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- Interpretação de TextosPressupostos e Subentendidos
- Interpretação de TextosTipologia e Gênero TextualGêneros TextuaisCharges
Observe a tirinha:

O mesmo processo de formação ocorrido na palavra “engavetamento” ocorre em:
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TEXTO PARA AS QUESTÕES 06 A 08:
O peso do estereótipo
No que se refere aos distúrbios da alimentação podemos dividir a humanidade em dois grandes grupos, aquelas que comem de menos e aqueles que comem demais.
Os primeiros compreendem aqueles para os quais falta comida – os habitantes do Terceiro Mundo – e aqueles que, mesmo dispondo de alimento, recusam-no por razões emocionais. A abundância de comida e a voracidade, por sua vez, geraram o problema da obesidade, que, mesmo em países como o Brasil, é hoje uma questão de saúde pública.
A extrema obesidade está associada a diabetes, hipertensão arterial, doença cardiovascular, problemas articulares. E resulta numa imagem corporal que não é das mais agradáveis – ao contrário do que acontecia no passado, quando a maior ameaça era representada pela desnutrição.
[...] O corpo transformou-se num objeto a ser exibido. E isso resulta num conflito: de um lado está a indústria da alimentação, com toda a sua gigantesca propaganda; assim, ninguém mais vai ao cinema sem levar junto um contêiner com pipocas (como se a pessoa não pudesse passar duas horas sem comer). De outro lado, temos o estigma representado pela obesidade. O resultado é um conflito psíquico que se manifesta de várias maneiras, mais notavelmente pela anorexia nervosa.
[...] Até os anos 50 a anorexia nervosa era pouco mais que uma curiosidade médica. Mas em meados dos anos 70 um estudo mostrava que cerca de 10% das adolescentes suecas eram anoréxicas. Em 1980 os transtornos psicológicos da alimentação já eram um dos problemas mais frequentes entre as jovens universitárias americanas. O gênero, no caso, é fundamental porque anorexia é muito mais frequente entre moças. Também é importante a classe social: a classe média é mais propensa a ela que os pobres.
[...] Em termos de peso corporal, como em relação à carga emocional, o ideal não é nem a falta nem o excesso. O ideal é o equilíbrio, mas para isso a sociedade precisa se conscientizar dos problemas representados pelos estereótipos que cria.
Revista Bem Viver – Mente & Cérebro, ano 13, n.152. Adaptado.
Ainda analisando o excerto “O corpo transformou-se num objeto a ser exibido”, a partícula “se” nesse contexto trata-se de:
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TEXTO PARA AS QUESTÕES 06 A 08:
O peso do estereótipo
No que se refere aos distúrbios da alimentação podemos dividir a humanidade em dois grandes grupos, aquelas que comem de menos e aqueles que comem demais.
Os primeiros compreendem aqueles para os quais falta comida – os habitantes do Terceiro Mundo – e aqueles que, mesmo dispondo de alimento, recusam-no por razões emocionais. A abundância de comida e a voracidade, por sua vez, geraram o problema da obesidade, que, mesmo em países como o Brasil, é hoje uma questão de saúde pública.
A extrema obesidade está associada a diabetes, hipertensão arterial, doença cardiovascular, problemas articulares. E resulta numa imagem corporal que não é das mais agradáveis – ao contrário do que acontecia no passado, quando a maior ameaça era representada pela desnutrição.
[...] O corpo transformou-se num objeto a ser exibido. E isso resulta num conflito: de um lado está a indústria da alimentação, com toda a sua gigantesca propaganda; assim, ninguém mais vai ao cinema sem levar junto um contêiner com pipocas (como se a pessoa não pudesse passar duas horas sem comer). De outro lado, temos o estigma representado pela obesidade. O resultado é um conflito psíquico que se manifesta de várias maneiras, mais notavelmente pela anorexia nervosa.
[...] Até os anos 50 a anorexia nervosa era pouco mais que uma curiosidade médica. Mas em meados dos anos 70 um estudo mostrava que cerca de 10% das adolescentes suecas eram anoréxicas. Em 1980 os transtornos psicológicos da alimentação já eram um dos problemas mais frequentes entre as jovens universitárias americanas. O gênero, no caso, é fundamental porque anorexia é muito mais frequente entre moças. Também é importante a classe social: a classe média é mais propensa a ela que os pobres.
[...] Em termos de peso corporal, como em relação à carga emocional, o ideal não é nem a falta nem o excesso. O ideal é o equilíbrio, mas para isso a sociedade precisa se conscientizar dos problemas representados pelos estereótipos que cria.
Revista Bem Viver – Mente & Cérebro, ano 13, n.152. Adaptado.
Em “O corpo transformou-se num objeto a ser exibido”, a forma verbal está empregada:
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TEXTO PARA AS QUESTÕES 06 A 08:
O peso do estereótipo
No que se refere aos distúrbios da alimentação podemos dividir a humanidade em dois grandes grupos, aquelas que comem de menos e aqueles que comem demais.
Os primeiros compreendem aqueles para os quais falta comida – os habitantes do Terceiro Mundo – e aqueles que, mesmo dispondo de alimento, recusam-no por razões emocionais. A abundância de comida e a voracidade, por sua vez, geraram o problema da obesidade, que, mesmo em países como o Brasil, é hoje uma questão de saúde pública.
A extrema obesidade está associada a diabetes, hipertensão arterial, doença cardiovascular, problemas articulares. E resulta numa imagem corporal que não é das mais agradáveis – ao contrário do que acontecia no passado, quando a maior ameaça era representada pela desnutrição.
[...] O corpo transformou-se num objeto a ser exibido. E isso resulta num conflito: de um lado está a indústria da alimentação, com toda a sua gigantesca propaganda; assim, ninguém mais vai ao cinema sem levar junto um contêiner com pipocas (como se a pessoa não pudesse passar duas horas sem comer). De outro lado, temos o estigma representado pela obesidade. O resultado é um conflito psíquico que se manifesta de várias maneiras, mais notavelmente pela anorexia nervosa.
[...] Até os anos 50 a anorexia nervosa era pouco mais que uma curiosidade médica. Mas em meados dos anos 70 um estudo mostrava que cerca de 10% das adolescentes suecas eram anoréxicas. Em 1980 os transtornos psicológicos da alimentação já eram um dos problemas mais frequentes entre as jovens universitárias americanas. O gênero, no caso, é fundamental porque anorexia é muito mais frequente entre moças. Também é importante a classe social: a classe média é mais propensa a ela que os pobres.
[...] Em termos de peso corporal, como em relação à carga emocional, o ideal não é nem a falta nem o excesso. O ideal é o equilíbrio, mas para isso a sociedade precisa se conscientizar dos problemas representados pelos estereótipos que cria.
Revista Bem Viver – Mente & Cérebro, ano 13, n.152. Adaptado.
O texto retrata:
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No trecho:
[...] e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos [...]
A expressão “para que a manhã” traz a ideia de:
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Leia o texto:
Tecendo a manhã
Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.
E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.
João Cabral de Melo Neto
A palavra “que” no quinto verso é um pronome relativo, pois:
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Dom Quixote
Com suas voltas e reviravoltas, as aventuras de Dom
Quixote traçam o limite: nelas terminam os jogos antigos da
semelhança e dos signos; nelas já se travam novas relações.
Dom Quixote não é o homem da extravagância, mas antes o
peregrino meticuloso que se detém diante de todas as
marcas da similitude. Ele é o herói do Mesmo. Assim como
de sua estreita província, não chega a afastar-se da planície
familiar que se estende em torno do Análogo. Percorre-a
indefinidamente, sem transpor jamais as fronteiras nítidas da
diferença, nem alcançar o coração da identidade. Ora, ele
próprio é semelhante a signos. Longo grafismo magro como
uma letra, acaba de escapar diretamente da fresta dos livros.
Seu ser inteiro é só linguagem, texto, folhas
impressas, história já transcrita. É feito de palavras
entrecruzadas; é escrita errante no mundo em meio à
semelhança das coisas. Não porém inteiramente: pois, em
sua realidade de pobre fidalgo, só pode tornar-se cavaleiro,
escutando de longe a epopeia secular que formula a Lei.
O livro é menos sua existência que seu dever. Deve
incessantemente consultá-lo, a fim de saber o que fazer e
dizer, e quais signos dar a si próprio e aos outros para
mostrar que ele é realmente da mesma natureza que o texto
donde saiu. Os romances de cavalaria escreveram de uma
vez por todas a prescrição de sua aventura. E cada episódio,
cada decisão, cada façanha serão signos de que Dom
Quixote é de fato semelhante a todos esses signos que ele
decalcou.
Mas se ele quer ser-lhes semelhante é porque deve
prová-los, é porque os signos (legíveis) já não são
semelhantes a seres (visíveis). Todos esses textos escritos,
todos esses romances extravagantes são justamente
incomparáveis: nada no mundo jamais se lhes assemelhou;
sua linguagem infinita fica em suspenso, sem que qualquer
similitude venha jamais preenchê-la; podem ser queimados
todos e inteiramente, mas a figura do mundo não será por
isso alterada.
Assemelhando-se aos textos de que é o testemunho,
o representante, o real análogo, Dom Quixote deve fornecer
a demonstração e trazer a marca indubitável de que eles
dizem a verdade, de que são realmente a linguagem do
mundo.
Compete-lhe preencher a promessa dos livros. Cabe-
lhes refazer a epopeia, mas em sentido inverso: esta narrava
(pretendia narrar) façanhas reais prometidas à memória; já
Dom Quixote deve preencher com realidade os signos sem
conteúdo da narrativa.
Sua aventura será uma decifração do mundo: um
percurso minucioso para recolher em toda a superfície da
terra as figuras que mostram que os livros dizem a verdade.
A façanha deve ser prova: consiste não em triunfar
realmente - é por isso que a vitória não importa no fundo -,
mas em transformar a realidade em signo. Em signo de que
os signos da linguagem são realmente conformes às próprias
coisas.
Dom Quixote lê o mundo para demonstrar os livros. E
não concede a si outras provas senão o espelhamento das
semelhanças. Seu caminho todo é uma busca das
similitudes: as menores analogias são solicitadas como
signos adormecidos que cumprisse despertar para que se
pusessem de novo a falar. Os rebanhos, as criadas, as
estalagens tornam a ser a linguagem dos livros, na medida
imperceptível em que se assemelham aos castelos, às damas
e aos exércitos. Semelhança sempre frustrada, que
transforma a prova buscada em irrisão e deixa
indefinidamente vazia a palavra dos livros. Mas a própria
não-similitude tem seu modelo que ela imita servilmente:
encontra-o na metamorfose dos encantadores.
De sorte que todos os indícios da não-semelhança,
todos os signos que mostram que os textos escritos não
dizem a verdade assemelham-se a esse jogo de
enfeitiçamento que introduz, por ardil, a diferença no
indubitável da similitude.
E, como essa magia foi prevista e descrita nos livros,
a diferença ilusória que ela introduz nunca será mais que
uma similitude encantada. Um signo suplementar, portanto,
de que os signos realmente se assemelham à verdade.
Michel Foucault, As Palavras e as Coisas.
Sobre a Charge abaixo é incorreto afirmar:

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TEXTO PARA AS QUESTÕES 01 E 02
Dom Quixote
Com suas voltas e reviravoltas, as aventuras de Dom
Quixote traçam o limite: nelas terminam os jogos antigos da
semelhança e dos signos; nelas já se travam novas relações.
Dom Quixote não é o homem da extravagância, mas antes o
peregrino meticuloso que se detém diante de todas as
marcas da similitude. Ele é o herói do Mesmo. Assim como
de sua estreita província, não chega a afastar-se da planície
familiar que se estende em torno do Análogo. Percorre-a
indefinidamente, sem transpor jamais as fronteiras nítidas da
diferença, nem alcançar o coração da identidade. Ora, ele
próprio é semelhante a signos. Longo grafismo magro como
uma letra, acaba de escapar diretamente da fresta dos livros.
Seu ser inteiro é só linguagem, texto, folhas
impressas, história já transcrita. É feito de palavras
entrecruzadas; é escrita errante no mundo em meio à
semelhança das coisas. Não porém inteiramente: pois, em
sua realidade de pobre fidalgo, só pode tornar-se cavaleiro,
escutando de longe a epopeia secular que formula a Lei.
O livro é menos sua existência que seu dever. Deve
incessantemente consultá-lo, a fim de saber o que fazer e
dizer, e quais signos dar a si próprio e aos outros para
mostrar que ele é realmente da mesma natureza que o texto
donde saiu. Os romances de cavalaria escreveram de uma
vez por todas a prescrição de sua aventura. E cada episódio,
cada decisão, cada façanha serão signos de que Dom
Quixote é de fato semelhante a todos esses signos que ele
decalcou.
Mas se ele quer ser-lhes semelhante é porque deve
prová-los, é porque os signos (legíveis) já não são
semelhantes a seres (visíveis). Todos esses textos escritos,
todos esses romances extravagantes são justamente
incomparáveis: nada no mundo jamais se lhes assemelhou;
sua linguagem infinita fica em suspenso, sem que qualquer
similitude venha jamais preenchê-la; podem ser queimados
todos e inteiramente, mas a figura do mundo não será por
isso alterada.
Assemelhando-se aos textos de que é o testemunho,
o representante, o real análogo, Dom Quixote deve fornecer
a demonstração e trazer a marca indubitável de que eles
dizem a verdade, de que são realmente a linguagem do
mundo.
Compete-lhe preencher a promessa dos livros. Cabe-
lhes refazer a epopeia, mas em sentido inverso: esta narrava
(pretendia narrar) façanhas reais prometidas à memória; já
Dom Quixote deve preencher com realidade os signos sem
conteúdo da narrativa.
Sua aventura será uma decifração do mundo: um
percurso minucioso para recolher em toda a superfície da
terra as figuras que mostram que os livros dizem a verdade.
A façanha deve ser prova: consiste não em triunfar
realmente - é por isso que a vitória não importa no fundo -,
mas em transformar a realidade em signo. Em signo de que
os signos da linguagem são realmente conformes às próprias
coisas.
Dom Quixote lê o mundo para demonstrar os livros. E
não concede a si outras provas senão o espelhamento das
semelhanças. Seu caminho todo é uma busca das
similitudes: as menores analogias são solicitadas como
signos adormecidos que cumprisse despertar para que se
pusessem de novo a falar. Os rebanhos, as criadas, as
estalagens tornam a ser a linguagem dos livros, na medida
imperceptível em que se assemelham aos castelos, às damas
e aos exércitos. Semelhança sempre frustrada, que
transforma a prova buscada em irrisão e deixa
indefinidamente vazia a palavra dos livros. Mas a própria
não-similitude tem seu modelo que ela imita servilmente:
encontra-o na metamorfose dos encantadores.
De sorte que todos os indícios da não-semelhança,
todos os signos que mostram que os textos escritos não
dizem a verdade assemelham-se a esse jogo de
enfeitiçamento que introduz, por ardil, a diferença no
indubitável da similitude.
E, como essa magia foi prevista e descrita nos livros,
a diferença ilusória que ela introduz nunca será mais que
uma similitude encantada. Um signo suplementar, portanto,
de que os signos realmente se assemelham à verdade.
Michel Foucault, As Palavras e as Coisas.
O mesmo tipo de sujeito de “Os romances de cavalaria escreveram de uma vez por todas a prescrição de sua aventura” (linha 23 e 24) é o mesmo que e encontra em:
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TEXTO PARA AS QUESTÕES 01 E 02
Dom Quixote
Com suas voltas e reviravoltas, as aventuras de Dom
Quixote traçam o limite: nelas terminam os jogos antigos da
semelhança e dos signos; nelas já se travam novas relações.
Dom Quixote não é o homem da extravagância, mas antes o
peregrino meticuloso que se detém diante de todas as
marcas da similitude. Ele é o herói do Mesmo. Assim como
de sua estreita província, não chega a afastar-se da planície
familiar que se estende em torno do Análogo. Percorre-a
indefinidamente, sem transpor jamais as fronteiras nítidas da
diferença, nem alcançar o coração da identidade. Ora, ele
próprio é semelhante a signos. Longo grafismo magro como
uma letra, acaba de escapar diretamente da fresta dos livros.
Seu ser inteiro é só linguagem, texto, folhas
impressas, história já transcrita. É feito de palavras
entrecruzadas; é escrita errante no mundo em meio à
semelhança das coisas. Não porém inteiramente: pois, em
sua realidade de pobre fidalgo, só pode tornar-se cavaleiro,
escutando de longe a epopeia secular que formula a Lei.
O livro é menos sua existência que seu dever. Deve
incessantemente consultá-lo, a fim de saber o que fazer e
dizer, e quais signos dar a si próprio e aos outros para
mostrar que ele é realmente da mesma natureza que o texto
donde saiu. Os romances de cavalaria escreveram de uma
vez por todas a prescrição de sua aventura. E cada episódio,
cada decisão, cada façanha serão signos de que Dom
Quixote é de fato semelhante a todos esses signos que ele
decalcou.
Mas se ele quer ser-lhes semelhante é porque deve
prová-los, é porque os signos (legíveis) já não são
semelhantes a seres (visíveis). Todos esses textos escritos,
todos esses romances extravagantes são justamente
incomparáveis: nada no mundo jamais se lhes assemelhou;
sua linguagem infinita fica em suspenso, sem que qualquer
similitude venha jamais preenchê-la; podem ser queimados
todos e inteiramente, mas a figura do mundo não será por
isso alterada.
Assemelhando-se aos textos de que é o testemunho,
o representante, o real análogo, Dom Quixote deve fornecer
a demonstração e trazer a marca indubitável de que eles
dizem a verdade, de que são realmente a linguagem do
mundo.
Compete-lhe preencher a promessa dos livros. Cabe-
lhes refazer a epopeia, mas em sentido inverso: esta narrava
(pretendia narrar) façanhas reais prometidas à memória; já
Dom Quixote deve preencher com realidade os signos sem
conteúdo da narrativa.
Sua aventura será uma decifração do mundo: um
percurso minucioso para recolher em toda a superfície da
terra as figuras que mostram que os livros dizem a verdade.
A façanha deve ser prova: consiste não em triunfar
realmente - é por isso que a vitória não importa no fundo -,
mas em transformar a realidade em signo. Em signo de que
os signos da linguagem são realmente conformes às próprias
coisas.
Dom Quixote lê o mundo para demonstrar os livros. E
não concede a si outras provas senão o espelhamento das
semelhanças. Seu caminho todo é uma busca das
similitudes: as menores analogias são solicitadas como
signos adormecidos que cumprisse despertar para que se
pusessem de novo a falar. Os rebanhos, as criadas, as
estalagens tornam a ser a linguagem dos livros, na medida
imperceptível em que se assemelham aos castelos, às damas
e aos exércitos. Semelhança sempre frustrada, que
transforma a prova buscada em irrisão e deixa
indefinidamente vazia a palavra dos livros. Mas a própria
não-similitude tem seu modelo que ela imita servilmente:
encontra-o na metamorfose dos encantadores.
De sorte que todos os indícios da não-semelhança,
todos os signos que mostram que os textos escritos não
dizem a verdade assemelham-se a esse jogo de
enfeitiçamento que introduz, por ardil, a diferença no
indubitável da similitude.
E, como essa magia foi prevista e descrita nos livros,
a diferença ilusória que ela introduz nunca será mais que
uma similitude encantada. Um signo suplementar, portanto,
de que os signos realmente se assemelham à verdade.
Michel Foucault, As Palavras e as Coisas.
De acordo com o texto o autor:
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