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[Entrevista] “Racismo no Brasil: todo mundo sabe que existe, mas ninguém acha que é racista”, diz Djamila Ribeiro

Enunciado 3518597-1

Fotos: um garoto exibe o best seller “Pequeno Manual Antirracista”, de Ribeiro (2019);

A escritora e filósofa Djamila Ribeiro em palestra nos USA.

Djamila Ribeiro, uma das vozes mais influentes do movimento pelos direitos das mulheres negras no Brasil, define assim o comportamento do brasileiro em relação ao racismo: “todo mundo sabe que existe, mas ninguém acha que é racista”. Nesta entrevista concedida à BBC News Brasil, a mestre em filosofia política pela Unifesp (2015) e autora do best seller “Pequeno Manual Antirracista” (2019) diz o que deve ser feito por quem quer combater o racismo e sobre o papel dos pais na educação antirracista de seus filhos.

Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:


BBC News - Qual é sua avaliação sobre os protestos contra violência racial que estão acontecendo nos EUA e no Brasil?

Djamila Ribeiro - Tanto no Brasil como nos EUA, a violência racial é um tema que tem sido debatido historicamente pelos movimentos negros [...]. No Brasil, às vezes a gente faz umas comparações 'ah, mas nos Estados Unidos as pessoas estão nas ruas e no Brasil, não', como se no Brasil a gente não tivesse uma série de lutas e resistências contra esse sistema de opressão. Não podemos reduzir a resistência somente a manifestações. Elas são fundamentais: é importante ir às ruas, denunciar o que está acontecendo, mas às vezes a gente limita isso à questão das manifestações e muitas vezes no Brasil as pessoas apoiam o que está acontecendo lá sem enxergar a realidade do que está acontecendo no Brasil. [...] É importantíssimo a gente refletir, parar de naturalizar esses assassinatos de jovens negros no Brasil — a cada 23 minutos um jovem negro é assassinado no Brasil.


BBC News - Você mencionou que os protestos não são a única forma de fazer resistência. De que forma essa resistência acontece hoje no Brasil?

Djamila Ribeiro - A gente tem movimento negro, frente negra brasileira, movimento negro que lutou por ações afirmativas quando foram adotadas no Brasil: a primeira universidade a adotar cotas foi UERJ em 2001, a segunda foi a UnB em 2004 e depois teve a lei federal de cotas em 2012. Essas conquistas são reivindicações históricas dos movimentos negros. A própria questão de hoje, ter aumentado o número de pessoas que se declaram negras no Brasil, é luta dos movimentos negros [...]. Se hoje ainda existem terreiros das diversas denominações de religiões de matriz africana, isso é uma prova de resistência também. É importante a gente visibilizar isso pra gente não resvalar nessa visão de que não existe luta. Se a gente olhar quantos líderes quilombolas foram assassinados nos últimos anos, lutando pelo direito à terra, [...]. Então, existem várias formas de resistência, de lutas políticas de diversas organizações do movimento negro, que é importante ressaltar: se estamos ainda hoje no Brasil e somos maioria, é porque o povo negro vem resistindo, mesmo com tantas ações que visam o extermínio desse povo.


BBC News - Em seu livro “Pequeno Manual Antirracista” (2019), você aponta que 'é impossível não ser racista tendo sido criado numa sociedade racista. É algo que está em nós e contra o que devemos lutar sempre'. [...] por que é tão prejudicial que a gente tente focar a discussão do racismo como algo individual, com frases como 'eu não sou racista'?

Djamila Ribeiro - Esse é o comportamento do brasileiro. Todo mundo sabe que o racismo existe, mas ninguém é racista. Tem uma pesquisa histórica da década de 1990, da Folha de S. Paulo, de que 90% das pessoas diziam conhecer pessoas racistas e diziam que o racismo existia, mas quando perguntavam se elas eram racistas, elas diziam que não. [...] falta um entendimento do racismo como sistema de opressão, e aí passa por a gente conhecer nossa história como povo brasileiro. Muitos desconhecem que o Brasil foi o último dos países das Américas a abolir a escravidão, o impacto disso na construção da nossa sociedade, os fatos históricos que construíram essas desigualdades [...]. As pessoas têm dificuldade de entender que durante quase quatro séculos, as pessoas negras foram tratadas como mercadoria, e construíram as riquezas desse país sem ter acesso a elas.

BBC News - Você escreve que as pessoas negras são levadas desde cedo a refletir sobre sua condição racial e diz que aos 6 anos entendeu que ser negra era um problema para a sociedade, enquanto seus colegas brancos não precisavam pensar qual era o espaço deles. Qual é o papel dos pais na formação de crianças (e depois adultos) antirracistas?

Djamila Ribeiro - É um papel fundamental. Muitos desses pais vieram de escolas que eu vim, que conta aquela história de que negros foram escravos e ponto, e que a princesa Isabel foi a grande redentora. Aí temos a Lei 10.639, de 2003, que alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, incluindo a obrigação do estudo da história africana e afro-brasileira nas escolas. Essa lei é fundamental não só para crianças negras, mas para as brancas entenderem que o mundo é constituído por pessoas negras, porque elas terão outra visão e construção das pessoas negras. Os pais podem, na escola que vão matricular o filho, saber se essa lei está sendo implementada, se não, cobrar da escola que seja, olhar o material didático para ver se contempla a multiplicidade do povo brasileiro e das narrativas múltiplas que temos, apresentar aos filhos referência de pessoas negras — seja em livros, em brinquedos, e buscar conhecer de fato pessoas negras. Muitas vezes o convívio que essas crianças têm com pessoas negras são as empregadas e as babás, e simplesmente não entendem a importância de trazer outras referências para o convívio. [...] as crianças vão criar suas visões de mundo – que podem ser limitadas e empobrecidas, contemplando apenas um grupo social, ou pode ser uma visão muito mais ampla, em que essas crianças tenham possibilidade de reconhecer as humanidades dos diferentes grupos.

BBC News - Outro episódio que vimos essa semana foi o Felipe Neto, que é um homem branco, criticar o silêncio do Neymar sobre a luta antirracista. [...] O que você defende em um episódio como este? E você pode aproveitar para comentar sobre o fato de muitas vezes haver uma cobrança de que o movimento negro seja homogêneo?

Djamila Ribeiro - O Neymar é uma pessoa que nunca se posicionou sobre a questão racial, que tem posturas conservadoras [...] então eu não esperaria um posicionamento dele. Historicamente, sempre se mostrou alheio a essa questão. Então não é uma pessoa que eu cobraria. [...]. Pessoas negras são diversas. Existem pessoas que são conservadoras. Existem pessoas que são alheias a essa questão, assim como pessoas brancas. Temos que tomar cuidado com esse tipo de cobrança para não colocar pessoas negras sempre nesse lugar de que tem que estar na luta, ser militante, ignorando sua subjetividade e suas próprias construções. [...] as pessoas acham que a gente tem que dar uma resposta sobre todos. As pessoas negras não são vistas como indivíduos, são vistas como um grupo homogêneo. As pessoas brancas são vistas como indivíduos.

Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-52922015. Publicado em: 5 jun. 2020. Acesso em: 7 juL. 2022. Trecho adaptado.

Releia:

“[...] Os pais podem, na escola que vão matricular o filho, saber se essa lei está sendo implementada, se não, cobrar da escola que seja, olhar o material didático para ver se contempla a multiplicidade do povo brasileiro [...]. Muitas vezes o convívio que essas crianças têm com pessoas negras são as empregadas e as babás, e simplesmente não entendem a importância de trazer outras referências para o convívio. [...] as crianças vão criar suas visões de mundo – que podem ser limitadas e empobrecidas, contemplando apenas um grupo social, ou pode ser uma visão muito mais ampla, em que essas crianças tenham possibilidade de reconhecer as humanidades dos diferentes grupos.”

Neste trecho, Djamila Ribeiro procura esclarecer, principalmente, que:

 

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[Entrevista] “Racismo no Brasil: todo mundo sabe que existe, mas ninguém acha que é racista”, diz Djamila Ribeiro

Enunciado 3518596-1

Fotos: um garoto exibe o best seller “Pequeno Manual Antirracista”, de Ribeiro (2019);

A escritora e filósofa Djamila Ribeiro em palestra nos USA.

Djamila Ribeiro, uma das vozes mais influentes do movimento pelos direitos das mulheres negras no Brasil, define assim o comportamento do brasileiro em relação ao racismo: “todo mundo sabe que existe, mas ninguém acha que é racista”. Nesta entrevista concedida à BBC News Brasil, a mestre em filosofia política pela Unifesp (2015) e autora do best seller “Pequeno Manual Antirracista” (2019) diz o que deve ser feito por quem quer combater o racismo e sobre o papel dos pais na educação antirracista de seus filhos.

Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:


BBC News - Qual é sua avaliação sobre os protestos contra violência racial que estão acontecendo nos EUA e no Brasil?

Djamila Ribeiro - Tanto no Brasil como nos EUA, a violência racial é um tema que tem sido debatido historicamente pelos movimentos negros [...]. No Brasil, às vezes a gente faz umas comparações 'ah, mas nos Estados Unidos as pessoas estão nas ruas e no Brasil, não', como se no Brasil a gente não tivesse uma série de lutas e resistências contra esse sistema de opressão. Não podemos reduzir a resistência somente a manifestações. Elas são fundamentais: é importante ir às ruas, denunciar o que está acontecendo, mas às vezes a gente limita isso à questão das manifestações e muitas vezes no Brasil as pessoas apoiam o que está acontecendo lá sem enxergar a realidade do que está acontecendo no Brasil. [...] É importantíssimo a gente refletir, parar de naturalizar esses assassinatos de jovens negros no Brasil — a cada 23 minutos um jovem negro é assassinado no Brasil.


BBC News - Você mencionou que os protestos não são a única forma de fazer resistência. De que forma essa resistência acontece hoje no Brasil?

Djamila Ribeiro - A gente tem movimento negro, frente negra brasileira, movimento negro que lutou por ações afirmativas quando foram adotadas no Brasil: a primeira universidade a adotar cotas foi UERJ em 2001, a segunda foi a UnB em 2004 e depois teve a lei federal de cotas em 2012. Essas conquistas são reivindicações históricas dos movimentos negros. A própria questão de hoje, ter aumentado o número de pessoas que se declaram negras no Brasil, é luta dos movimentos negros [...]. Se hoje ainda existem terreiros das diversas denominações de religiões de matriz africana, isso é uma prova de resistência também. É importante a gente visibilizar isso pra gente não resvalar nessa visão de que não existe luta. Se a gente olhar quantos líderes quilombolas foram assassinados nos últimos anos, lutando pelo direito à terra, [...]. Então, existem várias formas de resistência, de lutas políticas de diversas organizações do movimento negro, que é importante ressaltar: se estamos ainda hoje no Brasil e somos maioria, é porque o povo negro vem resistindo, mesmo com tantas ações que visam o extermínio desse povo.


BBC News - Em seu livro “Pequeno Manual Antirracista” (2019), você aponta que 'é impossível não ser racista tendo sido criado numa sociedade racista. É algo que está em nós e contra o que devemos lutar sempre'. [...] por que é tão prejudicial que a gente tente focar a discussão do racismo como algo individual, com frases como 'eu não sou racista'?

Djamila Ribeiro - Esse é o comportamento do brasileiro. Todo mundo sabe que o racismo existe, mas ninguém é racista. Tem uma pesquisa histórica da década de 1990, da Folha de S. Paulo, de que 90% das pessoas diziam conhecer pessoas racistas e diziam que o racismo existia, mas quando perguntavam se elas eram racistas, elas diziam que não. [...] falta um entendimento do racismo como sistema de opressão, e aí passa por a gente conhecer nossa história como povo brasileiro. Muitos desconhecem que o Brasil foi o último dos países das Américas a abolir a escravidão, o impacto disso na construção da nossa sociedade, os fatos históricos que construíram essas desigualdades [...]. As pessoas têm dificuldade de entender que durante quase quatro séculos, as pessoas negras foram tratadas como mercadoria, e construíram as riquezas desse país sem ter acesso a elas.

BBC News - Você escreve que as pessoas negras são levadas desde cedo a refletir sobre sua condição racial e diz que aos 6 anos entendeu que ser negra era um problema para a sociedade, enquanto seus colegas brancos não precisavam pensar qual era o espaço deles. Qual é o papel dos pais na formação de crianças (e depois adultos) antirracistas?

Djamila Ribeiro - É um papel fundamental. Muitos desses pais vieram de escolas que eu vim, que conta aquela história de que negros foram escravos e ponto, e que a princesa Isabel foi a grande redentora. Aí temos a Lei 10.639, de 2003, que alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, incluindo a obrigação do estudo da história africana e afro-brasileira nas escolas. Essa lei é fundamental não só para crianças negras, mas para as brancas entenderem que o mundo é constituído por pessoas negras, porque elas terão outra visão e construção das pessoas negras. Os pais podem, na escola que vão matricular o filho, saber se essa lei está sendo implementada, se não, cobrar da escola que seja, olhar o material didático para ver se contempla a multiplicidade do povo brasileiro e das narrativas múltiplas que temos, apresentar aos filhos referência de pessoas negras — seja em livros, em brinquedos, e buscar conhecer de fato pessoas negras. Muitas vezes o convívio que essas crianças têm com pessoas negras são as empregadas e as babás, e simplesmente não entendem a importância de trazer outras referências para o convívio. [...] as crianças vão criar suas visões de mundo – que podem ser limitadas e empobrecidas, contemplando apenas um grupo social, ou pode ser uma visão muito mais ampla, em que essas crianças tenham possibilidade de reconhecer as humanidades dos diferentes grupos.

BBC News - Outro episódio que vimos essa semana foi o Felipe Neto, que é um homem branco, criticar o silêncio do Neymar sobre a luta antirracista. [...] O que você defende em um episódio como este? E você pode aproveitar para comentar sobre o fato de muitas vezes haver uma cobrança de que o movimento negro seja homogêneo?

Djamila Ribeiro - O Neymar é uma pessoa que nunca se posicionou sobre a questão racial, que tem posturas conservadoras [...] então eu não esperaria um posicionamento dele. Historicamente, sempre se mostrou alheio a essa questão. Então não é uma pessoa que eu cobraria. [...]. Pessoas negras são diversas. Existem pessoas que são conservadoras. Existem pessoas que são alheias a essa questão, assim como pessoas brancas. Temos que tomar cuidado com esse tipo de cobrança para não colocar pessoas negras sempre nesse lugar de que tem que estar na luta, ser militante, ignorando sua subjetividade e suas próprias construções. [...] as pessoas acham que a gente tem que dar uma resposta sobre todos. As pessoas negras não são vistas como indivíduos, são vistas como um grupo homogêneo. As pessoas brancas são vistas como indivíduos.

Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-52922015. Publicado em: 5 jun. 2020. Acesso em: 7 juL. 2022. Trecho adaptado.

Leia e analise com atenção as afirmativas que se seguem sobre o gênero textual “entrevista”, assinalando V para Verdadeiro e F para Falso.

( ) É veiculado, sobretudo, em jornais, revistas, portais da internet, televisão e rádio, mas pode ser encontrado também em informativos e textos escolares.

( ) Há diversos tipos de entrevistas dependendo da intenção pretendida: a entrevista jornalística, a entrevista de emprego, a entrevista social... Elas podem fazer parte de outros gêneros, por exemplo, a notícia e a reportagem.

( ) Trata-se de um texto marcado pela oralidade resultante da interação entre duas pessoas, ou seja, o entrevistador, responsável por fazer perguntas, e o entrevistado que procurará respondê-las de forma clara e convincente.

( ) Ela possui uma função social muito importante, sendo essencial para a difusão do conhecimento, a formação de opinião e o posicionamento crítico.

A sequência correta é:

 

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[Entrevista] “Racismo no Brasil: todo mundo sabe que existe, mas ninguém acha que é racista”, diz Djamila Ribeiro

Enunciado 3518595-1

Fotos: um garoto exibe o best seller “Pequeno Manual Antirracista”, de Ribeiro (2019);

A escritora e filósofa Djamila Ribeiro em palestra nos USA.

Djamila Ribeiro, uma das vozes mais influentes do movimento pelos direitos das mulheres negras no Brasil, define assim o comportamento do brasileiro em relação ao racismo: “todo mundo sabe que existe, mas ninguém acha que é racista”. Nesta entrevista concedida à BBC News Brasil, a mestre em filosofia política pela Unifesp (2015) e autora do best seller “Pequeno Manual Antirracista” (2019) diz o que deve ser feito por quem quer combater o racismo e sobre o papel dos pais na educação antirracista de seus filhos.

Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:


BBC News - Qual é sua avaliação sobre os protestos contra violência racial que estão acontecendo nos EUA e no Brasil?

Djamila Ribeiro - Tanto no Brasil como nos EUA, a violência racial é um tema que tem sido debatido historicamente pelos movimentos negros [...]. No Brasil, às vezes a gente faz umas comparações 'ah, mas nos Estados Unidos as pessoas estão nas ruas e no Brasil, não', como se no Brasil a gente não tivesse uma série de lutas e resistências contra esse sistema de opressão. Não podemos reduzir a resistência somente a manifestações. Elas são fundamentais: é importante ir às ruas, denunciar o que está acontecendo, mas às vezes a gente limita isso à questão das manifestações e muitas vezes no Brasil as pessoas apoiam o que está acontecendo lá sem enxergar a realidade do que está acontecendo no Brasil. [...] É importantíssimo a gente refletir, parar de naturalizar esses assassinatos de jovens negros no Brasil — a cada 23 minutos um jovem negro é assassinado no Brasil.


BBC News - Você mencionou que os protestos não são a única forma de fazer resistência. De que forma essa resistência acontece hoje no Brasil?

Djamila Ribeiro - A gente tem movimento negro, frente negra brasileira, movimento negro que lutou por ações afirmativas quando foram adotadas no Brasil: a primeira universidade a adotar cotas foi UERJ em 2001, a segunda foi a UnB em 2004 e depois teve a lei federal de cotas em 2012. Essas conquistas são reivindicações históricas dos movimentos negros. A própria questão de hoje, ter aumentado o número de pessoas que se declaram negras no Brasil, é luta dos movimentos negros [...]. Se hoje ainda existem terreiros das diversas denominações de religiões de matriz africana, isso é uma prova de resistência também. É importante a gente visibilizar isso pra gente não resvalar nessa visão de que não existe luta. Se a gente olhar quantos líderes quilombolas foram assassinados nos últimos anos, lutando pelo direito à terra, [...]. Então, existem várias formas de resistência, de lutas políticas de diversas organizações do movimento negro, que é importante ressaltar: se estamos ainda hoje no Brasil e somos maioria, é porque o povo negro vem resistindo, mesmo com tantas ações que visam o extermínio desse povo.


BBC News - Em seu livro “Pequeno Manual Antirracista” (2019), você aponta que 'é impossível não ser racista tendo sido criado numa sociedade racista. É algo que está em nós e contra o que devemos lutar sempre'. [...] por que é tão prejudicial que a gente tente focar a discussão do racismo como algo individual, com frases como 'eu não sou racista'?

Djamila Ribeiro - Esse é o comportamento do brasileiro. Todo mundo sabe que o racismo existe, mas ninguém é racista. Tem uma pesquisa histórica da década de 1990, da Folha de S. Paulo, de que 90% das pessoas diziam conhecer pessoas racistas e diziam que o racismo existia, mas quando perguntavam se elas eram racistas, elas diziam que não. [...] falta um entendimento do racismo como sistema de opressão, e aí passa por a gente conhecer nossa história como povo brasileiro. Muitos desconhecem que o Brasil foi o último dos países das Américas a abolir a escravidão, o impacto disso na construção da nossa sociedade, os fatos históricos que construíram essas desigualdades [...]. As pessoas têm dificuldade de entender que durante quase quatro séculos, as pessoas negras foram tratadas como mercadoria, e construíram as riquezas desse país sem ter acesso a elas.

BBC News - Você escreve que as pessoas negras são levadas desde cedo a refletir sobre sua condição racial e diz que aos 6 anos entendeu que ser negra era um problema para a sociedade, enquanto seus colegas brancos não precisavam pensar qual era o espaço deles. Qual é o papel dos pais na formação de crianças (e depois adultos) antirracistas?

Djamila Ribeiro - É um papel fundamental. Muitos desses pais vieram de escolas que eu vim, que conta aquela história de que negros foram escravos e ponto, e que a princesa Isabel foi a grande redentora. Aí temos a Lei 10.639, de 2003, que alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, incluindo a obrigação do estudo da história africana e afro-brasileira nas escolas. Essa lei é fundamental não só para crianças negras, mas para as brancas entenderem que o mundo é constituído por pessoas negras, porque elas terão outra visão e construção das pessoas negras. Os pais podem, na escola que vão matricular o filho, saber se essa lei está sendo implementada, se não, cobrar da escola que seja, olhar o material didático para ver se contempla a multiplicidade do povo brasileiro e das narrativas múltiplas que temos, apresentar aos filhos referência de pessoas negras — seja em livros, em brinquedos, e buscar conhecer de fato pessoas negras. Muitas vezes o convívio que essas crianças têm com pessoas negras são as empregadas e as babás, e simplesmente não entendem a importância de trazer outras referências para o convívio. [...] as crianças vão criar suas visões de mundo – que podem ser limitadas e empobrecidas, contemplando apenas um grupo social, ou pode ser uma visão muito mais ampla, em que essas crianças tenham possibilidade de reconhecer as humanidades dos diferentes grupos.

BBC News - Outro episódio que vimos essa semana foi o Felipe Neto, que é um homem branco, criticar o silêncio do Neymar sobre a luta antirracista. [...] O que você defende em um episódio como este? E você pode aproveitar para comentar sobre o fato de muitas vezes haver uma cobrança de que o movimento negro seja homogêneo?

Djamila Ribeiro - O Neymar é uma pessoa que nunca se posicionou sobre a questão racial, que tem posturas conservadoras [...] então eu não esperaria um posicionamento dele. Historicamente, sempre se mostrou alheio a essa questão. Então não é uma pessoa que eu cobraria. [...]. Pessoas negras são diversas. Existem pessoas que são conservadoras. Existem pessoas que são alheias a essa questão, assim como pessoas brancas. Temos que tomar cuidado com esse tipo de cobrança para não colocar pessoas negras sempre nesse lugar de que tem que estar na luta, ser militante, ignorando sua subjetividade e suas próprias construções. [...] as pessoas acham que a gente tem que dar uma resposta sobre todos. As pessoas negras não são vistas como indivíduos, são vistas como um grupo homogêneo. As pessoas brancas são vistas como indivíduos.

Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-52922015. Publicado em: 5 jun. 2020. Acesso em: 7 juL. 2022. Trecho adaptado.

Os textos do gênero “entrevista”, em geral, contêm uma apresentação que
 

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[Entrevista] “Racismo no Brasil: todo mundo sabe que existe, mas ninguém acha que é racista”, diz Djamila Ribeiro

Enunciado 3518594-1

Fotos: um garoto exibe o best seller “Pequeno Manual Antirracista”, de Ribeiro (2019);

A escritora e filósofa Djamila Ribeiro em palestra nos USA.

Djamila Ribeiro, uma das vozes mais influentes do movimento pelos direitos das mulheres negras no Brasil, define assim o comportamento do brasileiro em relação ao racismo: “todo mundo sabe que existe, mas ninguém acha que é racista”. Nesta entrevista concedida à BBC News Brasil, a mestre em filosofia política pela Unifesp (2015) e autora do best seller “Pequeno Manual Antirracista” (2019) diz o que deve ser feito por quem quer combater o racismo e sobre o papel dos pais na educação antirracista de seus filhos.

Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:


BBC News - Qual é sua avaliação sobre os protestos contra violência racial que estão acontecendo nos EUA e no Brasil?

Djamila Ribeiro - Tanto no Brasil como nos EUA, a violência racial é um tema que tem sido debatido historicamente pelos movimentos negros [...]. No Brasil, às vezes a gente faz umas comparações 'ah, mas nos Estados Unidos as pessoas estão nas ruas e no Brasil, não', como se no Brasil a gente não tivesse uma série de lutas e resistências contra esse sistema de opressão. Não podemos reduzir a resistência somente a manifestações. Elas são fundamentais: é importante ir às ruas, denunciar o que está acontecendo, mas às vezes a gente limita isso à questão das manifestações e muitas vezes no Brasil as pessoas apoiam o que está acontecendo lá sem enxergar a realidade do que está acontecendo no Brasil. [...] É importantíssimo a gente refletir, parar de naturalizar esses assassinatos de jovens negros no Brasil — a cada 23 minutos um jovem negro é assassinado no Brasil.


BBC News - Você mencionou que os protestos não são a única forma de fazer resistência. De que forma essa resistência acontece hoje no Brasil?

Djamila Ribeiro - A gente tem movimento negro, frente negra brasileira, movimento negro que lutou por ações afirmativas quando foram adotadas no Brasil: a primeira universidade a adotar cotas foi UERJ em 2001, a segunda foi a UnB em 2004 e depois teve a lei federal de cotas em 2012. Essas conquistas são reivindicações históricas dos movimentos negros. A própria questão de hoje, ter aumentado o número de pessoas que se declaram negras no Brasil, é luta dos movimentos negros [...]. Se hoje ainda existem terreiros das diversas denominações de religiões de matriz africana, isso é uma prova de resistência também. É importante a gente visibilizar isso pra gente não resvalar nessa visão de que não existe luta. Se a gente olhar quantos líderes quilombolas foram assassinados nos últimos anos, lutando pelo direito à terra, [...]. Então, existem várias formas de resistência, de lutas políticas de diversas organizações do movimento negro, que é importante ressaltar: se estamos ainda hoje no Brasil e somos maioria, é porque o povo negro vem resistindo, mesmo com tantas ações que visam o extermínio desse povo.


BBC News - Em seu livro “Pequeno Manual Antirracista” (2019), você aponta que 'é impossível não ser racista tendo sido criado numa sociedade racista. É algo que está em nós e contra o que devemos lutar sempre'. [...] por que é tão prejudicial que a gente tente focar a discussão do racismo como algo individual, com frases como 'eu não sou racista'?

Djamila Ribeiro - Esse é o comportamento do brasileiro. Todo mundo sabe que o racismo existe, mas ninguém é racista. Tem uma pesquisa histórica da década de 1990, da Folha de S. Paulo, de que 90% das pessoas diziam conhecer pessoas racistas e diziam que o racismo existia, mas quando perguntavam se elas eram racistas, elas diziam que não. [...] falta um entendimento do racismo como sistema de opressão, e aí passa por a gente conhecer nossa história como povo brasileiro. Muitos desconhecem que o Brasil foi o último dos países das Américas a abolir a escravidão, o impacto disso na construção da nossa sociedade, os fatos históricos que construíram essas desigualdades [...]. As pessoas têm dificuldade de entender que durante quase quatro séculos, as pessoas negras foram tratadas como mercadoria, e construíram as riquezas desse país sem ter acesso a elas.

BBC News - Você escreve que as pessoas negras são levadas desde cedo a refletir sobre sua condição racial e diz que aos 6 anos entendeu que ser negra era um problema para a sociedade, enquanto seus colegas brancos não precisavam pensar qual era o espaço deles. Qual é o papel dos pais na formação de crianças (e depois adultos) antirracistas?

Djamila Ribeiro - É um papel fundamental. Muitos desses pais vieram de escolas que eu vim, que conta aquela história de que negros foram escravos e ponto, e que a princesa Isabel foi a grande redentora. Aí temos a Lei 10.639, de 2003, que alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, incluindo a obrigação do estudo da história africana e afro-brasileira nas escolas. Essa lei é fundamental não só para crianças negras, mas para as brancas entenderem que o mundo é constituído por pessoas negras, porque elas terão outra visão e construção das pessoas negras. Os pais podem, na escola que vão matricular o filho, saber se essa lei está sendo implementada, se não, cobrar da escola que seja, olhar o material didático para ver se contempla a multiplicidade do povo brasileiro e das narrativas múltiplas que temos, apresentar aos filhos referência de pessoas negras — seja em livros, em brinquedos, e buscar conhecer de fato pessoas negras. Muitas vezes o convívio que essas crianças têm com pessoas negras são as empregadas e as babás, e simplesmente não entendem a importância de trazer outras referências para o convívio. [...] as crianças vão criar suas visões de mundo – que podem ser limitadas e empobrecidas, contemplando apenas um grupo social, ou pode ser uma visão muito mais ampla, em que essas crianças tenham possibilidade de reconhecer as humanidades dos diferentes grupos.

BBC News - Outro episódio que vimos essa semana foi o Felipe Neto, que é um homem branco, criticar o silêncio do Neymar sobre a luta antirracista. [...] O que você defende em um episódio como este? E você pode aproveitar para comentar sobre o fato de muitas vezes haver uma cobrança de que o movimento negro seja homogêneo?

Djamila Ribeiro - O Neymar é uma pessoa que nunca se posicionou sobre a questão racial, que tem posturas conservadoras [...] então eu não esperaria um posicionamento dele. Historicamente, sempre se mostrou alheio a essa questão. Então não é uma pessoa que eu cobraria. [...]. Pessoas negras são diversas. Existem pessoas que são conservadoras. Existem pessoas que são alheias a essa questão, assim como pessoas brancas. Temos que tomar cuidado com esse tipo de cobrança para não colocar pessoas negras sempre nesse lugar de que tem que estar na luta, ser militante, ignorando sua subjetividade e suas próprias construções. [...] as pessoas acham que a gente tem que dar uma resposta sobre todos. As pessoas negras não são vistas como indivíduos, são vistas como um grupo homogêneo. As pessoas brancas são vistas como indivíduos.

Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-52922015. Publicado em: 5 jun. 2020. Acesso em: 7 juL. 2022. Trecho adaptado.

Assinale V para Verdadeiro e F para falso.

( ) A entrevistada afirma que, em nosso país, não há luta contra o racismo porque o brasileiro “não vai às ruas”, isto é, não faz manifestações como aquelas que ocorreram nos USA por ocasião da morte de George Floyd, em 2020.

( ) Djamila Ribeiro demonstrou apoio ao youtuber Felipe Neto, no episódio em que este criticou o futebolista Neymar, quando defendeu que toda pessoa negra precisa se posicionar publicamente sobre o racismo, deixando o silêncio de lado.

( ) A escritora do best seller “Pequeno Manual Antirracista” (2019) aconselha os pais a verificar, dentre outras coisas, se o material didático e o ensino escolar contemplam a multiplicidade do povo brasileiro e de suas narrativas.

( ) Para Djamila Ribeiro, falta um entendimento do racismo como sistema de opressão, pelo fato de que muitos não conhecem nossa história como povo.

Agora, assinale a sequência correta:

 

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[Entrevista] “Racismo no Brasil: todo mundo sabe que existe, mas ninguém acha que é racista”, diz Djamila Ribeiro

Enunciado 3518593-1

Fotos: um garoto exibe o best seller “Pequeno Manual Antirracista”, de Ribeiro (2019);

A escritora e filósofa Djamila Ribeiro em palestra nos USA.

Djamila Ribeiro, uma das vozes mais influentes do movimento pelos direitos das mulheres negras no Brasil, define assim o comportamento do brasileiro em relação ao racismo: “todo mundo sabe que existe, mas ninguém acha que é racista”. Nesta entrevista concedida à BBC News Brasil, a mestre em filosofia política pela Unifesp (2015) e autora do best seller “Pequeno Manual Antirracista” (2019) diz o que deve ser feito por quem quer combater o racismo e sobre o papel dos pais na educação antirracista de seus filhos.

Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:


BBC News - Qual é sua avaliação sobre os protestos contra violência racial que estão acontecendo nos EUA e no Brasil?

Djamila Ribeiro - Tanto no Brasil como nos EUA, a violência racial é um tema que tem sido debatido historicamente pelos movimentos negros [...]. No Brasil, às vezes a gente faz umas comparações 'ah, mas nos Estados Unidos as pessoas estão nas ruas e no Brasil, não', como se no Brasil a gente não tivesse uma série de lutas e resistências contra esse sistema de opressão. Não podemos reduzir a resistência somente a manifestações. Elas são fundamentais: é importante ir às ruas, denunciar o que está acontecendo, mas às vezes a gente limita isso à questão das manifestações e muitas vezes no Brasil as pessoas apoiam o que está acontecendo lá sem enxergar a realidade do que está acontecendo no Brasil. [...] É importantíssimo a gente refletir, parar de naturalizar esses assassinatos de jovens negros no Brasil — a cada 23 minutos um jovem negro é assassinado no Brasil.


BBC News - Você mencionou que os protestos não são a única forma de fazer resistência. De que forma essa resistência acontece hoje no Brasil?

Djamila Ribeiro - A gente tem movimento negro, frente negra brasileira, movimento negro que lutou por ações afirmativas quando foram adotadas no Brasil: a primeira universidade a adotar cotas foi UERJ em 2001, a segunda foi a UnB em 2004 e depois teve a lei federal de cotas em 2012. Essas conquistas são reivindicações históricas dos movimentos negros. A própria questão de hoje, ter aumentado o número de pessoas que se declaram negras no Brasil, é luta dos movimentos negros [...]. Se hoje ainda existem terreiros das diversas denominações de religiões de matriz africana, isso é uma prova de resistência também. É importante a gente visibilizar isso pra gente não resvalar nessa visão de que não existe luta. Se a gente olhar quantos líderes quilombolas foram assassinados nos últimos anos, lutando pelo direito à terra, [...]. Então, existem várias formas de resistência, de lutas políticas de diversas organizações do movimento negro, que é importante ressaltar: se estamos ainda hoje no Brasil e somos maioria, é porque o povo negro vem resistindo, mesmo com tantas ações que visam o extermínio desse povo.


BBC News - Em seu livro “Pequeno Manual Antirracista” (2019), você aponta que 'é impossível não ser racista tendo sido criado numa sociedade racista. É algo que está em nós e contra o que devemos lutar sempre'. [...] por que é tão prejudicial que a gente tente focar a discussão do racismo como algo individual, com frases como 'eu não sou racista'?

Djamila Ribeiro - Esse é o comportamento do brasileiro. Todo mundo sabe que o racismo existe, mas ninguém é racista. Tem uma pesquisa histórica da década de 1990, da Folha de S. Paulo, de que 90% das pessoas diziam conhecer pessoas racistas e diziam que o racismo existia, mas quando perguntavam se elas eram racistas, elas diziam que não. [...] falta um entendimento do racismo como sistema de opressão, e aí passa por a gente conhecer nossa história como povo brasileiro. Muitos desconhecem que o Brasil foi o último dos países das Américas a abolir a escravidão, o impacto disso na construção da nossa sociedade, os fatos históricos que construíram essas desigualdades [...]. As pessoas têm dificuldade de entender que durante quase quatro séculos, as pessoas negras foram tratadas como mercadoria, e construíram as riquezas desse país sem ter acesso a elas.

BBC News - Você escreve que as pessoas negras são levadas desde cedo a refletir sobre sua condição racial e diz que aos 6 anos entendeu que ser negra era um problema para a sociedade, enquanto seus colegas brancos não precisavam pensar qual era o espaço deles. Qual é o papel dos pais na formação de crianças (e depois adultos) antirracistas?

Djamila Ribeiro - É um papel fundamental. Muitos desses pais vieram de escolas que eu vim, que conta aquela história de que negros foram escravos e ponto, e que a princesa Isabel foi a grande redentora. Aí temos a Lei 10.639, de 2003, que alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, incluindo a obrigação do estudo da história africana e afro-brasileira nas escolas. Essa lei é fundamental não só para crianças negras, mas para as brancas entenderem que o mundo é constituído por pessoas negras, porque elas terão outra visão e construção das pessoas negras. Os pais podem, na escola que vão matricular o filho, saber se essa lei está sendo implementada, se não, cobrar da escola que seja, olhar o material didático para ver se contempla a multiplicidade do povo brasileiro e das narrativas múltiplas que temos, apresentar aos filhos referência de pessoas negras — seja em livros, em brinquedos, e buscar conhecer de fato pessoas negras. Muitas vezes o convívio que essas crianças têm com pessoas negras são as empregadas e as babás, e simplesmente não entendem a importância de trazer outras referências para o convívio. [...] as crianças vão criar suas visões de mundo – que podem ser limitadas e empobrecidas, contemplando apenas um grupo social, ou pode ser uma visão muito mais ampla, em que essas crianças tenham possibilidade de reconhecer as humanidades dos diferentes grupos.

BBC News - Outro episódio que vimos essa semana foi o Felipe Neto, que é um homem branco, criticar o silêncio do Neymar sobre a luta antirracista. [...] O que você defende em um episódio como este? E você pode aproveitar para comentar sobre o fato de muitas vezes haver uma cobrança de que o movimento negro seja homogêneo?

Djamila Ribeiro - O Neymar é uma pessoa que nunca se posicionou sobre a questão racial, que tem posturas conservadoras [...] então eu não esperaria um posicionamento dele. Historicamente, sempre se mostrou alheio a essa questão. Então não é uma pessoa que eu cobraria. [...]. Pessoas negras são diversas. Existem pessoas que são conservadoras. Existem pessoas que são alheias a essa questão, assim como pessoas brancas. Temos que tomar cuidado com esse tipo de cobrança para não colocar pessoas negras sempre nesse lugar de que tem que estar na luta, ser militante, ignorando sua subjetividade e suas próprias construções. [...] as pessoas acham que a gente tem que dar uma resposta sobre todos. As pessoas negras não são vistas como indivíduos, são vistas como um grupo homogêneo. As pessoas brancas são vistas como indivíduos.

Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-52922015. Publicado em: 5 jun. 2020. Acesso em: 7 juL. 2022. Trecho adaptado.

Leia:

“[...] Os pais podem, na escola que vão matricular o filho, saber se essa lei está sendo implementada, se não, cobrar da escola que seja, olhar o material didático para ver se contempla a multiplicidade do povo brasileiro [...].”

Neste trecho, Djamila Ribeiro aconselha os pais a:

 

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[Entrevista] “Racismo no Brasil: todo mundo sabe que existe, mas ninguém acha que é racista”, diz Djamila Ribeiro

Enunciado 3518592-1

Fotos: um garoto exibe o best seller “Pequeno Manual Antirracista”, de Ribeiro (2019);

A escritora e filósofa Djamila Ribeiro em palestra nos USA.

Djamila Ribeiro, uma das vozes mais influentes do movimento pelos direitos das mulheres negras no Brasil, define assim o comportamento do brasileiro em relação ao racismo: “todo mundo sabe que existe, mas ninguém acha que é racista”. Nesta entrevista concedida à BBC News Brasil, a mestre em filosofia política pela Unifesp (2015) e autora do best seller “Pequeno Manual Antirracista” (2019) diz o que deve ser feito por quem quer combater o racismo e sobre o papel dos pais na educação antirracista de seus filhos.

Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:


BBC News - Qual é sua avaliação sobre os protestos contra violência racial que estão acontecendo nos EUA e no Brasil?

Djamila Ribeiro - Tanto no Brasil como nos EUA, a violência racial é um tema que tem sido debatido historicamente pelos movimentos negros [...]. No Brasil, às vezes a gente faz umas comparações 'ah, mas nos Estados Unidos as pessoas estão nas ruas e no Brasil, não', como se no Brasil a gente não tivesse uma série de lutas e resistências contra esse sistema de opressão. Não podemos reduzir a resistência somente a manifestações. Elas são fundamentais: é importante ir às ruas, denunciar o que está acontecendo, mas às vezes a gente limita isso à questão das manifestações e muitas vezes no Brasil as pessoas apoiam o que está acontecendo lá sem enxergar a realidade do que está acontecendo no Brasil. [...] É importantíssimo a gente refletir, parar de naturalizar esses assassinatos de jovens negros no Brasil — a cada 23 minutos um jovem negro é assassinado no Brasil.


BBC News - Você mencionou que os protestos não são a única forma de fazer resistência. De que forma essa resistência acontece hoje no Brasil?

Djamila Ribeiro - A gente tem movimento negro, frente negra brasileira, movimento negro que lutou por ações afirmativas quando foram adotadas no Brasil: a primeira universidade a adotar cotas foi UERJ em 2001, a segunda foi a UnB em 2004 e depois teve a lei federal de cotas em 2012. Essas conquistas são reivindicações históricas dos movimentos negros. A própria questão de hoje, ter aumentado o número de pessoas que se declaram negras no Brasil, é luta dos movimentos negros [...]. Se hoje ainda existem terreiros das diversas denominações de religiões de matriz africana, isso é uma prova de resistência também. É importante a gente visibilizar isso pra gente não resvalar nessa visão de que não existe luta. Se a gente olhar quantos líderes quilombolas foram assassinados nos últimos anos, lutando pelo direito à terra, [...]. Então, existem várias formas de resistência, de lutas políticas de diversas organizações do movimento negro, que é importante ressaltar: se estamos ainda hoje no Brasil e somos maioria, é porque o povo negro vem resistindo, mesmo com tantas ações que visam o extermínio desse povo.


BBC News - Em seu livro “Pequeno Manual Antirracista” (2019), você aponta que 'é impossível não ser racista tendo sido criado numa sociedade racista. É algo que está em nós e contra o que devemos lutar sempre'. [...] por que é tão prejudicial que a gente tente focar a discussão do racismo como algo individual, com frases como 'eu não sou racista'?

Djamila Ribeiro - Esse é o comportamento do brasileiro. Todo mundo sabe que o racismo existe, mas ninguém é racista. Tem uma pesquisa histórica da década de 1990, da Folha de S. Paulo, de que 90% das pessoas diziam conhecer pessoas racistas e diziam que o racismo existia, mas quando perguntavam se elas eram racistas, elas diziam que não. [...] falta um entendimento do racismo como sistema de opressão, e aí passa por a gente conhecer nossa história como povo brasileiro. Muitos desconhecem que o Brasil foi o último dos países das Américas a abolir a escravidão, o impacto disso na construção da nossa sociedade, os fatos históricos que construíram essas desigualdades [...]. As pessoas têm dificuldade de entender que durante quase quatro séculos, as pessoas negras foram tratadas como mercadoria, e construíram as riquezas desse país sem ter acesso a elas.

BBC News - Você escreve que as pessoas negras são levadas desde cedo a refletir sobre sua condição racial e diz que aos 6 anos entendeu que ser negra era um problema para a sociedade, enquanto seus colegas brancos não precisavam pensar qual era o espaço deles. Qual é o papel dos pais na formação de crianças (e depois adultos) antirracistas?

Djamila Ribeiro - É um papel fundamental. Muitos desses pais vieram de escolas que eu vim, que conta aquela história de que negros foram escravos e ponto, e que a princesa Isabel foi a grande redentora. Aí temos a Lei 10.639, de 2003, que alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, incluindo a obrigação do estudo da história africana e afro-brasileira nas escolas. Essa lei é fundamental não só para crianças negras, mas para as brancas entenderem que o mundo é constituído por pessoas negras, porque elas terão outra visão e construção das pessoas negras. Os pais podem, na escola que vão matricular o filho, saber se essa lei está sendo implementada, se não, cobrar da escola que seja, olhar o material didático para ver se contempla a multiplicidade do povo brasileiro e das narrativas múltiplas que temos, apresentar aos filhos referência de pessoas negras — seja em livros, em brinquedos, e buscar conhecer de fato pessoas negras. Muitas vezes o convívio que essas crianças têm com pessoas negras são as empregadas e as babás, e simplesmente não entendem a importância de trazer outras referências para o convívio. [...] as crianças vão criar suas visões de mundo – que podem ser limitadas e empobrecidas, contemplando apenas um grupo social, ou pode ser uma visão muito mais ampla, em que essas crianças tenham possibilidade de reconhecer as humanidades dos diferentes grupos.

BBC News - Outro episódio que vimos essa semana foi o Felipe Neto, que é um homem branco, criticar o silêncio do Neymar sobre a luta antirracista. [...] O que você defende em um episódio como este? E você pode aproveitar para comentar sobre o fato de muitas vezes haver uma cobrança de que o movimento negro seja homogêneo?

Djamila Ribeiro - O Neymar é uma pessoa que nunca se posicionou sobre a questão racial, que tem posturas conservadoras [...] então eu não esperaria um posicionamento dele. Historicamente, sempre se mostrou alheio a essa questão. Então não é uma pessoa que eu cobraria. [...]. Pessoas negras são diversas. Existem pessoas que são conservadoras. Existem pessoas que são alheias a essa questão, assim como pessoas brancas. Temos que tomar cuidado com esse tipo de cobrança para não colocar pessoas negras sempre nesse lugar de que tem que estar na luta, ser militante, ignorando sua subjetividade e suas próprias construções. [...] as pessoas acham que a gente tem que dar uma resposta sobre todos. As pessoas negras não são vistas como indivíduos, são vistas como um grupo homogêneo. As pessoas brancas são vistas como indivíduos.

Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-52922015. Publicado em: 5 jun. 2020. Acesso em: 7 juL. 2022. Trecho adaptado.

Releia:

“[...] falta um entendimento do racismo como sistema de opressão, e aí passa por a gente conhecer nossa história como povo brasileiro.”

As palavras negritadas neste trecho da entrevista (transcrita) são exemplos de:

 

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[Entrevista] “Racismo no Brasil: todo mundo sabe que existe, mas ninguém acha que é racista”, diz Djamila Ribeiro

Enunciado 3518591-1

Fotos: um garoto exibe o best seller “Pequeno Manual Antirracista”, de Ribeiro (2019);

A escritora e filósofa Djamila Ribeiro em palestra nos USA.

Djamila Ribeiro, uma das vozes mais influentes do movimento pelos direitos das mulheres negras no Brasil, define assim o comportamento do brasileiro em relação ao racismo: “todo mundo sabe que existe, mas ninguém acha que é racista”. Nesta entrevista concedida à BBC News Brasil, a mestre em filosofia política pela Unifesp (2015) e autora do best seller “Pequeno Manual Antirracista” (2019) diz o que deve ser feito por quem quer combater o racismo e sobre o papel dos pais na educação antirracista de seus filhos.

Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:


BBC News - Qual é sua avaliação sobre os protestos contra violência racial que estão acontecendo nos EUA e no Brasil?

Djamila Ribeiro - Tanto no Brasil como nos EUA, a violência racial é um tema que tem sido debatido historicamente pelos movimentos negros [...]. No Brasil, às vezes a gente faz umas comparações 'ah, mas nos Estados Unidos as pessoas estão nas ruas e no Brasil, não', como se no Brasil a gente não tivesse uma série de lutas e resistências contra esse sistema de opressão. Não podemos reduzir a resistência somente a manifestações. Elas são fundamentais: é importante ir às ruas, denunciar o que está acontecendo, mas às vezes a gente limita isso à questão das manifestações e muitas vezes no Brasil as pessoas apoiam o que está acontecendo lá sem enxergar a realidade do que está acontecendo no Brasil. [...] É importantíssimo a gente refletir, parar de naturalizar esses assassinatos de jovens negros no Brasil — a cada 23 minutos um jovem negro é assassinado no Brasil.


BBC News - Você mencionou que os protestos não são a única forma de fazer resistência. De que forma essa resistência acontece hoje no Brasil?

Djamila Ribeiro - A gente tem movimento negro, frente negra brasileira, movimento negro que lutou por ações afirmativas quando foram adotadas no Brasil: a primeira universidade a adotar cotas foi UERJ em 2001, a segunda foi a UnB em 2004 e depois teve a lei federal de cotas em 2012. Essas conquistas são reivindicações históricas dos movimentos negros. A própria questão de hoje, ter aumentado o número de pessoas que se declaram negras no Brasil, é luta dos movimentos negros [...]. Se hoje ainda existem terreiros das diversas denominações de religiões de matriz africana, isso é uma prova de resistência também. É importante a gente visibilizar isso pra gente não resvalar nessa visão de que não existe luta. Se a gente olhar quantos líderes quilombolas foram assassinados nos últimos anos, lutando pelo direito à terra, [...]. Então, existem várias formas de resistência, de lutas políticas de diversas organizações do movimento negro, que é importante ressaltar: se estamos ainda hoje no Brasil e somos maioria, é porque o povo negro vem resistindo, mesmo com tantas ações que visam o extermínio desse povo.


BBC News - Em seu livro “Pequeno Manual Antirracista” (2019), você aponta que 'é impossível não ser racista tendo sido criado numa sociedade racista. É algo que está em nós e contra o que devemos lutar sempre'. [...] por que é tão prejudicial que a gente tente focar a discussão do racismo como algo individual, com frases como 'eu não sou racista'?

Djamila Ribeiro - Esse é o comportamento do brasileiro. Todo mundo sabe que o racismo existe, mas ninguém é racista. Tem uma pesquisa histórica da década de 1990, da Folha de S. Paulo, de que 90% das pessoas diziam conhecer pessoas racistas e diziam que o racismo existia, mas quando perguntavam se elas eram racistas, elas diziam que não. [...] falta um entendimento do racismo como sistema de opressão, e aí passa por a gente conhecer nossa história como povo brasileiro. Muitos desconhecem que o Brasil foi o último dos países das Américas a abolir a escravidão, o impacto disso na construção da nossa sociedade, os fatos históricos que construíram essas desigualdades [...]. As pessoas têm dificuldade de entender que durante quase quatro séculos, as pessoas negras foram tratadas como mercadoria, e construíram as riquezas desse país sem ter acesso a elas.

BBC News - Você escreve que as pessoas negras são levadas desde cedo a refletir sobre sua condição racial e diz que aos 6 anos entendeu que ser negra era um problema para a sociedade, enquanto seus colegas brancos não precisavam pensar qual era o espaço deles. Qual é o papel dos pais na formação de crianças (e depois adultos) antirracistas?

Djamila Ribeiro - É um papel fundamental. Muitos desses pais vieram de escolas que eu vim, que conta aquela história de que negros foram escravos e ponto, e que a princesa Isabel foi a grande redentora. Aí temos a Lei 10.639, de 2003, que alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, incluindo a obrigação do estudo da história africana e afro-brasileira nas escolas. Essa lei é fundamental não só para crianças negras, mas para as brancas entenderem que o mundo é constituído por pessoas negras, porque elas terão outra visão e construção das pessoas negras. Os pais podem, na escola que vão matricular o filho, saber se essa lei está sendo implementada, se não, cobrar da escola que seja, olhar o material didático para ver se contempla a multiplicidade do povo brasileiro e das narrativas múltiplas que temos, apresentar aos filhos referência de pessoas negras — seja em livros, em brinquedos, e buscar conhecer de fato pessoas negras. Muitas vezes o convívio que essas crianças têm com pessoas negras são as empregadas e as babás, e simplesmente não entendem a importância de trazer outras referências para o convívio. [...] as crianças vão criar suas visões de mundo – que podem ser limitadas e empobrecidas, contemplando apenas um grupo social, ou pode ser uma visão muito mais ampla, em que essas crianças tenham possibilidade de reconhecer as humanidades dos diferentes grupos.

BBC News - Outro episódio que vimos essa semana foi o Felipe Neto, que é um homem branco, criticar o silêncio do Neymar sobre a luta antirracista. [...] O que você defende em um episódio como este? E você pode aproveitar para comentar sobre o fato de muitas vezes haver uma cobrança de que o movimento negro seja homogêneo?

Djamila Ribeiro - O Neymar é uma pessoa que nunca se posicionou sobre a questão racial, que tem posturas conservadoras [...] então eu não esperaria um posicionamento dele. Historicamente, sempre se mostrou alheio a essa questão. Então não é uma pessoa que eu cobraria. [...]. Pessoas negras são diversas. Existem pessoas que são conservadoras. Existem pessoas que são alheias a essa questão, assim como pessoas brancas. Temos que tomar cuidado com esse tipo de cobrança para não colocar pessoas negras sempre nesse lugar de que tem que estar na luta, ser militante, ignorando sua subjetividade e suas próprias construções. [...] as pessoas acham que a gente tem que dar uma resposta sobre todos. As pessoas negras não são vistas como indivíduos, são vistas como um grupo homogêneo. As pessoas brancas são vistas como indivíduos.

Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-52922015. Publicado em: 5 jun. 2020. Acesso em: 7 juL. 2022. Trecho adaptado.

Sobre o texto, complete as lacunas do trecho abaixo e, a seguir, assinale a alternativa cujas palavras e/ou expressões completariam adequada e respectivamente as lacunas:

“Nessa , a filósofa e escritora Djamila Ribeiro responde a perguntas de Taís Alegretti, da BBC News, relacionadas ao tema . Após o título e a apresentação, o texto segue com alternância de falas entre a jornalista e sua entrevistada, sempre em .

 

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Leia o texto da psicóloga Mariana Farinas e, em seguida, responda à questão sobre ele.
Como pedir desculpa de verdade — 7 dicas
“Foi mal” só é suficiente para banalidades
Pedir desculpas pode ser angustiante. E, quanto mais grave o erro, mais difícil essa tarefa se torna. Independentemente da situação, há pessoas com mais e pessoas com menos dificuldades quando o assunto é pedir perdão a alguém.
Aqueles que percebem seus erros como “algo que fizeram” e não como “algo que são”, geralmente, conseguem contornar os desafios inerentes a um pedido de desculpa com mais facilidade. Eles analisam a situação do alto, considerando ao mesmo tempo seu lado da história e o da outra pessoa. Por outro lado, pessoas mais inseguras e/ou que não conseguem ter a clareza de toda a situação – incluindo os danos materiais e/ou psicológicos causados – tendem a apresentar maiores dificuldades, pois, para elas, olhar de verdade para a dor e a raiva alheia seria o equivalente a se olhar como alguém que vale pouco.
Quando vamos pedir desculpas podemos não saber bem o que dizer. Às vezes ficamos envergonhados ou surge um receio de que admitir um erro seria abrir as portas para ataques. Pode surgir também uma preocupação de que nosso lado da história nunca seja considerado — como se admitir um erro fosse necessariamente abrir mão do direito de também ser compreendido. Sim, evidentemente que estes riscos podem ser reais, mas não pedir desculpas tende a gerar situações bem piores.
Quem determina se um pedido de desculpas foi genuíno e aceitável é quem o recebe, não quem o pede. Uma primeira tentativa pode não resultar num alívio para quem foi ferido. Mas tentar apressar esse processo e querer ser imediatamente perdoado pode transparecer uma certa arrogância (mesmo que por baixo dela haja angústia) e diminuir a possibilidade de conseguir pedir desculpas de uma maneira que realmente toque quem está magoado.
Quando alguém não recebe um pedido de perdão merecido isto pode fragilizar a base de uma relação.
O tempo transcorrido pode tornar a situação cada vez mais grave, pois a pessoa que foi ferida tem que lidar não só com o que aconteceu como também com o fato de que quem a ofendeu aparentemente não se importa com isso. Já um pedido justo de desculpas devolve então a dignidade a quem foi ferido e convida o ferido a olhar quem o feriu como alguém íntegro e digno de consideração. Além de ser bom para quem recebe o pedido, saber pedir desculpas pode contribuir para sua autoestima e dar uma chance para conversar sobre o que é e o que não é aceitável na relação.
O pedido de desculpas que repara uma relação é aquele em que dizemos algo ao mesmo tempo verdadeiro para nós e que atenda também o que é verdadeiro para os outros. E, bem, como é difícil pra todo mundo, seguem 7 dicas de como pedir desculpas de verdade:
1. Entenda a dor que foi causada - Primeiro tente entender de que maneira a pessoa foi ferida. Caso você não tenha certeza, pergunte. A eficácia de um pedido de perdão tem muito a ver com o pedido ser formulado a partir do que aconteceu para a outra pessoa, isto é, você deve conseguir olhar o que você fez pela ótica daquela pessoa.
2. Deixe claro que você entendeu e reconhece o que houve de errado - Mostre à pessoa em questão que você entende o que a machucou — uma desatenção, uma grosseria, uma traição, um descuido, uma injustiça...
3. Seja sincero – Olhos nos olhos, braços abertos e postura ereta, transmitem honestidade. A sinceridade de um pedido de desculpas tem muito a ver com o quanto você demonstra emoções genuínas durante a conversa. Peça desculpas de coração, não para se livrar de um problema ou conseguir algum tipo de vantagem. Um pedido de desculpas “não sincero” piora a situação ou faz com que a pessoa se arrependa de ter falado como ela se sente.
4. Não divida a responsabilidade pelo que houve - Mesmo que você tenha sido grosseiro porque perdeu a paciência, feito uma cavalice porque estava ressentido ou tenha cometido uma injustiça porque você não percebeu algo, assuma a responsabilidade. Culpar situações ou outras pessoas é como dizer “não fui eu, foi ele, fale com ele”.
5. Evite usar a palavra “mas...” - Algumas falas podem tirar a força do seu pedido de desculpas. “Ah! Perdão por ter te magoado, mas...”. A palavra “mas” indica que o que vem depois dela é mais importante do que vem primeiro. Isso enfraquece o pedido de desculpas, pois dá a entender a quem ouve que apesar de você estar pedindo desculpas, o que verdadeiramente importa pra você é se eximir da responsabilidade pelo que fez.
6. Afirmar ações de reparação - Ao fim de uma desculpa, é importante assegurar a quem foi ferido que você está comprometido em não permitir que algo assim aconteça mais. Porém, não deixe que a culpa o leve a prometer mais do que poderá de fato cumprir. “Nunca mais vou te magoar!” é uma mentira, pois não temos controle sobre isso.
7. Peça desculpas assim que possível - O movimento de reconhecer a ofensa é por si só um início de reparação. Quanto mais tempo se transcorre do que aconteceu até esse reconhecimento, mais tempo a pessoa ferida vai se sentir mal com o que ocorreu, podendo ficar ressentida e mudar a visão que tem sobre você. Demorar traz o risco de acumular mais problemas e tornar o pedido de desculpas cada vez mais difícil.
(Fonte: https://medium.com/psicologiamastigadinha/como-pedir-desculpa-de-verdade-6-dicas-9a49459d6764. Acesso em: 15 jun. 2022. Adaptado.)
Com relação ao texto, assinale a alternativa incorreta:
 

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Como pedir desculpa de verdade — 7 dicas
“Foi mal” só é suficiente para banalidades
Pedir desculpas pode ser angustiante. E, quanto mais grave o erro, mais difícil essa tarefa se torna. Independentemente da situação, há pessoas com mais e pessoas com menos dificuldades quando o assunto é pedir perdão a alguém.
Aqueles que percebem seus erros como “algo que fizeram” e não como “algo que são”, geralmente, conseguem contornar os desafios inerentes a um pedido de desculpa com mais facilidade. Eles analisam a situação do alto, considerando ao mesmo tempo seu lado da história e o da outra pessoa. Por outro lado, pessoas mais inseguras e/ou que não conseguem ter a clareza de toda a situação – incluindo os danos materiais e/ou psicológicos causados – tendem a apresentar maiores dificuldades, pois, para elas, olhar de verdade para a dor e a raiva alheia seria o equivalente a se olhar como alguém que vale pouco.
Quando vamos pedir desculpas podemos não saber bem o que dizer. Às vezes ficamos envergonhados ou surge um receio de que admitir um erro seria abrir as portas para ataques. Pode surgir também uma preocupação de que nosso lado da história nunca seja considerado — como se admitir um erro fosse necessariamente abrir mão do direito de também ser compreendido. Sim, evidentemente que estes riscos podem ser reais, mas não pedir desculpas tende a gerar situações bem piores.
Quem determina se um pedido de desculpas foi genuíno e aceitável é quem o recebe, não quem o pede. Uma primeira tentativa pode não resultar num alívio para quem foi ferido. Mas tentar apressar esse processo e querer ser imediatamente perdoado pode transparecer uma certa arrogância (mesmo que por baixo dela haja angústia) e diminuir a possibilidade de conseguir pedir desculpas de uma maneira que realmente toque quem está magoado.
Quando alguém não recebe um pedido de perdão merecido isto pode fragilizar a base de uma relação.
O tempo transcorrido pode tornar a situação cada vez mais grave, pois a pessoa que foi ferida tem que lidar não só com o que aconteceu como também com o fato de que quem a ofendeu aparentemente não se importa com isso. Já um pedido justo de desculpas devolve então a dignidade a quem foi ferido e convida o ferido a olhar quem o feriu como alguém íntegro e digno de consideração. Além de ser bom para quem recebe o pedido, saber pedir desculpas pode contribuir para sua autoestima e dar uma chance para conversar sobre o que é e o que não é aceitável na relação.
O pedido de desculpas que repara uma relação é aquele em que dizemos algo ao mesmo tempo verdadeiro para nós e que atenda também o que é verdadeiro para os outros. E, bem, como é difícil pra todo mundo, seguem 7 dicas de como pedir desculpas de verdade:
1. Entenda a dor que foi causada - Primeiro tente entender de que maneira a pessoa foi ferida. Caso você não tenha certeza, pergunte. A eficácia de um pedido de perdão tem muito a ver com o pedido ser formulado a partir do que aconteceu para a outra pessoa, isto é, você deve conseguir olhar o que você fez pela ótica daquela pessoa.
2. Deixe claro que você entendeu e reconhece o que houve de errado - Mostre à pessoa em questão que você entende o que a machucou — uma desatenção, uma grosseria, uma traição, um descuido, uma injustiça...
3. Seja sincero – Olhos nos olhos, braços abertos e postura ereta, transmitem honestidade. A sinceridade de um pedido de desculpas tem muito a ver com o quanto você demonstra emoções genuínas durante a conversa. Peça desculpas de coração, não para se livrar de um problema ou conseguir algum tipo de vantagem. Um pedido de desculpas “não sincero” piora a situação ou faz com que a pessoa se arrependa de ter falado como ela se sente.
4. Não divida a responsabilidade pelo que houve - Mesmo que você tenha sido grosseiro porque perdeu a paciência, feito uma cavalice porque estava ressentido ou tenha cometido uma injustiça porque você não percebeu algo, assuma a responsabilidade. Culpar situações ou outras pessoas é como dizer “não fui eu, foi ele, fale com ele”.
5. Evite usar a palavra “mas...” - Algumas falas podem tirar a força do seu pedido de desculpas. “Ah! Perdão por ter te magoado, mas...”. A palavra “mas” indica que o que vem depois dela é mais importante do que vem primeiro. Isso enfraquece o pedido de desculpas, pois dá a entender a quem ouve que apesar de você estar pedindo desculpas, o que verdadeiramente importa pra você é se eximir da responsabilidade pelo que fez.
6. Afirmar ações de reparação - Ao fim de uma desculpa, é importante assegurar a quem foi ferido que você está comprometido em não permitir que algo assim aconteça mais. Porém, não deixe que a culpa o leve a prometer mais do que poderá de fato cumprir. “Nunca mais vou te magoar!” é uma mentira, pois não temos controle sobre isso.
7. Peça desculpas assim que possível - O movimento de reconhecer a ofensa é por si só um início de reparação. Quanto mais tempo se transcorre do que aconteceu até esse reconhecimento, mais tempo a pessoa ferida vai se sentir mal com o que ocorreu, podendo ficar ressentida e mudar a visão que tem sobre você. Demorar traz o risco de acumular mais problemas e tornar o pedido de desculpas cada vez mais difícil.
(Fonte: https://medium.com/psicologiamastigadinha/como-pedir-desculpa-de-verdade-6-dicas-9a49459d6764. Acesso em: 15 jun. 2022. Adaptado.)
Após a leitura do texto, podemos concluir que uma das consequências de pedir desculpas é:
 

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Como pedir desculpa de verdade — 7 dicas
“Foi mal” só é suficiente para banalidades
Pedir desculpas pode ser angustiante. E, quanto mais grave o erro, mais difícil essa tarefa se torna. Independentemente da situação, há pessoas com mais e pessoas com menos dificuldades quando o assunto é pedir perdão a alguém.
Aqueles que percebem seus erros como “algo que fizeram” e não como “algo que são”, geralmente, conseguem contornar os desafios inerentes a um pedido de desculpa com mais facilidade. Eles analisam a situação do alto, considerando ao mesmo tempo seu lado da história e o da outra pessoa. Por outro lado, pessoas mais inseguras e/ou que não conseguem ter a clareza de toda a situação – incluindo os danos materiais e/ou psicológicos causados – tendem a apresentar maiores dificuldades, pois, para elas, olhar de verdade para a dor e a raiva alheia seria o equivalente a se olhar como alguém que vale pouco.
Quando vamos pedir desculpas podemos não saber bem o que dizer. Às vezes ficamos envergonhados ou surge um receio de que admitir um erro seria abrir as portas para ataques. Pode surgir também uma preocupação de que nosso lado da história nunca seja considerado — como se admitir um erro fosse necessariamente abrir mão do direito de também ser compreendido. Sim, evidentemente que estes riscos podem ser reais, mas não pedir desculpas tende a gerar situações bem piores.
Quem determina se um pedido de desculpas foi genuíno e aceitável é quem o recebe, não quem o pede. Uma primeira tentativa pode não resultar num alívio para quem foi ferido. Mas tentar apressar esse processo e querer ser imediatamente perdoado pode transparecer uma certa arrogância (mesmo que por baixo dela haja angústia) e diminuir a possibilidade de conseguir pedir desculpas de uma maneira que realmente toque quem está magoado.
Quando alguém não recebe um pedido de perdão merecido isto pode fragilizar a base de uma relação.
O tempo transcorrido pode tornar a situação cada vez mais grave, pois a pessoa que foi ferida tem que lidar não só com o que aconteceu como também com o fato de que quem a ofendeu aparentemente não se importa com isso. Já um pedido justo de desculpas devolve então a dignidade a quem foi ferido e convida o ferido a olhar quem o feriu como alguém íntegro e digno de consideração. Além de ser bom para quem recebe o pedido, saber pedir desculpas pode contribuir para sua autoestima e dar uma chance para conversar sobre o que é e o que não é aceitável na relação.
O pedido de desculpas que repara uma relação é aquele em que dizemos algo ao mesmo tempo verdadeiro para nós e que atenda também o que é verdadeiro para os outros. E, bem, como é difícil pra todo mundo, seguem 7 dicas de como pedir desculpas de verdade:
1. Entenda a dor que foi causada - Primeiro tente entender de que maneira a pessoa foi ferida. Caso você não tenha certeza, pergunte. A eficácia de um pedido de perdão tem muito a ver com o pedido ser formulado a partir do que aconteceu para a outra pessoa, isto é, você deve conseguir olhar o que você fez pela ótica daquela pessoa.
2. Deixe claro que você entendeu e reconhece o que houve de errado - Mostre à pessoa em questão que você entende o que a machucou — uma desatenção, uma grosseria, uma traição, um descuido, uma injustiça...
3. Seja sincero – Olhos nos olhos, braços abertos e postura ereta, transmitem honestidade. A sinceridade de um pedido de desculpas tem muito a ver com o quanto você demonstra emoções genuínas durante a conversa. Peça desculpas de coração, não para se livrar de um problema ou conseguir algum tipo de vantagem. Um pedido de desculpas “não sincero” piora a situação ou faz com que a pessoa se arrependa de ter falado como ela se sente.
4. Não divida a responsabilidade pelo que houve - Mesmo que você tenha sido grosseiro porque perdeu a paciência, feito uma cavalice porque estava ressentido ou tenha cometido uma injustiça porque você não percebeu algo, assuma a responsabilidade. Culpar situações ou outras pessoas é como dizer “não fui eu, foi ele, fale com ele”.
5. Evite usar a palavra “mas...” - Algumas falas podem tirar a força do seu pedido de desculpas. “Ah! Perdão por ter te magoado, mas...”. A palavra “mas” indica que o que vem depois dela é mais importante do que vem primeiro. Isso enfraquece o pedido de desculpas, pois dá a entender a quem ouve que apesar de você estar pedindo desculpas, o que verdadeiramente importa pra você é se eximir da responsabilidade pelo que fez.
6. Afirmar ações de reparação - Ao fim de uma desculpa, é importante assegurar a quem foi ferido que você está comprometido em não permitir que algo assim aconteça mais. Porém, não deixe que a culpa o leve a prometer mais do que poderá de fato cumprir. “Nunca mais vou te magoar!” é uma mentira, pois não temos controle sobre isso.
7. Peça desculpas assim que possível - O movimento de reconhecer a ofensa é por si só um início de reparação. Quanto mais tempo se transcorre do que aconteceu até esse reconhecimento, mais tempo a pessoa ferida vai se sentir mal com o que ocorreu, podendo ficar ressentida e mudar a visão que tem sobre você. Demorar traz o risco de acumular mais problemas e tornar o pedido de desculpas cada vez mais difícil.
(Fonte: https://medium.com/psicologiamastigadinha/como-pedir-desculpa-de-verdade-6-dicas-9a49459d6764. Acesso em: 15 jun. 2022. Adaptado.)
“Evite usar a palavra ‘mas’ - Algumas falas podem tirar a força do seu pedido de desculpas. “Ah! Perdão por ter te magoado, mas...”. Nesse trecho do texto, a palavra mas é uma:
 

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