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Os ombros que sustentam o futuro: o papel inadiável
dos professores
Enquanto a educação insiste no trabalho lento, complexo
e crítico, os pensadores digitais vendem a promessa de
atalhos imediatos.
Clarice Lispector, em "Os desastres de Sofia", descreveu
um professor de ombros contraídos, como se carregasse
em silêncio um peso invisível e hercúleo. Carlos
Drummond de Andrade, por sua vez, lembrou que "os
ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a
mão de uma criança". Essas duas imagens ficcionais —
a primeira marcada pela fragilidade; a segunda, pela
resistência — ajudam a compreender a condição atual
da docência no Brasil: um ofício em que
responsabilidade e carga simbólica se acumulam de
forma desproporcional, quase sempre sem o
reconhecimento justo e necessário.
Ao professor se exige muito: excelência pedagógica,
inovação permanente, domínio de novas tecnologias,
sensibilidade para lidar com a diversidade crescente e
paciência para gerir conflitos que muitas vezes
extrapolam os limites ou as origens da sala de aula.
Espera-se que ele seja transmissor de saberes,
mediador de relações, cuidador, psicólogo, burocrata e,
ainda, mantenha-se entusiasmado diante de turmas
cada vez mais numerosas e inclusivas. Em troca, recebe
salários que não condizem com a centralidade de sua
função — e, muitas vezes, em escolas com bibliotecas
desatualizadas, laboratórios inexistentes e recursos
básicos negados. Não raro, convive com a invisibilidade
social de um esforço que sustenta o país no cotidiano e
com a desvalorização pública. Ainda assim, o magistério
se sustenta na teimosa persistência de quem acredita
que ensinar é mais do que cumprir tarefas: é formar
sujeitos capazes de interpretar e corrigir algumas
mazelas do mundo.
Esse descompasso entre o que se exige e o que se
oferece tem efeitos concretos e preocupantes. Pesquisas
recentes alertam que 40% dos estudantes já não nutrem
admiração por seus professores, e que o prestígio da
carreira vem caindo vertiginosamente entre os jovens. A
projeção é de que, em 2050, o Brasil enfrentará um
déficit significativo de docentes. O problema não é
apenas educacional: é estrutural, civilizatório,
democrático. Uma sociedade que não atrai nem retém
seus educadores abdica de seu futuro.
Sem professores bem formados, quem garantirá a
circulação crítica do conhecimento para a meninada?
Quem ensinará a desconfiar das aparências, a ler para
além das manchetes, a debater sem ódio e com
profundidade?
A esse quadro se soma um contexto político e cultural
que agrava o peso sobre os ombros docentes: a voz
crítica e política do professor — talvez sua ferramenta
basilar — vem sendo sistematicamente contestada,
tolhida, vigiada. De um lado, setores conservadores
buscam controlar cada palavra em nome de uma suposta
'neutralidade' que, na prática, sufoca a reflexão. De
outro, há correntes progressistas que exigem adesões
automáticas, transformando o ato de ensinar em prova
de alinhamento ideológico. O resultado é a mesma
limitação: um professor obrigado a justificar cada gesto,
como se ensinar fosse, em si, um ato suspeito ou de
barganha.
Em paralelo, cresce a concorrência desleal com
influenciadores digitais e coaches que, em vídeos de
poucos minutos, oferecem fórmulas fáceis de sucesso e
de prosperidade. Enquanto a educação insiste no
trabalho lento, complexo e crítico, os pensadores digitais
vendem a promessa de atalhos imediatos.
No mercado da atenção, que recompensa a
superficialidade monetizada, a fala docente parece
deslocada e marginal. Mas é justamente essa insistência
na complexidade, no esforço da leitura atenta, na escuta
paciente, que revela o valor inegociável do professor: ele
não compete com a velocidade da rede e, ao contrário,
oferece a profundidade que ela recusa.
Vivemos em tempos de redes sociais virulentas e hostis,
de manipulação de imagens e verdades inventadas, de
polarização crescente e obtusa e de analfabetismo
funcional que se expande silenciosamente. Nesse
cenário caótico, a tarefa do professor ganha ainda mais
relevância: ele é um dos poucos agentes sociais
capazes de reintroduzir a dúvida, de cultivar a
consciência da coletividade e de indicar que o
conhecimento não se reduz a slogans e a cortes de
Instagram. O espaço escolar, mesmo com todas as
limitações e precariedades, continua sendo um dos
últimos lugares em que é possível aprender a conviver
com a diferença e com o pensamento analítico, a
negociar sentidos e a arquitetar futuros mais justos.
Por isso, homenagear os professores não é ato
protocolar, nem gesto meramente simbólico. É uma
exigência civilizatória e política. Significa reivindicar
condições concretas de valorização: salários compatíveis com a importância da carreira, ambientes escolares
equipados, formação continuada em tempo adequado
que dialogue com os desafios atuais e, sobretudo, a
proteção inegociável da liberdade de cátedra. Mais do
que agradecê-los, trata-se de compartilhar o peso que
hoje recai desproporcionalmente sobre apenas os seus
ombros.
Os ombros contraídos lamentados por Clarice e os
ombros universais sugeridos por Drummond se
encontram, todos os dias, nos professores que entram
em sala de aula. Sustentam o peso de um país em
formação e, ao mesmo tempo, a esperança de que esse
país seja mais razoável, igualitário, mais consciente de
sua coletividade, menos insano e injusto. O futuro do
Brasil repousa nesses ombros — contraídos, teimosos,
cansados, mas resistentes porque ainda parecem
dispostos a não vergar. Nossa homenagem, portanto,
não deve ser apenas palavra terna: deve ser
compromisso político, republicano e transformador.
https://revistaeducacao.com.br/2025/10/21/papel-inadiavel-professores/
Analisando sintaticamente a oração que precede o verbo'esperar' é correto afirmar que:
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Os ombros que sustentam o futuro: o papel inadiável
dos professores
Enquanto a educação insiste no trabalho lento, complexo
e crítico, os pensadores digitais vendem a promessa de
atalhos imediatos.
Clarice Lispector, em "Os desastres de Sofia", descreveu
um professor de ombros contraídos, como se carregasse
em silêncio um peso invisível e hercúleo. Carlos
Drummond de Andrade, por sua vez, lembrou que "os
ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a
mão de uma criança". Essas duas imagens ficcionais —
a primeira marcada pela fragilidade; a segunda, pela
resistência — ajudam a compreender a condição atual
da docência no Brasil: um ofício em que
responsabilidade e carga simbólica se acumulam de
forma desproporcional, quase sempre sem o
reconhecimento justo e necessário.
Ao professor se exige muito: excelência pedagógica,
inovação permanente, domínio de novas tecnologias,
sensibilidade para lidar com a diversidade crescente e
paciência para gerir conflitos que muitas vezes
extrapolam os limites ou as origens da sala de aula.
Espera-se que ele seja transmissor de saberes,
mediador de relações, cuidador, psicólogo, burocrata e,
ainda, mantenha-se entusiasmado diante de turmas
cada vez mais numerosas e inclusivas. Em troca, recebe
salários que não condizem com a centralidade de sua
função — e, muitas vezes, em escolas com bibliotecas
desatualizadas, laboratórios inexistentes e recursos
básicos negados. Não raro, convive com a invisibilidade
social de um esforço que sustenta o país no cotidiano e
com a desvalorização pública. Ainda assim, o magistério
se sustenta na teimosa persistência de quem acredita
que ensinar é mais do que cumprir tarefas: é formar
sujeitos capazes de interpretar e corrigir algumas
mazelas do mundo.
Esse descompasso entre o que se exige e o que se
oferece tem efeitos concretos e preocupantes. Pesquisas
recentes alertam que 40% dos estudantes já não nutrem
admiração por seus professores, e que o prestígio da
carreira vem caindo vertiginosamente entre os jovens. A
projeção é de que, em 2050, o Brasil enfrentará um
déficit significativo de docentes. O problema não é
apenas educacional: é estrutural, civilizatório,
democrático. Uma sociedade que não atrai nem retém
seus educadores abdica de seu futuro.
Sem professores bem formados, quem garantirá a
circulação crítica do conhecimento para a meninada?
Quem ensinará a desconfiar das aparências, a ler para
além das manchetes, a debater sem ódio e com
profundidade?
A esse quadro se soma um contexto político e cultural
que agrava o peso sobre os ombros docentes: a voz
crítica e política do professor — talvez sua ferramenta
basilar — vem sendo sistematicamente contestada,
tolhida, vigiada. De um lado, setores conservadores
buscam controlar cada palavra em nome de uma suposta
'neutralidade' que, na prática, sufoca a reflexão. De
outro, há correntes progressistas que exigem adesões
automáticas, transformando o ato de ensinar em prova
de alinhamento ideológico. O resultado é a mesma
limitação: um professor obrigado a justificar cada gesto,
como se ensinar fosse, em si, um ato suspeito ou de
barganha.
Em paralelo, cresce a concorrência desleal com
influenciadores digitais e coaches que, em vídeos de
poucos minutos, oferecem fórmulas fáceis de sucesso e
de prosperidade. Enquanto a educação insiste no
trabalho lento, complexo e crítico, os pensadores digitais
vendem a promessa de atalhos imediatos.
No mercado da atenção, que recompensa a
superficialidade monetizada, a fala docente parece
deslocada e marginal. Mas é justamente essa insistência
na complexidade, no esforço da leitura atenta, na escuta
paciente, que revela o valor inegociável do professor: ele
não compete com a velocidade da rede e, ao contrário,
oferece a profundidade que ela recusa.
Vivemos em tempos de redes sociais virulentas e hostis,
de manipulação de imagens e verdades inventadas, de
polarização crescente e obtusa e de analfabetismo
funcional que se expande silenciosamente. Nesse
cenário caótico, a tarefa do professor ganha ainda mais
relevância: ele é um dos poucos agentes sociais
capazes de reintroduzir a dúvida, de cultivar a
consciência da coletividade e de indicar que o
conhecimento não se reduz a slogans e a cortes de
Instagram. O espaço escolar, mesmo com todas as
limitações e precariedades, continua sendo um dos
últimos lugares em que é possível aprender a conviver
com a diferença e com o pensamento analítico, a
negociar sentidos e a arquitetar futuros mais justos.
Por isso, homenagear os professores não é ato
protocolar, nem gesto meramente simbólico. É uma
exigência civilizatória e política. Significa reivindicar
condições concretas de valorização: salários compatíveis com a importância da carreira, ambientes escolares
equipados, formação continuada em tempo adequado
que dialogue com os desafios atuais e, sobretudo, a
proteção inegociável da liberdade de cátedra. Mais do
que agradecê-los, trata-se de compartilhar o peso que
hoje recai desproporcionalmente sobre apenas os seus
ombros.
Os ombros contraídos lamentados por Clarice e os
ombros universais sugeridos por Drummond se
encontram, todos os dias, nos professores que entram
em sala de aula. Sustentam o peso de um país em
formação e, ao mesmo tempo, a esperança de que esse
país seja mais razoável, igualitário, mais consciente de
sua coletividade, menos insano e injusto. O futuro do
Brasil repousa nesses ombros — contraídos, teimosos,
cansados, mas resistentes porque ainda parecem
dispostos a não vergar. Nossa homenagem, portanto,
não deve ser apenas palavra terna: deve ser
compromisso político, republicano e transformador.
https://revistaeducacao.com.br/2025/10/21/papel-inadiavel-professores/
Com base nas classes gramaticais dos vocábulos extraídos do texto, marque V para as afirmativas verdadeiras ou F para as falsas.
(__)Todos vocábulos destacados a seguir são formados pela fusão de uma preposição com um artigo: na teimosia; do mundo; de um esforço.
(__)O vocábulo 'ensinar', na expressão 'ensinar é mais do que cumprir', funciona como substantivo e atua como núcleo do sujeito do verbo 'ser'.
(__)O verbo 'condizer' está corretamente empregado no presente do indicativo, assim como em sua flexão para a 1ª pessoa do singular na mesma forma de tempo e modo, como em: 'Condigo perfeitamente com o que você disse'.
(__)O vocábulo 'raro' atua com valor de adjetivo, assim como os vocábulos 'inexistentes' e 'negados'.
A sequência que preenche os itens acima, de cima para baixo, é:
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dos professores
Enquanto a educação insiste no trabalho lento, complexo
e crítico, os pensadores digitais vendem a promessa de
atalhos imediatos.
Clarice Lispector, em "Os desastres de Sofia", descreveu
um professor de ombros contraídos, como se carregasse
em silêncio um peso invisível e hercúleo. Carlos
Drummond de Andrade, por sua vez, lembrou que "os
ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a
mão de uma criança". Essas duas imagens ficcionais —
a primeira marcada pela fragilidade; a segunda, pela
resistência — ajudam a compreender a condição atual
da docência no Brasil: um ofício em que
responsabilidade e carga simbólica se acumulam de
forma desproporcional, quase sempre sem o
reconhecimento justo e necessário.
Ao professor se exige muito: excelência pedagógica,
inovação permanente, domínio de novas tecnologias,
sensibilidade para lidar com a diversidade crescente e
paciência para gerir conflitos que muitas vezes
extrapolam os limites ou as origens da sala de aula.
Espera-se que ele seja transmissor de saberes,
mediador de relações, cuidador, psicólogo, burocrata e,
ainda, mantenha-se entusiasmado diante de turmas
cada vez mais numerosas e inclusivas. Em troca, recebe
salários que não condizem com a centralidade de sua
função — e, muitas vezes, em escolas com bibliotecas
desatualizadas, laboratórios inexistentes e recursos
básicos negados. Não raro, convive com a invisibilidade
social de um esforço que sustenta o país no cotidiano e
com a desvalorização pública. Ainda assim, o magistério
se sustenta na teimosa persistência de quem acredita
que ensinar é mais do que cumprir tarefas: é formar
sujeitos capazes de interpretar e corrigir algumas
mazelas do mundo.
Esse descompasso entre o que se exige e o que se
oferece tem efeitos concretos e preocupantes. Pesquisas
recentes alertam que 40% dos estudantes já não nutrem
admiração por seus professores, e que o prestígio da
carreira vem caindo vertiginosamente entre os jovens. A
projeção é de que, em 2050, o Brasil enfrentará um
déficit significativo de docentes. O problema não é
apenas educacional: é estrutural, civilizatório,
democrático. Uma sociedade que não atrai nem retém
seus educadores abdica de seu futuro.
Sem professores bem formados, quem garantirá a
circulação crítica do conhecimento para a meninada?
Quem ensinará a desconfiar das aparências, a ler para
além das manchetes, a debater sem ódio e com
profundidade?
A esse quadro se soma um contexto político e cultural
que agrava o peso sobre os ombros docentes: a voz
crítica e política do professor — talvez sua ferramenta
basilar — vem sendo sistematicamente contestada,
tolhida, vigiada. De um lado, setores conservadores
buscam controlar cada palavra em nome de uma suposta
'neutralidade' que, na prática, sufoca a reflexão. De
outro, há correntes progressistas que exigem adesões
automáticas, transformando o ato de ensinar em prova
de alinhamento ideológico. O resultado é a mesma
limitação: um professor obrigado a justificar cada gesto,
como se ensinar fosse, em si, um ato suspeito ou de
barganha.
Em paralelo, cresce a concorrência desleal com
influenciadores digitais e coaches que, em vídeos de
poucos minutos, oferecem fórmulas fáceis de sucesso e
de prosperidade. Enquanto a educação insiste no
trabalho lento, complexo e crítico, os pensadores digitais
vendem a promessa de atalhos imediatos.
No mercado da atenção, que recompensa a
superficialidade monetizada, a fala docente parece
deslocada e marginal. Mas é justamente essa insistência
na complexidade, no esforço da leitura atenta, na escuta
paciente, que revela o valor inegociável do professor: ele
não compete com a velocidade da rede e, ao contrário,
oferece a profundidade que ela recusa.
Vivemos em tempos de redes sociais virulentas e hostis,
de manipulação de imagens e verdades inventadas, de
polarização crescente e obtusa e de analfabetismo
funcional que se expande silenciosamente. Nesse
cenário caótico, a tarefa do professor ganha ainda mais
relevância: ele é um dos poucos agentes sociais
capazes de reintroduzir a dúvida, de cultivar a
consciência da coletividade e de indicar que o
conhecimento não se reduz a slogans e a cortes de
Instagram. O espaço escolar, mesmo com todas as
limitações e precariedades, continua sendo um dos
últimos lugares em que é possível aprender a conviver
com a diferença e com o pensamento analítico, a
negociar sentidos e a arquitetar futuros mais justos.
Por isso, homenagear os professores não é ato
protocolar, nem gesto meramente simbólico. É uma
exigência civilizatória e política. Significa reivindicar
condições concretas de valorização: salários compatíveis com a importância da carreira, ambientes escolares
equipados, formação continuada em tempo adequado
que dialogue com os desafios atuais e, sobretudo, a
proteção inegociável da liberdade de cátedra. Mais do
que agradecê-los, trata-se de compartilhar o peso que
hoje recai desproporcionalmente sobre apenas os seus
ombros.
Os ombros contraídos lamentados por Clarice e os
ombros universais sugeridos por Drummond se
encontram, todos os dias, nos professores que entram
em sala de aula. Sustentam o peso de um país em
formação e, ao mesmo tempo, a esperança de que esse
país seja mais razoável, igualitário, mais consciente de
sua coletividade, menos insano e injusto. O futuro do
Brasil repousa nesses ombros — contraídos, teimosos,
cansados, mas resistentes porque ainda parecem
dispostos a não vergar. Nossa homenagem, portanto,
não deve ser apenas palavra terna: deve ser
compromisso político, republicano e transformador.
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A expressão 'os ombros que sustentam o futuro' constitui uma figura de linguagem denominada:
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Os ombros que sustentam o futuro: o papel inadiável
dos professores
Enquanto a educação insiste no trabalho lento, complexo
e crítico, os pensadores digitais vendem a promessa de
atalhos imediatos.
Clarice Lispector, em "Os desastres de Sofia", descreveu
um professor de ombros contraídos, como se carregasse
em silêncio um peso invisível e hercúleo. Carlos
Drummond de Andrade, por sua vez, lembrou que "os
ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que a
mão de uma criança". Essas duas imagens ficcionais —
a primeira marcada pela fragilidade; a segunda, pela
resistência — ajudam a compreender a condição atual
da docência no Brasil: um ofício em que
responsabilidade e carga simbólica se acumulam de
forma desproporcional, quase sempre sem o
reconhecimento justo e necessário.
Ao professor se exige muito: excelência pedagógica,
inovação permanente, domínio de novas tecnologias,
sensibilidade para lidar com a diversidade crescente e
paciência para gerir conflitos que muitas vezes
extrapolam os limites ou as origens da sala de aula.
Espera-se que ele seja transmissor de saberes,
mediador de relações, cuidador, psicólogo, burocrata e,
ainda, mantenha-se entusiasmado diante de turmas
cada vez mais numerosas e inclusivas. Em troca, recebe
salários que não condizem com a centralidade de sua
função — e, muitas vezes, em escolas com bibliotecas
desatualizadas, laboratórios inexistentes e recursos
básicos negados. Não raro, convive com a invisibilidade
social de um esforço que sustenta o país no cotidiano e
com a desvalorização pública. Ainda assim, o magistério
se sustenta na teimosa persistência de quem acredita
que ensinar é mais do que cumprir tarefas: é formar
sujeitos capazes de interpretar e corrigir algumas
mazelas do mundo.
Esse descompasso entre o que se exige e o que se
oferece tem efeitos concretos e preocupantes. Pesquisas
recentes alertam que 40% dos estudantes já não nutrem
admiração por seus professores, e que o prestígio da
carreira vem caindo vertiginosamente entre os jovens. A
projeção é de que, em 2050, o Brasil enfrentará um
déficit significativo de docentes. O problema não é
apenas educacional: é estrutural, civilizatório,
democrático. Uma sociedade que não atrai nem retém
seus educadores abdica de seu futuro.
Sem professores bem formados, quem garantirá a
circulação crítica do conhecimento para a meninada?
Quem ensinará a desconfiar das aparências, a ler para
além das manchetes, a debater sem ódio e com
profundidade?
A esse quadro se soma um contexto político e cultural
que agrava o peso sobre os ombros docentes: a voz
crítica e política do professor — talvez sua ferramenta
basilar — vem sendo sistematicamente contestada,
tolhida, vigiada. De um lado, setores conservadores
buscam controlar cada palavra em nome de uma suposta
'neutralidade' que, na prática, sufoca a reflexão. De
outro, há correntes progressistas que exigem adesões
automáticas, transformando o ato de ensinar em prova
de alinhamento ideológico. O resultado é a mesma
limitação: um professor obrigado a justificar cada gesto,
como se ensinar fosse, em si, um ato suspeito ou de
barganha.
Em paralelo, cresce a concorrência desleal com
influenciadores digitais e coaches que, em vídeos de
poucos minutos, oferecem fórmulas fáceis de sucesso e
de prosperidade. Enquanto a educação insiste no
trabalho lento, complexo e crítico, os pensadores digitais
vendem a promessa de atalhos imediatos.
No mercado da atenção, que recompensa a
superficialidade monetizada, a fala docente parece
deslocada e marginal. Mas é justamente essa insistência
na complexidade, no esforço da leitura atenta, na escuta
paciente, que revela o valor inegociável do professor: ele
não compete com a velocidade da rede e, ao contrário,
oferece a profundidade que ela recusa.
Vivemos em tempos de redes sociais virulentas e hostis,
de manipulação de imagens e verdades inventadas, de
polarização crescente e obtusa e de analfabetismo
funcional que se expande silenciosamente. Nesse
cenário caótico, a tarefa do professor ganha ainda mais
relevância: ele é um dos poucos agentes sociais
capazes de reintroduzir a dúvida, de cultivar a
consciência da coletividade e de indicar que o
conhecimento não se reduz a slogans e a cortes de
Instagram. O espaço escolar, mesmo com todas as
limitações e precariedades, continua sendo um dos
últimos lugares em que é possível aprender a conviver
com a diferença e com o pensamento analítico, a
negociar sentidos e a arquitetar futuros mais justos.
Por isso, homenagear os professores não é ato
protocolar, nem gesto meramente simbólico. É uma
exigência civilizatória e política. Significa reivindicar
condições concretas de valorização: salários compatíveis com a importância da carreira, ambientes escolares
equipados, formação continuada em tempo adequado
que dialogue com os desafios atuais e, sobretudo, a
proteção inegociável da liberdade de cátedra. Mais do
que agradecê-los, trata-se de compartilhar o peso que
hoje recai desproporcionalmente sobre apenas os seus
ombros.
Os ombros contraídos lamentados por Clarice e os
ombros universais sugeridos por Drummond se
encontram, todos os dias, nos professores que entram
em sala de aula. Sustentam o peso de um país em
formação e, ao mesmo tempo, a esperança de que esse
país seja mais razoável, igualitário, mais consciente de
sua coletividade, menos insano e injusto. O futuro do
Brasil repousa nesses ombros — contraídos, teimosos,
cansados, mas resistentes porque ainda parecem
dispostos a não vergar. Nossa homenagem, portanto,
não deve ser apenas palavra terna: deve ser
compromisso político, republicano e transformador.
https://revistaeducacao.com.br/2025/10/21/papel-inadiavel-professores/
Considerando o trecho e o texto-base, identifique a alternativa que apresenta a inferência adequada.
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Questão presente nas seguintes provas
Desde sua criação, o Programa Nacional de Tecnologia
Educacional (ProInfo) buscou ampliar o uso pedagógico
das tecnologias digitais nas escolas públicas. Entretanto,
a efetivação dessas propostas depende, entre outros
fatores, do papel do professor na mediação das práticas
com computadores e redes. Com base nesse contexto,
escolha a alternativa que apresenta uma interpretação
adequada sobre a relação entre o ProInfo e o trabalho
docente:
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Questão presente nas seguintes provas
A presença das novas mídias digitais na escola tem
provocado mudanças significativas nas formas de
produção e circulação de conhecimento, criando
espaços de interação que ultrapassam os modelos
tradicionais de aula. Considerando esse cenário, analise
as alternativas abaixo sobre o uso pedagógico dessas
mídias e marque a CORRETA:
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Questão presente nas seguintes provas
Ao discutir o papel das tecnologias digitais nos
processos de ensino e aprendizagem, diferentes países
assumiram caminhos distintos. No Brasil, documentos
oficiais como a BNCC destacam a cultura digital como
competência geral, enquanto experiências internacionais
vêm mostrando abordagens variadas que vão da
inserção estruturada da computação à adoção de
modelos abertos de inovação pedagógica. Considerando
esse panorama, assinale a alternativa que melhor representa um entendimento coerente com essas
perspectivas contemporâneas:
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Questão presente nas seguintes provas
Os professores no uso pedagógico da G Suíte para
Educação (Google Sala de Aula, Google Meet, Gmail,
Google Drive, Google Planilhas, Google Documentos,
Google Apresentações, Google Formulários e Google
Agenda), podem organizar atividades, acompanhar
estudantes e produzir materiais de forma colaborativa.
Baseado nos conhecimentos destas ferramentas, julgue
as seguintes afirmativas:
I.O Google Sala de Aula permite distribuir tarefas, anexar materiais e oferecer devolutivas individualizadas, organizando automaticamente os trabalhos dos estudantes em pastas do Drive.
II.O Google Forms pode gerar relatórios automáticos com gráficos, além de exportar as respostas para o Google Planilhas para análises mais detalhadas.
III.O Google Drive possibilita criação de pastas compartilhadas, permitindo que vários usuários editem documentos simultaneamente sem necessidade de versões enviadas por e-mail.
IV.No Google Meet, somente o criador da reunião pode compartilhar a tela, mesmo que outros participantes tenham autorização na conta institucional.
V.A Google Agenda não permite o envio de convites para reuniões virtuais, limitando-se ao registro pessoal de compromissos.
Assinale a alternativa CORRETA:
I.O Google Sala de Aula permite distribuir tarefas, anexar materiais e oferecer devolutivas individualizadas, organizando automaticamente os trabalhos dos estudantes em pastas do Drive.
II.O Google Forms pode gerar relatórios automáticos com gráficos, além de exportar as respostas para o Google Planilhas para análises mais detalhadas.
III.O Google Drive possibilita criação de pastas compartilhadas, permitindo que vários usuários editem documentos simultaneamente sem necessidade de versões enviadas por e-mail.
IV.No Google Meet, somente o criador da reunião pode compartilhar a tela, mesmo que outros participantes tenham autorização na conta institucional.
V.A Google Agenda não permite o envio de convites para reuniões virtuais, limitando-se ao registro pessoal de compromissos.
Assinale a alternativa CORRETA:
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Os softwares Edilim, Hot Potatoes e JAWS e os sistemas
operacionais Linux, Windows 10 e Windows 11 são
frequentemente empregados na elaboração, distribuição
ou acessibilidade de atividades educacionais em
ambientes escolares. Acerca destes conhecimentos,
analise as afirmativas a seguir e assinale (V) Verdadeiro
(F ) Falso:
(__)O professor ao utilizar o Edilim pode criar atividades multimídia variadas com interface intuitiva, sendo comum seu uso em escolas por não exigir programação.
(__)O Hot Potatoes é utilizado principalmente para gerar exercícios online interativos, como quizzes e palavras cruzadas, exportáveis para HTML.
(__)O leitor de tela JAWS é muito empregado em inclusão digital, porém não possui aplicabilidade na produção de materiais educacionais acessíveis.
(__)Distribuições Linux, como Ubuntu e Mint, são amplamente adotadas em laboratórios escolares por serem proprietárias, personalizáveis e oferecerem ferramentas educacionais gratuitas.
(__)O Windows 10 apresenta recursos nativos de acessibilidade, incluindo lupa, alto contraste e narrador, úteis ao planejamento de atividades inclusivas.
(__)O Windows 11 preservou recursos educacionais e de acessibilidade já existentes, além de incorporar melhorias que o mantêm apropriado ao uso pedagógico.
Assinale a alternativa com a sequência correta V (verdadeiro) e F (falso) de cima para baixo:
(__)O professor ao utilizar o Edilim pode criar atividades multimídia variadas com interface intuitiva, sendo comum seu uso em escolas por não exigir programação.
(__)O Hot Potatoes é utilizado principalmente para gerar exercícios online interativos, como quizzes e palavras cruzadas, exportáveis para HTML.
(__)O leitor de tela JAWS é muito empregado em inclusão digital, porém não possui aplicabilidade na produção de materiais educacionais acessíveis.
(__)Distribuições Linux, como Ubuntu e Mint, são amplamente adotadas em laboratórios escolares por serem proprietárias, personalizáveis e oferecerem ferramentas educacionais gratuitas.
(__)O Windows 10 apresenta recursos nativos de acessibilidade, incluindo lupa, alto contraste e narrador, úteis ao planejamento de atividades inclusivas.
(__)O Windows 11 preservou recursos educacionais e de acessibilidade já existentes, além de incorporar melhorias que o mantêm apropriado ao uso pedagógico.
Assinale a alternativa com a sequência correta V (verdadeiro) e F (falso) de cima para baixo:
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3993124
Ano: 2025
Disciplina: TI - Segurança da Informação
Banca: AMAUC
Orgão: Pref. Alto Bela Vista-SC
Disciplina: TI - Segurança da Informação
Banca: AMAUC
Orgão: Pref. Alto Bela Vista-SC
Provas:
Com o uso crescente de serviços online, professores e
estudantes acabam lidando diariamente com e-mails,
mecanismos de segurança digital e ferramentas de
proteção contra softwares maliciosos. Considerando as
práticas adequadas no uso da Internet, avalie as
alternativas a seguir e assinale a alternativa correta:
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