Foram encontradas 1.370 questões.
Leia o texto a seguir para responder às questões de números 47 a 49.
As primeiras cartas de Jorge foram todas à mãe. Eram longas e derramadas, entusiásticas, descuidosas e até pueris. Descontada a escassa porção de realidade que podia haver nelas, ficava um cálculo, que o coração de Valéria compreendeu: era adoçar-lhe a ausência e dissipar-lhe as apreensões.
Cedo se familiarizou Jorge com a vida militar. O exército, acampado em Tuiuti1 , não iniciava operações novas; tratava-se de reunir os elementos necessários para prosseguir a campanha de modo seguro e decisivo. Não havendo nenhuma ação grande, em que pudesse provar as forças e amestrar-se, Jorge buscava as ocasiões de algum perigo, as comissões arriscadas, cujo êxito dependesse de espírito atrevido, sagacidade e paciência. Esse desejo captou-lhe a simpatia dos chefes imediatos.
O coronel que o comandava atentou nele; sentiu-lhe a alma juvenil através do olhar brando e repousado. Ao mesmo tempo observou que, no meio dos gozos fáceis e múltiplos do acampamento, convertido pela inação em povoado de recreio, Jorge conservava um retraimento monacal2 , um casto horror de tudo o que pudesse diverti-lo de curar das armas, ou somente de pensar nelas. O coronel era homem de seu ofício; amava a guerra pela guerra; morreu talvez de nostalgia no regaço da paz. Era bravo e ríspido. O que lhe destoou a princípio na pessoa de Jorge foi o alinho e um resto de seus ademanes3 de sala. Jorge, entretanto, sem perder desde logo o jeito da vida civil, foi criando com o tempo a crosta de campanha. O desejo de trabalhar, de arriscar-se, de temperar a alma ao fogo do perigo, trocou os sentimentos do coronel, que entreviu nele um bom companheiro de armas, e ao fim de pouco tempo procurou distingui-lo.
(Machado de Assis, Iaiá Garcia)
1Tuiuti: pântano existente no Paraguai
2Monacal: relativo a monge ou à vida nos conventos; monástico.
3Ademanes: gestos, sinais, geralmente feitos com as mãos.
De acordo com a BNCC, a leitura dos textos literários, como o de Machado de Assis, deve “garantir a formação de um leitor-fruidor, ou seja, de um sujeito que seja capaz de se implicar na leitura dos textos, de ‘desvendar’ suas múltiplas camadas de sentido, de responder às suas demandas e de firmar pactos de leitura”.
Sob essa perspectiva, a literatura é concebida em função de sua
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Leia os textos a seguir para responder às questões de números 42 e 43.
Texto 1
O ensino de leitura e da escrita baseado em uma concepção interacionista de língua implica considerá-las como práticas sociais. Nessa perspectiva, o “letramento escolar” que envolve o processo de didatização da leitura e da escrita precisa ser feito de modo a garantir que as práticas de leitura e de produção de textos desenvolvidas nesse espaço se aproximem daquelas realizadas fora dele.
(Eliana Borges Correia de Albuquerque, Mudanças didáticas e pedagógicas no ensino de língua portuguesa, 2006)
Texto 2
A atividade de leitura completa a atividade da produção escrita. É, por isso, uma atividade de interação entre sujeitos e supõe muito mais que a simples decodificação dos sinais gráficos. O leitor, como um dos sujeitos da interação, atua participativamente, buscando recuperar, buscando interpretar e compreender o conteúdo e as intenções pretendidos pelo autor.
(Irandé Antunes, Aula de Português: encontro e interação, 2003)
A leitura comparativa entre os dois textos permite afirmar que ambos trazem a concepção de língua como prática social.
Decorre dessa abordagem uma concepção de ensino linguístico que se baseia
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Considerando o emprego de novas tecnologias em sala de aula e as características de um gênero e seu suporte, uma atividade que permite o desenvolvimento de práticas de escrita, leitura, escuta e fala é a produção de um
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Leia o texto a seguir para responder às questões de números 39 e 40.
Os poetas cansam-nos a paciência a falarem do amor da mulher aos quinze anos, como paixão perigosa, única e inflexível. Alguns prosadores de romance dizem o mesmo. Enganam-se ambos. O amor dos quinze anos é uma brincadeira; é a última manifestação do amor às bonecas; é a tentativa da avezinha que ensaia o voo fora do ninho, sempre com os olhos fitos na ave-mãe, que a está da fronde próxima chamando: tanto sabe a primeira o que é amor muito, como a segunda o que é voar para longe.
(Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição, 1994)
Na passagem – Os poetas cansam-nos a paciência a falarem do amor da mulher aos quinze anos, como paixão perigosa, única e inflexível. Alguns prosadores de romance dizem o mesmo. Enganam-se ambos. –, o pronome destacado exprime sentido
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Leia o texto a seguir para responder às questões de números 39 e 40.
Os poetas cansam-nos a paciência a falarem do amor da mulher aos quinze anos, como paixão perigosa, única e inflexível. Alguns prosadores de romance dizem o mesmo. Enganam-se ambos. O amor dos quinze anos é uma brincadeira; é a última manifestação do amor às bonecas; é a tentativa da avezinha que ensaia o voo fora do ninho, sempre com os olhos fitos na ave-mãe, que a está da fronde próxima chamando: tanto sabe a primeira o que é amor muito, como a segunda o que é voar para longe.
(Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição, 1994)
Ao apresentar a concepção de amor de poetas e de alguns prosadores, o narrador estabelece um comentário
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A BNCC e o Currículo Paulista (2019) apresentam, entre as práticas de linguagem, a oralidade, cuja abordagem em sala de aula requer conhecimento teórico docente relativo à Fonética e à Fonologia.
Segundo Angel Corbera Mori (em MUSSALIM e BENTES, 2005), essas disciplinas são
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Leia o texto a seguir para responder às questões de números 34 a 36.
A proposta de redação do Enem 2022 foi “Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil”. Um estudante, no primeiro parágrafo de seu texto, escreveu:
“O poeta modernista Oswald de Andrade relata, em ‘Erro de Português’, que, sob um dia de chuva, o índio foi vestido pelo português – uma denúncia à aculturação sofrida pelos povos indígenas com a chegada dos europeus ao território brasileiro. Paralelamente, no Brasil atual, há a manutenção de práticas prejudiciais não só aos silvícolas, mas também aos demais povos e comunidades tradicionais, como os pescadores. Com efeito, atuam como desafios para a valorização desses grupos a educação deficiente acerca do tema e a ausência do desenvolvimento sustentável.”
(Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/enem/2023/noticia. Adaptado)
No texto do estudante, a alusão ao poema “Erro de Português” tem a função de
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- Interpretação de TextosSubstituição/Reescritura de TextoReorganização e Reescrita de Orações e Períodos
Leia o texto a seguir para responder às questões de números 34 a 36.
A proposta de redação do Enem 2022 foi “Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil”. Um estudante, no primeiro parágrafo de seu texto, escreveu:
“O poeta modernista Oswald de Andrade relata, em ‘Erro de Português’, que, sob um dia de chuva, o índio foi vestido pelo português – uma denúncia à aculturação sofrida pelos povos indígenas com a chegada dos europeus ao território brasileiro. Paralelamente, no Brasil atual, há a manutenção de práticas prejudiciais não só aos silvícolas, mas também aos demais povos e comunidades tradicionais, como os pescadores. Com efeito, atuam como desafios para a valorização desses grupos a educação deficiente acerca do tema e a ausência do desenvolvimento sustentável.”
(Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/enem/2023/noticia. Adaptado)
Considerando-se o sentido do texto e a conformidade com a norma-padrão, o trecho – Paralelamente, no Brasil atual, há a manutenção de práticas prejudiciais não só aos silvícolas, mas também aos demais povos e comunidades tradicionais, como os pescadores. – admite a seguinte reescrita:
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- Interpretação de TextosTipologia e Gênero TextualTipologias TextuaisTexto Dissertativo-argumentativo
Leia o texto a seguir para responder às questões de números 34 a 36.
A proposta de redação do Enem 2022 foi “Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil”. Um estudante, no primeiro parágrafo de seu texto, escreveu:
“O poeta modernista Oswald de Andrade relata, em ‘Erro de Português’, que, sob um dia de chuva, o índio foi vestido pelo português – uma denúncia à aculturação sofrida pelos povos indígenas com a chegada dos europeus ao território brasileiro. Paralelamente, no Brasil atual, há a manutenção de práticas prejudiciais não só aos silvícolas, mas também aos demais povos e comunidades tradicionais, como os pescadores. Com efeito, atuam como desafios para a valorização desses grupos a educação deficiente acerca do tema e a ausência do desenvolvimento sustentável.”
(Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/enem/2023/noticia. Adaptado)
Considerando-se que o aluno deveria produzir um texto dissertativo-argumentativo, conclui-se que a introdução do texto do estudante sinaliza para
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Na BNCC, a habilidade EF08LP04 prevê, quando se produz texto, a utilização de “conhecimentos linguísticos e gramaticais: ortografia, regências e concordâncias nominal e verbal, modos e tempos verbais, pontuação etc.”.
Com base nessa habilidade, a frase que atende à norma-padrão de ortografia, regência e emprego de modos e tempos verbais é:
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