CASO FICTÍCIO: Ana Clara, 14 anos, diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA), frequenta uma escola pública de
tempo integral. Sua linguagem verbal é limitada, mas utiliza com eficiência recursos visuais e gestuais para comunicar-se. Em sala de
aula, apresenta dificuldades em manter a atenção compartilhada e reage com ansiedade a mudanças bruscas na rotina. A psicóloga
escolar, em diálogo com a equipe pedagógica, propôs ações colaborativas de mediação com foco na organização do ambiente e na
criação de rotinas previsíveis, além da valorização das habilidades cognitivas de Ana Clara em atividades que envolvem padrões
visuais e manipulação de objetos.
Com base no caso apresentado e na atuação da Psicologia Escolar no campo da Educação Inclusiva fundamentada na Abordagem
Histórico-Cultural, analise as afirmativas a seguir:
I- A abordagem histórico-cultural compreende o autismo como uma forma singular de constituição do psiquismo, resultante das
relações dialógicas entre o sujeito e o meio social, sendo a mediação pedagógica e o ambiente social elementos fundamentais para
o desenvolvimento potencial.
II- Em uma abordagem histórico-cultural, prioriza-se a caracterização do TEA considerando os manuais diagnósticos nos quais esta
condição é concebida como um transtorno do neurodesenvolvimento qualificado por déficits persistentes na comunicação e na
interação social, além de padrões restritos e repetitivos de comportamento.
III- A organização do espaço, o uso de recursos visuais e o planejamento intencional das interações constituem estratégias
fundamentais para promover a participação ativa e o desenvolvimento de Ana Clara e outros estudantes com autismo no contexto
escolar inclusivo.
IV- A atuação da psicóloga no contexto escolar junto a Ana Clara deve focar na aplicação de avaliações diagnósticas e elaboração de
laudos visando a avaliar os avanços dela, cabendo à psicóloga escolar e à equipe docente planejar e conduzir todas as práticas
pedagógicas voltadas ao estudante com deficiência.
Durante um projeto interdisciplinar em uma escola pública, a psicóloga educacional conduziu uma atividade formativa com estudantes
do 9º ano, abordando as noções de gênero e sexualidade a partir de uma perspectiva crítica e sociointeracionista. No decorrer da
discussão, emergiram dúvidas conceituais sobre identidade de gênero, expressão de gênero, orientação sexual e sexo biológico. Com
base nas concepções contemporâneas sobre gênero e sexualidade, assinale a alternativa CORRETA.
CASO FICTÍCIO: João Pedro, 9 anos, estudante do 4º ano do Ensino Fundamental em uma escola pública, foi encaminhado à
psicóloga educacional da unidade escolar com queixas de desatenção, impulsividade e dificuldades para manter o foco em atividades
escolares. Durante o acompanhamento, a profissional observou que João frequentemente iniciava as tarefas antes de ouvir todas as
instruções, apresentava dificuldades para planejar suas ações e organizar o material escolar, além de demonstrar frustração diante de
atividades mais complexas. Apesar disso, João apresentava boas habilidades verbais e criatividade quando era engajado por meio de
metodologias ativas e tarefas com estrutura clara.
Com base no caso apresentado, assinale a alternativa CORRETA sobre as intervenções da Psicologia Escolar/Educacional nas funções
executivas de estudantes com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) no contexto escolar.
Analise as afirmações a seguir sobre as Funções Executivas no contexto da Neuropsicologia e da Educação:
I- Aflexibilidade cognitiva manifesta-se de forma automática e invariável em todas as faixas etárias, estando mais relacionada aos
reflexos condicionados do sistema nervoso central. Por isso, sua estimulação intencional no contexto escolar apresenta eficácia
reduzida no desenvolvimento de habilidades adaptativas.
II- O controle inibitório permite que o estudante regule seus impulsos, focando sua atenção em tarefas cognitivamente exigentes,
sendo essencial para o autocontrole emocional e comportamental no ambiente escolar.
III- A memória de trabalho tem a responsabilidade de manter ativas determinadas informações por um período específico, servindo
como base para outros processos cognitivos. Logo, está diretamente implicada na realização de tarefas escolares que demandam
manipulação e retenção temporária de informações, como na leitura, escrita e resolução de problemas matemáticos.
Joana, 6 anos, ingressou há 2 meses no 1º ano do Ensino Fundamental. Sua professora observou que, inicialmente, ela utilizava apenas
recursos práticos e imitativos para resolver situações do cotidiano escolar. Com o tempo, passou a empregar linguagem, símbolos e
estratégias mais elaboradas para lidar com os desafios propostos em sala, como agrupar objetos por categorias, planejar ações com base
em instruções verbais e explicar suas escolhas. A partir desta observação, a psicóloga da escola compreendeu que Joana está em um
processo de desenvolvimento de um importante aspecto, que, segundo Vygotsky, resulta das interações sociais mediadas por
instrumentos simbólicos e internalizadas pela criança ao longo da ontogênese.
Com base no exposto, qual conceito vygotskiano se aplica de forma CORRETA ao processo descrito?
Em uma turma do 2º ano do Ensino Fundamental de uma escola pública de São Paulo (SP), a psicóloga educacional Maria Rita,
atuando com base na Teoria Histórico-Cultural Vygotskiana, depara-se com as seguintes situações de três estudantes: (Situação 1)
Mariana, ao tentar resolver um problema de contagem, observa atentamente como seu colega organiza os objetos e verbaliza os passos.
Com o apoio da professora, começa a repetir os procedimentos, mesmo sem compreendê-los totalmente. Dias depois, ela passa a
utilizar tais estratégias sozinha, com certa autonomia. (Situação 2) Caio, ao ser desafiado a escrever uma pequena história,
inicialmente desenha e narra oralmente seu enredo. A professora, percebendo a riqueza de sua elaboração verbal, sugere que ele dite
enquanto ela escreve. Com o tempo, Caio passa a escrever com maior autonomia, organizando suas ideias com coerência. (Situação 3)
Sofia é uma criança bastante introspectiva e emocionalmente sensível. Durante uma atividade sobre a família, ela se mostra impactada
pelas falas dos colegas e pela proposta. Sua professora observa que Sofia demonstra mais iniciativa em participar após esta atividade,
relacionando os conteúdos com sua experiência pessoal e revelando um novo engajamento com a escola.
Marque a opção que apresenta a sequência CORRETA dos conceitos de Vygotsky nas situações apresentadas.
Matheus tem 11 anos, estuda em uma escola pública da periferia urbana e acaba de ingressar no 6º ano do Ensino Fundamental. É um
aluno curioso, questionador e demonstra facilidade em organizar ideias, resolver problemas e argumentar com os colegas e
professores. Apesar disso, em algumas situações sociais, Matheus apresenta conflitos de identidade, oscilando entre a necessidade de
afirmação pessoal e o desejo de aceitação pelo grupo. Em casa, seu comportamento emocional oscila, ora buscando independência, ora
se mostrando inseguro diante das próprias decisões.
Com base no caso, analise as afirmativas sobre os estágios do desenvolvimento segundo Henri Wallon.
I- Aos 11 anos, Matheus encontra-se em transição entre o estágio categorial e o da puberdade e adolescência, o que pode explicar a
coexistência de avanços no pensamento lógico com instabilidades afetivas.
II- O estágio sensório-motor e projetivo se estende até os 11 anos, justificando a forma como Matheus interage com o mundo por
meio de movimentos e impulsos não mediados pelo pensamento simbólico.
III- O estágio da puberdade e adolescência, que inicia por volta dos 11 anos, é marcado por revalorização da afetividade e busca da
identidade pessoal, o que se manifesta em condutas oscilantes e afirmações contraditórias.
IV- A vivência de crises entre os estágios do desenvolvimento é compreendida de forma positiva como parte do movimento dialético
que impulsiona reorganizações qualitativas no comportamento da criança, promovendo novas formas de relação consigo mesma,
com os outros e com o meio.
V- Matheus está integralmente no estágio do personalismo, predominando a afetividade como traço exclusivo do seu
comportamento, o que justifica sua dificuldade em organizar pensamentos abstratos.
Henri Wallon (1968) apresenta-nos uma concepção psicogenética dialética do desenvolvimento considerada uma grande contribuição
para a compreensão do humano como pessoa integral, ajudando na superação da clássica divisão mente/corpo presente na cultura.
Segundo o autor, o comportamento humano encontra-se organizado por um conjunto de sistemas que atuam de forma integrada e
dialética no processo de desenvolvimento da criança. Esses conjuntos não operam de maneira isolada ou estanque, mas em constante
interação, ora em complementaridade, ora em contradição, promovendo avanços e reorganizações no desenvolvimento infantil. Em
determinados estágios, um desses conjuntos pode ter predominância, o que significa que ele orienta de forma mais intensa as condutas
da criança naquele momento, sem que os demais deixem de atuar.
Fonte: WALLON, Henri. A evolução psicológica da criança.Lisboa: Edições 70, 1968.
Sobre os conjuntos funcionais, marque a alternativa CORRETA conforme o texto.
A relação entre Psicanálise e Educação vem de longa data, desde que Freud demonstrou seu interesse pela Pedagogia na intenção de
possibilitar uma melhor compreensão por parte dos educadores sobre o desenvolvimento da criança e do adolescente (Freud, 1913).
Fonte: FREUD, Sigmund. Observações sobre o amor transferencial. In: ______. Escritos sobre a técnica da psicanálise (1911–1915). Tradução de Paulo César de Souza.
São Paulo: Companhia das Letras, 2010. (Original de 1913).
Sobre o processo de transferência, analise as afirmações a seguir:
I- A intensidade e a natureza dos afetos transferenciais determinam se a relação pedagógica será favorecida ou dificultada: afetos
ternos podem favorecer o ensino, enquanto afetos hostis ou eróticos tendem a comprometer a função pedagógica.
II- A autoridade docente decorre de um saber objetivamente mensurável e institucionalmente legitimado, sendo reconhecida de
forma consciente e racional pelo aluno, o que permite ao professor exercer controle pedagógico pleno sobre os processos
transferenciais estabelecidos em sala de aula.
III- A transferência na relação professor-aluno envolve a repetição de protótipos infantis com forte carga afetiva, sendo o professor
investido de significados que ultrapassam sua figura pessoal.
IV- Atransferência é um fenômeno específico da clínica psicanalítica.
V- A transferência pode tanto reatualizar identificações primitivas quanto projetar no professor imagens parentais idealizadas ou
temidas, comprometendo a autonomia intelectual do estudante.
I- A relação cognitiva sujeito/objeto é uma relação dialética.
II- O sujeito cognoscente constrói o conhecimento de maneira ativa e progressiva, o que se opõe à postura passiva e desvalorizadora
do personagem fossilizado.
III- O “Homo Ignorantus” representa o estágio final de desenvolvimento intelectual do sujeito, evidenciado por meio de sua
maturidade racional.
IV- A assimilação constitui um processo comum à vida orgânica e à atividade mental do sujeito cognoscente, portanto, uma noção
comum à fisiologia e à Psicologia.
V- O “Homo Ignorantus” está em consonância com o conceito de acomodação de Piaget.