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Em A Sociedade contra o Estado (1974), o filósofo e etnólogo
Pierre Clastres lançou as bases para uma nova antropologia
política: “Os povos sem escrita não são menos adultos que as sociedades
letradas. Sua história é tão profunda quanto a nossa e, a não ser
por racismo, não há por que julgá-los incapazes de refletir sobre a
sua própria experiência e de dar a seus problemas as soluções
apropriadas. É exatamente por isso que não nos poderíamos
contentar em enunciar que nas sociedades onde não se observa a
relação de comando-obediência (isto é, nas sociedades sem
poder político), a vida do grupo como projeto coletivo se mantém
através do controle social imediato, imediatamente qualificado
de apolítico. O que precisamente se entende por isso? Qual é o
referente político que permite, por oposição, falar de apolítico?” (Adaptado de CLASTRES, P. A Sociedade contra o Estado:
pesquisas de antropologia política. Rio de Janeiro: F. Alves, 1978,
p. 16). Com base no trecho, é correto afirmar que a antropologia política
defendida por Pierre Clastres:
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Para Sherry Ortner, o principal legado da antropologia geertziana
tem sido a questão de como “os símbolos modelam os modos em
que os atores sociais veem, sentem e pensam sobre o mundo ou,
em outras palavras, como os símbolos operam enquanto veículos
de ‘cultura’”.
(Adaptado de Ortner, S. B. Teoria na antropologia desde os
anos 60. In: Mana, 17(2), 2011, p. 421) Para Geertz, sistemas culturais como os calendários balineses são
objeto de análise antropológica para:
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O Ensaio sobre a dádiva de Marcel Mauss foi publicado
originalmente na revista Année Sociologique (1923-1924), sendo
considerado uma obra central para a teoria antropológica. A respeito das noções de dom, troca e reciprocidade mobilizadas
no ensaio citado, é correto afirmar que:
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Em Dois pequenos problemas com a lei terra intangível para os
Kisêdjê, Marcela Coelho de Souza examina a conexão entre o
povo Kisêdjê e a terra. A autora propõe o conceito de “terra
intangível”, que desafia a compreensão ocidental de propriedade
e posse. A autora argumenta que:
"A despeito do possessivo na expressão nossa terra, não acredito que esta ‘terra’ de que estejam falando seja mais dócil ao instituto da propriedade e à medição e delimitação que ele implica. As imagens — legais ou científicas — de terra como bem imóvel ou substrato físico são analogias muito pobres para a compreensão do que está em jogo para os Kisêdjê” (Coelho de Souza, 2017, p. 123).
A "terra intangível" para o povo Kisêdjê pode ser compreendida como:
"A despeito do possessivo na expressão nossa terra, não acredito que esta ‘terra’ de que estejam falando seja mais dócil ao instituto da propriedade e à medição e delimitação que ele implica. As imagens — legais ou científicas — de terra como bem imóvel ou substrato físico são analogias muito pobres para a compreensão do que está em jogo para os Kisêdjê” (Coelho de Souza, 2017, p. 123).
A "terra intangível" para o povo Kisêdjê pode ser compreendida como:
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Em The Idea of a Home: A Kind of Space, Mary Douglas elabora a
casa como um problema antropológico. Ela diz o seguinte:
"O principal problema de uma comunidade virtual é conseguir
solidariedade suficiente para proteger o bem coletivo. Se a
solidariedade enfraquecer, os ataques individuais destroem a
base de recursos colectivos. Embora o lar, tal como outras
instituições sem fins lucrativos, seja ineficiente segundo critérios
de mercado, noutro sentido é extraordinariamente eficiente. Não
necessita de pessoal administrativo especializado, porque as
reivindicações de justiça difundem o trabalho de organização. Os
membros continuamente reivindicam recursos, mas não vão
ganhar uma disputa pedindo em seu próprio nome; a
reivindicação vencedora é feita em nome do bem público e em
nome da justiça, que num lar é considerada um bem público. As
reivindicações individuais são concedidas ou refutadas pelos
mesmos motivos. A solução teórica do problema distributivo é a
equidade, mas a solução prática é fazer de cada membro um
vigilante do bem público e utilizar a coordenação para fazer o
resto. A coordenação facilita o controle público e um elevado
grau de visibilidade” (Douglas, 1991, p. 299). Nessa passagem, traduzida do inglês, Mary Douglas dialoga
claramente com a teoria de:
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Em Rituais ontem e hoje, Mariza Peirano analisa o carnaval como
um ritual que expressa as ambiguidades e os dilemas da
sociedade brasileira. A autora destaca:
"O carnaval produz uma realidade que desfaz o dia a dia em um processo violento de individualização” (Peirano, 2003, p. 26).
De acordo com essa análise, o principal efeito do carnaval na sociedade brasileira consiste em:
"O carnaval produz uma realidade que desfaz o dia a dia em um processo violento de individualização” (Peirano, 2003, p. 26).
De acordo com essa análise, o principal efeito do carnaval na sociedade brasileira consiste em:
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A noção de "fricção interétnica", desenvolvida por Roberto
Cardoso de Oliveira, busca analisar as relações entre grupos
indígenas e a sociedade nacional brasileira. Em um dos textos
fundacionais do conceito, Estudo de áreas de fricção interétnica
do Brasil, o autor define a fricção interétnica da seguinte forma:
"Chamamos fricção interétnica o contato entre grupos tribais e
segmentos da sociedade brasileira, caracterizados por seus
aspectos competitivos e, no mais das vezes, conflituais,
assumindo esse contato muitas vezes proporções ‘totais’, i.e.,
envolvendo toda a conduta tribal e não tribal que passa a ser
moldada pela situação de fricção interétnica” (Oliveira, 1962,
p. 86). Seguindo o autor, é correto definir a “fricção interétnica” como:
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No texto Populações indígenas, povos tradicionais e preservação
na Amazônia, Manuela Carneiro da Cunha e Mauro de Almeida
afirmam o seguinte: “Durante muito tempo, existiu entre antropólogos,
conservacionistas, governantes e as próprias populações
tradicionais aquilo que um antropólogo chamou, em outro
contexto, de ‘mal-entendido útil’. Esse mal-entendido gira em
torno do que se pode chamar de essencialização do
relacionamento entre as populações tradicionais e o meio
ambiente” (Cunha e Almeida, 2009, p. 13). Na base dessa essencialização está o mito:
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No texto O que significa tornar-se outro?, a antropóloga
Aparecida Vilaça argumenta que a experiência xamânica Wari' se
caracteriza pela duplicidade corporal. No texto, Vilaça afirma:
"O xamã caracteriza-se por possuir dois corpos simultâneos: um corpo humano visível pelos Wari', que se relaciona com eles normalmente, como membro de sua sociedade, e um corpo animal que ele percebe como humano, e que se relaciona com os demais animais daquela espécie também como membro da sua sociedade, que é como a sociedade Wari’" (Vilaça, 2000, p. 63).
Com base na explicação de Aparecida Vilaça, é correto afirmar que:
"O xamã caracteriza-se por possuir dois corpos simultâneos: um corpo humano visível pelos Wari', que se relaciona com eles normalmente, como membro de sua sociedade, e um corpo animal que ele percebe como humano, e que se relaciona com os demais animais daquela espécie também como membro da sua sociedade, que é como a sociedade Wari’" (Vilaça, 2000, p. 63).
Com base na explicação de Aparecida Vilaça, é correto afirmar que:
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Lygia Sigaud foi uma antropóloga brasileira que se dedicou aos
estudos das relações sociais no campo. No seu artigo Se eu
soubesse, a autora descreve as relações entre trabalhadores e
patrões da seguinte forma:
"Do ponto de vista do observador, a ‘casa de morada’, a terra e a proteção constituíam obrigações patronais, assim como não trabalhar fora e ser leal ao patrão correspondiam a obrigações dos moradores. Para esses, apenas as suas obrigações eram percebidas enquanto tais. As do patrão eles representavam como dons, como sinais de sua bondade, e sentiam-se, portanto, devedores. Desincumbir-se com afinco de suas obrigações era a forma de retribuir. De sua parte, o patrão se concebia como um doador: aquilo que concedia ao seu morador atestava apenas a sua generosidade e não era vivido como uma obrigação. Ser generoso era um valor e o prestígio dos patrões se media pelos sinais exteriores de sua magnanimidade. O não cumprimento de suas obrigações punha em risco o prestígio do patrão perante os pares e os moradores e configurava uma dívida, ainda que ele não se concebesse como um devedor” (Sigaud, 2012, p. 130).
A teoria das trocas que embasa a descrição e a análise da autora é:
"Do ponto de vista do observador, a ‘casa de morada’, a terra e a proteção constituíam obrigações patronais, assim como não trabalhar fora e ser leal ao patrão correspondiam a obrigações dos moradores. Para esses, apenas as suas obrigações eram percebidas enquanto tais. As do patrão eles representavam como dons, como sinais de sua bondade, e sentiam-se, portanto, devedores. Desincumbir-se com afinco de suas obrigações era a forma de retribuir. De sua parte, o patrão se concebia como um doador: aquilo que concedia ao seu morador atestava apenas a sua generosidade e não era vivido como uma obrigação. Ser generoso era um valor e o prestígio dos patrões se media pelos sinais exteriores de sua magnanimidade. O não cumprimento de suas obrigações punha em risco o prestígio do patrão perante os pares e os moradores e configurava uma dívida, ainda que ele não se concebesse como um devedor” (Sigaud, 2012, p. 130).
A teoria das trocas que embasa a descrição e a análise da autora é:
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