Magna Concursos

Foram encontradas 365 questões.

3177764 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: Avança SP
Orgão: Câm. Americana-SP
Provas:

Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 10.

O menino e o passarinho

Se essa história é difícil de acreditar é porque ela se passa na terra do Faz de Conta, onde passarinho fala. Foi o que o menino descobriu, quando ouviu o passarinho dizer — por nenhuma razão, só para implicar com ele:

— Passarinho é melhor do que gente. Depois de se recuperar do susto, o menino perguntou:

— Como assim?

— Para começar — disse o passarinho — nós somos mais bonitos. Olhe essa plumagem. Olhe essa combinação de cores em dégradé.

— Nós também somos bonitos — disse o menino.

— São nada.

— Olhe essa camisa cor de abóbora.

Essas calças roxas...

— Que sua mãe comprou para você. A minha beleza nasceu comigo. Eu sou bonito de graça!

Enquanto o menino pensava numa resposta, o passarinho continuou:

— Vocês sabem voar? Nós sabemos.

— Nós também sabemos.

— Sabem nada.

— Temos aviões que nos levam para qualquer lugar. Atravessamos oceanos. Chegamos mais alto do que qualquer passarinho chegou. Já chegamos à Lua!

— Para voar em avião precisa comprar passagem. Entrar na fila do check-in. Despachar a bagagem, que pode se extraviar. E para ir mais longe do que qualquer passarinho já foi, precisam de foguetes e programas espaciais caros. Nós, para voar, só precisamos abrir as asas.

— Sim, certo, mas...

— Você já viu alguma coisa mais linda do que uma revoada de pássaros ao anoitecer? Não existe espetáculo sequer parecido, na Terra.

O menino pensou num desfile de escola de samba, mas decidiu não dizer nada. O passarinho tinha claramente vencido a discussão. Faltava só um golpe de misericórdia, para liquidar com o menino.

— E além de tudo, eu canto — disse o passarinho.

— Eu também — disse o menino.

— Canta nada. Ouça.

E o passarinho começou a assoviar. Uma única frase, várias vezes. E o menino pediu:

— Canta outra.

— Como, outra? Esse é o meu canto.

E o menino começou a assoviar todas as músicas que conhecia, de Jorge Ben Jor à Marselhesa. E o passarinho se afastou, lentamente, cabisbaixo, derrotado e pensando:

— É, preciso variar meu repertório…

VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

A princípio, os posicionamentos do passarinho permitem concluir que ele:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3177763 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: Avança SP
Orgão: Câm. Americana-SP
Provas:

Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 10.

O menino e o passarinho

Se essa história é difícil de acreditar é porque ela se passa na terra do Faz de Conta, onde passarinho fala. Foi o que o menino descobriu, quando ouviu o passarinho dizer — por nenhuma razão, só para implicar com ele:

— Passarinho é melhor do que gente. Depois de se recuperar do susto, o menino perguntou:

— Como assim?

— Para começar — disse o passarinho — nós somos mais bonitos. Olhe essa plumagem. Olhe essa combinação de cores em dégradé.

— Nós também somos bonitos — disse o menino.

— São nada.

— Olhe essa camisa cor de abóbora.

Essas calças roxas...

— Que sua mãe comprou para você. A minha beleza nasceu comigo. Eu sou bonito de graça!

Enquanto o menino pensava numa resposta, o passarinho continuou:

— Vocês sabem voar? Nós sabemos.

— Nós também sabemos.

— Sabem nada.

— Temos aviões que nos levam para qualquer lugar. Atravessamos oceanos. Chegamos mais alto do que qualquer passarinho chegou. Já chegamos à Lua!

— Para voar em avião precisa comprar passagem. Entrar na fila do check-in. Despachar a bagagem, que pode se extraviar. E para ir mais longe do que qualquer passarinho já foi, precisam de foguetes e programas espaciais caros. Nós, para voar, só precisamos abrir as asas.

— Sim, certo, mas...

— Você já viu alguma coisa mais linda do que uma revoada de pássaros ao anoitecer? Não existe espetáculo sequer parecido, na Terra.

O menino pensou num desfile de escola de samba, mas decidiu não dizer nada. O passarinho tinha claramente vencido a discussão. Faltava só um golpe de misericórdia, para liquidar com o menino.

— E além de tudo, eu canto — disse o passarinho.

— Eu também — disse o menino.

— Canta nada. Ouça.

E o passarinho começou a assoviar. Uma única frase, várias vezes. E o menino pediu:

— Canta outra.

— Como, outra? Esse é o meu canto.

E o menino começou a assoviar todas as músicas que conhecia, de Jorge Ben Jor à Marselhesa. E o passarinho se afastou, lentamente, cabisbaixo, derrotado e pensando:

— É, preciso variar meu repertório…

VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

Ao longo da narrativa, as falas apresentadas por ambos os personagens:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3177762 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: Avança SP
Orgão: Câm. Americana-SP
Provas:

Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 10.

O menino e o passarinho

Se essa história é difícil de acreditar é porque ela se passa na terra do Faz de Conta, onde passarinho fala. Foi o que o menino descobriu, quando ouviu o passarinho dizer — por nenhuma razão, só para implicar com ele:

— Passarinho é melhor do que gente. Depois de se recuperar do susto, o menino perguntou:

— Como assim?

— Para começar — disse o passarinho — nós somos mais bonitos. Olhe essa plumagem. Olhe essa combinação de cores em dégradé.

— Nós também somos bonitos — disse o menino.

— São nada.

— Olhe essa camisa cor de abóbora.

Essas calças roxas...

— Que sua mãe comprou para você. A minha beleza nasceu comigo. Eu sou bonito de graça!

Enquanto o menino pensava numa resposta, o passarinho continuou:

— Vocês sabem voar? Nós sabemos.

— Nós também sabemos.

— Sabem nada.

— Temos aviões que nos levam para qualquer lugar. Atravessamos oceanos. Chegamos mais alto do que qualquer passarinho chegou. Já chegamos à Lua!

— Para voar em avião precisa comprar passagem. Entrar na fila do check-in. Despachar a bagagem, que pode se extraviar. E para ir mais longe do que qualquer passarinho já foi, precisam de foguetes e programas espaciais caros. Nós, para voar, só precisamos abrir as asas.

— Sim, certo, mas...

— Você já viu alguma coisa mais linda do que uma revoada de pássaros ao anoitecer? Não existe espetáculo sequer parecido, na Terra.

O menino pensou num desfile de escola de samba, mas decidiu não dizer nada. O passarinho tinha claramente vencido a discussão. Faltava só um golpe de misericórdia, para liquidar com o menino.

— E além de tudo, eu canto — disse o passarinho.

— Eu também — disse o menino.

— Canta nada. Ouça.

E o passarinho começou a assoviar. Uma única frase, várias vezes. E o menino pediu:

— Canta outra.

— Como, outra? Esse é o meu canto.

E o menino começou a assoviar todas as músicas que conhecia, de Jorge Ben Jor à Marselhesa. E o passarinho se afastou, lentamente, cabisbaixo, derrotado e pensando:

— É, preciso variar meu repertório…

VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

De acordo com o narrador do texto, o motivo de o passarinho ter iniciado o diálogo com o menino foi:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3177761 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: Avança SP
Orgão: Câm. Americana-SP
Provas:

Assinale a alternativa em que a palavra em destaque pertence à classe gramatical de advérbio.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3177760 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: Avança SP
Orgão: Câm. Americana-SP
Provas:

Analise as sentenças a seguir quanto à colocação pronominal e assinale a alternativa em que ocorre mesóclise.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3177759 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: Avança SP
Orgão: Câm. Americana-SP
Provas:

Considere as sentenças a seguir:

I. Para fugirem das obrigações, os garotos se esconderam no armário.

II. Não mande, notícias, pois não queremos saber de nada.

III. Os hospitais, as escolas e as rodoviárias, estão fechados nesta manhã.

A(s) sentença(s) que apresenta(m) emprego correto dos sinais de pontuação é (são):

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3177758 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: Avança SP
Orgão: Câm. Americana-SP
Provas:

Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 7.

Pipocas, não

Marina nunca gostou de futebol, mas se empolgou pela Copa. Se empolgou, principalmente, pelo Forlán. Passou a acompanhar todos os jogos da Copa, e não apenas os do Uruguai. Mas ela e o grupo de amigas que reunia em casa gostavam mesmo era de ver o Forlán.

O marido da Marina, Zé Henrique, não se importava com seu novo interesse pelo futebol. Mas aquela invasão da sua casa por mulheres, justamente na hora dos jogos, quando ele gostava de se espichar no sofá com uma cerveja, e fazer pipoca no intervalo, e ver os jogos sozinho, ou com a mulher ao seu lado apenas dando palpites para fingir que se interessava (“Que brutalidade!”) — aquilo era demais.

Ficava ele no meio das mulheres, sentado num canto, banido do seu próprio sofá. E tendo que responder a perguntas. O que era impedimento, mesmo? Se o goleiro era o único que podia tocar a bola com as mãos, como é que outros usavam as mãos para bater lateral? Por que se dizia “bater lateral” quando o que faziam era atirar a bola? E o Forlán, era casado?

Um dia, com sete mulheres na sala, ele mal conseguindo enxergar a televisão, houve um lance que indignou a todas. Marina virou-se para o marido e exigiu uma explicação.

— Bola no travessão não vale nem um ponto?

— Não, Marina. Bola no travessão não vale nada.

— Mas devia. Devia!

— Marina, não fui eu que fiz as regras.

— Você também, Zé Henrique!

Todas as mulheres da sala olharam para ele com reprovação. Como se uma bola no travessão do Forlán não valer nada fosse uma demonstração revoltante de insensibilidade masculina. Ele precisou se defender.

— A culpa não é minha!

Antes, no intervalo do jogo, Marina tinha dito:

— Zé Henrique, faz umas pipocas pra gente

E, para as amigas:

— O Zé Henrique faz pipoca muito bem.

— Não — disse o Zé Henrique.

— O quê?

— Pipoca, não.

— Zé Henrique!

Seu mundo tinha sido invadido. Ele não podia deter a invasão. Mas não ia alimentar as invasoras. Que pensassem o que quisessem dele, que o chamassem de grosseiro, de ciumento, de ressentido. Mas pipocas, decididamente, não.

VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

No último parágrafo do texto, na sentença “Que pensassem o que quisessem dele, que o chamassem de grosseiro, de ciumento, de ressentido.”, os verbos “pensassem”, “quisessem” e “chamassem” estão conjugados no modo:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3177757 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: Avança SP
Orgão: Câm. Americana-SP
Provas:

Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 7.

Pipocas, não

Marina nunca gostou de futebol, mas se empolgou pela Copa. Se empolgou, principalmente, pelo Forlán. Passou a acompanhar todos os jogos da Copa, e não apenas os do Uruguai. Mas ela e o grupo de amigas que reunia em casa gostavam mesmo era de ver o Forlán.

O marido da Marina, Zé Henrique, não se importava com seu novo interesse pelo futebol. Mas aquela invasão da sua casa por mulheres, justamente na hora dos jogos, quando ele gostava de se espichar no sofá com uma cerveja, e fazer pipoca no intervalo, e ver os jogos sozinho, ou com a mulher ao seu lado apenas dando palpites para fingir que se interessava (“Que brutalidade!”) — aquilo era demais.

Ficava ele no meio das mulheres, sentado num canto, banido do seu próprio sofá. E tendo que responder a perguntas. O que era impedimento, mesmo? Se o goleiro era o único que podia tocar a bola com as mãos, como é que outros usavam as mãos para bater lateral? Por que se dizia “bater lateral” quando o que faziam era atirar a bola? E o Forlán, era casado?

Um dia, com sete mulheres na sala, ele mal conseguindo enxergar a televisão, houve um lance que indignou a todas. Marina virou-se para o marido e exigiu uma explicação.

— Bola no travessão não vale nem um ponto?

— Não, Marina. Bola no travessão não vale nada.

— Mas devia. Devia!

— Marina, não fui eu que fiz as regras.

— Você também, Zé Henrique!

Todas as mulheres da sala olharam para ele com reprovação. Como se uma bola no travessão do Forlán não valer nada fosse uma demonstração revoltante de insensibilidade masculina. Ele precisou se defender.

— A culpa não é minha!

Antes, no intervalo do jogo, Marina tinha dito:

— Zé Henrique, faz umas pipocas pra gente

E, para as amigas:

— O Zé Henrique faz pipoca muito bem.

— Não — disse o Zé Henrique.

— O quê?

— Pipoca, não.

— Zé Henrique!

Seu mundo tinha sido invadido. Ele não podia deter a invasão. Mas não ia alimentar as invasoras. Que pensassem o que quisessem dele, que o chamassem de grosseiro, de ciumento, de ressentido. Mas pipocas, decididamente, não.

VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

Considere o excerto: “Todas as mulheres da sala olharam para ele com reprovação.” A pessoa gramatical indicada pela terminação do verbo “olharam”, que ocorre nesse contexto, é:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3177756 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: Avança SP
Orgão: Câm. Americana-SP
Provas:

Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 7.

Pipocas, não

Marina nunca gostou de futebol, mas se empolgou pela Copa. Se empolgou, principalmente, pelo Forlán. Passou a acompanhar todos os jogos da Copa, e não apenas os do Uruguai. Mas ela e o grupo de amigas que reunia em casa gostavam mesmo era de ver o Forlán.

O marido da Marina, Zé Henrique, não se importava com seu novo interesse pelo futebol. Mas aquela invasão da sua casa por mulheres, justamente na hora dos jogos, quando ele gostava de se espichar no sofá com uma cerveja, e fazer pipoca no intervalo, e ver os jogos sozinho, ou com a mulher ao seu lado apenas dando palpites para fingir que se interessava (“Que brutalidade!”) — aquilo era demais.

Ficava ele no meio das mulheres, sentado num canto, banido do seu próprio sofá. E tendo que responder a perguntas. O que era impedimento, mesmo? Se o goleiro era o único que podia tocar a bola com as mãos, como é que outros usavam as mãos para bater lateral? Por que se dizia “bater lateral” quando o que faziam era atirar a bola? E o Forlán, era casado?

Um dia, com sete mulheres na sala, ele mal conseguindo enxergar a televisão, houve um lance que indignou a todas. Marina virou-se para o marido e exigiu uma explicação.

— Bola no travessão não vale nem um ponto?

— Não, Marina. Bola no travessão não vale nada.

— Mas devia. Devia!

— Marina, não fui eu que fiz as regras.

— Você também, Zé Henrique!

Todas as mulheres da sala olharam para ele com reprovação. Como se uma bola no travessão do Forlán não valer nada fosse uma demonstração revoltante de insensibilidade masculina. Ele precisou se defender.

— A culpa não é minha!

Antes, no intervalo do jogo, Marina tinha dito:

— Zé Henrique, faz umas pipocas pra gente

E, para as amigas:

— O Zé Henrique faz pipoca muito bem.

— Não — disse o Zé Henrique.

— O quê?

— Pipoca, não.

— Zé Henrique!

Seu mundo tinha sido invadido. Ele não podia deter a invasão. Mas não ia alimentar as invasoras. Que pensassem o que quisessem dele, que o chamassem de grosseiro, de ciumento, de ressentido. Mas pipocas, decididamente, não.

VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

Considere o excerto: “O que era impedimento, mesmo?” Nesse contexto, a palavra “que” é empregada gramaticalmente como:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3177755 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: Avança SP
Orgão: Câm. Americana-SP
Provas:

Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 7.

Pipocas, não

Marina nunca gostou de futebol, mas se empolgou pela Copa. Se empolgou, principalmente, pelo Forlán. Passou a acompanhar todos os jogos da Copa, e não apenas os do Uruguai. Mas ela e o grupo de amigas que reunia em casa gostavam mesmo era de ver o Forlán.

O marido da Marina, Zé Henrique, não se importava com seu novo interesse pelo futebol. Mas aquela invasão da sua casa por mulheres, justamente na hora dos jogos, quando ele gostava de se espichar no sofá com uma cerveja, e fazer pipoca no intervalo, e ver os jogos sozinho, ou com a mulher ao seu lado apenas dando palpites para fingir que se interessava (“Que brutalidade!”) — aquilo era demais.

Ficava ele no meio das mulheres, sentado num canto, banido do seu próprio sofá. E tendo que responder a perguntas. O que era impedimento, mesmo? Se o goleiro era o único que podia tocar a bola com as mãos, como é que outros usavam as mãos para bater lateral? Por que se dizia “bater lateral” quando o que faziam era atirar a bola? E o Forlán, era casado?

Um dia, com sete mulheres na sala, ele mal conseguindo enxergar a televisão, houve um lance que indignou a todas. Marina virou-se para o marido e exigiu uma explicação.

— Bola no travessão não vale nem um ponto?

— Não, Marina. Bola no travessão não vale nada.

— Mas devia. Devia!

— Marina, não fui eu que fiz as regras.

— Você também, Zé Henrique!

Todas as mulheres da sala olharam para ele com reprovação. Como se uma bola no travessão do Forlán não valer nada fosse uma demonstração revoltante de insensibilidade masculina. Ele precisou se defender.

— A culpa não é minha!

Antes, no intervalo do jogo, Marina tinha dito:

— Zé Henrique, faz umas pipocas pra gente

E, para as amigas:

— O Zé Henrique faz pipoca muito bem.

— Não — disse o Zé Henrique.

— O quê?

— Pipoca, não.

— Zé Henrique!

Seu mundo tinha sido invadido. Ele não podia deter a invasão. Mas não ia alimentar as invasoras. Que pensassem o que quisessem dele, que o chamassem de grosseiro, de ciumento, de ressentido. Mas pipocas, decididamente, não.

VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.

Considere o excerto: “Marina nunca gostou de futebol, mas se empolgou pela Copa.” Nesse contexto, o advérbio “nunca” exprime sentido relacionado a:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas