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A mãe era desse jeito: só ia em missa das cinco, por causa de os gatos no escuro serem pardos. Cinema, só uma vez, quando passou
Sofria palpitação e tonteira, lembro dela caindo na beira do tanque, o vulto dobrado em arco, gente afobada em volta, cheiro de alcanfor.
Quando comecei a empinar as blusas com o estufadinho dos peitos, o pai chegou pra almoçar, estudando terreno, e anunciou com a voz que fazia nessas ocasiões, meio saliente: companheiro meu tá vendendo um relogim que é uma gracinha, pulseirinha de crom’, danado de bom pra do Carmo. Ela foi logo emendando: tristeza, relógio de pulso e vestido de bolér. Nem bolero ela falou direito de tanta antipatia. Foi água na fervura minha e do pai. Vivia repetindo que era graça de Deus se a gente fosse tudo pra um convento e várias vezes por dia era isto:
Tinha muito medo da morte repentina e pra se livrar dela, fazia as nove primeiras sextas-feiras, emendadas. De defunto não tinha medo, só de gente viva, conforme dizia. Agora, da perdição eterna, tinha horror, pra ela e pros outros.
Quando a Ricardina começou a morrer, no beco atrás da nossa casa, ela me chamou com a voz alterada:
Mas a Ricardina era de impressionar mesmo, imagina que falou pra mãe, uma vez, que não podia ver nem cueca de homem que ela ficava doida. Foi mais por isso que ela ficou daquele jeito, rezando pra salvação da alma da Ricardina.
Era a mulher mais difícil a mãe. Difícil, assim, de ser agradada. Gostava que eu tirasse só dez e primeiro lugar. Pra essas coisas não poupava, era pasta de primeira, caixa com doze lápis e uniforme mandado plissar. Acho mesmo que meia razão ela teve no caso do relógio, luxo bobo, pra quem só tinha um vestido de sair.
Rodeava a gente estudar e um dia falou abrupto, por causa do esforço de vencer a vergonha:
Achava estudo a coisa mais fina e inteligente era mesmo, demais até, pensava com a maior rapidez. Gostava de ler de noite, em voz alta, com tia Santa, os livros da Pia Biblioteca, e de um não esqueci, pois ela insistia com gosto no título dele, em latim:
Não estava gostando nem um pouquinho do desenho, mas nem que eu falava. Com tanta satisfação ela passava o lápis, que eu fiquei foi aflita, como sempre que uma coisa boa acontecia. Bom também era ver ela passando creme Marsílea no rosto e Antissardina nº 3, se sacudindo de rir depois, com a cara toda empolada.
Tinha um vestido de seda branco e preto e um mantô cinzentado que ela gostava demais. Dia ruim foi quando o pai entestou de dar um par de sapato pra ela. Foi três vezes na loja e ela botando defeito, achando o modelo jeca, a cor regalada, achando aquilo uma desgraça e que o pai tinha era umas bobagens. Foi até ele enfezar e arrebentar com o trem, de tanta raiva e mágoa.
Mas sapato é sapato, pior foi com o crucifixo. O pai, voltando de cumprir promessa em Congonhas do Campo, trouxe de presente pra ela um crucifixo torneadinho, o cordão de pendurar, com bambolim nas pontas, a maior gracinha. Ela desembrulhou e falou assim:
Morreu sem fazer trinta e cinco anos, da morte mais agoniada, encomendando com a maior coragem:
Fiquei hipnotizada, olhando a mãe. Já no caixão, tinha a cara severa de quem sente dor forte, igualzinho no dia que o João Antônio nasceu. Entrei no quarto querendo festejar e falei sem graça:
O Senhor te abençoe e te guarde,
Volva a ti o Seu Rosto e se compadeça de ti,
O Senhor te dê a Paz.
Esta é a bênção de São Francisco, que foi abrandando o rosto dela, descansando, descansando, até como ficou, quase entusiasmado.
Era raiva não. Era marca de dor.
Adélia Prado
Fonte: Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século, organizado por Ítalo Moriconi, Editora Objetiva
No trecho do 11º parágrafo do texto:
“Ela desembrulhou e falou assim: bonito, mas eu preferia mais se fosse uma cruz simples, sem enfeite nenhum.”,
As palavras destacadas pertencem, RESPECTIVAMENTE, às classes de:
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A mãe era desse jeito: só ia em missa das cinco, por causa de os gatos no escuro serem pardos. Cinema, só uma vez, quando passou
Sofria palpitação e tonteira, lembro dela caindo na beira do tanque, o vulto dobrado em arco, gente afobada em volta, cheiro de alcanfor.
Quando comecei a empinar as blusas com o estufadinho dos peitos, o pai chegou pra almoçar, estudando terreno, e anunciou com a voz que fazia nessas ocasiões, meio saliente: companheiro meu tá vendendo um relogim que é uma gracinha, pulseirinha de crom’, danado de bom pra do Carmo. Ela foi logo emendando: tristeza, relógio de pulso e vestido de bolér. Nem bolero ela falou direito de tanta antipatia. Foi água na fervura minha e do pai. Vivia repetindo que era graça de Deus se a gente fosse tudo pra um convento e várias vezes por dia era isto:
Tinha muito medo da morte repentina e pra se livrar dela, fazia as nove primeiras sextas-feiras, emendadas. De defunto não tinha medo, só de gente viva, conforme dizia. Agora, da perdição eterna, tinha horror, pra ela e pros outros.
Quando a Ricardina começou a morrer, no beco atrás da nossa casa, ela me chamou com a voz alterada:
Mas a Ricardina era de impressionar mesmo, imagina que falou pra mãe, uma vez, que não podia ver nem cueca de homem que ela ficava doida. Foi mais por isso que ela ficou daquele jeito, rezando pra salvação da alma da Ricardina.
Era a mulher mais difícil a mãe. Difícil, assim, de ser agradada. Gostava que eu tirasse só dez e primeiro lugar. Pra essas coisas não poupava, era pasta de primeira, caixa com doze lápis e uniforme mandado plissar. Acho mesmo que meia razão ela teve no caso do relógio, luxo bobo, pra quem só tinha um vestido de sair.
Rodeava a gente estudar e um dia falou abrupto, por causa do esforço de vencer a vergonha:
Achava estudo a coisa mais fina e inteligente era mesmo, demais até, pensava com a maior rapidez. Gostava de ler de noite, em voz alta, com tia Santa, os livros da Pia Biblioteca, e de um não esqueci, pois ela insistia com gosto no título dele, em latim:
Não estava gostando nem um pouquinho do desenho, mas nem que eu falava. Com tanta satisfação ela passava o lápis, que eu fiquei foi aflita, como sempre que uma coisa boa acontecia. Bom também era ver ela passando creme Marsílea no rosto e Antissardina nº 3, se sacudindo de rir depois, com a cara toda empolada.
Tinha um vestido de seda branco e preto e um mantô cinzentado que ela gostava demais. Dia ruim foi quando o pai entestou de dar um par de sapato pra ela. Foi três vezes na loja e ela botando defeito, achando o modelo jeca, a cor regalada, achando aquilo uma desgraça e que o pai tinha era umas bobagens. Foi até ele enfezar e arrebentar com o trem, de tanta raiva e mágoa.
Mas sapato é sapato, pior foi com o crucifixo. O pai, voltando de cumprir promessa em Congonhas do Campo, trouxe de presente pra ela um crucifixo torneadinho, o cordão de pendurar, com bambolim nas pontas, a maior gracinha. Ela desembrulhou e falou assim:
Morreu sem fazer trinta e cinco anos, da morte mais agoniada, encomendando com a maior coragem:
Fiquei hipnotizada, olhando a mãe. Já no caixão, tinha a cara severa de quem sente dor forte, igualzinho no dia que o João Antônio nasceu. Entrei no quarto querendo festejar e falei sem graça:
O Senhor te abençoe e te guarde,
Volva a ti o Seu Rosto e se compadeça de ti,
O Senhor te dê a Paz.
Esta é a bênção de São Francisco, que foi abrandando o rosto dela, descansando, descansando, até como ficou, quase entusiasmado.
Era raiva não. Era marca de dor.
Adélia Prado
Fonte: Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século, organizado por Ítalo Moriconi, Editora Objetiva
“Quando comecei a empinar as blusas com o estufadinho dos peitos, o pai chegou pra almoçar…” (3º parágrafo) a oração destacada exerce a função de:
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I. O Design Thinking (DT), ou "pensamento do design", é uma abordagem criativa para a solução de problemas complexos, com ênfase no ser humano. Sua essência é explorar diferentes possibilidades para gerar mudanças significativas na vida das pessoas.
II. A utilização do Design Thinking como estratégia de ensino e aprendizagem em projetos educacionais, permite aos estudantes participarem ativamente nas propostas de solução de um problema identificado, bem como em sua prototipagem.
III. O Design Thinking pode articular os três tipos clássicos de avaliação (diagnóstica, formativa e somativa) a fim de verificar, sob diferentes perspectivas, aquilo que o aluno aprendeu.
IV. No campo educacional, a aplicação dos princípios e fundamentos do Design Thinking na educação envolve: estratégias de ensino e aprendizagem; metodologias para solução de problemas e abordagem de inovação.
Estão CORRETOS:
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No contexto da recomposição das aprendizagens, a avaliação _________________desempenha um papel estratégico. Sua função primordial é identificar as lacunas no aprendizado e os conhecimentos prévios dos estudantes, permitindo que o planejamento pedagógico seja fundamentado em dados concretos.
Sobre os tipos de avaliação apresentadas no texto, complete a lacuna e assinale a alternativa CORRETA:
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Para planejar uma proposta curricular por competências, é preciso, entre outros:
Assinale a alterntiva INCORRETA:
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São elementos que podem ser usados para gamificar uma atividade qualquer, entre outros, EXCETO:
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I. A aprendizagem é o principal mecanismo pelo qual o ser humano projeta e constrói a sua própria vida, e, portanto, intrinsecamente motivado.
II. Incentiva o aluno a explorar e a investigar seus interesses - as coisas que ele gosta de fazer e que gostaria de aprender - e atribui ao educador a responsabilidade de encontrar maneiras de tornar tal atividade útil no desenvolvimento das competências básicas necessárias.
III. Procura estabelecer uma estreita relação entre a aprendizagem que acontece na escola e a vida e a experiência do aluno, reconstituindo o vínculo entre seus processos cognitivos e seus processos vitais.
IV. Rejeita a noção de que todas as pessoas devam aprender as mesmas coisas, pelos mesmos métodos, nos mesmos ritmos e nos mesmos momentos, independentemente de seus interesses, de suas aptidões, de seu estilo cognitivo, de seu estado de espírito.
V. A tecnologia digital é parte integrante e indissociável na metodologia de projetos de aprendizagem pelo fato de ser um espaço efetivo para: interação, aprendizagem colaborativa, disseminação de processos e resultados.
Estão CORRETAS:
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1. Contextualização.
2. Interdisciplinaridade.
( )Tem como objetivo a apresentação de maneira interrelacionada ou interligada de diferentes áreas do conhecimento, o que contribui para uma aprendizagem mais significativa e permite agregar conhecimentos diversos na compreensão de conceitos e fenômenos e também na resolução de problemas.
( )O ensino significa incorporar vivências concretas e diversificadas, e também incorporar o aprendizado em novas vivências. É assumir que todo conhecimento envolve uma relação entre sujeito e objeto.
( )Como uma prática pedagógica, não pode ser encarada como mera justaposição de disciplinas, refere-se à construção de um novo saber a respeito da realidade, a partir dos diversos saberes préexistentes e disciplinares de cada área do conhecimento.
( )Pressupõe que cada conhecimento dialoga permanentemente com outros conhecimentos, sendo que este diálogo pode se estabelecer das mais diversas maneiras, seja por questionamentos, por comparações, por similaridades, confrontação, por identificação de manifestações distintas.
( )Remete à conexão entre diferentes aspectos da vida do aluno e aos conteúdos que lhe é passado na escola, facilitando o paralelo entre teoria e prática. Pode ser entendida como um recurso para tornar a aprendizagem significativa ao relacioná-la às experiências da vida cotidiana ou com os conhecimentos adquiridos prévia e espontaneamente.
( )Representa uma ferramenta ou uma estratégia pedagógica que pode contribuir para colocar o aluno como agente ativo no processo de ensino, aquele que contribui na construção
Assinale a sequência CORRETA:
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I. A bioética é o estudo da moralidade da conduta humana no campo da ciência da vida. É interessante destacar que a bioética inclui a chamada ética médica. A ética profissional médica é, então, um capítulo da bioética. Em outras palavras: para compreender, para aprofundar, para refletir sobre a ética profissional, é necessário efetuar uma referência à bioética.
II. É interessante destacar que a bioética inclui a chamada ética médica. A ética profissional médica é, então, um capítulo da bioética. Em outras palavras: para compreender, para aprofundar, para refletir sobre a ética profissional, é necessário efetuar uma referência à bioética.
III. A bioética não está restrita às ciências da saúde. Ela, desde que nasceu, tem a missão de olhar para a vida e para tudo, para todas as áreas do conhecimento que, de uma forma ou de outra, têm implicações sobre a vida. A sua atuação está relacionada com a vida.
IV. Princípios da bioética, que até então, estão mais direcionados para as questões da ética entre as ciências biológicas, ciências da saúde, filosofia (ética) e direito (biodireito). Identifica-se que, sim, de fato, os princípios da bioética muito têm a contribuir para um resgate da ética educacional e uma maior humanização entre seus membros.
Estão CORRETOS:
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A respeito do conceito de ética e valores, analise as alternativas e assinale a INCORRETA:
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