Magna Concursos

Foram encontradas 50 questões.

289493 Ano: 2016
Disciplina: Direito Administrativo
Banca: FUNCAB
Orgão: Pref. Santa Maria Jetibá-ES
Provas:
Desde que licitamente praticados os atos do agente público devem ser atribuídos aos órgãos ou entidades a que este pertença. Tal afirmação é corolário do princípio da:
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
289492 Ano: 2016
Disciplina: Direito Administrativo
Banca: FUNCAB
Orgão: Pref. Santa Maria Jetibá-ES
Provas:
De acordo com a Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, toda atividade destinada a obter determinada utilidade de interesse para a Administração, tais como: demolição, conserto, instalação, montagem, operação, conservação, reparação, adaptação, manutenção, transporte, locação de bens, publicidade, seguro ou trabalhos técnico-profissionais, é considerada:
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
289489 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: FUNCAB
Orgão: Pref. Santa Maria Jetibá-ES
Provas:

O encontro

Maria da Piedade Lourenço era uma mulher miúda e nervosa, com uma cabeleira pardacenta, malcuidada, erguida, como uma crista, no alto da cabeça. Ludo não conseguia distinguir-lhe os pormenores do rosto. Todavia, deu pela crista. Parece uma galinha, pensou, e logo se arrepende por ter pensado aquilo. Andara nervosíssima nos dias que antecederam a chegada da filha. Quando esta lhe surgiu à frente, porém, veio-lhe uma grande calma. Mandou-a entrar. A sala estava agora pintada e arranjada, soalho novo, portas novas, tudo isso às custas do vizinho, Arnaldo Cruz, que também fizera questão de oferecer as mobílias. Comprara o apartamento a Ludo, concedendo-lhe o usufruto vitalício do mesmo, e comprometendo-se a pagar os estudos de Sabalu até este concluir a universidade.

A mulher entrou. Sentou-se numa das cadeiras, tensa, agarrada à bolsa como a uma boia de salvação. Sabalu foi buscar chá e biscoitos.

Não sei como a hei de chamar.

Pode chamar-me Ludovica, é o meu nome.

Um dia poderei chamá-la mãe?

Ludo apertou as mãos de encontro ao ventre. Podia ver, através das janelas, os ramos mais altos da mulemba. Nenhuma brisa os inquietava.

Sei que não tenho desculpa, murmurou: Era muito nova, e estava assustada. Isso não justifica o que fiz.

Maria da Piedade arrastou a cadeira para junto dela. Pousou a mão direita no seu joelho:

Não vim a Luanda para cobrar nada. Vim para a conhecer. Quero levá-la de volta para a nossa terra.

Ludo segurou-lhe a mão:

Filha, esta é a minha terra. Já não me resta outra.

Apontou para a mulemba:

Tenho visto crescer aquela árvore. Ela viu-me envelhecer a mim.

Conversamos muito.

A senhora há de ter família em Aveiro.

Família?!

Família, amigos, eu sei lá.

Ludo sorriu para Sabalu, que assistia a tudo, muito atento, enterrado num dos sofás:

A minha família é esse menino, a mulemba lá fora, o fantasma de um cão. Vejo cada vez pior. Um oftalmologista, amigo do meu vizinho, esteve aqui em casa, a observar-me. Disse-me que nunca perderei a vista por completo. Resta-me a visão periférica. Hei de sempre distinguir a luz, e a luz neste país é uma festa. Em todo o caso, não pretendo mais: A luz, Sabalu a ler para mim, e a alegria de uma romã todos os dias.

AGUALUSA, José Eduardo.Teoria Geral do Esquecimento. Rio de Janeiro: Foz, 2012.

Na frase “Quando esta lhe surgiu à frente, PORÉM, veio-lhe uma grande calma.”, a palavra em destaque apresenta a seguinte relação:
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
289488 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: FUNCAB
Orgão: Pref. Santa Maria Jetibá-ES
Provas:

O encontro

Maria da Piedade Lourenço era uma mulher miúda e nervosa, com uma cabeleira pardacenta, malcuidada, erguida, como uma crista, no alto da cabeça. Ludo não conseguia distinguir-lhe os pormenores do rosto. Todavia, deu pela crista. Parece uma galinha, pensou, e logo se arrepende por ter pensado aquilo. Andara nervosíssima nos dias que antecederam a chegada da filha. Quando esta lhe surgiu à frente, porém, veio-lhe uma grande calma. Mandou-a entrar. A sala estava agora pintada e arranjada, soalho novo, portas novas, tudo isso às custas do vizinho, Arnaldo Cruz, que também fizera questão de oferecer as mobílias. Comprara o apartamento a Ludo, concedendo-lhe o usufruto vitalício do mesmo, e comprometendo-se a pagar os estudos de Sabalu até este concluir a universidade.

A mulher entrou. Sentou-se numa das cadeiras, tensa, agarrada à bolsa como a uma boia de salvação. Sabalu foi buscar chá e biscoitos.

Não sei como a hei de chamar.

Pode chamar-me Ludovica, é o meu nome.

Um dia poderei chamá-la mãe?

Ludo apertou as mãos de encontro ao ventre. Podia ver, através das janelas, os ramos mais altos da mulemba. Nenhuma brisa os inquietava.

Sei que não tenho desculpa, murmurou: Era muito nova, e estava assustada. Isso não justifica o que fiz.

Maria da Piedade arrastou a cadeira para junto dela. Pousou a mão direita no seu joelho:

Não vim a Luanda para cobrar nada. Vim para a conhecer. Quero levá-la de volta para a nossa terra.

Ludo segurou-lhe a mão:

Filha, esta é a minha terra. Já não me resta outra.

Apontou para a mulemba:

Tenho visto crescer aquela árvore. Ela viu-me envelhecer a mim.

Conversamos muito.

A senhora há de ter família em Aveiro.

Família?!

Família, amigos, eu sei lá.

Ludo sorriu para Sabalu, que assistia a tudo, muito atento, enterrado num dos sofás:

A minha família é esse menino, a mulemba lá fora, o fantasma de um cão. Vejo cada vez pior. Um oftalmologista, amigo do meu vizinho, esteve aqui em casa, a observar-me. Disse-me que nunca perderei a vista por completo. Resta-me a visão periférica. Hei de sempre distinguir a luz, e a luz neste país é uma festa. Em todo o caso, não pretendo mais: A luz, Sabalu a ler para mim, e a alegria de uma romã todos os dias.

AGUALUSA, José Eduardo.Teoria Geral do Esquecimento. Rio de Janeiro: Foz, 2012.

No primeiro parágrafo, ao descrever Maria da Piedade Lourenço, o autor estabelece uma relação de adversidade através do uso da palavra:
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
289487 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: FUNCAB
Orgão: Pref. Santa Maria Jetibá-ES
Provas:

O encontro

Maria da Piedade Lourenço era uma mulher miúda e nervosa, com uma cabeleira pardacenta, malcuidada, erguida, como uma crista, no alto da cabeça. Ludo não conseguia distinguir-lhe os pormenores do rosto. Todavia, deu pela crista. Parece uma galinha, pensou, e logo se arrepende por ter pensado aquilo. Andara nervosíssima nos dias que antecederam a chegada da filha. Quando esta lhe surgiu à frente, porém, veio-lhe uma grande calma. Mandou-a entrar. A sala estava agora pintada e arranjada, soalho novo, portas novas, tudo isso às custas do vizinho, Arnaldo Cruz, que também fizera questão de oferecer as mobílias. Comprara o apartamento a Ludo, concedendo-lhe o usufruto vitalício do mesmo, e comprometendo-se a pagar os estudos de Sabalu até este concluir a universidade.

A mulher entrou. Sentou-se numa das cadeiras, tensa, agarrada à bolsa como a uma boia de salvação. Sabalu foi buscar chá e biscoitos.

Não sei como a hei de chamar.

Pode chamar-me Ludovica, é o meu nome.

Um dia poderei chamá-la mãe?

Ludo apertou as mãos de encontro ao ventre. Podia ver, através das janelas, os ramos mais altos da mulemba. Nenhuma brisa os inquietava.

Sei que não tenho desculpa, murmurou: Era muito nova, e estava assustada. Isso não justifica o que fiz.

Maria da Piedade arrastou a cadeira para junto dela. Pousou a mão direita no seu joelho:

Não vim a Luanda para cobrar nada. Vim para a conhecer. Quero levá-la de volta para a nossa terra.

Ludo segurou-lhe a mão:

Filha, esta é a minha terra. Já não me resta outra.

Apontou para a mulemba:

Tenho visto crescer aquela árvore. Ela viu-me envelhecer a mim.

Conversamos muito.

A senhora há de ter família em Aveiro.

Família?!

Família, amigos, eu sei lá.

Ludo sorriu para Sabalu, que assistia a tudo, muito atento, enterrado num dos sofás:

A minha família é esse menino, a mulemba lá fora, o fantasma de um cão. Vejo cada vez pior. Um oftalmologista, amigo do meu vizinho, esteve aqui em casa, a observar-me. Disse-me que nunca perderei a vista por completo. Resta-me a visão periférica. Hei de sempre distinguir a luz, e a luz neste país é uma festa. Em todo o caso, não pretendo mais: A luz, Sabalu a ler para mim, e a alegria de uma romã todos os dias.

AGUALUSA, José Eduardo.Teoria Geral do Esquecimento. Rio de Janeiro: Foz, 2012.

Do ponto de vista da norma culta, a única substituição que poderia ser feita, sem alteração de valor semântico e linguístico, seria:
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
289486 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: FUNCAB
Orgão: Pref. Santa Maria Jetibá-ES
Provas:

O encontro

Maria da Piedade Lourenço era uma mulher miúda e nervosa, com uma cabeleira pardacenta, malcuidada, erguida, como uma crista, no alto da cabeça. Ludo não conseguia distinguir-lhe os pormenores do rosto. Todavia, deu pela crista. Parece uma galinha, pensou, e logo se arrepende por ter pensado aquilo. Andara nervosíssima nos dias que antecederam a chegada da filha. Quando esta lhe surgiu à frente, porém, veio-lhe uma grande calma. Mandou-a entrar. A sala estava agora pintada e arranjada, soalho novo, portas novas, tudo isso às custas do vizinho, Arnaldo Cruz, que também fizera questão de oferecer as mobílias. Comprara o apartamento a Ludo, concedendo-lhe o usufruto vitalício do mesmo, e comprometendo-se a pagar os estudos de Sabalu até este concluir a universidade.

A mulher entrou. Sentou-se numa das cadeiras, tensa, agarrada à bolsa como a uma boia de salvação. Sabalu foi buscar chá e biscoitos.

Não sei como a hei de chamar.

Pode chamar-me Ludovica, é o meu nome.

Um dia poderei chamá-la mãe?

Ludo apertou as mãos de encontro ao ventre. Podia ver, através das janelas, os ramos mais altos da mulemba. Nenhuma brisa os inquietava.

Sei que não tenho desculpa, murmurou: Era muito nova, e estava assustada. Isso não justifica o que fiz.

Maria da Piedade arrastou a cadeira para junto dela. Pousou a mão direita no seu joelho:

Não vim a Luanda para cobrar nada. Vim para a conhecer. Quero levá-la de volta para a nossa terra.

Ludo segurou-lhe a mão:

Filha, esta é a minha terra. Já não me resta outra.

Apontou para a mulemba:

Tenho visto crescer aquela árvore. Ela viu-me envelhecer a mim.

Conversamos muito.

A senhora há de ter família em Aveiro.

Família?!

Família, amigos, eu sei lá.

Ludo sorriu para Sabalu, que assistia a tudo, muito atento, enterrado num dos sofás:

A minha família é esse menino, a mulemba lá fora, o fantasma de um cão. Vejo cada vez pior. Um oftalmologista, amigo do meu vizinho, esteve aqui em casa, a observar-me. Disse-me que nunca perderei a vista por completo. Resta-me a visão periférica. Hei de sempre distinguir a luz, e a luz neste país é uma festa. Em todo o caso, não pretendo mais: A luz, Sabalu a ler para mim, e a alegria de uma romã todos os dias.

AGUALUSA, José Eduardo.Teoria Geral do Esquecimento. Rio de Janeiro: Foz, 2012.

A frase “Ela viu-me envelhecer a mim.”, como efeito expressivo, é exemplo de:
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
289485 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: FUNCAB
Orgão: Pref. Santa Maria Jetibá-ES
Provas:

O encontro

Maria da Piedade Lourenço era uma mulher miúda e nervosa, com uma cabeleira pardacenta, malcuidada, erguida, como uma crista, no alto da cabeça. Ludo não conseguia distinguir-lhe os pormenores do rosto. Todavia, deu pela crista. Parece uma galinha, pensou, e logo se arrepende por ter pensado aquilo. Andara nervosíssima nos dias que antecederam a chegada da filha. Quando esta lhe surgiu à frente, porém, veio-lhe uma grande calma. Mandou-a entrar. A sala estava agora pintada e arranjada, soalho novo, portas novas, tudo isso às custas do vizinho, Arnaldo Cruz, que também fizera questão de oferecer as mobílias. Comprara o apartamento a Ludo, concedendo-lhe o usufruto vitalício do mesmo, e comprometendo-se a pagar os estudos de Sabalu até este concluir a universidade.

A mulher entrou. Sentou-se numa das cadeiras, tensa, agarrada à bolsa como a uma boia de salvação. Sabalu foi buscar chá e biscoitos.

Não sei como a hei de chamar.

Pode chamar-me Ludovica, é o meu nome.

Um dia poderei chamá-la mãe?

Ludo apertou as mãos de encontro ao ventre. Podia ver, através das janelas, os ramos mais altos da mulemba. Nenhuma brisa os inquietava.

Sei que não tenho desculpa, murmurou: Era muito nova, e estava assustada. Isso não justifica o que fiz.

Maria da Piedade arrastou a cadeira para junto dela. Pousou a mão direita no seu joelho:

Não vim a Luanda para cobrar nada. Vim para a conhecer. Quero levá-la de volta para a nossa terra.

Ludo segurou-lhe a mão:

Filha, esta é a minha terra. Já não me resta outra.

Apontou para a mulemba:

Tenho visto crescer aquela árvore. Ela viu-me envelhecer a mim.

Conversamos muito.

A senhora há de ter família em Aveiro.

Família?!

Família, amigos, eu sei lá.

Ludo sorriu para Sabalu, que assistia a tudo, muito atento, enterrado num dos sofás:

A minha família é esse menino, a mulemba lá fora, o fantasma de um cão. Vejo cada vez pior. Um oftalmologista, amigo do meu vizinho, esteve aqui em casa, a observar-me. Disse-me que nunca perderei a vista por completo. Resta-me a visão periférica. Hei de sempre distinguir a luz, e a luz neste país é uma festa. Em todo o caso, não pretendo mais: A luz, Sabalu a ler para mim, e a alegria de uma romã todos os dias.

AGUALUSA, José Eduardo.Teoria Geral do Esquecimento. Rio de Janeiro: Foz, 2012.

“Comprara o apartamento a Ludo, concedendo-lhe o usufruto vitalício do mesmo, e comprometendo-se a pagar os estudos de Sabalu até este concluir a universidade.”

A respeito do trecho acima, quanto aos aspectos gramatical, sintático e semântico, analise as afirmativas a seguir.

I. A primeira oração poderia ser iniciada pela forma composta HAVIA COMPRADO, sem perda de sentido.

II. Não há referente, no texto, que justifique o uso do pronome LHE.

III. SE, dentro da oração a que pertence, é índice de indeterminação do sujeito.

Está(ão) correta(s) apenas a(s) afirmativa(s):

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
289484 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: FUNCAB
Orgão: Pref. Santa Maria Jetibá-ES
Provas:

O encontro

Maria da Piedade Lourenço era uma mulher miúda e nervosa, com uma cabeleira pardacenta, malcuidada, erguida, como uma crista, no alto da cabeça. Ludo não conseguia distinguir-lhe os pormenores do rosto. Todavia, deu pela crista. Parece uma galinha, pensou, e logo se arrepende por ter pensado aquilo. Andara nervosíssima nos dias que antecederam a chegada da filha. Quando esta lhe surgiu à frente, porém, veio-lhe uma grande calma. Mandou-a entrar. A sala estava agora pintada e arranjada, soalho novo, portas novas, tudo isso às custas do vizinho, Arnaldo Cruz, que também fizera questão de oferecer as mobílias. Comprara o apartamento a Ludo, concedendo-lhe o usufruto vitalício do mesmo, e comprometendo-se a pagar os estudos de Sabalu até este concluir a universidade.

A mulher entrou. Sentou-se numa das cadeiras, tensa, agarrada à bolsa como a uma boia de salvação. Sabalu foi buscar chá e biscoitos.

Não sei como a hei de chamar.

Pode chamar-me Ludovica, é o meu nome.

Um dia poderei chamá-la mãe?

Ludo apertou as mãos de encontro ao ventre. Podia ver, através das janelas, os ramos mais altos da mulemba. Nenhuma brisa os inquietava.

Sei que não tenho desculpa, murmurou: Era muito nova, e estava assustada. Isso não justifica o que fiz.

Maria da Piedade arrastou a cadeira para junto dela. Pousou a mão direita no seu joelho:

Não vim a Luanda para cobrar nada. Vim para a conhecer. Quero levá-la de volta para a nossa terra.

Ludo segurou-lhe a mão:

Filha, esta é a minha terra. Já não me resta outra.

Apontou para a mulemba:

Tenho visto crescer aquela árvore. Ela viu-me envelhecer a mim.

Conversamos muito.

A senhora há de ter família em Aveiro.

Família?!

Família, amigos, eu sei lá.

Ludo sorriu para Sabalu, que assistia a tudo, muito atento, enterrado num dos sofás:

A minha família é esse menino, a mulemba lá fora, o fantasma de um cão. Vejo cada vez pior. Um oftalmologista, amigo do meu vizinho, esteve aqui em casa, a observar-me. Disse-me que nunca perderei a vista por completo. Resta-me a visão periférica. Hei de sempre distinguir a luz, e a luz neste país é uma festa. Em todo o caso, não pretendo mais: A luz, Sabalu a ler para mim, e a alegria de uma romã todos os dias.

AGUALUSA, José Eduardo.Teoria Geral do Esquecimento. Rio de Janeiro: Foz, 2012.

Em “Disse-me QUE nunca perderei a vista por completo”, o componente destacado é um(a):
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
289483 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: FUNCAB
Orgão: Pref. Santa Maria Jetibá-ES
Provas:

O encontro

Maria da Piedade Lourenço era uma mulher miúda e nervosa, com uma cabeleira pardacenta, malcuidada, erguida, como uma crista, no alto da cabeça. Ludo não conseguia distinguir-lhe os pormenores do rosto. Todavia, deu pela crista. Parece uma galinha, pensou, e logo se arrepende por ter pensado aquilo. Andara nervosíssima nos dias que antecederam a chegada da filha. Quando esta lhe surgiu à frente, porém, veio-lhe uma grande calma. Mandou-a entrar. A sala estava agora pintada e arranjada, soalho novo, portas novas, tudo isso às custas do vizinho, Arnaldo Cruz, que também fizera questão de oferecer as mobílias. Comprara o apartamento a Ludo, concedendo-lhe o usufruto vitalício do mesmo, e comprometendo-se a pagar os estudos de Sabalu até este concluir a universidade.

A mulher entrou. Sentou-se numa das cadeiras, tensa, agarrada à bolsa como a uma boia de salvação. Sabalu foi buscar chá e biscoitos.

Não sei como a hei de chamar.

Pode chamar-me Ludovica, é o meu nome.

Um dia poderei chamá-la mãe?

Ludo apertou as mãos de encontro ao ventre. Podia ver, através das janelas, os ramos mais altos da mulemba. Nenhuma brisa os inquietava.

Sei que não tenho desculpa, murmurou: Era muito nova, e estava assustada. Isso não justifica o que fiz.

Maria da Piedade arrastou a cadeira para junto dela. Pousou a mão direita no seu joelho:

Não vim a Luanda para cobrar nada. Vim para a conhecer. Quero levá-la de volta para a nossa terra.

Ludo segurou-lhe a mão:

Filha, esta é a minha terra. Já não me resta outra.

Apontou para a mulemba:

Tenho visto crescer aquela árvore. Ela viu-me envelhecer a mim.

Conversamos muito.

A senhora há de ter família em Aveiro.

Família?!

Família, amigos, eu sei lá.

Ludo sorriu para Sabalu, que assistia a tudo, muito atento, enterrado num dos sofás:

A minha família é esse menino, a mulemba lá fora, o fantasma de um cão. Vejo cada vez pior. Um oftalmologista, amigo do meu vizinho, esteve aqui em casa, a observar-me. Disse-me que nunca perderei a vista por completo. Resta-me a visão periférica. Hei de sempre distinguir a luz, e a luz neste país é uma festa. Em todo o caso, não pretendo mais: A luz, Sabalu a ler para mim, e a alegria de uma romã todos os dias.

AGUALUSA, José Eduardo.Teoria Geral do Esquecimento. Rio de Janeiro: Foz, 2012.

Sintaticamente, o segmento destacado está corretamente analisado em:
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
289482 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: FUNCAB
Orgão: Pref. Santa Maria Jetibá-ES
Provas:

O encontro

Maria da Piedade Lourenço era uma mulher miúda e nervosa, com uma cabeleira pardacenta, malcuidada, erguida, como uma crista, no alto da cabeça. Ludo não conseguia distinguir-lhe os pormenores do rosto. Todavia, deu pela crista. Parece uma galinha, pensou, e logo se arrepende por ter pensado aquilo. Andara nervosíssima nos dias que antecederam a chegada da filha. Quando esta lhe surgiu à frente, porém, veio-lhe uma grande calma. Mandou-a entrar. A sala estava agora pintada e arranjada, soalho novo, portas novas, tudo isso às custas do vizinho, Arnaldo Cruz, que também fizera questão de oferecer as mobílias. Comprara o apartamento a Ludo, concedendo-lhe o usufruto vitalício do mesmo, e comprometendo-se a pagar os estudos de Sabalu até este concluir a universidade.

A mulher entrou. Sentou-se numa das cadeiras, tensa, agarrada à bolsa como a uma boia de salvação. Sabalu foi buscar chá e biscoitos.

Não sei como a hei de chamar.

Pode chamar-me Ludovica, é o meu nome.

Um dia poderei chamá-la mãe?

Ludo apertou as mãos de encontro ao ventre. Podia ver, através das janelas, os ramos mais altos da mulemba. Nenhuma brisa os inquietava.

Sei que não tenho desculpa, murmurou: Era muito nova, e estava assustada. Isso não justifica o que fiz.

Maria da Piedade arrastou a cadeira para junto dela. Pousou a mão direita no seu joelho:

Não vim a Luanda para cobrar nada. Vim para a conhecer. Quero levá-la de volta para a nossa terra.

Ludo segurou-lhe a mão:

Filha, esta é a minha terra. Já não me resta outra.

Apontou para a mulemba:

Tenho visto crescer aquela árvore. Ela viu-me envelhecer a mim.

Conversamos muito.

A senhora há de ter família em Aveiro.

Família?!

Família, amigos, eu sei lá.

Ludo sorriu para Sabalu, que assistia a tudo, muito atento, enterrado num dos sofás:

A minha família é esse menino, a mulemba lá fora, o fantasma de um cão. Vejo cada vez pior. Um oftalmologista, amigo do meu vizinho, esteve aqui em casa, a observar-me. Disse-me que nunca perderei a vista por completo. Resta-me a visão periférica. Hei de sempre distinguir a luz, e a luz neste país é uma festa. Em todo o caso, não pretendo mais: A luz, Sabalu a ler para mim, e a alegria de uma romã todos os dias.

AGUALUSA, José Eduardo.Teoria Geral do Esquecimento. Rio de Janeiro: Foz, 2012.

Sobre o texto leia as afirmativas a seguir.

I. A inevitabilidade do encontro com o passado se dá quando Maria da Piedade Lourenço, filha de Ludo, a conhece pessoalmente.

II. O primeiro momento é de estranhamento. Depois, há a tentativa de fuga de Ludo para evitar o reconhecimento dos fatos.

III. Por fim, a aceitação de que, sem o reconhecimento de lembranças, só há esquecimento.

IV. Em sua memória, Ludo se recupera de seu lugar primeiro com uma facilidade indiscutível. Seu corpo para ela é uma realidade próxima ao mundo e aos outros corpos.

Está correto apenas o que se afirma em:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas