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A ontologia como fundamento da ética foi o ponto de vista original da filosofia. A separação das duas, que é a separação entre o reino “objetivo” e o “subjetivo”, é o destino moderno. Sua re-união, caso seja possível, só poderá ser alcançada a partir do lado “objetivo”; quer dizer: por uma revisão da ideia de natureza. Só uma ética fundada na amplitude do ser, e não apenas na singularidade ou na peculiaridade do ser humano, é que pode ser de importância no universo das coisas. Mesmo que seja feita uma exigência extra-humana para o comportamento humano, permanece de pé o fato de que uma ética que não mais se baseie sobre a divindade tem que se fundamentar em um princípio que possa ser descoberto na natureza das coisas, para que não seja vítima do subjetivismo ou de outras formas de relativismo.
A fundamentação ontológica da ética proposta pelo autor encontra suporte na
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Na obra O Político, Platão faz uma sutil distinção entre plantas e animais. As plantas, diferentemente dos animais, não seriam geridas pelo cosmo. Isso se prova pela sua autonomia ao germinarem aleatoriamente no solo. As plantas seriam autônomas, enquanto os animais seriam comandados. Se considerarmos a degeneração pela qual passariam os homens e suas almas, segundo Platão, vindo a se tornarem animais em outras vidas, os homens seriam seres políticos que deveriam ser governados, submissos a algo ou a alguém, no caso à política e ao demiurgo ou artesão, criador de todas as coisas. As plantas, por outro lado, cuja natureza é distinta, não teriam suas almas subordinadas ou dotadas de um fim.
No texto, a natureza serve de paradigma para a compreensão da(s)
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Anne Caroline Quiangala compara a forma como heroínas brancas e negras são representadas nas histórias em quadrinhos. As primeiras são definidas por modelos de feminilidade que as apresentam como seres indefesos, submissos e que necessitam ser protegidas ou salvas pelos heróis. Já as personagens negras são representadas com base em práticas herdadas do período da escravidão que atribui força, resistência e indelicadeza às mulheres negras. Complementando essa ideia, a socióloga Patricia Hill Collins afirma que as mulheres negras e as brancas têm sido estigmatizadas nas histórias em quadrinhos.
O texto indica que a representação das heroínas brancas e negras nas histórias em quadrinhos expressa um(a)
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A sociedade civil organizada do novo milênio tende a ser uma sociedade de redes organizacionais, de redes interorganizacionais e de redes de movimentos e de formação de parcerias entre as esferas públicas, privadas e estatais, criando novos espaços de governança com o crescimento da participação cidadã. As redes de movimentos sociais possibilitam, nesse contexto, a transposição de fronteiras territoriais, articulando as ações locais às regionais, nacionais e transnacionais; temporais, lutando pela indivisibilidade de direitos humanos de diversas gerações históricas de suas respectivas plataformas; sociais em seu sentido amplo, compreendendo o pluralismo de concepções de mundo dentro de determinados limites éticos, o respeito às diferenças e a radicalização da democracia através do aprofundamento da autonomia relativa da sociedade civil organizada.
De acordo com o texto, as novas formas de organização da sociedade civil objetivam a
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Ainda que instituições não recorram a castigos violentos ou sangrentos, mesmo quando utilizam métodos “suaves” de trancar ou corrigir, é sempre do corpo que se trata — do corpo e suas forças, da utilidade e docilidade deles, de sua repartição e de sua submissão.
A forma de exercício de poder indicada no texto é caracterizada como:
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O perdão não é o esquecimento. Ao contrário, ele requer a memória absolutamente viva do que não se pode esquecer, para além de todo trabalho do luto, de reconciliação, de restauração. Apenas se pode perdoar lembrando-se, sem atenuar, o malfeito, aquilo que se tem a perdoar. Se apenas perdoo o que é perdoável, o pecado não mortal, não faço nada que mereça o nome de perdão. O que é perdoável está de antemão perdoado. Daí a aporia: apenas se tem a perdoar o imperdoável. O único perdão possível é, portanto, realmente o perdão impossível.
O conceito de perdão apresentado no texto pressupõe a necessidade de
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TEXTO I
O termo lawfare diz respeito ao uso ou manipulação das leis e procedimentos legais como instrumento de combate e intimidação a um oponente, desrespeitando os procedimentos legais e os direitos do indivíduo que se pretende eliminar. Em termos simples, o lawfare pode ser entendido como o uso da legislação como arma para alcançar um fim social, um tipo de assédio judicial que tem como objetivo calar o adversário ou minar a sua credibilidade perante a sociedade. Essa prática é planejada de forma que aparente acontecer dentro da legalidade e, muitas vezes, essa aparência é criada com o auxílio da imprensa.
TEXTO II
O estado de exceção é forma permanente de governo, produzindo a erosão dos direitos civis, em primeiro lugar e antes de tudo, a erosão da liberdade. Para censurar é necessário instituir um gigantesco sistema de vigilância, suportado por algoritmos sofisticados e servidores potentes, como revelaram Edward Snowden, Julian Assange e Glenn Greenwald. Ou seja, ao contrário do que defendeu Hannah Arendt, a manipulação e a censura, bem como a perseguição daqueles que as denunciam, pagando um alto preço, não são exclusivos dos Estados totalitários, estando também presentes nas democracias.
Os textos apresentam situações nas quais mecanismos de persuasão são utilizados para
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Violência contra a mulher
Crime que se confunde com paixão
Chamar de “passional” a violência física contra as mulheres impetrada por homens com os quais elas se relacionavam, por exemplo, já ajudou a aceitar agressões por décadas. Segundo o documento Panorama da Violência contra as Mulheres no Brasil, publicado em 2018 pelo Senado Federal, até a década de 1970, esse tipo de ofensiva era considerado aceitável pela população, na medida em que fazia parte apenas da esfera privada. É a expressão do dito popular que reitera que “em briga de marido e mulher, não se mete a colher”. “Ah, mas se mete sim” — começaram a dizer os movimentos feministas que ganharam força naquele período. Essas vozes foram ainda por muito tempo ignoradas pelo Estado, que, assim, permitiu a vitimização de muitas mulheres.
De acordo com o texto, qual posicionamento foi contestado pelos movimentos sociais mencionados?
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A 3ª Conferência Mundial de Combate ao Racismo, ocorrida em Durban, tratou da necessidade de adoção de “medidas especiais para lograr representação apropriada nas instituições de ensino, na moradia, nos partidos políticos, nos parlamentos e no emprego, em particular em órgãos judiciais e policiais, no exército e outros serviços civis”. Essas ações foram posteriormente chamadas de “afirmativas”.
A implementação do tipo de política mencionada no texto é uma consequência da atuação de
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Se o avanço dos direitos políticos após o movimento de 1930 foi limitado e sujeito a sérios recuos, o mesmo não se deu com os direitos sociais. Desde o primeiro momento, a liderança que chegou ao poder em 1930 dedicou grande atenção ao problema trabalhista e social. Vasta legislação foi promulgada, culminando na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), de 1943.
O paradoxo político-social apresentado no texto é resultado do(a)
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