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2226290 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: IPEFAE
Orgão: Pref. São João Boa Vista-SP
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Vias sujas de sangue

Ruas são espaços de passagem por meio dos quais podemos ter a experiência do espaço urbano.

Lembramos os endereços em que vivemos, sabemos de cor os espaços que nos marcaram. Para o poeta João do Rio, as ruas são sulcos na cidade. Têm alma e, mais do que isso, têm nome. Pela legislação, esse nome é de atribuição das prefeituras e câmaras municipais. Não é possível homenagear pessoas vivas ou que tenham se notabilizado pela defesa ou exploração de mão de obra escrava, mas não há nada que impeça que os logradouros sejam nomeados em memória de criminosos que violentaram mulheres.

Um grande movimento tem se ocupado de remover e renomear espaços cujos nomes pertencem a ditadores. O Minhocão, ponto de circulação importante de São Paulo, deixou de homenagear o general Costa e Silva, presidente da ditadura militar, sendo renomeado João Goulart, deposto pelo golpe de 1964. Também têm sido questionados nomes de ruas, praças, rodovias e até monumentos em memória aos bandeirantes, como Borba Gato e Anhanguera, e outras figuras que remetem à exploração escravista ou à perseguição a indígenas. No entanto, dificilmente são questionadas as ruas que levam nomes de políticos, militares, escritores e tantos outros que mataram filhas, esposas, amantes e outras mulheres que faziam parte de seus círculos — os feminicidas.

Matar uma mulher não é só lhe tirar a vida; é apagar sua existência diante da sociedade. Quando seu algoz passa a ser parte do espaço construído da cidade, sua memória e existência são novamente profanadas.

Poucas mulheres emprestaram seu nome a ruas pelas quais circulamos, mas seus assassinos tomaram esse espaço de reverência — e nós não percebemos que são ruas manchadas de sangue.

Nossas vivências na cidade são marcadas pelo gênero, o que não significa só um corpo, mas uma série de experiências que se inscrevem por onde passamos.

São poucas as mulheres homenageadas com nome de logradouros, mas seus assassinos estão presentes em nossa vida, muitas vezes em posição de destaque social.

Recentemente, a historiadora Suzane Jardim revelou a história de Jacinta Maria de Santana, mulher negra que vivia nas ruas de São Paulo e que ao morrer, em 1900, teve seu corpo embalsamado e exposto pelo professor de medicina legal da Faculdade de Direito Amâncio de Carvalho. O corpo foi exposto por décadas, sendo utilizado até para trotes por parte dos alunos.

Somente após a morte de Carvalho, em 1928 — ano em que a Câmara Municipal rebatizou com seu nome a rua do Curtume, no bairro da Vila Mariana —, sua viúva (requerer) na faculdade a posse do cadáver de Jacinta e deu a ela um enterro digno. Carvalho também teve seu nome dado a uma das salas da faculdade, que não foi rebatizada após a história vir à tona.

Precisamos refletir sobre — e contestar — os nomes dos espaços em que pisamos, não só para que feminicidas não sejam exaltados, mas para que cada vez mais mulheres possam receber o destaque que lhes cabe.

(Adaptado de Maíra Rosin, Revista Quatro cinco um, 23/07/2021.

Texto na íntegra disponível em: https://bit.ly/3rR978K)

Considere as afirmações a seguir, relacionadas ao texto “Vias sujas de sangue”.

I- Prestar homenagem a pessoas falecidas dando seus nomes às ruas da cidade é uma maneira de inscrevê-las no espaço público de maneira prestigiosa, preservando sua memória.

II- Muitas vezes, as figuras escolhidas para dar nome aos logradouros tiveram atitudes problemáticas em vida, por isso deve-se evitar homenagear políticos, militares e escritores, por exemplo.

III- É contraditório que haja poucas ruas que levem o nome de mulheres enquanto homens que praticaram feminicídio têm seus nomes eternizados nos logradouros das cidades.

IV- A escassez de figuras femininas homenageadas nos espaços públicos e monumentos é um reflexo do machismo estrutural, que impede que as mulheres realizem feitos dignos de nota.

Segundo o texto, estão corretas apenas as afirmativas:

 

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2226289 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: IPEFAE
Orgão: Pref. São João Boa Vista-SP
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Vias sujas de sangue

Ruas são espaços de passagem por meio dos quais podemos ter a experiência do espaço urbano.

Lembramos os endereços em que vivemos, sabemos de cor os espaços que nos marcaram. Para o poeta João do Rio, as ruas são sulcos na cidade. Têm alma e, mais do que isso, têm nome. Pela legislação, esse nome é de atribuição das prefeituras e câmaras municipais. Não é possível homenagear pessoas vivas ou que tenham se notabilizado pela defesa ou exploração de mão de obra escrava, mas não há nada que impeça que os logradouros sejam nomeados em memória de criminosos que violentaram mulheres.

Um grande movimento tem se ocupado de remover e renomear espaços cujos nomes pertencem a ditadores. O Minhocão, ponto de circulação importante de São Paulo, deixou de homenagear o general Costa e Silva, presidente da ditadura militar, sendo renomeado João Goulart, deposto pelo golpe de 1964. Também têm sido questionados nomes de ruas, praças, rodovias e até monumentos em memória aos bandeirantes, como Borba Gato e Anhanguera, e outras figuras que remetem à exploração escravista ou à perseguição a indígenas. No entanto, dificilmente são questionadas as ruas que levam nomes de políticos, militares, escritores e tantos outros que mataram filhas, esposas, amantes e outras mulheres que faziam parte de seus círculos — os feminicidas.

Matar uma mulher não é só lhe tirar a vida; é apagar sua existência diante da sociedade. Quando seu algoz passa a ser parte do espaço construído da cidade, sua memória e existência são novamente profanadas.

Poucas mulheres emprestaram seu nome a ruas pelas quais circulamos, mas seus assassinos tomaram esse espaço de reverência — e nós não percebemos que são ruas manchadas de sangue.

Nossas vivências na cidade são marcadas pelo gênero, o que não significa só um corpo, mas uma série de experiências que se inscrevem por onde passamos.

São poucas as mulheres homenageadas com nome de logradouros, mas seus assassinos estão presentes em nossa vida, muitas vezes em posição de destaque social.

Recentemente, a historiadora Suzane Jardim revelou a história de Jacinta Maria de Santana, mulher negra que vivia nas ruas de São Paulo e que ao morrer, em 1900, teve seu corpo embalsamado e exposto pelo professor de medicina legal da Faculdade de Direito Amâncio de Carvalho. O corpo foi exposto por décadas, sendo utilizado até para trotes por parte dos alunos.

Somente após a morte de Carvalho, em 1928 — ano em que a Câmara Municipal rebatizou com seu nome a rua do Curtume, no bairro da Vila Mariana —, sua viúva (requerer) na faculdade a posse do cadáver de Jacinta e deu a ela um enterro digno. Carvalho também teve seu nome dado a uma das salas da faculdade, que não foi rebatizada após a história vir à tona.

Precisamos refletir sobre — e contestar — os nomes dos espaços em que pisamos, não só para que feminicidas não sejam exaltados, mas para que cada vez mais mulheres possam receber o destaque que lhes cabe.

(Adaptado de Maíra Rosin, Revista Quatro cinco um, 23/07/2021.

Texto na íntegra disponível em: https://bit.ly/3rR978K)

Assinale a alternativa que apresenta a conjugação adequada, segundo a norma culta da língua portuguesa, do verbo destacado entre parênteses no parágrafo.

 

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2226288 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: IPEFAE
Orgão: Pref. São João Boa Vista-SP
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O poeta Luís Vaz de Camões, no século XVI, escreve:

Transforma-se o amador na cousa amada,

Por virtude do muito imaginar;

Não tenho logo mais que desejar,

Pois em mim tenho a parte desejada.

No século XX, o poeta Herberto Helder escreve, em Tríptico (poema inserido em seu livro Colher na boca, de 1961):

Transforma-se o amador na coisa amada com seu

feroz sorriso, os dentes,

as mãos que relampejam no escuro. Traz ruído

e silêncio. Traz o barulho das ondas frias

e das ardentes pedras que tem dentro de si.

Considerando os dois poemas em análise, pode-se afirmar que:

 

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2226287 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: IPEFAE
Orgão: Pref. São João Boa Vista-SP
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A regência verbal está incorreta na alternativa:

 

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2226286 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: IPEFAE
Orgão: Pref. São João Boa Vista-SP
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O fragmento abaixo é do poema Tempo de nos aquilombar, de Conceição Evaristo, declamado por Antonio Fagundes na novela Bom Sucesso, exibida em 2019 pela Rede Globo:

É tempo de ninguém se soltar de ninguém,

mas olhar fundo na palma aberta

a alma de quem lhe oferece o gesto.

O laçar de mãos não pode ser algema

e sim acertada tática, necessário esquema.

Sobre a passagem em destaque, podemos afirmar que funciona, sintaticamente, como:

 

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2226285 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: IPEFAE
Orgão: Pref. São João Boa Vista-SP
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Uma impregnação tal das consciências pela mentira, que se acaba por se não discernir a mentira da verdade, que os contaminados acabam por mentir a si mesmos, e os indenes, ao cabo, muitas vezes não sabem se estão, ou não estão mentindo. Um ambiente, em suma, de mentiraria, que, depois de ter iludido ou desesperado os contemporâneos, corre o risco de lograr ou desesperar os vindouros (...)

(Rui Barbosa, campanha presidencial, Bahia, 1921, p. 77-78).

O fragmento acima, extraído da conferência proferida por Rui Barbosa na Associação Comercial do Rio de Janeiro, em 8 de março de 1919, por ocasião da campanha presidencial em que teve como antagonista o senador Epitácio Pessoa, revela que o autor está preocupado que a mentira:

 

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2226284 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: IPEFAE
Orgão: Pref. São João Boa Vista-SP
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Assinale a alternativa em que o pronome esteja usado de maneira inadequada segundo a gramática normativa:

 

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2226283 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: IPEFAE
Orgão: Pref. São João Boa Vista-SP
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A elipse (ou o apagamento de um termo) é mecanismo importante de coesão textual. Nos fragmentos que seguem, todos retirados do conto Tentação, da escritora Clarice Lispector, a elipse do sujeito ocorre em:

 

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2226282 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: IPEFAE
Orgão: Pref. São João Boa Vista-SP
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Quem olha de fora por uma janela aberta não vê nunca tantas coisas como quem olha uma janela fechada. Não há objeto mais profundo, mais misterioso, mais fecundo, mais tenebroso, mais deslumbrante, do que uma janela iluminada por uma candeia. O que se pode ver ao sol é sempre menos interessante do que o que se passa por detrás de uma vidraça. Dentro daquela abertura negra ou luminosa, a vida vive, a vida sonha, a vida sofre.

(...)

No fragmento acima, extraído do conto As Janelas, do livro Pequenos poemas em prosa | O spleen de Paris ([tradução Paulo M. Oliveira (pseudônimo de Aristides Lobo)]. Coleção Biblioteca Clássica. Rio de Janeiro: Athena Editora, 1937), do poeta Charles Baudelaire, o termo em destaque poderia ser substituído, sem alteração de sentido, por:

 

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2226281 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: IPEFAE
Orgão: Pref. São João Boa Vista-SP
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Mia Couto, autor moçambicano, afirma em “Quinto sapato: a vergonha de ser pobre e o culto das aparências” e em “Sétimo sapato: a ideia de que para sermos modernos temos que imitar os outros” - do ensaio/conferência “Os sete sapatos sujos”, inserido no livro “E se Obama fosse africano: e outras interinvenções”, publicado pela editora Companhia das Letras em 2011, que “É urgente que as nossas escolas exaltem a humildade e a simplicidade como valores positivos. A arrogância e o exibicionismo não são, como se pretende, emanações de alguma essência da cultura africana do poder. São emanações de quem toma a embalagem pelo conteúdo”.

A frase de Mia Couto em que o fragmento em destaque exerce função sintática idêntica à do excerto grifado e negritado é:

 

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