“Falavam em fuzilamentos, em gente que
era embarcada nos aviões militares e atirada
em alto-mar. Havia muita confusão. Sempre
que há mudança violenta de poder, a regra dos
entendidos é sumir, evaporar-se, não se expor,
nos primeiros momentos da rebordosa, um
sargento qualquer pode decidir sobre um
fuzilamento. Depois as coisas se organizam,
até mesmo a violência é estruturada, até
mesmo o arbítrio. Mas quem, no meio tempo,
foi fuzilado, fuzilado fica.”
CONY, Carlos Heitor. Quase memória: quase romance. Rio
de Janeiro: O Globo; São Paulo: Folha de S. Paulo, 2003, p. 183. No excerto da obra em destaque, baseada em
fatos ocorridos durante a Ditadura Militar
(1964-1985), observa-se que, se nos primeiros
momentos após o golpe de Estado houve certa
desarticulação quanto às ações violentas dos
golpistas sobre os opositores, posteriormente
ocorreu
“As pessoas fogem do trabalho para o
domingo. No final da sexta-feira começa uma
contagem regressiva em direção à festa, ao
descanso, ao tédio e à gargalhada fácil, que é
o desafogo de um país em que o povo e a
economia vão mal [Aparecem trabalhadores
tomando ônibus ou trem]. Domingo é o dia de
se abandonar a cidade, esquecer as
preocupações da escola e do escritório. Na
falta de pão e de biscoitos, há o parque de
diversões em São Gonçalo [Mostra uma
criança negra, aparentemente pobre, em um
parque], a linha de passes na Pavuna
[Aparecem crianças descalças, aparentemente
pobres, jogando futebol], a praia em
Copacabana ou Ipanema, onde para uns
poucos a vida é um domingo interminável
[Mostra o mar e prédios daqueles bairros]. Dia
do Flamengo, do Corinthians, da televisão...” O MUNDO Mágico dos Trapalhões. Direção: Silvio Tendler.
Narração: Chico Anysio. Rio de Janeiro: RA Produções, 1981. 1
DVD. [trecho] Exibido nos anos finais da Ditadura Militar
(1964-1985), O Mundo Mágico dos Trapalhões
levou 2,5 milhões de espectadores aos
cinemas em 1981, fato comum nos filmes do
quarteto formado por Didi, Dedé, Mussum e
Zacarias. No referido trecho, a narração na voz
do humorista Chico Anysio, combinada com as
imagens (cuja descrição está entre colchetes),
serve como crítica a um dos aspectos mais
característicos do Brasil naquele ano:
“A historiografia sobre os processos de
independência da América e de formação dos
Estados americanos tem sido renovada com
significativas contribuições de vários autores,
que tendem a enfatizar as dinâmicas locais e as
atuações dos povos americanos para uma
compreensão mais ampla e complexa do
tema.”
ALMEIDA, Maria Regina Celestino. Populações indígenas
e Estados nacionais latino-americanos: novas abordagens
historiográficas. In: AZEVEDO, Cecília; RAMINELLI, Ronald
(Orgs.) História da América: novas perspectivas. Rio de
Janeiro: Editora FGV, 2011, p. 111.
Entre as contribuições para a historiografia da
América, há a obra de François-Xavier Guerra,
para quem, apesar das diferenças étnicas e
sociais e de suas múltiplas identidades, os
vários habitantes da América hispânica –
espanhóis, crioulos, mestiços, indígenas e
africanos – chegaram à primeira década do
século XIX compartilhando entre si
“Contaram-me depois que a multidão
desceu pela Rua do Comércio e foi quebrando
pelo caminho as janelas de todas as casas
pertencentes a famílias de origem alemã. Nem
os Spielvogel nem os Kunz – que são
reconhecidamente antinazistas – foram
poupados. Alguém sugeriu que empastelassem
a Confeitaria Schnitzler. Ouviu-se uma voz:
Não! Schnitzler é dos nossos! – Qual nada! –
berrou outro. – É alemão e basta. A multidão
começou a cantar o Hino Nacional e dar morras
ao nazismo.”
VERÍSSIMO, Érico. O tempo e o vento: o arquipélago.
Vol. III. 2. ed. rev. São Paulo: Editora Globo, 2002, p. 344-345.
Adaptado.
Em O tempo e o vento, sua obra mais
consagrada, o escritor Érico Veríssimo
reconstituiu, entre outros, diversos
acontecimentos existentes durante a Era
Vargas (1930-1945).
A análise do excerto remete às revoltas
populares ocorridas imediatamente após
“Quanto aos trabalhadores, após a guerra
o ‘pleno emprego’, ou seja, a eliminação do
desemprego em massa, tornou-se a pedra
fundamental da política econômica nos países
de capitalismo democrático reformado, cujo
mais famoso profeta e pioneiro, embora não o
único, foi o economista britânico John Maynard
Keynes (1883-1946). O argumento keynesiano
em favor dos benefícios da eliminação
permanente do desemprego em massa era tão
econômico quanto político. Os keynesianos
afirmavam, corretamente, que a demanda a ser
gerada pela renda de trabalhadores com pleno
emprego teria o mais estimulante efeito nas
economias em recessão.”
HOBSBAWM, Eric John. Era dos extremos: o breve
século XX 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1995,
p. 99-100. De acordo com Hobsbawm, a Grande
Depressão, tendo sido o mais trágico episódio
da história do capitalismo, teve como sua mais
significativa implicação de longo prazo
Em 1955, reuniu-se em Bandung, na
Indonésia, uma conferência convocada pelo
grupo de Colombo, congregando os cinco
países recém-independentes – Índia,
Paquistão, Ceilão, Birmânia e Indonésia – e,
pela primeira vez, os chefes de Estado de 29
países da Ásia e da África (18 a 24 de abril),
que se apresentavam como um terceiro mundo.
LINHARES, Maria Yedda Leite. Descolonização e lutas de
libertação nacional. In: REIS FILHO, Daniel Aarão;
FERREIRA, Jorge; ZENHA, Celeste (Orgs.). O Século XX.
v. 3. O tempo das dúvidas: do declínio das utopias às
globalizações. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000, p. 57.
No que se refere aos pontos em comum da
Conferência de Bandung, houve pronunciamento
“[...] O vasto aumento na produção, que
capacitou as atividades agrícolas britânicas na
década de 1830 a fornecer 98% dos cereais
consumidos por uma população duas a três
vezes maior que a de meados do século XVIII,
foi obtido pela adoção geral de métodos
descobertos no início do século XVIII, pela
racionalização e pela expansão da área
cultivada.”
HOBSBAWM, Eric John. A era das revoluções: 1789-1848.
25ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 2012, p. 89.
A “revolução agrícola” ocorrida na
Grã-Bretanha, responsável pelo formidável
aumento na produção, trouxe, por outro lado,
custos sociais muito elevados para grande
parte da classe trabalhadora rural, prejudicada
pela “expansão da área cultivada” oriunda
Durante o período regencial, o padre
Diogo Antônio Feijó, de tendência liberal, foi
eleito regente em 1835. Sua vitória foi apertada,
ganhando com pouco mais da metade dos
votos. Ele sabia que enfrentaria oposição em
seu governo – e não se enganou. Revoltas
explodiram por toda a parte do Império,
envolvendo grupos diferentes e com objetivos
variados. As revoltas envolveram os mais
diferentes grupos sociais. Algumas revoltas
pretendiam conseguir maior liberdade para
suas províncias em relação ao poder
centralizado no Rio de Janeiro; outras, a
separação do Brasil e a criação de um novo
país; outras, ainda, não tinham objetivo
definido, mas demonstravam a insatisfação
com a política que existia. Nenhuma delas,
entretanto, pretendia mudar profundamente a
estrutura da sociedade. E nenhuma propôs
realmente acabar com a escravidão. Parecia
que o Brasil estava a ponto de se dividir em
vários países, como havia acontecido com a
América espanhola na época das
independências. Era preciso muita cautela para
enfrentar tantos problemas políticos. E o
governo do padre Feijó não conseguiu
resolvê-los. Doente e desprestigiado,
renunciou em 1837.
VAINFAS, Ronaldo et al.História.doc: 8 anos. São Paulo:
Saraiva, 2018. p. 120-121.
Assinale a opção que indica corretamente os
movimentos que fizeram parte das Revoltas
Regenciais.
Com o fim da Monarquia e o início da
República, no começo do século VI a.C., a vida
política romana apresentou grandes
transformações. A República foi um tipo de
governo marcado pela criação de vários cargos
políticos. Nesse contexto, assinale a opção que
descreve corretamente o papel do Senado na
República romana.
O açúcar foi o produto escolhido pelos
portugueses para viabilizar a ocupação do
Brasil. Eles já tinham grande experiência com a
lavoura canavieira, implantada com sucesso
nas ilhas da Madeira e dos Açores, localizadas
no oceano Atlântico. Além disso, o açúcar era
uma mercadoria rara e cara no século XVI.
Com a produção de açúcar, o Brasil deixou de
ser apenas um ponto de parada na rota para o
Oriente ou um lugar para recolher o pau-brasil.
No início da colonização portuguesa, o valor
produzido pelos negócios do Brasil representava uma pequena proporção no
conjunto das rendas arrecadadas pela Coroa.
Já no final do século XVI, podia-se dizer que o
açúcar do Brasil era mais lucrativo do que todas
as especiarias, louças e demais produtos
negociados no Oriente. A colônia produtora de
açúcar havia se transformado na “galinha dos
ovos de ouro” da economia portuguesa,
estimulando o investimento do governo e de
comerciantes portugueses.
VAINFAS, Ronaldo et al. História.doc: 7 ano. São Paulo:
Saraiva, 2018, p. 195. Adaptado.
Em relação à produção do açúcar no Brasil
Colônia, assinale a opção correta.