Foram encontradas 90 questões.
Leia o texto a seguir para responder à questão.
“POSTO QUE É CHAMA”:
VINICIUS BEBEU?
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja eterno enquanto dure.
É provável que o poeta Vinicius de Moraes tivesse, sim, tomado algumas doses de “cachorro engarrafado” – isto é, de uísque, que ele chamava de “o melhor amigo do homem” – quando escreveu sua obra-prima “Soneto de fidelidade”, que termina com os versos acima.
[...] Vinicius contrariou frontalmente a gramática tradicional com seu uso de posto que como conjunção explicativa (ou causal, dependendo do autor). O sentido dos versos é claro: o amor não é imortal, visto que é chama, isto é, por ser chama, mas o poeta deseja que, enquanto durar, tenha brilho infinito.
Só que Vinicius optou por não usar o visto que, que, além de caber na métrica, agradaria aos conservadores da língua. Foi mesmo de posto que, uma locução conjuntiva controversa.
Os gramáticos tradicionais atribuem a posto que valor exclusivamente concessivo, o mesmo de embora, como na seguinte frase: “Gosto dele, posto que seja meio antipático”. Para eles, qualquer uso diferente é erro e pronto.
O português brasileiro ignora há muitas décadas essa análise e insiste em empregar posto que com papel explicativo. Isso não se dá por ignorância, ou não só por ignorância: encontra acolhida entre falantes cultos e parece se basear numa análise alternativa da expressão. Regras mudam.
Deliberadamente ou não, Vinicius de Moraes, um dos mestres do português brasileiro, tomou o partido da língua viva – o que no caso dele faz o maior sentido – e deu ao pessoal da linha dura uma dor de cabeça infinita (enquanto durar) [...].
Assinale a alternativa na qual, de acordo com o texto, o uso de “posto que” segue o que está previsto nas gramáticas tradicionais.
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Leia o texto a seguir para responder à questão.
“POSTO QUE É CHAMA”:
VINICIUS BEBEU?
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja eterno enquanto dure.
É provável que o poeta Vinicius de Moraes tivesse, sim, tomado algumas doses de “cachorro engarrafado” – isto é, de uísque, que ele chamava de “o melhor amigo do homem” – quando escreveu sua obra-prima “Soneto de fidelidade”, que termina com os versos acima.
[...] Vinicius contrariou frontalmente a gramática tradicional com seu uso de posto que como conjunção explicativa (ou causal, dependendo do autor). O sentido dos versos é claro: o amor não é imortal, visto que é chama, isto é, por ser chama, mas o poeta deseja que, enquanto durar, tenha brilho infinito.
Só que Vinicius optou por não usar o visto que, que, além de caber na métrica, agradaria aos conservadores da língua. Foi mesmo de posto que, uma locução conjuntiva controversa.
Os gramáticos tradicionais atribuem a posto que valor exclusivamente concessivo, o mesmo de embora, como na seguinte frase: “Gosto dele, posto que seja meio antipático”. Para eles, qualquer uso diferente é erro e pronto.
O português brasileiro ignora há muitas décadas essa análise e insiste em empregar posto que com papel explicativo. Isso não se dá por ignorância, ou não só por ignorância: encontra acolhida entre falantes cultos e parece se basear numa análise alternativa da expressão. Regras mudam.
Deliberadamente ou não, Vinicius de Moraes, um dos mestres do português brasileiro, tomou o partido da língua viva – o que no caso dele faz o maior sentido – e deu ao pessoal da linha dura uma dor de cabeça infinita (enquanto durar) [...].
Assinale a alternativa que apresenta corretamente as ideias do texto.
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Leia o texto a seguir para responder à questão.
Somos um feixe variado de normas divergentes, e não apenas em termos de sotaque, elemento mais costumeiramente evocado para tratar da diversidade de normas regionais. Um bom exemplo: embora quase todo o país empregue o pronome você (já passou da hora de a gente assumir que é um pronome), ainda há grandes bolsões de uso de tu, com ou sem flexão do verbo na segunda pessoa. Dizemos você fez, tu fez, tu fizeste (e também tu fizesse, como no litoral catarinense). [...]
O que dizer do fato de que a minha norma, por exemplo, diferencia graus de formalidade entre construções como “Você me trouxe o seu livro” (engravatada) e “Você me trouxe o teu livro” (de pijama)? [...] A minha geração de curitibanos lida não com um “erro” de concordância, mas com uma delicada regra de aplicação variável e determinação contextual. E isso, cara leitora, caro leitor, também é gramática.
Considerando o ponto de vista defendido no texto, assinale a alternativa em que o par de sentenças pode ser tomado como um exemplo da variação entre norma “engravatada” e norma “de pijama”, respectivamente.
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Leia o texto a seguir para responder à questão.
Somos um feixe variado de normas divergentes, e não apenas em termos de sotaque, elemento mais costumeiramente evocado para tratar da diversidade de normas regionais. Um bom exemplo: embora quase todo o país empregue o pronome você (já passou da hora de a gente assumir que é um pronome), ainda há grandes bolsões de uso de tu, com ou sem flexão do verbo na segunda pessoa. Dizemos você fez, tu fez, tu fizeste (e também tu fizesse, como no litoral catarinense). [...]
O que dizer do fato de que a minha norma, por exemplo, diferencia graus de formalidade entre construções como “Você me trouxe o seu livro” (engravatada) e “Você me trouxe o teu livro” (de pijama)? [...] A minha geração de curitibanos lida não com um “erro” de concordância, mas com uma delicada regra de aplicação variável e determinação contextual. E isso, cara leitora, caro leitor, também é gramática.
No texto, a palavra “erro” foi apresentada entre aspas porque, na perspectiva do seu autor,
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As frases a seguir foram apresentadas em um manual de nheengatu, língua indígena amazônica, ao lado da sua tradução para o português brasileiro.
Ixé amunhã pirakaya — “Eu faço piracaia1”
Indé remunhã pirakaya — “Você faz piracaia”
Aé umunhã pirakaya — “Ele/Ela faz piracaia.”
Yandé yamunhã pirakaya — “Nós fazemos piracaia.”
Penhé pemunhã pirakaya — “Vocês fazem piracaia”
Tá umunhã pirakaya — “Eles/elas fazem piracaia”
Na conjugação verbal apresentada nesses exemplos específicos das duas línguas, observa-se que
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O texto a seguir reúne fragmentos de uma crônica. Leia-o para responder à questão.
Fila de autógrafos. Qual o seu nome? Stephany. É como eu escreveria, mas pode ser Stefane, Stefany, Esttephani, assim como Tatiane pode ser Tathyane, Tatheani, Tathianne e Nícolas pode ser Nichollas, Níquolas, Nikollas. Fazer o quê? Chutar? Não é a solução mais simpática, melhor pedir gentilmente para que o leitor soletre. Está aí a explicação para as sessões de autógrafos se arrastarem por horas quando não há o papelzinho com o nome do leitor dentro do livro. E você achando que era por causa da popularidade do autor.
[...]
O nome é parte fundamental da nossa identidade, a primeira informação que recebemos sobre nós mesmos e a primeira que fornecemos a estranhos, a fim de sermos introduzidos ao fabuloso mundo da socialização. Hoje somos oito bilhões no planeta e não há nomes exclusivos para todos, somos obrigados a compartilhar nossa marca pessoal com outros tantos. Por isso, entendo que papi e mami nos registrem com algum detalhe “charmoso” para nos diferenciar – o diabo é que só complicam. Poucas pessoas conseguem dizer seu nome sem adicionar a observação: Elizza com dois z. Thalles com h e dois l. Walkyrya com w, k e dois y. Não é preciosismo, são os detalhes tão pequenos de nós todos. No meu caso, “Martha com th” virou praticamente nome composto.
Podemos afirmar que a crônica apresenta
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O texto a seguir reúne fragmentos de uma crônica. Leia-o para responder à questão.
Fila de autógrafos. Qual o seu nome? Stephany. É como eu escreveria, mas pode ser Stefane, Stefany, Esttephani, assim como Tatiane pode ser Tathyane, Tatheani, Tathianne e Nícolas pode ser Nichollas, Níquolas, Nikollas. Fazer o quê? Chutar? Não é a solução mais simpática, melhor pedir gentilmente para que o leitor soletre. Está aí a explicação para as sessões de autógrafos se arrastarem por horas quando não há o papelzinho com o nome do leitor dentro do livro. E você achando que era por causa da popularidade do autor.
[...]
O nome é parte fundamental da nossa identidade, a primeira informação que recebemos sobre nós mesmos e a primeira que fornecemos a estranhos, a fim de sermos introduzidos ao fabuloso mundo da socialização. Hoje somos oito bilhões no planeta e não há nomes exclusivos para todos, somos obrigados a compartilhar nossa marca pessoal com outros tantos. Por isso, entendo que papi e mami nos registrem com algum detalhe “charmoso” para nos diferenciar – o diabo é que só complicam. Poucas pessoas conseguem dizer seu nome sem adicionar a observação: Elizza com dois z. Thalles com h e dois l. Walkyrya com w, k e dois y. Não é preciosismo, são os detalhes tão pequenos de nós todos. No meu caso, “Martha com th” virou praticamente nome composto.
O ponto central da crônica tem a ver com o fato de que nomes próprios podem apresentar
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Leia o texto a seguir para responder à questão.
Quando criança, fui ensinada que a população negra havia sido escrava e ponto, como se não tivesse existido uma vida anterior nas regiões de onde essas pessoas foram tiradas à força. Disseram-me que a população negra era passiva e que “aceitou” a escravidão sem resistência. Também me contaram que a princesa Isabel havia sido sua grande redentora. No entanto, essa era a história contada do ponto de vista dos vencedores, como diz Walter Benjamin. O que não me contaram é que o Quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga, em Alagoas, perdurou por mais de um século, e que se organizaram vários levantes como forma de resistência à escravidão, como a Revolta dos Malês e a Revolta da Chibata. Com o tempo, aprendi que a população negra havia sido escravizada, e não era escrava – palavra que denota que essa seria uma condição natural, ocultando que esse grupo foi colocado ali pela ação de outrem.
(
É correto afirmar que, no texto,
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Leia o texto a seguir para responder à questão.
Quando criança, fui ensinada que a população negra havia sido escrava e ponto, como se não tivesse existido uma vida anterior nas regiões de onde essas pessoas foram tiradas à força. Disseram-me que a população negra era passiva e que “aceitou” a escravidão sem resistência. Também me contaram que a princesa Isabel havia sido sua grande redentora. No entanto, essa era a história contada do ponto de vista dos vencedores, como diz Walter Benjamin. O que não me contaram é que o Quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga, em Alagoas, perdurou por mais de um século, e que se organizaram vários levantes como forma de resistência à escravidão, como a Revolta dos Malês e a Revolta da Chibata. Com o tempo, aprendi que a população negra havia sido escravizada, e não era escrava – palavra que denota que essa seria uma condição natural, ocultando que esse grupo foi colocado ali pela ação de outrem.
(
A expressão “O que”, destacada no texto, faz referência a um conjunto de informações históricas que, de acordo com sua autora,
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Leia o texto a seguir para responder à questão.
Quando criança, fui ensinada que a população negra havia sido escrava e ponto, como se não tivesse existido uma vida anterior nas regiões de onde essas pessoas foram tiradas à força. Disseram-me que a população negra era passiva e que “aceitou” a escravidão sem resistência. Também me contaram que a princesa Isabel havia sido sua grande redentora. No entanto, essa era a história contada do ponto de vista dos vencedores, como diz Walter Benjamin. O que não me contaram é que o Quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga, em Alagoas, perdurou por mais de um século, e que se organizaram vários levantes como forma de resistência à escravidão, como a Revolta dos Malês e a Revolta da Chibata. Com o tempo, aprendi que a população negra havia sido escravizada, e não era escrava – palavra que denota que essa seria uma condição natural, ocultando que esse grupo foi colocado ali pela ação de outrem.
(
No texto, as palavras “escrava” e “escravizada” foram usadas para
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