suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e

do discurso oral, diz que “o complexo é

muitíssimo mais provável do que o simples, e o

uno é muitíssimo menos provável do que o

diverso”. Creio que a literatura seja algo muito

complexo e diversificado. Não pode ser vista

como uma essência ou um elemento

monolítico, isolado e único: “a” literatura. Não!

Para mim, a literatura lembra mais uma rica e

frondosa árvore cheia de galhos e esses galhos

representam diferentes literaturas, todas

legítimas e todas irmãs, pois nasceram de um

mesmo tronco. Não podemos esquecer, porém,

que as literaturas são expressões da sociedade

em que são produzidas. Para o sociólogo

Norbert Elias, a literatura é sempre

“testemunho e expressão de um certo nível de

consciência”.

Parece razoável pensar que, nos

tempos individualistas, tecnológicos e

consumistas em que vivemos, as pessoas têm

sido levadas a enxergar e a valorizar mais as

coisas – dinheiro, automóveis, marcas, selfies,

gadgets, topetes, tatuagens, símbolos de

status – do que a valorizar as outras pessoas.

Vivemos, creio, num ambiente de grande

analfabetismo político e social. O “modelo de

consciência” dominante, para ficar com o termo

de Norbert Elias, parece ser essencialmente

técnico, e a técnica é utilitária, impessoal e

higiênica − classifica, analisa, controla e

determina a função de tudo. Além disso, a

técnica calcula, projeta, fabrica, comercializa e

visa ao menor custo e ao maior lucro. Para

alguns (Hannah Arendt em A condição

humana), a “racionalidade” nada mais é do que

o “cálculo das consequências”. É preciso

reconhecer que nem tudo é “previsível”. Uma

ideia nova, por exemplo.

Num ambiente apenas técnico,

impessoal, consumista e utilitarista – tempos,

volto a dizer, de analfabetismo político e social

– sinto que duas palavras andam cada vez mais

desacreditadas: uma é “ficção” e a outra é

“utopia”. É fácil escutar por aí vozes dizendo em

tom de desprezo: “Isso é bobagem! Isso é

ficção! Isso é só utopia!” Eis por que muitos

pais, naturalmente utilizando seu “cálculo das

consequências”, perguntam aflitos: para que

gastar dinheiro com literatura? Por que não dão

ao meu filho apenas livros técnicos, didáticos e

úteis? São visões equivocadas. Prefiro lembrar

de Mikhail Bakhtin, para quem “a ficção é uma

forma de experimentar a verdade”. Falar de

literatura significa falar de ficção e de

linguagem subjetiva. Por meio da ficção e da

linguagem, criamos situações humanas

complexas que não aconteceram, mas

poderiam ter acontecido, e, a partir daí, temos

a chance de pensar melhor sobre a vida e o

mundo.

A partir da literatura podemos nos

“redescrever” como pessoas. A literatura tem o

dom de ampliar nosso vocabulário subjetivo.

Não me refiro apenas ao número de palavras,

mas, sim, a palavras que entram no nosso

vocabulário de forma inesperada, para

expressar, expandir, ressignificar, “re-

descrever” nossos sentimentos, nossa visão

política e social, nossa leitura da vida e do

mundo.

AZEVEDO, Ricardo. Literatura de ficção, escola e utopia. In: FAILLA, Zoara (organização). Retratos da leitura no Brasil 5. Rio de Janeiro: Sextante, 2021. p. 116-127. Fragmento adaptado. Acesso em: 08/06/2025.

Leia o fragmento a seguir para responder à questão:

“No final de seu livro A letra e a voz, o suíço Paul Zumthor, estudioso da oralidade e do discurso oral, diz que ‘o complexo é muitíssimo mais provável do que o simples, e o uno é muitíssimo menos provável do que o diverso.” (Linhas 1-6)

A expressão “estudioso da oralidade e do discurso oral”, acima sublinhada, funciona sintaticamente como
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas