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Para responder à questão, considere a crônica "O homem que falava naiki" do escritor Luis Fernando Veríssimo (1936-2025).
– Basta dizer que ele fala naiki.
Ninguém sabia onde, no mundo, se falava naiki e o próprio dr. Solis, sempre muito circunspecto1, não ajudava. Dizia apenas:
– É uma língua do grupo dravídico...
Os pais apontavam o dr. Solis às crianças como exemplo de inteligência e cultura. Aliás, os dois exemplos da cidade eram o dr. Solis e o Lelo. O dr. Solis era o exemplo de inteligência e o Lelo, o exemplo de burrice. As crianças deviam estudar para não ser como o lelo. E se estudassem muito um dia ainda seriam como o dr. Solis.
Caravanas de estudantes iam à casa do dr. Solis. “Viemos beber da sua cultura”, dizia a professora. E as crianças, um pouco assustadas, rodeavam o dr. Solis na sua biblioteca. O dr. Solis sorria, pacientemente. Alguma pergunta?
– Já.
Às vezes uma se arriscava e pedia:
E o dr. Solis:
– Za cadu arrarmarral cadverno.
– Traduz.
Alguns céticos da cidade desconfiavam que o dr. Solis era um farsante. E prepararam uma armadilha. Um dia chegaram na casa do dr. Solis com a notícia de que aparecera na cidade, imagine, outra pessoa que falava naiki. O dr. Solis não se afobou. Perguntou onde estava essa pessoa. No hotel? Muito bem. Então precisava ir até lá conversar com ela.
A novidade, como podem imaginar, se espalhou rápido. O Lelo anunciou que ia haver um monólogo entre os dois, e em naiki. Quando o dr. Solis chegou no hotel havia um bom público para assistir ao encontro das duas inteligências. O forasteiro, outro farsante, contratado para pôr o dr. Solis à prova, já o recebeu com uma frase:
– Bassau rarim ai montul?
O dr. Solis franziu a testa e ficou olhando para o forasteiro, sem dizer nada. Depois disse:
– Como?
Já com um ar superior, o outro repetiu:
– Bassau rarim ai montul?
Suspense na plateia. O dr. Solis seria desmascarado? Será que os céticos tinham razão? Que todo este tempo o dr. Solis mentia para eles e realmente não sabia uma palavra em naiki? Nem "bom dia"?
– Repita, por favor – pediu o dr. Solis.
– Bassau rarim ai montul?
Aí o dr. Solis sacudiu a cabeça lentamente e, com um sorriso de divertida condescendência para seu interlocutor, comentou:
– Esses dialetos...
– É um potentado2. É um potentado!
1 circunspecto: reservado.
2 potentado: indivíduo poderoso.
É invariável quanto a gênero e a número a palavra sublinhada no seguinte trecho
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Para responder à questão, considere a crônica "O homem que falava naiki" do escritor Luis Fernando Veríssimo (1936-2025).
Quando queriam dar uma ideia de erudição do dr. Solis, as pessoas diziam:
– Basta dizer que ele fala naiki.
Ninguém sabia onde, no mundo, se falava naiki e
– É uma língua do grupo dravídico...
Os pais apontavam o dr. Solis às crianças como exemplo de inteligência e cultura.
Caravanas de estudantes iam à casa do dr. Solis. “
– O senhor já leu todos esses livros?
– Já.
Às vezes uma se arriscava e pedia:
– Diz alguma coisa em naiki.
E o dr. Solis:
– Za cadu arrarmarral cadverno.
– Traduz.
Mas aquilo já era pedir demais. A professora arrebanhava as crianças para irem embora. Estavam cansando a inteligência do dr. Solis.
Alguns céticos da cidade desconfiavam que o dr. Solis era um farsante. E prepararam uma armadilha. Um dia chegaram na casa do dr. Solis com a notícia de que aparecera na cidade, imagine, outra pessoa que falava naiki. O dr. Solis não se afobou. Perguntou onde estava essa pessoa. No hotel? Muito bem. Então precisava ir até lá conversar com ela.
A novidade, como podem imaginar, se espalhou rápido. O Lelo anunciou que ia haver um monólogo entre os dois, e em naiki. Quando o dr. Solis chegou no hotel havia um bom público para assistir ao encontro das duas inteligências. O forasteiro, outro farsante, contratado para pôr o dr. Solis à prova, já o recebeu com uma frase:
– Bassau rarim ai montul?
O dr. Solis franziu a testa e ficou olhando para o forasteiro, sem dizer nada. Depois disse:
– Como?
Já com um ar superior, o outro repetiu:
– Bassau rarim ai montul?
Suspense na plateia. O dr. Solis seria desmascarado? Será que os céticos tinham razão? Que todo este tempo o dr. Solis mentia para eles e realmente não sabia uma palavra em naiki? Nem "bom dia"?
– Repita, por favor – pediu o dr. Solis.
– Bassau rarim ai montul?
Aí o dr. Solis sacudiu a cabeça lentamente e, com um sorriso de divertida condescendência para seu interlocutor, comentou:
– Esses dialetos...
Foi carregado em triunfo pelas ruas da cidade. Que cabeça! Na frente do cortejo ia o Lelo, gritando:
– É um potentado2. É um potentado!
1 circunspecto: reservado.
2 potentado: indivíduo poderoso.
O cronista recorre ao emprego de vírgula para indicar a elipse de um verbo em:
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Para responder à questão, considere a crônica "O homem que falava naiki" do escritor Luis Fernando Veríssimo (1936-2025).
Quando queriam dar uma ideia de erudição do dr. Solis, as pessoas diziam:
– Basta dizer que ele fala naiki.
Ninguém sabia onde, no mundo, se falava naiki e o próprio dr. Solis, sempre muito circunspecto1, não ajudava. Dizia apenas:
– É uma língua do grupo dravídico...
Os pais apontavam o dr. Solis às crianças como exemplo de inteligência e cultura. Aliás, os dois exemplos da cidade eram o dr. Solis e o Lelo. O dr. Solis era o exemplo de inteligência e o Lelo, o exemplo de burrice. As crianças deviam estudar para não ser como o lelo. E se estudassem muito um dia ainda seriam como o dr. Solis.
Caravanas de estudantes iam à casa do dr. Solis. “Viemos beber da sua cultura”, dizia a professora. E as crianças, um pouco assustadas, rodeavam o dr. Solis na sua biblioteca. O dr. Solis sorria, pacientemente. Alguma pergunta?
– O senhor já leu todos esses livros?
– Já.
Às vezes uma se arriscava e pedia:
– Diz alguma coisa em naiki.
E o dr. Solis:
– Za cadu arrarmarral cadverno.
– Traduz.
Mas aquilo já era pedir demais. A professora arrebanhava as crianças para irem embora. Estavam cansando a inteligência do dr. Solis.
Alguns céticos da cidade desconfiavam que o dr. Solis era um farsante. E prepararam uma armadilha. Um dia chegaram na casa do dr. Solis com a notícia de que aparecera na cidade, imagine, outra pessoa que falava naiki. O dr. Solis não se afobou. Perguntou onde estava essa pessoa. No hotel? Muito bem. Então precisava ir até lá conversar com ela.
A novidade, como podem imaginar, se espalhou rápido. O Lelo anunciou que ia haver um monólogo entre os dois, e em naiki. Quando o dr. Solis chegou no hotel havia um bom público para assistir ao encontro das duas inteligências. O forasteiro, outro farsante, contratado para pôr o dr. Solis à prova, já o recebeu com uma frase:
– Bassau rarim ai montul?
O dr. Solis franziu a testa e ficou olhando para o forasteiro, sem dizer nada. Depois disse:
– Como?
Já com um ar superior, o outro repetiu:
– Bassau rarim ai montul?
– Repita, por favor – pediu o dr. Solis.
– Bassau rarim ai montul?
Aí o dr. Solis sacudiu a cabeça lentamente e, com um sorriso de divertida condescendência para seu interlocutor, comentou:
– Esses dialetos...
Foi carregado em triunfo pelas ruas da cidade. Que cabeça! Na frente do cortejo ia o Lelo, gritando:
– É um potentado2. É um potentado!
1 circunspecto: reservado.
2 potentado: indivíduo poderoso.
Suspense na plateia. O dr. Solis seria desmascarado? Será que os céticos tinham razão? Que todo este tempo o dr. Solis mentira para eles e realmente não sabia uma palavra em naiki?
Nesse trecho, Luis Fernando Veríssimo narra uma série de fatos ocorridos no passado.
Um fato anterior a esse tempo passado está indicado pela seguinte forma verbal:
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Para responder à questão, considere a crônica "O homem que falava naiki" do escritor Luis Fernando Veríssimo (1936-2025).
Quando queriam dar uma ideia de erudição do dr. Solis, as pessoas diziam:
– Basta dizer que ele fala naiki.
– É uma língua do grupo dravídico...
Os pais apontavam o dr. Solis às crianças como exemplo de inteligência e cultura. Aliás, os dois exemplos da cidade eram o dr. Solis e o Lelo. O dr. Solis era o exemplo de inteligência e o Lelo, o exemplo de burrice. As crianças deviam estudar para não ser como o lelo. E se estudassem muito um dia ainda seriam como o dr. Solis.
Caravanas de estudantes iam à casa do dr. Solis. “Viemos beber da sua cultura”, dizia a professora. E as crianças, um pouco assustadas, rodeavam o dr. Solis na sua biblioteca. O dr. Solis sorria, pacientemente. Alguma pergunta?
– O senhor já leu todos esses livros?
– Já.
Às vezes uma se arriscava e pedia:
– Diz alguma coisa em naiki.
E o dr. Solis:
– Za cadu arrarmarral cadverno.
– Traduz.
Mas aquilo já era pedir demais. A professora arrebanhava as crianças para irem embora.
Alguns céticos da cidade desconfiavam que o dr. Solis era um farsante. E prepararam uma armadilha.
A novidade, como podem imaginar, se espalhou rápido. O Lelo anunciou que ia haver um monólogo entre os dois, e em naiki. Quando o dr. Solis chegou no hotel havia um bom público para assistir ao encontro das duas inteligências.
– Bassau rarim ai montul?
– Como?
Já com um ar superior, o outro repetiu:
– Bassau rarim ai montul?
Suspense na plateia. O dr. Solis seria desmascarado? Será que os céticos tinham razão? Que todo este tempo o dr. Solis mentia para eles e realmente não sabia uma palavra em naiki? Nem "bom dia"?
– Repita, por favor – pediu o dr. Solis.
– Bassau rarim ai montul?
Aí o dr. Solis sacudiu a cabeça lentamente e, com um sorriso de divertida condescendência para seu interlocutor, comentou:
– Esses dialetos...
Foi carregado em triunfo pelas ruas da cidade. Que cabeça! Na frente do cortejo ia o Lelo, gritando:
– É um potentado2. É um potentado!
1 circunspecto: reservado.
2 potentado: indivíduo poderoso.
Retoma uma expressão mencionada anteriormente na crônica a palavra sublinhada no seguinte trecho:
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Para responder à questão, considere a crônica "O homem que falava naiki" do escritor Luis Fernando Veríssimo (1936-2025).
Quando queriam dar uma ideia de erudição do dr. Solis, as pessoas diziam:
– Basta dizer que ele fala naiki.
Ninguém sabia onde, no mundo, se falava naiki e o próprio dr. Solis, sempre muito circunspecto1, não ajudava. Dizia apenas:
– É uma língua do grupo dravídico...
Os pais apontavam o dr. Solis às crianças como exemplo de inteligência e cultura. Aliás, os dois exemplos da cidade eram o dr. Solis e o Lelo. O dr. Solis era o exemplo de inteligência e o Lelo, o exemplo de burrice. As crianças deviam estudar para não ser como o lelo. E se estudassem muito um dia ainda seriam como o dr. Solis.
Caravanas de estudantes iam à casa do dr. Solis. “Viemos beber da sua cultura”, dizia a professora. E as crianças, um pouco assustadas, rodeavam o dr. Solis na sua biblioteca. O dr. Solis sorria, pacientemente. Alguma pergunta?
– Já.
Às vezes uma se arriscava e pedia:
– Diz alguma coisa em naiki.
E o dr. Solis:
– Za cadu arrarmarral cadverno.
– Traduz.
Mas aquilo já era pedir demais. A professora arrebanhava as crianças para irem embora. Estavam cansando a inteligência do dr. Solis.
Alguns céticos da cidade desconfiavam que o dr. Solis era um farsante. E prepararam uma armadilha. Um dia chegaram na casa do dr. Solis com a notícia de que aparecera na cidade, imagine, outra pessoa que falava naiki. O dr. Solis não se afobou. Perguntou onde estava essa pessoa. No hotel? Muito bem. Então precisava ir até lá conversar com ela.
A novidade, como podem imaginar, se espalhou rápido. O Lelo anunciou que ia haver um monólogo entre os dois, e em naiki. Quando o dr. Solis chegou no hotel havia um bom público para assistir ao encontro das duas inteligências. O forasteiro, outro farsante, contratado para pôr o dr. Solis à prova, já o recebeu com uma frase:
– Bassau rarim ai montul?
O dr. Solis franziu a testa e ficou olhando para o forasteiro, sem dizer nada. Depois disse:
– Como?
Já com um ar superior, o outro repetiu:
– Bassau rarim ai montul?
Suspense na plateia. O dr. Solis seria desmascarado? Será que os céticos tinham razão? Que todo este tempo o dr. Solis mentia para eles e realmente não sabia uma palavra em naiki? Nem "bom dia"?
– Repita, por favor – pediu o dr. Solis.
– Bassau rarim ai montul?
Aí o dr. Solis sacudiu a cabeça lentamente e, com um sorriso de divertida condescendência para seu interlocutor, comentou:
– Esses dialetos...
Foi carregado em triunfo pelas ruas da cidade. Que cabeça! Na frente do cortejo ia o Lelo, gritando:
– É um potentado2. É um potentado!
1 circunspecto: reservado.
2 potentado: indivíduo poderoso.
- O senhor já leu todos esses livros?
Ao se transpor o trecho acima para a voz passiva, a forma verbal resultante será:
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Para responder à questão, considere a crônica "O homem que falava naiki" do escritor Luis Fernando Veríssimo (1936-2025).
Quando queriam dar uma ideia de erudição do dr. Solis, as pessoas diziam:
– Basta dizer que ele fala naiki.
– É uma língua do grupo dravídico...
Os pais apontavam o dr. Solis às crianças como exemplo de inteligência e cultura. Aliás, os dois exemplos da cidade eram o dr. Solis e o Lelo. O dr. Solis era o exemplo de inteligência e o Lelo, o exemplo de burrice. As crianças deviam estudar para não ser como o lelo.
Caravanas de estudantes iam à casa do dr. Solis. “Viemos beber da sua cultura”, dizia a professora. E as crianças, um pouco assustadas, rodeavam o dr. Solis na sua biblioteca. O dr. Solis sorria, pacientemente. Alguma pergunta?
– O senhor já leu todos esses livros?
– Já.
Às vezes uma se arriscava e pedia:
– Diz alguma coisa em naiki.
E o dr. Solis:
– Za cadu arrarmarral cadverno.
– Traduz.
Mas aquilo já era pedir demais. A professora arrebanhava as crianças para irem embora. Estavam cansando a inteligência do dr. Solis.
A novidade, como podem imaginar, se espalhou rápido.
– Bassau rarim ai montul?
– Como?
Já com um ar superior, o outro repetiu:
– Bassau rarim ai montul?
Suspense na plateia. O dr. Solis seria desmascarado? Será que os céticos tinham razão? Que todo este tempo o dr. Solis mentia para eles e realmente não sabia uma palavra em naiki? Nem "bom dia"?
– Repita, por favor – pediu o dr. Solis.
– Bassau rarim ai montul?
Aí o dr. Solis sacudiu a cabeça lentamente e, com um sorriso de divertida condescendência para seu interlocutor, comentou:
– Esses dialetos...
Foi carregado em triunfo pelas ruas da cidade. Que cabeça! Na frente do cortejo ia o Lelo, gritando:
– É um potentado2. É um potentado!
1 circunspecto: reservado.
2 potentado: indivíduo poderoso.
Com finalidade humorística, o cronista recorre a um enunciado paradoxal no seguinte trecho:
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Para responder à questão, considere a crônica "O homem que falava naiki" do escritor Luis Fernando Veríssimo (1936-2025).
Quando queriam dar uma ideia de erudição do dr. Solis, as pessoas diziam:
– Basta dizer que ele fala naiki.
Ninguém sabia onde, no mundo, se falava naiki e o próprio dr. Solis, sempre muito circunspecto1, não ajudava. Dizia apenas:
– É uma língua do grupo dravídico...
Os pais apontavam o dr. Solis às crianças como exemplo de inteligência e cultura.
Caravanas de estudantes iam à casa do dr. Solis. “Viemos beber da sua cultura”, dizia a professora. E as crianças, um pouco assustadas, rodeavam o dr. Solis na sua biblioteca. O dr. Solis sorria, pacientemente. Alguma pergunta?
– O senhor já leu todos esses livros?
– Já.
Às vezes uma se arriscava e pedia:
– Diz alguma coisa em naiki.
E o dr. Solis:
– Za cadu arrarmarral cadverno.
– Traduz.
– Bassau rarim ai montul?
O dr. Solis franziu a testa e ficou olhando para o forasteiro, sem dizer nada. Depois disse:
– Como?
Já com um ar superior, o outro repetiu:
– Bassau rarim ai montul?
Suspense na plateia. O dr. Solis seria desmascarado? Será que os céticos tinham razão? Que todo este tempo o dr. Solis mentia para eles e realmente não sabia uma palavra em naiki? Nem "bom dia"?
– Repita, por favor – pediu o dr. Solis.
– Bassau rarim ai montul?
Aí o dr. Solis sacudiu a cabeça lentamente e, com um sorriso de divertida condescendência para seu interlocutor, comentou:
– Esses dialetos...
Foi carregado em triunfo pelas ruas da cidade. Que cabeça! Na frente do cortejo ia o Lelo, gritando:
– É um potentado2. É um potentado!
1 circunspecto: reservado.
2 potentado: indivíduo poderoso.
Luis Fernando Veríssimo dirige-se diretamente a seus leitores no seguinte trecho da crônica:
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Para responder à questão, considere a crônica "O homem que falava naiki" do escritor Luis Fernando Veríssimo (1936-2025).
Quando queriam dar uma ideia de erudição do dr. Solis, as pessoas diziam:
– Basta dizer que ele fala naiki.
Ninguém sabia onde, no mundo, se falava naiki e o próprio dr. Solis, sempre muito circunspecto1, não ajudava. Dizia apenas:
– É uma língua do grupo dravídico...
Os pais apontavam o dr. Solis às crianças como exemplo de inteligência e cultura. Aliás, os dois exemplos da cidade eram o dr. Solis e o Lelo. O dr. Solis era o exemplo de inteligência e o Lelo, o exemplo de burrice. As crianças deviam estudar para não ser como o lelo. E se estudassem muito um dia ainda seriam como o dr. Solis.
Caravanas de estudantes iam à casa do dr. Solis. “Viemos beber da sua cultura”, dizia a professora. E as crianças, um pouco assustadas, rodeavam o dr. Solis na sua biblioteca. O dr. Solis sorria, pacientemente. Alguma pergunta?
– O senhor já leu todos esses livros?
– Já.
Às vezes uma se arriscava e pedia:
– Diz alguma coisa em naiki.
E o dr. Solis:
– Za cadu arrarmarral cadverno.
– Traduz.
Mas aquilo já era pedir demais. A professora arrebanhava as crianças para irem embora. Estavam cansando a inteligência do dr. Solis.
Alguns céticos da cidade desconfiavam que o dr. Solis era um farsante. E prepararam uma armadilha. Um dia chegaram na casa do dr. Solis com a notícia de que aparecera na cidade, imagine, outra pessoa que falava naiki. O dr. Solis não se afobou.
A novidade, como podem imaginar, se espalhou rápido. O Lelo anunciou que ia haver um monólogo entre os dois, e em naiki. Quando o dr. Solis chegou no hotel havia um bom público para assistir ao encontro das duas inteligências. O forasteiro, outro farsante, contratado para pôr o dr. Solis à prova, já o recebeu com uma frase:
– Bassau rarim ai montul?
O dr. Solis franziu a testa e ficou olhando para o forasteiro, sem dizer nada. Depois disse:
– Como?
Já com um ar superior, o outro repetiu:
– Bassau rarim ai montul?
Suspense na plateia. O dr. Solis seria desmascarado? Será que os céticos tinham razão? Que todo este tempo o dr. Solis mentia para eles e realmente não sabia uma palavra em naiki? Nem "bom dia"?
– Repita, por favor – pediu o dr. Solis.
– Bassau rarim ai montul?
Aí o dr. Solis sacudiu a cabeça lentamente e, com um sorriso de divertida condescendência para seu interlocutor, comentou:
– Esses dialetos...
Foi carregado em triunfo pelas ruas da cidade. Que cabeça! Na frente do cortejo ia o Lelo, gritando:
– É um potentado2. É um potentado!
1 circunspecto: reservado.
2 potentado: indivíduo poderoso.
Perguntou onde estava essa pessoa.
Ao se transpor o trecho acima para o discurso direto, o verbo sublinhado assume a seguinte forma:
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Para responder à questão, considere a crônica "O homem que falava naiki" do escritor Luis Fernando Veríssimo (1936-2025).
Quando queriam dar uma ideia de erudição do dr. Solis, as pessoas diziam:
– Basta dizer que ele fala naiki.
Ninguém sabia onde, no mundo, se falava naiki e o próprio dr. Solis, sempre muito circunspecto1, não ajudava. Dizia apenas:
– É uma língua do grupo dravídico...
Os pais apontavam o dr. Solis às crianças como exemplo de inteligência e cultura. Aliás, os dois exemplos da cidade eram o dr. Solis e o Lelo. O dr. Solis era o exemplo de inteligência e o Lelo, o exemplo de burrice.
Caravanas de estudantes iam à casa do dr. Solis. “Viemos beber da sua cultura”, dizia a professora. E as crianças, um pouco assustadas, rodeavam o dr. Solis na sua biblioteca. O dr. Solis sorria, pacientemente. Alguma pergunta?
– O senhor já leu todos esses livros?
– Já.
Às vezes uma se arriscava e pedia:
– Diz alguma coisa em naiki.
E o dr. Solis:
– Za cadu arrarmarral cadverno.
– Traduz.
Mas aquilo já era pedir demais. A professora arrebanhava as crianças para irem embora. Estavam cansando a inteligência do dr. Solis.
Alguns céticos da cidade desconfiavam que o dr. Solis era um farsante. E prepararam uma armadilha. Um dia chegaram na casa do dr. Solis com a notícia de que aparecera na cidade, imagine, outra pessoa que falava naiki. O dr. Solis não se afobou. Perguntou onde estava essa pessoa. No hotel? Muito bem. Então precisava ir até lá conversar com ela.
A novidade, como podem imaginar, se espalhou rápido. O Lelo anunciou que ia haver um monólogo entre os dois, e em naiki. Quando o dr. Solis chegou no hotel havia um bom público para assistir ao encontro das duas inteligências. O forasteiro, outro farsante, contratado para pôr o dr. Solis à prova, já o recebeu com uma frase:
– Bassau rarim ai montul?
O dr. Solis franziu a testa e ficou olhando para o forasteiro, sem dizer nada. Depois disse:
– Como?
Já com um ar superior, o outro repetiu:
– Bassau rarim ai montul?
Suspense na plateia. O dr. Solis seria desmascarado? Será que os céticos tinham razão? Que todo este tempo o dr. Solis mentia para eles e realmente não sabia uma palavra em naiki? Nem "bom dia"?
– Repita, por favor – pediu o dr. Solis.
– Bassau rarim ai montul?
Aí o dr. Solis sacudiu a cabeça lentamente e, com um sorriso de divertida condescendência para seu interlocutor, comentou:
– Esses dialetos...
Foi carregado em triunfo pelas ruas da cidade. Que cabeça! Na frente do cortejo ia o Lelo, gritando:
– É um potentado2. É um potentado!
1 circunspecto: reservado.
2 potentado: indivíduo poderoso.
As crianças deviam estudar para não ser como o Lelo.
Em relação ao trecho que a antecede, a oração sublinhada expressa ideia de:
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Para responder à questão, considere a crônica "O homem que falava naiki" do escritor Luis Fernando Veríssimo (1936-2025).
Quando queriam dar uma ideia de erudição do dr. Solis, as pessoas diziam:
– Basta dizer que ele fala naiki.
Ninguém sabia onde, no mundo, se falava naiki e o próprio dr. Solis, sempre muito circunspecto1, não ajudava. Dizia apenas:
– É uma língua do grupo dravídico...
Os pais apontavam o dr. Solis às crianças como exemplo de inteligência e cultura. Aliás, os dois exemplos da cidade eram o dr. Solis e o Lelo. O dr. Solis era o exemplo de inteligência e o Lelo, o exemplo de burrice. As crianças deviam estudar para não ser como o lelo. E se estudassem muito um dia ainda seriam como o dr. Solis.
Caravanas de estudantes iam à casa do dr. Solis.
– O senhor já leu todos esses livros?
– Já.
E o dr. Solis:
– Za cadu arrarmarral cadverno.
– Traduz.
Mas aquilo já era pedir demais. A professora arrebanhava as crianças para irem embora. Estavam cansando a inteligência do dr. Solis.
Alguns céticos da cidade desconfiavam que o dr. Solis era um farsante. E prepararam uma armadilha. Um dia chegaram na casa do dr. Solis com a notícia de que aparecera na cidade, imagine, outra pessoa que falava naiki.
A novidade, como podem imaginar, se espalhou rápido. O Lelo anunciou que ia haver um monólogo entre os dois, e em naiki. Quando o dr. Solis chegou no hotel havia um bom público para assistir ao encontro das duas inteligências. O forasteiro, outro farsante, contratado para pôr o dr. Solis à prova, já o recebeu com uma frase:
– Bassau rarim ai montul?
O dr. Solis franziu a testa e ficou olhando para o forasteiro, sem dizer nada. Depois disse:
– Como?
Já com um ar superior, o outro repetiu:
– Bassau rarim ai montul?
Suspense na plateia. O dr. Solis seria desmascarado? Será que os céticos tinham razão? Que todo este tempo o dr. Solis mentia para eles e realmente não sabia uma palavra em naiki? Nem "bom dia"?
– Bassau rarim ai montul?
Aí o dr. Solis sacudiu a cabeça lentamente e, com um sorriso de divertida condescendência para seu interlocutor, comentou:
– Esses dialetos...
Foi carregado em triunfo pelas ruas da cidade. Que cabeça! Na frente do cortejo ia o Lelo, gritando:
– É um potentado2. É um potentado!
1 circunspecto: reservado.
2 potentado: indivíduo poderoso.
Na crônica, a voz de um personagem mescla-se intimamente à voz do cronista em:
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