Foram encontradas 70 questões.
Para responder às questões 01 a 15, leia o texto abaixo.
Kafka e os estudos
- Fui uma aluna, digamos, razoável. Tirava notas
- boas, passava quase sempre por média, mas era
- desinteressada. Estudava o suficiente para passar de
- ano, mas não aprendia de verdade. Assim que
- alcançava as notas que me aprovariam, tudo o que eu
- havia decorado evaporava da minha cabeça. Não
- tenho orgulho nenhum em contar isso, me arrependo
- bastante de não ter prestado atenção pra valer nas
- aulas e de não saber mais sobre história, em especial.
- Mas foi assim. E só fui compreender as razões desse
- meu desligamento ao ler Carta ao pai, de Franz Kafka.
- Nessa carta, ele a certa altura admite que
- estudou, mas não aprendeu nada, apesar de ter uma
- memória mediana e uma capacidade de compreensão
- que não era das piores. Considerava lastimável o que
- havia lhe ficado em termos de conhecimento. Disse
- mais ainda, e nisso exagerou: que seus anos na escola
- haviam sido um desperdício de tempo e dinheiro.
- Estudar nunca é um desperdício, mas quando li
- essa confissão audaciosa eu quis saber mais. O que
- aconteceu, afinal? A justificativa: ele sempre teve uma
- preocupação profunda com a afirmação espiritual da
- sua existência, a tal ponto que todo o resto lhe era
- indiferente.
- Há em “afirmação espiritual da existência”
- solenidade demais para descrever a menina que fui,
- mas era mais ou menos desse jeito que a coisa se
- dava. O que eu queria aprender de verdade não
- passava nem perto do quadro-negro. O que me
- interessava — e interessa até hoje — eram as relações
- humanas, e tudo de mágico e de trágico que elas
- representam numa vida.
- Entre os 7 e os 17 anos, eu tinha urgência em
- estudar o caminho mais curto para ser amada. A
- escola era como um pais estrangeiro. Pela primeira
- vez eu não estava em casa, nem em segurança. Tinha
- que aprender como fazer amizades e mantê-las, como
- demonstrar emoções sem me fragilizar, como
- enfrentar agressões sem cair em prantos, como
- explicar minhas ideias sem me contradizer, como ser
- franca e ao mesmo tempo não ofender os colegas, e
- nisso gastei infindáveis manhãs e tardes prestando
- atenção em mim e nos outros — pouco nas lições.
- Havia um pátio, havia um bar, havia UM Porão
- fechado, havia os banheiros e a Biblioteca, e tudo era
- desafiador. Eu tinha que descobrir em mim a coragem
- para quebrar certas regras, fumar escondido, namorar.
- Ficava muito atenta às diferenças entre sabedoria e
- hierarquia: não era possível que os professores
- estivessem sempre certos e os alunos, errados. E as
- matérias me pareciam tão inúteis... Matemática,
- química e física me eram desnecessárias, eu queria
- saber sobre teatro, música, filosofia, psicologia
- paixão, eu queria entender o que me fazia ficar
- zangada ou em êxtase, eu queria aprender mais sobre
- melancolia, desespero, solidão, eu tinha especial
- atração pelas guerras familiares e pelas mentiras que
- sustentam a sociedade, eu queria ter conhecimento
- sobre ironia, ter domínio sobre o pensamento,
- entender por que alguns gostavam de mim e outros me
- esnobavam, lutar contra o que me angustiava.
- Inocente, queria saber como se fazia para ter
- certezas. Eu, que tirava nota máxima em bom
- comportamento, precisava urgentemente que me
- explicassem o que fazer com o resto de mim, com
- aquilo que eu não usufruia, a parte errada do meu ser.
- “Afirmação espiritual da existência”. Da escola saí
- faz tempo, mas nunca parei de me estudar. E Kafka,
- quem diria, acabou sendo um bom professor.
Autora: Martha Medeiros (adaptado).
Ao analisarmos as condições de produção do texto, observamos que a autora faz uso do gênero textual crônica, o qual permite uma abordagem intimista e reflexiva sobre suas vivências pessoais, além de incorporar referências intertextuais, como a obra de Kafka. Considerando essas características, é CORRETO afirmar que esse gênero textual possibilita:
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Para responder às questões 01 a 15, leia o texto abaixo.
Kafka e os estudos
- Fui uma aluna, digamos, razoável. Tirava notas
- boas, passava quase sempre por média, mas era
- desinteressada. Estudava o suficiente para passar de
- ano, mas não aprendia de verdade. Assim que
- alcançava as notas que me aprovariam, tudo o que eu
- havia decorado evaporava da minha cabeça. Não
- tenho orgulho nenhum em contar isso, me arrependo
- bastante de não ter prestado atenção pra valer nas
- aulas e de não saber mais sobre história, em especial.
- Mas foi assim. E só fui compreender as razões desse
- meu desligamento ao ler Carta ao pai, de Franz Kafka.
- Nessa carta, ele a certa altura admite que
- estudou, mas não aprendeu nada, apesar de ter uma
- memória mediana e uma capacidade de compreensão
- que não era das piores. Considerava lastimável o que
- havia lhe ficado em termos de conhecimento. Disse
- mais ainda, e nisso exagerou: que seus anos na escola
- haviam sido um desperdício de tempo e dinheiro.
- Estudar nunca é um desperdício, mas quando li
- essa confissão audaciosa eu quis saber mais. O que
- aconteceu, afinal? A justificativa: ele sempre teve uma
- preocupação profunda com a afirmação espiritual da
- sua existência, a tal ponto que todo o resto lhe era
- indiferente.
- Há em “afirmação espiritual da existência”
- solenidade demais para descrever a menina que fui,
- mas era mais ou menos desse jeito que a coisa se
- dava. O que eu queria aprender de verdade não
- passava nem perto do quadro-negro. O que me
- interessava — e interessa até hoje — eram as relações
- humanas, e tudo de mágico e de trágico que elas
- representam numa vida.
- Entre os 7 e os 17 anos, eu tinha urgência em
- estudar o caminho mais curto para ser amada. A
- escola era como um pais estrangeiro. Pela primeira
- vez eu não estava em casa, nem em segurança. Tinha
- que aprender como fazer amizades e mantê-las, como
- demonstrar emoções sem me fragilizar, como
- enfrentar agressões sem cair em prantos, como
- explicar minhas ideias sem me contradizer, como ser
- franca e ao mesmo tempo não ofender os colegas, e
- nisso gastei infindáveis manhãs e tardes prestando
- atenção em mim e nos outros — pouco nas lições.
- Havia um pátio, havia um bar, havia UM Porão
- fechado, havia os banheiros e a Biblioteca, e tudo era
- desafiador. Eu tinha que descobrir em mim a coragem
- para quebrar certas regras, fumar escondido, namorar.
- Ficava muito atenta às diferenças entre sabedoria e
- hierarquia: não era possível que os professores
- estivessem sempre certos e os alunos, errados. E as
- matérias me pareciam tão inúteis... Matemática,
- química e física me eram desnecessárias, eu queria
- saber sobre teatro, música, filosofia, psicologia
- paixão, eu queria entender o que me fazia ficar
- zangada ou em êxtase, eu queria aprender mais sobre
- melancolia, desespero, solidão, eu tinha especial
- atração pelas guerras familiares e pelas mentiras que
- sustentam a sociedade, eu queria ter conhecimento
- sobre ironia, ter domínio sobre o pensamento,
- entender por que alguns gostavam de mim e outros me
- esnobavam, lutar contra o que me angustiava.
- Inocente, queria saber como se fazia para ter
- certezas. Eu, que tirava nota máxima em bom
- comportamento, precisava urgentemente que me
- explicassem o que fazer com o resto de mim, com
- aquilo que eu não usufruia, a parte errada do meu ser.
- “Afirmação espiritual da existência”. Da escola saí
- faz tempo, mas nunca parei de me estudar. E Kafka,
- quem diria, acabou sendo um bom professor.
Autora: Martha Medeiros (adaptado).
No trecho Inocente, queria saber como se fazia para ter certezas (l.62-63), Martha Medeiros utiliza a palavra Inocente para descrever um aspecto de sua personalidade durante a juventude. Com base no contexto do texto, é CORRETO afirmar que a utilização do termo inocente sugere:
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Para responder às questões 01 a 15, leia o texto abaixo.
Kafka e os estudos
- Fui uma aluna, digamos, razoável. Tirava notas
- boas, passava quase sempre por média, mas era
- desinteressada. Estudava o suficiente para passar de
- ano, mas não aprendia de verdade. Assim que
- alcançava as notas que me aprovariam, tudo o que eu
- havia decorado evaporava da minha cabeça. Não
- tenho orgulho nenhum em contar isso, me arrependo
- bastante de não ter prestado atenção pra valer nas
- aulas e de não saber mais sobre história, em especial.
- Mas foi assim. E só fui compreender as razões desse
- meu desligamento ao ler Carta ao pai, de Franz Kafka.
- Nessa carta, ele a certa altura admite que
- estudou, mas não aprendeu nada, apesar de ter uma
- memória mediana e uma capacidade de compreensão
- que não era das piores. Considerava lastimável o que
- havia lhe ficado em termos de conhecimento. Disse
- mais ainda, e nisso exagerou: que seus anos na escola
- haviam sido um desperdício de tempo e dinheiro.
- Estudar nunca é um desperdício, mas quando li
- essa confissão audaciosa eu quis saber mais. O que
- aconteceu, afinal? A justificativa: ele sempre teve uma
- preocupação profunda com a afirmação espiritual da
- sua existência, a tal ponto que todo o resto lhe era
- indiferente.
- Há em “afirmação espiritual da existência”
- solenidade demais para descrever a menina que fui,
- mas era mais ou menos desse jeito que a coisa se
- dava. O que eu queria aprender de verdade não
- passava nem perto do quadro-negro. O que me
- interessava — e interessa até hoje — eram as relações
- humanas, e tudo de mágico e de trágico que elas
- representam numa vida.
- Entre os 7 e os 17 anos, eu tinha urgência em
- estudar o caminho mais curto para ser amada. A
- escola era como um pais estrangeiro. Pela primeira
- vez eu não estava em casa, nem em segurança. Tinha
- que aprender como fazer amizades e mantê-las, como
- demonstrar emoções sem me fragilizar, como
- enfrentar agressões sem cair em prantos, como
- explicar minhas ideias sem me contradizer, como ser
- franca e ao mesmo tempo não ofender os colegas, e
- nisso gastei infindáveis manhãs e tardes prestando
- atenção em mim e nos outros — pouco nas lições.
- Havia um pátio, havia um bar, havia UM Porão
- fechado, havia os banheiros e a Biblioteca, e tudo era
- desafiador. Eu tinha que descobrir em mim a coragem
- para quebrar certas regras, fumar escondido, namorar.
- Ficava muito atenta às diferenças entre sabedoria e
- hierarquia: não era possível que os professores
- estivessem sempre certos e os alunos, errados. E as
- matérias me pareciam tão inúteis... Matemática,
- química e física me eram desnecessárias, eu queria
- saber sobre teatro, música, filosofia, psicologia
- paixão, eu queria entender o que me fazia ficar
- zangada ou em êxtase, eu queria aprender mais sobre
- melancolia, desespero, solidão, eu tinha especial
- atração pelas guerras familiares e pelas mentiras que
- sustentam a sociedade, eu queria ter conhecimento
- sobre ironia, ter domínio sobre o pensamento,
- entender por que alguns gostavam de mim e outros me
- esnobavam, lutar contra o que me angustiava.
- Inocente, queria saber como se fazia para ter
- certezas. Eu, que tirava nota máxima em bom
- comportamento, precisava urgentemente que me
- explicassem o que fazer com o resto de mim, com
- aquilo que eu não usufruia, a parte errada do meu ser.
- “Afirmação espiritual da existência”. Da escola saí
- faz tempo, mas nunca parei de me estudar. E Kafka,
- quem diria, acabou sendo um bom professor.
Autora: Martha Medeiros (adaptado).
No texto, a expressão “afirmação espiritual da existência” é utilizada para descrever a principal preocupação de Franz Kafka durante sua vida estudantil. Com base no contexto em que essa expressão é mencionada e nos desdobramentos que ela gera na reflexão da autora, assinale a alternativa que melhor interpreta o significado dessa expressão no texto.
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Para responder às questões 01 a 15, leia o texto abaixo.
Kafka e os estudos
- Fui uma aluna, digamos, razoável. Tirava notas
- boas, passava quase sempre por média, mas era
- desinteressada. Estudava o suficiente para passar de
- ano, mas não aprendia de verdade. Assim que
- alcançava as notas que me aprovariam, tudo o que eu
- havia decorado evaporava da minha cabeça. Não
- tenho orgulho nenhum em contar isso, me arrependo
- bastante de não ter prestado atenção pra valer nas
- aulas e de não saber mais sobre história, em especial.
- Mas foi assim. E só fui compreender as razões desse
- meu desligamento ao ler Carta ao pai, de Franz Kafka.
- Nessa carta, ele a certa altura admite que
- estudou, mas não aprendeu nada, apesar de ter uma
- memória mediana e uma capacidade de compreensão
- que não era das piores. Considerava lastimável o que
- havia lhe ficado em termos de conhecimento. Disse
- mais ainda, e nisso exagerou: que seus anos na escola
- haviam sido um desperdício de tempo e dinheiro.
- Estudar nunca é um desperdício, mas quando li
- essa confissão audaciosa eu quis saber mais. O que
- aconteceu, afinal? A justificativa: ele sempre teve uma
- preocupação profunda com a afirmação espiritual da
- sua existência, a tal ponto que todo o resto lhe era
- indiferente.
- Há em “afirmação espiritual da existência”
- solenidade demais para descrever a menina que fui,
- mas era mais ou menos desse jeito que a coisa se
- dava. O que eu queria aprender de verdade não
- passava nem perto do quadro-negro. O que me
- interessava — e interessa até hoje — eram as relações
- humanas, e tudo de mágico e de trágico que elas
- representam numa vida.
- Entre os 7 e os 17 anos, eu tinha urgência em
- estudar o caminho mais curto para ser amada. A
- escola era como um pais estrangeiro. Pela primeira
- vez eu não estava em casa, nem em segurança. Tinha
- que aprender como fazer amizades e mantê-las, como
- demonstrar emoções sem me fragilizar, como
- enfrentar agressões sem cair em prantos, como
- explicar minhas ideias sem me contradizer, como ser
- franca e ao mesmo tempo não ofender os colegas, e
- nisso gastei infindáveis manhãs e tardes prestando
- atenção em mim e nos outros — pouco nas lições.
- Havia um pátio, havia um bar, havia UM Porão
- fechado, havia os banheiros e a Biblioteca, e tudo era
- desafiador. Eu tinha que descobrir em mim a coragem
- para quebrar certas regras, fumar escondido, namorar.
- Ficava muito atenta às diferenças entre sabedoria e
- hierarquia: não era possível que os professores
- estivessem sempre certos e os alunos, errados. E as
- matérias me pareciam tão inúteis... Matemática,
- química e física me eram desnecessárias, eu queria
- saber sobre teatro, música, filosofia, psicologia
- paixão, eu queria entender o que me fazia ficar
- zangada ou em êxtase, eu queria aprender mais sobre
- melancolia, desespero, solidão, eu tinha especial
- atração pelas guerras familiares e pelas mentiras que
- sustentam a sociedade, eu queria ter conhecimento
- sobre ironia, ter domínio sobre o pensamento,
- entender por que alguns gostavam de mim e outros me
- esnobavam, lutar contra o que me angustiava.
- Inocente, queria saber como se fazia para ter
- certezas. Eu, que tirava nota máxima em bom
- comportamento, precisava urgentemente que me
- explicassem o que fazer com o resto de mim, com
- aquilo que eu não usufruia, a parte errada do meu ser.
- “Afirmação espiritual da existência”. Da escola saí
- faz tempo, mas nunca parei de me estudar. E Kafka,
- quem diria, acabou sendo um bom professor.
Autora: Martha Medeiros (adaptado).
Com base nas ideias do texto, analise as assertivas abaixo e julgue-as V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( )A autora revela um certo arrependimento por não ter se dedicado mais às aulas e à aprendizagem escolar.
( )A autora se identifica com Kafka por também considerar os anos escolares um desperdício completo de tempo e dinheiro.
( )A autora afirma que se dedicou profundamente às disciplinas escolares de ciências exatas, como matemática, física e química.
( )A autora sugere que as matérias do currículo escolar eram irrelevantes para o que ela realmente desejava aprender sobre a vida.
Qual alternativa preenche, CORRETAMENTE, os parênteses, na ordem em que aparecem?
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Para responder às questões 01 a 15, leia o texto abaixo.
Kafka e os estudos
- Fui uma aluna, digamos, razoável. Tirava notas
- boas, passava quase sempre por média, mas era
- desinteressada. Estudava o suficiente para passar de
- ano, mas não aprendia de verdade. Assim que
- alcançava as notas que me aprovariam, tudo o que eu
- havia decorado evaporava da minha cabeça. Não
- tenho orgulho nenhum em contar isso, me arrependo
- bastante de não ter prestado atenção pra valer nas
- aulas e de não saber mais sobre história, em especial.
- Mas foi assim. E só fui compreender as razões desse
- meu desligamento ao ler Carta ao pai, de Franz Kafka.
- Nessa carta, ele a certa altura admite que
- estudou, mas não aprendeu nada, apesar de ter uma
- memória mediana e uma capacidade de compreensão
- que não era das piores. Considerava lastimável o que
- havia lhe ficado em termos de conhecimento. Disse
- mais ainda, e nisso exagerou: que seus anos na escola
- haviam sido um desperdício de tempo e dinheiro.
- Estudar nunca é um desperdício, mas quando li
- essa confissão audaciosa eu quis saber mais. O que
- aconteceu, afinal? A justificativa: ele sempre teve uma
- preocupação profunda com a afirmação espiritual da
- sua existência, a tal ponto que todo o resto lhe era
- indiferente.
- Há em “afirmação espiritual da existência”
- solenidade demais para descrever a menina que fui,
- mas era mais ou menos desse jeito que a coisa se
- dava. O que eu queria aprender de verdade não
- passava nem perto do quadro-negro. O que me
- interessava — e interessa até hoje — eram as relações
- humanas, e tudo de mágico e de trágico que elas
- representam numa vida.
- Entre os 7 e os 17 anos, eu tinha urgência em
- estudar o caminho mais curto para ser amada. A
- escola era como um pais estrangeiro. Pela primeira
- vez eu não estava em casa, nem em segurança. Tinha
- que aprender como fazer amizades e mantê-las, como
- demonstrar emoções sem me fragilizar, como
- enfrentar agressões sem cair em prantos, como
- explicar minhas ideias sem me contradizer, como ser
- franca e ao mesmo tempo não ofender os colegas, e
- nisso gastei infindáveis manhãs e tardes prestando
- atenção em mim e nos outros — pouco nas lições.
- Havia um pátio, havia um bar, havia UM Porão
- fechado, havia os banheiros e a Biblioteca, e tudo era
- desafiador. Eu tinha que descobrir em mim a coragem
- para quebrar certas regras, fumar escondido, namorar.
- Ficava muito atenta às diferenças entre sabedoria e
- hierarquia: não era possível que os professores
- estivessem sempre certos e os alunos, errados. E as
- matérias me pareciam tão inúteis... Matemática,
- química e física me eram desnecessárias, eu queria
- saber sobre teatro, música, filosofia, psicologia
- paixão, eu queria entender o que me fazia ficar
- zangada ou em êxtase, eu queria aprender mais sobre
- melancolia, desespero, solidão, eu tinha especial
- atração pelas guerras familiares e pelas mentiras que
- sustentam a sociedade, eu queria ter conhecimento
- sobre ironia, ter domínio sobre o pensamento,
- entender por que alguns gostavam de mim e outros me
- esnobavam, lutar contra o que me angustiava.
- Inocente, queria saber como se fazia para ter
- certezas. Eu, que tirava nota máxima em bom
- comportamento, precisava urgentemente que me
- explicassem o que fazer com o resto de mim, com
- aquilo que eu não usufruia, a parte errada do meu ser.
- “Afirmação espiritual da existência”. Da escola saí
- faz tempo, mas nunca parei de me estudar. E Kafka,
- quem diria, acabou sendo um bom professor.
Autora: Martha Medeiros (adaptado).
Qual é o principal motivo que Martha Medeiros apresenta para justificar seu desinteresse pelos conteúdos escolares?
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Para responder às questões 01 a 15, leia o texto abaixo.
Kafka e os estudos
- Fui uma aluna, digamos, razoável. Tirava notas
- boas, passava quase sempre por média, mas era
- desinteressada. Estudava o suficiente para passar de
- ano, mas não aprendia de verdade. Assim que
- alcançava as notas que me aprovariam, tudo o que eu
- havia decorado evaporava da minha cabeça. Não
- tenho orgulho nenhum em contar isso, me arrependo
- bastante de não ter prestado atenção pra valer nas
- aulas e de não saber mais sobre história, em especial.
- Mas foi assim. E só fui compreender as razões desse
- meu desligamento ao ler Carta ao pai, de Franz Kafka.
- Nessa carta, ele a certa altura admite que
- estudou, mas não aprendeu nada, apesar de ter uma
- memória mediana e uma capacidade de compreensão
- que não era das piores. Considerava lastimável o que
- havia lhe ficado em termos de conhecimento. Disse
- mais ainda, e nisso exagerou: que seus anos na escola
- haviam sido um desperdício de tempo e dinheiro.
- Estudar nunca é um desperdício, mas quando li
- essa confissão audaciosa eu quis saber mais. O que
- aconteceu, afinal? A justificativa: ele sempre teve uma
- preocupação profunda com a afirmação espiritual da
- sua existência, a tal ponto que todo o resto lhe era
- indiferente.
- Há em “afirmação espiritual da existência”
- solenidade demais para descrever a menina que fui,
- mas era mais ou menos desse jeito que a coisa se
- dava. O que eu queria aprender de verdade não
- passava nem perto do quadro-negro. O que me
- interessava — e interessa até hoje — eram as relações
- humanas, e tudo de mágico e de trágico que elas
- representam numa vida.
- Entre os 7 e os 17 anos, eu tinha urgência em
- estudar o caminho mais curto para ser amada. A
- escola era como um pais estrangeiro. Pela primeira
- vez eu não estava em casa, nem em segurança. Tinha
- que aprender como fazer amizades e mantê-las, como
- demonstrar emoções sem me fragilizar, como
- enfrentar agressões sem cair em prantos, como
- explicar minhas ideias sem me contradizer, como ser
- franca e ao mesmo tempo não ofender os colegas, e
- nisso gastei infindáveis manhãs e tardes prestando
- atenção em mim e nos outros — pouco nas lições.
- Havia um pátio, havia um bar, havia UM Porão
- fechado, havia os banheiros e a Biblioteca, e tudo era
- desafiador. Eu tinha que descobrir em mim a coragem
- para quebrar certas regras, fumar escondido, namorar.
- Ficava muito atenta às diferenças entre sabedoria e
- hierarquia: não era possível que os professores
- estivessem sempre certos e os alunos, errados. E as
- matérias me pareciam tão inúteis... Matemática,
- química e física me eram desnecessárias, eu queria
- saber sobre teatro, música, filosofia, psicologia
- paixão, eu queria entender o que me fazia ficar
- zangada ou em êxtase, eu queria aprender mais sobre
- melancolia, desespero, solidão, eu tinha especial
- atração pelas guerras familiares e pelas mentiras que
- sustentam a sociedade, eu queria ter conhecimento
- sobre ironia, ter domínio sobre o pensamento,
- entender por que alguns gostavam de mim e outros me
- esnobavam, lutar contra o que me angustiava.
- Inocente, queria saber como se fazia para ter
- certezas. Eu, que tirava nota máxima em bom
- comportamento, precisava urgentemente que me
- explicassem o que fazer com o resto de mim, com
- aquilo que eu não usufruia, a parte errada do meu ser.
- “Afirmação espiritual da existência”. Da escola saí
- faz tempo, mas nunca parei de me estudar. E Kafka,
- quem diria, acabou sendo um bom professor.
Autora: Martha Medeiros (adaptado).
Ao descrever sua experiência escolar, Martha Medeiros faz uma distinção clara entre dois tipos de aprendizado. Quais são eles?
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Para responder às questões 01 a 15, leia o texto abaixo.
Kafka e os estudos
- Fui uma aluna, digamos, razoável. Tirava notas
- boas, passava quase sempre por média, mas era
- desinteressada. Estudava o suficiente para passar de
- ano, mas não aprendia de verdade. Assim que
- alcançava as notas que me aprovariam, tudo o que eu
- havia decorado evaporava da minha cabeça. Não
- tenho orgulho nenhum em contar isso, me arrependo
- bastante de não ter prestado atenção pra valer nas
- aulas e de não saber mais sobre história, em especial.
- Mas foi assim. E só fui compreender as razões desse
- meu desligamento ao ler Carta ao pai, de Franz Kafka.
- Nessa carta, ele a certa altura admite que
- estudou, mas não aprendeu nada, apesar de ter uma
- memória mediana e uma capacidade de compreensão
- que não era das piores. Considerava lastimável o que
- havia lhe ficado em termos de conhecimento. Disse
- mais ainda, e nisso exagerou: que seus anos na escola
- haviam sido um desperdício de tempo e dinheiro.
- Estudar nunca é um desperdício, mas quando li
- essa confissão audaciosa eu quis saber mais. O que
- aconteceu, afinal? A justificativa: ele sempre teve uma
- preocupação profunda com a afirmação espiritual da
- sua existência, a tal ponto que todo o resto lhe era
- indiferente.
- Há em “afirmação espiritual da existência”
- solenidade demais para descrever a menina que fui,
- mas era mais ou menos desse jeito que a coisa se
- dava. O que eu queria aprender de verdade não
- passava nem perto do quadro-negro. O que me
- interessava — e interessa até hoje — eram as relações
- humanas, e tudo de mágico e de trágico que elas
- representam numa vida.
- Entre os 7 e os 17 anos, eu tinha urgência em
- estudar o caminho mais curto para ser amada. A
- escola era como um pais estrangeiro. Pela primeira
- vez eu não estava em casa, nem em segurança. Tinha
- que aprender como fazer amizades e mantê-las, como
- demonstrar emoções sem me fragilizar, como
- enfrentar agressões sem cair em prantos, como
- explicar minhas ideias sem me contradizer, como ser
- franca e ao mesmo tempo não ofender os colegas, e
- nisso gastei infindáveis manhãs e tardes prestando
- atenção em mim e nos outros — pouco nas lições.
- Havia um pátio, havia um bar, havia UM Porão
- fechado, havia os banheiros e a Biblioteca, e tudo era
- desafiador. Eu tinha que descobrir em mim a coragem
- para quebrar certas regras, fumar escondido, namorar.
- Ficava muito atenta às diferenças entre sabedoria e
- hierarquia: não era possível que os professores
- estivessem sempre certos e os alunos, errados. E as
- matérias me pareciam tão inúteis... Matemática,
- química e física me eram desnecessárias, eu queria
- saber sobre teatro, música, filosofia, psicologia
- paixão, eu queria entender o que me fazia ficar
- zangada ou em êxtase, eu queria aprender mais sobre
- melancolia, desespero, solidão, eu tinha especial
- atração pelas guerras familiares e pelas mentiras que
- sustentam a sociedade, eu queria ter conhecimento
- sobre ironia, ter domínio sobre o pensamento,
- entender por que alguns gostavam de mim e outros me
- esnobavam, lutar contra o que me angustiava.
- Inocente, queria saber como se fazia para ter
- certezas. Eu, que tirava nota máxima em bom
- comportamento, precisava urgentemente que me
- explicassem o que fazer com o resto de mim, com
- aquilo que eu não usufruia, a parte errada do meu ser.
- “Afirmação espiritual da existência”. Da escola saí
- faz tempo, mas nunca parei de me estudar. E Kafka,
- quem diria, acabou sendo um bom professor.
Autora: Martha Medeiros (adaptado).
No último parágrafo, a autora conclui que, apesar de ter saído da escola há muito tempo, ela nunca parou de se estudar. O que essa afirmação revela sobre sua visão do processo educacional?
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Para responder às questões 01 a 15, leia o texto abaixo.
Kafka e os estudos
- Fui uma aluna, digamos, razoável. Tirava notas
- boas, passava quase sempre por média, mas era
- desinteressada. Estudava o suficiente para passar de
- ano, mas não aprendia de verdade. Assim que
- alcançava as notas que me aprovariam, tudo o que eu
- havia decorado evaporava da minha cabeça. Não
- tenho orgulho nenhum em contar isso, me arrependo
- bastante de não ter prestado atenção pra valer nas
- aulas e de não saber mais sobre história, em especial.
- Mas foi assim. E só fui compreender as razões desse
- meu desligamento ao ler Carta ao pai, de Franz Kafka.
- Nessa carta, ele a certa altura admite que
- estudou, mas não aprendeu nada, apesar de ter uma
- memória mediana e uma capacidade de compreensão
- que não era das piores. Considerava lastimável o que
- havia lhe ficado em termos de conhecimento. Disse
- mais ainda, e nisso exagerou: que seus anos na escola
- haviam sido um desperdício de tempo e dinheiro.
- Estudar nunca é um desperdício, mas quando li
- essa confissão audaciosa eu quis saber mais. O que
- aconteceu, afinal? A justificativa: ele sempre teve uma
- preocupação profunda com a afirmação espiritual da
- sua existência, a tal ponto que todo o resto lhe era
- indiferente.
- Há em “afirmação espiritual da existência”
- solenidade demais para descrever a menina que fui,
- mas era mais ou menos desse jeito que a coisa se
- dava. O que eu queria aprender de verdade não
- passava nem perto do quadro-negro. O que me
- interessava — e interessa até hoje — eram as relações
- humanas, e tudo de mágico e de trágico que elas
- representam numa vida.
- Entre os 7 e os 17 anos, eu tinha urgência em
- estudar o caminho mais curto para ser amada. A
- escola era como um pais estrangeiro. Pela primeira
- vez eu não estava em casa, nem em segurança. Tinha
- que aprender como fazer amizades e mantê-las, como
- demonstrar emoções sem me fragilizar, como
- enfrentar agressões sem cair em prantos, como
- explicar minhas ideias sem me contradizer, como ser
- franca e ao mesmo tempo não ofender os colegas, e
- nisso gastei infindáveis manhãs e tardes prestando
- atenção em mim e nos outros — pouco nas lições.
- Havia um pátio, havia um bar, havia UM Porão
- fechado, havia os banheiros e a Biblioteca, e tudo era
- desafiador. Eu tinha que descobrir em mim a coragem
- para quebrar certas regras, fumar escondido, namorar.
- Ficava muito atenta às diferenças entre sabedoria e
- hierarquia: não era possível que os professores
- estivessem sempre certos e os alunos, errados. E as
- matérias me pareciam tão inúteis... Matemática,
- química e física me eram desnecessárias, eu queria
- saber sobre teatro, música, filosofia, psicologia
- paixão, eu queria entender o que me fazia ficar
- zangada ou em êxtase, eu queria aprender mais sobre
- melancolia, desespero, solidão, eu tinha especial
- atração pelas guerras familiares e pelas mentiras que
- sustentam a sociedade, eu queria ter conhecimento
- sobre ironia, ter domínio sobre o pensamento,
- entender por que alguns gostavam de mim e outros me
- esnobavam, lutar contra o que me angustiava.
- Inocente, queria saber como se fazia para ter
- certezas. Eu, que tirava nota máxima em bom
- comportamento, precisava urgentemente que me
- explicassem o que fazer com o resto de mim, com
- aquilo que eu não usufruia, a parte errada do meu ser.
- “Afirmação espiritual da existência”. Da escola saí
- faz tempo, mas nunca parei de me estudar. E Kafka,
- quem diria, acabou sendo um bom professor.
Autora: Martha Medeiros (adaptado).
Analise as afirmativas a seguir sobre o texto:
I. A autora afirma que, apesar de seu desinteresse pelas matérias escolares, considera que estudou e aprendeu profundamente, o que garantiu seu sucesso acadêmico.
II. A autora identifica-se com Franz Kafka ao relatar uma experiência de distanciamento em relação ao aprendizado escolar, refletindo sobre a irrelevância das matérias para suas necessidades pessoais.
III. A autora lamenta o fato de ter desperdiçado tempo e dinheiro com os estudos formais, sem que isso tenha contribuído para seu desenvolvimento pessoal.
Está(ão) CORRETA(S):
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Disciplina: Direito Tributário
Banca: Legalle
Orgão: SAMAE Caxias do Sul-RS
Relacione as colunas 1 e 2, tendo em vista o conteúdo da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Previdenciários e de Outras Entidades e Fundos (DCTFWeb).
Coluna 1
(1) DCTF.
(2) DCTFWeb.
Coluna 2
( ) Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ).
( ) Contribuições sociais destinadas, por lei, a terceiros.
( ) Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF).
( ) Contribuições previdenciárias.
Qual alternativa preenche, CORRETAMENTE, os parênteses, na ordem em que aparecem?
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Disciplina: Legislação Municipal
Banca: Legalle
Orgão: SAMAE Caxias do Sul-RS
As questões 34 e 35 se referem à Lei Complementar n.º 241/2005 (Dispõe sobre a organização da previdência social dos servidores públicos do Município de Caxias do Sul).
Afirma-se que o segurado poderá requerer aposentadoria voluntariamente, desde que cumprido tempo mínimo de ____ anos de efetivo exercício no serviço público e ____ anos no cargo efetivo em que se dará a aposentadoria, observadas as demais condições da Constituição Federal e da legislação municipal.
Preenche, CORRETA e respectivamente, as lacunas acima:
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