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Avalie as afirmações, inclusive as de Luckesi (2011),
para diferenciar o termo “avaliação” do termo “verificação”.
I - A avaliação, diferentemente da verificação, envolve um ato que ultrapassa a obtenção da configuração do objeto, exigindo decisão do que fazer ante ou com ele.
II - Os professores mostram-se mais preocupados em atribuir notas ao desempenho dos alunos, como se, à medida que expressam os resultados, isso fosse o mais importante aspecto da avaliação em vez de seu significado e, principalmente, sua função.
III - A verificação é uma ação que congela o objeto; a avaliação, direciona o objeto numa trilha dinâmica de ação.
IV - A escola brasileira opera com a avaliação da aprendizagem e não com verificação.
V - A verificação envolve um ato que ultrapassa a configuração, a obtenção do objeto e exige uma decisão do que fazer.
Está correto apenas o que se afirma em
I - A avaliação, diferentemente da verificação, envolve um ato que ultrapassa a obtenção da configuração do objeto, exigindo decisão do que fazer ante ou com ele.
II - Os professores mostram-se mais preocupados em atribuir notas ao desempenho dos alunos, como se, à medida que expressam os resultados, isso fosse o mais importante aspecto da avaliação em vez de seu significado e, principalmente, sua função.
III - A verificação é uma ação que congela o objeto; a avaliação, direciona o objeto numa trilha dinâmica de ação.
IV - A escola brasileira opera com a avaliação da aprendizagem e não com verificação.
V - A verificação envolve um ato que ultrapassa a configuração, a obtenção do objeto e exige uma decisão do que fazer.
Está correto apenas o que se afirma em
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Segundo Freire (2013, p.24-25), “[...] o formador é
o sujeito em relação a quem me considero o objeto,
que ele é o sujeito que me forma e eu, o objeto por
ele formado, me considero como um paciente que
recebe os conhecimentos” [...] “nesta forma de compreender e de viver o processo formador, eu objeto
agora, terei a possibilidade, amanhã de me tornar o
falso sujeito da formação do futuro objeto de meu
ato formador”.
A este respeito, avalie os enunciados a seguir.
I - Desde o início do processo de aprendizagem, não fica cada vez mais nítido que, embora sejam pessoas diferentes, quem forma também se forma e (re) forma ao formar.
II - Quem é formado, forma-se e forma ao ser formado.
III - Formar é a ação pela qual um sujeito criador dá forma, estilo ou alma a um corpo indeciso e acomodado.
IV - Não há docência sem discência, as duas se explicam e seus sujeitos, apesar das diferenças que os conotam, não se reduzem a condição de objeto um do outro.
Está correto, apenas o que se afirma em
A este respeito, avalie os enunciados a seguir.
I - Desde o início do processo de aprendizagem, não fica cada vez mais nítido que, embora sejam pessoas diferentes, quem forma também se forma e (re) forma ao formar.
II - Quem é formado, forma-se e forma ao ser formado.
III - Formar é a ação pela qual um sujeito criador dá forma, estilo ou alma a um corpo indeciso e acomodado.
IV - Não há docência sem discência, as duas se explicam e seus sujeitos, apesar das diferenças que os conotam, não se reduzem a condição de objeto um do outro.
Está correto, apenas o que se afirma em
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Conforme Libânio (1992), a democratização da escola
tem sido abordada de diferentes formas. Embora os
órgãos oficiais favoreçam o acesso das camadas mais
desfavorecidas da população à escola, na prática não
dão condições mínimas que garantam a qualidade do
ensino. Na verdade, não é suficiente a democratização do processo de tomada de decisão.
Nesse sentido, avalie as afirmações sobre o processo de democratização da escola.
I - A democratização do ensino é não ajudar os alunos na formação de sua personalidade social e sim na sua organização individual.
II - É preciso democratizar o conhecimento, buscar adequação pedagógica à clientela que frequenta a escola pública.
III - Não é preciso buscar contribuição para a educação escolar, pois a democratização da sociedade cumpre a sua função básica, que é o ensino.
IV - Democratizar o ensino é ajudar os alunos a se expressarem bem, a se comunicarem de diversas formas, a desenvolverem o gosto pelo estudo e a dominarem o saber escolar.
Está correto apenas o que se afirma em
Nesse sentido, avalie as afirmações sobre o processo de democratização da escola.
I - A democratização do ensino é não ajudar os alunos na formação de sua personalidade social e sim na sua organização individual.
II - É preciso democratizar o conhecimento, buscar adequação pedagógica à clientela que frequenta a escola pública.
III - Não é preciso buscar contribuição para a educação escolar, pois a democratização da sociedade cumpre a sua função básica, que é o ensino.
IV - Democratizar o ensino é ajudar os alunos a se expressarem bem, a se comunicarem de diversas formas, a desenvolverem o gosto pelo estudo e a dominarem o saber escolar.
Está correto apenas o que se afirma em
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Luckesi (2011), ao falar a respeito de avaliação, reflete e substitui a especificação dada pelo dicionário que define avaliação como um ajuizamento de
valor por “juízo de qualidade”, que ultrapassa os limites instrumentais e quantitativos que a avaliação
da aprendizagem representa. Vale lembrar que esse
autor pondera a respeito do aspecto quantitativo que
a terminologia “valor” sugere, traduzindo o erro ou
o acerto dos alunos em determinadas questões de
qualquer atividade avaliativa.
A este respeito, avalie o que se afirma.
I - Demo (1988), Luckesi (1996 e 2000), Giné (1998), Melchior (1999), Perrenoud (1999), Hoffmann (1999 e 2001), Fonseca ( 1999), Hadji (2001), dentre outros, vêm criticar práticas com ajuizamento de valor, pois compreendem a avaliação como parte integrante do projeto pedagógico da escola.
II - A avaliação dentro do projeto pedagógico é um procedimento simplesmente técnico.
III - Avaliação não significa que se tenha que desprezar ou abolir as práticas avaliativas quantitativas.
IV - Sob a ótica de juízo de valor, a avaliação não tem sido utilizada como aferição, como julgamento do aluno, atribuindo-se “valores” que, supostamente, “medem” o que ele aprendeu, ou não, e que o promovem ou que o reprovam.
Na perspectiva de Luckesi, está correto apenas o que se afirma em
A este respeito, avalie o que se afirma.
I - Demo (1988), Luckesi (1996 e 2000), Giné (1998), Melchior (1999), Perrenoud (1999), Hoffmann (1999 e 2001), Fonseca ( 1999), Hadji (2001), dentre outros, vêm criticar práticas com ajuizamento de valor, pois compreendem a avaliação como parte integrante do projeto pedagógico da escola.
II - A avaliação dentro do projeto pedagógico é um procedimento simplesmente técnico.
III - Avaliação não significa que se tenha que desprezar ou abolir as práticas avaliativas quantitativas.
IV - Sob a ótica de juízo de valor, a avaliação não tem sido utilizada como aferição, como julgamento do aluno, atribuindo-se “valores” que, supostamente, “medem” o que ele aprendeu, ou não, e que o promovem ou que o reprovam.
Na perspectiva de Luckesi, está correto apenas o que se afirma em
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A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO SEGUINTE.
Tão cigarra quanto formiga

Ilustração de Marcelo Martinez - Marcelo Martinez/Folhapress. Adaptado.
Era um conjunto de prato e cumbuca, feito de uma melamina tão rígida quanto os valores da época. A mais dura – e
plástica – fábula de Esopo, pronta para servir à mesa um verdadeiro tesouro moral para a juventude. Comprado na
Mesbla (antiga loja de departamentos) por alguma tia de espírito nobre, me foi presenteado assim que aprendi a
ler. E mais do que aparelho de jantar mirim, serviu de aparato ideológico para almoços e jantares de tantos pirralhos
enjoados para comer.
Alegre, livre e tocando viola no alto de um cogumelo, uma cigarra com cabelo de astro da jovem guarda ilustrava
o mais raso dos pratos. Durante todas as refeições da minha infância, recebeu olhares de reprovação por parte
de uma formiga seríssima que estava desenhada com uniforme de operária.
Saboreando letras e legumes com avidez inversamente proporcional, eu catava a frase que só reaparecia quando eu já havia comido tudo, feito uma boa menina. Meu feijão com arroz emocional: "A cigarra só cantava, e a
formiga trabalhava".
Na cumbuca de sobremesa, feito a cereja dessa lição de caráter e força de vontade, uma imagem que frequentou
pesadelos e lanches da tarde. Humilhada, passando perrengue e sobretudo recibo de vida louca, a cigarra diante
da casa da formiga, mas debaixo de outra sentença condenatória. O "eu te disse, eu te disse" das parábolas infantis: "quem canta todo verão no inverno fica sem pão".
Apavorada pelas consequências terríveis da boemia fanfarrona da cigarra, azucrinei todos os parentes tentando
descobrir que tipo de inseto eu poderia ser quando crescesse. "Não existe cigarra-formiga?" E chorava lágrimas
grossas, que inundavam meus "chambinhos" e "danoninhos" existenciais.
De lá para cá, uma existência inteira fazendo planos e pés-de-meia. Tentando equilibrar novos pratinhos – prazer,
dever, culpa, família, horas extras e pernas para cima – com alguma sanidade, igual a qualquer adulto.
Até que numa madrugada insone, fazendo higiene mental em sites de leilão online, tive meu maior insight "psicocacarequeiro": achei o conjunto completo. Contendo as peças que faltavam e que eu nunca soube que sequer existiam.
Entre elas, o Santo Graal dos copinhos. Aquele que poderia ter contido todos os bálsamos e "Fantas uva" que
apaziguariam a criança angustiada que fui, justamente por conter também as duas personagens abraçadinhas. E
os dizeres: "uma hora para brincar e outra para trabalhar".
Esse fim da história nós, cigarras-formigas com louvor, sempre o merecemos.
Braune, Bia. Tão cigarra quanto formiga. Folha de São Paulo, Opinião, 25.ago.2024.
TEXTO I
“Na cumbuca de sobremesa, feito a cereja dessa lição de caráter e força de vontade, uma imagem que frequentou pesadelos e lanches da tarde.”
TEXTO II
Disponível em: https://pigarts.blogspot.com/2014/11/turma-do-xaxado-antonio-cedraz.html
Informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma acerca da concordância e da regência verbais.
( ) No último quadrinho da tira, os verbos “abrir” e “virar” apresentam a mesma regência.
( ) No Texto I, o verbo “frequentar” deve ficar no plural para concordar com “pesadelos e lanches”.
( ) No segundo quadrinho da tira, há desvio da norma-padrão no uso da regência do verbo “estocar”.
De acordo com as afirmações, a sequência correta é:
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A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO SEGUINTE.
Tão cigarra quanto formiga

Ilustração de Marcelo Martinez - Marcelo Martinez/Folhapress. Adaptado.
Era um conjunto de prato e cumbuca, feito de uma melamina tão rígida quanto os valores da época. A mais dura – e
plástica – fábula de Esopo, pronta para servir à mesa um verdadeiro tesouro moral para a juventude. Comprado na
Mesbla (antiga loja de departamentos) por alguma tia de espírito nobre, me foi presenteado assim que aprendi a
ler. E mais do que aparelho de jantar mirim, serviu de aparato ideológico para almoços e jantares de tantos pirralhos
enjoados para comer.
Alegre, livre e tocando viola no alto de um cogumelo, uma cigarra com cabelo de astro da jovem guarda ilustrava
o mais raso dos pratos. Durante todas as refeições da minha infância, recebeu olhares de reprovação por parte
de uma formiga seríssima que estava desenhada com uniforme de operária.
Saboreando letras e legumes com avidez inversamente proporcional, eu catava a frase que só reaparecia quando eu já havia comido tudo, feito uma boa menina. Meu feijão com arroz emocional: "A cigarra só cantava, e a
formiga trabalhava".
Na cumbuca de sobremesa, feito a cereja dessa lição de caráter e força de vontade, uma imagem que frequentou
pesadelos e lanches da tarde. Humilhada, passando perrengue e sobretudo recibo de vida louca, a cigarra diante
da casa da formiga, mas debaixo de outra sentença condenatória. O "eu te disse, eu te disse" das parábolas infantis: "quem canta todo verão no inverno fica sem pão".
Apavorada pelas consequências terríveis da boemia fanfarrona da cigarra, azucrinei todos os parentes tentando
descobrir que tipo de inseto eu poderia ser quando crescesse. "Não existe cigarra-formiga?" E chorava lágrimas
grossas, que inundavam meus "chambinhos" e "danoninhos" existenciais.
De lá para cá, uma existência inteira fazendo planos e pés-de-meia. Tentando equilibrar novos pratinhos – prazer,
dever, culpa, família, horas extras e pernas para cima – com alguma sanidade, igual a qualquer adulto.
Até que numa madrugada insone, fazendo higiene mental em sites de leilão online, tive meu maior insight "psicocacarequeiro": achei o conjunto completo. Contendo as peças que faltavam e que eu nunca soube que sequer existiam.
Entre elas, o Santo Graal dos copinhos. Aquele que poderia ter contido todos os bálsamos e "Fantas uva" que
apaziguariam a criança angustiada que fui, justamente por conter também as duas personagens abraçadinhas. E
os dizeres: "uma hora para brincar e outra para trabalhar".
Esse fim da história nós, cigarras-formigas com louvor, sempre o merecemos.
Braune, Bia. Tão cigarra quanto formiga. Folha de São Paulo, Opinião, 25.ago.2024.
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A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO SEGUINTE.
Tão cigarra quanto formiga

Ilustração de Marcelo Martinez - Marcelo Martinez/Folhapress. Adaptado.
Era um conjunto de prato e cumbuca, feito de uma melamina tão rígida quanto os valores da época. A mais dura – e
plástica – fábula de Esopo, pronta para servir à mesa um verdadeiro tesouro moral para a juventude. Comprado na
Mesbla (antiga loja de departamentos) por alguma tia de espírito nobre, me foi presenteado assim que aprendi a
ler. E mais do que aparelho de jantar mirim, serviu de aparato ideológico para almoços e jantares de tantos pirralhos
enjoados para comer.
Alegre, livre e tocando viola no alto de um cogumelo, uma cigarra com cabelo de astro da jovem guarda ilustrava
o mais raso dos pratos. Durante todas as refeições da minha infância, recebeu olhares de reprovação por parte
de uma formiga seríssima que estava desenhada com uniforme de operária.
Saboreando letras e legumes com avidez inversamente proporcional, eu catava a frase que só reaparecia quando eu já havia comido tudo, feito uma boa menina. Meu feijão com arroz emocional: "A cigarra só cantava, e a
formiga trabalhava".
Na cumbuca de sobremesa, feito a cereja dessa lição de caráter e força de vontade, uma imagem que frequentou
pesadelos e lanches da tarde. Humilhada, passando perrengue e sobretudo recibo de vida louca, a cigarra diante
da casa da formiga, mas debaixo de outra sentença condenatória. O "eu te disse, eu te disse" das parábolas infantis: "quem canta todo verão no inverno fica sem pão".
Apavorada pelas consequências terríveis da boemia fanfarrona da cigarra, azucrinei todos os parentes tentando
descobrir que tipo de inseto eu poderia ser quando crescesse. "Não existe cigarra-formiga?" E chorava lágrimas
grossas, que inundavam meus "chambinhos" e "danoninhos" existenciais.
De lá para cá, uma existência inteira fazendo planos e pés-de-meia. Tentando equilibrar novos pratinhos – prazer,
dever, culpa, família, horas extras e pernas para cima – com alguma sanidade, igual a qualquer adulto.
Até que numa madrugada insone, fazendo higiene mental em sites de leilão online, tive meu maior insight "psicocacarequeiro": achei o conjunto completo. Contendo as peças que faltavam e que eu nunca soube que sequer existiam.
Entre elas, o Santo Graal dos copinhos. Aquele que poderia ter contido todos os bálsamos e "Fantas uva" que
apaziguariam a criança angustiada que fui, justamente por conter também as duas personagens abraçadinhas. E
os dizeres: "uma hora para brincar e outra para trabalhar".
Esse fim da história nós, cigarras-formigas com louvor, sempre o merecemos.
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Era um conjunto de prato e cumbuca, feito de uma melamina tão rígida quanto os valores da época. A mais dura – e
plástica – fábula de Esopo, pronta para servir à mesa um verdadeiro tesouro moral para a juventude. Comprado na
Mesbla (antiga loja de departamentos) por alguma tia de espírito nobre, me foi presenteado assim que aprendi a
ler. E mais do que aparelho de jantar mirim, serviu de aparato ideológico para almoços e jantares de tantos pirralhos
enjoados para comer.
Alegre, livre e tocando viola no alto de um cogumelo, uma cigarra com cabelo de astro da jovem guarda ilustrava
o mais raso dos pratos. Durante todas as refeições da minha infância, recebeu olhares de reprovação por parte
de uma formiga seríssima que estava desenhada com uniforme de operária.
Saboreando letras e legumes com avidez inversamente proporcional, eu catava a frase que só reaparecia quando eu já havia comido tudo, feito uma boa menina. Meu feijão com arroz emocional: "A cigarra só cantava, e a
formiga trabalhava".
Na cumbuca de sobremesa, feito a cereja dessa lição de caráter e força de vontade, uma imagem que frequentou
pesadelos e lanches da tarde. Humilhada, passando perrengue e sobretudo recibo de vida louca, a cigarra diante
da casa da formiga, mas debaixo de outra sentença condenatória. O "eu te disse, eu te disse" das parábolas infantis: "quem canta todo verão no inverno fica sem pão".
Apavorada pelas consequências terríveis da boemia fanfarrona da cigarra, azucrinei todos os parentes tentando
descobrir que tipo de inseto eu poderia ser quando crescesse. "Não existe cigarra-formiga?" E chorava lágrimas
grossas, que inundavam meus "chambinhos" e "danoninhos" existenciais.
De lá para cá, uma existência inteira fazendo planos e pés-de-meia. Tentando equilibrar novos pratinhos – prazer,
dever, culpa, família, horas extras e pernas para cima – com alguma sanidade, igual a qualquer adulto.
Até que numa madrugada insone, fazendo higiene mental em sites de leilão online, tive meu maior insight "psicocacarequeiro": achei o conjunto completo. Contendo as peças que faltavam e que eu nunca soube que sequer existiam.
Entre elas, o Santo Graal dos copinhos. Aquele que poderia ter contido todos os bálsamos e "Fantas uva" que
apaziguariam a criança angustiada que fui, justamente por conter também as duas personagens abraçadinhas. E
os dizeres: "uma hora para brincar e outra para trabalhar".
Esse fim da história nós, cigarras-formigas com louvor, sempre o merecemos.
Braune, Bia. Tão cigarra quanto formiga. Folha de São Paulo, Opinião, 25.ago.2024.
De lá para cá, uma existência inteira fazendo planos e pés-de-meia. Tentando equilibrar novos pratinhos – prazer, dever, culpa, família, horas extras e pernas para cima – com alguma sanidade, igual a qualquer adulto.
Até que numa madrugada insone, fazendo higiene mental em sites de leilão online, tive meu maior insight "psicocacarequeiro": achei o conjunto completo.
Contendo as peças que faltavam e que eu nunca soube que sequer existiam.
Nesse sentido, é correto afirmar que
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Tão cigarra quanto formiga

Ilustração de Marcelo Martinez - Marcelo Martinez/Folhapress. Adaptado.
Era um conjunto de prato e cumbuca, feito de uma melamina tão rígida quanto os valores da época. A mais dura – e
plástica – fábula de Esopo, pronta para servir à mesa um verdadeiro tesouro moral para a juventude. Comprado na
Mesbla (antiga loja de departamentos) por alguma tia de espírito nobre, me foi presenteado assim que aprendi a
ler. E mais do que aparelho de jantar mirim, serviu de aparato ideológico para almoços e jantares de tantos pirralhos
enjoados para comer.
Alegre, livre e tocando viola no alto de um cogumelo, uma cigarra com cabelo de astro da jovem guarda ilustrava
o mais raso dos pratos. Durante todas as refeições da minha infância, recebeu olhares de reprovação por parte
de uma formiga seríssima que estava desenhada com uniforme de operária.
Saboreando letras e legumes com avidez inversamente proporcional, eu catava a frase que só reaparecia quando eu já havia comido tudo, feito uma boa menina. Meu feijão com arroz emocional: "A cigarra só cantava, e a
formiga trabalhava".
Na cumbuca de sobremesa, feito a cereja dessa lição de caráter e força de vontade, uma imagem que frequentou
pesadelos e lanches da tarde. Humilhada, passando perrengue e sobretudo recibo de vida louca, a cigarra diante
da casa da formiga, mas debaixo de outra sentença condenatória. O "eu te disse, eu te disse" das parábolas infantis: "quem canta todo verão no inverno fica sem pão".
Apavorada pelas consequências terríveis da boemia fanfarrona da cigarra, azucrinei todos os parentes tentando
descobrir que tipo de inseto eu poderia ser quando crescesse. "Não existe cigarra-formiga?" E chorava lágrimas
grossas, que inundavam meus "chambinhos" e "danoninhos" existenciais.
De lá para cá, uma existência inteira fazendo planos e pés-de-meia. Tentando equilibrar novos pratinhos – prazer,
dever, culpa, família, horas extras e pernas para cima – com alguma sanidade, igual a qualquer adulto.
Até que numa madrugada insone, fazendo higiene mental em sites de leilão online, tive meu maior insight "psicocacarequeiro": achei o conjunto completo. Contendo as peças que faltavam e que eu nunca soube que sequer existiam.
Entre elas, o Santo Graal dos copinhos. Aquele que poderia ter contido todos os bálsamos e "Fantas uva" que
apaziguariam a criança angustiada que fui, justamente por conter também as duas personagens abraçadinhas. E
os dizeres: "uma hora para brincar e outra para trabalhar".
Esse fim da história nós, cigarras-formigas com louvor, sempre o merecemos.
Braune, Bia. Tão cigarra quanto formiga. Folha de São Paulo, Opinião, 25.ago.2024.
A respeito desses recursos, avalie as informações a seguir.
I – O substantivo “frase” é o referente do termo destacado na passagem textual “... eu catava a frase que só reaparecia quando eu já havia comido tudo, feito uma boa menina.”.
II – O uso do acento indicativo de crase no trecho “que apaziguariam a criança angustiada que fui...” é de rigor, pois o verbo “apaziguar”, no sentido de “acalmar”, é regido pela preposição “a”.
III – A coesão textual na frase “E chorava lágrimas grossas, que inundavam meus ‘chambinhos’ e ‘danoninhos’ existenciais.” é construída por palavras no diminutivo que indicam progressividade.
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Ilustração de Marcelo Martinez - Marcelo Martinez/Folhapress. Adaptado.
Era um conjunto de prato e cumbuca, feito de uma melamina tão rígida quanto os valores da época. A mais dura – e
plástica – fábula de Esopo, pronta para servir à mesa um verdadeiro tesouro moral para a juventude. Comprado na
Mesbla (antiga loja de departamentos) por alguma tia de espírito nobre, me foi presenteado assim que aprendi a
ler. E mais do que aparelho de jantar mirim, serviu de aparato ideológico para almoços e jantares de tantos pirralhos
enjoados para comer.
Alegre, livre e tocando viola no alto de um cogumelo, uma cigarra com cabelo de astro da jovem guarda ilustrava
o mais raso dos pratos. Durante todas as refeições da minha infância, recebeu olhares de reprovação por parte
de uma formiga seríssima que estava desenhada com uniforme de operária.
Saboreando letras e legumes com avidez inversamente proporcional, eu catava a frase que só reaparecia quando eu já havia comido tudo, feito uma boa menina. Meu feijão com arroz emocional: "A cigarra só cantava, e a
formiga trabalhava".
Na cumbuca de sobremesa, feito a cereja dessa lição de caráter e força de vontade, uma imagem que frequentou
pesadelos e lanches da tarde. Humilhada, passando perrengue e sobretudo recibo de vida louca, a cigarra diante
da casa da formiga, mas debaixo de outra sentença condenatória. O "eu te disse, eu te disse" das parábolas infantis: "quem canta todo verão no inverno fica sem pão".
Apavorada pelas consequências terríveis da boemia fanfarrona da cigarra, azucrinei todos os parentes tentando
descobrir que tipo de inseto eu poderia ser quando crescesse. "Não existe cigarra-formiga?" E chorava lágrimas
grossas, que inundavam meus "chambinhos" e "danoninhos" existenciais.
De lá para cá, uma existência inteira fazendo planos e pés-de-meia. Tentando equilibrar novos pratinhos – prazer,
dever, culpa, família, horas extras e pernas para cima – com alguma sanidade, igual a qualquer adulto.
Até que numa madrugada insone, fazendo higiene mental em sites de leilão online, tive meu maior insight "psicocacarequeiro": achei o conjunto completo. Contendo as peças que faltavam e que eu nunca soube que sequer existiam.
Entre elas, o Santo Graal dos copinhos. Aquele que poderia ter contido todos os bálsamos e "Fantas uva" que
apaziguariam a criança angustiada que fui, justamente por conter também as duas personagens abraçadinhas. E
os dizeres: "uma hora para brincar e outra para trabalhar".
Esse fim da história nós, cigarras-formigas com louvor, sempre o merecemos.
Braune, Bia. Tão cigarra quanto formiga. Folha de São Paulo, Opinião, 25.ago.2024.
TEXTO I
“Alegre, livre e tocando viola no alto de um cogumelo, uma cigarra com cabelo de astro da jovem guarda ilustrava o mais raso dos pratos. Durante todas as refeições da minha infância, recebeu olhares de reprovação por parte de uma formiga seríssima que estava desenhada com uniforme de operária.”
TEXTO II
Disponível em: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=915884696562582&id=100044231809470&set=a.575462900604765. +
( ) Em “... uma cigarra com cabelo de astro da jovem guarda ilustrava o mais raso dos pratos” (Texto I), o sujeito é composto.
( ) No primeiro quadrinho do Texto II, o período é composto por coordenação devido à presença das conjunções “que” e “e”.
( ) No Texto I, a oração “que estava desenhada com uniforme de operária.”, introduzida pelo pronome relativo “que”, é chamada de adjetiva.
( ) No período “A cigarra é uma artista.” (Texto II), o adjetivo “artista” exemplifica um predicativo, pois exprime um atributo do termo “cigarra”.
De acordo com as afirmações, a sequência correta é:
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