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4083540 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: MPE-SP

Leia o texto a seguir para responder à questão:

Uma estatística


As crianças,

Sem um tiro aliás,

E isso é que tornava o caso ainda mais espantoso,

Morriam mais do que índios nos filmes norte-americanos,

E quando a gente acaso perguntava, para se mostrar

[atenciosos:

“Quantos filhos a senhora tem, comadre?”

A comadre respondia, com ternura:

“Eu tenho quatro filhos e nove anjinhos.”

(Mario Quintana, Da preguiça como método de trabalho)

O eufemismo é uma figura de linguagem utilizada para suavizar expressões, palavras ou ideias que podem soar desagradáveis, rudes, ofensivas ou chocantes, substituindo-as por termos mais leves e agradáveis.

Essa figura de linguagem está presente no seguinte verso do poema:

 

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4083539 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: MPE-SP

Leia o texto a seguir para responder à questão:

Uma estatística


As crianças,

Sem um tiro aliás,

E isso é que tornava o caso ainda mais espantoso,

Morriam mais do que índios nos filmes norte-americanos,

E quando a gente acaso perguntava, para se mostrar

[atenciosos:

“Quantos filhos a senhora tem, comadre?”

A comadre respondia, com ternura:

“Eu tenho quatro filhos e nove anjinhos.”

(Mario Quintana, Da preguiça como método de trabalho)

É correto afirmar que a pergunta feita à comadre e a resposta dela caracterizam-se, nessa ordem,
 

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4083538 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: MPE-SP

Leia o texto a seguir para responder à questão:

 

Irresponsabilidade que mata crianças

 

Pela primeira vez no século 21, o número de crianças que morrem antes de completar 5 anos de idade deve aumentar, em vez de diminuir. De acordo com um relatório da Fundação Gates, a mortalidade infantil deve atingir 4,8 milhões de crianças em 2025, 200 mil a mais que em 2024.

Trágica sob qualquer ponto de vista, a morte de crianças por doenças evitáveis e tratáveis como diarreia, além daquelas que podem ser erradicadas com vacinas, soa como um atestado de falência da humanidade.

O principal motivo para que, após anos de quedas consecutivas, as mortes na primeira infância voltem a aumentar é o corte da ajuda internacional oferecida por países ricos. Na segunda passagem de Donald Trump pela Casa Branca, os EUA, historicamente os maiores doadores de ajuda internacional do mundo, promoveram reduções significativas em programas de assistência global.

Embora o desmantelamento da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) seja muito provavelmente o maior símbolo desta nova era de cooperação internacional contida, países como Reino Unido, Alemanha e França também têm fechado as torneiras para assistência aos países mais necessitados. Segundo o relatório, pelo menos 24 nações de alta renda reduziram suas doações internacionais.

O quadro ruim pode tornar-se ainda mais sombrio. Num cenário já contemplado por muitos países, de cortes de cerca de 20% na assistência global à saúde, 12 milhões de mortes adicionais de crianças podem ocorrer até 2045. Caso as reduções com ajuda internacional se intensifiquem para um patamar de 30%, o número de mortes adicionais de crianças pode chegar a 16 milhões até 2045.

Evitáveis, as mortes de milhares de crianças exigem compromisso firme tanto com o financiamento de ajuda aos mais necessitados quanto com o combate à desinformação. A humanidade já dispõe de ferramentas para que crianças não morram aos milhares por causas praticamente banais.

 

(O Estado de S.Paulo, “Editorial”, 26.12.2025. Disponível em: https://www. estadao.com.br/opiniao. Adaptado)

Considere a passagem “O principal motivo para que, após anos de quedas consecutivas, as mortes na primeira infância voltem a aumentar é o corte da ajuda internacional oferecida por países ricos.” (3º parágrafo).

De acordo com a norma-padrão de ortografia, os termos destacados podem ser substituídos, na ordem em que aparecem, por:

 

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4083537 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: MPE-SP

Leia o texto a seguir para responder à questão:

 

Irresponsabilidade que mata crianças

 

Pela primeira vez no século 21, o número de crianças que morrem antes de completar 5 anos de idade deve aumentar, em vez de diminuir. De acordo com um relatório da Fundação Gates, a mortalidade infantil deve atingir 4,8 milhões de crianças em 2025, 200 mil a mais que em 2024.

Trágica sob qualquer ponto de vista, a morte de crianças por doenças evitáveis e tratáveis como diarreia, além daquelas que podem ser erradicadas com vacinas, soa como um atestado de falência da humanidade.

O principal motivo para que, após anos de quedas consecutivas, as mortes na primeira infância voltem a aumentar é o corte da ajuda internacional oferecida por países ricos. Na segunda passagem de Donald Trump pela Casa Branca, os EUA, historicamente os maiores doadores de ajuda internacional do mundo, promoveram reduções significativas em programas de assistência global.

Embora o desmantelamento da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) seja muito provavelmente o maior símbolo desta nova era de cooperação internacional contida, países como Reino Unido, Alemanha e França também têm fechado as torneiras para assistência aos países mais necessitados. Segundo o relatório, pelo menos 24 nações de alta renda reduziram suas doações internacionais.

O quadro ruim pode tornar-se ainda mais sombrio. Num cenário já contemplado por muitos países, de cortes de cerca de 20% na assistência global à saúde, 12 milhões de mortes adicionais de crianças podem ocorrer até 2045. Caso as reduções com ajuda internacional se intensifiquem para um patamar de 30%, o número de mortes adicionais de crianças pode chegar a 16 milhões até 2045.

Evitáveis, as mortes de milhares de crianças exigem compromisso firme tanto com o financiamento de ajuda aos mais necessitados quanto com o combate à desinformação. A humanidade já dispõe de ferramentas para que crianças não morram aos milhares por causas praticamente banais.

 

(O Estado de S.Paulo, “Editorial”, 26.12.2025. Disponível em: https://www. estadao.com.br/opiniao. Adaptado)

Na passagem “Trágica sob qualquer ponto de vista, a morte de crianças por doenças evitáveis e tratáveis como diarreia…” (2º parágrafo), os termos destacados estabelecem, corretamente e na ordem em que aparecem, relações de sentido de
 

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4083536 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: MPE-SP

Leia o texto a seguir para responder à questão:

 

Irresponsabilidade que mata crianças

 

Pela primeira vez no século 21, o número de crianças que morrem antes de completar 5 anos de idade deve aumentar, em vez de diminuir. De acordo com um relatório da Fundação Gates, a mortalidade infantil deve atingir 4,8 milhões de crianças em 2025, 200 mil a mais que em 2024.

Trágica sob qualquer ponto de vista, a morte de crianças por doenças evitáveis e tratáveis como diarreia, além daquelas que podem ser erradicadas com vacinas, soa como um atestado de falência da humanidade.

O principal motivo para que, após anos de quedas consecutivas, as mortes na primeira infância voltem a aumentar é o corte da ajuda internacional oferecida por países ricos. Na segunda passagem de Donald Trump pela Casa Branca, os EUA, historicamente os maiores doadores de ajuda internacional do mundo, promoveram reduções significativas em programas de assistência global.

Embora o desmantelamento da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) seja muito provavelmente o maior símbolo desta nova era de cooperação internacional contida, países como Reino Unido, Alemanha e França também têm fechado as torneiras para assistência aos países mais necessitados. Segundo o relatório, pelo menos 24 nações de alta renda reduziram suas doações internacionais.

O quadro ruim pode tornar-se ainda mais sombrio. Num cenário já contemplado por muitos países, de cortes de cerca de 20% na assistência global à saúde, 12 milhões de mortes adicionais de crianças podem ocorrer até 2045. Caso as reduções com ajuda internacional se intensifiquem para um patamar de 30%, o número de mortes adicionais de crianças pode chegar a 16 milhões até 2045.

Evitáveis, as mortes de milhares de crianças exigem compromisso firme tanto com o financiamento de ajuda aos mais necessitados quanto com o combate à desinformação. A humanidade já dispõe de ferramentas para que crianças não morram aos milhares por causas praticamente banais.

 

(O Estado de S.Paulo, “Editorial”, 26.12.2025. Disponível em: https://www. estadao.com.br/opiniao. Adaptado)

Considere a passagem “Embora o desmantelamento da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) seja muito provavelmente o maior símbolo desta nova era de cooperação internacional contida…” (4º parágrafo).

Sem prejuízo ao sentido original do texto e em conformidade com a norma-padrão, as expressões destacadas devem ser substituídas, na ordem em que aparecem, por:

 

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4083535 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: MPE-SP

Leia o texto a seguir para responder à questão:

 

Irresponsabilidade que mata crianças

 

Pela primeira vez no século 21, o número de crianças que morrem antes de completar 5 anos de idade deve aumentar, em vez de diminuir. De acordo com um relatório da Fundação Gates, a mortalidade infantil deve atingir 4,8 milhões de crianças em 2025, 200 mil a mais que em 2024.

Trágica sob qualquer ponto de vista, a morte de crianças por doenças evitáveis e tratáveis como diarreia, além daquelas que podem ser erradicadas com vacinas, soa como um atestado de falência da humanidade.

O principal motivo para que, após anos de quedas consecutivas, as mortes na primeira infância voltem a aumentar é o corte da ajuda internacional oferecida por países ricos. Na segunda passagem de Donald Trump pela Casa Branca, os EUA, historicamente os maiores doadores de ajuda internacional do mundo, promoveram reduções significativas em programas de assistência global.

Embora o desmantelamento da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) seja muito provavelmente o maior símbolo desta nova era de cooperação internacional contida, países como Reino Unido, Alemanha e França também têm fechado as torneiras para assistência aos países mais necessitados. Segundo o relatório, pelo menos 24 nações de alta renda reduziram suas doações internacionais.

O quadro ruim pode tornar-se ainda mais sombrio. Num cenário já contemplado por muitos países, de cortes de cerca de 20% na assistência global à saúde, 12 milhões de mortes adicionais de crianças podem ocorrer até 2045. Caso as reduções com ajuda internacional se intensifiquem para um patamar de 30%, o número de mortes adicionais de crianças pode chegar a 16 milhões até 2045.

Evitáveis, as mortes de milhares de crianças exigem compromisso firme tanto com o financiamento de ajuda aos mais necessitados quanto com o combate à desinformação. A humanidade já dispõe de ferramentas para que crianças não morram aos milhares por causas praticamente banais.

 

(O Estado de S.Paulo, “Editorial”, 26.12.2025. Disponível em: https://www. estadao.com.br/opiniao. Adaptado)

Assinale a alternativa em que o termo destacado está empregado em sentido próprio.
 

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4083534 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: MPE-SP

Leia o texto a seguir para responder à questão:

 

Irresponsabilidade que mata crianças

 

Pela primeira vez no século 21, o número de crianças que morrem antes de completar 5 anos de idade deve aumentar, em vez de diminuir. De acordo com um relatório da Fundação Gates, a mortalidade infantil deve atingir 4,8 milhões de crianças em 2025, 200 mil a mais que em 2024.

Trágica sob qualquer ponto de vista, a morte de crianças por doenças evitáveis e tratáveis como diarreia, além daquelas que podem ser erradicadas com vacinas, soa como um atestado de falência da humanidade.

O principal motivo para que, após anos de quedas consecutivas, as mortes na primeira infância voltem a aumentar é o corte da ajuda internacional oferecida por países ricos. Na segunda passagem de Donald Trump pela Casa Branca, os EUA, historicamente os maiores doadores de ajuda internacional do mundo, promoveram reduções significativas em programas de assistência global.

Embora o desmantelamento da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) seja muito provavelmente o maior símbolo desta nova era de cooperação internacional contida, países como Reino Unido, Alemanha e França também têm fechado as torneiras para assistência aos países mais necessitados. Segundo o relatório, pelo menos 24 nações de alta renda reduziram suas doações internacionais.

O quadro ruim pode tornar-se ainda mais sombrio. Num cenário já contemplado por muitos países, de cortes de cerca de 20% na assistência global à saúde, 12 milhões de mortes adicionais de crianças podem ocorrer até 2045. Caso as reduções com ajuda internacional se intensifiquem para um patamar de 30%, o número de mortes adicionais de crianças pode chegar a 16 milhões até 2045.

Evitáveis, as mortes de milhares de crianças exigem compromisso firme tanto com o financiamento de ajuda aos mais necessitados quanto com o combate à desinformação. A humanidade já dispõe de ferramentas para que crianças não morram aos milhares por causas praticamente banais.

 

(O Estado de S.Paulo, “Editorial”, 26.12.2025. Disponível em: https://www. estadao.com.br/opiniao. Adaptado)

O editorial apresenta um dado capaz de dar credibilidade às informações que transmite ao leitor.

Trata-se da menção

 

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Questão presente nas seguintes provas
4083533 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: MPE-SP

Leia o texto a seguir para responder à questão:

 

Irresponsabilidade que mata crianças

 

Pela primeira vez no século 21, o número de crianças que morrem antes de completar 5 anos de idade deve aumentar, em vez de diminuir. De acordo com um relatório da Fundação Gates, a mortalidade infantil deve atingir 4,8 milhões de crianças em 2025, 200 mil a mais que em 2024.

Trágica sob qualquer ponto de vista, a morte de crianças por doenças evitáveis e tratáveis como diarreia, além daquelas que podem ser erradicadas com vacinas, soa como um atestado de falência da humanidade.

O principal motivo para que, após anos de quedas consecutivas, as mortes na primeira infância voltem a aumentar é o corte da ajuda internacional oferecida por países ricos. Na segunda passagem de Donald Trump pela Casa Branca, os EUA, historicamente os maiores doadores de ajuda internacional do mundo, promoveram reduções significativas em programas de assistência global.

Embora o desmantelamento da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) seja muito provavelmente o maior símbolo desta nova era de cooperação internacional contida, países como Reino Unido, Alemanha e França também têm fechado as torneiras para assistência aos países mais necessitados. Segundo o relatório, pelo menos 24 nações de alta renda reduziram suas doações internacionais.

O quadro ruim pode tornar-se ainda mais sombrio. Num cenário já contemplado por muitos países, de cortes de cerca de 20% na assistência global à saúde, 12 milhões de mortes adicionais de crianças podem ocorrer até 2045. Caso as reduções com ajuda internacional se intensifiquem para um patamar de 30%, o número de mortes adicionais de crianças pode chegar a 16 milhões até 2045.

Evitáveis, as mortes de milhares de crianças exigem compromisso firme tanto com o financiamento de ajuda aos mais necessitados quanto com o combate à desinformação. A humanidade já dispõe de ferramentas para que crianças não morram aos milhares por causas praticamente banais.

 

(O Estado de S.Paulo, “Editorial”, 26.12.2025. Disponível em: https://www. estadao.com.br/opiniao. Adaptado)

O termo “irresponsabilidade” contido no título do texto refere-se
 

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4083532 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: MPE-SP

Leia o trecho da crônica de José de Alencar a seguir para responder à questão.

 

Desculpai-me!

 

Vou contar-vos uma coisa que me sucedeu ontem: é um dos episódios mais interessantes de minha vida de escritor.

Aposto que nunca vistes escrever sem tinta!

Pois lede estas primeiras páginas, compreendereis como aquele milagre é possível no século atual, no século do progresso.

Eis o caso.

Foi ontem, por volta das dez horas. Estava em casa de um amigo, e aí mesmo dispunha-me a escrever a minha revista.

Sentei-me à mesa, e, com todo o desplante1 de um homem, que não sabe o que tem a dizer, ia dar começo ao meu folhetim, quando...

Talvez não acrediteis.

Tomei a pena e levei-a ao tinteiro; mas ela estremeceu toda, coitadinha, e saiu intata2 e pura. Não trazia nem uma niilidade3 de tinta. Fiz nova experiência, e foi debalde4.

O caso tornava-se grave, e já ia saindo do meu sério, quando a pena deu um passo, creio que temperou a garganta, e pediu a palavra.

Estava perdido!

Tinha uma pena oradora, tinha discussões parlamentares, discurso de cinco e seis horas. Que elementos para não trabalhar!

Nada; era preciso pôr um termo a semelhante abuso, e tomar uma resolução pronta e imediata.

Comecei por bater o pé, e passar uma repreensão severa nos meus dois empregados, que assim se esqueciam dos seus deveres.

O meio era bom, e surtiu o desejado efeito como sempre.

Entramos em explicações; e no fim de contas soube a causa dessa dissidência.

A pena se tinha declarado em oposição aberta; o tinteiro era ministerial de fato. E ambos tão decididos nas suas opiniões, que não havia meio de fazê-los voltar atrás.

 

(José de Alencar, Ao correr da pena. Disponível em: https://www. dominiopublico.gov.br/. Adaptado)

 

1Desplante: atrevimento, ousadia.

2Intata: intacta.

3Niilidade: nada.

4Debalde: inutilmente.

Assinale a alternativa em que o termo destacado pertence à mesma classe de palavra que o termo destacado em “…que assim se esqueciam dos seus deveres.” (13º parágrafo).
 

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4083531 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: MPE-SP

Leia o trecho da crônica de José de Alencar a seguir para responder à questão.

 

Desculpai-me!

 

Vou contar-vos uma coisa que me sucedeu ontem: é um dos episódios mais interessantes de minha vida de escritor.

Aposto que nunca vistes escrever sem tinta!

Pois lede estas primeiras páginas, compreendereis como aquele milagre é possível no século atual, no século do progresso.

Eis o caso.

Foi ontem, por volta das dez horas. Estava em casa de um amigo, e aí mesmo dispunha-me a escrever a minha revista.

Sentei-me à mesa, e, com todo o desplante1 de um homem, que não sabe o que tem a dizer, ia dar começo ao meu folhetim, quando...

Talvez não acrediteis.

Tomei a pena e levei-a ao tinteiro; mas ela estremeceu toda, coitadinha, e saiu intata2 e pura. Não trazia nem uma niilidade3 de tinta. Fiz nova experiência, e foi debalde4.

O caso tornava-se grave, e já ia saindo do meu sério, quando a pena deu um passo, creio que temperou a garganta, e pediu a palavra.

Estava perdido!

Tinha uma pena oradora, tinha discussões parlamentares, discurso de cinco e seis horas. Que elementos para não trabalhar!

Nada; era preciso pôr um termo a semelhante abuso, e tomar uma resolução pronta e imediata.

Comecei por bater o pé, e passar uma repreensão severa nos meus dois empregados, que assim se esqueciam dos seus deveres.

O meio era bom, e surtiu o desejado efeito como sempre.

Entramos em explicações; e no fim de contas soube a causa dessa dissidência.

A pena se tinha declarado em oposição aberta; o tinteiro era ministerial de fato. E ambos tão decididos nas suas opiniões, que não havia meio de fazê-los voltar atrás.

 

(José de Alencar, Ao correr da pena. Disponível em: https://www. dominiopublico.gov.br/. Adaptado)

 

1Desplante: atrevimento, ousadia.

2Intata: intacta.

3Niilidade: nada.

4Debalde: inutilmente.

Assinale a alternativa em que os termos destacados correspondem, corretamente e na ordem em que aparecem, a um artigo definido e a um numeral.
 

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