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Texto 3A4-II
Agora torna a minha pergunta: E que faria neste caso, ou que devia fazer o semeador evangélico, vendo tão mal logrados seus primeiros trabalhos? Deixaria a lavoura? Desistiria da sementeira? Ficar-se-ia ocioso no campo, só porque tinha lá ido? Parece que não. [...]
Dá-me grande exemplo o semeador, porque, depois de perder a primeira, a segunda e a terceira parte do trigo, aproveitou a quarta e última, e colheu dela muito fruto. Já que se perderam as três partes da vida, já que uma parte da idade a levaram os espinhos, já que outra parte a levaram as pedras, já que outra parte a levaram os caminhos, e tantos caminhos, esta quarta e última parte, este último quartel da vida, por que se perderá também? Por que não dará fruto? Por que não terão também os anos o que tem o ano? O ano tem tempo para as flores e tempo para os frutos. Por que não terá também o seu Outono a vida? As flores, umas caem, outras secam, outras murcham, outras leva o vento; aquelas poucas que se pegam ao tronco e se convertem em fruto, só essas são as venturosas, só essas são as que aproveitam, só essas são as que sustentam o Mundo.
Padre Antonio Vieira. Sermão da sexagésima. In: Sermões escolhidos. v.2, São Paulo: Edameris, 1965. Internet: <www.dominiopublico.gov.br> (com adaptações).
Considerando-se que o sermão do padre Vieira é um texto argumentativo e, como tal, está voltado para o interlocutor da mensagem, o emprego das repetidas perguntas no texto 3A4-II tem a função de
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: SESI-SP
Texto 3A4-I
Rios sem discurso
Quando um rio corta, corta-se de vez
o discurso-rio de água que ele fazia;
cortado, a água se quebra em pedaços,
em poços de água, em água paralítica.
Em situação de poço, a água equivale
a uma palavra em situação dicionária:
isolada, estanque no poço dela mesma,
e porque assim estanque, estancada;
e mais: porque assim estancada, muda,
e muda porque com nenhuma comunica,
porque cortou-se a sintaxe desse rio,
o fio de água por que ele discorria.
O curso de um rio, seu discurso-rio,
chega raramente a se reatar de vez;
um rio precisa de muito fio de água
para refazer o fio antigo que o fez.
Salvo a grandiloquência de uma cheia
lhe impondo interina outra linguagem,
um rio precisa de muita água em fios
para que todos os poços se enfrasem:
se reatando, de um para outro poço,
em frases curtas, então frase e frase,
até a sentença-rio do discurso único
em que se tem voz a seca ele combate.
João Cabral de Melo Neto. A educação pela pedra.
In: Obra completa: volume único. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994, p. 350-1.
O texto 3A4-I ilustra a poesia da terceira fase do Modernismo brasileiro ou a chamada “geração de 45”. Considerando a leitura do poema e aspectos da obra do autor, assinale a opção correta.
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A constituição étnica do estado do Amapá é plural e diversa. Dentro dessa diversidade, encontra-se, inclusive, a presença da cultura africana. Um marco claro de resistência da cultura africana nesse território é o marabaixo, ritual festivo inserido na Festa do Divino Espírito Santo e da Santíssima Trindade, um culto católico. Essa sincronização com os festejos católicos foi a alternativa encontrada pelos escravizados vindos da África para expressar sua religiosidade sem que fossem perseguidos. O marabaixo está integrado ao que se chama, a partir da modernidade, de cultura popular e floresce como um conjunto de dança, música, breves encenações e figurinos. No que concerne às características do marabaixo e à cultura popular, à dança e à música no Brasil, assinale a opção correta.
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Heloísa: — Dizem tanta coisa de você Abelardo...
Abelardo: — Já sei... Os degraus do crime... que desci corajosamente. Sob o silêncio comprado dos jornais e a cegueira da justiça da minha classe! Os espectros do passado... Os homens que traí e assassinei. As mulheres que deixei. Os suicidados... O contrabando e a pilhagem... Todo o arsenal do teatro moralista dos nossos avós. Nada disso me impressiona, nem impressiona mais o público... A chave milagrosa da fortuna, uma chave Yale... jogo com ela!
Heloísa: — O pânico...
O trecho apresentado é parte da obra dramatúrgica O Rei da Vela, escrita por Oswald de Andrade em 1933 e publicada em 1937. Considerando o texto anterior e acerca de cultura, dramaturgia e teatro brasileiros, assinale a opção correta.
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Vovó não quer casca de coco no terreiro
Vovó não quer casca de coco no terreiro
Porque lhe faz lembrar Faz lembrar o tempo do cativeiro
Esses versos são do jongo, uma tradição de origem banto ou bantu que representa até hoje a cultura negra, sua identidade e resistência, e buscam, como tantos outros, memorar a luta dos escravos pela libertação. Devido à tradição oral secular, não é possível a identificação da autoria desses versos. De toda forma, eles dão voz às marcas deixadas pela escravização. Em São Paulo, o jongo — festa com dança, canto e comida — é herança dos escravizados pelos senhores do café e da cana-de-açúcar. No que se refere à cultura popular e ao jongo, assinale a opção correta.
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Anita Malfatti. A Boba, 1915.
As obras mais famosas que conhecemos como aquelas que inflamaram as ideias modernistas no Brasil, como a obra A boba, da pintora Anita Malfatti, foram criadas a partir do contato direto que alguns artistas tinham com as efervescentes investigações artísticas europeias no início do século XX. O pioneirismo de Anita Malfatti, assim como o de outros artistas do período, gerou também muitas críticas, porque o “gosto” artístico, mesmo em São Paulo, onde eles se articulavam e onde iriam “plantar a bandeira” da inauguração do modernismo no Brasil, ainda era pela arte clássica e convencional. A respeito da arte no Brasil no século XX, assinale a opção correta.
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Na metade do século XX, São Paulo já era gigante, um polo de desenvolvimento industrial e intelectual do país. A elite paulista clamava por espetáculos e eventos à sua altura. Então, em 1948 foi criado o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), que certamente desejava ser uma das respostas à demanda da elite, mas, ao mesmo tempo, transformava o cenário do teatro paulista. O TBC foi um divisor de águas das artes cênicas não só de São Paulo, mas do Brasil. A característica mais marcante desse espaço, que, em 1949, também se tornava grupo teatral, foi a busca pelo profissionalismo dos diretores, encenadores e atores, dos cenários e dos figurinos. Considerando essas informações, assim como a cultura e o teatro brasileiros, assinale a opção correta.
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“Haja hoje para tanto ontem.”
Paulo Leminski

Antônio Obá. Iconografia para uma missa preta: estudo para um corpo sem órgãos, 2016. Pintura, técnica mista sobre tela, 100 x 76 cm.
Visualmente, o Barroco — “pérola imperfeita”, como ficou conhecida posteriormente a produção artística elaborada entre os anos de 1600 a 1800 —, é constituído por linhas e dobras irregulares e imponentes, que limitaram a tendência à perfeição renascentista das formas, abrindo espaço ao subjetivismo e à quebra de regras fechadas. Os artistas barrocos brasileiros, em grande número constituído de afro-brasileiros, expressavam as características de um estilo que foi apropriado da Europa a partir do século XVIII em suas obras para as igrejas — sobretudo em Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Rio de Janeiro, Espírito Santo e em algumas poucas de São Paulo. Embora os artistas do período fizessem de início adaptações estilísticas das produções da metrópole, as realizações do Barroco no país encarnaram características singulares e não constituíam mera cópia do modelo europeu, ainda que, para alguns historiadores da arte brasileira, essa singularidade aparecesse na arte barroca apenas de modo latente.
Arte Barroca no Brasil. In: Museu Afrobrasil Emanoel Araújo. Internet: <http://www.museuafrobrasil.org.br/> (com adaptações).
Os tempos históricos podem apresentar, dentro de si, camadas simultâneas de outros momentos. Esses momentos podem ser percebidos como anacrônicos, sincrônicos e diacrônicos. Assim também pode acontecer nas artes visuais: aparências de um estilo de época anterior podem aparecer em outros momentos.
Nascido em 1983, em Ceilândia, cidade-satélite de Brasília, Antônio Obá, reconfigurando em seu trabalho aspectos de uma tradição interiorana que permeia o universo religioso brasileiro, reflete criticamente sobre a ideia de um dito sincretismo e situações históricas ligadas ao preconceito étnico. Antônio Obá, artista finalista do Prêmio Pipa 2017, traz em suas obras uma memória afetiva que propõe a reflexão íntima sobre o corpo (seu corpo miscigenado, negro, preto), mas que se dá (a rigor do termo) em sacrifício em narrativas que contam uma história brasileira vista de um corpo que finca os pés nas raízes de uma tradição em vários contextos ainda marginalizada. Internet: <http://www.premiopipa.com/> (com adaptações).
A respeito dos aspectos apresentados no texto, assinale a opção correta.
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É no embalo de músicas gostosas de ouvir que também se canta o ciclo da chuva e o desastre causado por quem põe fogo na mata ou destrói o manguezal. A linda voz do cantor toca o coração da gente de um jeito que tratados científicos, livros ou reportagens não conseguem fazer. Aprender a cuidar dos recursos naturais fundamentais à vida desde cedo não tem preço.
SESC-SP. Água para as crianças. Internet:<https://portal.sescsp.org.br/> (com adaptações).
Considerando-se o texto anterior, é correto afirmar que a sensibilização à preservação dos recursos naturais promovida pela produção e difusão musical
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Sob a perspectiva da arte-educação, a experiência estética promovida pela ação educativa
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