Magna Concursos

Foram encontradas 50 questões.

4192427 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Marinha

Leia o texto II e responda à questão.

Texto II

Volapuque

[...]

Somos como duas línguas estrangeiras

em contato

influenciando uma à outra

fazendo empréstimos e trocas há tanto tempo

que nem sempre se sabe quem tomou emprestado

de quem

como é comum entre amantes

que compartilham uma biblioteca

duas línguas cheias de palavras

que se escrevem de forma idêntica

e se pronunciam de forma ligeiramente diferente

duas línguas que compartilham palavras

semelhantes com sentidos diferentes

ou em que uma mesma palavra

que numa se encontra amiúde

nos contratos de aluguel

na outra apenas se usa em contos de fadas e orações

duas línguas estrangeiras

em contato

com suas histórias de violência e recuo

hostilidade e hospitalidade

ressoando uma os sons da outra

movendo-se como placas tectônicas

com suas camadas de sedimento antigo

e pequenos seixos, rolantes, desprendendo-se no caminho

duas línguas estrangeiras

em contato

como periferias de grandes cidades

com seus comércios e casamentos

disputas e empréstimos

deixando uma na outra rastros

como os do sol sobre os corpos

ou resíduos

como borra de café nos copos

duas línguas estrangeiras

mudando juntas de jeitos diferentes

mantendo porém pequenos enclaves

intraduzíveis

como pequenas ilhas

duas línguas nas quais duas pessoas

são capazes de entender uma à outra

surpresas e alegres por entenderem uma à outra

sem nem perceber que não se entendem tanto assim

(MARQUES, Ana Martins. Risque esta palavra. São Paulo; Companhia das Letras, 2021. p. 75-6.)

Volapuque - língua artificial criada em 1879 pelo padre alemão Martin Schleyer, com base no inglês e alguns elementos do alemão, francês e latim, mas cujo emprego como língua auxiliar de comunicação internacional não foi bem-sucedido.

Analise as afirmativas acerca das ideias expressas nos textos I e Il.
I- Tanto o texto I quanto o texto II apresentam informações sobre o conhecimento de outras línguas, corroborando traço de erudição.
II- A linguagem bem-humorada do texto I leva o leitor a refletir sobre a harmonia de formalidade com informalidade de modo natural e intuitivo.
III- Embora no texto I o autor utilize, largamente, metáforas e ironias, não emerge, na intencionalidade discursiva, objetivo de desqualificar a vendedora.
IV- O eu lírico, na temática do texto Il, faz emergirem figuras que mostram, claramente, o amalgama parcial entre os seres humanos, tal como entre as línguas.
Assinale a opção correta.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
4192426 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Marinha

Leia o texto II e responda à questão.

Texto II

Volapuque

[...]

Somos como duas línguas estrangeiras

em contato

influenciando uma à outra

fazendo empréstimos e trocas há tanto tempo

que nem sempre se sabe quem tomou emprestado

de quem

como é comum entre amantes

que compartilham uma biblioteca

duas línguas cheias de palavras

que se escrevem de forma idêntica

e se pronunciam de forma ligeiramente diferente

duas línguas que compartilham palavras

semelhantes com sentidos diferentes

ou em que uma mesma palavra

que numa se encontra amiúde

nos contratos de aluguel

na outra apenas se usa em contos de fadas e orações

duas línguas estrangeiras

em contato

com suas histórias de violência e recuo

hostilidade e hospitalidade

ressoando uma os sons da outra

movendo-se como placas tectônicas

com suas camadas de sedimento antigo

e pequenos seixos, rolantes, desprendendo-se no caminho

duas línguas estrangeiras

em contato

como periferias de grandes cidades

com seus comércios e casamentos

disputas e empréstimos

deixando uma na outra rastros

como os do sol sobre os corpos

ou resíduos

como borra de café nos copos

duas línguas estrangeiras

mudando juntas de jeitos diferentes

mantendo porém pequenos enclaves

intraduzíveis

como pequenas ilhas

duas línguas nas quais duas pessoas

são capazes de entender uma à outra

surpresas e alegres por entenderem uma à outra

sem nem perceber que não se entendem tanto assim

(MARQUES, Ana Martins. Risque esta palavra. São Paulo; Companhia das Letras, 2021. p. 75-6.)

Volapuque - língua artificial criada em 1879 pelo padre alemão Martin Schleyer, com base no inglês e alguns elementos do alemão, francês e latim, mas cujo emprego como língua auxiliar de comunicação internacional não foi bem-sucedido.

Leia o trecho abaixo.
“ou em que uma mesma palavra que numa se encontra amiúde nos contratos de aluguel na outra apenas se usa em contos de fadas e orações". (versos de 14 a 17)
As referências aos termos em destaque aludem, respectivamente:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
4192425 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Marinha

Leia o texto II e responda à questão.

Texto II

Volapuque

[...]

Somos como duas línguas estrangeiras

em contato

influenciando uma à outra

fazendo empréstimos e trocas há tanto tempo

que nem sempre se sabe quem tomou emprestado

de quem

como é comum entre amantes

que compartilham uma biblioteca

duas línguas cheias de palavras

que se escrevem de forma idêntica

e se pronunciam de forma ligeiramente diferente

duas línguas que compartilham palavras

semelhantes com sentidos diferentes

ou em que uma mesma palavra

que numa se encontra amiúde

nos contratos de aluguel

na outra apenas se usa em contos de fadas e orações

duas línguas estrangeiras

em contato

com suas histórias de violência e recuo

hostilidade e hospitalidade

ressoando uma os sons da outra

movendo-se como placas tectônicas

com suas camadas de sedimento antigo

e pequenos seixos, rolantes, desprendendo-se no caminho

duas línguas estrangeiras

em contato

como periferias de grandes cidades

com seus comércios e casamentos

disputas e empréstimos

deixando uma na outra rastros

como os do sol sobre os corpos

ou resíduos

como borra de café nos copos

duas línguas estrangeiras

mudando juntas de jeitos diferentes

mantendo porém pequenos enclaves

intraduzíveis

como pequenas ilhas

duas línguas nas quais duas pessoas

são capazes de entender uma à outra

surpresas e alegres por entenderem uma à outra

sem nem perceber que não se entendem tanto assim

(MARQUES, Ana Martins. Risque esta palavra. São Paulo; Companhia das Letras, 2021. p. 75-6.)

Volapuque - língua artificial criada em 1879 pelo padre alemão Martin Schleyer, com base no inglês e alguns elementos do alemão, francês e latim, mas cujo emprego como língua auxiliar de comunicação internacional não foi bem-sucedido.

Analise as afirmativas acerca das ideias presentes no texto II
I- O texto compara os amantes a “duas línguas estrangeiras” que, embora em constante interação e troca, mantêm “pequenos enclaves intraduzÍveis”.
II- O poema de Ana Martins Marques utiliza a linguística como uma metáfora estendida para explorar as complexidades de um relacionamento a dois.
III- A metáfora central do poema serve, predominantemente, para defender a ideia de que, apesar das inevitáveis falhas de comunicação e das diferenças históricas, o amor é uma força que apaga completamente as individualidades e as barreiras linguisticas.
IV- O texto utiliza imagens distintas como “placas tectônicas”, “borra de café nos copos” e “periferias de grandes cidades” para descrever a dinâmica do contato entre as “duas linguas”.
Assinale a opção correta.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
4192424 Ano: 2026
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: Marinha
Orgão: Marinha

Leia o texto II e responda à questão.

Texto II

Volapuque

[...]

Somos como duas línguas estrangeiras

em contato

influenciando uma à outra

fazendo empréstimos e trocas há tanto tempo

que nem sempre se sabe quem tomou emprestado

de quem

como é comum entre amantes

que compartilham uma biblioteca

duas línguas cheias de palavras

que se escrevem de forma idêntica

e se pronunciam de forma ligeiramente diferente

duas línguas que compartilham palavras

semelhantes com sentidos diferentes

ou em que uma mesma palavra

que numa se encontra amiúde

nos contratos de aluguel

na outra apenas se usa em contos de fadas e orações

duas línguas estrangeiras

em contato

com suas histórias de violência e recuo

hostilidade e hospitalidade

ressoando uma os sons da outra

movendo-se como placas tectônicas

com suas camadas de sedimento antigo

e pequenos seixos, rolantes, desprendendo-se no caminho

duas línguas estrangeiras

em contato

como periferias de grandes cidades

com seus comércios e casamentos

disputas e empréstimos

deixando uma na outra rastros

como os do sol sobre os corpos

ou resíduos

como borra de café nos copos

duas línguas estrangeiras

mudando juntas de jeitos diferentes

mantendo porém pequenos enclaves

intraduzíveis

como pequenas ilhas

duas línguas nas quais duas pessoas

são capazes de entender uma à outra

surpresas e alegres por entenderem uma à outra

sem nem perceber que não se entendem tanto assim

(MARQUES, Ana Martins. Risque esta palavra. São Paulo; Companhia das Letras, 2021. p. 75-6.)

Volapuque - língua artificial criada em 1879 pelo padre alemão Martin Schleyer, com base no inglês e alguns elementos do alemão, francês e latim, mas cujo emprego como língua auxiliar de comunicação internacional não foi bem-sucedido.

Considere os versos abaixo.
“Somos como duas línguas estrangeiras [...] movendo-se como placas tectônicas com suas camadas de sedimento antigo e pequenos seixos, rolantes, desprendendo-se no [caminho” (versos 1 e 23-25)
Nos versos citados acima, que aspecto dessas línguas é enfatizado?

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
4192423 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Marinha

Leia o texto II e responda à questão.

Texto II

Volapuque

[...]

Somos como duas línguas estrangeiras

em contato

influenciando uma à outra

fazendo empréstimos e trocas há tanto tempo

que nem sempre se sabe quem tomou emprestado

de quem

como é comum entre amantes

que compartilham uma biblioteca

duas línguas cheias de palavras

que se escrevem de forma idêntica

e se pronunciam de forma ligeiramente diferente

duas línguas que compartilham palavras

semelhantes com sentidos diferentes

ou em que uma mesma palavra

que numa se encontra amiúde

nos contratos de aluguel

na outra apenas se usa em contos de fadas e orações

duas línguas estrangeiras

em contato

com suas histórias de violência e recuo

hostilidade e hospitalidade

ressoando uma os sons da outra

movendo-se como placas tectônicas

com suas camadas de sedimento antigo

e pequenos seixos, rolantes, desprendendo-se no caminho

duas línguas estrangeiras

em contato

como periferias de grandes cidades

com seus comércios e casamentos

disputas e empréstimos

deixando uma na outra rastros

como os do sol sobre os corpos

ou resíduos

como borra de café nos copos

duas línguas estrangeiras

mudando juntas de jeitos diferentes

mantendo porém pequenos enclaves

intraduzíveis

como pequenas ilhas

duas línguas nas quais duas pessoas

são capazes de entender uma à outra

surpresas e alegres por entenderem uma à outra

sem nem perceber que não se entendem tanto assim

(MARQUES, Ana Martins. Risque esta palavra. São Paulo; Companhia das Letras, 2021. p. 75-6.)

Volapuque - língua artificial criada em 1879 pelo padre alemão Martin Schleyer, com base no inglês e alguns elementos do alemão, francês e latim, mas cujo emprego como língua auxiliar de comunicação internacional não foi bem-sucedido.

Leia os versos abaixo.
“ou em que uma mesma palavra que numa se encontra amiúde nos contratos de aluguel” (versos de 14 a 16)
Ao afirmar que a palavra se encontra amiúde nos contratos de aluguel, o eu lírico quer dizer que ela:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
4192422 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Marinha

Leia o texto II e responda à questão.

Texto II

Volapuque

[...]

Somos como duas línguas estrangeiras

em contato

influenciando uma à outra

fazendo empréstimos e trocas há tanto tempo

que nem sempre se sabe quem tomou emprestado

de quem

como é comum entre amantes

que compartilham uma biblioteca

duas línguas cheias de palavras

que se escrevem de forma idêntica

e se pronunciam de forma ligeiramente diferente

duas línguas que compartilham palavras

semelhantes com sentidos diferentes

ou em que uma mesma palavra

que numa se encontra amiúde

nos contratos de aluguel

na outra apenas se usa em contos de fadas e orações

duas línguas estrangeiras

em contato

com suas histórias de violência e recuo

hostilidade e hospitalidade

ressoando uma os sons da outra

movendo-se como placas tectônicas

com suas camadas de sedimento antigo

e pequenos seixos, rolantes, desprendendo-se no caminho

duas línguas estrangeiras

em contato

como periferias de grandes cidades

com seus comércios e casamentos

disputas e empréstimos

deixando uma na outra rastros

como os do sol sobre os corpos

ou resíduos

como borra de café nos copos

duas línguas estrangeiras

mudando juntas de jeitos diferentes

mantendo porém pequenos enclaves

intraduzíveis

como pequenas ilhas

duas línguas nas quais duas pessoas

são capazes de entender uma à outra

surpresas e alegres por entenderem uma à outra

sem nem perceber que não se entendem tanto assim

(MARQUES, Ana Martins. Risque esta palavra. São Paulo; Companhia das Letras, 2021. p. 75-6.)

Volapuque - língua artificial criada em 1879 pelo padre alemão Martin Schleyer, com base no inglês e alguns elementos do alemão, francês e latim, mas cujo emprego como língua auxiliar de comunicação internacional não foi bem-sucedido.

Acerca da textualidade e da função da linguagem predominante, no texto Il, assinale a opção correta.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
4192421 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Marinha

Leia o texto II e responda à questão.

Texto II

Volapuque

[...]

Somos como duas línguas estrangeiras

em contato

influenciando uma à outra

fazendo empréstimos e trocas há tanto tempo

que nem sempre se sabe quem tomou emprestado

de quem

como é comum entre amantes

que compartilham uma biblioteca

duas línguas cheias de palavras

que se escrevem de forma idêntica

e se pronunciam de forma ligeiramente diferente

duas línguas que compartilham palavras

semelhantes com sentidos diferentes

ou em que uma mesma palavra

que numa se encontra amiúde

nos contratos de aluguel

na outra apenas se usa em contos de fadas e orações

duas línguas estrangeiras

em contato

com suas histórias de violência e recuo

hostilidade e hospitalidade

ressoando uma os sons da outra

movendo-se como placas tectônicas

com suas camadas de sedimento antigo

e pequenos seixos, rolantes, desprendendo-se no caminho

duas línguas estrangeiras

em contato

como periferias de grandes cidades

com seus comércios e casamentos

disputas e empréstimos

deixando uma na outra rastros

como os do sol sobre os corpos

ou resíduos

como borra de café nos copos

duas línguas estrangeiras

mudando juntas de jeitos diferentes

mantendo porém pequenos enclaves

intraduzíveis

como pequenas ilhas

duas línguas nas quais duas pessoas

são capazes de entender uma à outra

surpresas e alegres por entenderem uma à outra

sem nem perceber que não se entendem tanto assim

(MARQUES, Ana Martins. Risque esta palavra. São Paulo; Companhia das Letras, 2021. p. 75-6.)

Volapuque - língua artificial criada em 1879 pelo padre alemão Martin Schleyer, com base no inglês e alguns elementos do alemão, francês e latim, mas cujo emprego como língua auxiliar de comunicação internacional não foi bem-sucedido.

Em que opção a ideia de consequência é expressa?

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
4192420 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Marinha

Leia o texto II e responda à questão.

Texto II

Volapuque

[...]

Somos como duas línguas estrangeiras

em contato

influenciando uma à outra

fazendo empréstimos e trocas há tanto tempo

que nem sempre se sabe quem tomou emprestado

de quem

como é comum entre amantes

que compartilham uma biblioteca

duas línguas cheias de palavras

que se escrevem de forma idêntica

e se pronunciam de forma ligeiramente diferente

duas línguas que compartilham palavras

semelhantes com sentidos diferentes

ou em que uma mesma palavra

que numa se encontra amiúde

nos contratos de aluguel

na outra apenas se usa em contos de fadas e orações

duas línguas estrangeiras

em contato

com suas histórias de violência e recuo

hostilidade e hospitalidade

ressoando uma os sons da outra

movendo-se como placas tectônicas

com suas camadas de sedimento antigo

e pequenos seixos, rolantes, desprendendo-se no caminho

duas línguas estrangeiras

em contato

como periferias de grandes cidades

com seus comércios e casamentos

disputas e empréstimos

deixando uma na outra rastros

como os do sol sobre os corpos

ou resíduos

como borra de café nos copos

duas línguas estrangeiras

mudando juntas de jeitos diferentes

mantendo porém pequenos enclaves

intraduzíveis

como pequenas ilhas

duas línguas nas quais duas pessoas

são capazes de entender uma à outra

surpresas e alegres por entenderem uma à outra

sem nem perceber que não se entendem tanto assim

(MARQUES, Ana Martins. Risque esta palavra. São Paulo; Companhia das Letras, 2021. p. 75-6.)

Volapuque - língua artificial criada em 1879 pelo padre alemão Martin Schleyer, com base no inglês e alguns elementos do alemão, francês e latim, mas cujo emprego como língua auxiliar de comunicação internacional não foi bem-sucedido.

Em que opção a análise morfossintática dos termos destacados está correta?

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
4192419 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Marinha

Leia o texto e responda à questão.

Texto I

'Quer adressar?', me perguntou a moça

Dicas para acessar o português moderno e não dar a resposta errada a uma boa proposta

De início, não entendi o verbo cravado no coração da frase e, usando o envelhecer a meu favor, fingindo perda de audição pela idade avançada, pedi graciosamente, por favor, que a moça repetisse.

O cenário era a loja chique de um shopping no Leblon, onde eu negociava com ela, vendedora educadíssima, os últimos detalhes da compra de um produto volumoso que, sem carro, eu não podia levar naquele momento. Foram necessárias três repetições da frase até que - como se falava no tempo do orelhão, quando o português era ouvido por aqui - a ficha caiu:

“Eu posso adressar o produto amanhã cedo para a sua casa?”, era o que perguntava a moça, fazendo-se finalmente entender.

Os neologismos participam da língua, inputam em alguns casos a solução onde antes havia um gap de comunicação. “Adressar’, metabolizado do inglês to address, era endereçar a paciência para um lugar muito distante de qualquer necessidade, mas entendi o approach. A moça queria ostentar na fala o mesmo padrão internacional do shopping. Bastava me remeter (se quisesse falar um português bonito), me despachar (se gostasse de mostrar a chiadeira do sotaque carioca) ou simplesmente me entregar a compra - verbos que seriam imediatamente compreensíveis por qualquer idoso - amanhã cedo. Ri por dentro.

A pureza vernacular não linka com a minha prosa vadia de cronista. A ideia aqui é mexer com a língua, rogar na de Luís de Camões, na de Ana Martins Marques, e - como o tamanduá esticando a dele para pegar as formigas - tirar prazer disso. Para manter o emprego, equilibro num parágrafo as ordens do manual de redação - exibindo às vezes uma mesóclise de polainas - e já no parágrafo seguinte caio de boca - com o piercing no lábio inferior - no saboreio do último barbarismo ouvido na esquina. Nada a ver com os rigores de um professor de português. O target não é preparar o leitor para a nota mil do Enem, mas meter a língua onde não se foi chamado.

Ela adora uma novidade, mas não é boba. Já enfrentou o gerundismo, o “a nível de”, o prefeito que proibiu usar “sale” nas vitrines, o “atravessamento”, o ministro que traduzia para o tupi-guarani as expressões que chegavam ao gabinete em inglês. Na onda do mundo digital, é natural reciclar palavras que acessem, que resetem, que escaneiem ou zapeiem o novo cotidiano agora online. Algumas logo desaparecem debaixo da risada geral (estartar, por exemplo), outras seguirão, numa nice, para os jobs do dia a dia.

Eu printo, tu printas, quem nunca? Na semana passada, uma amiga me telefonou para contar a última do vocabulário em seu escritório. Na reunião da manhã, o diretor executivo exultava de felicidade, e fez um speech dizendo que “o resultado do benchmark draivou a melhoria do processo” - isso mesmo, no sentido de “to drive” do inglês, o benchmark guiou, dirigiu com sucesso os negócios do escritório. O resto foi o de sempre, e tome deadline, upscaling, asap, trade marketing e foco no cliente.

A propósito. Preciso dizer que quando eu, cliente, finalmente entendi o que a moça na loja do shopping queria dizer com a proposta de “adressar” a compra, eu aquiesci jovial - e me fiz up to date:

“Sim, por favor, adressa, sim”.

(SANTOS, Joaquim Ferreira dos. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/cultura/joaquim-ferreira-dos-santos/coluna/2025/10/quer-adressar-me-perguntou-a-moca.ghtml>.

Assinale a opção em que o elemento formador do vocábulo está correto.
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
4192418 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Marinha

Leia o texto e responda à questão.

Texto I

'Quer adressar?', me perguntou a moça

Dicas para acessar o português moderno e não dar a resposta errada a uma boa proposta

De início, não entendi o verbo cravado no coração da frase e, usando o envelhecer a meu favor, fingindo perda de audição pela idade avançada, pedi graciosamente, por favor, que a moça repetisse.

O cenário era a loja chique de um shopping no Leblon, onde eu negociava com ela, vendedora educadíssima, os últimos detalhes da compra de um produto volumoso que, sem carro, eu não podia levar naquele momento. Foram necessárias três repetições da frase até que - como se falava no tempo do orelhão, quando o português era ouvido por aqui - a ficha caiu:

“Eu posso adressar o produto amanhã cedo para a sua casa?”, era o que perguntava a moça, fazendo-se finalmente entender.

Os neologismos participam da língua, inputam em alguns casos a solução onde antes havia um gap de comunicação. “Adressar’, metabolizado do inglês to address, era endereçar a paciência para um lugar muito distante de qualquer necessidade, mas entendi o approach. A moça queria ostentar na fala o mesmo padrão internacional do shopping. Bastava me remeter (se quisesse falar um português bonito), me despachar (se gostasse de mostrar a chiadeira do sotaque carioca) ou simplesmente me entregar a compra - verbos que seriam imediatamente compreensíveis por qualquer idoso - amanhã cedo. Ri por dentro.

A pureza vernacular não linka com a minha prosa vadia de cronista. A ideia aqui é mexer com a língua, rogar na de Luís de Camões, na de Ana Martins Marques, e - como o tamanduá esticando a dele para pegar as formigas - tirar prazer disso. Para manter o emprego, equilibro num parágrafo as ordens do manual de redação - exibindo às vezes uma mesóclise de polainas - e já no parágrafo seguinte caio de boca - com o piercing no lábio inferior - no saboreio do último barbarismo ouvido na esquina. Nada a ver com os rigores de um professor de português. O target não é preparar o leitor para a nota mil do Enem, mas meter a língua onde não se foi chamado.

Ela adora uma novidade, mas não é boba. Já enfrentou o gerundismo, o “a nível de”, o prefeito que proibiu usar “sale” nas vitrines, o “atravessamento”, o ministro que traduzia para o tupi-guarani as expressões que chegavam ao gabinete em inglês. Na onda do mundo digital, é natural reciclar palavras que acessem, que resetem, que escaneiem ou zapeiem o novo cotidiano agora online. Algumas logo desaparecem debaixo da risada geral (estartar, por exemplo), outras seguirão, numa nice, para os jobs do dia a dia.

Eu printo, tu printas, quem nunca? Na semana passada, uma amiga me telefonou para contar a última do vocabulário em seu escritório. Na reunião da manhã, o diretor executivo exultava de felicidade, e fez um speech dizendo que “o resultado do benchmark draivou a melhoria do processo” - isso mesmo, no sentido de “to drive” do inglês, o benchmark guiou, dirigiu com sucesso os negócios do escritório. O resto foi o de sempre, e tome deadline, upscaling, asap, trade marketing e foco no cliente.

A propósito. Preciso dizer que quando eu, cliente, finalmente entendi o que a moça na loja do shopping queria dizer com a proposta de “adressar” a compra, eu aquiesci jovial - e me fiz up to date:

“Sim, por favor, adressa, sim”.

(SANTOS, Joaquim Ferreira dos. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/cultura/joaquim-ferreira-dos-santos/coluna/2025/10/quer-adressar-me-perguntou-a-moca.ghtml>.

No contexto da crônica, qual a ideia expressa pelo termo “mesóclise de polainas” (§5º)?
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas