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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
A origem do Sol
Essa história vem da região amazônica. Ela conta que o
Sol, esse que brilha no céu, já foi um rapaz forte e muito
bonito. Aconteceu assim...
Há muitos e muitos anos, houve uma festa na aldeia
onde um lindo rapaz morava, a "festa da moça nova", um
ritual que celebra a passagem das meninas indígenas de crianças a "moças" ou "jovens mulheres". Era dia de
música, dança, bebida e comida à vontade. E todos, é
claro, caprichariam nas pinturas do corpo com a tinta
vermelha a base de urucum, fruto do urucuzeiro.
Pois bem, o belo rapaz quis ajudar sua tia no preparo da
tinta. Entrou na mata, trouxe madeira vermelha de
muirapiranga, cortou a lenha e acendeu o fogo, no qual a
velha senhora pôs a ferver o urucum para que todos
pudessem se pintar. Mas a tia do moço não era uma
pessoa muito feliz. Era maldosa e ranzinza. O rapaz se
dedicava à tarefa de buscar mais e mais lenha para o
fogo e, mesmo assim, ela não parava de reclamar.
Admirado com o caldo vermelho borbulhando, ele
perguntou à tia se poderia provar da tinta. A mulher
impaciente disse que sim. Insistiu para ele beber uma
grande quantidade, garantindo que o gosto era bom e
que não lhe faria mal. No fundo, porém, ela queria que
ele passasse mal, fosse embora logo e a deixasse
sozinha.
O rapaz bebeu e, conforme engolia a tinta quente, ia
ficando vermelho, cada vez mais vermelho,
extremamente vermelho, até que ficou em chamas! A tia,
espantada, viu o sobrinho virar uma bola de fogo, subir
ao céu e sumir entre as nuvens.
E foi assim que um jovem indígena se tornou o Sol, que
aquece e ilumina o mundo todo.
https://chc.org.br/artigo/a-origem-do-sol/
I. O texto apresenta uma explicação de origem mítica para o Sol, típica das tradições indígenas, em que fenômenos naturais são explicados por meio de histórias humanas e sobrenaturais.
II. Os personagens do texto são retratados como pessoas prestativas e carinhosas, mostrando uma boa relação familiar.
III. No texto observa-se traição dentro das relações familiares.
É CORRETO o que se afirma em:
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
A origem do Sol
Essa história vem da região amazônica. Ela conta que o
Sol, esse que brilha no céu, já foi um rapaz forte e muito
bonito. Aconteceu assim...
Há muitos e muitos anos, houve uma festa na aldeia
onde um lindo rapaz morava, a "festa da moça nova", um
ritual que celebra a passagem das meninas indígenas de crianças a "moças" ou "jovens mulheres". Era dia de
música, dança, bebida e comida à vontade. E todos, é
claro, caprichariam nas pinturas do corpo com a tinta
vermelha a base de urucum, fruto do urucuzeiro.
Pois bem, o belo rapaz quis ajudar sua tia no preparo da
tinta. Entrou na mata, trouxe madeira vermelha de
muirapiranga, cortou a lenha e acendeu o fogo, no qual a
velha senhora pôs a ferver o urucum para que todos
pudessem se pintar. Mas a tia do moço não era uma
pessoa muito feliz. Era maldosa e ranzinza. O rapaz se
dedicava à tarefa de buscar mais e mais lenha para o
fogo e, mesmo assim, ela não parava de reclamar.
Admirado com o caldo vermelho borbulhando, ele
perguntou à tia se poderia provar da tinta. A mulher
impaciente disse que sim. Insistiu para ele beber uma
grande quantidade, garantindo que o gosto era bom e
que não lhe faria mal. No fundo, porém, ela queria que
ele passasse mal, fosse embora logo e a deixasse
sozinha.
O rapaz bebeu e, conforme engolia a tinta quente, ia
ficando vermelho, cada vez mais vermelho,
extremamente vermelho, até que ficou em chamas! A tia,
espantada, viu o sobrinho virar uma bola de fogo, subir
ao céu e sumir entre as nuvens.
E foi assim que um jovem indígena se tornou o Sol, que
aquece e ilumina o mundo todo.
https://chc.org.br/artigo/a-origem-do-sol/
Assinale a alternativa CORRETA que traduz a expressão 'ritual', no contexto em que foi utilizado.
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A origem do Sol
Essa história vem da região amazônica. Ela conta que o
Sol, esse que brilha no céu, já foi um rapaz forte e muito
bonito. Aconteceu assim...
Há muitos e muitos anos, houve uma festa na aldeia
onde um lindo rapaz morava, a "festa da moça nova", um
ritual que celebra a passagem das meninas indígenas de crianças a "moças" ou "jovens mulheres". Era dia de
música, dança, bebida e comida à vontade. E todos, é
claro, caprichariam nas pinturas do corpo com a tinta
vermelha a base de urucum, fruto do urucuzeiro.
Pois bem, o belo rapaz quis ajudar sua tia no preparo da
tinta. Entrou na mata, trouxe madeira vermelha de
muirapiranga, cortou a lenha e acendeu o fogo, no qual a
velha senhora pôs a ferver o urucum para que todos
pudessem se pintar. Mas a tia do moço não era uma
pessoa muito feliz. Era maldosa e ranzinza. O rapaz se
dedicava à tarefa de buscar mais e mais lenha para o
fogo e, mesmo assim, ela não parava de reclamar.
Admirado com o caldo vermelho borbulhando, ele
perguntou à tia se poderia provar da tinta. A mulher
impaciente disse que sim. Insistiu para ele beber uma
grande quantidade, garantindo que o gosto era bom e
que não lhe faria mal. No fundo, porém, ela queria que
ele passasse mal, fosse embora logo e a deixasse
sozinha.
O rapaz bebeu e, conforme engolia a tinta quente, ia
ficando vermelho, cada vez mais vermelho,
extremamente vermelho, até que ficou em chamas! A tia,
espantada, viu o sobrinho virar uma bola de fogo, subir
ao céu e sumir entre as nuvens.
E foi assim que um jovem indígena se tornou o Sol, que
aquece e ilumina o mundo todo.
https://chc.org.br/artigo/a-origem-do-sol/
Identifique a alternativa CORRETA sobre o tema que será apresentado:
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
A origem do Sol
Essa história vem da região amazônica. Ela conta que o
Sol, esse que brilha no céu, já foi um rapaz forte e muito
bonito. Aconteceu assim...
Há muitos e muitos anos, houve uma festa na aldeia
onde um lindo rapaz morava, a "festa da moça nova", um
ritual que celebra a passagem das meninas indígenas de crianças a "moças" ou "jovens mulheres". Era dia de
música, dança, bebida e comida à vontade. E todos, é
claro, caprichariam nas pinturas do corpo com a tinta
vermelha a base de urucum, fruto do urucuzeiro.
Pois bem, o belo rapaz quis ajudar sua tia no preparo da
tinta. Entrou na mata, trouxe madeira vermelha de
muirapiranga, cortou a lenha e acendeu o fogo, no qual a
velha senhora pôs a ferver o urucum para que todos
pudessem se pintar. Mas a tia do moço não era uma
pessoa muito feliz. Era maldosa e ranzinza. O rapaz se
dedicava à tarefa de buscar mais e mais lenha para o
fogo e, mesmo assim, ela não parava de reclamar.
Admirado com o caldo vermelho borbulhando, ele
perguntou à tia se poderia provar da tinta. A mulher
impaciente disse que sim. Insistiu para ele beber uma
grande quantidade, garantindo que o gosto era bom e
que não lhe faria mal. No fundo, porém, ela queria que
ele passasse mal, fosse embora logo e a deixasse
sozinha.
O rapaz bebeu e, conforme engolia a tinta quente, ia
ficando vermelho, cada vez mais vermelho,
extremamente vermelho, até que ficou em chamas! A tia,
espantada, viu o sobrinho virar uma bola de fogo, subir
ao céu e sumir entre as nuvens.
E foi assim que um jovem indígena se tornou o Sol, que
aquece e ilumina o mundo todo.
https://chc.org.br/artigo/a-origem-do-sol/
Após a leitura do texto sobre a origem do sol, analise as afirmativas a seguir:
I. O texto apresenta uma explicação simbólica para a origem de um elemento da natureza.
II. A tia lançou uma maldição contra o sobrinho, fazendo com que ele fosse transformado em fogo.
III. A tinta de urucum é realmente capaz de transformar qualquer pessoa em fogo.
IV. A tia pretendia transformar o sobrinho em um astro celeste; por isso, obrigou-o a ingerir o líquido.
É CORRETO o que se afirma em:
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Por que sempre temos espaço para uma sobremesa,
segundo anatomista?
Você se afasta da mesa depois do almoço de Natal,
satisfeito com o excelente banquete.
Você realmente não conseguiria comer mais nada −
exceto, talvez, um pouco de pudim.
De alguma forma, não importa o quanto você tenha
comido, sempre parece haver espaço para a sobremesa.
Por quê? O que há em algo doce que nos tenta a dizer
"vamos nessa", mesmo quando cheios?
Os japoneses capturam isso perfeitamente com a
palavra betsubara , que significa "estômago separado"
Anatomicamente falando, não existe um compartimento
extra, mas a sensação de ainda ter espaço para o pudim
é tão comum que merece uma explicação científica.
Longe de ser imaginário, esse sentimento reflete uma
série de processos fisiológicos e psicológicos que,
juntos, tornam a sobremesa excepcionalmente atraente,
mesmo quando o prato principal parece ter nos levado
ao limite da saciedade.
Um bom ponto de partida é o próprio estômago. Muitas
pessoas o imaginam como um saco de tamanho fixo que
se enche constantemente até não poder mais, como se
mais uma garfada o fizesse transbordar.
Na realidade, o estômago é projetado para se expandir e
se adaptar.
Ao começarmos a comer, o estômago passa por um
processo de "acomodação gástrica": a musculatura lisa
relaxa, criando capacidade extra sem um grande
aumento de pressão.
Crucialmente, alimentos macios e doces exigem
pouquíssima digestão mecânica.
Um prato principal pesado pode fazer o estômago se
sentir distendido, mas uma sobremesa leve, como
sorvete ou mousse, mal exige esforço do estômago,
permitindo que ele relaxe ainda mais para criar espaço.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4gkg0ed91jo adaptado
Segundo as informações apresentadas no texto, é CORRETO afirmar que o estômago:
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Por que sempre temos espaço para uma sobremesa,
segundo anatomista?
Você se afasta da mesa depois do almoço de Natal,
satisfeito com o excelente banquete.
Você realmente não conseguiria comer mais nada −
exceto, talvez, um pouco de pudim.
De alguma forma, não importa o quanto você tenha
comido, sempre parece haver espaço para a sobremesa.
Por quê? O que há em algo doce que nos tenta a dizer
"vamos nessa", mesmo quando cheios?
Os japoneses capturam isso perfeitamente com a
palavra betsubara , que significa "estômago separado"
Anatomicamente falando, não existe um compartimento
extra, mas a sensação de ainda ter espaço para o pudim
é tão comum que merece uma explicação científica.
Longe de ser imaginário, esse sentimento reflete uma
série de processos fisiológicos e psicológicos que,
juntos, tornam a sobremesa excepcionalmente atraente,
mesmo quando o prato principal parece ter nos levado
ao limite da saciedade.
Um bom ponto de partida é o próprio estômago. Muitas
pessoas o imaginam como um saco de tamanho fixo que
se enche constantemente até não poder mais, como se
mais uma garfada o fizesse transbordar.
Na realidade, o estômago é projetado para se expandir e
se adaptar.
Ao começarmos a comer, o estômago passa por um
processo de "acomodação gástrica": a musculatura lisa
relaxa, criando capacidade extra sem um grande
aumento de pressão.
Crucialmente, alimentos macios e doces exigem
pouquíssima digestão mecânica.
Um prato principal pesado pode fazer o estômago se
sentir distendido, mas uma sobremesa leve, como
sorvete ou mousse, mal exige esforço do estômago,
permitindo que ele relaxe ainda mais para criar espaço.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4gkg0ed91jo adaptado
A partir do texto, é CORRETO afirmar que:
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O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Por que sempre temos espaço para uma sobremesa,
segundo anatomista?
Você se afasta da mesa depois do almoço de Natal,
satisfeito com o excelente banquete.
Você realmente não conseguiria comer mais nada −
exceto, talvez, um pouco de pudim.
De alguma forma, não importa o quanto você tenha
comido, sempre parece haver espaço para a sobremesa.
Por quê? O que há em algo doce que nos tenta a dizer
"vamos nessa", mesmo quando cheios?
Os japoneses capturam isso perfeitamente com a
palavra betsubara , que significa "estômago separado"
Anatomicamente falando, não existe um compartimento
extra, mas a sensação de ainda ter espaço para o pudim
é tão comum que merece uma explicação científica.
Longe de ser imaginário, esse sentimento reflete uma
série de processos fisiológicos e psicológicos que,
juntos, tornam a sobremesa excepcionalmente atraente,
mesmo quando o prato principal parece ter nos levado
ao limite da saciedade.
Um bom ponto de partida é o próprio estômago. Muitas
pessoas o imaginam como um saco de tamanho fixo que
se enche constantemente até não poder mais, como se
mais uma garfada o fizesse transbordar.
Na realidade, o estômago é projetado para se expandir e
se adaptar.
Ao começarmos a comer, o estômago passa por um
processo de "acomodação gástrica": a musculatura lisa
relaxa, criando capacidade extra sem um grande
aumento de pressão.
Crucialmente, alimentos macios e doces exigem
pouquíssima digestão mecânica.
Um prato principal pesado pode fazer o estômago se
sentir distendido, mas uma sobremesa leve, como
sorvete ou mousse, mal exige esforço do estômago,
permitindo que ele relaxe ainda mais para criar espaço.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4gkg0ed91jo adaptado
De acordo com o texto, sempre há espaço para uma sobremesa. A partir disso, identifique a alternativa CORRETA.
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A Velha
A velha era felicíssima. Pois não é verdade que tinha
uma boa vida e nada lhe faltava? Só nessa manhã tinha
encontrado um lugar vago num banco de jardim, nem
demasiado à sombra nem demasiado ao sol, o elétrico1
não
vinha excessivamente cheio e também conseguiu lugar, o
padeiro disse-lhe bom dia com um ar tão simpático, quando
ela deixou em cima do balcão o dinheiro de três carcaças2
,
e o empregado da mercearia ficou a conversar depois de lhe
dar o troco e perguntou-lhe se gostava daquela nova marca
de café.
Nos meses mais quentes tirava um passe de terceira
idade e passeava. No inverno não valia a pena, estava frio
e vinha logo a chuva e preferia não sair, por causa do reumatismo.
Mas, saindo só nos meses mais bonitos, o passe ficava
ainda mais barato. Se fizesse a conta do preço a dividir por
doze (ah, sabia bem fazer contas, sempre tinha sido esperta
na escola) pois se fizesse a conta a dividir por doze ainda
era menos que pagava pelo passe.
Gostava sobretudo do elétrico da circulação, dava a volta
à cidade sem ter de sair, e ainda por cima bem instalada,
conseguia ficar quase sempre ao pé da janela. Ou, se não
conseguisse na primeira volta, era certo que conseguia na
segunda, porque, entretanto, sairia quem fosse à janela e era
só empurrar-se um pouco e ocupar o lugar do outro, e então
sim, via tudo como se estivesse no cinema.
Ao cinema propriamente ia pouco, há vários anos até que
já não ia. Não era só por ser caro, é que às vezes as cadeiras
estavam gastas e faziam-lhe doer as costas, e também nunca
sabia se ia gostar dos filmes. E se não gostasse não podia
fazer como na televisão e mudar de canal ou desligar, tinha de aguentar até ao fim, ou sair. E era um grande desconsolo sair
a meio, já lhe tinha acontecido mais do que uma vez.
Por isso não ia cinema. Televisão via bastante, claro,
mas dava-lhe mais gozo andar de elétrico. Em vez de ficar
fechada em casa, andava no meio das pessoas e das ruas,
mas sem se cansar, bem sentada. Gozando o espetáculo dos
outros — olha ali aquela montra3
iluminada, aquele homem
a correr, aquela mulher ajoujada4
com o cesto das couves.
E ela ali, recostada na cadeira, sem carregar pesos, nem
sequer o peso do seu próprio corpo — dava-lhe vontade de
rir, tamanha facilidade.
(Teolinda Gersão. Histórias de Ver e Andar, 2002. Adaptado)
1 bonde
2 pãezinhos
3 vitrine
4 sobrecarregada
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A Velha
A velha era felicíssima. Pois não é verdade que tinha
uma boa vida e nada lhe faltava? Só nessa manhã tinha
encontrado um lugar vago num banco de jardim, nem
demasiado à sombra nem demasiado ao sol, o elétrico1
não
vinha excessivamente cheio e também conseguiu lugar, o
padeiro disse-lhe bom dia com um ar tão simpático, quando
ela deixou em cima do balcão o dinheiro de três carcaças2
,
e o empregado da mercearia ficou a conversar depois de lhe
dar o troco e perguntou-lhe se gostava daquela nova marca
de café.
Nos meses mais quentes tirava um passe de terceira
idade e passeava. No inverno não valia a pena, estava frio
e vinha logo a chuva e preferia não sair, por causa do reumatismo.
Mas, saindo só nos meses mais bonitos, o passe ficava
ainda mais barato. Se fizesse a conta do preço a dividir por
doze (ah, sabia bem fazer contas, sempre tinha sido esperta
na escola) pois se fizesse a conta a dividir por doze ainda
era menos que pagava pelo passe.
Gostava sobretudo do elétrico da circulação, dava a volta
à cidade sem ter de sair, e ainda por cima bem instalada,
conseguia ficar quase sempre ao pé da janela. Ou, se não
conseguisse na primeira volta, era certo que conseguia na
segunda, porque, entretanto, sairia quem fosse à janela e era
só empurrar-se um pouco e ocupar o lugar do outro, e então
sim, via tudo como se estivesse no cinema.
Ao cinema propriamente ia pouco, há vários anos até que
já não ia. Não era só por ser caro, é que às vezes as cadeiras
estavam gastas e faziam-lhe doer as costas, e também nunca
sabia se ia gostar dos filmes. E se não gostasse não podia
fazer como na televisão e mudar de canal ou desligar, tinha de aguentar até ao fim, ou sair. E era um grande desconsolo sair
a meio, já lhe tinha acontecido mais do que uma vez.
Por isso não ia cinema. Televisão via bastante, claro,
mas dava-lhe mais gozo andar de elétrico. Em vez de ficar
fechada em casa, andava no meio das pessoas e das ruas,
mas sem se cansar, bem sentada. Gozando o espetáculo dos
outros — olha ali aquela montra3
iluminada, aquele homem
a correr, aquela mulher ajoujada4
com o cesto das couves.
E ela ali, recostada na cadeira, sem carregar pesos, nem
sequer o peso do seu próprio corpo — dava-lhe vontade de
rir, tamanha facilidade.
(Teolinda Gersão. Histórias de Ver e Andar, 2002. Adaptado)
1 bonde
2 pãezinhos
3 vitrine
4 sobrecarregada
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A Velha
A velha era felicíssima. Pois não é verdade que tinha
uma boa vida e nada lhe faltava? Só nessa manhã tinha
encontrado um lugar vago num banco de jardim, nem
demasiado à sombra nem demasiado ao sol, o elétrico1
não
vinha excessivamente cheio e também conseguiu lugar, o
padeiro disse-lhe bom dia com um ar tão simpático, quando
ela deixou em cima do balcão o dinheiro de três carcaças2
,
e o empregado da mercearia ficou a conversar depois de lhe
dar o troco e perguntou-lhe se gostava daquela nova marca
de café.
Nos meses mais quentes tirava um passe de terceira
idade e passeava. No inverno não valia a pena, estava frio
e vinha logo a chuva e preferia não sair, por causa do reumatismo.
Mas, saindo só nos meses mais bonitos, o passe ficava
ainda mais barato. Se fizesse a conta do preço a dividir por
doze (ah, sabia bem fazer contas, sempre tinha sido esperta
na escola) pois se fizesse a conta a dividir por doze ainda
era menos que pagava pelo passe.
Gostava sobretudo do elétrico da circulação, dava a volta
à cidade sem ter de sair, e ainda por cima bem instalada,
conseguia ficar quase sempre ao pé da janela. Ou, se não
conseguisse na primeira volta, era certo que conseguia na
segunda, porque, entretanto, sairia quem fosse à janela e era
só empurrar-se um pouco e ocupar o lugar do outro, e então
sim, via tudo como se estivesse no cinema.
Ao cinema propriamente ia pouco, há vários anos até que
já não ia. Não era só por ser caro, é que às vezes as cadeiras
estavam gastas e faziam-lhe doer as costas, e também nunca
sabia se ia gostar dos filmes. E se não gostasse não podia
fazer como na televisão e mudar de canal ou desligar, tinha de aguentar até ao fim, ou sair. E era um grande desconsolo sair
a meio, já lhe tinha acontecido mais do que uma vez.
Por isso não ia cinema. Televisão via bastante, claro,
mas dava-lhe mais gozo andar de elétrico. Em vez de ficar
fechada em casa, andava no meio das pessoas e das ruas,
mas sem se cansar, bem sentada. Gozando o espetáculo dos
outros — olha ali aquela montra3
iluminada, aquele homem
a correr, aquela mulher ajoujada4
com o cesto das couves.
E ela ali, recostada na cadeira, sem carregar pesos, nem
sequer o peso do seu próprio corpo — dava-lhe vontade de
rir, tamanha facilidade.
(Teolinda Gersão. Histórias de Ver e Andar, 2002. Adaptado)
1 bonde
2 pãezinhos
3 vitrine
4 sobrecarregada
• Só nessa manhã tinha encontrado um lugar vago num banco de jardim… (1º parágrafo)
• Mas, saindo só nos meses mais bonitos, o passe ficava ainda mais barato. (3º parágrafo)
• Gostava sobretudo do elétrico da circulação, dava a volta à cidade sem ter de sair… (4º parágrafo)
• Não era só por ser caro, é que às vezes as cadeiras estavam gastas… (5º parágrafo)
Sem prejuízo de sentido ao texto, as expressões destacadas podem ser substituídas, correta e respectivamente, por:
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