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146371 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: CEFET-RJ
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Febre de liquidação

Passo em frente da vitrine. Observo um paletó

quadriculado, uma calça preta e duas camisas polo,

devidamente acompanhados de um cartaz discreto

anunciando a “remarcação”. Fujo apressadamente

pelos labirintos do shopping. Tarde demais, fui fisga-

do. Mal atinjo as escadas rolantes, inicio o caminho

de volta. O coração badala como um sino. A respi-

ração ofegante. São os primeiros sintomas da febre

por liquidação, que me ataca cada vez que vejo uma

vitrine com promessas sedutoras.

Atravesso as portas da loja, farejo em torno, com

o mesmo entusiasmo de um leão vendo criancinhas

em um safári. No primeiro momento, tenho a impres-

são de que entrei numa estação de metrô. A febre já

atingiu a multidão. Os vendedores, cercados, pare-

cem astros da Globo envoltos pelos fãs. Dou duas co-

toveladas em um dos rapazes com ar de executivos

e peço o tal paletó. O funcionário explica que só tem

determinado número. Minto:

— Acho que é o meu.

Ele me observa, incrédulo. É dois algarismos

menor, mas quem sabe? Acho que emagreci 1

gramas na última semana. Experimento. Não fecha.

Respiro fundo e abotoo. Assim devem ter se sentido

as mulheres com espartilho. Gemo, quase sem voz:

— Está um pouquinho apertado.

— É o maior que temos — diz, cruel.

Decido. Vou levar, apesar da barriga encolhida.

O vendedor arregala os olhos. Explico:

— Estou fazendo regime. No ano que vem vai

caber direitinho.

De qualquer maneira, só poderia usá-lo no pró-

ximo inverno. É de lã pesada, e está fazendo o maior

calor. Só de experimentar fiquei suando. [...]

Concordo que fui precipitado em comprar uma

roupa para quando estiver magro, só para aproveitar

o preço. Meu regime dura oito anos, sem resultados

visíveis.

Desabafo com uma amiga naturalista, que vive

apregoando um modo de vida mais simples, sem

muitas posses. Ela me aconselha: Não compre mais

nada. Resista. Aprendi muito quando passei a viver

apenas com o necessário. Revela, com ar culpado:

— Sabe, na minha fase consumista, juntei roupa

para 150 anos.

Sorrio, solidário. Ela pergunta, por mera curiosi-

dade, os preços da loja. Também pede o endereço.

Mais tarde a descubro no shopping, mergulhada na

arara das blusas de lã. Febre de liquidação é pior que

gripe, dá até recaída. Com um detalhe: a gente gasta,

gasta, e ainda acha que levou vantagem.

CARRASCO, W. O golpe do aniversariante e outras crônicas. In: Para Gostar de Ler. São Paulo: Ática, 2005. v.20, p. 60-63.

No primeiro parágrafo do Texto I, o autor descreve o momento em que o personagem sente que não há mais como voltar atrás e evitar a sua entrada em uma das lojas do shopping.

O trecho que descreve esse momento é:
 

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146366 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: CEFET-RJ
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Febre de liquidação

Passo em frente da vitrine. Observo um paletó

quadriculado, uma calça preta e duas camisas polo,

devidamente acompanhados de um cartaz discreto

anunciando a “remarcação”. Fujo apressadamente

pelos labirintos do shopping. Tarde demais, fui fisga-

do. Mal atinjo as escadas rolantes, inicio o caminho

de volta. O coração badala como um sino. A respi-

ração ofegante. São os primeiros sintomas da febre

por liquidação, que me ataca cada vez que vejo uma

vitrine com promessas sedutoras.

Atravesso as portas da loja, farejo em torno, com

o mesmo entusiasmo de um leão vendo criancinhas

em um safári. No primeiro momento, tenho a impres-

são de que entrei numa estação de metrô. A febre já

atingiu a multidão. Os vendedores, cercados, pare-

cem astros da Globo envoltos pelos fãs. Dou duas co-

toveladas em um dos rapazes com ar de executivos

e peço o tal paletó. O funcionário explica que só tem

determinado número. Minto:

— Acho que é o meu.

Ele me observa, incrédulo. É dois algarismos

menor, mas quem sabe? Acho que emagreci 1

gramas na última semana. Experimento. Não fecha.

Respiro fundo e abotoo. Assim devem ter se sentido

as mulheres com espartilho. Gemo, quase sem voz:

— Está um pouquinho apertado.

— É o maior que temos — diz, cruel.

Decido. Vou levar, apesar da barriga encolhida.

O vendedor arregala os olhos. Explico:

— Estou fazendo regime. No ano que vem vai

caber direitinho.

De qualquer maneira, só poderia usá-lo no pró-

ximo inverno. É de lã pesada, e está fazendo o maior

calor. Só de experimentar fiquei suando. [...]

Concordo que fui precipitado em comprar uma

roupa para quando estiver magro, só para aproveitar

o preço. Meu regime dura oito anos, sem resultados

visíveis.

Desabafo com uma amiga naturalista, que vive

apregoando um modo de vida mais simples, sem

muitas posses. Ela me aconselha: Não compre mais

nada. Resista. Aprendi muito quando passei a viver

apenas com o necessário. Revela, com ar culpado:

— Sabe, na minha fase consumista, juntei roupa

para 150 anos.

Sorrio, solidário. Ela pergunta, por mera curiosi-

dade, os preços da loja. Também pede o endereço.

Mais tarde a descubro no shopping, mergulhada na

arara das blusas de lã. Febre de liquidação é pior que

gripe, dá até recaída. Com um detalhe: a gente gasta,

gasta, e ainda acha que levou vantagem.

CARRASCO, W. O golpe do aniversariante e outras crônicas. In: Para Gostar de Ler. São Paulo: Ática, 2005. v.20, p. 60-63.

No trecho do Texto I “Observo um paletó quadriculado, uma calça preta e duas camisas polo” (L. 1-2), a vírgula foi utilizada para
 

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146365 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: CEFET-RJ
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Febre de liquidação

Passo em frente da vitrine. Observo um paletó

quadriculado, uma calça preta e duas camisas polo,

devidamente acompanhados de um cartaz discreto

anunciando a “remarcação”. Fujo apressadamente

pelos labirintos do shopping. Tarde demais, fui fisga-

do. Mal atinjo as escadas rolantes, inicio o caminho

de volta. O coração badala como um sino. A respi-

ração ofegante. São os primeiros sintomas da febre

por liquidação, que me ataca cada vez que vejo uma

vitrine com promessas sedutoras.

Atravesso as portas da loja, farejo em torno, com

o mesmo entusiasmo de um leão vendo criancinhas

em um safári. No primeiro momento, tenho a impres-

são de que entrei numa estação de metrô. A febre já

atingiu a multidão. Os vendedores, cercados, pare-

cem astros da Globo envoltos pelos fãs. Dou duas co-

toveladas em um dos rapazes com ar de executivos

e peço o tal paletó. O funcionário explica que só tem

determinado número. Minto:

— Acho que é o meu.

Ele me observa, incrédulo. É dois algarismos

menor, mas quem sabe? Acho que emagreci 1

gramas na última semana. Experimento. Não fecha.

Respiro fundo e abotoo. Assim devem ter se sentido

as mulheres com espartilho. Gemo, quase sem voz:

— Está um pouquinho apertado.

— É o maior que temos — diz, cruel.

Decido. Vou levar, apesar da barriga encolhida.

O vendedor arregala os olhos. Explico:

— Estou fazendo regime. No ano que vem vai

caber direitinho.

De qualquer maneira, só poderia usá-lo no pró-

ximo inverno. É de lã pesada, e está fazendo o maior

calor. Só de experimentar fiquei suando. [...]

Concordo que fui precipitado em comprar uma

roupa para quando estiver magro, só para aproveitar

o preço. Meu regime dura oito anos, sem resultados

visíveis.

Desabafo com uma amiga naturalista, que vive

apregoando um modo de vida mais simples, sem

muitas posses. Ela me aconselha: Não compre mais

nada. Resista. Aprendi muito quando passei a viver

apenas com o necessário. Revela, com ar culpado:

— Sabe, na minha fase consumista, juntei roupa

para 150 anos.

Sorrio, solidário. Ela pergunta, por mera curiosi-

dade, os preços da loja. Também pede o endereço.

Mais tarde a descubro no shopping, mergulhada na

arara das blusas de lã. Febre de liquidação é pior que

gripe, dá até recaída. Com um detalhe: a gente gasta,

gasta, e ainda acha que levou vantagem.

CARRASCO, W. O golpe do aniversariante e outras crônicas. In: Para Gostar de Ler. São Paulo: Ática, 2005. v.20, p. 60-63.

Em “só poderia usá-lo no próximo inverno” (L. 32-33), no Texto I, o pronome em destaque refere-se à(ao)
 

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146360 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: CEFET-RJ
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Enunciado 146360-1
A palavra destacada está grafada e empregada de acordo com a norma-padrão em:
 

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146356 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: CEFET-RJ
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Febre de liquidação

Passo em frente da vitrine. Observo um paletó

quadriculado, uma calça preta e duas camisas polo,

devidamente acompanhados de um cartaz discreto

anunciando a “remarcação”. Fujo apressadamente

pelos labirintos do shopping. Tarde demais, fui fisga-

do. Mal atinjo as escadas rolantes, inicio o caminho

de volta. O coração badala como um sino. A respi-

ração ofegante. São os primeiros sintomas da febre

por liquidação, que me ataca cada vez que vejo uma

vitrine com promessas sedutoras.

Atravesso as portas da loja, farejo em torno, com

o mesmo entusiasmo de um leão vendo criancinhas

em um safári. No primeiro momento, tenho a impres-

são de que entrei numa estação de metrô. A febre já

atingiu a multidão. Os vendedores, cercados, pare-

cem astros da Globo envoltos pelos fãs. Dou duas co-

toveladas em um dos rapazes com ar de executivos

e peço o tal paletó. O funcionário explica que só tem

determinado número. Minto:

— Acho que é o meu.

Ele me observa, incrédulo. É dois algarismos

menor, mas quem sabe? Acho que emagreci 1

gramas na última semana. Experimento. Não fecha.

Respiro fundo e abotoo. Assim devem ter se sentido

as mulheres com espartilho. Gemo, quase sem voz:

— Está um pouquinho apertado.

— É o maior que temos — diz, cruel.

Decido. Vou levar, apesar da barriga encolhida.

O vendedor arregala os olhos. Explico:

— Estou fazendo regime. No ano que vem vai

caber direitinho.

De qualquer maneira, só poderia usá-lo no pró-

ximo inverno. É de lã pesada, e está fazendo o maior

calor. Só de experimentar fiquei suando. [...]

Concordo que fui precipitado em comprar uma

roupa para quando estiver magro, só para aproveitar

o preço. Meu regime dura oito anos, sem resultados

visíveis.

Desabafo com uma amiga naturalista, que vive

apregoando um modo de vida mais simples, sem

muitas posses. Ela me aconselha: Não compre mais

nada. Resista. Aprendi muito quando passei a viver

apenas com o necessário. Revela, com ar culpado:

— Sabe, na minha fase consumista, juntei roupa

para 150 anos.

Sorrio, solidário. Ela pergunta, por mera curiosi-

dade, os preços da loja. Também pede o endereço.

Mais tarde a descubro no shopping, mergulhada na

arara das blusas de lã. Febre de liquidação é pior que

gripe, dá até recaída. Com um detalhe: a gente gasta,

gasta, e ainda acha que levou vantagem.

CARRASCO, W. O golpe do aniversariante e outras crônicas. In: Para Gostar de Ler. São Paulo: Ática, 2005. v.20, p. 60-63.

No trecho do Texto I “Vou levar [o paletó], apesar da barriga encolhida” (L. 28), observa-se, entre as duas orações que o compõem, uma relação de concessão entre as informações, marcada pela palavra destacada.

Em qual dos períodos a reescritura desse trecho mantém o mesmo sentido?
 

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146355 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: CEFET-RJ
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Febre de liquidação

Passo em frente da vitrine. Observo um paletó

quadriculado, uma calça preta e duas camisas polo,

devidamente acompanhados de um cartaz discreto

anunciando a “remarcação”. Fujo apressadamente

pelos labirintos do shopping. Tarde demais, fui fisga-

do. Mal atinjo as escadas rolantes, inicio o caminho

de volta. O coração badala como um sino. A respi-

ração ofegante. São os primeiros sintomas da febre

por liquidação, que me ataca cada vez que vejo uma

vitrine com promessas sedutoras.

Atravesso as portas da loja, farejo em torno, com

o mesmo entusiasmo de um leão vendo criancinhas

em um safári. No primeiro momento, tenho a impres-

são de que entrei numa estação de metrô. A febre já

atingiu a multidão. Os vendedores, cercados, pare-

cem astros da Globo envoltos pelos fãs. Dou duas co-

toveladas em um dos rapazes com ar de executivos

e peço o tal paletó. O funcionário explica que só tem

determinado número. Minto:

— Acho que é o meu.

Ele me observa, incrédulo. É dois algarismos

menor, mas quem sabe? Acho que emagreci 1

gramas na última semana. Experimento. Não fecha.

Respiro fundo e abotoo. Assim devem ter se sentido

as mulheres com espartilho. Gemo, quase sem voz:

— Está um pouquinho apertado.

— É o maior que temos — diz, cruel.

Decido. Vou levar, apesar da barriga encolhida.

O vendedor arregala os olhos. Explico:

— Estou fazendo regime. No ano que vem vai

caber direitinho.

De qualquer maneira, só poderia usá-lo no pró-

ximo inverno. É de lã pesada, e está fazendo o maior

calor. Só de experimentar fiquei suando. [...]

Concordo que fui precipitado em comprar uma

roupa para quando estiver magro, só para aproveitar

o preço. Meu regime dura oito anos, sem resultados

visíveis.

Desabafo com uma amiga naturalista, que vive

apregoando um modo de vida mais simples, sem

muitas posses. Ela me aconselha: Não compre mais

nada. Resista. Aprendi muito quando passei a viver

apenas com o necessário. Revela, com ar culpado:

— Sabe, na minha fase consumista, juntei roupa

para 150 anos.

Sorrio, solidário. Ela pergunta, por mera curiosi-

dade, os preços da loja. Também pede o endereço.

Mais tarde a descubro no shopping, mergulhada na

arara das blusas de lã. Febre de liquidação é pior que

gripe, dá até recaída. Com um detalhe: a gente gasta,

gasta, e ainda acha que levou vantagem.

CARRASCO, W. O golpe do aniversariante e outras crônicas. In: Para Gostar de Ler. São Paulo: Ática, 2005. v.20, p. 60-63.

No trecho do Texto I “ de experimentar fiquei suando” (L. 34), a palavra destacada tem o mesmo sentido em:
 

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146349 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: CEFET-RJ
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Febre de liquidação

Passo em frente da vitrine. Observo um paletó

quadriculado, uma calça preta e duas camisas polo,

devidamente acompanhados de um cartaz discreto

anunciando a “remarcação”. Fujo apressadamente

pelos labirintos do shopping. Tarde demais, fui fisga-

do. Mal atinjo as escadas rolantes, inicio o caminho

de volta. O coração badala como um sino. A respi-

ração ofegante. São os primeiros sintomas da febre

por liquidação, que me ataca cada vez que vejo uma

vitrine com promessas sedutoras.

Atravesso as portas da loja, farejo em torno, com

o mesmo entusiasmo de um leão vendo criancinhas

em um safári. No primeiro momento, tenho a impres-

são de que entrei numa estação de metrô. A febre já

atingiu a multidão. Os vendedores, cercados, pare-

cem astros da Globo envoltos pelos fãs. Dou duas co-

toveladas em um dos rapazes com ar de executivos

e peço o tal paletó. O funcionário explica que só tem

determinado número. Minto:

— Acho que é o meu.

Ele me observa, incrédulo. É dois algarismos

menor, mas quem sabe? Acho que emagreci 1

gramas na última semana. Experimento. Não fecha.

Respiro fundo e abotoo. Assim devem ter se sentido

as mulheres com espartilho. Gemo, quase sem voz:

— Está um pouquinho apertado.

— É o maior que temos — diz, cruel.

Decido. Vou levar, apesar da barriga encolhida.

O vendedor arregala os olhos. Explico:

— Estou fazendo regime. No ano que vem vai

caber direitinho.

De qualquer maneira, só poderia usá-lo no pró-

ximo inverno. É de lã pesada, e está fazendo o maior

calor. Só de experimentar fiquei suando. [...]

Concordo que fui precipitado em comprar uma

roupa para quando estiver magro, só para aproveitar

o preço. Meu regime dura oito anos, sem resultados

visíveis.

Desabafo com uma amiga naturalista, que vive

apregoando um modo de vida mais simples, sem

muitas posses. Ela me aconselha: Não compre mais

nada. Resista. Aprendi muito quando passei a viver

apenas com o necessário. Revela, com ar culpado:

— Sabe, na minha fase consumista, juntei roupa

para 150 anos.

Sorrio, solidário. Ela pergunta, por mera curiosi-

dade, os preços da loja. Também pede o endereço.

Mais tarde a descubro no shopping, mergulhada na

arara das blusas de lã. Febre de liquidação é pior que

gripe, dá até recaída. Com um detalhe: a gente gasta,

gasta, e ainda acha que levou vantagem.

CARRASCO, W. O golpe do aniversariante e outras crônicas. In: Para Gostar de Ler. São Paulo: Ática, 2005. v.20, p. 60-63.

No Texto I, em “Ele me observa, incrédulo” (L. 21), a palavra que substitui o termo destacado, sem haver alteração de sentido, é
 

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146347 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: CEFET-RJ
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Enunciado 146347-1
No trecho do Texto II “Por mais que compremos, estamos sempre nus” (. 11-12), as formas verbais em destaque referem-se à 1º pessoa do plural.

Se fossem substituídas pela 1º pessoa do singular, mantendo-se o tempo verbal original, como ficaria a frase?
 

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146342 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: CEFET-RJ
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Febre de liquidação

Passo em frente da vitrine. Observo um paletó

quadriculado, uma calça preta e duas camisas polo,

devidamente acompanhados de um cartaz discreto

anunciando a “remarcação”. Fujo apressadamente

pelos labirintos do shopping. Tarde demais, fui fisga-

do. Mal atinjo as escadas rolantes, inicio o caminho

de volta. O coração badala como um sino. A respi-

ração ofegante. São os primeiros sintomas da febre

por liquidação, que me ataca cada vez que vejo uma

vitrine com promessas sedutoras.

Atravesso as portas da loja, farejo em torno, com

o mesmo entusiasmo de um leão vendo criancinhas

em um safári. No primeiro momento, tenho a impres-

são de que entrei numa estação de metrô. A febre já

atingiu a multidão. Os vendedores, cercados, pare-

cem astros da Globo envoltos pelos fãs. Dou duas co-

toveladas em um dos rapazes com ar de executivos

e peço o tal paletó. O funcionário explica que só tem

determinado número. Minto:

— Acho que é o meu.

Ele me observa, incrédulo. É dois algarismos

menor, mas quem sabe? Acho que emagreci 1

gramas na última semana. Experimento. Não fecha.

Respiro fundo e abotoo. Assim devem ter se sentido

as mulheres com espartilho. Gemo, quase sem voz:

— Está um pouquinho apertado.

— É o maior que temos — diz, cruel.

Decido. Vou levar, apesar da barriga encolhida.

O vendedor arregala os olhos. Explico:

— Estou fazendo regime. No ano que vem vai

caber direitinho.

De qualquer maneira, só poderia usá-lo no pró-

ximo inverno. É de lã pesada, e está fazendo o maior

calor. Só de experimentar fiquei suando. [...]

Concordo que fui precipitado em comprar uma

roupa para quando estiver magro, só para aproveitar

o preço. Meu regime dura oito anos, sem resultados

visíveis.

Desabafo com uma amiga naturalista, que vive

apregoando um modo de vida mais simples, sem

muitas posses. Ela me aconselha: Não compre mais

nada. Resista. Aprendi muito quando passei a viver

apenas com o necessário. Revela, com ar culpado:

— Sabe, na minha fase consumista, juntei roupa

para 150 anos.

Sorrio, solidário. Ela pergunta, por mera curiosi-

dade, os preços da loja. Também pede o endereço.

Mais tarde a descubro no shopping, mergulhada na

arara das blusas de lã. Febre de liquidação é pior que

gripe, dá até recaída. Com um detalhe: a gente gasta,

gasta, e ainda acha que levou vantagem.

CARRASCO, W. O golpe do aniversariante e outras crônicas. In: Para Gostar de Ler. São Paulo: Ática, 2005. v.20, p. 60-63.

No trecho do Texto I “tenho a impressão de que entrei numa estação de metrô”. (L. 13-14), a palavra em destaque é acentuada graficamente segundo a mesma regra que a palavra
 

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146547 Ano: 2014
Disciplina: Redação Oficial
Banca: CESGRANRIO
Orgão: CEFET-RJ
Provas:
O texto abaixo é o extrato do rascunho de um memorando que um diretor pretende mandar aos chefes de departamento. Considere-o para responder

Aos Chefes de Departamento

 

Assunto: Férias dos funcionários

 

Nos termos do Plano Anual de Administração, venho

solicitar a Vossas Excelências que verifiquem a

possibilidade de organizar as férias dos funcionários,

no período das férias discentes, de modo que

cada seção permaneçam com, pelo menos, dois

funcionários para atendimento das respectivas

responsabilidades e/ou ações. Acrescento, ainda,

que o ideal seria que ficassem três funcionários.

Assim, peço-lhes que observem a distribuição das

férias para o bom andamento do serviço

O fecho adequado para o memorando acima, em que há uma relação diretor/subordinados, é o seguinte:
Questão Anulada

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