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As boas almas
Quase todas as manhãs vejo o senhor que sobe a última quadra da rua das Palmeiras com um saquinho de supermercado na mão e para na praça Marechal. É recebido por uma revoada rasante de pombos, cuja euforia alada logo atrai outros mais de uma centena, e o senhor murmura "calma, calma", enquanto enfia a mão no saco plástico e atira no chão de terra do playground punhados de farelos de pão e milho misturados, até esgotar o saco, que sacode de boca para baixo sobre as cabeças e bicos atarefados. Observa a cena por algum tempo, com ar satisfeito, depois volta para casa.
Os bichos de rua têm muitos amigos na cidade enorme. Perto dali, no Parque da Água Branca, ou mais longe, no Parque do Piqueri, ou no Centro, na Praça Ramos, senhoras suaves levam iscas para os gatos, que as rodeiam com miados de boa tarde e obrigado, oh, muito obrigado. Talvez isso os torne meio relapsos na caça aos ratos, mas nem adianta dizêlo à aposentada dona Lourdes, no Piqueri, pois nada mudaria sua rotina de juntar restos de cozinha e carninhas de açougue, cozinhar com um pouco de tempero, “só para dar um gostinho”, e promover o vesperal banquete.
Os cães vadios não se organizam em comunidades, como os gatos. Batem perna pelas calçadas até encontrar um catador de papel ou um morador de rua precisado de companhia. Reconhecem-se num só olhar. Aquecem um ao outro no inverno, em morno abraço e carentes. De dia o cão come da comida que o homem arruma, de noite retribui rosnando contra invasores. Em caso de escassez de alimentos, a preferência é sempre do cão. Ao cuidar dele o homem compensa o seu próprio abandono, torna- se um provedor, responsável por alguém mais necessitado e desamparado. Poder dar é a sua riqueza naquele momento. Mais do que riqueza: é a recuperação da sua humanidade.
Se um desses cães sem dono de pelo embaçado encosta em um portão, acaba encontrando alguém que lhe chega uns restos, e vai ficando por ali, e seu pelo com o tempo brilha agradecido, e ele se torna valente guardião daquela porta. Cães não gostam de ficar devendo obrigação.
Peixes e marrecos engordam nos lagos dos parques públicos, mimados pelos visitantes. No zoo é preciso coibir a compulsão dos alimentadores. No Simba Safari, macacos fazem piquenique sobre os carros. Há quem plante pitangueira no quintal, ou goiabeira, só para farra de passarinhos. Até pardais encontram quireras de afeto. A cidade é o grande albergue das espécies vagabundas.
Numa destas manhãs em que me senti desocupado como esses bichos, segui o senhor dos pombos até a praça. Eles já o conheciam bem, talvez o esperassem. Apreciei os gestos cada vez mais largos com que ele procurava atirar o farelo para os pombos mais afastados, a fim de evitar disputas. Onde não há para todos, sabe-se, a civilidade desaparece. Falei com ele, naquele momento final em que apenas parecia apreciá-los, sorrindo da sua voracidade, e fiquei surpreso ao ouvi-lo dizer que não gostava de pombos.
- Tenho horror da sujeira que fazem nos beirais dos prédios, nas calçadas.
- Por que dá comida para eles, então?
- Não é pela comida. Ponho anticoncepcional no farelo para ver se desaparecem aos poucos.
(Angelo, Ivan. O comprador de aventuras: e outras crônicas.São Paulo: Ática, 200. 101 p. il. Para gostar de ler, 28)
Ao afirmar que “Poder dar é a sua riqueza naquele momento. Mais do que riqueza: é a recuperação da sua humanidade.”, pode-se inferir o seguinte:
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As sentenças abaixo abordam conceitos e definições sobre orçamento. Baseado no tema, leia as sentença e assinale a alternativa correta:
I. Entre os itens possíveis para elaboração de um orçamento de uma obra estão os serviços iniciais como raspagem e limpeza do terreno, instalação para o canteiro de obras, locação da obra; e as atividades de fundação que compreendem o reaterro compactado de valas e piso, a cravação de estacas pré-moldadas e a execução de revestimento de paredes.
II. Genericamente, um orçamento da área da construção civil, em termos de valores, pode ser definido como sendo a soma dos custos diretos (relacionados à mão-de-obra dos operários, aos materiais, maquinários, ferramentas) mais a soma dos custos indiretos (relacionados às equipes de supervisão de apoio, impostos e lucros inerentes ao processo construtivo).
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De acordo com a legislação ambiental brasileira vigente que, entre outros pontos dispõe a proteção da vegetação nativa, leia as afirmativas abaixo e assinale a alternativa correta:
I. De acordo com o Regime de Proteção das Áreas de Preservação Permanente é dispensada a autorização do órgão ambiental competente para a execução, em caráter de urgência, de atividades de segurança nacional e obras de interesse da defesa civil destinadas à prevenção e mitigação de acidentes em áreas urbanas.
II. São também consideradas de preservação permanente (quando declaradas de interesse social por ato do Chefe do Poder Executivo) as áreas cobertas com florestas ou outras formas de vegetação destinadas a algumas finalidades, dentre as quais: contenção da erosão do solo e mitigação de riscos de enchentes e deslizamentos de terra e de rocha; formação de faixas de proteção ao longo de rodovias; proteção de várzeas; abrigo exemplar da fauna ou da flora ameaçados de extinção.
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O extintor de incêndio objetiva o combate manual do incêndio em sua fase inicial. Sobre os extintores de incêndio, combate a prevenção de incêndios, leia as sentenças abaixo e assinale a alternativa correta:
I. Os extintores de incêndio são aparelhos portáteis ou carroçáveis que servem para extinguir princípios de incêndio. Os extintores devem estar em local bem visível e de fácil acesso. O treinamento sobre o emprego correto do extintor é parte eficaz contra incêndio.
II. O extintor de água pressurizada combate princípios de incêndios de classe. A extingue o fogo por resfriamento; ele é apropriado para o uso em aparelho elétricos energizados.
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As sentenças abaixo discorrem sobre flambagem. Analise as sentenças, atribua valores verdadeiro (V) e falso (F) e assinale a alternativa que representa a sequência correta, de cima para baixo:
( ) Em geral a flambagem, o deslocamento lateral na direção de menor esbeltez, leva a uma falha repentina e dramática de estrutura.
( ) Flambagem é o deslocamento lateral na direção de mais esbeltez com força menor do que a de ruptura do material ou a instabilidade de peças esbeltas comprimidas. A ruína por efeito de flambagem é repentina e violenta, mesmo que não ocorram acréscimos bruscos nas ações aplicadas.
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Leia a sentença abaixo e assinale a alternativa que completa corretamente a lacuna.: "_______________ é o quociente da divisão do custo global da construção pela área de construção global."
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Uma caixa de texto é um objeto que pode ser adicionado ao documento do 2007 Microsoft Office. Pode-se adicionar uma caixa de texto aos seguintes aplicativos:
(1) Microsoft Word 2007
(2) Microsoft Excel 2007
(3) Microsoft PowerPoint 2007
Da relação apresentada, estão corretos apenas os itens:
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No Microsoft Word 2007 para adicionar uma linha ao final de uma tabela, deve-se clicar na última célula e pressionar a tecla:
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Quando se utiliza o aplicativo local para processar as mensagens de Correio Eletrônico existe a necessidade de configuração no protocolo padrão de envio de e-mails denominado, tecnicamente, pela sigla:
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As boas almas
Quase todas as manhãs vejo o senhor que sobe a última quadra da rua das Palmeiras com um saquinho de supermercado na mão e para na praça Marechal. É recebido por uma revoada rasante de pombos, cuja euforia alada logo atrai outros mais de uma centena, e o senhor murmura "calma, calma", enquanto enfia a mão no saco plástico e atira no chão de terra do playground punhados de farelos de pão e milho misturados, até esgotar o saco, que sacode de boca para baixo sobre as cabeças e bicos atarefados. Observa a cena por algum tempo, com ar satisfeito, depois volta para casa.
Os bichos de rua têm muitos amigos na cidade enorme. Perto dali, no Parque da Água Branca, ou mais longe, no Parque do Piqueri, ou no Centro, na Praça Ramos, senhoras suaves levam iscas para os gatos, que as rodeiam com miados de boa tarde e obrigado, oh, muito obrigado. Talvez isso os torne meio relapsos na caça aos ratos, mas nem adianta dizêlo à aposentada dona Lourdes, no Piqueri, pois nada mudaria sua rotina de juntar restos de cozinha e carninhas de açougue, cozinhar com um pouco de tempero, “só para dar um gostinho”, e promover o vesperal banquete.
Os cães vadios não se organizam em comunidades, como os gatos. Batem perna pelas calçadas até encontrar um catador de papel ou um morador de rua precisado de companhia. Reconhecem-se num só olhar. Aquecem um ao outro no inverno, em morno abraço e carentes. De dia o cão come da comida que o homem arruma, de noite retribui rosnando contra invasores. Em caso de escassez de alimentos, a preferência é sempre do cão. Ao cuidar dele o homem compensa o seu próprio abandono, torna- se um provedor, responsável por alguém mais necessitado e desamparado. Poder dar é a sua riqueza naquele momento. Mais do que riqueza: é a recuperação da sua humanidade.
Se um desses cães sem dono de pelo embaçado encosta em um portão, acaba encontrando alguém que lhe chega uns restos, e vai ficando por ali, e seu pelo com o tempo brilha agradecido, e ele se torna valente guardião daquela porta. Cães não gostam de ficar devendo obrigação.
Peixes e marrecos engordam nos lagos dos parques públicos, mimados pelos visitantes. No zoo é preciso coibir a compulsão dos alimentadores. No Simba Safari, macacos fazem piquenique sobre os carros. Há quem plante pitangueira no quintal, ou goiabeira, só para farra de passarinhos. Até pardais encontram quireras de afeto. A cidade é o grande albergue das espécies vagabundas.
Numa destas manhãs em que me senti desocupado como esses bichos, segui o senhor dos pombos até a praça. Eles já o conheciam bem, talvez o esperassem. Apreciei os gestos cada vez mais largos com que ele procurava atirar o farelo para os pombos mais afastados, a fim de evitar disputas. Onde não há para todos, sabe-se, a civilidade desaparece. Falei com ele, naquele momento final em que apenas parecia apreciá-los, sorrindo da sua voracidade, e fiquei surpreso ao ouvi-lo dizer que não gostava de pombos.
- Tenho horror da sujeira que fazem nos beirais dos prédios, nas calçadas.
- Por que dá comida para eles, então?
- Não é pela comida. Ponho anticoncepcional no farelo para ver se desaparecem aos poucos.
(Angelo, Ivan. O comprador de aventuras: e outras crônicas.São Paulo: Ática, 200. 101 p. il. Para gostar de ler, 28)
Na frase “Ponho anticoncepcional no farelo para ver se desaparecem aos poucos.”, a preposição “para” introduz o valor semântico de:
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