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Em A ética protestante e o espírito do capitalismo, Max Weber (1864-1920) procurou demonstrar de que maneira uma específica ética religiosa deu ensejo ao surgimento do que ele chamou de um “espírito do capitalismo”, expressão que significa “uma ética de vida, um modo de ver e encarar a existência” (SELL, 2015). Tal “espírito” apontava o cultivo de uma vida disciplinada, “motivada pelo sentido do dever”, com honestidade e dedicação ao trabalho. Weber aponta como essa ética deu ao capitalismo uma racionalidade técnica, de cálculo e jurídica que o fez se desenvolver nesse sistema econômico burocrático das sociedades modernas. Seitas protestantes como o calvinismo indicavam uma vida ascética, ou seja, proba, de oração e de penitências, para a salvação. Tal conduta fez com que os seguidores dessas seitas seguissem uma vida moralmente correta e honesta, com esforço e cuidado ao trabalho, longe das luxúrias e prazeres mundanos. O resultado foi o desenvolvimento de um trabalho profissionalizado e a racionalidade na busca de riquezas.
SELL, Carlos Eduardo. Sociologia Clássica:
Marx, Durkheim e Weber. 7ª ed.
Petrópolis-RJ: Editora Vozes, 2015.
Partindo dessa compreensão de Max Weber sobre as origens do capitalismo, é correto afirmar que
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Karl Marx (1818-1883) trata, em sua obra, das condições e consequências dos antagonismos e lutas entre as classes sociais nas sociedades capitalistas. Segundo Marx, a existência de classes sociais apenas tem lugar em determinadas fases históricas do desenvolvimento da produção material das sociedades. Quando há o surgimento de um excedente de produção em uma dada etapa histórica de uma sociedade e quando este excedente pode ser apropriado por um grupo de pessoas que passa, assim, a exercer uma forma de domínio sobre a distribuição do que se produz e sobre outros grupos dessa sociedade, tem-se, assim, o surgimento de classes sociais. Em outros termos, as classes sociais surgem quando existe a possibilidade de apropriação privada do excedente de produção por parte de um grupo (uma classe social) e quando este grupo determina as condições de produção sobre todos os outros grupos ou classes sociais.
Considerando o entendimento de Marx sobre classes sociais, assinale a afirmação verdadeira.
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Para Anthony Giddens (2012), “nossas atividades tanto estruturam e modelam o mundo social ao nosso redor como, ao mesmo tempo, são estruturadas por esse mundo”. É esta a base do conceito de “estruturação” criado por Giddens, o qual aponta que tanto as estruturas sociais (Família, Comunidade, Estado, etc.) formam as pessoas como as pessoas em suas ações e relações estruturam essas estruturas sociais. Há aqui a concepção de que não somos, nós, agentes sociais, apenas enquadrados nos comportamentos padronizados dessas estruturas sociais e repetidores de ações já condicionadas. Mas, mesmo com a força desses padrões de conduta, podemos agir no sentido de modificar, em alguma medida, essas estruturas sociais que nos formam e informam.
GIDDENS, Anthony. Sociologia. 6ª Ed.,
Porto Alegre: Penso, 2012.
Partindo do conceito de “estruturação” de Anthony Giddens, é correto afirmar que
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O sociólogo americano Erving Goffman demonstra que o termo estigma designa um atributo depreciativo que concede a uma — ou, a mais pessoas — uma identidade deteriorada diante da sociedade. O estigma ou qualquer atributo depreciativo não é negativo em si mesmo, mas apenas quando em relação à sociedade ou a grupos sociais que entendem o atributo como algo negativo ou desvalorizado.
GOFFMAN, Erving. Estigma: notas sobre a manipulação da
identidade deteriorada. 4ª ed. Rio de Janeiro: LTC, 2013.
Considerando esse entendimento sobre estigma social, avalie as frases apresentadas a seguir e assinale a que corresponde a um estigma social presente na sociedade brasileira.
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O papel do Estado nas sociedades modernas é compreendido por visões diferentes entre os fundadores da Sociologia. Os chamados clássicos da Sociologia, Karl Marx (1818-1883) e Émile Durkheim (1858-1917), possuem entendimentos diversos sobre as finalidades e funções do Estado moderno. Para Marx, teórico crítico das lógicas fundantes das sociedades capitalistas, o Estado moderno é “tão-somente um comitê que administra os negócios comuns de toda a classe burguesa”. Já para Durkheim, um dos primeiros elaboradores da ciência sociológica, o Estado é “um órgão especial encarregado de elaborar certas representações que valem para a coletividade”.
MARX, Karl. O manifesto do partido comunista.
Porto Alegre: L&PM, 2010;
DURKHEIM, Émile. Lições de Sociologia.
São Paulo: Martins Fontes, 2002.
Considerando os entendimentos de Marx e Durkheim sobre o papel do Estado nas sociedades modernas, analise as seguintes proposições:
I. Na perspectiva marxiana, o Estado trata, de modo imparcial, os conflitos entre as classes sociais do capitalismo.
II. Para Emile Durkheim, o Estado é a entidade social mais importante a serviço das classes dominantes.
III. Karl Marx explica o Estado como um órgão a serviço dos interesses dominantes no capitalismo.
IV. Émile Durkheim explica a funcionalidade do Estado moderno para a manutenção da sociedade.
Está correto somente o que se afirma em
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Atente para o seguinte trecho extraído de uma reportagem do Jornal Estadão:
“Bikeboys rodam 12 horas por dia e 7 dias por semana para ganhar R$ 936
Renato Jakitas e Tiago Queiroz
São Paulo - 15/09/201908h28
“[...] Existem cerca de 30 mil entregadores ciclistas cadastrados nos aplicativos de entrega de comida na capital paulista. O número dá a dimensão de uma atividade que, há um ano, passava desapercebida em São Paulo. Hoje, os ciclistas com caixa nas costas tomam as paisagens dos centros comerciais nas horas de pico da fome – das 12h às 15h e das 19h às 22h –, além de serem presença constante em calçadas próximas a shopping centers, restaurantes ou supermercados nos fins de semana.
Um perfil desse trabalhador foi traçado em junho pela Associação Brasileira do Setor de Bicicletas (Aliança Bike), coordenado pelo instituto Multiplicidade e apoiado pelo Laboratório de Mobilidade Urbana da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Após entrevistas com 270 ciclistas em São Paulo, o levantamento concluiu que 75% desses profissionais têm idade entre 18 e 27 anos e, como Samuel Marques, pedalam cerca de 12 horas por um salário médio mensal de R$ 936. Realizam diariamente dez entregas, a R$ 5 cada. Seis em cada dez ciclistas trabalham todos os dias da semana, sem folgas”.
Trecho de matéria disponível em:
https://economia.uol.com.br/noticias/estadao-
conteudo/2019/09/15/bikeboys-rodam-12-horas.htm
Acesso em: 10/11/2019.
Partindo de uma perspectiva sociológica crítica sobre essas novas condições de exploração do trabalho de prestação de serviços na era digital, assinale a afirmação verdadeira.
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Considerando o tema burocracia, atente para a tirinha abaixo e para o texto apresentado em seguida:

“Todas as organizações modernas de grande escala, segundo Weber, tendem a ser de natureza burocrática. [...].
Segundo Weber, a expansão da burocracia é inevitável nas sociedades modernas, a autoridade burocrática é a única maneira de lidar com os requisitos administrativos de sistemas sociais amplos. [...].
Para estudar a origem e a natureza da expansão das organizações burocráticas, Weber construiu um tipo ideal de burocracia – “ideal” aqui refere-se não ao que é mais desejável, mas a uma forma “pura” de organização burocrática. [...].
Weber argumentava que quanto mais uma organização se aproxima do tipo ideal de burocracia, mais efetiva ela será na busca dos objetivos para os quais foi estabelecida”.
GIDDENS, Anthony. Sociologia. 6ª Ed.,
Porto Alegre: Penso, 2012.
Relacionando-se a charge com o texto, acima apresentados, no que se referem à burocracia, é correto afirmar que
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Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron, em pesquisa dos anos 1960 sobre o sistema escolar francês, demonstraram como o mecanismo pedagógico das escolas focava, para a formação dos alunos, em um corpo de saberes (ciências da natureza, matemática, literatura, artes) que concedia vantagens aos filhos das classes mais abastadas economicamente, pois estes já chegavam “de casa” para o ambiente de ensino com um “capital cultural” – conjunto de conhecimentos e habilidades adquiridos – adequado com as exigências desse corpo de saberes. As “classes dominantes” podem proporcionar aos seus filhos e filhas o contato desde a mais tenra infância com leituras, artes e, mesmo, raciocínios lógicos no convívio diário com a família. A crítica dos referidos autores, em resumo, àquele sistema escolar francês foi a de que a pedagogia adotada criava uma espécie de “Escola Indiferente” que tratava como iguais, em direitos e deveres escolares, alunos desiguais em “capital cultural”. Os critérios exigidos para a avaliação do êxito escolar eram os mesmos para todos os estudantes sem tratar suas diferenças de “capital cultural” ligadas às condições socioeconômicas.
BOURDIEU, Pierre e PASSERON, Jean-Claude. Os
Herdeiros: os estudantes e a cultura.
Florianópolis: Editora da UFSC, 2014.
Sobre essa “Escola Indiferente”, sugerida pelos autores acima citados, é correto concluir que
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Atente para a seguinte citação a respeito do índio:
“O índio não é uma questão de cocar de pena, urucum e arco e flecha, algo de aparente e evidente nesse sentido estereotipificante, mas sim uma questão de ‘estado de espírito’. Um modo de ser e não um modo de aparecer. Na verdade, algo mais (ou menos) que um modo de ser: a indianidade designava para nós um certo modo de devir, algo essencialmente invisível, mas nem por isso menos eficaz: um movimento infinitesimal incessante de diferenciação, não um estado massivo de ‘diferença’ anteriorizada e estabilizada, isto é, uma identidade (um dia seria bom os antropólogos pararem de chamar identidade de diferença e vice-versa). A nossa luta, portanto, era conceitual: nosso problema era fazer com que o ‘ainda’ do juízo de senso comum ‘esse pessoal ainda é índio’ (ou ‘não é mais’) não significasse um estado transitório ou uma etapa a ser vencida. A ideia é a de que os índios ‘ainda’ não tinham sido vencidos, nem jamais o seriam. Eles jamais acabar(i)am de ser índios, ‘ainda que’... Ou justamente porquê. Em suma, a ideia era que ‘índio’ não podia ser visto como uma etapa na marcha ascensional até o invejável estado de ‘branco’ ou ‘civilizado’”.
CASTRO, Eduardo Viveiro de, “No Brasil todo mundo é
índio, exceto quem não é”, entrevista concedida à equipe
de edição do livro Povos Indígenas no Brasil, Instituto
Socioambiental (ISA), 2006.
Considerando o texto, acima apresentado, avalie as seguintes proposições:
I. A integração dos povos indígenas à sociedade brasileira não significa a perda de suas culturas e de suas identidades socioculturais.
II. Os povos indígenas não deixam de ser índios enquanto mantiverem o sentimento de pertencer às suas comunidades e de serem reconhecidos como indígenas, mesmo morando em cidades e participando da vida moderna da atual sociedade brasileira.
Sobre essas afirmações, é correto dizer que
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Michel Foucault (1926-1984) investigou as origens dos princípios de vigilância, observação e correção de “comportamentos indesejados” para o funcionamento das instituições modernas. Tais princípios produzem “corpos disciplinados” ou “corpos dóceis” e os tipos de instituições que adotam tais princípios são as escolas, os hospitais, as prisões e as empresas modernas. No ambiente controlado dessas organizações, a disciplina exerce um poder sobre os corpos dos seus integrantes. Esse “poder disciplinar” explora técnicas diversas para subjugar os corpos individualmente e exerce um tipo de controle que não atua de fora, mas trabalha esses corpos de dentro produzindo os “comportamentos adequados” e fabricando o tipo de pessoa necessária ao funcionamento e manutenção dessas instituições.
Considerando essa concepção de Michel Foucault, assinale a proposição verdadeira.
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