Foram encontradas 695 questões.
Leia o texto a seguir a fim de responder à questão.
Qual romance você está lendo?
Sempre pensei que fosse sábio desconfiar de quem não lê literatura. Ler ou não ler romances é para mim um critério. Quer saber se tal político merece seu voto? Verifique se ele lê literatura. Quer escolher um psicanalista ou um psicoterapeuta? Mesma sugestão. E, cuidado, o hábito de ler, em geral, pode ser melhor do que o de não ler, mas não me basta: o critério que vale para mim é ler especificamente literatura − ficção literária. Você dirá que estou apenas exigindo dos outros que eles sejam parecidos comigo. E eu teria de concordar, salvo que acabo de aprender que minha confiança nos leitores de ficção literária é justificada. Algo que eu acreditava intuitivamente foi confirmado em pesquisa que acaba de ser publicada pela revista Science, “Reading literary fiction improves theory of mind” [Ler ficção literária melhora a teoria da mente], de David C. Kidd e Emanuele Castano. A pesquisa mede o efeito imediato da leitura de trechos literários. Não sabemos se existem efeitos cumulativos da leitura passada: o que importa não é se você leu, mas se está lendo. Na próxima vez em que eu for chamado a sabatinar um candidato a um emprego, não me esquecerei de perguntar: qual é o romance que você está lendo?
Contardo Calligaris. Adaptado de www1.folha.uol.com.br.
A forma como um autor organiza as ideias num texto auxilia o leitor a concordar ou não com o ponto de vista expresso. Sobre a estrutura argumentativa criada pelo articulista para legitimar sua tese, é perceptível que ele.
Qual romance você está lendo?
Sempre pensei que fosse sábio desconfiar de quem não lê literatura. Ler ou não ler romances é para mim um critério. Quer saber se tal político merece seu voto? Verifique se ele lê literatura. Quer escolher um psicanalista ou um psicoterapeuta? Mesma sugestão. E, cuidado, o hábito de ler, em geral, pode ser melhor do que o de não ler, mas não me basta: o critério que vale para mim é ler especificamente literatura − ficção literária. Você dirá que estou apenas exigindo dos outros que eles sejam parecidos comigo. E eu teria de concordar, salvo que acabo de aprender que minha confiança nos leitores de ficção literária é justificada. Algo que eu acreditava intuitivamente foi confirmado em pesquisa que acaba de ser publicada pela revista Science, “Reading literary fiction improves theory of mind” [Ler ficção literária melhora a teoria da mente], de David C. Kidd e Emanuele Castano. A pesquisa mede o efeito imediato da leitura de trechos literários. Não sabemos se existem efeitos cumulativos da leitura passada: o que importa não é se você leu, mas se está lendo. Na próxima vez em que eu for chamado a sabatinar um candidato a um emprego, não me esquecerei de perguntar: qual é o romance que você está lendo?
Contardo Calligaris. Adaptado de www1.folha.uol.com.br.
A forma como um autor organiza as ideias num texto auxilia o leitor a concordar ou não com o ponto de vista expresso. Sobre a estrutura argumentativa criada pelo articulista para legitimar sua tese, é perceptível que ele.
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Leia o texto a seguir a fim de responder à questão.
Bicho gramático
Vicente Matheus (1908-1997) foi um dos personagens mais controversos do futebol brasileiro. Esteve à frente do paulista Corinthians em várias ocasiões entre 1959 e 1990. Voluntarioso e falastrão, o uso que fazia da língua portuguesa nem sempre era aquele reconhecido pelos livros. Uma vez, querendo deixar bem claro que o craque do Timão não seria vendido ou emprestado para outro clube, afirmou que “o Sócrates é invendável e imprestável”. Em outro momento, exaltando a versatilidade dos atletas, criou uma pérola da linguística e da zoologia: “Jogador tem que ser completo como o pato, que é um bicho aquático e gramático”.
(Adaptado de Revista de História da Biblioteca Nacional, jul. 2011, p. 85.)
O termo “pérola” designa popular e ironicamente um dito ou um fato um tanto ou quanto tolo, quer pelo conteúdo, quer pela forma como é dito. Sobre isso, percebem-se no texto várias dessas transgressões linguísticas creditadas a uma figura do meio da cartolagem do futebol – Vicente Matheus, ex-presidente do Corinthians. Com relação a um dos equívocos que causam o efeito de humor, é correto dizer que o autor das falas mencionadas no texto
Bicho gramático
Vicente Matheus (1908-1997) foi um dos personagens mais controversos do futebol brasileiro. Esteve à frente do paulista Corinthians em várias ocasiões entre 1959 e 1990. Voluntarioso e falastrão, o uso que fazia da língua portuguesa nem sempre era aquele reconhecido pelos livros. Uma vez, querendo deixar bem claro que o craque do Timão não seria vendido ou emprestado para outro clube, afirmou que “o Sócrates é invendável e imprestável”. Em outro momento, exaltando a versatilidade dos atletas, criou uma pérola da linguística e da zoologia: “Jogador tem que ser completo como o pato, que é um bicho aquático e gramático”.
(Adaptado de Revista de História da Biblioteca Nacional, jul. 2011, p. 85.)
O termo “pérola” designa popular e ironicamente um dito ou um fato um tanto ou quanto tolo, quer pelo conteúdo, quer pela forma como é dito. Sobre isso, percebem-se no texto várias dessas transgressões linguísticas creditadas a uma figura do meio da cartolagem do futebol – Vicente Matheus, ex-presidente do Corinthians. Com relação a um dos equívocos que causam o efeito de humor, é correto dizer que o autor das falas mencionadas no texto
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Leia os textos IV e V a seguir a fim de responder às
questões 17 e 18.
TEXTO IV
Professora denuncia aluno de 15 anos por agressão em
escola de SC: “Dilacerada”
Ela afirmou que levou socos de estudante na sala da direção.
Polícia de Indaial vai instaurar inquérito
Por G1 SC
21/08/2017 18h09 Atualizado 21/08/2017 21h53

Uma professora de uma escola de Indaial, no Vale do Itajaí,
registrou boletim de ocorrência na manhã desta segunda-feira
(21) contra um aluno de 15 anos. Ela disse à polícia que foi
agredida por ele com socos dentro da escola. A delegacia vai
investigar o caso. O G1 não havia conseguido falar com a
família do aluno, nem com a escola até a publicação desta
notícia.
Em entrevista à NSC TV, a professora relatou que o soco foi
"violento". "Um menino de 15 anos, alto, forte, um homem. Eu
sou uma mulher pequena, uma mulher de 1,65 metro", contou,
em áudio.
A agressão ocorreu por volta das 10h20 desta segunda, de
acordo com o B.O. A professora disse à polícia que chamou a
atenção do aluno por ele estar com o livro debaixo da mesa e,
com o objetivo de fazê-lo focar mais na aula, pediu que ele
colocasse a publicação em cima da mesa. Em seguida, o
estudante ficou alterado e disse para a professora "se f...".
Diante disso, segundo o B.O., ela pediu que o aluno fosse
para a sala da direção. Antes de ir, ele jogou o livro em direção
a ela, na frente dos demais estudantes. Ao chegar à direção, o
adolescente negou o ocorrido, exaltou-se e chamou a
professora de mentirosa. Em seguida, deu socos nela, o que
causou uma lesão no olho.
Fonte: http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/professora-denuncia-aluno-de-15-
TEXTO V
Alunos que brigam com colegas, professores que
desrespeitam funcionários, pais que ofendem os diretores.
Casos de violência na escola não faltam. Poucas escolas
refletem sobre essas situações e elaboram estratégias para
construir uma cultura da paz. A maioria aplica punições que, em
vez de acabarem com o enfrentamento, estimulam esse tipo de
atitude e tiram dos jovens a autonomia para resolver problemas.
Segundo Telma Vinha, professora de Psicologia Educacional
da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e colunista
da revista NOVA ESCOLA, “implementar um projeto
institucional de mediação de conflitos é fundamental para
implantar espaços de diálogo sobre a qualidade das relações e
os problemas de convivência e propor maneiras não violentas
de resolvê-los. Assim, os próprios envolvidos em uma briga
podem chegar a uma solução pacífica”.
https://novaescola.org.br/conteudo/7844/conversar-para-resolver-conflitos/. Adaptado.
I. Percebe-se uma intencionalidade de transmissão da mensagem de forma subjetiva e permeada de pessoalidade em ambos os textos.
II. Prevalece em ambos os textos o uso majoritário da modalidade formal da língua a fim de transmitirem suas respectivas mensagens.
III. Ambos os textos foram escritos em terceira pessoa e fizeram uso do discurso direto explicitamente marcado pelo uso da pontuação.
IV. Prevalece, em ambos os textos em destaque, a função da linguagem Referencial.
Pode-se afirmar como correto o que foi dito somente em:
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- Interpretação de TextosFunções da Linguagem
- Interpretação de TextosTipologia e Gênero TextualGêneros Textuais
Leia os textos IV e V a seguir a fim de responder às
questões 17 e 18.
TEXTO IV
Professora denuncia aluno de 15 anos por agressão em
escola de SC: “Dilacerada”
Ela afirmou que levou socos de estudante na sala da direção.
Polícia de Indaial vai instaurar inquérito
Por G1 SC
21/08/2017 18h09 Atualizado 21/08/2017 21h53

Uma professora de uma escola de Indaial, no Vale do Itajaí,
registrou boletim de ocorrência na manhã desta segunda-feira
(21) contra um aluno de 15 anos. Ela disse à polícia que foi
agredida por ele com socos dentro da escola. A delegacia vai
investigar o caso. O G1 não havia conseguido falar com a
família do aluno, nem com a escola até a publicação desta
notícia.
Em entrevista à NSC TV, a professora relatou que o soco foi
"violento". "Um menino de 15 anos, alto, forte, um homem. Eu
sou uma mulher pequena, uma mulher de 1,65 metro", contou,
em áudio.
A agressão ocorreu por volta das 10h20 desta segunda, de
acordo com o B.O. A professora disse à polícia que chamou a
atenção do aluno por ele estar com o livro debaixo da mesa e,
com o objetivo de fazê-lo focar mais na aula, pediu que ele
colocasse a publicação em cima da mesa. Em seguida, o
estudante ficou alterado e disse para a professora "se f...".
Diante disso, segundo o B.O., ela pediu que o aluno fosse
para a sala da direção. Antes de ir, ele jogou o livro em direção
a ela, na frente dos demais estudantes. Ao chegar à direção, o
adolescente negou o ocorrido, exaltou-se e chamou a
professora de mentirosa. Em seguida, deu socos nela, o que
causou uma lesão no olho.
Fonte: http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/professora-denuncia-aluno-de-15-
TEXTO V
Alunos que brigam com colegas, professores que
desrespeitam funcionários, pais que ofendem os diretores.
Casos de violência na escola não faltam. Poucas escolas
refletem sobre essas situações e elaboram estratégias para
construir uma cultura da paz. A maioria aplica punições que, em
vez de acabarem com o enfrentamento, estimulam esse tipo de
atitude e tiram dos jovens a autonomia para resolver problemas.
Segundo Telma Vinha, professora de Psicologia Educacional
da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e colunista
da revista NOVA ESCOLA, “implementar um projeto
institucional de mediação de conflitos é fundamental para
implantar espaços de diálogo sobre a qualidade das relações e
os problemas de convivência e propor maneiras não violentas
de resolvê-los. Assim, os próprios envolvidos em uma briga
podem chegar a uma solução pacífica”.
https://novaescola.org.br/conteudo/7844/conversar-para-resolver-conflitos/. Adaptado.
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O texto III a seguir servirá de base para a resolução da questão.
TEXTO III
Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs
Na perspectiva de uma didática voltada para a produção e
interpretação de textos, a atividade metalinguística deve ser
instrumento de apoio para a discussão dos aspectos da língua
que o professor seleciona e ordena no curso do ensino-aprendizagem.
Assim, não se justifica tratar o ensino gramatical desarticulado
das práticas de linguagem. É o caso, por exemplo, da gramática
que, ensinada de forma descontextualizada, tornou-se
emblemática de um conteúdo estritamente escolar, do tipo que
só serve para ir bem na prova e passar de ano - uma prática
pedagógica que vai da metalíngua para a língua por meio de
exemplificação, exercícios de reconhecimento e memorização
de terminologia. Em função disso, discute-se se há ou não
necessidade de ensinar gramática. Mas essa é uma falsa
questão: a questão verdadeira é o que, para que e como
ensiná-la.
Deve-se ter claro, na seleção dos conteúdos de análise
linguística, que a referência não pode ser a gramática
tradicional. A preocupação não é reconstruir com os alunos o
quadro descritivo constante dos manuais de gramática escolar
(por exemplo, o estudo ordenado das classes de palavras com
suas múltiplas subdivisões, a construção de paradigmas
morfológicos, como as conjugações verbais estudadas de um
fôlego em todas as suas formas temporais e modais, ou de
pontos de gramática, como todas as regras de concordância,
com suas exceções reconhecidas).
O que deve ser ensinado não responde às imposições de
organização clássica de conteúdos na gramática escolar, mas
aos aspectos que precisam ser tematizados em função das
necessidades apresentadas pelos alunos nas atividades de
produção, leitura e escuta de textos.
O modo de ensinar, por sua vez, não reproduz a clássica
metodologia de definição, classificação e exercitação, mas
corresponde a uma prática que parte da reflexão produzida
pelos alunos mediante a utilização de uma terminologia simples
e se aproxima, progressivamente, pela mediação do professor,
do conhecimento gramatical produzido. Isso implica, muitas
vezes, chegar a resultados diferentes daqueles obtidos pela
gramática tradicional, cuja descrição, em muitos aspectos, não
corresponde aos usos atuais da linguagem, o que coloca a
necessidade de busca de apoio em outros materiais e fontes.
[...] não se pode mais insistir na ideia de que o modelo de
correção estabelecido pela gramática tradicional seja o nível
padrão de língua ou que corresponda à variedade linguística de
prestígio. Há, isso sim, muito preconceito decorrente do valor
atribuído às variedades padrão e ao estigma associado às
variedades não-padrão, consideradas inferiores ou erradas
pela gramática. Essas diferenças não são imediatamente
reconhecidas e, quando são, não são objeto de avaliação
negativa.
Para cumprir bem a função de ensinar a escrita e a língua
padrão, a escola precisa livrar-se de vários mitos: o de que
existe uma forma "correta" de falar, o de que a fala de uma
região é melhor do que a de outras, o de que a fala "correta" é
a que se aproxima da língua escrita, o de que o brasileiro fala
mal o português, o de que o português é uma língua difícil, o de
que é preciso "consertar" a fala do aluno para evitar que ele
escreva errado.
Essas crenças insustentáveis produziram uma prática de
mutilação cultural que, além de desvalorizar a fala que identifica o aluno a sua comunidade, como se esta fosse formada de
incapazes, denota desconhecimento de que a escrita de uma
língua não corresponde a nenhuma de suas variedades, por
mais prestígio que uma delas possa ter. Ainda se ignora um
princípio elementar relativo ao desenvolvimento da linguagem:
o domínio de outras modalidades de fala e dos padrões de
escrita (e mesmo de outras línguas) não se faz por substituição,
mas por extensão da competência linguística e pela construção
ativa de subsistemas gramaticais sobre o sistema já adquirido.
No ensino-aprendizagem de diferentes padrões de fala e
escrita, o que se almeja não é levar os alunos a falar certo, mas
permitir-lhes a escolha da forma de fala a utilizar, considerando
as características e condições do contexto de produção, ou
seja, é saber adequar os recursos expressivos, a variedade de
língua e o estilo às diferentes situações comunicativas: saber
coordenar satisfatoriamente o que fala ou escreve e como fazêlo; saber que modo de expressão é pertinente em função de
sua intenção enunciativa - dado o contexto e os interlocutores
a quem o texto se dirige. A questão não é de erro, mas de
adequação às circunstâncias de uso, de utilização adequada da
linguagem.
(BRASIL, Ministério da Educação e do Desporto. Parâmetros curriculares nacionais. Brasília:
MEC/SEF, 1998. Fragmentos, p. 28, 29 e 31.)
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- Ensino das DisciplinasLíngua Portuguesa
- LegislaçãoPCN: Parâmetros Curriculares Nacionais
- Temas Educacionais Pedagógicos
O texto III a seguir servirá de base para a resolução da questão.
TEXTO III
Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs
Na perspectiva de uma didática voltada para a produção e
interpretação de textos, a atividade metalinguística deve ser
instrumento de apoio para a discussão dos aspectos da língua
que o professor seleciona e ordena no curso do ensino-aprendizagem.
Assim, não se justifica tratar o ensino gramatical desarticulado
das práticas de linguagem. É o caso, por exemplo, da gramática
que, ensinada de forma descontextualizada, tornou-se
emblemática de um conteúdo estritamente escolar, do tipo que
só serve para ir bem na prova e passar de ano - uma prática
pedagógica que vai da metalíngua para a língua por meio de
exemplificação, exercícios de reconhecimento e memorização
de terminologia. Em função disso, discute-se se há ou não
necessidade de ensinar gramática. Mas essa é uma falsa
questão: a questão verdadeira é o que, para que e como
ensiná-la.
Deve-se ter claro, na seleção dos conteúdos de análise
linguística, que a referência não pode ser a gramática
tradicional. A preocupação não é reconstruir com os alunos o
quadro descritivo constante dos manuais de gramática escolar
(por exemplo, o estudo ordenado das classes de palavras com
suas múltiplas subdivisões, a construção de paradigmas
morfológicos, como as conjugações verbais estudadas de um
fôlego em todas as suas formas temporais e modais, ou de
pontos de gramática, como todas as regras de concordância,
com suas exceções reconhecidas).
O que deve ser ensinado não responde às imposições de
organização clássica de conteúdos na gramática escolar, mas
aos aspectos que precisam ser tematizados em função das
necessidades apresentadas pelos alunos nas atividades de
produção, leitura e escuta de textos.
O modo de ensinar, por sua vez, não reproduz a clássica
metodologia de definição, classificação e exercitação, mas
corresponde a uma prática que parte da reflexão produzida
pelos alunos mediante a utilização de uma terminologia simples
e se aproxima, progressivamente, pela mediação do professor,
do conhecimento gramatical produzido. Isso implica, muitas
vezes, chegar a resultados diferentes daqueles obtidos pela
gramática tradicional, cuja descrição, em muitos aspectos, não
corresponde aos usos atuais da linguagem, o que coloca a
necessidade de busca de apoio em outros materiais e fontes.
[...] não se pode mais insistir na ideia de que o modelo de
correção estabelecido pela gramática tradicional seja o nível
padrão de língua ou que corresponda à variedade linguística de
prestígio. Há, isso sim, muito preconceito decorrente do valor
atribuído às variedades padrão e ao estigma associado às
variedades não-padrão, consideradas inferiores ou erradas
pela gramática. Essas diferenças não são imediatamente
reconhecidas e, quando são, não são objeto de avaliação
negativa.
Para cumprir bem a função de ensinar a escrita e a língua
padrão, a escola precisa livrar-se de vários mitos: o de que
existe uma forma "correta" de falar, o de que a fala de uma
região é melhor do que a de outras, o de que a fala "correta" é
a que se aproxima da língua escrita, o de que o brasileiro fala
mal o português, o de que o português é uma língua difícil, o de
que é preciso "consertar" a fala do aluno para evitar que ele
escreva errado.
Essas crenças insustentáveis produziram uma prática de
mutilação cultural que, além de desvalorizar a fala que identifica o aluno a sua comunidade, como se esta fosse formada de
incapazes, denota desconhecimento de que a escrita de uma
língua não corresponde a nenhuma de suas variedades, por
mais prestígio que uma delas possa ter. Ainda se ignora um
princípio elementar relativo ao desenvolvimento da linguagem:
o domínio de outras modalidades de fala e dos padrões de
escrita (e mesmo de outras línguas) não se faz por substituição,
mas por extensão da competência linguística e pela construção
ativa de subsistemas gramaticais sobre o sistema já adquirido.
No ensino-aprendizagem de diferentes padrões de fala e
escrita, o que se almeja não é levar os alunos a falar certo, mas
permitir-lhes a escolha da forma de fala a utilizar, considerando
as características e condições do contexto de produção, ou
seja, é saber adequar os recursos expressivos, a variedade de
língua e o estilo às diferentes situações comunicativas: saber
coordenar satisfatoriamente o que fala ou escreve e como fazêlo; saber que modo de expressão é pertinente em função de
sua intenção enunciativa - dado o contexto e os interlocutores
a quem o texto se dirige. A questão não é de erro, mas de
adequação às circunstâncias de uso, de utilização adequada da
linguagem.
(BRASIL, Ministério da Educação e do Desporto. Parâmetros curriculares nacionais. Brasília:
MEC/SEF, 1998. Fragmentos, p. 28, 29 e 31.)
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Questão presente nas seguintes provas
O texto III a seguir servirá de base para a resolução da questão.
TEXTO III
Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs
Na perspectiva de uma didática voltada para a produção e
interpretação de textos, a atividade metalinguística deve ser
instrumento de apoio para a discussão dos aspectos da língua
que o professor seleciona e ordena no curso do ensino-aprendizagem.
Assim, não se justifica tratar o ensino gramatical desarticulado
das práticas de linguagem. É o caso, por exemplo, da gramática
que, ensinada de forma descontextualizada, tornou-se
emblemática de um conteúdo estritamente escolar, do tipo que
só serve para ir bem na prova e passar de ano - uma prática
pedagógica que vai da metalíngua para a língua por meio de
exemplificação, exercícios de reconhecimento e memorização
de terminologia. Em função disso, discute-se se há ou não
necessidade de ensinar gramática. Mas essa é uma falsa
questão: a questão verdadeira é o que, para que e como
ensiná-la.
Deve-se ter claro, na seleção dos conteúdos de análise
linguística, que a referência não pode ser a gramática
tradicional. A preocupação não é reconstruir com os alunos o
quadro descritivo constante dos manuais de gramática escolar
(por exemplo, o estudo ordenado das classes de palavras com
suas múltiplas subdivisões, a construção de paradigmas
morfológicos, como as conjugações verbais estudadas de um
fôlego em todas as suas formas temporais e modais, ou de
pontos de gramática, como todas as regras de concordância,
com suas exceções reconhecidas).
O que deve ser ensinado não responde às imposições de
organização clássica de conteúdos na gramática escolar, mas
aos aspectos que precisam ser tematizados em função das
necessidades apresentadas pelos alunos nas atividades de
produção, leitura e escuta de textos.
O modo de ensinar, por sua vez, não reproduz a clássica
metodologia de definição, classificação e exercitação, mas
corresponde a uma prática que parte da reflexão produzida
pelos alunos mediante a utilização de uma terminologia simples
e se aproxima, progressivamente, pela mediação do professor,
do conhecimento gramatical produzido. Isso implica, muitas
vezes, chegar a resultados diferentes daqueles obtidos pela
gramática tradicional, cuja descrição, em muitos aspectos, não
corresponde aos usos atuais da linguagem, o que coloca a
necessidade de busca de apoio em outros materiais e fontes.
[...] não se pode mais insistir na ideia de que o modelo de
correção estabelecido pela gramática tradicional seja o nível
padrão de língua ou que corresponda à variedade linguística de
prestígio. Há, isso sim, muito preconceito decorrente do valor
atribuído às variedades padrão e ao estigma associado às
variedades não-padrão, consideradas inferiores ou erradas
pela gramática. Essas diferenças não são imediatamente
reconhecidas e, quando são, não são objeto de avaliação
negativa.
Para cumprir bem a função de ensinar a escrita e a língua
padrão, a escola precisa livrar-se de vários mitos: o de que
existe uma forma "correta" de falar, o de que a fala de uma
região é melhor do que a de outras, o de que a fala "correta" é
a que se aproxima da língua escrita, o de que o brasileiro fala
mal o português, o de que o português é uma língua difícil, o de
que é preciso "consertar" a fala do aluno para evitar que ele
escreva errado.
Essas crenças insustentáveis produziram uma prática de
mutilação cultural que, além de desvalorizar a fala que identifica o aluno a sua comunidade, como se esta fosse formada de
incapazes, denota desconhecimento de que a escrita de uma
língua não corresponde a nenhuma de suas variedades, por
mais prestígio que uma delas possa ter. Ainda se ignora um
princípio elementar relativo ao desenvolvimento da linguagem:
o domínio de outras modalidades de fala e dos padrões de
escrita (e mesmo de outras línguas) não se faz por substituição,
mas por extensão da competência linguística e pela construção
ativa de subsistemas gramaticais sobre o sistema já adquirido.
No ensino-aprendizagem de diferentes padrões de fala e
escrita, o que se almeja não é levar os alunos a falar certo, mas
permitir-lhes a escolha da forma de fala a utilizar, considerando
as características e condições do contexto de produção, ou
seja, é saber adequar os recursos expressivos, a variedade de
língua e o estilo às diferentes situações comunicativas: saber
coordenar satisfatoriamente o que fala ou escreve e como fazêlo; saber que modo de expressão é pertinente em função de
sua intenção enunciativa - dado o contexto e os interlocutores
a quem o texto se dirige. A questão não é de erro, mas de
adequação às circunstâncias de uso, de utilização adequada da
linguagem.
(BRASIL, Ministério da Educação e do Desporto. Parâmetros curriculares nacionais. Brasília:
MEC/SEF, 1998. Fragmentos, p. 28, 29 e 31.)
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Questão presente nas seguintes provas
O texto III a seguir servirá de base para a resolução da questão.
TEXTO III
Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs
Na perspectiva de uma didática voltada para a produção e
interpretação de textos, a atividade metalinguística deve ser
instrumento de apoio para a discussão dos aspectos da língua
que o professor seleciona e ordena no curso do ensino-aprendizagem.
Assim, não se justifica tratar o ensino gramatical desarticulado
das práticas de linguagem. É o caso, por exemplo, da gramática
que, ensinada de forma descontextualizada, tornou-se
emblemática de um conteúdo estritamente escolar, do tipo que
só serve para ir bem na prova e passar de ano - uma prática
pedagógica que vai da metalíngua para a língua por meio de
exemplificação, exercícios de reconhecimento e memorização
de terminologia. Em função disso, discute-se se há ou não
necessidade de ensinar gramática. Mas essa é uma falsa
questão: a questão verdadeira é o que, para que e como
ensiná-la.
Deve-se ter claro, na seleção dos conteúdos de análise
linguística, que a referência não pode ser a gramática
tradicional. A preocupação não é reconstruir com os alunos o
quadro descritivo constante dos manuais de gramática escolar
(por exemplo, o estudo ordenado das classes de palavras com
suas múltiplas subdivisões, a construção de paradigmas
morfológicos, como as conjugações verbais estudadas de um
fôlego em todas as suas formas temporais e modais, ou de
pontos de gramática, como todas as regras de concordância,
com suas exceções reconhecidas).
O que deve ser ensinado não responde às imposições de
organização clássica de conteúdos na gramática escolar, mas
aos aspectos que precisam ser tematizados em função das
necessidades apresentadas pelos alunos nas atividades de
produção, leitura e escuta de textos.
O modo de ensinar, por sua vez, não reproduz a clássica
metodologia de definição, classificação e exercitação, mas
corresponde a uma prática que parte da reflexão produzida
pelos alunos mediante a utilização de uma terminologia simples
e se aproxima, progressivamente, pela mediação do professor,
do conhecimento gramatical produzido. Isso implica, muitas
vezes, chegar a resultados diferentes daqueles obtidos pela
gramática tradicional, cuja descrição, em muitos aspectos, não
corresponde aos usos atuais da linguagem, o que coloca a
necessidade de busca de apoio em outros materiais e fontes.
[...] não se pode mais insistir na ideia de que o modelo de
correção estabelecido pela gramática tradicional seja o nível
padrão de língua ou que corresponda à variedade linguística de
prestígio. Há, isso sim, muito preconceito decorrente do valor
atribuído às variedades padrão e ao estigma associado às
variedades não-padrão, consideradas inferiores ou erradas
pela gramática. Essas diferenças não são imediatamente
reconhecidas e, quando são, não são objeto de avaliação
negativa.
Para cumprir bem a função de ensinar a escrita e a língua
padrão, a escola precisa livrar-se de vários mitos: o de que
existe uma forma "correta" de falar, o de que a fala de uma
região é melhor do que a de outras, o de que a fala "correta" é
a que se aproxima da língua escrita, o de que o brasileiro fala
mal o português, o de que o português é uma língua difícil, o de
que é preciso "consertar" a fala do aluno para evitar que ele
escreva errado.
Essas crenças insustentáveis produziram uma prática de
mutilação cultural que, além de desvalorizar a fala que identifica o aluno a sua comunidade, como se esta fosse formada de
incapazes, denota desconhecimento de que a escrita de uma
língua não corresponde a nenhuma de suas variedades, por
mais prestígio que uma delas possa ter. Ainda se ignora um
princípio elementar relativo ao desenvolvimento da linguagem:
o domínio de outras modalidades de fala e dos padrões de
escrita (e mesmo de outras línguas) não se faz por substituição,
mas por extensão da competência linguística e pela construção
ativa de subsistemas gramaticais sobre o sistema já adquirido.
No ensino-aprendizagem de diferentes padrões de fala e
escrita, o que se almeja não é levar os alunos a falar certo, mas
permitir-lhes a escolha da forma de fala a utilizar, considerando
as características e condições do contexto de produção, ou
seja, é saber adequar os recursos expressivos, a variedade de
língua e o estilo às diferentes situações comunicativas: saber
coordenar satisfatoriamente o que fala ou escreve e como fazêlo; saber que modo de expressão é pertinente em função de
sua intenção enunciativa - dado o contexto e os interlocutores
a quem o texto se dirige. A questão não é de erro, mas de
adequação às circunstâncias de uso, de utilização adequada da
linguagem.
(BRASIL, Ministério da Educação e do Desporto. Parâmetros curriculares nacionais. Brasília:
MEC/SEF, 1998. Fragmentos, p. 28, 29 e 31.)
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Questão presente nas seguintes provas
O texto II a seguir serve de base de análise para a questão.
TEXTO II
Caboclo do sertão
(Rita de Cássia)
Eu vou te levar onde canta o sabiá
Onde a lua nos espia com olhar de menina
O cheiro do mato vem surgindo das colinas
Nossa cama é a grama pra fazer amor, menina
Sou caboclo do sertão
Só tenho amor no coração pra oferecer
A natureza é minha casa a vida é viver
Tudo pra eu e ocê
Lá tem um riacho para a gente se banhar
Pegar peixe, nadar junto e até vadiar
Quando for de noite nós acende o nosso amor
Pois fogueira não tem frio, pois sou teu cobertor
Sou caboclo do sertão
Só tenho amor no coração pra oferecer
A natureza é minha casa a vida a viver
Tudo pra eu e ocê
Quando for cedinho a passarada a cantar
Tem o sol alumiando pra nos acordar
Lá no paraíso tudo é feito com amor
Só faltava uma deusa, e você chegou...
Sou caboclo do sertão
Só tenho amor no coração pra oferecer
A natureza é minha casa a vida é viver
Tudo pra eu e ocê
Fonte: Onde Canta o Sabiá - Rita de Cássia - LETRAS.MUS.BR
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4278245
Ano: 2026
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: ISET
Orgão: Pref. Lajedinho-BA
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: ISET
Orgão: Pref. Lajedinho-BA
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O texto II a seguir serve de base de análise para a questão.
TEXTO II
Caboclo do sertão
(Rita de Cássia)
Eu vou te levar onde canta o sabiá
Onde a lua nos espia com olhar de menina
O cheiro do mato vem surgindo das colinas
Nossa cama é a grama pra fazer amor, menina
Sou caboclo do sertão
Só tenho amor no coração pra oferecer
A natureza é minha casa a vida é viver
Tudo pra eu e ocê
Lá tem um riacho para a gente se banhar
Pegar peixe, nadar junto e até vadiar
Quando for de noite nós acende o nosso amor
Pois fogueira não tem frio, pois sou teu cobertor
Sou caboclo do sertão
Só tenho amor no coração pra oferecer
A natureza é minha casa a vida a viver
Tudo pra eu e ocê
Quando for cedinho a passarada a cantar
Tem o sol alumiando pra nos acordar
Lá no paraíso tudo é feito com amor
Só faltava uma deusa, e você chegou...
Sou caboclo do sertão
Só tenho amor no coração pra oferecer
A natureza é minha casa a vida é viver
Tudo pra eu e ocê
Fonte: Onde Canta o Sabiá - Rita de Cássia - LETRAS.MUS.BR
I. Foi elaborado em forma de versos a fim de realçar uma expressividade rítmica.
II. Fundamenta-se na variedade dialetal a fim de realçar o falar próprio de uma região.
III. Na sua composição, prescinde de vocabulário sociocultural representativo de um povo específico.
IV. Restringe sua expressividade linguística a uma modalidade escorreita conforme o contexto em que se encontra.
Pode-se dizer que está correto o que se afirma
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