O trecho a seguir foi selecionado do início do Livro VII da República de Platão e descreve o que poderia
acontecer ao escravo que havia escapado de uma certa caverna, caso decidisse retornar ao espaço
subterrâneo:
“- Se, naquele tempo, entre eles [os prisioneiros que permaneceram na caverna] havia honras, louvores e
também prêmios concedidos a quem observasse com um olhar mais aguçado os objetos que desfilassem
diante deles e se lembrasse melhor do que costumava vir antes, depois ou simultaneamente e, a partir disso,
tivesse mais capacidade para adivinhar o que estivesse por vir, na tua opinião, não achas que ele [o prisioneiro
liberto que retorna à caverna] cobiçaria essas recompensas e invejaria os que entre eles fossem honrados e
tivessem poder? Ou achas que ele passaria pela experiência de que fala Homero e preferiria, no trabalho da
terra, sendo escravo de outro homem sem posses, sofrer qualquer coisa que fosse, a ter aquelas opiniões e
viver daquela maneira?
- É assim, disse ele, que eu penso. Estaria mais disposto a sofrer o que fosse que a viver daquele modo.
- Reflete sobre isto! disse eu. Se, de novo, esse fulano descesse e se sentasse naquele mesmo local, não
ficaria com os olhos toldados pela escuridão ao sair de repente do sol?
- É bem isso que aconteceria, disse.
- E se ele, a respeito da significação daquelas sombras precisasse competir com os que continuavam
como prisioneiros, no momento em que sua visão estivesse fraca e antes que seus olhos estivessem bem - e
esse tempo de acomodação não seria muito curto -, será que não seria motivo de riso? Não diriam dele que,
tendo ido lá para cima, tinha voltado com os olhos lesados e que não valia a pena nem mesmo tentar ir até lá?
E a quem tentasse libertá-los e conduzi-los lá para cima, se de alguma forma pudessem segurá-lo com suas
mão e matá-lo, eles não o matariam?
- É bem isso que faria, disse”.
Fonte: (PLATÃO. A república. Tradução Anna Lia Amaral de Almeida Prado. São Paulo: Martins Fontes, 2006. p. 270).
Ao analisarmos os sentidos que podem ser hauridos da Alegoria da Caverna, com especial atenção à
motivação do possível regresso do escravo, podemos afirmar que ele retornaria à caverna
Leia o trecho de diálogo a seguir para responder à questão.
“Teeteto: Ah sim, Sócrates. Na verdade, uma vez ouvi alguém fazer essa distinção. Eu me esquecera disso,
mas agora me lembro. Dizia ele que o conhecimento é a opinião verdadeira associada ao discurso racional,
mas que a opinião verdadeira dissociada da explicação racional sai do âmbito do conhecimento; e que
matérias que carecem de uma explicação racional são incognoscíveis [...] enquanto aquelas que contam uma
explicação racional são cognoscíveis”
Fonte: (PLATÃO. Teeteto. In: ____. Diálogos I. Tradução e notas Edson Bini. Bauru: Edipro, 2007.
Coleção Clássicos Edipro. p. 139).
Neste trecho do diálogo entre Sócrates e Teeteto, Platão apresenta três elementos explicativos que, juntos,
caracterizam a definição clássica de conhecimento. A saber, esses elementos são
Leia o seguinte trecho de diálogo para responder à questão
“Estrangeiro: Então eu formarei um discurso [uma sentença] para ti no qual uma ação e o resultado da ação
estão combinados através de um nome e um verbo e me dirás sobre o que é o discurso [o sujeito da sentença].
Teeteto: Eu o farei o melhor que puder.
Estrangeiro: ‘Teeteto senta’. Não é um longo discurso, é?
Teeteto: Não, é razoavelmente curto.
Estrangeiro: Agora cabe a ti dizer sobre o que é e qual é o seu sujeito.
Teeteto: Está claro que é sobre mim e que sou eu o seu sujeito.
[...]
Estrangeiro: ‘Teeteto, com quem estou falando agora, voa’.
Teeteto: Todos se disporiam a concordar que esse também é sobre mim e que sou seu sujeito.
Estrangeiro: Mas concordamos que todo discurso (sentença) tem necessariamente uma particular qualidade.
Teeteto: Sim.
Estrangeiro: Ora, que qualidade deveríamos atribuir a cada um desses discursos (sentenças)?
Teeteto: Suponho que uma é falsa, ao passo que a outra é verdadeira.
Estrangeiro: A verdadeira indica fatos como são sobre ti.
Teeteto: Certamente.
Estrangeiro: Enquanto a falsa indica coisas diferentes dos fatos.
Teeteto: Sim.”
Fonte: (PLATÃO. Sofista. In: ____. Diálogos I. Tradução e notas Edson Bini. Bauru: Edipro, 2007. Coleção Clássicos
Edipro. p. 236-237).
A Fenomenologia de Husserl desenvolve o conceito de Epoché, que significa a suspensão do juízo, não para
negar as elaborações da razão, mas para que não recaia numa espécie de fixação do objeto pelo recorte da
sua apresentação fenomenológica. Assim, Husserl busca levar a sua fenomenologia ao encontro do eu, que é
o sujeito da epoché, para que assim se possa estabelecer, mediante a filosofia do ego, como centro constitutivo
de toda a subjetividade, o nível da consciência que é base para
A Pólis não é apenas a Cidade-Estado no sentido geográfico e demográfico, mas é a unidade espiritual de
formação do cidadão, enquanto indivíduo moral não separado do todo, do cosmos que ela é, de modo que a
vida pública é vida ética e a escolha do modo de vida é a manifestação das virtudes que orientam essa vida. A
ética dos antigos gregos busca relacionar de maneira inseparável a condução da vida pública com os princípios
morais que a orientam e, para tal, em relação a essa vivência integrada, na boa disposição entre as coisas
necessárias e as coisas passageiras, o indivíduo moral é o mesmo que o indivíduo político e desenvolve no
contexto da sua práxis a
O pensamento político do filósofo paduano Marsílio, na sua obra O Defensor da Paz, antecipa em alguns
séculos a reflexão política sobre a necessidade da centralidade do poder para configurar o governo na forma
de um Estado. Para o autor, o elemento estruturante dessa configuração do poder é a constituição do Reino
mediante as suas partes, sendo o governo a parts principans (a parte principal) da qual todas as outras
extraem a sua natureza, inclusive o poder religioso. Só é possível a um Reino estabelecer-se em vista da sua
finalidade se o poder nele exercido for unificado e centralizado em torno da sua causa final, que é a paz.
Assim, o Rei governa em vista da finalidade própria e exigida pela razão para haver um governo e as partes
subordinadas a esse poder, não intervindo nas relações que não competem à sua natureza, mas
constituindo-se em harmonia e obediência ao governante
Por meio da realidade inteligível, que no pensamento de Santo Agostinho é o modo como Deus cria e dispõe
todas as coisas segundo uma ordem, a realidade material é disposta de acordo com a forma que Deus lhe
confere e, mesmo na diversidade das formas, ela permite elevar a inteligência a Deus, ao Deus uno, por que é
dele que provém toda a forma que dá à matéria a harmonia, ou seja, a beleza. A beleza, portanto, reserva em
si um conteúdo inteligível, que é a forma como Deus dispõe aquilo que ele cria, e uma realidade material, a
diversidade que forma o todo, sem que haja confusão e indistinção entre as coisas na sua profunda
diversidade. A ideia de beleza elaborada por Santo Agostinho, base para compreender como a arte imita a
natureza e a natureza é a forma da Ideia de Deus para o que é realidade material, desenvolveu a noção de
criação Ex Nihilo, pois a beleza expressa o modo como Deus cria a partir da ideia, a qual confere às coisas e à
sua
O pensamento político de Maquiavel desenvolve uma filosofia do poder, do exercício do poder desvinculado do
exercício ético, de modo que a sua teoria política não é sobre como deve ser o poder, mas sobre como é o
poder e que isso exige do princípe a sabedoria e o trato para lidar com as suas exigências. Assim, o soberano
é aquele que estabelece a dinâmica do Estado como a do poder mantido e preservado em torno de si,
independente se o Principado tenha sido uma conquista recente ou por sucessão estabelecida, o principado
hereditário. Para tal, o autor desenvolve os conceitos de Virtù e de Fortuna, e ambos são fundamentais para a
compreensão da natureza do Estado e a sua relação com a história. Em ambos os conceitos, o tema do poder
é central e também o modo como se governa. O fato que, segundo o autor, leva Reinos a surgirem ou a
desaparecem, assim como os seus soberanos, é que os principados conquistados pela Virtù, em relação aos
que se conquistam pela Fortuna são
Na obra A República, Platão desenvolve a sua filosofia sobre a Cidade Ideal e a sua relação com a Justiça.
Nenhuma cidade pode ser a ideal sem pensar o que é a justiça e o que constitui a sua natureza; como ela
orienta as paixões e a razão, gerando a virtude e assim situando cada pessoa mediante aquilo com que ela
pode contribuir na construção da cidade. Àqueles cuja virtude produz o saber das coisas práticas, cabe
assumi-las e as realizar, e, assim, a Justiça se conserva na Pólis. Àqueles cuja virtude é a disciplina militar,
compete-lhes a estratégia e a organização em tropas. É reservado àqueles que podem pensar a Justiça e
alcançam a sua ideia o governo da Cidade e a realização da Justiça mediante o bom e correto julgamento das
realidades. Sobre as realidades, Platão as distinguiu numa célebre alegoria, que está no Livro VII e que
recebeu o nome de Alegoria da Caverna. Nela, uma ideia é fundamental para a compreensão da distinção que
o filósofo faz dos tipos de alma que constituem o ser humano e lhe permite, mediante o seu exercício rigoroso,
contemplar as coisas à luz do sol e na sua falta, satisfazer-se à projeção das chamas da fogueira; essa ideia é
a de
A presença da Filosofia como disciplina filosófica no currículo do Ensino Médio nunca esteve separada das
questões políticas de Educação para o Brasil. A supressão da sua presença no período da ditadura militar,
assim como a sua volta mediante a Lei de Diretrizes e Bases para a Educação, Lei 9394/96, dizem dos
projetos políticos em curso no país e também da oferta de conteúdos formativos às gerações em processo de
escolarização. Assim, compreende-se a implantação do chamado Novo Ensino Médio que, em nome e no
desejo de melhorar o sistema educacional do Brasil, trouxe a flexibilização de cargas horárias para os
currículos, mediante o interesse do público estudantil matriculado nas unidades escolares, oculta um problema
que tensiona a formação de professores e professoras de filosofia diante da