Foram encontradas 30 questões.
INSTRUÇÃO: Leia o a seguir para responder à questão.
A melhor vingança
Artur Azevedo
O Vieirinha namorou durante dois anos a Xandoca; mas
o pai dele, quando soube do namoro, fez intervir a sua
autoridade paterna.
– A rapariga não tem eira nem beira, meu rapaz; o pai
é um simples empregado público que mal ganha para
sustentar a família! Foge dela antes que as coisas
assumam proporções maiores, porque, se te casares
com essa moça, não contes absolutamente comigo –
faze de conta que morri, e morri sem te deixar vintém.
Tu és bonito, inteligente, e tens a ventura de ser meu
filho; podes fazer um bom casamento.
Não sei se o Vieirinha gostava deveras da Xandoca;
só sei que depois dessa observação do Comendador
Vieira nunca mais passou pela Rua Francisco Eugênio,
onde a rapariga todas as tardes o esperava com um
sorriso nos lábios e o coração a palpitar de esperança
e de amor. O brusco desaparecimento do moço fez com
que ela sofresse muito, pois que já se considerava noiva,
e era tida como tal por toda a vizinhança; faltava apenas
o pedido oficial. Entretanto, Xandoca, passado algum
tempo, começou a consolar-se, porque outro homem,
se bem que menos jovem,menos bonito e menos elegante
que o Vieirinha, entrou a requestá-la seriamente, e não
tardou a oferecer-lhe o seu nome. Pouco tempo depois
estavam casados.
Dir-se-ia que Xandoca foi uma boa fada que entrou
em casa desse homem. Logo que ele se casou, o seu
estabelecimento comercial entrou num maravilhoso
período de prosperidade.
Em pouco mais de dois anos, Cardoso – era esse o
seu nome – estava rico; e era um dos negociantes mais
considerados e mais adulados da praça do Rio de Janeiro.
Ele e Xandoca amavam-se e viviam na mais perfeita
harmonia, gozando, sem ostentação, os seus haveres e
de vez em quando correndo mundo. Uma tarde em que
D. Alexandrina (já ninguém a chamava Xandoca) estava
à janela do seu palacete, em companhia do marido,
viu passar na rua um bêbedo maltrapilho, que servia de
divertimento aos garotos, e reconheceu, surpresa, que o
desgraçado era o Vieirinha.
Ficou tão comovida, que o Cardoso suspeitou,
naturalmente, que ela conhecesse o pobre diabo,
e interrogou-a neste sentido.
– Antes de nos casarmos, respondeu ela, confessei-te,
com toda a lealdade, que tinha sido namorada e noiva,
ou quase noiva, de um miserável que fugiu de mim,
sem me dar a menor satisfação, para obedecer a uma
intimação do pai.
– Bem sei, o tal Vieirinha, filho do Comendador Vieira,
que morreu há três ou quatro anos, depois de ter perdido
em especulações da bolsa tudo quanto possuía.
– Pois bem, o Vieirinha ali está!
E Alexandrina apontou para o bêbado, que afinal caíra
sobre a calçada, e dormia.
– Pois, filha, disse o Cardoso, tens agora uma boa
ocasião de te vingares!
– Queres tu melhor vingança?
– Certamente, muito melhor, e, se me dás licença, agirei
por ti.
– Faze o que quiseres, contanto que não lhe faças mal.
– Pelo contrário.
Quando no dia seguinte o Víeirinha despertou, estava
comodamente deitado numa cama limpa e tinha diante
de si um homem de confiança do Cardoso.
– Onde estou eu?
– Não se importe. Levante-se para tomar banho!
O Vieirínha deixou-se levar como uma criança.
Tomou banho, vestiu roupas novas, foi submetido à
tesoura e à navalha de um barbeiro, e almoçou como
um príncipe. Depois de tudo isso, foi levado pelo mesmo
homem a uma fábrica, onde, por ordem do Cardoso,
ficou empregado. Antes de se retirar, o homem que
o levava deu-lhe algum dinheiro e disse-lhe:
– O senhor fica empregado nesta fábrica até o dia em
que torne a beber.
– Mas a quem devo tantos benefícios?
– A uma pessoa que se compadeceu do senhor e deseja
guardar o incógnito. O Vieirinha atribuiu tudo a qualquer
velho amigo do pai; deixou de beber, tomou caminho,
não é mau empregado, e há de morrer sem nunca ter
sabido que a sua regeneração foi uma vingança.
Disponível em: www.dominiopublico.gov.br.
Acesso em: 27 mar. 2022.
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INSTRUÇÃO: Leia o a seguir para responder à questão.
A melhor vingança
Artur Azevedo
O Vieirinha namorou durante dois anos a Xandoca; mas
o pai dele, quando soube do namoro, fez intervir a sua
autoridade paterna.
– A rapariga não tem eira nem beira, meu rapaz; o pai
é um simples empregado público que mal ganha para
sustentar a família! Foge dela antes que as coisas
assumam proporções maiores, porque, se te casares
com essa moça, não contes absolutamente comigo –
faze de conta que morri, e morri sem te deixar vintém.
Tu és bonito, inteligente, e tens a ventura de ser meu
filho; podes fazer um bom casamento.
Não sei se o Vieirinha gostava deveras da Xandoca;
só sei que depois dessa observação do Comendador
Vieira nunca mais passou pela Rua Francisco Eugênio,
onde a rapariga todas as tardes o esperava com um
sorriso nos lábios e o coração a palpitar de esperança
e de amor. O brusco desaparecimento do moço fez com
que ela sofresse muito, pois que já se considerava noiva,
e era tida como tal por toda a vizinhança; faltava apenas
o pedido oficial. Entretanto, Xandoca, passado algum
tempo, começou a consolar-se, porque outro homem,
se bem que menos jovem,menos bonito e menos elegante
que o Vieirinha, entrou a requestá-la seriamente, e não
tardou a oferecer-lhe o seu nome. Pouco tempo depois
estavam casados.
Dir-se-ia que Xandoca foi uma boa fada que entrou
em casa desse homem. Logo que ele se casou, o seu
estabelecimento comercial entrou num maravilhoso
período de prosperidade.
Em pouco mais de dois anos, Cardoso – era esse o
seu nome – estava rico; e era um dos negociantes mais
considerados e mais adulados da praça do Rio de Janeiro.
Ele e Xandoca amavam-se e viviam na mais perfeita
harmonia, gozando, sem ostentação, os seus haveres e
de vez em quando correndo mundo. Uma tarde em que
D. Alexandrina (já ninguém a chamava Xandoca) estava
à janela do seu palacete, em companhia do marido,
viu passar na rua um bêbedo maltrapilho, que servia de
divertimento aos garotos, e reconheceu, surpresa, que o
desgraçado era o Vieirinha.
Ficou tão comovida, que o Cardoso suspeitou,
naturalmente, que ela conhecesse o pobre diabo,
e interrogou-a neste sentido.
– Antes de nos casarmos, respondeu ela, confessei-te,
com toda a lealdade, que tinha sido namorada e noiva,
ou quase noiva, de um miserável que fugiu de mim,
sem me dar a menor satisfação, para obedecer a uma
intimação do pai.
– Bem sei, o tal Vieirinha, filho do Comendador Vieira,
que morreu há três ou quatro anos, depois de ter perdido
em especulações da bolsa tudo quanto possuía.
– Pois bem, o Vieirinha ali está!
E Alexandrina apontou para o bêbado, que afinal caíra
sobre a calçada, e dormia.
– Pois, filha, disse o Cardoso, tens agora uma boa
ocasião de te vingares!
– Queres tu melhor vingança?
– Certamente, muito melhor, e, se me dás licença, agirei
por ti.
– Faze o que quiseres, contanto que não lhe faças mal.
– Pelo contrário.
Quando no dia seguinte o Víeirinha despertou, estava
comodamente deitado numa cama limpa e tinha diante
de si um homem de confiança do Cardoso.
– Onde estou eu?
– Não se importe. Levante-se para tomar banho!
O Vieirínha deixou-se levar como uma criança.
Tomou banho, vestiu roupas novas, foi submetido à
tesoura e à navalha de um barbeiro, e almoçou como
um príncipe. Depois de tudo isso, foi levado pelo mesmo
homem a uma fábrica, onde, por ordem do Cardoso,
ficou empregado. Antes de se retirar, o homem que
o levava deu-lhe algum dinheiro e disse-lhe:
– O senhor fica empregado nesta fábrica até o dia em
que torne a beber.
– Mas a quem devo tantos benefícios?
– A uma pessoa que se compadeceu do senhor e deseja
guardar o incógnito. O Vieirinha atribuiu tudo a qualquer
velho amigo do pai; deixou de beber, tomou caminho,
não é mau empregado, e há de morrer sem nunca ter
sabido que a sua regeneração foi uma vingança.
Disponível em: www.dominiopublico.gov.br.
Acesso em: 27 mar. 2022.
Releia este trecho.
“A uma pessoa que se compadeceu do senhor e deseja guardar o incógnito”.
A palavra em destaque significa
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A melhor vingança
Artur Azevedo
O Vieirinha namorou durante dois anos a Xandoca; mas
o pai dele, quando soube do namoro, fez intervir a sua
autoridade paterna.
– A rapariga não tem eira nem beira, meu rapaz; o pai
é um simples empregado público que mal ganha para
sustentar a família! Foge dela antes que as coisas
assumam proporções maiores, porque, se te casares
com essa moça, não contes absolutamente comigo –
faze de conta que morri, e morri sem te deixar vintém.
Tu és bonito, inteligente, e tens a ventura de ser meu
filho; podes fazer um bom casamento.
Não sei se o Vieirinha gostava deveras da Xandoca;
só sei que depois dessa observação do Comendador
Vieira nunca mais passou pela Rua Francisco Eugênio,
onde a rapariga todas as tardes o esperava com um
sorriso nos lábios e o coração a palpitar de esperança
e de amor. O brusco desaparecimento do moço fez com
que ela sofresse muito, pois que já se considerava noiva,
e era tida como tal por toda a vizinhança; faltava apenas
o pedido oficial. Entretanto, Xandoca, passado algum
tempo, começou a consolar-se, porque outro homem,
se bem que menos jovem,menos bonito e menos elegante
que o Vieirinha, entrou a requestá-la seriamente, e não
tardou a oferecer-lhe o seu nome. Pouco tempo depois
estavam casados.
Dir-se-ia que Xandoca foi uma boa fada que entrou
em casa desse homem. Logo que ele se casou, o seu
estabelecimento comercial entrou num maravilhoso
período de prosperidade.
Em pouco mais de dois anos, Cardoso – era esse o
seu nome – estava rico; e era um dos negociantes mais
considerados e mais adulados da praça do Rio de Janeiro.
Ele e Xandoca amavam-se e viviam na mais perfeita
harmonia, gozando, sem ostentação, os seus haveres e
de vez em quando correndo mundo. Uma tarde em que
D. Alexandrina (já ninguém a chamava Xandoca) estava
à janela do seu palacete, em companhia do marido,
viu passar na rua um bêbedo maltrapilho, que servia de
divertimento aos garotos, e reconheceu, surpresa, que o
desgraçado era o Vieirinha.
Ficou tão comovida, que o Cardoso suspeitou,
naturalmente, que ela conhecesse o pobre diabo,
e interrogou-a neste sentido.
– Antes de nos casarmos, respondeu ela, confessei-te,
com toda a lealdade, que tinha sido namorada e noiva,
ou quase noiva, de um miserável que fugiu de mim,
sem me dar a menor satisfação, para obedecer a uma
intimação do pai.
– Bem sei, o tal Vieirinha, filho do Comendador Vieira,
que morreu há três ou quatro anos, depois de ter perdido
em especulações da bolsa tudo quanto possuía.
– Pois bem, o Vieirinha ali está!
E Alexandrina apontou para o bêbado, que afinal caíra
sobre a calçada, e dormia.
– Pois, filha, disse o Cardoso, tens agora uma boa
ocasião de te vingares!
– Queres tu melhor vingança?
– Certamente, muito melhor, e, se me dás licença, agirei
por ti.
– Faze o que quiseres, contanto que não lhe faças mal.
– Pelo contrário.
Quando no dia seguinte o Víeirinha despertou, estava
comodamente deitado numa cama limpa e tinha diante
de si um homem de confiança do Cardoso.
– Onde estou eu?
– Não se importe. Levante-se para tomar banho!
O Vieirínha deixou-se levar como uma criança.
Tomou banho, vestiu roupas novas, foi submetido à
tesoura e à navalha de um barbeiro, e almoçou como
um príncipe. Depois de tudo isso, foi levado pelo mesmo
homem a uma fábrica, onde, por ordem do Cardoso,
ficou empregado. Antes de se retirar, o homem que
o levava deu-lhe algum dinheiro e disse-lhe:
– O senhor fica empregado nesta fábrica até o dia em
que torne a beber.
– Mas a quem devo tantos benefícios?
– A uma pessoa que se compadeceu do senhor e deseja
guardar o incógnito. O Vieirinha atribuiu tudo a qualquer
velho amigo do pai; deixou de beber, tomou caminho,
não é mau empregado, e há de morrer sem nunca ter
sabido que a sua regeneração foi uma vingança.
Disponível em: www.dominiopublico.gov.br.
Acesso em: 27 mar. 2022.
“Foge dela antes que as coisas assumam proporções maiores, porque, se te casares com essa moça, não contes absolutamente comigo – faze de conta que morri, e morri sem te deixar vintém. Tu és bonito, inteligente, e tens a ventura de ser meu filho; podes fazer um bom casamento”.
Assinale a alternativa em que esse trecho foi reescrito de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, ao empregar o pronome “você”, no lugar de “tu”.
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A melhor vingança
Artur Azevedo
O Vieirinha namorou durante dois anos a Xandoca; mas
o pai dele, quando soube do namoro, fez intervir a sua
autoridade paterna.
– A rapariga não tem eira nem beira, meu rapaz; o pai
é um simples empregado público que mal ganha para
sustentar a família! Foge dela antes que as coisas
assumam proporções maiores, porque, se te casares
com essa moça, não contes absolutamente comigo –
faze de conta que morri, e morri sem te deixar vintém.
Tu és bonito, inteligente, e tens a ventura de ser meu
filho; podes fazer um bom casamento.
Não sei se o Vieirinha gostava deveras da Xandoca;
só sei que depois dessa observação do Comendador
Vieira nunca mais passou pela Rua Francisco Eugênio,
onde a rapariga todas as tardes o esperava com um
sorriso nos lábios e o coração a palpitar de esperança
e de amor. O brusco desaparecimento do moço fez com
que ela sofresse muito, pois que já se considerava noiva,
e era tida como tal por toda a vizinhança; faltava apenas
o pedido oficial. Entretanto, Xandoca, passado algum
tempo, começou a consolar-se, porque outro homem,
se bem que menos jovem,menos bonito e menos elegante
que o Vieirinha, entrou a requestá-la seriamente, e não
tardou a oferecer-lhe o seu nome. Pouco tempo depois
estavam casados.
Dir-se-ia que Xandoca foi uma boa fada que entrou
em casa desse homem. Logo que ele se casou, o seu
estabelecimento comercial entrou num maravilhoso
período de prosperidade.
Em pouco mais de dois anos, Cardoso – era esse o
seu nome – estava rico; e era um dos negociantes mais
considerados e mais adulados da praça do Rio de Janeiro.
Ele e Xandoca amavam-se e viviam na mais perfeita
harmonia, gozando, sem ostentação, os seus haveres e
de vez em quando correndo mundo. Uma tarde em que
D. Alexandrina (já ninguém a chamava Xandoca) estava
à janela do seu palacete, em companhia do marido,
viu passar na rua um bêbedo maltrapilho, que servia de
divertimento aos garotos, e reconheceu, surpresa, que o
desgraçado era o Vieirinha.
Ficou tão comovida, que o Cardoso suspeitou,
naturalmente, que ela conhecesse o pobre diabo,
e interrogou-a neste sentido.
– Antes de nos casarmos, respondeu ela, confessei-te,
com toda a lealdade, que tinha sido namorada e noiva,
ou quase noiva, de um miserável que fugiu de mim,
sem me dar a menor satisfação, para obedecer a uma
intimação do pai.
– Bem sei, o tal Vieirinha, filho do Comendador Vieira,
que morreu há três ou quatro anos, depois de ter perdido
em especulações da bolsa tudo quanto possuía.
– Pois bem, o Vieirinha ali está!
E Alexandrina apontou para o bêbado, que afinal caíra
sobre a calçada, e dormia.
– Pois, filha, disse o Cardoso, tens agora uma boa
ocasião de te vingares!
– Queres tu melhor vingança?
– Certamente, muito melhor, e, se me dás licença, agirei
por ti.
– Faze o que quiseres, contanto que não lhe faças mal.
– Pelo contrário.
Quando no dia seguinte o Víeirinha despertou, estava
comodamente deitado numa cama limpa e tinha diante
de si um homem de confiança do Cardoso.
– Onde estou eu?
– Não se importe. Levante-se para tomar banho!
O Vieirínha deixou-se levar como uma criança.
Tomou banho, vestiu roupas novas, foi submetido à
tesoura e à navalha de um barbeiro, e almoçou como
um príncipe. Depois de tudo isso, foi levado pelo mesmo
homem a uma fábrica, onde, por ordem do Cardoso,
ficou empregado. Antes de se retirar, o homem que
o levava deu-lhe algum dinheiro e disse-lhe:
– O senhor fica empregado nesta fábrica até o dia em
que torne a beber.
– Mas a quem devo tantos benefícios?
– A uma pessoa que se compadeceu do senhor e deseja
guardar o incógnito. O Vieirinha atribuiu tudo a qualquer
velho amigo do pai; deixou de beber, tomou caminho,
não é mau empregado, e há de morrer sem nunca ter
sabido que a sua regeneração foi uma vingança.
Disponível em: www.dominiopublico.gov.br.
Acesso em: 27 mar. 2022.
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A melhor vingança
Artur Azevedo
O Vieirinha namorou durante dois anos a Xandoca; mas
o pai dele, quando soube do namoro, fez intervir a sua
autoridade paterna.
– A rapariga não tem eira nem beira, meu rapaz; o pai
é um simples empregado público que mal ganha para
sustentar a família! Foge dela antes que as coisas
assumam proporções maiores, porque, se te casares
com essa moça, não contes absolutamente comigo –
faze de conta que morri, e morri sem te deixar vintém.
Tu és bonito, inteligente, e tens a ventura de ser meu
filho; podes fazer um bom casamento.
Não sei se o Vieirinha gostava deveras da Xandoca;
só sei que depois dessa observação do Comendador
Vieira nunca mais passou pela Rua Francisco Eugênio,
onde a rapariga todas as tardes o esperava com um
sorriso nos lábios e o coração a palpitar de esperança
e de amor. O brusco desaparecimento do moço fez com
que ela sofresse muito, pois que já se considerava noiva,
e era tida como tal por toda a vizinhança; faltava apenas
o pedido oficial. Entretanto, Xandoca, passado algum
tempo, começou a consolar-se, porque outro homem,
se bem que menos jovem,menos bonito e menos elegante
que o Vieirinha, entrou a requestá-la seriamente, e não
tardou a oferecer-lhe o seu nome. Pouco tempo depois
estavam casados.
Dir-se-ia que Xandoca foi uma boa fada que entrou
em casa desse homem. Logo que ele se casou, o seu
estabelecimento comercial entrou num maravilhoso
período de prosperidade.
Em pouco mais de dois anos, Cardoso – era esse o
seu nome – estava rico; e era um dos negociantes mais
considerados e mais adulados da praça do Rio de Janeiro.
Ele e Xandoca amavam-se e viviam na mais perfeita
harmonia, gozando, sem ostentação, os seus haveres e
de vez em quando correndo mundo. Uma tarde em que
D. Alexandrina (já ninguém a chamava Xandoca) estava
à janela do seu palacete, em companhia do marido,
viu passar na rua um bêbedo maltrapilho, que servia de
divertimento aos garotos, e reconheceu, surpresa, que o
desgraçado era o Vieirinha.
Ficou tão comovida, que o Cardoso suspeitou,
naturalmente, que ela conhecesse o pobre diabo,
e interrogou-a neste sentido.
– Antes de nos casarmos, respondeu ela, confessei-te,
com toda a lealdade, que tinha sido namorada e noiva,
ou quase noiva, de um miserável que fugiu de mim,
sem me dar a menor satisfação, para obedecer a uma
intimação do pai.
– Bem sei, o tal Vieirinha, filho do Comendador Vieira,
que morreu há três ou quatro anos, depois de ter perdido
em especulações da bolsa tudo quanto possuía.
– Pois bem, o Vieirinha ali está!
E Alexandrina apontou para o bêbado, que afinal caíra
sobre a calçada, e dormia.
– Pois, filha, disse o Cardoso, tens agora uma boa
ocasião de te vingares!
– Queres tu melhor vingança?
– Certamente, muito melhor, e, se me dás licença, agirei
por ti.
– Faze o que quiseres, contanto que não lhe faças mal.
– Pelo contrário.
Quando no dia seguinte o Víeirinha despertou, estava
comodamente deitado numa cama limpa e tinha diante
de si um homem de confiança do Cardoso.
– Onde estou eu?
– Não se importe. Levante-se para tomar banho!
O Vieirínha deixou-se levar como uma criança.
Tomou banho, vestiu roupas novas, foi submetido à
tesoura e à navalha de um barbeiro, e almoçou como
um príncipe. Depois de tudo isso, foi levado pelo mesmo
homem a uma fábrica, onde, por ordem do Cardoso,
ficou empregado. Antes de se retirar, o homem que
o levava deu-lhe algum dinheiro e disse-lhe:
– O senhor fica empregado nesta fábrica até o dia em
que torne a beber.
– Mas a quem devo tantos benefícios?
– A uma pessoa que se compadeceu do senhor e deseja
guardar o incógnito. O Vieirinha atribuiu tudo a qualquer
velho amigo do pai; deixou de beber, tomou caminho,
não é mau empregado, e há de morrer sem nunca ter
sabido que a sua regeneração foi uma vingança.
Disponível em: www.dominiopublico.gov.br.
Acesso em: 27 mar. 2022.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
2852443
Ano: 2022
Disciplina: Atualidades e Conhecimentos Gerais
Banca: FUNDEP
Orgão: Pref. Bom Sucesso-MG
Disciplina: Atualidades e Conhecimentos Gerais
Banca: FUNDEP
Orgão: Pref. Bom Sucesso-MG
Provas:
Chegamos a um ponto na História em que devemos
moldar nossas ações em todo o mundo, com maior
atenção para as consequências ambientais. Através
da ignorância ou da indiferença podemos causar
danos maciços e irreversíveis ao meio ambiente,
do qual nossa vida e bem-estar dependem. Por outro
lado, através do maior conhecimento e de ações mais
sábias, podemos conquistar uma vida melhor para
nós e para a posteridade, com um meio ambiente em
sintonia com as necessidades e esperanças humanas.
Defender e melhorar o meio ambiente para as atuais e
futuras gerações se tornou uma meta fundamental para
a humanidade.
Trechos da Declaração da Conferência da ONU sobre o Meio Ambiente (Estocolmo, 1972). Disponível em: https://brasil. un.org/pt-br/91223-onu-e-o-meio-ambiente. Acesso em: 15 mar. 2022.
A Organização das Nações Unidas convocou a Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano, em Estocolmo (Suécia).
Sobre a preocupação expressa nos trechos da declaração da ONU, é correto afirmar:
Trechos da Declaração da Conferência da ONU sobre o Meio Ambiente (Estocolmo, 1972). Disponível em: https://brasil. un.org/pt-br/91223-onu-e-o-meio-ambiente. Acesso em: 15 mar. 2022.
A Organização das Nações Unidas convocou a Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano, em Estocolmo (Suécia).
Sobre a preocupação expressa nos trechos da declaração da ONU, é correto afirmar:
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Questão presente nas seguintes provas
2852442
Ano: 2022
Disciplina: Atualidades e Conhecimentos Gerais
Banca: FUNDEP
Orgão: Pref. Bom Sucesso-MG
Disciplina: Atualidades e Conhecimentos Gerais
Banca: FUNDEP
Orgão: Pref. Bom Sucesso-MG
Provas:
Enquanto grande parte do mundo acompanha a invasão russa da Ucrânia, o Iêmen vive um dos períodos mais violentos
desde 2014, quando começou a guerra civil no país. A guerra civil opõe duas potências do Oriente Médio. De um lado,
estão as forças do governo de Abd-Rabbu Mansour Hadi, apoiadas por uma coalizão sunita liderada pela Arábia Saudita.
Do outro, está a milícia rebelde houthit, de xiitas, apoiada pelo Irã, que controla a capital, Sanaa, e partes do oeste do
país. Ambos os lados são acusados de crimes de guerra, o que eles negam [...]. O conflito já gerou 233 mil mortes,
incluindo 131 mil por causas indiretas, como falta de alimentos, serviços de saúde e infraestrutura. Mais de 10 mil crianças
morreram como consequência direta dos combates.
Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-60758741. Acesso em: 17 mar. 2022.
Essas informações apresentadas, sobre um dos conflitos da atualidade, revelam que
Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-60758741. Acesso em: 17 mar. 2022.
Essas informações apresentadas, sobre um dos conflitos da atualidade, revelam que
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2852441
Ano: 2022
Disciplina: Atualidades e Conhecimentos Gerais
Banca: FUNDEP
Orgão: Pref. Bom Sucesso-MG
Disciplina: Atualidades e Conhecimentos Gerais
Banca: FUNDEP
Orgão: Pref. Bom Sucesso-MG
Provas:
O governo de Roraima, por meio de Ação Civil Originária
(ACO) 3121, requereu ao Supremo Tribunal Federal o
fechamento temporário da fronteira que liga o Brasil à
Venezuela localizada no estado e a limitação do ingresso
dos imigrantes venezuelanos no Brasil (STF, 2018, p1).
O pedido se deu pela estagnação dos serviços públicos
do estado em decorrência do grande número de
imigrantes venezuelanos que adentraram no território
brasileiro. Em resposta ao requerimento do governo de
Roraima, o STF decidiu pelo indeferimento.
BAENINGER, Rosana; JAROSHINSKI SILVA. Migrações venezuelanas. NEPO/UNICAMP, 2018. Disponível em: https:// www.nepo.unicamp.br/publicacoes/livros/mig_venezuelanas/ migracoes_venezuelanas.pdf. Acesso em: 19 mar. 2022.
A ação do Supremo Tribunal Federal em relação ao pedido do governo de Roraima pode ser justificada pela seguinte afirmativa:
BAENINGER, Rosana; JAROSHINSKI SILVA. Migrações venezuelanas. NEPO/UNICAMP, 2018. Disponível em: https:// www.nepo.unicamp.br/publicacoes/livros/mig_venezuelanas/ migracoes_venezuelanas.pdf. Acesso em: 19 mar. 2022.
A ação do Supremo Tribunal Federal em relação ao pedido do governo de Roraima pode ser justificada pela seguinte afirmativa:
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Questão presente nas seguintes provas
2852440
Ano: 2022
Disciplina: Atualidades e Conhecimentos Gerais
Banca: FUNDEP
Orgão: Pref. Bom Sucesso-MG
Disciplina: Atualidades e Conhecimentos Gerais
Banca: FUNDEP
Orgão: Pref. Bom Sucesso-MG
Provas:
Do mesmo modo que o movimento sionista advogada
um Estado israelense, a Palestina luta por seu
reconhecimento como estado independente. Isso,
no entanto, passa pela disputa em torno da cidade
de Jerusalém, que o Estado palestino – composto
formalmente pela Faixa de Gaza e a Cisjordânia e
reconhecido por 138 dos 193 membros da ONU –
advoga como sua capital [...]. O escritor Amós Oz (1939-
2018), um dos maiores nomes da literatura israelense,
costumava afirmar que, no caso Israel e Palestina,
os dois lados estavam certos .A solução para o caso seria
a criação de dois Estados que, com o tempo, poderiam
converter-se numa espécie de federação, nos moldes da
União Europeia, por exemplo.
Disponível em: https://guiadoestudante.abril.com.br/tudosobre/palestina/. Acesso em: 19 mar. 2022.
Uma das dificuldades para se consolidar a proposta de intervenção no duradouro conflito entre Israel e Palestina é expressa corretamente em:
Disponível em: https://guiadoestudante.abril.com.br/tudosobre/palestina/. Acesso em: 19 mar. 2022.
Uma das dificuldades para se consolidar a proposta de intervenção no duradouro conflito entre Israel e Palestina é expressa corretamente em:
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Foi realizada uma pesquisa com 500 pessoas de um bairro de Belo Horizonte, perguntando sobre a quantidade de
animais de estimação que essas pessoas tinham. Os dados obtidos estão representados no gráfico de setores a seguir.

Das pessoas entrevistadas, quantas têm pelo menos 3 animais de estimação?

Das pessoas entrevistadas, quantas têm pelo menos 3 animais de estimação?
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