Foram encontradas 120 questões.
Analise as seguintes afirmativas sobre as opções disponíveis no grupo “Modos de Exibição” da guia “Exibição” do Microsoft Word, versão português do Office 2013:

Estão CORRETAS as afirmativas:
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Em uma rua do município de “Sempre Viva” existem dez casas. Cinco casas em cada lado. A primeira casa do lado direito tem o número 34. Qual será o número da última casa do lado esquerdo se, de um lado, os números são pares e, do outro, ímpares.
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Os antônimos das palavras destacadas estão corretamente identificados entre parênteses, EXCETO em:
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O meu avô
Mário Prata
Mário Prata
Bem pequeno aprendi a enumerar a caudalosa linhagem de Mários da minha família: "Tenho tataravô Mário, bisavô Mário, avô Mário, pai Mário, tio Mário e primo Mário". Se me perguntavam "Por que tanto Mário?" eu não sabia bem o que responder, era só uma dessas gracinhas que criança decora pra fazer os adultos rirem: "Sei lá, acho que eles gostam de Mário". O Mário de quem eu mais gostava, depois do meu pai, era o meu avô. Vovô Mário era engenheiro mecânico e nos seus tempos áureos projetava locomotivas. Trens de muitas toneladas cruzando o país abarrotados de minério de ferro, soja, cimento e carvão foram sua segunda maior contribuição à humanidade. A primeira contribuição, a que fez de mim o morador mais importante da rua Briaxis, a vila em que morávamos, com vizinhos tocando a campainha de manhã, de tarde e de noite, trazendo amigos, primos e, invariavelmente, uma bola embaixo do braço, era a trave de madeira que meu avô fez e me deu no meu aniversário de oito anos.
A trave ficava no fundo da nossa garagem e era leve o suficiente para ser carregada por dois meninos até o meio da rua. Sobre o carpete agreste de paralelepípedos travávamos peladas épicas que só não entravam pela madrugada porque as mães apareciam nas portas das casas e, uma a uma, inclementes, iam nos convocando para o jantar. Minha mãe, jornalista, estava sempre presa em fechamentos e não poucas vezes eu era o último felizardo a sair. Ficava ali, batendo faltas contra um gol vazio, me achando o Rivelino: no ângulo, no cantinho, rasteira, de bico, de peito, de trivela. Eu tinha oito anos e uma trave de gol, toda minha: duvido que a vida me permita experimentar, novamente, tal plenitude.
Mais tarde, lá pelos onze, entrei numas de aquário e meu avô não me deixou na mão. Num sábado de manhã fomos juntos a uma vidraçaria na rua Tabapuã, onde vi o funcionário cortar o vidro com um bastãozinho de metal e ouvi, boquiaberto, vovô Mário explicar que, na ponta do bastão, havia um pedaço de diamante: "o material mais duro da Terra: indestrutível". Depois fomos a um serralheiro e, sem que eu entendesse por que, compramos metros de cantoneiras de alumínio. Bem, delicadeza não era o forte daquele engenheiro nascido antes do crash de 1929; as cantoneiras foram usadas para reforçar todas as juntas, além da borda superior do aquário, que, com sua "torreifélica" estrutura, ganhou em resistência o que perdeu em visibilidade. Mas quem se importa em ver peixinhos dourados quando se pode contar pros amigos, ao passar pela sala, como quem não quer nada: "fui eu que fiz, junto com o meu avô"?
Aos treze comecei a andar de skate e a rampa só não ficou pronta, pois foi embargada por minha mãe – até hoje não a perdoo por, na calada da noite, de forma antidemocrática, ter salvo a minha vida, ou, pelo menos, alguns ossos.
Ontem, quando a minha lista de "Mários" ficou ligeiramente (imensamente) menor, pensei na sorte que tive. Meu avô era um sujeito duro que entrou no século 21 sem jamais ter abandonado o 19, um pai severo e, no entanto, foi capaz de me dar tanto carinho. Não me refiro a beijos, abraços, cafunés – acho que ele nunca me pegou no colo –, mas a esse carinho antigo, pré baby-boomers, Beatles e Caetano, carinho de homem feito com serras, martelos, pregos, parafusos, madeira e cantoneiras de alumínio. Queria poder ter retribuído à altura, mas infelizmente não soube, tão bem quanto ele, usar minhas ferramentas.
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2017/07/1897748-o-meu-avo.shtml Acesso em: 12 jul. 2017.
O objetivo do texto é
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A ideia expressa pela palavra destacada está corretamente identificada entre parênteses, EXCETO em:
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Em: “[...] outros têm menos probabilidade de desenvolver doenças crônicas [...]”, o verbo ter está acentuado, pois está na 3ª pessoa do plural. O verbo que também segue a mesma regra é
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O meu avô
Mário Prata
Mário Prata
Bem pequeno aprendi a enumerar a caudalosa linhagem de Mários da minha família: "Tenho tataravô Mário, bisavô Mário, avô Mário, pai Mário, tio Mário e primo Mário". Se me perguntavam "Por que tanto Mário?" eu não sabia bem o que responder, era só uma dessas gracinhas que criança decora pra fazer os adultos rirem: "Sei lá, acho que eles gostam de Mário". O Mário de quem eu mais gostava, depois do meu pai, era o meu avô. Vovô Mário era engenheiro mecânico e nos seus tempos áureos projetava locomotivas. Trens de muitas toneladas cruzando o país abarrotados de minério de ferro, soja, cimento e carvão foram sua segunda maior contribuição à humanidade. A primeira contribuição, a que fez de mim o morador mais importante da rua Briaxis, a vila em que morávamos, com vizinhos tocando a campainha de manhã, de tarde e de noite, trazendo amigos, primos e, invariavelmente, uma bola embaixo do braço, era a trave de madeira que meu avô fez e me deu no meu aniversário de oito anos.
A trave ficava no fundo da nossa garagem e era leve o suficiente para ser carregada por dois meninos até o meio da rua. Sobre o carpete agreste de paralelepípedos travávamos peladas épicas que só não entravam pela madrugada porque as mães apareciam nas portas das casas e, uma a uma, inclementes, iam nos convocando para o jantar. Minha mãe, jornalista, estava sempre presa em fechamentos e não poucas vezes eu era o último felizardo a sair. Ficava ali, batendo faltas contra um gol vazio, me achando o Rivelino: no ângulo, no cantinho, rasteira, de bico, de peito, de trivela. Eu tinha oito anos e uma trave de gol, toda minha: duvido que a vida me permita experimentar, novamente, tal plenitude.
Mais tarde, lá pelos onze, entrei numas de aquário e meu avô não me deixou na mão. Num sábado de manhã fomos juntos a uma vidraçaria na rua Tabapuã, onde vi o funcionário cortar o vidro com um bastãozinho de metal e ouvi, boquiaberto, vovô Mário explicar que, na ponta do bastão, havia um pedaço de diamante: "o material mais duro da Terra: indestrutível". Depois fomos a um serralheiro e, sem que eu entendesse por que, compramos metros de cantoneiras de alumínio. Bem, delicadeza não era o forte daquele engenheiro nascido antes do crash de 1929; as cantoneiras foram usadas para reforçar todas as juntas, além da borda superior do aquário, que, com sua "torreifélica" estrutura, ganhou em resistência o que perdeu em visibilidade. Mas quem se importa em ver peixinhos dourados quando se pode contar pros amigos, ao passar pela sala, como quem não quer nada: "fui eu que fiz, junto com o meu avô"?
Aos treze comecei a andar de skate e a rampa só não ficou pronta, pois foi embargada por minha mãe – até hoje não a perdoo por, na calada da noite, de forma antidemocrática, ter salvo a minha vida, ou, pelo menos, alguns ossos.
Ontem, quando a minha lista de "Mários" ficou ligeiramente (imensamente) menor, pensei na sorte que tive. Meu avô era um sujeito duro que entrou no século 21 sem jamais ter abandonado o 19, um pai severo e, no entanto, foi capaz de me dar tanto carinho. Não me refiro a beijos, abraços, cafunés – acho que ele nunca me pegou no colo –, mas a esse carinho antigo, pré baby-boomers, Beatles e Caetano, carinho de homem feito com serras, martelos, pregos, parafusos, madeira e cantoneiras de alumínio. Queria poder ter retribuído à altura, mas infelizmente não soube, tão bem quanto ele, usar minhas ferramentas.
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2017/07/1897748-o-meu-avo.shtml Acesso em: 12 jul. 2017.
Todas as constatações abaixo podem ser feitas em relação ao texto, EXCETO:
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O meu avô
Mário Prata
Mário Prata
Bem pequeno aprendi a enumerar a caudalosa linhagem de Mários da minha família: "Tenho tataravô Mário, bisavô Mário, avô Mário, pai Mário, tio Mário e primo Mário". Se me perguntavam "Por que tanto Mário?" eu não sabia bem o que responder, era só uma dessas gracinhas que criança decora pra fazer os adultos rirem: "Sei lá, acho que eles gostam de Mário". O Mário de quem eu mais gostava, depois do meu pai, era o meu avô. Vovô Mário era engenheiro mecânico e nos seus tempos áureos projetava locomotivas. Trens de muitas toneladas cruzando o país abarrotados de minério de ferro, soja, cimento e carvão foram sua segunda maior contribuição à humanidade. A primeira contribuição, a que fez de mim o morador mais importante da rua Briaxis, a vila em que morávamos, com vizinhos tocando a campainha de manhã, de tarde e de noite, trazendo amigos, primos e, invariavelmente, uma bola embaixo do braço, era a trave de madeira que meu avô fez e me deu no meu aniversário de oito anos.
A trave ficava no fundo da nossa garagem e era leve o suficiente para ser carregada por dois meninos até o meio da rua. Sobre o carpete agreste de paralelepípedos travávamos peladas épicas que só não entravam pela madrugada porque as mães apareciam nas portas das casas e, uma a uma, inclementes, iam nos convocando para o jantar. Minha mãe, jornalista, estava sempre presa em fechamentos e não poucas vezes eu era o último felizardo a sair. Ficava ali, batendo faltas contra um gol vazio, me achando o Rivelino: no ângulo, no cantinho, rasteira, de bico, de peito, de trivela. Eu tinha oito anos e uma trave de gol, toda minha: duvido que a vida me permita experimentar, novamente, tal plenitude.
Mais tarde, lá pelos onze, entrei numas de aquário e meu avô não me deixou na mão. Num sábado de manhã fomos juntos a uma vidraçaria na rua Tabapuã, onde vi o funcionário cortar o vidro com um bastãozinho de metal e ouvi, boquiaberto, vovô Mário explicar que, na ponta do bastão, havia um pedaço de diamante: "o material mais duro da Terra: indestrutível". Depois fomos a um serralheiro e, sem que eu entendesse por que, compramos metros de cantoneiras de alumínio. Bem, delicadeza não era o forte daquele engenheiro nascido antes do crash de 1929; as cantoneiras foram usadas para reforçar todas as juntas, além da borda superior do aquário, que, com sua "torreifélica" estrutura, ganhou em resistência o que perdeu em visibilidade. Mas quem se importa em ver peixinhos dourados quando se pode contar pros amigos, ao passar pela sala, como quem não quer nada: "fui eu que fiz, junto com o meu avô"?
Aos treze comecei a andar de skate e a rampa só não ficou pronta, pois foi embargada por minha mãe – até hoje não a perdoo por, na calada da noite, de forma antidemocrática, ter salvo a minha vida, ou, pelo menos, alguns ossos.
Ontem, quando a minha lista de "Mários" ficou ligeiramente (imensamente) menor, pensei na sorte que tive. Meu avô era um sujeito duro que entrou no século 21 sem jamais ter abandonado o 19, um pai severo e, no entanto, foi capaz de me dar tanto carinho. Não me refiro a beijos, abraços, cafunés – acho que ele nunca me pegou no colo –, mas a esse carinho antigo, pré baby-boomers, Beatles e Caetano, carinho de homem feito com serras, martelos, pregos, parafusos, madeira e cantoneiras de alumínio. Queria poder ter retribuído à altura, mas infelizmente não soube, tão bem quanto ele, usar minhas ferramentas.
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2017/07/1897748-o-meu-avo.shtml Acesso em: 12 jul. 2017.
Todas as palavras em destaque estão corretamente interpretadas entre parênteses, EXCETO em:
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Questão presente nas seguintes provas
O meu avô
Mário Prata
Bem pequeno aprendi a enumerar a caudalosa linhagem de Mários da minha família: "Tenho tataravô Mário, bisavô Mário, avô Mário, pai Mário, tio Mário e primo Mário". Se me perguntavam "Por que tanto Mário?" eu não sabia bem o que responder, era só uma dessas gracinhas que criança decora pra fazer os adultos rirem: "Sei lá, acho que eles gostam de Mário". O Mário de quem eu mais gostava, depois do meu pai, era o meu avô. Vovô Mário era engenheiro mecânico e nos seus tempos áureos projetava locomotivas. Trens de muitas toneladas cruzando o país abarrotados de minério de ferro, soja, cimento e carvão foram sua segunda maior contribuição à humanidade. A primeira contribuição, a que fez de mim o morador mais importante da rua Briaxis, a vila em que morávamos, com vizinhos tocando a campainha de manhã, de tarde e de noite, trazendo amigos, primos e, invariavelmente, uma bola embaixo do braço, era a trave de madeira que meu avô fez e me deu no meu aniversário de oito anos.
A trave ficava no fundo da nossa garagem e era leve o suficiente para ser carregada por dois meninos até o meio da rua. Sobre o carpete agreste de paralelepípedos travávamos peladas épicas que só não entravam pela madrugada porque as mães apareciam nas portas das casas e, uma a uma, inclementes, iam nos convocando para o jantar. Minha mãe, jornalista, estava sempre presa em fechamentos e não poucas vezes eu era o último felizardo a sair. Ficava ali, batendo faltas contra um gol vazio, me achando o Rivelino: no ângulo, no cantinho, rasteira, de bico, de peito, de trivela. Eu tinha oito anos e uma trave de gol, toda minha: duvido que a vida me permita experimentar, novamente, tal plenitude.
Mais tarde, lá pelos onze, entrei numas de aquário e meu avô não me deixou na mão. Num sábado de manhã fomos juntos a uma vidraçaria na rua Tabapuã, onde vi o funcionário cortar o vidro com um bastãozinho de metal e ouvi, boquiaberto, vovô Mário explicar que, na ponta do bastão, havia um pedaço de diamante: "o material mais duro da Terra: indestrutível". Depois fomos a um serralheiro e, sem que eu entendesse por que, compramos metros de cantoneiras de alumínio. Bem, delicadeza não era o forte daquele engenheiro nascido antes do crash de 1929; as cantoneiras foram usadas para reforçar todas as juntas, além da borda superior do aquário, que, com sua "torreifélica" estrutura, ganhou em resistência o que perdeu em visibilidade. Mas quem se importa em ver peixinhos dourados quando se pode contar pros amigos, ao passar pela sala, como quem não quer nada: "fui eu que fiz, junto com o meu avô"?
Aos treze comecei a andar de skate e a rampa só não ficou pronta, pois foi embargada por minha mãe – até hoje não a perdoo por, na calada da noite, de forma antidemocrática, ter salvo a minha vida, ou, pelo menos, alguns ossos.
Ontem, quando a minha lista de "Mários" ficou ligeiramente (imensamente) menor, pensei na sorte que tive. Meu avô era um sujeito duro que entrou no século 21 sem jamais ter abandonado o 19, um pai severo e, no entanto, foi capaz de me dar tanto carinho. Não me refiro a beijos, abraços, cafunés – acho que ele nunca me pegou no colo –, mas a esse carinho antigo, pré baby-boomers, Beatles e Caetano, carinho de homem feito com serras, martelos, pregos, parafusos, madeira e cantoneiras de alumínio. Queria poder ter retribuído à altura, mas infelizmente não soube, tão bem quanto ele, usar minhas ferramentas.
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2017/07/1897748-o-meu-avo.shtml Acesso em: 12 jul. 2017.
O tempo dos verbos destacados está corretamente identificado entre parênteses, EXCETO em:
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O meu avô
Mário Prata
Mário Prata
Bem pequeno aprendi a enumerar a caudalosa linhagem de Mários da minha família: "Tenho tataravô Mário, bisavô Mário, avô Mário, pai Mário, tio Mário e primo Mário". Se me perguntavam "Por que tanto Mário?" eu não sabia bem o que responder, era só uma dessas gracinhas que criança decora pra fazer os adultos rirem: "Sei lá, acho que eles gostam de Mário". O Mário de quem eu mais gostava, depois do meu pai, era o meu avô. Vovô Mário era engenheiro mecânico e nos seus tempos áureos projetava locomotivas. Trens de muitas toneladas cruzando o país abarrotados de minério de ferro, soja, cimento e carvão foram sua segunda maior contribuição à humanidade. A primeira contribuição, a que fez de mim o morador mais importante da rua Briaxis, a vila em que morávamos, com vizinhos tocando a campainha de manhã, de tarde e de noite, trazendo amigos, primos e, invariavelmente, uma bola embaixo do braço, era a trave de madeira que meu avô fez e me deu no meu aniversário de oito anos.
A trave ficava no fundo da nossa garagem e era leve o suficiente para ser carregada por dois meninos até o meio da rua. Sobre o carpete agreste de paralelepípedos travávamos peladas épicas que só não entravam pela madrugada porque as mães apareciam nas portas das casas e, uma a uma, inclementes, iam nos convocando para o jantar. Minha mãe, jornalista, estava sempre presa em fechamentos e não poucas vezes eu era o último felizardo a sair. Ficava ali, batendo faltas contra um gol vazio, me achando o Rivelino: no ângulo, no cantinho, rasteira, de bico, de peito, de trivela. Eu tinha oito anos e uma trave de gol, toda minha: duvido que a vida me permita experimentar, novamente, tal plenitude.
Mais tarde, lá pelos onze, entrei numas de aquário e meu avô não me deixou na mão. Num sábado de manhã fomos juntos a uma vidraçaria na rua Tabapuã, onde vi o funcionário cortar o vidro com um bastãozinho de metal e ouvi, boquiaberto, vovô Mário explicar que, na ponta do bastão, havia um pedaço de diamante: "o material mais duro da Terra: indestrutível". Depois fomos a um serralheiro e, sem que eu entendesse por que, compramos metros de cantoneiras de alumínio. Bem, delicadeza não era o forte daquele engenheiro nascido antes do crash de 1929; as cantoneiras foram usadas para reforçar todas as juntas, além da borda superior do aquário, que, com sua "torreifélica" estrutura, ganhou em resistência o que perdeu em visibilidade. Mas quem se importa em ver peixinhos dourados quando se pode contar pros amigos, ao passar pela sala, como quem não quer nada: "fui eu que fiz, junto com o meu avô"?
Aos treze comecei a andar de skate e a rampa só não ficou pronta, pois foi embargada por minha mãe – até hoje não a perdoo por, na calada da noite, de forma antidemocrática, ter salvo a minha vida, ou, pelo menos, alguns ossos.
Ontem, quando a minha lista de "Mários" ficou ligeiramente (imensamente) menor, pensei na sorte que tive. Meu avô era um sujeito duro que entrou no século 21 sem jamais ter abandonado o 19, um pai severo e, no entanto, foi capaz de me dar tanto carinho. Não me refiro a beijos, abraços, cafunés – acho que ele nunca me pegou no colo –, mas a esse carinho antigo, pré baby-boomers, Beatles e Caetano, carinho de homem feito com serras, martelos, pregos, parafusos, madeira e cantoneiras de alumínio. Queria poder ter retribuído à altura, mas infelizmente não soube, tão bem quanto ele, usar minhas ferramentas.
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2017/07/1897748-o-meu-avo.shtml Acesso em: 12 jul. 2017.
“Meu avô era um sujeito duro que entrou no século 21 sem jamais ter abandonado o 19, um pai severo e, no entanto, foi capaz de me dar tanto carinho.” A MELHOR interpretação para o trecho é:
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