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Foram encontradas 50 questões.

3481099 Ano: 2014
Disciplina: Economia
Banca: UFPA
Orgão: UNIFESSPA
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Seja Z a demanda total por bens em uma economia fechada e com governo, expressa pela identidade Z ≡ C + I + G, na qual C representa o consumo, I o investimento e G os gastos do governo. A função consumo é dada por C = c0 + c1YD, em que c0 é o consumo autônomo, c1 a propensão marginal a consumir e YD a renda disponível definida como YD = Y – T. A renda é representada por Y e os impostos pagos menos as transferências recebidas pelas famílias são representados por T. Os investimentos, os gastos do governo e os impostos são variáveis exógenas e as empresas não realizam investimentos em estoque. Nestas condições, o produto de equilíbrio é dado por

 

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3481098 Ano: 2014
Disciplina: Economia
Banca: UFPA
Orgão: UNIFESSPA
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O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é um indicador sintético utilizado para avaliar o bem-estar de uma população ou o grau de desenvolvimento econômico e social de um país ou região. A respeito do IDH, é correto afirmar:

 

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3481097 Ano: 2014
Disciplina: Economia
Banca: UFPA
Orgão: UNIFESSPA
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Foram registrados no Balanço de Pagamentos do Brasil, em 2000, os resultados abaixo, em milhões de dólares. Analisando-se os dados, constata-se que o saldo do Balanço de Pagamentos e a variação das reservas da Autoridade Monetária totalizaram, respectivamente,

Valor

Balanço comercial

- 698

Balanço de serviços

- 7.162

Balanço de rendas

- 17.886

Transferências unilaterais correntes

1.521

Conta Capital

272

Investimento direto

30.498

Investimento em carteira

6.954

Derivativos

- 197

Outros investimentos

-18.202

Erros e omissões

2.637

 

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3481096 Ano: 2014
Disciplina: Economia
Banca: UFPA
Orgão: UNIFESSPA
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As Tabelas de Recursos e Usos (TRU) do Sistema de Contas Nacionais

 

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3481095 Ano: 2014
Disciplina: Economia
Banca: UFPA
Orgão: UNIFESSPA
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Na Conta de Alocação da Renda, componente das Contas Econômicas Integradas (CEI), foram registrados os dados abaixo, em R$ 1.000.000, relativos ao desempenho da economia brasileira no ano de 2000. Em conformidade com os dados apresentados, verifica-se que, nesse ano, o valor da Renda Nacional Bruta foi de

valor

Rendimento de autônomos (rendimento misto)

61.618

Excedente operacional bruto

564.322

Remuneração dos empregados

486.785

Impostos sobre a produção e de importação

237.061

Subsídios à produção

3.430

Renda de propriedade recebida do exterior

10.434

Renda de propriedade enviada ao exterior

62.706

 

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1421652 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: UFPA
Orgão: UNIFESSPA

Texto

VELHO, EU?

O título é apenas chamativo, não há nele pretensão ou jactância. Ocorre simplesmente que um amigo de geração, convidado a dar seu depoimento para um livro sobre a condição de idoso, comum a nós dois, provocou-me a fazer o mesmo. E reconheci que, ao completar setenta e três anos, o momento seria bem propício a uma reflexão sobre o tema.

Se me sinto velho? Em muitos aspectos, não. É verdade que já não corro, e certos movimentos simples, como o sair do carro, em vagas de estacionamento apertadas, exigem um esforço de que não tenho memória do passado. Se dirigir por mais de duas horas, tenho as pernas emperradas ao final da viagem. Mas caminho, jogo vôlei e tênis de praia, e nado com alguma regularidade. Aprecio sobretudo as longas jornadas em contacto com a natureza, como o Caminho Inca, feito oito anos atrás, ou as trilhas do Parque Nacional Torres Del Paine, na Patagônia Chilena, ano passado.

Às academias de musculação não me adaptei. Todas, ao gosto da garotada, mantêm um fundo musical atordoante, que a mim irrita, quando o desejo é relaxar. E tenho a convicção de que, para fazer flexões e ativar músculos, não são necessários equipamentos sofisticados.

A memória às vezes falha, ou tarda, mas não a ponto de comprometer o trabalho ou a atividade intelectual. E tende-se a perder a exata dimensão do tempo: falamos de coisas que nos aconteceram há vinte, trinta anos, como se tivessem ocorrido recentemente. Sentimo-nos como se continuássemos sendo sempre os mesmos.

Só o espelho, ou às vezes a reação estranha de um interlocutor, é que nos trazem de relance à realidade. Como observou um artista sombrio, o barbear diário nos faz acompanhar o trabalho da morte, no lento avanço das rugas e dos cabelos brancos.

Essa revelação dos espelhos e dos circunstantes foi bem retratada, há cerca de um século, pelo poeta Marcello Gama, cuja feiura começava no próprio nome de batismo (Possidônio Machado), e que a formulou em belos versos alexandrinos:

“Sou feio se não mente o juízo dos espelhos

Nem é falsa a expressão do que olha para mim”

Pois é. Contra o juízo dos espelhos nós, os velhos, só temos a opor o nosso próprio sentimento e algumas compensações: mais histórias para contar, o conforto das lembranças amenas, a sensação de que nada de dramático, insolúvel ou desconhecido pode mais nos surpreender. Já vimos tudo. E se a paisagem à frente se faz nebulosa, os caminhos percorridos mantêm-se banhados de luz. Para contrapor à labilidade do presente e à incerteza do futuro, temos as coisas findas, “muito mais que lindas”, que permanecem – na nossa memória.

Quanto ao sexo, espero não surpreender os amigos e amigas ao afirmar que não me preocupa. É claro que a capacidade orgástica juvenil já vai distante. Mas considero o sexo uma servidão. Muito prazerosa, é bem verdade, mas sempre uma servidão, pois exige uma parceira, para ser praticado de forma plenamente gratificante. Portanto, quando me faltar, em futuro incerto e não perquirido, talvez me sinta até mais livre, para desfrutar de outros prazeres do corpo e do espírito.

Só há mesmo uma pena irremediável na velhice: a solidão crescente com a perda dos amigos, parentes, companheiros de geração. Falando destes últimos, irmãos de pensamento e de sonhos, que se foram, os dedos das mãos já não são suficientes para contá-los. E as novas amizades não os substituem plenamente.

Há quem veja nessas ausências uma prévia da solidão radical e definitiva da travessia na barca de Caronte, para a qual iríamos sendo preparados. Mas para um racionalista convicto como eu, e otimista por princípio filosófico, a morte é apenas o último ato da vida. A única maneira de bem viver é não lhe atribuir importância. Quem não gosta de descansar, quando a jornada o fatiga? E falamos aqui de um repouso perfeito, sono sem sonhos em que cessa o tempo, por não mais se ter a consciência dele. A ideia de uma alma imortal me parece tão absurda quanto a de um corpo imortal. E ainda mais: inquietadora.

Só a vida é importante. E enquanto mantivermos a curiosidade em relação a ela e ao nosso mundo, viver será sempre agradável. De minha parte, tenho todo o interesse em acompanhar o espetáculo pelo máximo de tempo. Melhor ainda: tenho a pretensão – talvez ingênua, talvez romântica – de bem participar dele, contribuindo, mesmo em pequena escala, para que meus contemporâneos e descendentes vivam mais alegres e felizes.

Velho, sim! E satisfeito! Nada a reclamar.

Clemente Rosas

www.revistasera.info. 19/09/2013

De acordo com o texto de Clemente Rosas, a velhice é um momento de

 

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1421651 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: UFPA
Orgão: UNIFESSPA

Texto

VELHO, EU?

O título é apenas chamativo, não há nele pretensão ou jactância. Ocorre simplesmente que um amigo de geração, convidado a dar seu depoimento para um livro sobre a condição de idoso, comum a nós dois, provocou-me a fazer o mesmo. E reconheci que, ao completar setenta e três anos, o momento seria bem propício a uma reflexão sobre o tema.

Se me sinto velho? Em muitos aspectos, não. É verdade que já não corro, e certos movimentos simples, como o sair do carro, em vagas de estacionamento apertadas, exigem um esforço de que não tenho memória do passado. Se dirigir por mais de duas horas, tenho as pernas emperradas ao final da viagem. Mas caminho, jogo vôlei e tênis de praia, e nado com alguma regularidade. Aprecio sobretudo as longas jornadas em contacto com a natureza, como o Caminho Inca, feito oito anos atrás, ou as trilhas do Parque Nacional Torres Del Paine, na Patagônia Chilena, ano passado.

Às academias de musculação não me adaptei. Todas, ao gosto da garotada, mantêm um fundo musical atordoante, que a mim irrita, quando o desejo é relaxar. E tenho a convicção de que, para fazer flexões e ativar músculos, não são necessários equipamentos sofisticados.

A memória às vezes falha, ou tarda, mas não a ponto de comprometer o trabalho ou a atividade intelectual. E tende-se a perder a exata dimensão do tempo: falamos de coisas que nos aconteceram há vinte, trinta anos, como se tivessem ocorrido recentemente. Sentimo-nos como se continuássemos sendo sempre os mesmos.

Só o espelho, ou às vezes a reação estranha de um interlocutor, é que nos trazem de relance à realidade. Como observou um artista sombrio, o barbear diário nos faz acompanhar o trabalho da morte, no lento avanço das rugas e dos cabelos brancos.

Essa revelação dos espelhos e dos circunstantes foi bem retratada, há cerca de um século, pelo poeta Marcello Gama, cuja feiura começava no próprio nome de batismo (Possidônio Machado), e que a formulou em belos versos alexandrinos:

“Sou feio se não mente o juízo dos espelhos

Nem é falsa a expressão do que olha para mim”

Pois é. Contra o juízo dos espelhos nós, os velhos, só temos a opor o nosso próprio sentimento e algumas compensações: mais histórias para contar, o conforto das lembranças amenas, a sensação de que nada de dramático, insolúvel ou desconhecido pode mais nos surpreender. Já vimos tudo. E se a paisagem à frente se faz nebulosa, os caminhos percorridos mantêm-se banhados de luz. Para contrapor à labilidade do presente e à incerteza do futuro, temos as coisas findas, “muito mais que lindas”, que permanecem – na nossa memória.

Quanto ao sexo, espero não surpreender os amigos e amigas ao afirmar que não me preocupa. É claro que a capacidade orgástica juvenil já vai distante. Mas considero o sexo uma servidão. Muito prazerosa, é bem verdade, mas sempre uma servidão, pois exige uma parceira, para ser praticado de forma plenamente gratificante. Portanto, quando me faltar, em futuro incerto e não perquirido, talvez me sinta até mais livre, para desfrutar de outros prazeres do corpo e do espírito.

Só há mesmo uma pena irremediável na velhice: a solidão crescente com a perda dos amigos, parentes, companheiros de geração. Falando destes últimos, irmãos de pensamento e de sonhos, que se foram, os dedos das mãos já não são suficientes para contá-los. E as novas amizades não os substituem plenamente.

Há quem veja nessas ausências uma prévia da solidão radical e definitiva da travessia na barca de Caronte, para a qual iríamos sendo preparados. Mas para um racionalista convicto como eu, e otimista por princípio filosófico, a morte é apenas o último ato da vida. A única maneira de bem viver é não lhe atribuir importância. Quem não gosta de descansar, quando a jornada o fatiga? E falamos aqui de um repouso perfeito, sono sem sonhos em que cessa o tempo, por não mais se ter a consciência dele. A ideia de uma alma imortal me parece tão absurda quanto a de um corpo imortal. E ainda mais: inquietadora.

Só a vida é importante. E enquanto mantivermos a curiosidade em relação a ela e ao nosso mundo, viver será sempre agradável. De minha parte, tenho todo o interesse em acompanhar o espetáculo pelo máximo de tempo. Melhor ainda: tenho a pretensão – talvez ingênua, talvez romântica – de bem participar dele, contribuindo, mesmo em pequena escala, para que meus contemporâneos e descendentes vivam mais alegres e felizes.

Velho, sim! E satisfeito! Nada a reclamar.

Clemente Rosas

www.revistasera.info. 19/09/2013

Ao afirmar que somente a vida é importante, pode-se inferir que o autor do texto

 

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1420195 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: UFPA
Orgão: UNIFESSPA

enunciado 1420195-1


Clemente Rosas www.revistasera.info. 19/09/2013
A citação dos versos de Possidônio Machado é argumento para a defesa da tese de que a velhice é
 

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1420095 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: UFPA
Orgão: UNIFESSPA

Texto

VELHO, EU?

O título é apenas chamativo, não há nele pretensão ou jactância. Ocorre simplesmente que um amigo de geração, convidado a dar seu depoimento para um livro sobre a condição de idoso, comum a nós dois, provocou-me a fazer o mesmo. E reconheci que, ao completar setenta e três anos, o momento seria bem propício a uma reflexão sobre o tema.

Se me sinto velho? Em muitos aspectos, não. É verdade que já não corro, e certos movimentos simples, como o sair do carro, em vagas de estacionamento apertadas, exigem um esforço de que não tenho memória do passado. Se dirigir por mais de duas horas, tenho as pernas emperradas ao final da viagem. Mas caminho, jogo vôlei e tênis de praia, e nado com alguma regularidade. Aprecio sobretudo as longas jornadas em contacto com a natureza, como o Caminho Inca, feito oito anos atrás, ou as trilhas do Parque Nacional Torres Del Paine, na Patagônia Chilena, ano passado.

Às academias de musculação não me adaptei. Todas, ao gosto da garotada, mantêm um fundo musical atordoante, que a mim irrita, quando o desejo é relaxar. E tenho a convicção de que, para fazer flexões e ativar músculos, não são necessários equipamentos sofisticados.

A memória às vezes falha, ou tarda, mas não a ponto de comprometer o trabalho ou a atividade intelectual. E tende-se a perder a exata dimensão do tempo: falamos de coisas que nos aconteceram há vinte, trinta anos, como se tivessem ocorrido recentemente. Sentimo-nos como se continuássemos sendo sempre os mesmos.

Só o espelho, ou às vezes a reação estranha de um interlocutor, é que nos trazem de relance à realidade. Como observou um artista sombrio, o barbear diário nos faz acompanhar o trabalho da morte, no lento avanço das rugas e dos cabelos brancos.

Essa revelação dos espelhos e dos circunstantes foi bem retratada, há cerca de um século, pelo poeta Marcello Gama, cuja feiura começava no próprio nome de batismo (Possidônio Machado), e que a formulou em belos versos alexandrinos:

“Sou feio se não mente o juízo dos espelhos

Nem é falsa a expressão do que olha para mim”

Pois é. Contra o juízo dos espelhos nós, os velhos, só temos a opor o nosso próprio sentimento e algumas compensações: mais histórias para contar, o conforto das lembranças amenas, a sensação de que nada de dramático, insolúvel ou desconhecido pode mais nos surpreender. Já vimos tudo. E se a paisagem à frente se faz nebulosa, os caminhos percorridos mantêm-se banhados de luz. Para contrapor à labilidade do presente e à incerteza do futuro, temos as coisas findas, “muito mais que lindas”, que permanecem – na nossa memória.

Quanto ao sexo, espero não surpreender os amigos e amigas ao afirmar que não me preocupa. É claro que a capacidade orgástica juvenil já vai distante. Mas considero o sexo uma servidão. Muito prazerosa, é bem verdade, mas sempre uma servidão, pois exige uma parceira, para ser praticado de forma plenamente gratificante. Portanto, quando me faltar, em futuro incerto e não perquirido, talvez me sinta até mais livre, para desfrutar de outros prazeres do corpo e do espírito.

Só há mesmo uma pena irremediável na velhice: a solidão crescente com a perda dos amigos, parentes, companheiros de geração. Falando destes últimos, irmãos de pensamento e de sonhos, que se foram, os dedos das mãos já não são suficientes para contá-los. E as novas amizades não os substituem plenamente.

Há quem veja nessas ausências uma prévia da solidão radical e definitiva da travessia na barca de Caronte, para a qual iríamos sendo preparados. Mas para um racionalista convicto como eu, e otimista por princípio filosófico, a morte é apenas o último ato da vida. A única maneira de bem viver é não lhe atribuir importância. Quem não gosta de descansar, quando a jornada o fatiga? E falamos aqui de um repouso perfeito, sono sem sonhos em que cessa o tempo, por não mais se ter a consciência dele. A ideia de uma alma imortal me parece tão absurda quanto a de um corpo imortal. E ainda mais: inquietadora.

Só a vida é importante. E enquanto mantivermos a curiosidade em relação a ela e ao nosso mundo, viver será sempre agradável. De minha parte, tenho todo o interesse em acompanhar o espetáculo pelo máximo de tempo. Melhor ainda: tenho a pretensão – talvez ingênua, talvez romântica – de bem participar dele, contribuindo, mesmo em pequena escala, para que meus contemporâneos e descendentes vivam mais alegres e felizes.

Velho, sim! E satisfeito! Nada a reclamar.

Clemente Rosas

www.revistasera.info. 19/09/2013

No enunciado “... o barbear diário nos faz acompanhar o trabalho da morte, no lento avanço das rugas e dos cabelos brancos.”, o autor se refere à

 

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1415256 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: UFPA
Orgão: UNIFESSPA

Texto

VELHO, EU?

O título é apenas chamativo, não há nele pretensão ou jactância. Ocorre simplesmente que um amigo de geração, convidado a dar seu depoimento para um livro sobre a condição de idoso, comum a nós dois, provocou-me a fazer o mesmo. E reconheci que, ao completar setenta e três anos, o momento seria bem propício a uma reflexão sobre o tema.

Se me sinto velho? Em muitos aspectos, não. É verdade que já não corro, e certos movimentos simples, como o sair do carro, em vagas de estacionamento apertadas, exigem um esforço de que não tenho memória do passado. Se dirigir por mais de duas horas, tenho as pernas emperradas ao final da viagem. Mas caminho, jogo vôlei e tênis de praia, e nado com alguma regularidade. Aprecio sobretudo as longas jornadas em contacto com a natureza, como o Caminho Inca, feito oito anos atrás, ou as trilhas do Parque Nacional Torres Del Paine, na Patagônia Chilena, ano passadoA).

Às academias de musculação não me adaptei. Todas, ao gosto da garotada, mantêm um fundo musical atordoante, que a mim irrita, quando o desejo é relaxar. E tenho a convicção de que, para fazer flexões e ativar músculos, não são necessários equipamentos sofisticados.

A memória às vezes falha, ou tarda, mas não a ponto de comprometer o trabalho ou a atividade intelectual. E tende-se a perder a exata dimensão do tempo: falamos de coisas que nos aconteceram há vinte, trinta anos, como se tivessem ocorrido recentemente. Sentimo-nos como se continuássemos sendo sempre os mesmos.

Só o espelho, ou às vezes a reação estranha de um interlocutor, é que nos trazem de relance à realidadeB). Como observou um artista sombrio, o barbear diário nos faz acompanhar o trabalho da morte, no lento avanço das rugas e dos cabelos brancos.

Essa revelação dos espelhos e dos circunstantes foi bem retratada, há cerca de um século, pelo poeta Marcello Gama, cuja feiura começava no próprio nome de batismo (Possidônio Machado), e que a formulou em belos versos alexandrinos:

“Sou feio se não mente o juízo dos espelhos

Nem é falsa a expressão do que olha para mim”

Pois é. Contra o juízo dos espelhos nós, os velhos, só temos a opor o nosso próprio sentimento e algumas compensações: mais histórias para contar, o conforto das lembranças amenas, a sensação de que nada de dramático, insolúvel ou desconhecido pode mais nos surpreender. Já vimos tudo. E se a paisagem à frente se faz nebulosa, os caminhos percorridos mantêm-se banhados de luz. Para contrapor à labilidade do presente e à incerteza do futuro, temos as coisas findas, “muito mais que lindas”, que permanecem – na nossa memória.

Quanto ao sexo, espero não surpreender os amigos e amigas ao afirmar que não me preocupa. É claro que a capacidade orgástica juvenil já vai distante. Mas considero o sexo uma servidão. Muito prazerosa, é bem verdade, mas sempre uma servidão, pois exige uma parceira, para ser praticado de forma plenamente gratificante. Portanto, quando me faltar, em futuro incerto e não perquirido, talvez me sinta até mais livre, para desfrutar de outros prazeres do corpo e do espíritoC).

Só há mesmo uma pena irremediável na velhice: a solidão crescente com a perda dos amigos, parentes, companheiros de geração. Falando destes últimos, irmãos de pensamento e de sonhos, que se foram, os dedos das mãos já não são suficientes para contá-los. E as novas amizades não os substituem plenamente.

Há quem veja nessas ausências uma prévia da solidão radical e definitiva da travessia na barca de Caronte, para a qual iríamos sendo preparados. Mas para um racionalista convicto como eu, e otimista por princípio filosófico, a morte é apenas o último ato da vida. A única maneira de bem viver é não lhe atribuir importância. Quem não gosta de descansar, quando a jornada o fatiga?D) E falamos aqui de um repouso perfeito, sono sem sonhos em que cessa o tempo, por não mais se ter a consciência dele. A ideia de uma alma imortal me parece tão absurda quanto a de um corpo imortal. E ainda mais: inquietadoraE).

Só a vida é importante. E enquanto mantivermos a curiosidade em relação a ela e ao nosso mundo, viver será sempre agradável. De minha parte, tenho todo o interesse em acompanhar o espetáculo pelo máximo de tempo. Melhor ainda: tenho a pretensão – talvez ingênua, talvez romântica – de bem participar dele, contribuindo, mesmo em pequena escala, para que meus contemporâneos e descendentes vivam mais alegres e felizes.

Velho, sim! E satisfeito! Nada a reclamar.

Clemente Rosas

www.revistasera.info. 19/09/2013

A passagem em que o autor imprime ao enunciado a ideia de possibilidade à condição de ser velho é

 

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