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Para responder à questão, leia o texto abaixo.


O uso da inteligência artificial na educação e os riscos de vieses algorítmicos

O uso de inovações tecnológicas, da internet e da inteligência artificial (lA) está transformando o cotidiano da sociedade. O mundo está cada vez mais conectado, e a dependência dos usuários nessas ferramentas está cada vez mais presente. Nesse sentido, a programação e a codificação de algoritmos, o compartilhamento e tráfego de dados, de informações e de comunicações precisam atender certos cuidados éticos, de vigilância, de equidade e de controle, pois o ambiente virtual e tecnológico, além de possibilitar resultados positivos e vantajosos, também pode trazer muitos riscos e danos aos usuários.

Esses riscos envolvem decisões automatizadas que influenciam diretamente a vida das pessoas. Apesar de frequentemente parecerem neutros e objetivos, os algoritmos podem reproduzir vieses, discriminações e desigualdades, impactando negativamente grupos específicos da sociedade, inclusive na educação.

Um algoritmo na perspectiva do aprendizado de máquina pode ser conceituado como um conjunto de regras para a realização de tarefas. Em relação aos algoritmos ditos inteligentes, eles possibilitam a criação de modelos capazes de prever e aprender com os dados constantemente modificados e treinados. Contudo, essas ferramentas podem absorver vieses tanto dos próprios desenvolvedores quanto do contexto social em que foram inseridas. Nesse cenário, o viés estatístico decorre de amostragens incorretas, incompletas ou questionáveis, enquanto o viés social reflete disparidades e estruturas históricas da sociedade.

Em ambientes automatizados, os algoritmos dependem dos dados de treinamento recebidos. Se os projetos tecnológicos, as decisões tomadas e os dados refletirem tendências, os resultados produzidos poderão apresentar distorções. Essa dinâmica é alarmante na educação, pois pode prejudicar o desempenho dos estudantes, aprofundar desigualdades e comprometer estratégias pedagógicas de ensino e aprendizagem.

Por fim, a ausência ou a demora na implementação de soluções preventivas e corretivas para mitigar esses vieses tende a reforçar desigualdades sistêmicas. Como consequência, surgem prejuízos como avaliações injustas, direcionamentos acadêmicos inadequados, acesso desigual a recursos educacionais e abalos psicológicos ou morais. Essas situações podem prejudicar determinados grupos sociais, reforçando disparidades e criando barreiras para a obtenção de bons resultados na aprendizagem.



FONTE: HEGGLER, J. M,; SZMOSKI, R, M,; MIQUELIN, A, F, AS dualidades entre o uso da inteligência artificial na educação e os riscos de vieses algorítmicos Educ. Soc., Campinas, v.46, e289323,2025 (com adaptações).

Considerando as articulações argumentativas do texto, infere-se que a negligência na implementação de medidas corretivas contra os vieses algorítmicos no ambiente educacional pode acarretar:
 

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Para responder à questão, leia o texto abaixo.


O uso da inteligência artificial na educação e os riscos de vieses algorítmicos

O uso de inovações tecnológicas, da internet e da inteligência artificial (lA) está transformando o cotidiano da sociedade. O mundo está cada vez mais conectado, e a dependência dos usuários nessas ferramentas está cada vez mais presente. Nesse sentido, a programação e a codificação de algoritmos, o compartilhamento e tráfego de dados, de informações e de comunicações precisam atender certos cuidados éticos, de vigilância, de equidade e de controle, pois o ambiente virtual e tecnológico, além de possibilitar resultados positivos e vantajosos, também pode trazer muitos riscos e danos aos usuários.

Esses riscos envolvem decisões automatizadas que influenciam diretamente a vida das pessoas. Apesar de frequentemente parecerem neutros e objetivos, os algoritmos podem reproduzir vieses, discriminações e desigualdades, impactando negativamente grupos específicos da sociedade, inclusive na educação.

Um algoritmo na perspectiva do aprendizado de máquina pode ser conceituado como um conjunto de regras para a realização de tarefas. Em relação aos algoritmos ditos inteligentes, eles possibilitam a criação de modelos capazes de prever e aprender com os dados constantemente modificados e treinados. Contudo, essas ferramentas podem absorver vieses tanto dos próprios desenvolvedores quanto do contexto social em que foram inseridas. Nesse cenário, o viés estatístico decorre de amostragens incorretas, incompletas ou questionáveis, enquanto o viés social reflete disparidades e estruturas históricas da sociedade.

Em ambientes automatizados, os algoritmos dependem dos dados de treinamento recebidos. Se os projetos tecnológicos, as decisões tomadas e os dados refletirem tendências, os resultados produzidos poderão apresentar distorções. Essa dinâmica é alarmante na educação, pois pode prejudicar o desempenho dos estudantes, aprofundar desigualdades e comprometer estratégias pedagógicas de ensino e aprendizagem.

Por fim, a ausência ou a demora na implementação de soluções preventivas e corretivas para mitigar esses vieses tende a reforçar desigualdades sistêmicas. Como consequência, surgem prejuízos como avaliações injustas, direcionamentos acadêmicos inadequados, acesso desigual a recursos educacionais e abalos psicológicos ou morais. Essas situações podem prejudicar determinados grupos sociais, reforçando disparidades e criando barreiras para a obtenção de bons resultados na aprendizagem.



FONTE: HEGGLER, J. M,; SZMOSKI, R, M,; MIQUELIN, A, F, AS dualidades entre o uso da inteligência artificial na educação e os riscos de vieses algorítmicos Educ. Soc., Campinas, v.46, e289323,2025 (com adaptações).

Considere a seguinte afirmação contida no segundo parágrafo do texto; Apesar de frequentemente parecerem neutros e objetivos, os algoritmos podem reproduzir vieses, discriminações e desigualdades. Considerando isso, infere-se CORRETAMENTE dessa passagem que:
 

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Para responder à questão, leia o texto abaixo.


O uso da inteligência artificial na educação e os riscos de vieses algorítmicos

O uso de inovações tecnológicas, da internet e da inteligência artificial (lA) está transformando o cotidiano da sociedade. O mundo está cada vez mais conectado, e a dependência dos usuários nessas ferramentas está cada vez mais presente. Nesse sentido, a programação e a codificação de algoritmos, o compartilhamento e tráfego de dados, de informações e de comunicações precisam atender certos cuidados éticos, de vigilância, de equidade e de controle, pois o ambiente virtual e tecnológico, além de possibilitar resultados positivos e vantajosos, também pode trazer muitos riscos e danos aos usuários.

Esses riscos envolvem decisões automatizadas que influenciam diretamente a vida das pessoas. Apesar de frequentemente parecerem neutros e objetivos, os algoritmos podem reproduzir vieses, discriminações e desigualdades, impactando negativamente grupos específicos da sociedade, inclusive na educação.

Um algoritmo na perspectiva do aprendizado de máquina pode ser conceituado como um conjunto de regras para a realização de tarefas. Em relação aos algoritmos ditos inteligentes, eles possibilitam a criação de modelos capazes de prever e aprender com os dados constantemente modificados e treinados. Contudo, essas ferramentas podem absorver vieses tanto dos próprios desenvolvedores quanto do contexto social em que foram inseridas. Nesse cenário, o viés estatístico decorre de amostragens incorretas, incompletas ou questionáveis, enquanto o viés social reflete disparidades e estruturas históricas da sociedade.

Em ambientes automatizados, os algoritmos dependem dos dados de treinamento recebidos. Se os projetos tecnológicos, as decisões tomadas e os dados refletirem tendências, os resultados produzidos poderão apresentar distorções. Essa dinâmica é alarmante na educação, pois pode prejudicar o desempenho dos estudantes, aprofundar desigualdades e comprometer estratégias pedagógicas de ensino e aprendizagem.

Por fim, a ausência ou a demora na implementação de soluções preventivas e corretivas para mitigar esses vieses tende a reforçar desigualdades sistêmicas. Como consequência, surgem prejuízos como avaliações injustas, direcionamentos acadêmicos inadequados, acesso desigual a recursos educacionais e abalos psicológicos ou morais. Essas situações podem prejudicar determinados grupos sociais, reforçando disparidades e criando barreiras para a obtenção de bons resultados na aprendizagem.



FONTE: HEGGLER, J. M,; SZMOSKI, R, M,; MIQUELIN, A, F, AS dualidades entre o uso da inteligência artificial na educação e os riscos de vieses algorítmicos Educ. Soc., Campinas, v.46, e289323,2025 (com adaptações).

Tendo em vista a estruturação argumentativa e a progressão temática do texto, assinale a alternativa que expressa CORRETAMENTE uma das principais intenções comunicativas dos autores.
 

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4265222 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Potirendaba-SP
À mesa não se envelhece nem se enrijece


    Estou em uma mesa de oito lugares onde se apinham doze pessoas. Todos conversam sem prestar atenção no meu silêncio repentino, nos meus olhos que descem pela toalha manchada de vinho, pelos pratos de cores diferentes, cada um de um jogo que foi se quebrando, pela comida que ficou levemente sem gosto, pelos copos que tivemos que usar no lugar das taças que se quebraram na mudança.

    Os quadros ainda não foram pregados nas paredes da sala. Não possuo as flores frescas que as influenciadoras dizem ser fundamentais para deixar a casa bonita. Não fiz o pudim ensinado por milhares de tutoriais porque sujaria ainda mais louça – comeremos os quindins que comprei na padaria.
    Se fosse há cinco ou seis anos, eu não teria promovido esse almoço. Eu teria me fiado pela sociedade da performance, que exige que tudo, até um almoço entre amigos, seja um evento perfeito. Instagramável. E, portanto, com pouca chance de acontecer.
    Ainda sentada à mesa, lembro das minhas avós, das velhas matriarcas de outras famílias. Não marcavam nada. Aos domingos, abriam as portas para quem chegasse. Sobre a mesa coberta com uma toalha puidinha, a garrafa térmica e o bolo. Ou a macarronada que se repetia por anos, sem que ninguém se constrangesse em servir aquele eterno prato único. E tudo bem, porque o intuito dos encontros não era oferecer uma experiência gastronômica, mas promover uma comunhão que pairava acima do estômago.

    “A tavola non si invecchia” meu pai sempre dizia, ditado italiano que afirma que à mesa não se envelhece.
    Vou além: à mesa também não se enrijece, porque é no encontro que dessalgamos certezas excessivas.
     Comendo de meus pratos coloridos e lascados, há amigos de esquerda, meu primo de direita e meu novo vizinho, que ainda não conheço bem e de quem desconheço totalmente a orientação ideológica. Um é vegetariano, outro entusiasta da proteína animal. Um é ateu, outro acredita em tudo, e mais um pouco.
    Que discordem no que tiverem que discordar, penso, desde que não lancem garfos sobre a minha cabeça.
    Como avançar se não conversando?

    É no diálogo – e não na monotonia temática do algoritmo – que as trocas mais produtivas acontecem. Que as mudanças de voto acontecem. Que as pequenas revoluções acontecem (não à toa, regimes autoritários adoravam investir na distância e na desconfiança entre vizinhos). Que as fofocas acontecem. Que mesmo as separações acontecem – onde uma mulher irá contar que vem sendo agredida pelo marido, senão em um em encontro íntimo, cercada de gente de sua confiança?
    Enquanto sirvo os quindins, escuto os papos. Lembro que meus amigos conhecem meu primo aqui desta mesa. Que se tornaram parceiros de pedalada a partir de um almoço servido aqui nesta mesa. Quantas conexões eu deixaria de ter feito se ficasse esperando pela louça adequada? Quantos conselhos eu perderia se ficasse na dependência de uma sobremesa instagramável? Quantas gargalhadas deixaria de dar se ficasse esperando cozinhar como um chef?
    Saúde, sugiro, levantando meu copo bico de jaca. Os outros levantam os seus, e celebro intimamente esse território de oito lugares em que apertando cabem doze, quem sabe até quatorze e para onde sei que sempre podemos voltar.
(Por: Giovana Madalosso. À mesa não se envelhece nem se enrijece. Jornal Folha de S. Paulo, 2026. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas. Acesso em: julho de 2026.)
A pontuação organiza as relações sintáticas entre os constituintes da oração e do período, podendo também produzir efeitos de ritmo e destaque. Nesse contexto, considere as propostas de inserção, supressão ou substituição de sinais de pontuação em trechos do texto e assinale a alternativa em que a alteração preserva a correção gramatical e as relações sintáticas do período, de acordo com a norma-padrão.
 

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4265221 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Potirendaba-SP
À mesa não se envelhece nem se enrijece


    Estou em uma mesa de oito lugares onde se apinham doze pessoas. Todos conversam sem prestar atenção no meu silêncio repentino, nos meus olhos que descem pela toalha manchada de vinho, pelos pratos de cores diferentes, cada um de um jogo que foi se quebrando, pela comida que ficou levemente sem gosto, pelos copos que tivemos que usar no lugar das taças que se quebraram na mudança.

    Os quadros ainda não foram pregados nas paredes da sala. Não possuo as flores frescas que as influenciadoras dizem ser fundamentais para deixar a casa bonita. Não fiz o pudim ensinado por milhares de tutoriais porque sujaria ainda mais louça – comeremos os quindins que comprei na padaria.
    Se fosse há cinco ou seis anos, eu não teria promovido esse almoço. Eu teria me fiado pela sociedade da performance, que exige que tudo, até um almoço entre amigos, seja um evento perfeito. Instagramável. E, portanto, com pouca chance de acontecer.
    Ainda sentada à mesa, lembro das minhas avós, das velhas matriarcas de outras famílias. Não marcavam nada. Aos domingos, abriam as portas para quem chegasse. Sobre a mesa coberta com uma toalha puidinha, a garrafa térmica e o bolo. Ou a macarronada que se repetia por anos, sem que ninguém se constrangesse em servir aquele eterno prato único. E tudo bem, porque o intuito dos encontros não era oferecer uma experiência gastronômica, mas promover uma comunhão que pairava acima do estômago.

    “A tavola non si invecchia” meu pai sempre dizia, ditado italiano que afirma que à mesa não se envelhece.
    Vou além: à mesa também não se enrijece, porque é no encontro que dessalgamos certezas excessivas.
     Comendo de meus pratos coloridos e lascados, há amigos de esquerda, meu primo de direita e meu novo vizinho, que ainda não conheço bem e de quem desconheço totalmente a orientação ideológica. Um é vegetariano, outro entusiasta da proteína animal. Um é ateu, outro acredita em tudo, e mais um pouco.
    Que discordem no que tiverem que discordar, penso, desde que não lancem garfos sobre a minha cabeça.
    Como avançar se não conversando?

    É no diálogo – e não na monotonia temática do algoritmo – que as trocas mais produtivas acontecem. Que as mudanças de voto acontecem. Que as pequenas revoluções acontecem (não à toa, regimes autoritários adoravam investir na distância e na desconfiança entre vizinhos). Que as fofocas acontecem. Que mesmo as separações acontecem – onde uma mulher irá contar que vem sendo agredida pelo marido, senão em um em encontro íntimo, cercada de gente de sua confiança?
    Enquanto sirvo os quindins, escuto os papos. Lembro que meus amigos conhecem meu primo aqui desta mesa. Que se tornaram parceiros de pedalada a partir de um almoço servido aqui nesta mesa. Quantas conexões eu deixaria de ter feito se ficasse esperando pela louça adequada? Quantos conselhos eu perderia se ficasse na dependência de uma sobremesa instagramável? Quantas gargalhadas deixaria de dar se ficasse esperando cozinhar como um chef?
    Saúde, sugiro, levantando meu copo bico de jaca. Os outros levantam os seus, e celebro intimamente esse território de oito lugares em que apertando cabem doze, quem sabe até quatorze e para onde sei que sempre podemos voltar.
(Por: Giovana Madalosso. À mesa não se envelhece nem se enrijece. Jornal Folha de S. Paulo, 2026. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas. Acesso em: julho de 2026.)
Os pronomes relativos exercem papel fundamental na coesão textual, retomando um termo antecedente e desempenhando função sintática na oração subordinada que introduzem. Considerando os trechos destacados do texto, à luz da norma- -padrão, assinale a alternativa cuja análise está integralmente correta.
 

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4265220 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Potirendaba-SP
À mesa não se envelhece nem se enrijece


    Estou em uma mesa de oito lugares onde se apinham doze pessoas. Todos conversam sem prestar atenção no meu silêncio repentino, nos meus olhos que descem pela toalha manchada de vinho, pelos pratos de cores diferentes, cada um de um jogo que foi se quebrando, pela comida que ficou levemente sem gosto, pelos copos que tivemos que usar no lugar das taças que se quebraram na mudança.

    Os quadros ainda não foram pregados nas paredes da sala. Não possuo as flores frescas que as influenciadoras dizem ser fundamentais para deixar a casa bonita. Não fiz o pudim ensinado por milhares de tutoriais porque sujaria ainda mais louça – comeremos os quindins que comprei na padaria.
    Se fosse há cinco ou seis anos, eu não teria promovido esse almoço. Eu teria me fiado pela sociedade da performance, que exige que tudo, até um almoço entre amigos, seja um evento perfeito. Instagramável. E, portanto, com pouca chance de acontecer.
    Ainda sentada à mesa, lembro das minhas avós, das velhas matriarcas de outras famílias. Não marcavam nada. Aos domingos, abriam as portas para quem chegasse. Sobre a mesa coberta com uma toalha puidinha, a garrafa térmica e o bolo. Ou a macarronada que se repetia por anos, sem que ninguém se constrangesse em servir aquele eterno prato único. E tudo bem, porque o intuito dos encontros não era oferecer uma experiência gastronômica, mas promover uma comunhão que pairava acima do estômago.

    “A tavola non si invecchia” meu pai sempre dizia, ditado italiano que afirma que à mesa não se envelhece.
    Vou além: à mesa também não se enrijece, porque é no encontro que dessalgamos certezas excessivas.
     Comendo de meus pratos coloridos e lascados, há amigos de esquerda, meu primo de direita e meu novo vizinho, que ainda não conheço bem e de quem desconheço totalmente a orientação ideológica. Um é vegetariano, outro entusiasta da proteína animal. Um é ateu, outro acredita em tudo, e mais um pouco.
    Que discordem no que tiverem que discordar, penso, desde que não lancem garfos sobre a minha cabeça.
    Como avançar se não conversando?

    É no diálogo – e não na monotonia temática do algoritmo – que as trocas mais produtivas acontecem. Que as mudanças de voto acontecem. Que as pequenas revoluções acontecem (não à toa, regimes autoritários adoravam investir na distância e na desconfiança entre vizinhos). Que as fofocas acontecem. Que mesmo as separações acontecem – onde uma mulher irá contar que vem sendo agredida pelo marido, senão em um em encontro íntimo, cercada de gente de sua confiança?
    Enquanto sirvo os quindins, escuto os papos. Lembro que meus amigos conhecem meu primo aqui desta mesa. Que se tornaram parceiros de pedalada a partir de um almoço servido aqui nesta mesa. Quantas conexões eu deixaria de ter feito se ficasse esperando pela louça adequada? Quantos conselhos eu perderia se ficasse na dependência de uma sobremesa instagramável? Quantas gargalhadas deixaria de dar se ficasse esperando cozinhar como um chef?
    Saúde, sugiro, levantando meu copo bico de jaca. Os outros levantam os seus, e celebro intimamente esse território de oito lugares em que apertando cabem doze, quem sabe até quatorze e para onde sei que sempre podemos voltar.
(Por: Giovana Madalosso. À mesa não se envelhece nem se enrijece. Jornal Folha de S. Paulo, 2026. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas. Acesso em: julho de 2026.)
A autora recorre a diferentes tempos e modos verbais para articular fatos presentes, lembranças, hipóteses e projeções ao longo do texto. Considerando a correlação entre as formas verbais empregadas e os efeitos de sentido que produzem em seus respectivos contextos, assinale a afirmativa correta.
 

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4265219 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Potirendaba-SP
À mesa não se envelhece nem se enrijece


    Estou em uma mesa de oito lugares onde se apinham doze pessoas. Todos conversam sem prestar atenção no meu silêncio repentino, nos meus olhos que descem pela toalha manchada de vinho, pelos pratos de cores diferentes, cada um de um jogo que foi se quebrando, pela comida que ficou levemente sem gosto, pelos copos que tivemos que usar no lugar das taças que se quebraram na mudança.

    Os quadros ainda não foram pregados nas paredes da sala. Não possuo as flores frescas que as influenciadoras dizem ser fundamentais para deixar a casa bonita. Não fiz o pudim ensinado por milhares de tutoriais porque sujaria ainda mais louça – comeremos os quindins que comprei na padaria.
    Se fosse há cinco ou seis anos, eu não teria promovido esse almoço. Eu teria me fiado pela sociedade da performance, que exige que tudo, até um almoço entre amigos, seja um evento perfeito. Instagramável. E, portanto, com pouca chance de acontecer.
    Ainda sentada à mesa, lembro das minhas avós, das velhas matriarcas de outras famílias. Não marcavam nada. Aos domingos, abriam as portas para quem chegasse. Sobre a mesa coberta com uma toalha puidinha, a garrafa térmica e o bolo. Ou a macarronada que se repetia por anos, sem que ninguém se constrangesse em servir aquele eterno prato único. E tudo bem, porque o intuito dos encontros não era oferecer uma experiência gastronômica, mas promover uma comunhão que pairava acima do estômago.

    “A tavola non si invecchia” meu pai sempre dizia, ditado italiano que afirma que à mesa não se envelhece.
    Vou além: à mesa também não se enrijece, porque é no encontro que dessalgamos certezas excessivas.
     Comendo de meus pratos coloridos e lascados, há amigos de esquerda, meu primo de direita e meu novo vizinho, que ainda não conheço bem e de quem desconheço totalmente a orientação ideológica. Um é vegetariano, outro entusiasta da proteína animal. Um é ateu, outro acredita em tudo, e mais um pouco.
    Que discordem no que tiverem que discordar, penso, desde que não lancem garfos sobre a minha cabeça.
    Como avançar se não conversando?

    É no diálogo – e não na monotonia temática do algoritmo – que as trocas mais produtivas acontecem. Que as mudanças de voto acontecem. Que as pequenas revoluções acontecem (não à toa, regimes autoritários adoravam investir na distância e na desconfiança entre vizinhos). Que as fofocas acontecem. Que mesmo as separações acontecem – onde uma mulher irá contar que vem sendo agredida pelo marido, senão em um em encontro íntimo, cercada de gente de sua confiança?
    Enquanto sirvo os quindins, escuto os papos. Lembro que meus amigos conhecem meu primo aqui desta mesa. Que se tornaram parceiros de pedalada a partir de um almoço servido aqui nesta mesa. Quantas conexões eu deixaria de ter feito se ficasse esperando pela louça adequada? Quantos conselhos eu perderia se ficasse na dependência de uma sobremesa instagramável? Quantas gargalhadas deixaria de dar se ficasse esperando cozinhar como um chef?
    Saúde, sugiro, levantando meu copo bico de jaca. Os outros levantam os seus, e celebro intimamente esse território de oito lugares em que apertando cabem doze, quem sabe até quatorze e para onde sei que sempre podemos voltar.
(Por: Giovana Madalosso. À mesa não se envelhece nem se enrijece. Jornal Folha de S. Paulo, 2026. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas. Acesso em: julho de 2026.)
Considerando os trechos destacados do texto, à luz das regras de concordância verbal da norma-padrão da língua portuguesa, assinale a única alternativa cuja análise está correta.
 

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4265218 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Potirendaba-SP
À mesa não se envelhece nem se enrijece


    Estou em uma mesa de oito lugares onde se apinham doze pessoas. Todos conversam sem prestar atenção no meu silêncio repentino, nos meus olhos que descem pela toalha manchada de vinho, pelos pratos de cores diferentes, cada um de um jogo que foi se quebrando, pela comida que ficou levemente sem gosto, pelos copos que tivemos que usar no lugar das taças que se quebraram na mudança.

    Os quadros ainda não foram pregados nas paredes da sala. Não possuo as flores frescas que as influenciadoras dizem ser fundamentais para deixar a casa bonita. Não fiz o pudim ensinado por milhares de tutoriais porque sujaria ainda mais louça – comeremos os quindins que comprei na padaria.
    Se fosse há cinco ou seis anos, eu não teria promovido esse almoço. Eu teria me fiado pela sociedade da performance, que exige que tudo, até um almoço entre amigos, seja um evento perfeito. Instagramável. E, portanto, com pouca chance de acontecer.
    Ainda sentada à mesa, lembro das minhas avós, das velhas matriarcas de outras famílias. Não marcavam nada. Aos domingos, abriam as portas para quem chegasse. Sobre a mesa coberta com uma toalha puidinha, a garrafa térmica e o bolo. Ou a macarronada que se repetia por anos, sem que ninguém se constrangesse em servir aquele eterno prato único. E tudo bem, porque o intuito dos encontros não era oferecer uma experiência gastronômica, mas promover uma comunhão que pairava acima do estômago.

    “A tavola non si invecchia” meu pai sempre dizia, ditado italiano que afirma que à mesa não se envelhece.
    Vou além: à mesa também não se enrijece, porque é no encontro que dessalgamos certezas excessivas.
     Comendo de meus pratos coloridos e lascados, há amigos de esquerda, meu primo de direita e meu novo vizinho, que ainda não conheço bem e de quem desconheço totalmente a orientação ideológica. Um é vegetariano, outro entusiasta da proteína animal. Um é ateu, outro acredita em tudo, e mais um pouco.
    Que discordem no que tiverem que discordar, penso, desde que não lancem garfos sobre a minha cabeça.
    Como avançar se não conversando?

    É no diálogo – e não na monotonia temática do algoritmo – que as trocas mais produtivas acontecem. Que as mudanças de voto acontecem. Que as pequenas revoluções acontecem (não à toa, regimes autoritários adoravam investir na distância e na desconfiança entre vizinhos). Que as fofocas acontecem. Que mesmo as separações acontecem – onde uma mulher irá contar que vem sendo agredida pelo marido, senão em um em encontro íntimo, cercada de gente de sua confiança?
    Enquanto sirvo os quindins, escuto os papos. Lembro que meus amigos conhecem meu primo aqui desta mesa. Que se tornaram parceiros de pedalada a partir de um almoço servido aqui nesta mesa. Quantas conexões eu deixaria de ter feito se ficasse esperando pela louça adequada? Quantos conselhos eu perderia se ficasse na dependência de uma sobremesa instagramável? Quantas gargalhadas deixaria de dar se ficasse esperando cozinhar como um chef?
    Saúde, sugiro, levantando meu copo bico de jaca. Os outros levantam os seus, e celebro intimamente esse território de oito lugares em que apertando cabem doze, quem sabe até quatorze e para onde sei que sempre podemos voltar.
(Por: Giovana Madalosso. À mesa não se envelhece nem se enrijece. Jornal Folha de S. Paulo, 2026. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas. Acesso em: julho de 2026.)
No trecho do 8º§: “Que discordem no que tiverem que discordar, penso, desde que não lancem garfos sobre a minha cabeça.”, a locução conjuntiva “desde que” introduz uma oração que estabelece uma relação lógico-semântica com a oração anterior. Considerando o funcionamento desse conector no contexto textual, assinale a afirmativa correta.
 

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4265217 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Potirendaba-SP
À mesa não se envelhece nem se enrijece


    Estou em uma mesa de oito lugares onde se apinham doze pessoas. Todos conversam sem prestar atenção no meu silêncio repentino, nos meus olhos que descem pela toalha manchada de vinho, pelos pratos de cores diferentes, cada um de um jogo que foi se quebrando, pela comida que ficou levemente sem gosto, pelos copos que tivemos que usar no lugar das taças que se quebraram na mudança.

    Os quadros ainda não foram pregados nas paredes da sala. Não possuo as flores frescas que as influenciadoras dizem ser fundamentais para deixar a casa bonita. Não fiz o pudim ensinado por milhares de tutoriais porque sujaria ainda mais louça – comeremos os quindins que comprei na padaria.
    Se fosse há cinco ou seis anos, eu não teria promovido esse almoço. Eu teria me fiado pela sociedade da performance, que exige que tudo, até um almoço entre amigos, seja um evento perfeito. Instagramável. E, portanto, com pouca chance de acontecer.
    Ainda sentada à mesa, lembro das minhas avós, das velhas matriarcas de outras famílias. Não marcavam nada. Aos domingos, abriam as portas para quem chegasse. Sobre a mesa coberta com uma toalha puidinha, a garrafa térmica e o bolo. Ou a macarronada que se repetia por anos, sem que ninguém se constrangesse em servir aquele eterno prato único. E tudo bem, porque o intuito dos encontros não era oferecer uma experiência gastronômica, mas promover uma comunhão que pairava acima do estômago.

    “A tavola non si invecchia” meu pai sempre dizia, ditado italiano que afirma que à mesa não se envelhece.
    Vou além: à mesa também não se enrijece, porque é no encontro que dessalgamos certezas excessivas.
     Comendo de meus pratos coloridos e lascados, há amigos de esquerda, meu primo de direita e meu novo vizinho, que ainda não conheço bem e de quem desconheço totalmente a orientação ideológica. Um é vegetariano, outro entusiasta da proteína animal. Um é ateu, outro acredita em tudo, e mais um pouco.
    Que discordem no que tiverem que discordar, penso, desde que não lancem garfos sobre a minha cabeça.
    Como avançar se não conversando?

    É no diálogo – e não na monotonia temática do algoritmo – que as trocas mais produtivas acontecem. Que as mudanças de voto acontecem. Que as pequenas revoluções acontecem (não à toa, regimes autoritários adoravam investir na distância e na desconfiança entre vizinhos). Que as fofocas acontecem. Que mesmo as separações acontecem – onde uma mulher irá contar que vem sendo agredida pelo marido, senão em um em encontro íntimo, cercada de gente de sua confiança?
    Enquanto sirvo os quindins, escuto os papos. Lembro que meus amigos conhecem meu primo aqui desta mesa. Que se tornaram parceiros de pedalada a partir de um almoço servido aqui nesta mesa. Quantas conexões eu deixaria de ter feito se ficasse esperando pela louça adequada? Quantos conselhos eu perderia se ficasse na dependência de uma sobremesa instagramável? Quantas gargalhadas deixaria de dar se ficasse esperando cozinhar como um chef?
    Saúde, sugiro, levantando meu copo bico de jaca. Os outros levantam os seus, e celebro intimamente esse território de oito lugares em que apertando cabem doze, quem sabe até quatorze e para onde sei que sempre podemos voltar.
(Por: Giovana Madalosso. À mesa não se envelhece nem se enrijece. Jornal Folha de S. Paulo, 2026. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas. Acesso em: julho de 2026.)
No 4º§, a autora menciona “uma toalha puidinha”. Considerando o sentido contextual do adjetivo destacado e sua contribuição para a construção da argumentação do texto, assinale a alternativa em que a substituição proposta e a respectiva justificativa preservam mais adequadamente o efeito de sentido produzido no texto.
 

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4265216 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Potirendaba-SP
À mesa não se envelhece nem se enrijece


    Estou em uma mesa de oito lugares onde se apinham doze pessoas. Todos conversam sem prestar atenção no meu silêncio repentino, nos meus olhos que descem pela toalha manchada de vinho, pelos pratos de cores diferentes, cada um de um jogo que foi se quebrando, pela comida que ficou levemente sem gosto, pelos copos que tivemos que usar no lugar das taças que se quebraram na mudança.

    Os quadros ainda não foram pregados nas paredes da sala. Não possuo as flores frescas que as influenciadoras dizem ser fundamentais para deixar a casa bonita. Não fiz o pudim ensinado por milhares de tutoriais porque sujaria ainda mais louça – comeremos os quindins que comprei na padaria.
    Se fosse há cinco ou seis anos, eu não teria promovido esse almoço. Eu teria me fiado pela sociedade da performance, que exige que tudo, até um almoço entre amigos, seja um evento perfeito. Instagramável. E, portanto, com pouca chance de acontecer.
    Ainda sentada à mesa, lembro das minhas avós, das velhas matriarcas de outras famílias. Não marcavam nada. Aos domingos, abriam as portas para quem chegasse. Sobre a mesa coberta com uma toalha puidinha, a garrafa térmica e o bolo. Ou a macarronada que se repetia por anos, sem que ninguém se constrangesse em servir aquele eterno prato único. E tudo bem, porque o intuito dos encontros não era oferecer uma experiência gastronômica, mas promover uma comunhão que pairava acima do estômago.

    “A tavola non si invecchia” meu pai sempre dizia, ditado italiano que afirma que à mesa não se envelhece.
    Vou além: à mesa também não se enrijece, porque é no encontro que dessalgamos certezas excessivas.
     Comendo de meus pratos coloridos e lascados, há amigos de esquerda, meu primo de direita e meu novo vizinho, que ainda não conheço bem e de quem desconheço totalmente a orientação ideológica. Um é vegetariano, outro entusiasta da proteína animal. Um é ateu, outro acredita em tudo, e mais um pouco.
    Que discordem no que tiverem que discordar, penso, desde que não lancem garfos sobre a minha cabeça.
    Como avançar se não conversando?

    É no diálogo – e não na monotonia temática do algoritmo – que as trocas mais produtivas acontecem. Que as mudanças de voto acontecem. Que as pequenas revoluções acontecem (não à toa, regimes autoritários adoravam investir na distância e na desconfiança entre vizinhos). Que as fofocas acontecem. Que mesmo as separações acontecem – onde uma mulher irá contar que vem sendo agredida pelo marido, senão em um em encontro íntimo, cercada de gente de sua confiança?
    Enquanto sirvo os quindins, escuto os papos. Lembro que meus amigos conhecem meu primo aqui desta mesa. Que se tornaram parceiros de pedalada a partir de um almoço servido aqui nesta mesa. Quantas conexões eu deixaria de ter feito se ficasse esperando pela louça adequada? Quantos conselhos eu perderia se ficasse na dependência de uma sobremesa instagramável? Quantas gargalhadas deixaria de dar se ficasse esperando cozinhar como um chef?
    Saúde, sugiro, levantando meu copo bico de jaca. Os outros levantam os seus, e celebro intimamente esse território de oito lugares em que apertando cabem doze, quem sabe até quatorze e para onde sei que sempre podemos voltar.
(Por: Giovana Madalosso. À mesa não se envelhece nem se enrijece. Jornal Folha de S. Paulo, 2026. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas. Acesso em: julho de 2026.)
No 11º§, a autora emprega uma sequência de perguntas retóricas, como em “Quantas conexões eu deixaria de ter feito se ficasse esperando pela louça adequada?”. Considerando a função desse recurso na progressão argumentativa do texto, essas perguntas contribuem para reforçar a tese de que:
 

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