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4033327 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: Câm. Alumínio-SP
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Perdoe os amigos
        Não estrague a amizade porque o seu amigo anda chato. É uma fase. Pode ser falta de dinheiro, problemas familiares, um amor que não está dando certo. Cuidado para não tornar definitivo o que é provisório. Ele está chato, não é chato. Rememore o quanto vocês se conhecem, o quanto viveram de cumplicidade e segredos, o quanto superaram adversidades e desilusões.
        Não vale a pena sacrificar uma história inteira feliz por um dia ruim. Uma indiscrição, uma grosseria e uma aspereza não significam que tudo foi em vão. Pondere, todo amigo tem o direito de errar, de incomodar e se desculpar. Não converta a falta de sintonia passageira em distanciamento permanente. Não devemos enxergar somente o período turbulento e desagradável e esquecermos de reconhecer o companheirismo anterior. Falta-nos paciência para encarar as lamúrias e contextualizar os ataques. Em vez de respirar um pouco e dar um desconto, tratamos de responder as agressões com violência.
        Dê um tempo para o amigo, afaste-se por uma semana, crie saudade de um mês, porém não destrua os laços em função de uma implicância. Às vezes ele não quer ser ajudado, às vezes não há como socorrer aflições, às vezes ele ofende jurando que vem sendo apenas sincero.
         Abra espaço para que ele reflita e se acalme. Entenda que as melhores companhias não são boas companhias o tempo inteiro. Amizade é também prever o momento de se retirar para voltar com mais força e amor redobrado.
(Fabrício Carpinejar. Amizade é também amor, 2017. Adaptado)
No trecho do primeiro parágrafo − Rememore o quanto vocês se conhecem, o quanto viveram de cumplicidade e segredos, o quanto superaram adversidades e desilusões. –, os dois verbos destacados estão no tempo passado. Alterando-os para o tempo futuro, têm-se, na ordem em que se apresentam:
 

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4033326 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: Câm. Alumínio-SP
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Perdoe os amigos
        Não estrague a amizade porque o seu amigo anda chato. É uma fase. Pode ser falta de dinheiro, problemas familiares, um amor que não está dando certo. Cuidado para não tornar definitivo o que é provisório. Ele está chato, não é chato. Rememore o quanto vocês se conhecem, o quanto viveram de cumplicidade e segredos, o quanto superaram adversidades e desilusões.
        Não vale a pena sacrificar uma história inteira feliz por um dia ruim. Uma indiscrição, uma grosseria e uma aspereza não significam que tudo foi em vão. Pondere, todo amigo tem o direito de errar, de incomodar e se desculpar. Não converta a falta de sintonia passageira em distanciamento permanente. Não devemos enxergar somente o período turbulento e desagradável e esquecermos de reconhecer o companheirismo anterior. Falta-nos paciência para encarar as lamúrias e contextualizar os ataques. Em vez de respirar um pouco e dar um desconto, tratamos de responder as agressões com violência.
        Dê um tempo para o amigo, afaste-se por uma semana, crie saudade de um mês, porém não destrua os laços em função de uma implicância. Às vezes ele não quer ser ajudado, às vezes não há como socorrer aflições, às vezes ele ofende jurando que vem sendo apenas sincero.
         Abra espaço para que ele reflita e se acalme. Entenda que as melhores companhias não são boas companhias o tempo inteiro. Amizade é também prever o momento de se retirar para voltar com mais força e amor redobrado.
(Fabrício Carpinejar. Amizade é também amor, 2017. Adaptado)
Assinale a alternativa que apresenta uma palavra ou expressão empregada com sentido figurado.
 

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4033325 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: Câm. Alumínio-SP
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Perdoe os amigos
        Não estrague a amizade porque o seu amigo anda chato. É uma fase. Pode ser falta de dinheiro, problemas familiares, um amor que não está dando certo. Cuidado para não tornar definitivo o que é provisório. Ele está chato, não é chato. Rememore o quanto vocês se conhecem, o quanto viveram de cumplicidade e segredos, o quanto superaram adversidades e desilusões.
        Não vale a pena sacrificar uma história inteira feliz por um dia ruim. Uma indiscrição, uma grosseria e uma aspereza não significam que tudo foi em vão. Pondere, todo amigo tem o direito de errar, de incomodar e se desculpar. Não converta a falta de sintonia passageira em distanciamento permanente. Não devemos enxergar somente o período turbulento e desagradável e esquecermos de reconhecer o companheirismo anterior. Falta-nos paciência para encarar as lamúrias e contextualizar os ataques. Em vez de respirar um pouco e dar um desconto, tratamos de responder as agressões com violência.
        Dê um tempo para o amigo, afaste-se por uma semana, crie saudade de um mês, porém não destrua os laços em função de uma implicância. Às vezes ele não quer ser ajudado, às vezes não há como socorrer aflições, às vezes ele ofende jurando que vem sendo apenas sincero.
         Abra espaço para que ele reflita e se acalme. Entenda que as melhores companhias não são boas companhias o tempo inteiro. Amizade é também prever o momento de se retirar para voltar com mais força e amor redobrado.
(Fabrício Carpinejar. Amizade é também amor, 2017. Adaptado)
Assinale a alternativa em que o termo destacado na frase atribui uma característica à palavra anterior.
 

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4033324 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: Câm. Alumínio-SP
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Perdoe os amigos
        Não estrague a amizade porque o seu amigo anda chato. É uma fase. Pode ser falta de dinheiro, problemas familiares, um amor que não está dando certo. Cuidado para não tornar definitivo o que é provisório. Ele está chato, não é chato. Rememore o quanto vocês se conhecem, o quanto viveram de cumplicidade e segredos, o quanto superaram adversidades e desilusões.
        Não vale a pena sacrificar uma história inteira feliz por um dia ruim. Uma indiscrição, uma grosseria e uma aspereza não significam que tudo foi em vão. Pondere, todo amigo tem o direito de errar, de incomodar e se desculpar. Não converta a falta de sintonia passageira em distanciamento permanente. Não devemos enxergar somente o período turbulento e desagradável e esquecermos de reconhecer o companheirismo anterior. Falta-nos paciência para encarar as lamúrias e contextualizar os ataques. Em vez de respirar um pouco e dar um desconto, tratamos de responder as agressões com violência.
        Dê um tempo para o amigo, afaste-se por uma semana, crie saudade de um mês, porém não destrua os laços em função de uma implicância. Às vezes ele não quer ser ajudado, às vezes não há como socorrer aflições, às vezes ele ofende jurando que vem sendo apenas sincero.
         Abra espaço para que ele reflita e se acalme. Entenda que as melhores companhias não são boas companhias o tempo inteiro. Amizade é também prever o momento de se retirar para voltar com mais força e amor redobrado.
(Fabrício Carpinejar. Amizade é também amor, 2017. Adaptado)
Na frase contida no segundo parágrafo − Falta-nos paciência para encarar as lamúrias e contextualizar os ataques. −, as palavras destacadas podem ser substituídas, sem alteração de sentido e na ordem em que se apresentam, por
 

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4033323 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: Câm. Alumínio-SP
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Perdoe os amigos
        Não estrague a amizade porque o seu amigo anda chato. É uma fase. Pode ser falta de dinheiro, problemas familiares, um amor que não está dando certo. Cuidado para não tornar definitivo o que é provisório. Ele está chato, não é chato. Rememore o quanto vocês se conhecem, o quanto viveram de cumplicidade e segredos, o quanto superaram adversidades e desilusões.
        Não vale a pena sacrificar uma história inteira feliz por um dia ruim. Uma indiscrição, uma grosseria e uma aspereza não significam que tudo foi em vão. Pondere, todo amigo tem o direito de errar, de incomodar e se desculpar. Não converta a falta de sintonia passageira em distanciamento permanente. Não devemos enxergar somente o período turbulento e desagradável e esquecermos de reconhecer o companheirismo anterior. Falta-nos paciência para encarar as lamúrias e contextualizar os ataques. Em vez de respirar um pouco e dar um desconto, tratamos de responder as agressões com violência.
        Dê um tempo para o amigo, afaste-se por uma semana, crie saudade de um mês, porém não destrua os laços em função de uma implicância. Às vezes ele não quer ser ajudado, às vezes não há como socorrer aflições, às vezes ele ofende jurando que vem sendo apenas sincero.
         Abra espaço para que ele reflita e se acalme. Entenda que as melhores companhias não são boas companhias o tempo inteiro. Amizade é também prever o momento de se retirar para voltar com mais força e amor redobrado.
(Fabrício Carpinejar. Amizade é também amor, 2017. Adaptado)
O texto apresenta as relações de amizade de modo a
 

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4033322 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: Câm. Alumínio-SP
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Perdoe os amigos
        Não estrague a amizade porque o seu amigo anda chato. É uma fase. Pode ser falta de dinheiro, problemas familiares, um amor que não está dando certo. Cuidado para não tornar definitivo o que é provisório. Ele está chato, não é chato. Rememore o quanto vocês se conhecem, o quanto viveram de cumplicidade e segredos, o quanto superaram adversidades e desilusões.
        Não vale a pena sacrificar uma história inteira feliz por um dia ruim. Uma indiscrição, uma grosseria e uma aspereza não significam que tudo foi em vão. Pondere, todo amigo tem o direito de errar, de incomodar e se desculpar. Não converta a falta de sintonia passageira em distanciamento permanente. Não devemos enxergar somente o período turbulento e desagradável e esquecermos de reconhecer o companheirismo anterior. Falta-nos paciência para encarar as lamúrias e contextualizar os ataques. Em vez de respirar um pouco e dar um desconto, tratamos de responder as agressões com violência.
        Dê um tempo para o amigo, afaste-se por uma semana, crie saudade de um mês, porém não destrua os laços em função de uma implicância. Às vezes ele não quer ser ajudado, às vezes não há como socorrer aflições, às vezes ele ofende jurando que vem sendo apenas sincero.
         Abra espaço para que ele reflita e se acalme. Entenda que as melhores companhias não são boas companhias o tempo inteiro. Amizade é também prever o momento de se retirar para voltar com mais força e amor redobrado.
(Fabrício Carpinejar. Amizade é também amor, 2017. Adaptado)
O texto contém conselhos, nos quais predomina a ideia de que
 

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4033281 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: Câm. Nova Odessa-SP
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Leia o trecho da crônica de Kalaf Epalanga para responder a questão.
Banho de caneca
        Não me canso, o angolano é o meu assunto favorito. Reparem bem, o lúcido afeto que lhe dedico é umbilical. E como o amor, ainda que cego, é exigente, não me furto a reconhecer que somos um povo subdesenvolvido com uma coragem arrebatadora, engenhoso no alto da sua miséria semi-institucionalizada, de sorriso aberto, mestre de esquemas e especialista na arte do banho de caneca. Desde muito cedo, desde o meu tempo da bola de gude e do bica bidon1 , que soube que o mundo cabe dentro de um alguidar com água, o mesmo no qual ainda hoje muitos chacoalham o seu amanhecer madrugador
        Ah, se essas bacias falassem! Realmente certas coisas são como andar de bicicleta, nunca se esquecem. Amanheci na minha Benguela2 materna e me bastou ver aquela bacia repousando ao lado da sua eterna companheira, a caneca, para que as memórias se tornassem palpáveis. Não há lar, seja ele um palácio ou um barraco de adobe3 e pau a pique, que não exiba esse indispensável utensílio. Tão democrático e unificador que até hoje me espanto porque é que ainda não foi consagrado a monumento, talvez monumento seja exagero, mas o alguidar e a caneca já mereciam um semba4 que lhes servisse de ode. Sim, porque não são só as classes menos favorecidas que se dedicam a esse ritual. Todo o lar, seja ele de um ministro, de uma zungueira5 e até, por ironia, de um funcionário das Águas de Angola, desde que tenham torneiras no silêncio, conhecem a arte do banho de caneca.
(Kalaf Epalanga, Minha pátria é a língua pretuguesa: crônicas, 2023)
1 Bidon: brincadeira angolana em que um jogador, o “segurança”, precisa defender uma garrafa ou “bidon” (bidão) no chão, enquanto os outros jogadores tentam chutá-la.
2Benguela: cidade angolana.
3Adobe: tijolo de argila.
4Semba: movimento de dança que consiste no embate, de frente, entre dois dançarinos; umbigada.
5Zungueira: vendedora ambulante.
Considere as seguintes passagens:
• Reparem bem, o lúcido afeto que lhe dedico é umbilical. (1º parágrafo) • Ah, se essas bacias falassem! (2º parágrafo) • Sim, porque não são só as classes menos favorecidas que se dedicam a esse ritual. (2º parágrafo)

No contexto da crônica, as expressões destacadas têm como referências, correta e respectivamente:
 

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4033280 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: Câm. Nova Odessa-SP
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Leia o trecho da crônica de Kalaf Epalanga para responder a questão.
Banho de caneca
        Não me canso, o angolano é o meu assunto favorito. Reparem bem, o lúcido afeto que lhe dedico é umbilical. E como o amor, ainda que cego, é exigente, não me furto a reconhecer que somos um povo subdesenvolvido com uma coragem arrebatadora, engenhoso no alto da sua miséria semi-institucionalizada, de sorriso aberto, mestre de esquemas e especialista na arte do banho de caneca. Desde muito cedo, desde o meu tempo da bola de gude e do bica bidon1 , que soube que o mundo cabe dentro de um alguidar com água, o mesmo no qual ainda hoje muitos chacoalham o seu amanhecer madrugador
        Ah, se essas bacias falassem! Realmente certas coisas são como andar de bicicleta, nunca se esquecem. Amanheci na minha Benguela2 materna e me bastou ver aquela bacia repousando ao lado da sua eterna companheira, a caneca, para que as memórias se tornassem palpáveis. Não há lar, seja ele um palácio ou um barraco de adobe3 e pau a pique, que não exiba esse indispensável utensílio. Tão democrático e unificador que até hoje me espanto porque é que ainda não foi consagrado a monumento, talvez monumento seja exagero, mas o alguidar e a caneca já mereciam um semba4 que lhes servisse de ode. Sim, porque não são só as classes menos favorecidas que se dedicam a esse ritual. Todo o lar, seja ele de um ministro, de uma zungueira5 e até, por ironia, de um funcionário das Águas de Angola, desde que tenham torneiras no silêncio, conhecem a arte do banho de caneca.
(Kalaf Epalanga, Minha pátria é a língua pretuguesa: crônicas, 2023)
1 Bidon: brincadeira angolana em que um jogador, o “segurança”, precisa defender uma garrafa ou “bidon” (bidão) no chão, enquanto os outros jogadores tentam chutá-la.
2Benguela: cidade angolana.
3Adobe: tijolo de argila.
4Semba: movimento de dança que consiste no embate, de frente, entre dois dançarinos; umbigada.
5Zungueira: vendedora ambulante.
A concordância e a regência estão de acordo com a norma-padrão em:
 

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4033279 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: Câm. Nova Odessa-SP
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Leia o trecho da crônica de Kalaf Epalanga para responder a questão.
Banho de caneca
        Não me canso, o angolano é o meu assunto favorito. Reparem bem, o lúcido afeto que lhe dedico é umbilical. E como o amor, ainda que cego, é exigente, não me furto a reconhecer que somos um povo subdesenvolvido com uma coragem arrebatadora, engenhoso no alto da sua miséria semi-institucionalizada, de sorriso aberto, mestre de esquemas e especialista na arte do banho de caneca. Desde muito cedo, desde o meu tempo da bola de gude e do bica bidon1 , que soube que o mundo cabe dentro de um alguidar com água, o mesmo no qual ainda hoje muitos chacoalham o seu amanhecer madrugador
        Ah, se essas bacias falassem! Realmente certas coisas são como andar de bicicleta, nunca se esquecem. Amanheci na minha Benguela2 materna e me bastou ver aquela bacia repousando ao lado da sua eterna companheira, a caneca, para que as memórias se tornassem palpáveis. Não há lar, seja ele um palácio ou um barraco de adobe3 e pau a pique, que não exiba esse indispensável utensílio. Tão democrático e unificador que até hoje me espanto porque é que ainda não foi consagrado a monumento, talvez monumento seja exagero, mas o alguidar e a caneca já mereciam um semba4 que lhes servisse de ode. Sim, porque não são só as classes menos favorecidas que se dedicam a esse ritual. Todo o lar, seja ele de um ministro, de uma zungueira5 e até, por ironia, de um funcionário das Águas de Angola, desde que tenham torneiras no silêncio, conhecem a arte do banho de caneca.
(Kalaf Epalanga, Minha pátria é a língua pretuguesa: crônicas, 2023)
1 Bidon: brincadeira angolana em que um jogador, o “segurança”, precisa defender uma garrafa ou “bidon” (bidão) no chão, enquanto os outros jogadores tentam chutá-la.
2Benguela: cidade angolana.
3Adobe: tijolo de argila.
4Semba: movimento de dança que consiste no embate, de frente, entre dois dançarinos; umbigada.
5Zungueira: vendedora ambulante.
Considere as seguintes passagens:
• E como o amor, ainda que cego, é exigente, não me furto a reconhecer que somos um povo subdesenvolvido… (1º parágrafo)
• Todo o lar, seja ele de um ministro, de uma zungueira e até, por ironia, de um funcionário das Águas de Angola, desde que tenham torneiras no silêncio, conhecem a arte do banho de caneca. (2º parágrafo)

No contexto em que estão empregadas, as expressões destacadas estabelecem, correta e respectivamente, relações de sentido de
 

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4033278 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: Câm. Nova Odessa-SP
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Leia o trecho da crônica de Kalaf Epalanga para responder a questão.
Banho de caneca
        Não me canso, o angolano é o meu assunto favorito. Reparem bem, o lúcido afeto que lhe dedico é umbilical. E como o amor, ainda que cego, é exigente, não me furto a reconhecer que somos um povo subdesenvolvido com uma coragem arrebatadora, engenhoso no alto da sua miséria semi-institucionalizada, de sorriso aberto, mestre de esquemas e especialista na arte do banho de caneca. Desde muito cedo, desde o meu tempo da bola de gude e do bica bidon1 , que soube que o mundo cabe dentro de um alguidar com água, o mesmo no qual ainda hoje muitos chacoalham o seu amanhecer madrugador
        Ah, se essas bacias falassem! Realmente certas coisas são como andar de bicicleta, nunca se esquecem. Amanheci na minha Benguela2 materna e me bastou ver aquela bacia repousando ao lado da sua eterna companheira, a caneca, para que as memórias se tornassem palpáveis. Não há lar, seja ele um palácio ou um barraco de adobe3 e pau a pique, que não exiba esse indispensável utensílio. Tão democrático e unificador que até hoje me espanto porque é que ainda não foi consagrado a monumento, talvez monumento seja exagero, mas o alguidar e a caneca já mereciam um semba4 que lhes servisse de ode. Sim, porque não são só as classes menos favorecidas que se dedicam a esse ritual. Todo o lar, seja ele de um ministro, de uma zungueira5 e até, por ironia, de um funcionário das Águas de Angola, desde que tenham torneiras no silêncio, conhecem a arte do banho de caneca.
(Kalaf Epalanga, Minha pátria é a língua pretuguesa: crônicas, 2023)
1 Bidon: brincadeira angolana em que um jogador, o “segurança”, precisa defender uma garrafa ou “bidon” (bidão) no chão, enquanto os outros jogadores tentam chutá-la.
2Benguela: cidade angolana.
3Adobe: tijolo de argila.
4Semba: movimento de dança que consiste no embate, de frente, entre dois dançarinos; umbigada.
5Zungueira: vendedora ambulante.
Na passagem do 1º parágrafo “… não me furto a reconhecer que somos um povo subdesenvolvido com uma coragem arrebatadora, engenhoso no alto da sua miséria semi-institucionalizada, de sorriso aberto, mestre de esquemas e especialista na arte do banho de caneca.”, o narrador
 

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