Para publicar em periódicos da metrópole, deve-se escrever
seguindo os géneros da metrópole, citar a literatura da metrópole
e tornar-se parte do discurso lá produzido. Para um cientista
social, isso significa tanto descrever sua própria sociedade como
se fosse a metrópole, suprimindo sua especificidade histórica, ou
descrevê-la em termos comparativos, situando sua especificidade
nos parâmetros da metrópole. Esse “metrocentrismo” da
imaginação sociológica é mais evidente nas teorias da
"globalização". De todos os tópicos sociológicos, é nesse que as
relações entre metrópole e periferia são mais nítidas. Ainda
assim, a abundante literatura sociológica feita no Norte
frequentemente projeta características da modernidade ou pósmodernidade da metrópole para outros espaços. Uma estratégia
de resistência à essa situação, é a busca por sistemas indígenas
de conhecimento, entendidos como contextos para produção de
um conhecimento que esteve originalmente fora do sistema eurocentrado e que talvez ainda possa estabelecer uma base para
autonomia.
CONNELL, Raewyn. A iminente revolução na teoria social. Revista Brasileira de
Ciências Sociais, São Paulo, v.27, n. 80, 2012. (Adaptado)
As afirmativas a seguir apresentam interpretações coerentes do
texto, à exceção de uma. Assinale-a.
Podemos argumentar que compreender as complexas interrelações entre alimentos e a sociedade merece elevação a uma
posição igual àquela dos grandes temas da sociologia
contemporânea. Esta visão torna-se eminentemente plausível se
considerarmos o quão fundamental é uma parte da experiência
humana de comer, dadas as demandas inexoráveis e implacáveis
do corpo por nutrientes, e as potentes e multifacetadas cargas
simbólicas que os alimentos podem carregar; enormes
quantidades de energia humana, engenhosidade e esforço
cooperativo são dedicadas aos processos envolvidos na produção,
distribuição e preparação de alimentos – processos que são
absolutamente essenciais para a sobrevivência e a continuidade,
a longo prazo, de qualquer sociedade.
BEARDWORTH, Alan; Keil, Teresa. Sociology on the Menu: An invitation to the study
of food and society, New York: Routledge, 2002. (Adaptado)
A partir do trecho, analise as afirmativas a seguir sobre o
interesse de estudos sociológicos em relação à alimentação.
I. A consideração de práticas relacionadas à comida como
objeto de pesquisa da Sociologia se dá pela análise de suas
dimensões culturais e sociais.
II. Por ser um processo vital, a alimentação carece de
complexidades simbólicas, fator explicativo para sua tardia
incorporação pelos estudos sociológicos.
III. O interesse sociológico nas tarefas cotidianas, como a
alimentação, concentra sua investigação exclusivamente em
seus aspectos materiais.
A tirinha ilustra criticamente a relação entre senso comum e a
crise da hegemonia do conhecimento científico.
A partir da crítica exibida na tirinha, avalie se as afirmativas a
seguir são verdadeiras (V) ou falsas (F).
( ) O senso comum é pautado pela crença na experiência
coletiva, enquanto a ciência fundamenta seus paradigmas por
meio de métodos científicos.
( ) O senso comum é concebido como opinião coletiva produzida
no cotidiano, enquanto a ciência se dá pela acumulação de
descobertas individuais de cientistas, que contribuem para a
sistematização do conhecimento.
( ) O senso comum está em constante comprovação por meio da
observação e da experimentação, enquanto a ciência conta
com plena aceitação e consenso.
As causas profundas de todas as transformações sociais e de
todas as revoluções políticas não devem ser procuradas nas
cabeças dos homens nem na ideia que eles fazem da verdade
eterna ou da eterna justiça, mas nas transformações operadas no
modo de produção e de troca.
ENGELS, Friederich. Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico, 1880.
(Adaptado)
As afirmativas a seguir descrevem corretamente o conceito de
materialismo histórico, à exceção de uma. Assinale-a.
No naufrágio de 1631 no Golfo do México, a caravela Nossa
Senhora do Juncal foi surpreendida por uma forte tormenta que
ao perigar afundar, o almirante com dois nobres passageiros
concedeu ajudar os marinheiros na tarefa de soltar os cabos para
jogá-los ao mar. Como o intento resultou difícil, os três homens
decidiram que parecia pouco digno ou honroso para suas
respectivas classes sociais acabar seus dias exercendo trabalhos
físicos e por isso se recolheram na câmara da popa para se
prepararem para a morte.
PÉREZ, Pablo Mallaína. La creación de la Universidad de Mareante. Cuadernos
Monográficos del Instituto de Historia y Cultura Naval. (Adaptado)
Segundo Max Weber, o evento histórico descrito no texto
exemplifica um tipo de ação social
A nossa regra reclama do sociólogo que este adote o estado de
espírito em que se colocam os físicos, os químicos ou os
fisiologistas, quando se embrenham numa região ainda
inexplorada do seu domínio científico. O sociólogo, ao penetrar no
mundo social, precisa ter consciência de que penetra no
desconhecido; é preciso que ele se sinta em presença de fatos
cujas leis lhe são tão insuspeitas como eram as da vida antes da
biologia se ter constituído; é preciso que esteja preparado para
fazer descobertas que o surpreenderão e o desconcertarão.
DURKHEIM, Émile. As regras do método sociológico. São Paulo: Abril Cultural, 1978.
De acordo com o trecho, assinale a opção que apresenta
corretamente uma regra metodológica do tratamento do objeto
sociológico de Emile Durkheim.
Se a autoridade pública no tipo militar é ao mesmo tempo
positiva e negativamente reguladora, ela é só negativamente
reguladora no tipo industrial. Ao escravo, ao soldado ou a todo
outro membro de uma comunidade organizada para a guerra, a
autoridade diz: Tu farás isto; tu não farás aquilo. Mas ao membro
da sociedade industrial, a autoridade não dá senão uma só destas
ordens: Tu não farás isto. Portanto, o mesmo motivo que leva
todo mundo a se unir para sustentar uma autoridade pública
protetora de sua individualidade os levará a se unir, para impedir
toda intromissão em sua individualidade além do necessário para
protegê-los.
SPENCER, Herbert. Princípios de sociologia. Paris: Alcan, 1891.
A partir do trecho, assinale a opção que menciona corretamente
a influência no pensamento de Herbet Spencer no surgimento da
Sociologia como ciência.
Os pensadores clássicos da sociologia são:
Karl Marx
,
Émile
Durkheim
e
Max Weber
. Apesar disso, não podemos deixar de
mencionar a participação honrosa
Auguste Comte
, considerado
o “pai” da sociologia, por enunciar, pela primeira vez, a necessidade de uma ciência capaz de entender as bases da sociedade e
criar propostas de intervenção para que ela possa desenvolverse plenamente. Entretanto, foi com
Émile Durkheim
(1858-1917)
que a sociologia passa a ser considerada propriamente uma ciência com metodologia.
(Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/pensadoresclassicos-sociologia.htm. Adaptado.)
Considerando o exposto, bem como as ideias de
Émile Durkheim
,
está correto o que se afirma em:
O conceito de etnia refere-se a indivíduos que compartilham uma herança social e cultural transmitida de geração em geração; também tem um sentido político, de
afirmação da diferença cultural enquanto valorização humana. Já a raça, para além de um conceito baseado nas
características físicas, é uma categoria histórica, transitória, que se constitui socialmente a partir das relações sociais. Na perspectiva de Eurico (2013), é correto afirmar
que os conceitos raça e etnia não são sinônimos, mas
complementares. Ainda, o termo raça continua atual, e
os aspectos culturais abarcados pelo termo etnia, principalmente quando associados à raça, são motivadores de
Em seu Manifesto Ciborgue, a filósofa norte-americana Donna J.
Haraway reflete a respeito do par conceitual natural/artificial em
uma lógica ciborgue: “Imagine que você seja um pé de arroz. Você quer crescer e
produzir rebentos antes que os insetos predadores cresçam e
produzam rebentos para comer seus tenros brotos. Assim, você
divide sua energia entre crescer tão rapidamente quanto possa e
produzir toxinas em suas folhas para repelir os insetos. Agora,
vamos dizer que você seja um pesquisador tentando convencer os
agricultores californianos a deixar de utilizar pesticidas. Você está
criando variedades de arroz que produzem mais toxinas alcaloides
em suas folhas. Se os pesticidas são aplicados externamente, eles
contam como sendo químicos – e grandes quantidades deles
acabam nos corpos de imigrantes mexicanos ilegais que são
contratados para a colheita. Se eles estão dentro da planta, eles
contam como sendo naturais, mas podem acabar nos corpos dos
consumidores que comem o arroz.” Adaptado de HARRAWAY, D. “Manifesto ciborgue: ciência, tecnologia e feminismo-socialista”, in Antropologia do ciborgue: as vertigens do pós humano. Belo Horizonte:
Autêntica, 2009, p. 28. Com base no trecho, assinale a afirmativa que descreve
corretamente a redefinição da relação natural/artificial proposta
pela autora.