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Foram encontradas 50 questões.

3481247 Ano: 2014
Disciplina: Medicina
Banca: UFPA
Orgão: UNIFESSPA
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O diagnóstico da Síndrome do Desfiladeiro Torácico (SDT) é clínico e exclui outras entidades nosológicas (síndrome da costela cervical, da 1ª costela, dos escalenos) que possam determinar sintomatologias semelhantes. Na maioria das vezes, há piora dos sintomas quando são realizadas manobras que causam compressão dos elementos do feixe vásculo-nervoso no desfiladeiro e fortalecem o diagnóstico. Dentre uma série de testes, o mais utilizado para confirmar o agravo é

 

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3481246 Ano: 2014
Disciplina: Medicina
Banca: UFPA
Orgão: UNIFESSPA
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Os sinais obtidos a partir de testes clínicos são muito importantes na definição diagnóstica da Síndrome do Tunel do Carpo (STC), porém, quando negativos, não excluem o diagnóstico. Comparando-se todos os testes, observa-se que

 

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3481245 Ano: 2014
Disciplina: Medicina
Banca: UFPA
Orgão: UNIFESSPA
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A Síndrome do Túnel do Carpo (STC) é a neuropatia compressiva mais frequentemente diagnosticada e tratada no mundo todo. As queixas comuns relatadas por pacientes são dormência e formigamento na palma da mão e nos dedos, enfatizando que o quinto quirodáctilo não é envolvido. Também relatam alívio transitório dos sintomas com o movimento de sacudir as mãos, conhecido, como

 

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3481244 Ano: 2014
Disciplina: Medicina
Banca: UFPA
Orgão: UNIFESSPA
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As compressões extrínsecas (imobilizações prolongadas, tumores, osteocondromas, varizes, cistos sinoviais) assim como o trauma direto com nexo causal trabalhista constituem o mozaico etiológico de neuropatia mais comum em membro inferior que atinge frequentemente o

 

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3481243 Ano: 2014
Disciplina: Medicina
Banca: UFPA
Orgão: UNIFESSPA
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A anatomia estrutural do nervo é constituída, principalmente, por

 

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1421652 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: UFPA
Orgão: UNIFESSPA

Texto

VELHO, EU?

O título é apenas chamativo, não há nele pretensão ou jactância. Ocorre simplesmente que um amigo de geração, convidado a dar seu depoimento para um livro sobre a condição de idoso, comum a nós dois, provocou-me a fazer o mesmo. E reconheci que, ao completar setenta e três anos, o momento seria bem propício a uma reflexão sobre o tema.

Se me sinto velho? Em muitos aspectos, não. É verdade que já não corro, e certos movimentos simples, como o sair do carro, em vagas de estacionamento apertadas, exigem um esforço de que não tenho memória do passado. Se dirigir por mais de duas horas, tenho as pernas emperradas ao final da viagem. Mas caminho, jogo vôlei e tênis de praia, e nado com alguma regularidade. Aprecio sobretudo as longas jornadas em contacto com a natureza, como o Caminho Inca, feito oito anos atrás, ou as trilhas do Parque Nacional Torres Del Paine, na Patagônia Chilena, ano passado.

Às academias de musculação não me adaptei. Todas, ao gosto da garotada, mantêm um fundo musical atordoante, que a mim irrita, quando o desejo é relaxar. E tenho a convicção de que, para fazer flexões e ativar músculos, não são necessários equipamentos sofisticados.

A memória às vezes falha, ou tarda, mas não a ponto de comprometer o trabalho ou a atividade intelectual. E tende-se a perder a exata dimensão do tempo: falamos de coisas que nos aconteceram há vinte, trinta anos, como se tivessem ocorrido recentemente. Sentimo-nos como se continuássemos sendo sempre os mesmos.

Só o espelho, ou às vezes a reação estranha de um interlocutor, é que nos trazem de relance à realidade. Como observou um artista sombrio, o barbear diário nos faz acompanhar o trabalho da morte, no lento avanço das rugas e dos cabelos brancos.

Essa revelação dos espelhos e dos circunstantes foi bem retratada, há cerca de um século, pelo poeta Marcello Gama, cuja feiura começava no próprio nome de batismo (Possidônio Machado), e que a formulou em belos versos alexandrinos:

“Sou feio se não mente o juízo dos espelhos

Nem é falsa a expressão do que olha para mim”

Pois é. Contra o juízo dos espelhos nós, os velhos, só temos a opor o nosso próprio sentimento e algumas compensações: mais histórias para contar, o conforto das lembranças amenas, a sensação de que nada de dramático, insolúvel ou desconhecido pode mais nos surpreender. Já vimos tudo. E se a paisagem à frente se faz nebulosa, os caminhos percorridos mantêm-se banhados de luz. Para contrapor à labilidade do presente e à incerteza do futuro, temos as coisas findas, “muito mais que lindas”, que permanecem – na nossa memória.

Quanto ao sexo, espero não surpreender os amigos e amigas ao afirmar que não me preocupa. É claro que a capacidade orgástica juvenil já vai distante. Mas considero o sexo uma servidão. Muito prazerosa, é bem verdade, mas sempre uma servidão, pois exige uma parceira, para ser praticado de forma plenamente gratificante. Portanto, quando me faltar, em futuro incerto e não perquirido, talvez me sinta até mais livre, para desfrutar de outros prazeres do corpo e do espírito.

Só há mesmo uma pena irremediável na velhice: a solidão crescente com a perda dos amigos, parentes, companheiros de geração. Falando destes últimos, irmãos de pensamento e de sonhos, que se foram, os dedos das mãos já não são suficientes para contá-los. E as novas amizades não os substituem plenamente.

Há quem veja nessas ausências uma prévia da solidão radical e definitiva da travessia na barca de Caronte, para a qual iríamos sendo preparados. Mas para um racionalista convicto como eu, e otimista por princípio filosófico, a morte é apenas o último ato da vida. A única maneira de bem viver é não lhe atribuir importância. Quem não gosta de descansar, quando a jornada o fatiga? E falamos aqui de um repouso perfeito, sono sem sonhos em que cessa o tempo, por não mais se ter a consciência dele. A ideia de uma alma imortal me parece tão absurda quanto a de um corpo imortal. E ainda mais: inquietadora.

Só a vida é importante. E enquanto mantivermos a curiosidade em relação a ela e ao nosso mundo, viver será sempre agradável. De minha parte, tenho todo o interesse em acompanhar o espetáculo pelo máximo de tempo. Melhor ainda: tenho a pretensão – talvez ingênua, talvez romântica – de bem participar dele, contribuindo, mesmo em pequena escala, para que meus contemporâneos e descendentes vivam mais alegres e felizes.

Velho, sim! E satisfeito! Nada a reclamar.

Clemente Rosas

www.revistasera.info. 19/09/2013

De acordo com o texto de Clemente Rosas, a velhice é um momento de

 

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1421651 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: UFPA
Orgão: UNIFESSPA

Texto

VELHO, EU?

O título é apenas chamativo, não há nele pretensão ou jactância. Ocorre simplesmente que um amigo de geração, convidado a dar seu depoimento para um livro sobre a condição de idoso, comum a nós dois, provocou-me a fazer o mesmo. E reconheci que, ao completar setenta e três anos, o momento seria bem propício a uma reflexão sobre o tema.

Se me sinto velho? Em muitos aspectos, não. É verdade que já não corro, e certos movimentos simples, como o sair do carro, em vagas de estacionamento apertadas, exigem um esforço de que não tenho memória do passado. Se dirigir por mais de duas horas, tenho as pernas emperradas ao final da viagem. Mas caminho, jogo vôlei e tênis de praia, e nado com alguma regularidade. Aprecio sobretudo as longas jornadas em contacto com a natureza, como o Caminho Inca, feito oito anos atrás, ou as trilhas do Parque Nacional Torres Del Paine, na Patagônia Chilena, ano passado.

Às academias de musculação não me adaptei. Todas, ao gosto da garotada, mantêm um fundo musical atordoante, que a mim irrita, quando o desejo é relaxar. E tenho a convicção de que, para fazer flexões e ativar músculos, não são necessários equipamentos sofisticados.

A memória às vezes falha, ou tarda, mas não a ponto de comprometer o trabalho ou a atividade intelectual. E tende-se a perder a exata dimensão do tempo: falamos de coisas que nos aconteceram há vinte, trinta anos, como se tivessem ocorrido recentemente. Sentimo-nos como se continuássemos sendo sempre os mesmos.

Só o espelho, ou às vezes a reação estranha de um interlocutor, é que nos trazem de relance à realidade. Como observou um artista sombrio, o barbear diário nos faz acompanhar o trabalho da morte, no lento avanço das rugas e dos cabelos brancos.

Essa revelação dos espelhos e dos circunstantes foi bem retratada, há cerca de um século, pelo poeta Marcello Gama, cuja feiura começava no próprio nome de batismo (Possidônio Machado), e que a formulou em belos versos alexandrinos:

“Sou feio se não mente o juízo dos espelhos

Nem é falsa a expressão do que olha para mim”

Pois é. Contra o juízo dos espelhos nós, os velhos, só temos a opor o nosso próprio sentimento e algumas compensações: mais histórias para contar, o conforto das lembranças amenas, a sensação de que nada de dramático, insolúvel ou desconhecido pode mais nos surpreender. Já vimos tudo. E se a paisagem à frente se faz nebulosa, os caminhos percorridos mantêm-se banhados de luz. Para contrapor à labilidade do presente e à incerteza do futuro, temos as coisas findas, “muito mais que lindas”, que permanecem – na nossa memória.

Quanto ao sexo, espero não surpreender os amigos e amigas ao afirmar que não me preocupa. É claro que a capacidade orgástica juvenil já vai distante. Mas considero o sexo uma servidão. Muito prazerosa, é bem verdade, mas sempre uma servidão, pois exige uma parceira, para ser praticado de forma plenamente gratificante. Portanto, quando me faltar, em futuro incerto e não perquirido, talvez me sinta até mais livre, para desfrutar de outros prazeres do corpo e do espírito.

Só há mesmo uma pena irremediável na velhice: a solidão crescente com a perda dos amigos, parentes, companheiros de geração. Falando destes últimos, irmãos de pensamento e de sonhos, que se foram, os dedos das mãos já não são suficientes para contá-los. E as novas amizades não os substituem plenamente.

Há quem veja nessas ausências uma prévia da solidão radical e definitiva da travessia na barca de Caronte, para a qual iríamos sendo preparados. Mas para um racionalista convicto como eu, e otimista por princípio filosófico, a morte é apenas o último ato da vida. A única maneira de bem viver é não lhe atribuir importância. Quem não gosta de descansar, quando a jornada o fatiga? E falamos aqui de um repouso perfeito, sono sem sonhos em que cessa o tempo, por não mais se ter a consciência dele. A ideia de uma alma imortal me parece tão absurda quanto a de um corpo imortal. E ainda mais: inquietadora.

Só a vida é importante. E enquanto mantivermos a curiosidade em relação a ela e ao nosso mundo, viver será sempre agradável. De minha parte, tenho todo o interesse em acompanhar o espetáculo pelo máximo de tempo. Melhor ainda: tenho a pretensão – talvez ingênua, talvez romântica – de bem participar dele, contribuindo, mesmo em pequena escala, para que meus contemporâneos e descendentes vivam mais alegres e felizes.

Velho, sim! E satisfeito! Nada a reclamar.

Clemente Rosas

www.revistasera.info. 19/09/2013

Ao afirmar que somente a vida é importante, pode-se inferir que o autor do texto

 

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1420195 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: UFPA
Orgão: UNIFESSPA

enunciado 1420195-1


Clemente Rosas www.revistasera.info. 19/09/2013
A citação dos versos de Possidônio Machado é argumento para a defesa da tese de que a velhice é
 

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1420095 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: UFPA
Orgão: UNIFESSPA

Texto

VELHO, EU?

O título é apenas chamativo, não há nele pretensão ou jactância. Ocorre simplesmente que um amigo de geração, convidado a dar seu depoimento para um livro sobre a condição de idoso, comum a nós dois, provocou-me a fazer o mesmo. E reconheci que, ao completar setenta e três anos, o momento seria bem propício a uma reflexão sobre o tema.

Se me sinto velho? Em muitos aspectos, não. É verdade que já não corro, e certos movimentos simples, como o sair do carro, em vagas de estacionamento apertadas, exigem um esforço de que não tenho memória do passado. Se dirigir por mais de duas horas, tenho as pernas emperradas ao final da viagem. Mas caminho, jogo vôlei e tênis de praia, e nado com alguma regularidade. Aprecio sobretudo as longas jornadas em contacto com a natureza, como o Caminho Inca, feito oito anos atrás, ou as trilhas do Parque Nacional Torres Del Paine, na Patagônia Chilena, ano passado.

Às academias de musculação não me adaptei. Todas, ao gosto da garotada, mantêm um fundo musical atordoante, que a mim irrita, quando o desejo é relaxar. E tenho a convicção de que, para fazer flexões e ativar músculos, não são necessários equipamentos sofisticados.

A memória às vezes falha, ou tarda, mas não a ponto de comprometer o trabalho ou a atividade intelectual. E tende-se a perder a exata dimensão do tempo: falamos de coisas que nos aconteceram há vinte, trinta anos, como se tivessem ocorrido recentemente. Sentimo-nos como se continuássemos sendo sempre os mesmos.

Só o espelho, ou às vezes a reação estranha de um interlocutor, é que nos trazem de relance à realidade. Como observou um artista sombrio, o barbear diário nos faz acompanhar o trabalho da morte, no lento avanço das rugas e dos cabelos brancos.

Essa revelação dos espelhos e dos circunstantes foi bem retratada, há cerca de um século, pelo poeta Marcello Gama, cuja feiura começava no próprio nome de batismo (Possidônio Machado), e que a formulou em belos versos alexandrinos:

“Sou feio se não mente o juízo dos espelhos

Nem é falsa a expressão do que olha para mim”

Pois é. Contra o juízo dos espelhos nós, os velhos, só temos a opor o nosso próprio sentimento e algumas compensações: mais histórias para contar, o conforto das lembranças amenas, a sensação de que nada de dramático, insolúvel ou desconhecido pode mais nos surpreender. Já vimos tudo. E se a paisagem à frente se faz nebulosa, os caminhos percorridos mantêm-se banhados de luz. Para contrapor à labilidade do presente e à incerteza do futuro, temos as coisas findas, “muito mais que lindas”, que permanecem – na nossa memória.

Quanto ao sexo, espero não surpreender os amigos e amigas ao afirmar que não me preocupa. É claro que a capacidade orgástica juvenil já vai distante. Mas considero o sexo uma servidão. Muito prazerosa, é bem verdade, mas sempre uma servidão, pois exige uma parceira, para ser praticado de forma plenamente gratificante. Portanto, quando me faltar, em futuro incerto e não perquirido, talvez me sinta até mais livre, para desfrutar de outros prazeres do corpo e do espírito.

Só há mesmo uma pena irremediável na velhice: a solidão crescente com a perda dos amigos, parentes, companheiros de geração. Falando destes últimos, irmãos de pensamento e de sonhos, que se foram, os dedos das mãos já não são suficientes para contá-los. E as novas amizades não os substituem plenamente.

Há quem veja nessas ausências uma prévia da solidão radical e definitiva da travessia na barca de Caronte, para a qual iríamos sendo preparados. Mas para um racionalista convicto como eu, e otimista por princípio filosófico, a morte é apenas o último ato da vida. A única maneira de bem viver é não lhe atribuir importância. Quem não gosta de descansar, quando a jornada o fatiga? E falamos aqui de um repouso perfeito, sono sem sonhos em que cessa o tempo, por não mais se ter a consciência dele. A ideia de uma alma imortal me parece tão absurda quanto a de um corpo imortal. E ainda mais: inquietadora.

Só a vida é importante. E enquanto mantivermos a curiosidade em relação a ela e ao nosso mundo, viver será sempre agradável. De minha parte, tenho todo o interesse em acompanhar o espetáculo pelo máximo de tempo. Melhor ainda: tenho a pretensão – talvez ingênua, talvez romântica – de bem participar dele, contribuindo, mesmo em pequena escala, para que meus contemporâneos e descendentes vivam mais alegres e felizes.

Velho, sim! E satisfeito! Nada a reclamar.

Clemente Rosas

www.revistasera.info. 19/09/2013

No enunciado “... o barbear diário nos faz acompanhar o trabalho da morte, no lento avanço das rugas e dos cabelos brancos.”, o autor se refere à

 

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1415256 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: UFPA
Orgão: UNIFESSPA

Texto

VELHO, EU?

O título é apenas chamativo, não há nele pretensão ou jactância. Ocorre simplesmente que um amigo de geração, convidado a dar seu depoimento para um livro sobre a condição de idoso, comum a nós dois, provocou-me a fazer o mesmo. E reconheci que, ao completar setenta e três anos, o momento seria bem propício a uma reflexão sobre o tema.

Se me sinto velho? Em muitos aspectos, não. É verdade que já não corro, e certos movimentos simples, como o sair do carro, em vagas de estacionamento apertadas, exigem um esforço de que não tenho memória do passado. Se dirigir por mais de duas horas, tenho as pernas emperradas ao final da viagem. Mas caminho, jogo vôlei e tênis de praia, e nado com alguma regularidade. Aprecio sobretudo as longas jornadas em contacto com a natureza, como o Caminho Inca, feito oito anos atrás, ou as trilhas do Parque Nacional Torres Del Paine, na Patagônia Chilena, ano passadoA).

Às academias de musculação não me adaptei. Todas, ao gosto da garotada, mantêm um fundo musical atordoante, que a mim irrita, quando o desejo é relaxar. E tenho a convicção de que, para fazer flexões e ativar músculos, não são necessários equipamentos sofisticados.

A memória às vezes falha, ou tarda, mas não a ponto de comprometer o trabalho ou a atividade intelectual. E tende-se a perder a exata dimensão do tempo: falamos de coisas que nos aconteceram há vinte, trinta anos, como se tivessem ocorrido recentemente. Sentimo-nos como se continuássemos sendo sempre os mesmos.

Só o espelho, ou às vezes a reação estranha de um interlocutor, é que nos trazem de relance à realidadeB). Como observou um artista sombrio, o barbear diário nos faz acompanhar o trabalho da morte, no lento avanço das rugas e dos cabelos brancos.

Essa revelação dos espelhos e dos circunstantes foi bem retratada, há cerca de um século, pelo poeta Marcello Gama, cuja feiura começava no próprio nome de batismo (Possidônio Machado), e que a formulou em belos versos alexandrinos:

“Sou feio se não mente o juízo dos espelhos

Nem é falsa a expressão do que olha para mim”

Pois é. Contra o juízo dos espelhos nós, os velhos, só temos a opor o nosso próprio sentimento e algumas compensações: mais histórias para contar, o conforto das lembranças amenas, a sensação de que nada de dramático, insolúvel ou desconhecido pode mais nos surpreender. Já vimos tudo. E se a paisagem à frente se faz nebulosa, os caminhos percorridos mantêm-se banhados de luz. Para contrapor à labilidade do presente e à incerteza do futuro, temos as coisas findas, “muito mais que lindas”, que permanecem – na nossa memória.

Quanto ao sexo, espero não surpreender os amigos e amigas ao afirmar que não me preocupa. É claro que a capacidade orgástica juvenil já vai distante. Mas considero o sexo uma servidão. Muito prazerosa, é bem verdade, mas sempre uma servidão, pois exige uma parceira, para ser praticado de forma plenamente gratificante. Portanto, quando me faltar, em futuro incerto e não perquirido, talvez me sinta até mais livre, para desfrutar de outros prazeres do corpo e do espíritoC).

Só há mesmo uma pena irremediável na velhice: a solidão crescente com a perda dos amigos, parentes, companheiros de geração. Falando destes últimos, irmãos de pensamento e de sonhos, que se foram, os dedos das mãos já não são suficientes para contá-los. E as novas amizades não os substituem plenamente.

Há quem veja nessas ausências uma prévia da solidão radical e definitiva da travessia na barca de Caronte, para a qual iríamos sendo preparados. Mas para um racionalista convicto como eu, e otimista por princípio filosófico, a morte é apenas o último ato da vida. A única maneira de bem viver é não lhe atribuir importância. Quem não gosta de descansar, quando a jornada o fatiga?D) E falamos aqui de um repouso perfeito, sono sem sonhos em que cessa o tempo, por não mais se ter a consciência dele. A ideia de uma alma imortal me parece tão absurda quanto a de um corpo imortal. E ainda mais: inquietadoraE).

Só a vida é importante. E enquanto mantivermos a curiosidade em relação a ela e ao nosso mundo, viver será sempre agradável. De minha parte, tenho todo o interesse em acompanhar o espetáculo pelo máximo de tempo. Melhor ainda: tenho a pretensão – talvez ingênua, talvez romântica – de bem participar dele, contribuindo, mesmo em pequena escala, para que meus contemporâneos e descendentes vivam mais alegres e felizes.

Velho, sim! E satisfeito! Nada a reclamar.

Clemente Rosas

www.revistasera.info. 19/09/2013

A passagem em que o autor imprime ao enunciado a ideia de possibilidade à condição de ser velho é

 

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