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3890362 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Vermelho Novo-MG
Caso de canário
        Casara-se havia duas semanas. Por isso, em casa dos sogros, a família resolveu que ele é que daria cabo do canário:
        – Você compreende. Nenhum de nós teria coragem de sacrificar o pobrezinho, que nos deu tanta alegria. Todos somos muito ligados a ele, seria uma barbaridade. Você é diferente, ainda não teve tempo de afeiçoar-se ao bichinho. Vai ver que nem reparou nele, durante o noivado.
        – Mas eu também tenho coração, ora essa. Como é que vou matar um pássaro só porque o conheço há menos tempo do que vocês?
        – Porque não tem cura, o médico já disse. Pensa que não tentamos tudo? É para ele não sofrer mais e não aumentar o nosso sofrimento. Seja bom, vá.
        O sogro e a sogra apelaram no mesmo tom. Os olhos claros de sua mulher pediram-lhe com doçura:
        – Vai, meu bem.
        Com repugnância pela obra de misericórdia que ia praticar, ele aproximou-se da gaiola. O canário nem sequer abriu o olho. Jazia a um canto, arrepiado, morto-vivo. É, esse está mesmo na última lona e dói ver a lenta agonia de um ser tão precioso, que viveu para cantar.
        – Primeiro me tragam um vidro de éter e algodão. Assim ele não sentirá o horror da coisa.
        Embebeu de éter a bolinha de algodão, tirou o canário para fora com infinita delicadeza, aconchegou-o na palma da mão esquerda e, olhando para outro lado, aplicou-lhe a bolinha no bico. Sempre sem olhar para a vítima, deu-lhe uma torcida rápida e leve, com dois dedos no pescoço.
        E saiu para a rua, pequenino por dentro, angustiado, achando a condição humana uma droga. As pessoas da casa não quiseram aproximar-se do cadáver. Coube à cozinheira recolher a gaiola, para que sua vista não despertasse saudade e remorso em ninguém. Não havendo jardim para sepultar o corpo, depositou-o na lata de lixo.
        Chegou a hora de jantar, mas quem é que tinha fome naquela casa enlutada? O sacrificador, esse, ficara rodando por aí, e seu desejo seria não voltar para casa nem para dentro de si mesmo.
No dia seguinte, pela manhã, a cozinheira foi ajeitar a lata de lixo para o caminhão, e recebeu uma bicada voraz no dedo.
        – Ui!
        Não é que o canário tinha ressuscitado, perdão, reluzia vivinho da silva, com uma fome danada?
        – Ele estava precisando mesmo era de éter – concluiu o estrangulador, que se sentiu ressuscitar, por sua vez.
(DRUMMOND DE ANDRADE, Carlos. Elenco de cronistas modernos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1976.)
Em “[...] e seu desejo seria não voltar para casa nem para dentro de si mesmo.” (11º§), a forma verbal destacada expressa:
 

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3890361 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Vermelho Novo-MG
Caso de canário
        Casara-se havia duas semanas. Por isso, em casa dos sogros, a família resolveu que ele é que daria cabo do canário:
        – Você compreende. Nenhum de nós teria coragem de sacrificar o pobrezinho, que nos deu tanta alegria. Todos somos muito ligados a ele, seria uma barbaridade. Você é diferente, ainda não teve tempo de afeiçoar-se ao bichinho. Vai ver que nem reparou nele, durante o noivado.
        – Mas eu também tenho coração, ora essa. Como é que vou matar um pássaro só porque o conheço há menos tempo do que vocês?
        – Porque não tem cura, o médico já disse. Pensa que não tentamos tudo? É para ele não sofrer mais e não aumentar o nosso sofrimento. Seja bom, vá.
        O sogro e a sogra apelaram no mesmo tom. Os olhos claros de sua mulher pediram-lhe com doçura:
        – Vai, meu bem.
        Com repugnância pela obra de misericórdia que ia praticar, ele aproximou-se da gaiola. O canário nem sequer abriu o olho. Jazia a um canto, arrepiado, morto-vivo. É, esse está mesmo na última lona e dói ver a lenta agonia de um ser tão precioso, que viveu para cantar.
        – Primeiro me tragam um vidro de éter e algodão. Assim ele não sentirá o horror da coisa.
        Embebeu de éter a bolinha de algodão, tirou o canário para fora com infinita delicadeza, aconchegou-o na palma da mão esquerda e, olhando para outro lado, aplicou-lhe a bolinha no bico. Sempre sem olhar para a vítima, deu-lhe uma torcida rápida e leve, com dois dedos no pescoço.
        E saiu para a rua, pequenino por dentro, angustiado, achando a condição humana uma droga. As pessoas da casa não quiseram aproximar-se do cadáver. Coube à cozinheira recolher a gaiola, para que sua vista não despertasse saudade e remorso em ninguém. Não havendo jardim para sepultar o corpo, depositou-o na lata de lixo.
        Chegou a hora de jantar, mas quem é que tinha fome naquela casa enlutada? O sacrificador, esse, ficara rodando por aí, e seu desejo seria não voltar para casa nem para dentro de si mesmo.
No dia seguinte, pela manhã, a cozinheira foi ajeitar a lata de lixo para o caminhão, e recebeu uma bicada voraz no dedo.
        – Ui!
        Não é que o canário tinha ressuscitado, perdão, reluzia vivinho da silva, com uma fome danada?
        – Ele estava precisando mesmo era de éter – concluiu o estrangulador, que se sentiu ressuscitar, por sua vez.
(DRUMMOND DE ANDRADE, Carlos. Elenco de cronistas modernos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1976.)
Texto é uma forma de expressão da linguagem, uma mensagem transmitida de um autor para um leitor. Sua essência reside na capacidade de comunicar ideias de forma clara, envolvente e eficaz, utilizando a linguagem para moldar a realidade em palavras. Dessa forma, o texto “Caso de canário” tem como principal objetivo:
 

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3890360 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Vermelho Novo-MG
Caso de canário
        Casara-se havia duas semanas. Por isso, em casa dos sogros, a família resolveu que ele é que daria cabo do canário:
        – Você compreende. Nenhum de nós teria coragem de sacrificar o pobrezinho, que nos deu tanta alegria. Todos somos muito ligados a ele, seria uma barbaridade. Você é diferente, ainda não teve tempo de afeiçoar-se ao bichinho. Vai ver que nem reparou nele, durante o noivado.
        – Mas eu também tenho coração, ora essa. Como é que vou matar um pássaro só porque o conheço há menos tempo do que vocês?
        – Porque não tem cura, o médico já disse. Pensa que não tentamos tudo? É para ele não sofrer mais e não aumentar o nosso sofrimento. Seja bom, vá.
        O sogro e a sogra apelaram no mesmo tom. Os olhos claros de sua mulher pediram-lhe com doçura:
        – Vai, meu bem.
        Com repugnância pela obra de misericórdia que ia praticar, ele aproximou-se da gaiola. O canário nem sequer abriu o olho. Jazia a um canto, arrepiado, morto-vivo. É, esse está mesmo na última lona e dói ver a lenta agonia de um ser tão precioso, que viveu para cantar.
        – Primeiro me tragam um vidro de éter e algodão. Assim ele não sentirá o horror da coisa.
        Embebeu de éter a bolinha de algodão, tirou o canário para fora com infinita delicadeza, aconchegou-o na palma da mão esquerda e, olhando para outro lado, aplicou-lhe a bolinha no bico. Sempre sem olhar para a vítima, deu-lhe uma torcida rápida e leve, com dois dedos no pescoço.
        E saiu para a rua, pequenino por dentro, angustiado, achando a condição humana uma droga. As pessoas da casa não quiseram aproximar-se do cadáver. Coube à cozinheira recolher a gaiola, para que sua vista não despertasse saudade e remorso em ninguém. Não havendo jardim para sepultar o corpo, depositou-o na lata de lixo.
        Chegou a hora de jantar, mas quem é que tinha fome naquela casa enlutada? O sacrificador, esse, ficara rodando por aí, e seu desejo seria não voltar para casa nem para dentro de si mesmo.
No dia seguinte, pela manhã, a cozinheira foi ajeitar a lata de lixo para o caminhão, e recebeu uma bicada voraz no dedo.
        – Ui!
        Não é que o canário tinha ressuscitado, perdão, reluzia vivinho da silva, com uma fome danada?
        – Ele estava precisando mesmo era de éter – concluiu o estrangulador, que se sentiu ressuscitar, por sua vez.
(DRUMMOND DE ANDRADE, Carlos. Elenco de cronistas modernos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1976.)
Assinale, a seguir, a transcrição textual constituída por período composto.
 

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3890359 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Vermelho Novo-MG
Caso de canário
        Casara-se havia duas semanas. Por isso, em casa dos sogros, a família resolveu que ele é que daria cabo do canário:
        – Você compreende. Nenhum de nós teria coragem de sacrificar o pobrezinho, que nos deu tanta alegria. Todos somos muito ligados a ele, seria uma barbaridade. Você é diferente, ainda não teve tempo de afeiçoar-se ao bichinho. Vai ver que nem reparou nele, durante o noivado.
        – Mas eu também tenho coração, ora essa. Como é que vou matar um pássaro só porque o conheço há menos tempo do que vocês?
        – Porque não tem cura, o médico já disse. Pensa que não tentamos tudo? É para ele não sofrer mais e não aumentar o nosso sofrimento. Seja bom, vá.
        O sogro e a sogra apelaram no mesmo tom. Os olhos claros de sua mulher pediram-lhe com doçura:
        – Vai, meu bem.
        Com repugnância pela obra de misericórdia que ia praticar, ele aproximou-se da gaiola. O canário nem sequer abriu o olho. Jazia a um canto, arrepiado, morto-vivo. É, esse está mesmo na última lona e dói ver a lenta agonia de um ser tão precioso, que viveu para cantar.
        – Primeiro me tragam um vidro de éter e algodão. Assim ele não sentirá o horror da coisa.
        Embebeu de éter a bolinha de algodão, tirou o canário para fora com infinita delicadeza, aconchegou-o na palma da mão esquerda e, olhando para outro lado, aplicou-lhe a bolinha no bico. Sempre sem olhar para a vítima, deu-lhe uma torcida rápida e leve, com dois dedos no pescoço.
        E saiu para a rua, pequenino por dentro, angustiado, achando a condição humana uma droga. As pessoas da casa não quiseram aproximar-se do cadáver. Coube à cozinheira recolher a gaiola, para que sua vista não despertasse saudade e remorso em ninguém. Não havendo jardim para sepultar o corpo, depositou-o na lata de lixo.
        Chegou a hora de jantar, mas quem é que tinha fome naquela casa enlutada? O sacrificador, esse, ficara rodando por aí, e seu desejo seria não voltar para casa nem para dentro de si mesmo.
No dia seguinte, pela manhã, a cozinheira foi ajeitar a lata de lixo para o caminhão, e recebeu uma bicada voraz no dedo.
        – Ui!
        Não é que o canário tinha ressuscitado, perdão, reluzia vivinho da silva, com uma fome danada?
        – Ele estava precisando mesmo era de éter – concluiu o estrangulador, que se sentiu ressuscitar, por sua vez.
(DRUMMOND DE ANDRADE, Carlos. Elenco de cronistas modernos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1976.)
No trecho “Vai ver que nem reparou nele, durante o noivado.” (2º§), o termo destacado se refere ao:
 

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3890358 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Vermelho Novo-MG
Caso de canário
        Casara-se havia duas semanas. Por isso, em casa dos sogros, a família resolveu que ele é que daria cabo do canário:
        – Você compreende. Nenhum de nós teria coragem de sacrificar o pobrezinho, que nos deu tanta alegria. Todos somos muito ligados a ele, seria uma barbaridade. Você é diferente, ainda não teve tempo de afeiçoar-se ao bichinho. Vai ver que nem reparou nele, durante o noivado.
        – Mas eu também tenho coração, ora essa. Como é que vou matar um pássaro só porque o conheço há menos tempo do que vocês?
        – Porque não tem cura, o médico já disse. Pensa que não tentamos tudo? É para ele não sofrer mais e não aumentar o nosso sofrimento. Seja bom, vá.
        O sogro e a sogra apelaram no mesmo tom. Os olhos claros de sua mulher pediram-lhe com doçura:
        – Vai, meu bem.
        Com repugnância pela obra de misericórdia que ia praticar, ele aproximou-se da gaiola. O canário nem sequer abriu o olho. Jazia a um canto, arrepiado, morto-vivo. É, esse está mesmo na última lona e dói ver a lenta agonia de um ser tão precioso, que viveu para cantar.
        – Primeiro me tragam um vidro de éter e algodão. Assim ele não sentirá o horror da coisa.
        Embebeu de éter a bolinha de algodão, tirou o canário para fora com infinita delicadeza, aconchegou-o na palma da mão esquerda e, olhando para outro lado, aplicou-lhe a bolinha no bico. Sempre sem olhar para a vítima, deu-lhe uma torcida rápida e leve, com dois dedos no pescoço.
        E saiu para a rua, pequenino por dentro, angustiado, achando a condição humana uma droga. As pessoas da casa não quiseram aproximar-se do cadáver. Coube à cozinheira recolher a gaiola, para que sua vista não despertasse saudade e remorso em ninguém. Não havendo jardim para sepultar o corpo, depositou-o na lata de lixo.
        Chegou a hora de jantar, mas quem é que tinha fome naquela casa enlutada? O sacrificador, esse, ficara rodando por aí, e seu desejo seria não voltar para casa nem para dentro de si mesmo.
No dia seguinte, pela manhã, a cozinheira foi ajeitar a lata de lixo para o caminhão, e recebeu uma bicada voraz no dedo.
        – Ui!
        Não é que o canário tinha ressuscitado, perdão, reluzia vivinho da silva, com uma fome danada?
        – Ele estava precisando mesmo era de éter – concluiu o estrangulador, que se sentiu ressuscitar, por sua vez.
(DRUMMOND DE ANDRADE, Carlos. Elenco de cronistas modernos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1976.)

É possível perceber que o jovem marido, ao longo do texto, demonstra um sentimento de:

 

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3890357 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Vermelho Novo-MG
Caso de canário
        Casara-se havia duas semanas. Por isso, em casa dos sogros, a família resolveu que ele é que daria cabo do canário:
        – Você compreende. Nenhum de nós teria coragem de sacrificar o pobrezinho, que nos deu tanta alegria. Todos somos muito ligados a ele, seria uma barbaridade. Você é diferente, ainda não teve tempo de afeiçoar-se ao bichinho. Vai ver que nem reparou nele, durante o noivado.
        – Mas eu também tenho coração, ora essa. Como é que vou matar um pássaro só porque o conheço há menos tempo do que vocês?
        – Porque não tem cura, o médico já disse. Pensa que não tentamos tudo? É para ele não sofrer mais e não aumentar o nosso sofrimento. Seja bom, vá.
        O sogro e a sogra apelaram no mesmo tom. Os olhos claros de sua mulher pediram-lhe com doçura:
        – Vai, meu bem.
        Com repugnância pela obra de misericórdia que ia praticar, ele aproximou-se da gaiola. O canário nem sequer abriu o olho. Jazia a um canto, arrepiado, morto-vivo. É, esse está mesmo na última lona e dói ver a lenta agonia de um ser tão precioso, que viveu para cantar.
        – Primeiro me tragam um vidro de éter e algodão. Assim ele não sentirá o horror da coisa.
        Embebeu de éter a bolinha de algodão, tirou o canário para fora com infinita delicadeza, aconchegou-o na palma da mão esquerda e, olhando para outro lado, aplicou-lhe a bolinha no bico. Sempre sem olhar para a vítima, deu-lhe uma torcida rápida e leve, com dois dedos no pescoço.
        E saiu para a rua, pequenino por dentro, angustiado, achando a condição humana uma droga. As pessoas da casa não quiseram aproximar-se do cadáver. Coube à cozinheira recolher a gaiola, para que sua vista não despertasse saudade e remorso em ninguém. Não havendo jardim para sepultar o corpo, depositou-o na lata de lixo.
        Chegou a hora de jantar, mas quem é que tinha fome naquela casa enlutada? O sacrificador, esse, ficara rodando por aí, e seu desejo seria não voltar para casa nem para dentro de si mesmo.
No dia seguinte, pela manhã, a cozinheira foi ajeitar a lata de lixo para o caminhão, e recebeu uma bicada voraz no dedo.
        – Ui!
        Não é que o canário tinha ressuscitado, perdão, reluzia vivinho da silva, com uma fome danada?
        – Ele estava precisando mesmo era de éter – concluiu o estrangulador, que se sentiu ressuscitar, por sua vez.
(DRUMMOND DE ANDRADE, Carlos. Elenco de cronistas modernos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1976.)
Considerando a estrutura e o conteúdo textual evidenciados, é possível inferir que a crônica é um exemplo de:
 

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3890356 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Vermelho Novo-MG
Caso de canário
        Casara-se havia duas semanas. Por isso, em casa dos sogros, a família resolveu que ele é que daria cabo do canário:
        – Você compreende. Nenhum de nós teria coragem de sacrificar o pobrezinho, que nos deu tanta alegria. Todos somos muito ligados a ele, seria uma barbaridade. Você é diferente, ainda não teve tempo de afeiçoar-se ao bichinho. Vai ver que nem reparou nele, durante o noivado.
        – Mas eu também tenho coração, ora essa. Como é que vou matar um pássaro só porque o conheço há menos tempo do que vocês?
        – Porque não tem cura, o médico já disse. Pensa que não tentamos tudo? É para ele não sofrer mais e não aumentar o nosso sofrimento. Seja bom, vá.
        O sogro e a sogra apelaram no mesmo tom. Os olhos claros de sua mulher pediram-lhe com doçura:
        – Vai, meu bem.
        Com repugnância pela obra de misericórdia que ia praticar, ele aproximou-se da gaiola. O canário nem sequer abriu o olho. Jazia a um canto, arrepiado, morto-vivo. É, esse está mesmo na última lona e dói ver a lenta agonia de um ser tão precioso, que viveu para cantar.
        – Primeiro me tragam um vidro de éter e algodão. Assim ele não sentirá o horror da coisa.
        Embebeu de éter a bolinha de algodão, tirou o canário para fora com infinita delicadeza, aconchegou-o na palma da mão esquerda e, olhando para outro lado, aplicou-lhe a bolinha no bico. Sempre sem olhar para a vítima, deu-lhe uma torcida rápida e leve, com dois dedos no pescoço.
        E saiu para a rua, pequenino por dentro, angustiado, achando a condição humana uma droga. As pessoas da casa não quiseram aproximar-se do cadáver. Coube à cozinheira recolher a gaiola, para que sua vista não despertasse saudade e remorso em ninguém. Não havendo jardim para sepultar o corpo, depositou-o na lata de lixo.
        Chegou a hora de jantar, mas quem é que tinha fome naquela casa enlutada? O sacrificador, esse, ficara rodando por aí, e seu desejo seria não voltar para casa nem para dentro de si mesmo.
No dia seguinte, pela manhã, a cozinheira foi ajeitar a lata de lixo para o caminhão, e recebeu uma bicada voraz no dedo.
        – Ui!
        Não é que o canário tinha ressuscitado, perdão, reluzia vivinho da silva, com uma fome danada?
        – Ele estava precisando mesmo era de éter – concluiu o estrangulador, que se sentiu ressuscitar, por sua vez.
(DRUMMOND DE ANDRADE, Carlos. Elenco de cronistas modernos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1976.)
Em “É, esse está mesmo na última lona e dói ver a lenta agonia de um ser tão precioso, que viveu para cantar.” (7º§), a expressão “estar na última lona” significa:
 

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3890355 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Vermelho Novo-MG
Caso de canário
        Casara-se havia duas semanas. Por isso, em casa dos sogros, a família resolveu que ele é que daria cabo do canário:
        – Você compreende. Nenhum de nós teria coragem de sacrificar o pobrezinho, que nos deu tanta alegria. Todos somos muito ligados a ele, seria uma barbaridade. Você é diferente, ainda não teve tempo de afeiçoar-se ao bichinho. Vai ver que nem reparou nele, durante o noivado.
        – Mas eu também tenho coração, ora essa. Como é que vou matar um pássaro só porque o conheço há menos tempo do que vocês?
        – Porque não tem cura, o médico já disse. Pensa que não tentamos tudo? É para ele não sofrer mais e não aumentar o nosso sofrimento. Seja bom, vá.
        O sogro e a sogra apelaram no mesmo tom. Os olhos claros de sua mulher pediram-lhe com doçura:
        – Vai, meu bem.
        Com repugnância pela obra de misericórdia que ia praticar, ele aproximou-se da gaiola. O canário nem sequer abriu o olho. Jazia a um canto, arrepiado, morto-vivo. É, esse está mesmo na última lona e dói ver a lenta agonia de um ser tão precioso, que viveu para cantar.
        – Primeiro me tragam um vidro de éter e algodão. Assim ele não sentirá o horror da coisa.
        Embebeu de éter a bolinha de algodão, tirou o canário para fora com infinita delicadeza, aconchegou-o na palma da mão esquerda e, olhando para outro lado, aplicou-lhe a bolinha no bico. Sempre sem olhar para a vítima, deu-lhe uma torcida rápida e leve, com dois dedos no pescoço.
        E saiu para a rua, pequenino por dentro, angustiado, achando a condição humana uma droga. As pessoas da casa não quiseram aproximar-se do cadáver. Coube à cozinheira recolher a gaiola, para que sua vista não despertasse saudade e remorso em ninguém. Não havendo jardim para sepultar o corpo, depositou-o na lata de lixo.
        Chegou a hora de jantar, mas quem é que tinha fome naquela casa enlutada? O sacrificador, esse, ficara rodando por aí, e seu desejo seria não voltar para casa nem para dentro de si mesmo.
No dia seguinte, pela manhã, a cozinheira foi ajeitar a lata de lixo para o caminhão, e recebeu uma bicada voraz no dedo.
        – Ui!
        Não é que o canário tinha ressuscitado, perdão, reluzia vivinho da silva, com uma fome danada?
        – Ele estava precisando mesmo era de éter – concluiu o estrangulador, que se sentiu ressuscitar, por sua vez.
(DRUMMOND DE ANDRADE, Carlos. Elenco de cronistas modernos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1976.)
Em relação ao texto lido, assinale a afirmativa INCORRETA.
 

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3890354 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Vermelho Novo-MG
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BRICS aprova plano de ação climática com foco em prevenção de desastres
Ministros reunidos no Itamaraty firmam compromisso por adaptação climática e desenvolvimento sustentável até 2029
Em reunião realizada nesta sexta-feira (9), no Palácio Itamaraty, em Brasília, os países-membros do BRICS aprovaram uma Declaração Conjunta e um Plano de Trabalho com diretrizes voltadas à prevenção de desastres naturais, adaptação às mudanças climáticas e promoção do desenvolvimento sustentável com justiça social.
(Disponível em: https://www.brasil247.com/brasil/brics. Acesso em: maio de 2025.)
O BRICS é um bloco econômico que desenvolve ações de cooperação internacional entre os países-membros, com foco em acordos que visam benefícios compartilhados. Com base no plano de ação contra a crise climática com foco em desastres, pode-se entender como contribuições a nível internacional:
 

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3890353 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Vermelho Novo-MG
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IA do Instagram vai identificar contas usadas por adolescentes para aumentar a segurança
Menores de 18 anos têm limitações no uso da rede social; uso de IA ajuda a identificar aqueles que colocam idade errada para driblar restrições
O Instagram vai ampliar o uso de inteligência artificial para detectar uso indevido da plataforma por adolescentes. A ideia é identificar usuários que estão abaixo da idade mínima da rede social e bloquear o acesso. Desde 2024, o Instagram implementou uma ferramenta que usa IA para identificar adolescentes na plataforma. Para menores de idade, o uso da plataforma é feito com limitações. Mas muitos desses usuários colocam uma data de nascimento diferente da real para driblar essas restrições.
(Disponível em: https://olhardigital.com.br/.internet-e-redes-sociais/. Acesso em: maio de 2025.)
As redes sociais são espaço de expressão, conectividade e estreitamento de laços. Porém, diante da série de informações e novos perfis que surgem diariamente, tornam-se espaços em que é preciso adotar algumas precauções. Tendo em vista o público que ainda não atingiu a maioridade, apresenta-se como desafio:
 

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