Texto para a questão a seguir.
Toda a questão do conhecimento, como desejo de penetrar os fenômenos e dizer sua lógica, organização e seu funcionamento, pode ser pensada a partir do que se deve denominar uma filosofia de superfície: aquela que se dedica a tratar crítica e analiticamente o mundo das superfícies. Há a confusão a ser revista entre superfície e aparência. Enquanto a aparência é uma categoria metafísica, a superfície é muito mais uma categoria gnosiológica. Desse ponto de vista, a superfície é aquilo que revela nossos valores e preconceitos ou que os esconde. Por isso, é possível associar a superfície ao superficial. O conceito de aparência está intimamente conectado com o de superfície, mas é dele sutilmente diverso. Enquanto a aparência é um conceito em sentido estrito, pois não a podemos entender sem a palavra que a representa, “superfície”, quase não é um conceito, dado seu caráter de realidade fisicamente tangível. Mais correto é dizer que a superfície é um conceito limiar, diverso de um conceito puro, aquele que se estabelece a priori por estratégias puramente racionais. Não precisamos usar a superfície para explicar o mundo, porque ela mesma é parte do mundo que exige explicação. Ela é um dado da realidade ao qual nos relacionamos. A superfície pode ter uma aparência ou ser mais, a própria verdade.
Márcia Tiburi. Uma filosofia da superfície.
In: Cult, ano 11, p. 42 (com adaptações).
Com base no texto, julgue as inferências propostas nos itens abaixo.
I A partir das superfícies das coisas do mundo, pode-se julgar se as aparências são verdadeiras ou não.
II Na perspectiva teórica do texto, conceitos puros ou estritos são estabelecidos, a priori, por estratégias puramente racionais.
III Da supremacia da aparência sobre a superfície decorrem preconceitos e problemas no conhecimento da lógica e do funcionamento da realidade.
Apresenta sustentação na argumentação do texto apenas o que se afirma